Edital facepe 13/2016 Projeto Institucional Pesquisador Visitante Controle biológico da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) no cultivo de milho verde perfil



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EDITAL FACEPE 13/2016

Projeto Institucional Pesquisador Visitante
Controle biológico da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) no cultivo de milho verde
PERFIL :

Ter experiência na área de Bioquímica, com ênfase em Bioquímica dos Microrganismos, atuando principalmente nos seguintes temas: processos biotecnológicos para produção de biomoléculas, desenvolvimento de processos de biosseparação.



PLANO DE TRABALHO

O presente plano de trabalho está inserido no âmbito do subprojeto “Controle biológico da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) no cultivo de milho verde”, da proposta a submeter do IPA ao EDITAL FACEPE 13/2016 - Projeto Institucional Pesquisador Visitante. O presente plano de trabalho procura detalhar a minha participação como pesquisador visitante no âmbito do referido projeto, que terá como principal objetivo desenvolver um biolarvicida por processos biotecnológicos para o combate a lagarta–do-cartucho do milho verde. Este objetivo será conseguido através da organização das atividades para o desenvolvimento do projeto, com a elaboração de procedimentos metodológicos, pela análise das atividades biológicas da biomassa produzida do BT em bioensaios, com elaboração de uma formulação de um produto biolarvicida, que tem sido objeto de interesse pelo grupo de pesquisadores do IPA, além do apoio da cooperação de expertises na área de pesquisadores de outras universidades estrangeiras. Ressaltando, além disso todo empenho em incrementar as pesquisas na área biotecnológica em Bioprocessos Aplicados à agricultura, fortalecendo com isso o papel do IPA na agricultura regional e nacional, no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação do Brasil.


Principais objetivos

  • Realizar o desenvolvimento das atividades do subprojeto em Biotecnologia da proposta;

  • Incrementar as pesquisas na área de biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de biolarvicidas de uso na agricultura no IPA;

  • Internacionalizar a pesquisa com a inserção de consultores de universidades estrangeiras na equipe, fortalecendo com isso, a relação dos pesquisadores do IPA com outros centros de excelência na área de biotecnologia;

  • Fomentar a formação de recursos humanos pela ampla experiência da candidata na formação de doutores e mestres na área;

  • Intensificar a transferência de tecnologia para o setor produtivo, de modo que a biotecnologia possa contribuir com a ciência, tecnologia e inovação na área agrícola do estado de Pernambuco


Metas

  • Obtenção de meio de cultura mais econômico utilizando substratos regionais para a produção de biomassa do BT;

  • Formulação de um biolarvicida com atividade biológica frente Spodoptera frugiperda;

  • Desenvolvimento de um processo de produção de um biolarvicida utilizando substratos regionais para deposto de patente;


Resultados esperados

  • Consolidação da área de Biotecnologia do IPA na área de controle biológico;

  • Desenvolvimento de um processo e/ou produto biotecnológico de uso na agricultura como biolarvicida;  

  • Aumento da produtividade científica da pesquisa na área biotecnológica de Bioprocessos Aplicados a Agricultura do IPA;

  • Atuação na cooperação internacional entre os pesquisadores do IPA e pesquisadores com expertises na área de biotecnologia de bioprocessos de Universidades de Portugal e Itália;

  • Formação de recursos humanos na área de biotecnologia


RESUMO

A crescente demanda pela proteção ambiental e a preocupação com a redução do uso de agentes químicos no controle de pragas agrícolas vem fortalecendo as técnicas de controle biológico como alternativa. Devido à ausência de efeitos negativos à saúde humana e ao meio ambiente, a especificidade contra as espécies alvo e o menor custo e tempo para produção de novos inseticidas o uso da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), vem sendo estudado há várias décadas para pragas de importantes culturas como soja, cana-de-açúcar, sorgo e milho. A busca por novas estirpes que apresentem novas toxinas e outras características de patogenicidade é um passo importante no combate as pragas agrícolas regionais. Aliado a isso o desenvolvimento de larvicidas microbianos nacionais, adequados ao combate a vetores regionais, pode trazer resultados mais eficazes e econômicos do que a importação dos produtos. O objetivo deste projeto é prospecção e caracterização molecular de isolados de Bacillus thuringiensis (Bt), buscando o desenvolvimento de biolarvicida formulado para o controle biológico da Spodoptera frugiperda no cultivo de milho verde. Espera-se como resultado a implementação das técnicas de isolamento e caracterização molecular para Bacillus thuringiensis de forma contínua no Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) visando novos isolados para pragas agrícolas regionais. Além disso, espera-se o desenvolvimento de metodologia própria de produção de formulados à base de Bacillus thuringiensis, com possível proteção de propriedade intelectual. Com o objetivo atingido espera-se impulsionar a área de controle biológico por Bacillus no IPA para culturas regionais importantes. A médio prazo, o desenvolvimento destas tecnologias locais permitirá o uso do controle biológico pelos agricultores familiares, com aumento da produtividade e queda no uso do controle químico, auxiliando desta forma no desenvolvimento da agricultura do estado de Pernambuco e da região Nordeste.


Palavras chaves: Lagarta; agricultura familiar; controle agrícola.

INTRODUÇÃO

Dados divulgados em 2012 pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) mostrou que o consumo de agrotóxico no Brasil entre os anos 2002 e 2011 passou de 599,5 milhões de litros para 852,8 milhões de litros em 2011, incremento de 1,5 litros de agrotóxico por hectare, elevando a exposição média ambiental/ocupacional/alimentar para 4,5 litros de agrotóxicos por habitante (ABRASCO, 2015). O Brasil concentra mais de 20% do mercado mundial de uso de agrotóxicos e, desde 2008, ocupa o primeiro lugar no ranking mundial, com um crescimento de 194% entre 2000 e 2012, enquanto o mercado mundial cresceu 93% (IBAMA, 2012; ABRASCO, 2015).

Segundo a ANVISA (2011) um terço dos alimentos consumidos no Brasil está contaminado, onde 63% das amostras analisadas estão contaminadas com agrotóxicos e 28% apresentaram ingrediente ativo não autorizado para a cultura ou ultrapassaram os limites máximos de resíduos. O pimentão é a cultura com maior nível médio de contaminação (92%), seguida do morango (63%), pepino (57%), alface (54%), cenoura (50%), abacaxi (33%), beterraba (33%) e mamão (30%).

Embora a adoção de práticas agrícolas com a simplificação dos agroecossistemas tenha impulsionado a produção mundial de alimentos ainda na década de 1960, efeitos negativos começaram a ser percebidos, tais como erosão, contaminação dos solos e mananciais, perda da diversidade da fauna e flora, ressurgimento de pragas e resistência de pragas aos agrotóxicos (MENEZES, 2003).

Dentro dessa perspectiva, o controle biológico de pragas torna-se ferramenta essencial no manejo de pragas por ser de custo relativamente mais baixo e de menor risco à saúde humana e ao meio ambiente (MENEZES, 2003). Para isso utilizam-se de inimigos naturais que podem ser parasitóides, predadores e patógenos, com finalidade de promover a regulação da população de insetos-praga em níveis não-prejudiciais (MARTINS et al., 2004).

Dentre esses inimigos naturais, a espécie Bacillus thuringiensis(Bt) é uma bactéria aeróbio - gram-positiva que sintetiza proteínas e fatores de virulência que apresentam atividade inseticida destacando-se as proteínas Cry, Cyt e Vip. As proteínas vegetativas, em especial as subfamílias Vip1 e Vip2 são codificadoras de uma proteína binária, tendo uma alta taxa de mortalidade em bioensaios com pulgões hemípteros (SATTAR 2011), sendo sintetizadas no sobrenadante da cultura tanto na fase vegetativa como na fase de esporulação (ESTRUCH et al., 1997).

Segundo MISHRA et al. (2015) a utilização de biopesticiadas tem uma propensão cada vez mais crescente na América Latina em culturas orgânicas. No Brasil, a utilização de biopesticidas vem crescendo e já no ano de 2010 estimou-se que aproximadamente 3 milhões de hectares recebiam tratamentos anuais com formulações que continham micro-organismos (KABALUK et al., 2010).

A eficiência destas formulações foi atestada em diferentes estádios do desenvolvimento de lepdópteros a exemplo do Spodoptera littoralis (Bois.) (curuquerê); inseto que ataca culturas de grande importância econômica como algodão, milho, trigo, soja (PORCAR & CABALLERO, 2000; DUTTON et al., 2003; PINEDA et al., 2007; ALFAZAIRY et al., 2012).

A cultura do milho em Pernambuco teve sua maior produção em 2006 com 195 mil toneladas (IBGE, 2016). A “lagarta do cartucho” (Spodoptera frugiperda) tem sido considerada como uma das pragas que mais causam danos econômicos à cultura do milho em Pernambuco. O uso do milho em grão na alimentação animal representa a maior parte do consumo, variando entre 60 e 80% dependendo de ano para ano. Apesar da pequena participação em algumas regiões o milho, e derivados, é um cereal importante na alimentação humana, por exemplo, no semiárido nordestino onde o milho é fonte de energia para muitas pessoas (DUARTE, 2000). Esse ainda é um dos produtos agrícolas de grande preferência pelos agricultores e atualmente se vislumbra a atividade “produção de milho verde”, com irrigação como de grande potencial econômico em diversas regiões.

Apesar do grande desenvolvimento dessa cultura, com seus cultivares transgênicos, a produção de biopesticidades seguros a base de Bt têm sua importância em um mercado competitivo (SARMA & BRAR, 2015), especialmente na produção regionalizada.O Bacillus thuringiensis é bem adaptado a esta regionalização, pois não necessita de condições especiais para se desenvolver, apresentando um crescimentoaeróbicoquenãonecessitadeumsistemadeaeraçãoespecial.Alémdisso possibilita a formulação de meios de cultivo bacteriano de baixo custo e alta produtividade, onde pode ser usado até mesmo resíduos industriais.

O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em seu Laboratório de Produção de Bactérias Entomopatogênicas (LPBE), desenvolveu e produziu em 1996 um caldo fermentado à base de B. sphaericus (BS1), para o controle da larva da muriçoca (Culex quinquefasciatus). Todo o processo tecnológico da pesquisa e produção desse larvicida foi desenvolvido localmente por meio de cooperação técnica com instituições parceiras, com resultados de mortalidade larval de 80 a 100% em 30 municípios do estado de Pernambuco.Atualmente, o laboratório está em fase final de reforma, com sua infraestrutura de pesquisa melhorada, inclusive com projeto aprovado pela Finep para a aquisição de um fermentador com capacidade de 50 L, além de outros equipamentos. Com essa estrutura o IPA estará apto a produzir biopesticidas em parceria com outras instituições de pesquisa.


OBJETIVO GERAL

Desenvolver um biolarvicida formulado a partir do Bacillus thuringiensis para o controle biológico da Spodoptera frugiperda no cultivo de milho verde.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Avaliar geneticamente quais cepas de Bt do banco do IPA são mais promissoras para controle biológico da cultura do milho;

  • Avaliar por bioensaio a atividade biológica das cepas selecionadas contra Spodoptera frugiperda;

  • Selecionar resíduos agroindustriais como fonte de carbono e nitrogênio para produção de biomassa da cepa Bt selecionada;

  • Determinar o efeito dos parâmetros de cultivo para produção de biomassa da cepa selecionada por fermentação líquida submersa em frascos agitados utilizando planejamento experimental;

  • Otimizar as condições de cultivo da cepa selecionada por fermentação líquida submersa em Biorreator;

  • Desenvolver a melhor formulação do biolarvicida e avaliar a atividade biológica do formulado contra a Spodoptera frugiperda em ensaios in vitro.



METAS

METAS

EQUIPE

Caracterização genética de 100 isolados através da amplificação das regiões dos genes cry, cyt e vip

Henrique Castelletti, Amaro de Castro, Tercilio Calsa Junior, Paulo Geovani, José Tabosa, Antonio Felix, Maria Luiza, Adália Mergulhão

Avaliação por bioensaio de 20 cepas contra a Spodoptera frugiperda

Amaro de Castro, Henrique Castelletti, Gilvanda Ribeiro, Rodrigo Leandro, Tercilio Calsa Junior, Paulo Geovani, Antonio Felix, Rodrigo Leandro, Cynthia Lacerda, Vanildo Cavalcanti, Romualdo Sena

Identificação de três resíduos agroindustriais para uso no cultivo da cepa de Bt selecionada

Ana Porto, Henrique Castelletti, José de Paula, Gilvanda Ribeiro, Attílio Converti, Raquel Bezerra, Taciana Soares, Tatiana Porto, Romero Brandão, Fabiana Souza, Polyanna Herculano

Determinação dos três parâmetros principais (temperatura, agitação, pH) de cultivo para a produção de biomassa em frascos agitados

Ana Porto, Henrique Castelletti, Gilvanda Ribeiro, Paulo Geovani, Attílio Converti, Raquel Bezerra, Taciana Soares, Tatiana Porto, Romero Brandão, Fabiana Souza, Polyanna Herculano

Otimização das condições de cultivo da cepa selecionada por fermentação líquida submersa em biorreator

Ana Porto, Henrique Castelletti, José de Paula, Gilvanda Ribeiro, Attílio Converti, Raquel Bezerra, Taciana Soares, Tatiana Porto, Romero Brandão, Fabiana Souza, Polyanna Herculano

Desenvolvimento de um formulado a base de Bt e avaliação da atividade biológica contra a Spodoptera frugiperda

Ana Porto, Henrique Castelletti, Amaro de Castro, José de Paula, José Tabosa, Gilvanda Ribeiro, Rodrigo Leandro, Tercilio Calsa Junior, Paulo Geovani, Attílio Converti, Raquel Bezerra, Taciana Soares, Tatiana Porto, Romero Brandão, Fabiana Souza, Polyanna Herculano



METODOLOGIA

Extração de DNA total e amplificação dos genes cry, cip e cry

As colônias do banco de Bacillus do IPA serão incubadas em 200 mL de meio LB (Luria-Bertani) e 10 µg/mL de penicilina G, com posterior extração plasmidial seguindo a metodologia descrita por SAMBROOK & RUSSEL (2001). Para as amplificações do DNA serão utilizados primers das famílias cry, cit e vip. As amplificações terão volume final de 25 µL usando: 0,3 µl de Platinum® Taq DNA Polymerase, 0,3 mM de cada primer, 10% de tampão, 2,5 mM de dNTP’s, 2,5 mM de MgCl2, 15,95 µL de água ultrapura autoclavada e 30 ng do DNA. As amplificações serão realizadas em termocicladorBiometra® programado para 2 min a 94 ºC, seguido de 30 ciclos de 1 min a 94ºC, 2 min a 60ºC e 1min a 72ºC, com extensão final de 10 min a 72ºC. Os produtos serão analisados por eletroforese em géis de agarose 1%, em tampão Tris-borato-EDTA 0,5X corados com SYBR Green e visualizados em um transiluminador de ultravioleta. Os tamanhos dos produtos serão determinados pelo marcador 1 Kb Plus DNA Ladder (Invitrogen).


Purificação, sequenciamento de DNA e análise de dados

Os produtos de PCR serão purificados com Kit Wizard ® SV Gel and PCR Clean-Up System seguindo a metodologia recomendada pelo fabricante. As purificações serão sequenciadas e posteriormente analisadas por softwares de bioinformática comparando as sequências obtidas com o banco de dados do NCBI (National Center for BiotechnologyInformation).


Crescimento de isolados para teste de patogenicidade

Os isolados caracterizados geneticamente e que apresentarem atividade hipotética para a ordem Lepidoptera serão crescidos em meio Ágar nutriente (HiMedia, Mumbai, Índia) contendo penicilina G na concentração de 100 mg/L e incubados a 30ºC por 24h para germinação. Após este período, os isolados serão transferidos para Erlenmeyer (300 mL), contendo 200 mL de meio T3 líquido (Bacto-triptona, 1,5 g; bacto-triptose, 1 g; extrato de levedura, 0,75 g; MnCl2, 0,0025 g; e tampão fosfato 56 50 mM, pH 6,8; 0,5 L), incubados a 30ºC, 200 rpm, por 72 h (TRAVERS et al. 1987, MARTIN & TRAVERS, 1989) para produção de esporos e cristais. Após o período de incubação, os isolados serão centrifugados a 1700 xg por 15 min a 4ºC, os sobrenadantes serão descartados e os pellets lavados em 10 mL de água ultrapura esterilizada. Ao final serão adicionados 5 mL de solução de NaCl (0,9%) aos pellets que serão estocados a 4ºC. A mistura de esporos e cristais será quantificada para posterior preparo das suspensões de trabalho utilizadas para os bioensaios. Diluições de 10-1, 10-2 e 10-3 em água ultrapura esterilizada serão preparadas determinando-se o número de células bacterianas conforme metodologia descrita por Alves et al. (1998). A quantificação de esporos será conduzida em microscópio de contraste de fase usando câmara de Neubauer.


Ensaios de suscetibilidade de Spodopterafrugiperda ao B. Thuringiensis

Para a realização dos bioensaios, serão utilizadas alíquotas de suspensão de esporos + cristal/ml a 108 dos isolados de Bt que apresentarem genes que podem expressar para proteínas com atividade hipotética para insetos da ordem Lepidoptera. Para realização dos bioensaios serão utilizados os folíolos de tomate previamente higienizados em solução à base de hipoclorito de sódio a 5% e posteriormente levados em água destilada para retirar o excesso de solução. Todos os bioensaios serão conduzidos de acordo com a metodologia de imersão de folhas na suspensão de esporos + cristal/ml a 108 diluídas em água ultrapura e adicionado o espalhante adesivo Triton-X- 100.

Como tratamento controle será utilizada água destilada acrescida de Triton-X-100. Após imersão, os folíolos serão mantidos sobre papel toalha à temperatura ambiente até secagem completa e, em seguida, serão transferidos para placas de Petri (80 x 15 mm), contendo papéis-filtro pulverizados previamente com água destilada. Cada placa de Petri contendo um folíolo tratado receberão 10 lagartas de S. frugiperda de 2º instar. Após a transferência das lagartas, as placas de Petri serão devidamente fechadas e mantidas em câmara climatizada (BOD), regulada para temperatura média de 25 ± 1ºC, U.R. de 70 ± 5% e fotofase de 12h. Duas repetições para cada isolado serão realizadas e os tratamentos avaliados ao 3º, 5º e 7º dia após a imposição dos tratamentos. O critério de mortalidade das lagartas será baseado na ausência de locomoção após o toque com pincel de cerdas macias.
Ensaios de campo simulado

O trabalho será conduzido em campo nas estações experimentais do IPA em plantios de milho com infestação de S. frugiperda. As áreas experimentais serão compostas de 20 parcelas, com cada uma sendo formada por quatro linhas com 20 plantas cada. A distância entre as linhas e parcelas serão de 40 cm e de 30 cm entre as plantas. O delineamento experimental será em blocos ao acaso, e para cada isolado selecionado serão produzidas suspensão de esporos + cristal/ml a 108 que serão aplicadas no campo em três repetições. Como controle negativo será aplicada sobre as plantas. As avaliações serão realizadas 12, 24, 48 e 72 horas após aplicação das suspensões com a contagem de insetos mortos.


Desenvolvimento de biolarvicida

O processo de produção da biomassa do BT será realizado em frascos agitados por cultivo submerso, onde serão primeiramente selecionados substratos regionais como fonte de carbono e nitrogênio, a seguir serão determinados os parâmetros que influenciam a produção de biomassa do BT, através de um planejamento estatístico, onde as variáveis analisadas serão: pH do inicial meio, temperatura, tamanho de inóculo, agitação, concentrações das fontes de carbono e nitrogênio , e tendo como variável resposta a concentração de biomassa e atividade larvicida. Após estabelecer todos os parâmetros serão utilizados para a produção de biomassa em biorreator.

O processo de cultivo em biorreator será conduzido em reator operando em batelada com 14 L de capacidade nominal e volume útil de 10 L. O cultivo será realizado a temperatura,agitação, e tamanho de inóculo pré-determinados na cultura em frascos agitados, e um novo planejamento será realizado para determinar as condições operacionais do biorreator. Serão monitoradas as variáveis pH e concentração de oxigênio dissolvido ao longo do processo fermentativo. A biomassa será seca em spray dryer, e o pó ativo será caracterizado por meio da determinação da cor e odor, observações microscópicas, quantificação de esporos viáveis, pesquisa de contaminantes e avaliação da atividade biológica.

A obtenção dos grânulos dispersíveis em água será baseada numa planificação qualitativa e quantitativa de excipientes, objetivando-se a granulação por via úmida dos pós. Após passagem por peneira de abertura de malha 20 mesh, os grânulos serão submetidos à secagem em estufa com circulação de ar (30 °C por 4h). Será obtida uma formulação líquida na forma de suspensão concentrada pela adição à biomassa de excipientes a serem selecionados.

A quantificação de células totais e de esporos viáveis será realizada por contagem de colônias crescidas sobre a superfície de placas de Petri contendo meio Ágar Nutriente. A contagem dos esporos será realizada após choque térmico a 80 °C durante 12 min para eliminação das células vegetativas. Já a análise microscópica será realizada por observação microscópica a fresco e pela técnica de Gram.

Na etapa de estabilidade da formulação serão realizados ensaios de envelhecimento acelerado para simular condições de estresse térmico e avaliar a estabilidade dos formulados, de modo a selecionar os melhores tratamentos (formulações) em um curto espaço de tempo. Temperaturas extremas de até 45 ºC serão testadas e comparadas com temperaturas na faixa ambiente de 25 ºC, além de um “controle” sob refrigeração (4 ºC). Os formulados serão acondicionados em sacos de polietileno fechados a vácuo. As amostras serão destrutivas, logo uma amostra a cada 15 ou 30 dias será aberta e plaqueada em meio de cultura apropriado para avaliar a sobrevivência das células, bem como será submetida a bioensaios contra as larvas.


Resultados esperados

  • Implementação das técnicas de isolamento e caracterização molecular para Bacillus thuringiensisde solos oriundos de diversas regiões do Estado e do Nordeste, de forma contínua visando à obtenção de novos isolados para controle de pragas agrícolas.

  • Desenvolvimento de um meio de cultura econômico para produção de biomassade BT, reduzindo os gastos de produção.

  • Implementação de um processo biotecnológico de produção de formulados à base de Bacillus thuringiensis.

  • Avanço na área de controle biológico do IPA, por Bt para a cultura do milho em Pernambuco.

Cronograma

Atividades

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

Avaliar geneticamente cepas de Bt para controle biológico da cultura do milho

X

X

X

X

X






















Avaliar por bioensaio a atividade biológica contra Spodopterafrugiperda







X

X

X

X

X
















Selecionar resíduos agroindustriais como fonte de carbono e nitrogênio




X

X

X

X






















Determinar o efeito dos parâmetros de cultivo para produção biomassa em frascos agitados













X

X

X
















Otimizar as condições de cultivo da cepa selecionada por fermentação líquida submersa em biorreator



















X

X

X










Desenvolver formulação do biolarvicida e avaliar a atividade biológica do formulado contra a S. frugiperda

























X

X

X

X


Equipe

Nome

Formação

Instituição

Atuação

Carlos Henrique Madeiros Castelletti

Biólogo, Dr em Biotecnologia

IPA

Pesquisador

Coordenador



Ana Lucia Figueiredo Porto

Química, Dra em Eng. Química

UFRPE

Pesquisador

Amaro de Castro Lira Neto

Biólogo, Dr em Ciências Biológicas

IPA

Pesquisador

Gilvanda Ribeiro da Silva

Técnica em biologia, Farmacêutica

IPA

Técnica

Paulo Geovani Silva Martins

Biólogo, Dr em Genética

UFPE/IPA

Pesquisador

Tercilio Calsa Junior

Eng. Agro, Dr em Ciências (Biologia na Agricultura e no Ambiente)

UFPE

Pesquisador

Colaborador



José de Paula Oliveira

Eng. Agro, Dr em Biotecnologia

IPA

Pesquisador

Colaborador



José Nildo Tabosa

Eng. Agro, Dr em Tecnologias Energéticas Nucleares

IPA

Pesquisador

Colaborador



Antonio Felix da Costa

Eng. Agro, Dr em Fitopatologia

IPA

Pesquisador

Colaborador



Rodrigo Leandro Braga de Castro Coitinho

Eng. Agro, Dr em Entomologia

IPA

Pesquisador

Colaborador



Cynthia Araujo de Lacerda

Eng. Agro. Dra em Agronomia (Entomologia)

IPA

Pesquisador

Colaborador



Vanildo Alberto Leal Bezerra Cavalcanti

Eng. Agro. MSc em Fitossanidade

IPA

Pesquisador

Colaborador



Romualdo Sena

Eng. Agro. MSc em Fitossanidade

IPA

Pesquisador

Colaborador



Adália Cavalcanti do Espírito Santo Mergulhão

Bióloga, Dra em Ciências Biológicas

IPA

Pesquisador

Colaborador



Maria Luiza Ribeiro da Silva

Bióloga, Dra em Ciências Biológicas

IPA

Pesquisador

Colaborador



Attílio Converti

Dr em Química

Universidade de Genova (Itália)

Pesquisador Colaborador

Raquel Pedrosa Bezerra

Dra em Tecnologia Bioquímica e Farmacêutica

UFRPE

Pesquisador

Maria Taciana Cavalcanti Vieira Soares

Dra em Tecnologia Bioquímica e Farmacêutica

UFRPE

Pesquisador

Colaborador



Tatiana Souza Porto

Dra em Tecnologia Bioquímica e Farmacêutica

UFRPE

Pesquisador

Colaborador



Romero Costa Brandão

Dr em Ciências Biológicas

UFRPE

Pesquisador

Fabiana América Silva Dantas de Souza

Bióloga, Dra em Biociência Animal (Biotecnologia)

UFRPE

Pesquisador

Polyanna Nunes Herculano

Bióloga, Dra em Biologia de Fungos

UFRPE

Pesquisador



REFERÊNCIAS

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