Editora Alternativa Marca de Fantasia: arte e informação em histórias em quadrinhos nacionais e estrangeiras, da Paraíba para



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3º. Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho - 2005



  1. Comunicação Científica (Professores, Pesquisadores, Pós-Graduandos)

GT6 – História da Mídia Visual (Fotografia, HQ, Cartazes)

Título do artigo:

Editora Marca de Fantasia: disseminação alternativa do universo artístico e crítico da linguagem das histórias em quadrinhos.

Gazy Andraus

Doutorando em Ciências da Informação e Documentação pela ECA-USP

Orientador: Waldomiro de Castro santos Vergueiro

Membro do NPHQ da ECA-USP

Bolsista do CNPQ


Março de 2005



Resumo:
A publicação crítica e artística de histórias em quadrinhos tem sido esporádica na mídia e mercado editorial brasileiro, favorecendo a falta de reconhecimento abalizado quanto às verdadeiras dimensões da influência dessa linguagem artística e informacional na formatação sócio-cultural humana. Dessa forma, a editora alternativa especializada Marca de Fantasia, sediada em João Pessoa, supre tal lacuna, mantendo uma freqüência na publicação de material artístico e teórico-reflexivo, elaborado por autores nacionais e estrangeiros, acerca da linguagem quadrinhística. A editora, embora ainda tímida, de produção modesta e quase manufaturada, contribui de forma eficaz na disseminação de um material profícuo e integrado ao universo das histórias em quadrinhos, cuja utilidade poderá se ver refletida em análises prospectivas, trazendo um melhor entendimento do real impacto de sua linguagem na psique e cultura humanas, resguardando na memória histórica seu valor e influência.
Palavras-chave:

Histórias em Quadrinhos – HQ – Editora Alternativa – Fanzine - Memória


1. Introdução:
As histórias em quadrinhos (HQ) no Brasil têm tido um péssimo histórico de publicação nacional. Com exceções de esparsas tentativas para se firmar uma editoração de histórias em quadrinhos, disseminando-as por todo o Brasil, desde principalmente a década de 1970, o grosso dos autores nacionais continua desconhecido do grande público leitor e das mídias em geral, contribuindo tal caso, para a pouca informação acerca do vasto universo das histórias em quadrinhos, e também para a manutenção do preconceito de que elas são um gênero irrelevante como contribuição de cultura social. Igualmente, pesquisas com histórias em quadrinhos, tanto nacionais como estrangeiras, embora engrossem as publicações teóricas de muitos países como a França, Itália, Espanha e Estados Unidos (possivelmente nem tanto como se necessitaria), despontam algumas vezes no Brasil em forma de livros traduzidos, não sendo eleitos pela maioria das universidades brasileiras, independente dos cursos, mesmo os de Comunicação Social, os quais, aparentemente, seriam os mais indicados a ter as histórias em quadrinhos em suas listas de objetos de pesquisa. As editoras de livros nacionais, por sua vez, não parecem ter um profícuo interesse pela literatura especializada dos quadrinhos, já que quase não editam referenciais teóricos dessa linguagem, sejam nacionais ou estrangeiros. A tentativa de se ter editado o livro em forma de HQ “Desvendando os Quadrinhos” (1995) do norte-americano Scott McCloud, pela Makron Books do Brasil se mostrou frustrada. Depois de algum tempo lançado, o livro foi posto à venda em uma rede livreira da cidade de São Paulo a um preço irrisório, nitidamente para findar a edição. O livro, após longo tempo fora de catálogo retorna ao final de 2004 pela mesma editora, num aparente recrudescimento do interesse pelos quadrinhos1. Porém, estas fases de altos e baixos no interesse às histórias em quadrinhos no Brasil, tem sido a constante, que priva uma continuidade na atenção focada a esta linguagem pan-visual.

Frisa-se que não é apenas na área teórica que as histórias em quadrinhos são pouco conhecidas: as produções autorais deste veículo literário-imagístico também não convivem oficialmente com o dia-a-dia da culturalização formal do público brasileiro, e assim, os autores, principalmente brasileiros, têm que recorrer a duas profissões para poder promover a sua necessidade interior da elaboração das HQ: uma como profissionais (ou em vias de) na área dos quadrinhos, geralmente preterida para outra profissão em qualquer outra área (inclusive de educadores) que realmente possa contribuir para a subsistência financeira dos autores em questão. Dessa forma, a maneira de escoar suas produções, quando estas ocorrem, devido ao tempo mínimo que lhes resta, é pela editoração independente e/ou alternativa. Algumas vezes os autores se tornam auto-editores, ou editores e co-editores, com publicações de tiragens limitadíssimas e públicos restritos, perfazendo o universo conhecido dos fanzines.



Mesmo assim, alguns destes autores-editores conseguem canalizar seus projetos, a direcioná-los ao meio acadêmico, especializando-se como mestres e doutores, e mantendo a paixão nas histórias em quadrinhos, que são compartilhadas com os afazeres de suas outras profissões “principais”. No Brasil, entre vários, quatro expoentes podem ser mencionados, no rol da auto-editoração de histórias em quadrinhos: em Minas Gerais, Wellington Srbek e suas auto-publicações (bastante facilitadas com a lei de incentivo à cultura) desde Caliban e outros títulos, inclusive associado com o autor falecido Flávio Colin; a editora Nona Arte2 de André Diniz, do Rio de Janeiro, que atua, hoje em dia, em maior escala pela Internet, permitindo a leitura de alguns textos reflexivos, mas principalmente histórias em quadrinhos (que também podem ser baixadas pelo seu site e impressas pelo programa de computador PDF Acrobat); além da auto-editoração de Edgard Guimarães e seu informativo bimensal de histórias em quadrinhos “QI”, que divulga em suas páginas, títulos de fanzines e revistas alternativas nacionais e estrangeiras, além de alguns artigos e histórias em quadrinhos, facilitando a troca, manutenção e atualização de correspondências entre os fanzineiros, autores e leitores; e finalmente o trabalho da editora independente “Marca de Fantasia” de Henrique Magalhães, situada em João Pessoa-PB, que vem ao longo de vários anos (desde 1995) publicando revistas e álbuns de histórias em quadrinhos nacionais e estrangeiras, principalmente de autores independentes. A editora tem se expandido aos poucos, e agora com os livros da coleção “Quiosque” já no nono título, tem aberto mais espaço ainda para reflexões teóricas acerca da Nona Arte, abarcando renomados pesquisadores como o francês Thierry Groensteen, e brasileiros como Edgar Franco, Edgard Guimarães, Márcio Salerno, além de outros, consolidando-se como uma rara editora alternativa que conduz um trabalho de divulgação temática séria, impulsionando e mantendo a valorização da linguagem das histórias em quadrinhos.
2. O idealizador da Marca de Fantasia:
Henrique Magalhães nasceu em João pessoa, na Paraíba, no ano de 1957, tendo realizado um mestrado na USP, cuja dissertação rendeu os livros O que é fanzine (1993) e O rebuliço apaixonante dos fanzines, lançado em 2003, e posterior doutorado em sociologia pela Sorbonne, em Paris, França, tendo comparado os modos de produção dos fanzines de histórias em quadrinhos franceses, portugueses e brasileiros. Criou a Gibiteca Henfil de João Pessoa, em 1990, e atualmente, além de cuidar de sua editora Marca de Fantasia, leciona no curso de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba (ANDRAUS: 1997). Henrique, além de um apreciador da arte das histórias em quadrinhos, é autor, teórico e editor do universo artístico e crítico desta linguagem plena de informação, seja na forma editada dos fanzines – publicações alternativas e independentes – como também na de álbuns e livros.
3. Editora Marca de Fantasia: histórico
A editora de Henrique Magalhães se estruturou a partir de 1994, tendo iniciado a atuação em janeiro de 1995. Seu nome denominava anteriormente uma revista literária mimeografada do curso de Comunicação Social, em 1983, e posteriormente um fanzine de história em quadrinhos, entre 1995 e 1998, editado por Henrique Magalhães e Sandra Albuquerque.

Em 1983 a Marca de Fantasia lançou um livro de poesias (Recados e Bilhetes de Lauro Nascimento) e em 1984 o livro Maria: a maior das subversões, compilação de tiras e história em quadrinhos inéditas de Henrique Magalhães. Entre 1986 e 1998, saíram pela editora 31 edições da revista e agenda cultural Se Toque. Em 1991 houve o lançamento do fanzine Nhô-Quim (Fig. 1), durando oito edições; uma edição de L’Écho des fanzines, em 1992, e três edições de Saravá, entre 1992 e 1994 com artigos de cultura, lançadas ambas em Paris, e Ave de Prata, em 1993, sobre Elba Ramalho.

C
Nhô-Quim n. 7
ontudo, o marco inicial que constituiu a editora como está configurada na atualidade só veio ocorrer em 1995, com o lançamento do fanzine Top! Top! (título que homenageia os Fradins, personagens antológicos criados pelo cartunista e quadrinhista Henfil).

O projeto editorial da Marca de Fantasia se estende numa história de mais de 20 anos de produção, que resultam de experiências no campo da edição artesanal e independente, com os fanzines, no campo semi-profissional, com as revistas, no campo da pesquisa, com o mestrado em São Paulo e o Doutorado na França e no campo da criação, com a publicação de trabalhos autorais de quadrinhos e publicação nos jornais (MAGALHÃES: 2005).


4. Linha editorial e publicações:
O fanzine Nhô-Quim e as brechas do mercado editorial de quadrinhos ofereceram a Henrique possibilidades de melhor estruturar sua editora, em quatro principais linhas editoriais para a atuação da Marca de Fantasia:

  • O fanzine Top!Top!: cujo conteúdo contém resenhas, textos analíticos e entrevistas, apresentação de novos autores e recuperação da história dos antigos quadrinhistas, além do intercâmbio com expressões de outros países, a exemplo de autores portugueses, cubanos e argentinos (MAGALHÃES: 2005);

  • A revista Tyli-Tyli: (tornando-se depois Mandala): contemplando uma linguagem quadrinhística poética, tanto na expressão textual quando na resolução visual (MAGALHÃES: 2005). O título Tyli-Tyli (Fig. 2) vem de uma personagem de Flávio Calazans, um dos autores que eram publicados, junto de Edgar Franco e Gazy Andraus. A intenção da revista era aglutinar este gênero, também conhecido como Fantástico-filosófico, disperso em muitos fanzines, o que naquele período resultou em estudos acadêmicos e ampliou o número de autores, demandando a substituição do título devido ao caráter simbólico do nome Mandala.

  • Das tiras, coração: contemplando a verve satírica e caricatural expressa largamente por muitos autores espalhados pelo Brasil. A intenção era possibilitar a editoração deste universo restrito a setores regionais, ampliando seu alcance.

  • Edições especiais de livros e álbum de quadrinhos: Aproximando-se das publicações autorais, estas edições seriam destinadas a escoar trabalhos mais densos, arrojados e artísticos;

  • Uma quinta linha editorial ainda motivou projeto da editora Marca de Fantasia, como a edição de ensaios críticos voltados para as histórias em quadrinhos e a cultura pop.


A
Fig: 2 Tyli-Tyli n. 1.


ssim, a editora, além de propor um aglutinamento e resgate da produção nacional de histórias em quadrinhos independentes, até então menosprezada pela sociedade e discriminada pelas editoras, também intentou inicialmente manter uma periodicidade em suas revistas e álbuns, de forma alternada e de acordo com uma intercalagem trimestral. As tiragens iniciais das revistas eram de 200 exemplares, mas após o primeiro ano, com o acúmulo e pouca vendagem de alguns títulos, diminuiu-se para 50 exemplares, e subseqüentes tiragens a partir da demanda. Embora alguns títulos não terem passado disso, outros, como A Guerra das Idéias, quase alcançaram os 400 exemplares. A inconstância econômica do Brasil, influindo na quebra da periodicidade das edições, repercutiu num desinteresse gradual dos leitores, prejudicando a vendagem e motivando a queda na produção dos exemplares. Mas igualmente, os aumentos de custos da produção e baixa desenvoltura da editora para atingir de forma mais plena os leitores de tão vasto país, também foram fatores determinantes para um colapso temporário da Marca de Fantasia. Naquele momento, títulos principiaram a ter periodicidades mais longas, como Das tiras, coração, e a Mandala chegou a ser encerrada no número 13. O material da editora é praticamente manufaturado, e a aquisição de títulos, via correio, só recentemente pôde ter uma maior visualização, graças à Internet.

Por outro lado, após análises do editor, buscando a compreensão do afastamento dos leitores, e dos adventos de novas mídias e formas de divulgação, como a Internet, a Marca de Fantasia passou à nova estratégia, com títulos isolados, ou séries com títulos independentes, como a Coleção Corisco, trazendo quadrinhos autorais de qualidade gráfica arrojada, calcada nos álbuns já lançados, como Passageiro da Noite, do autor português Nuno Nisa e Agartha de Edgar Franco. A partir daí, a editora passou a investir mais em materiais desse porte, incluindo uma série de livros teóricos, inaugurando a Coleção Quiosque, cujo primeiro volume teve como autor o pesquisador francês de histórias em quadrinhos, Thierry Groensteen (com aceite do próprio e apoio da Aliança Francesa), o segundo, o autor Edgard Guimarães, além de muitos outros (a coleção atualmente conta com 9 volumes, expandindo de forma satisfatória, devido, principalmente, ao seu formato de 12x18cm (menor que A-5) e baixo custo. Além dos temas de HQ e fanzines, variados assuntos pertinentes à cultura pop têm enriquecido a editora, como a linguagem dos balões nas histórias em quadrinhos, a sociedade grega e sua mítica, a implantação das rádios livres, o rock paraibano, Raul Seixas, e outros.

Alguns dos maiores trunfos da editora e sua linha editorial e de produção, são justamente, o respeito por parte dos pesquisadores e autores da nona arte, inclusive no exterior, já que em sua linha editorial, configuram-se um autor português, um pesquisador francês, e uma autora também francesa. Outros pontos que reforçam a seriedade da editora e seu idealizador, são as freqüentes incursões a eventos, participando como divulgador e palestrante, apresentando artigos e recebendo projetos de outros pesquisadores em comum. Isto se exemplifica com o Intercom, um congresso de comunicação anual, que existe desde meados da década de 1990, do qual faz parte o núcleo de pesquisa de histórias em quadrinhos, criado por Flávio Calazans, e atualmente coordenado por Moacy Cirne, que muito tem colaborado com o direcionamento da editora Marca de Fantasia, pensada por Henrique Magalhães.

Outras considerações enfatizam a empreitada do editor alternativo: o fanzine Top! Top! ganhou o prêmio HQ Mix de melhor revista independente de 2002, e em junho de 2003 foi montada uma exposição na Aliança Francesa de João Pessoa sobre as publicações da editora Marca de Fantasia.


5. Modo de produção:
A Marca de Fantasia não tem a intenção de se equiparar às grandes editoras, e mantém um público de certa forma fiel e direcionado, eximindo-se assim, de buscar um giro de capital extremamente lucrativo, como a maioria das outras editoras. O processo de produção, em realidade, é quase manufaturado e quase todo produzido pelo seu editor. Inicialmente, o material era fotocopiado, e passou inclusive por um sistema similar à xilogravura, de carimbos bicolores para as capas. Porém, atualmente o editor possui uma impressora a laser para computador, melhorando a qualidade, enquanto que as capas dos livros e álbuns são produzidos em maiores tiragens (aproximadamente 250) nas gráficas, em off-set. Para se ter uma idéia do grau de dificuldade da confecção das edições, Magalhães fornece as explicações:

As pequenas tiragens são também condicionadas pelo modo de produção. Depois de impressos, os cadernos são intercalados, dobrados e costurados; em seguida são novamente intercalados e colados, com o auxílio de uma prensa. Daí é colocada a capa, que terá três cortes de acabamento. Os cortes são feitos exemplar a exemplar, com régua e estilete, num processo artesanal, longo e cansativo. Deduz-se então que só é possível fazer poucos exemplares de cada vez, sendo a tiragem de 50 exemplares razoável para essa produção em manufatura. (MAGALHÃES: 2005)


O autor e editor, assim, teme um novo colapso para breve, quando a demanda for muito maior que sua capacidade produtiva.

O pagamento de direitos autorais é feito com base no entendimento e possibilidade do meio independente: a primeira tiragem é sempre de 50 exemplares, donde 20% são destinados ao pagamento de direitos autorais. Para as tiragens seguintes, 10% vão para os direitos autorais, pagos em exemplares do livro. (MAGALHÃES: 2005).


6. Veiculação no site.
A Internet, segundo o editor (MAGALHÃES: 2005), é o veículo que assegurou um reerguimento da editora e uma melhor difusão de suas publicações.

Realmente, o site (www.marcadefantasia.com.br) contém de forma ilustrada, e em sua maioria resenhada, todas as publicações da editora, mesmo as que não mais se encontram em catálogo. A disposição, no site (Fig. 3), segue uma divisão de seis itens:




  • Álbuns: contendo todos os álbuns em quadrinhos, incluindo Macambira e sua gente e Maria. Suprindo a lacuna da publicação de autores nacionais, esta seção traz diferentes gêneros de quadrinhos, sempre primando pela autoralidade.

  • Top!Top!: contendo todas as edições já publicadas da revista. Uma série que prima pelo humor nacional e internacional, enfocando também artigos e entrevistas.

  • Ensaios: contendo os livros da coleção Quiosque e os ensaios sobre histórias em quadrinhos e cultura popular que se situam na cultura pop, tanto na linguagem dos quadrinhos, como na musicalidade do rock, e na mídia do rádio. A série Quiosque, porém, tem se situado como uma espécie de carro-chefe da editora: o projeto original, que consistia em reunir coletâneas com os artigos apresentados no NPHQ da Intercom, expandiu-se para uma coleção de livros teóricos acerca, principalmente, do universo das histórias em quadrinhos, sendo inaugurada por um texto do autor e presidente do CNBDI – Centre National de la Bande Dessinée e de l´Image, da França, Thierry Groensteen. Contando agora com outros autores nacionais, sendo que a maioria tem titulação acadêmica como mestres e/ou doutores, a série traz livros como o próprio História em Quadrinhos: Essa desconhecida arte popular de Groensteen, e ainda A Mutação radical dos fanzines de autoria de Magalhães, e Fanzine de Edgard Guimarães, bem como História em Quadrinhos e Arquitetura em que Edgar franco contextualiza as duas artes de forma exaustiva e nos melhores moldes acadêmicos. Miracleman de Márcio Salerno equipara a filosofia nietzschiana com o nazismo e os super-heróis, utilizando o caso MiracleMan, recriado pelo roteirista Alan Moore, de forma profunda e meticulosa, enquanto Ciência e Quadrinhos, de Gian Danton, reprisa de sinteticamente sua dissertação de mestrado, tecendo o paralelo evolucionário entre as histórias em quadrinhos e o retratamento da ciência e suas fases nas histórias e personagens. Outros trabalhos enfileiram a coleção, que dá vasto e importante subsídio teórico ao universo das histórias em quadrinhos, como nenhuma editora nacional tem feito até então.

  • Livros HQ: contendo a série Das tiras, coração, e outras publicações em HQ no formato de livro A-5, como Os Frustrados de Claire Bretecher;

  • Revistas: contendo as edições da Coleção Corisco, Maria Magazine, Edição especial Terceira Onda e Quiosque (Revista de análise e crítica das mídias, jornalismo, arte e novas tecnologias), além da seção Camaradas, contendo outros trabalhos de HQ produzidos por editores independentes (como Wellington Srbek), também disponibilizadas pela Marca de Fantasia;

  • Mandala: contendo todas as publicações da Tyli-Tyli e Mandala.

Fig. 3: Página de abertura do site da Marca de Fantasia na Internet e os seis itens.


7. Listagem completa dos títulos da editora, até a data presente.
Para que se tenha uma noção geral do montante de edições, variedade e originalidade de temas lançados pela editora, listam-se aqui, todas as edições, que também são expostas no seu site www.marcadefantasia.com.br .

Alguns dos exemplares estão esgotados, e a média do preço dos livros depende do formato: os da coleção Quiosque (12x18cm), contendo uma média de 64 páginas cada, custam R$10,00, e os da série Das tiras, coração R$5,00. Os valores de todos os volumes já possuem o porte pago incluso. Os interessados enviam e-mail solicitando os títulos, e o editor informa três maneiras de se adquirirem os volumes: cheque nominal ou vale postal, e ainda depósito bancário. Esta maneira de adquirir os livros encontra respaldo em outras lojas virtuais pela Internet.

A seguir, estão listados todos os títulos da Marca de Fantasia até o período presente de março de 2005, em cada seção encontrada no site da editora:


  • Seção ÁLBUNS:


-Macambira e sua gente. 2ª ed. 2003. 17cm x 24cm, 52 p. Autor: Henrique Magalhães.

-O Inquilino. 2003. 17cm x 24cm, 64p. Autores: Marcelo Marat & Emanuel Thomaz.

-Transessência: transcendendo a essência. 2003. 17cm x 24cm, 64 p. Autor: Edgar Franco.

-A Guerra Dos Golfinhos. 2002. 17cm x 24cm, 64 p. Autor: Flávio Calazans.

-O Humor Gráfico de Luzardo Alves. 1ª edição em álbum esgotada. 17cm x 24cm, 64 p.

Também publicado no formato livro, na seção do site "Livros HQ". Autor: Luzardo Alves.



-Agartha. 2ª ed. 2002. 17cm x 24cm, 64 p. Autor: Edgar Franco.

-Ternário M.E.N. 2001 17cm x 24cm, 64 p. Autor: Gazy Andraus.

-Guerra Das Idéias. 2001. 4º ed. 17cm x 24cm, 64 p. Autor: Flávio Calazans.

-Passageiro da Noite. 2000. 17cm x 24cm, 64 p. Autor: Nuno Nisa.

-Maria. 1998. 19cm x 26cm, 52 p. Autor: Henrique Magalhães.


  • Seção TOP!TOP!

Cada revista tem uma média de 20 páginas, sendo a maioria com 24 páginas e formato 17x25,5cm. Foram 17 números lançados até outubro 2004.




  • Seção ENSAIOS (Fig. 4)


-Coleção Quiosque. (Formato livro: 12 x 18cm).
Nº 1. História em Quadrinhos: Essa desconhecida arte popular. 2004. 50p. Autor: Thierry Groensteen. 

Nº 2. Fanzine. 2004. 60p. Autor: Edgard Guimarães.

Nº 3. O Herói na Grécia antiga. 2004. 64p. Autor: Wellington Srbek

Nº 4. História em Quadrinhos e Arquitetura. 2004. 84p. Autor: Edgar Franco.

Nº 5. Entrequadros. 2004. 64p. Autor: Wellington Srbek.

Nº 6. Miracleman: um outro mito ariano. 2004. 64p. Autor: Márcio salerno.

Nº 7. A nova onda dos fanzines. 2004. 84p. Autor: Henrique Magalhães

Nº 8. Ciência e quadrinhos. 2005. 64p. Autor: Gian Danton

Nº 9. A Mutação radical dos fanzines. 2005. 72 p. Autor: Henrique Magalhães.

Fig. 4: Livros teóricos da Coleção Quiosque, na seção Ensaios do site.


-Ensaios sobre histórias em quadrinhos e cultura popular. (Formato livro)
-A Palavra em ação 2004. 2ª ed. 14 x 20cm. 104p. Autor: Marcelo Marat.

-Bastianas. 2004. 12 x 18cm. 60p. Autores: Célia Rejane Negreiros e Andréa Mesquita.

-Raul Seixas e a modernidade. 2004. 13 x 19cm. 132p. Autor: Sonielson Juvino Silva.

-O Rebuliço apaixonante dos fanzines. 2003. 17 x 24cm. 114p. Autor: Henrique Magalhães.

-Falas & Balões. 1998. 20 x 27,5cm. 46p. Autor: Marcos Nicolau.

-O Rock paraibano nos anos 80. 1998. 19 x 26cm. 78p. Autores: Fábio Queiroz & Rogério Nunes.

-No ar: as pequenas notáveis! 1998. 12 x 18cm. 82p. Autor: Bertrand Lira.

-A Saga arrebatadora de Se Toque. 1997. 12 x 18cm. 64p. Autores: Sandra Albuquerque & Henrique Magalhães.


  • Seção LIVROS HQ:

-série Das tiras, coração.


Livros de tiras, com uma média de 52 páginas, sendo cada edição dedicada a um autor ou personagem. Formato 14cm x 20cm. Preço médio: R$ 5,00 (porte incluso)
Nº 1Rendez-Vous. Autor: Henrique Magalhães 

Nº 2Dito, o Bendito. Autor: Érico San Juan

Nº 3 - Não Sistema! Autor: Joacy Jamys

Nº 4 - Tira Teima. Autor: Edgard Guimarães

Nº 5Pipoca. Autor: Cedraz

Nº 6 - O Boêmio. Autor: Paulo Emmanuel

Nº 7 - Os Camomila. Autor: Marcelo Garcia

Nº 8 – Bartolo. Autor: Cristovam Tadeu

Nº 9 – Pivete. Autor: Edmar Viana

Nº 10 – Mogizinho. Autor: Rogério

11- O Mundo dos Zine. Autor: Edu Manzano
Outras publicações em HQ desta seção, no formato de livro A-5:
-10 Minutos. 2004. 14cm x 20cm. 64p. Autor: Ângelo Pastro.

-Os Frustrados. 2004. 14cm x 20cm. 64p. Autor: Claire Bretécher.

-O humor de Luzardo Alves. 2ª edição. 2003. 14cm x 20cm. 52p. Autor: Luzardo Alves.

-The Paraibanos de Subúrbio. 2004. 14cm x 20cm. 52p. Autor: Laerçon Santos.

-Más Humor. 2004. 14cm x 20cm. 56p. Autor: Sergio Más.


  • Seção REVISTAS

- Coleção Corisco


-O Cãozinho e o Crocodilo. 17x24cm. 28 p. Autor: Luciano Irrthum. 

-Calvo. 17x24cm. 32 p. Autor: Edgard Guimarães & Luigi Rocco.

-Maria Magazine.

Nº 1 - 14x20cm. 24 p. Tiras de Cedraz, Edmar Viana, Paulo Emmanuel e Henrique Magalhães.

Nº 2 - 17x24cm. 20 p. Tiras de Cedraz, Cristovam Tadeu, Paulo Emmanuel e Henrique Magalhães.
-Edição Especial
-A Terceira Onda. 17x25,5cm. 32 p. Quadrinhos de Cristovam Tadeu, Deodato Filho, Emir Ribeiro e Henrique Magalhães.
-Quiosque
Revista de análise e crítica das mídias, jornalismo, arte e novas tecnologias. 17x24cm. 20 p.
Nº 1 - Fotografia, cinema, quadrinhos, jornal, internet e TV.

Nº 2 - Jornalismo cultural, arte e novas tecnologias.

Nº 3 - Reality show, quadrinhos, animação, mídia, ufologia.
-Camaradas.
Revistas produzidas por outros editores independentes, disponíveis pela Marca de Fantasia:
-Mirabilia. Roteiros de Wellington Srbek e desenhos de Shimamoto, Colin, Klévisson e Nilson. Capa de Mozart Couto.

-Fantasmagoriana. Roteiro de Wellington Srbek e desenhos de Flavio Colin.

-Mystérion. Roteiro de Srbek e desenhos de Dênio Takahashi, Laz Muniz, Fernando Cypriano, Melado e Nilson. Capa de Shimamoto.

-Apócripha. Roteiro de Wellington Srbek,  desenhos de Fernando Cypriano, letras de Dênio Takahashi.

-O melhor do arroz integral. Tiras de Cleuber.

-O lado b  do arroz integral. Tiras de Cleuber.

-Almanaque entropya. HQ de Antônio Éder, Luciano Lagares, Liber, RHS, ABS Moraes entre outros.

-Quantum. Roteiro de Srbek, desenhos de Fernando Cypriano, Laz Muniz e Luciano Irrthum..


  • Seção MANDALA


-Tyli-Tyli – Mandala.

Revista de histórias em quadrinhos poético-filosóficas. Até o número 8 chamou-se Tyli-Tyli, passando-se depois para Mandala até o número 13, quando teve encerradas suas edições. Formato 17x25,5cm, com média de 24 páginas cada. 


8. Considerações finais:
O mercado editorial brasileiro é pouco afeito às histórias em quadrinhos, principalmente para o público adulto, e até mesmo o meio acadêmico dispende pouca pesquisa para os aspectos críticos dessa linguagem, devido a uma falta de reconhecimento abalizado do real valor sócio-cultural que esta linguagem artística possui, e sua influência na formatação mental humana: os quadrinhos são constituídos por uma amálgama de literatura escrita e desenhos, que carecem ainda, como alerta o autor Groensteen (2004), de estudos mais abalizados acerca dos desenhos e de sua “pedagogia” icônica. Assim, a maioria das produções autorais artísticas nacionais é independente, e os próprios autores travam pesquisas concernentes ao objeto de estudo conhecido também como Nona Arte, já que a esta linguagem, não se dedicam muitos pesquisadores. Devido a estas lacunas, e à sua experiência acadêmica e artística, o pesquisador, autor e editor alternativo Henrique Magalhães, fundou a Editora Marca de Fantasia, privilegiando os aspectos levantados no presente corpo deste artigo, como por exemplo, as lacunas concernentes à publicação de histórias em quadrinhos de cunho poético e adulto, bem como a carência de mais reflexões críticas acerca da linguagem das histórias em quadrinhos. Dessa forma, sua editora vem ao encontro dos anseios, não só dos fãs das histórias em quadrinhos, bem como dos pesquisadores e autores desta linguagem imagístico-literária, buscando uma política de formação mais consistente de público, consolidando uma produção artística nacional, e suprindo uma grande lacuna em artigos e textos analíticos desta arte. Marca de Fantasia, contribui assim, embora ainda de forma tímida, eficazmente na disseminação de um material profícuo e integrado ao universo das histórias em quadrinhos, cuja utilidade poderá se ver refletida em análises futuras, impactando com um outro entendimento, a linguagem que as histórias em quadrinhos exercem na psique e cultura humanas, resguardando de forma consubstancial seus aspectos de influência artísticos, reflexivos, e portanto valorosos, na memória histórica social brasileira, e, também, universal.
Bibliografia:
ANDRAUS, Gazy. Tyli-Tyli: a revista de quadrinhos filosóficos do Brasil. In Flávio CALAZANS (org.). As Histórias em Quadrinhos no Brasil- teoria e prática. São Paulo: Unesp/Proex, 1997.
GROENSTEEN, Thierry. História em Quadrinhos: essa desconhecida arte popular. Col. Quiosque 1. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2004.
MAGALHÃES, Henrique. Marca de Fantasia: construção de uma editora independente.

Texto fornecido por via eletrônica em 11 de março de 2005.


MAGALHÃES, Henrique. O que é fanzine. São Paulo: Brasiliense, 1993.
MAGALHÃES, Henrique. O Rebuliço apaixonante dos Fanzines. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2003.
MARCA DE FANTASIA. http://www.marcadefantasia.com.br/editora.htm .Acessada em 11 de março de 2005.
McCLOUD, Scott. Desvendando os Quadrinhos. São Paulo: Makron Books, 1995.
NONA ARTE – A ARTE DOS QUADRINHOS. http://www.nonaarte.com.br/. Acessado em 12 de março de 2005.

1 Interessa alertar que o livro não é uma história em quadrinhos de entretenimento como outras quaisquer, e sim um compêndio teórico-crítico de comunicação e linguagem enfocando o universo literário-imagístico das histórias em quadrinhos, através de um estudo sério e muitas vezes vanguardista, no formato de história em quadrinhos.

2 Nona Arte é outra denominação dada pelos europeus às Histórias em Quadrinhos.



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