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Editorial



Esta edição temática de Pesquisas e práticas psicossociais revela o compromisso da revista em contemplar temas relevantes e também emergentes no campo da Psicologia, no presente caso: Inserção de Pessoas com Deficiência: processos psicossociais, organizacionais e socioeducativos.

A possibilidade de compartilhar as preocupações de pesquisadores e de divulgar investigações atuais desenvolvidas no país, que permitissem identificar as direções que essa temática tem tomado, motivou-nos a coordenar esta edição. Além disso, ela também garantiria uma ação efetiva do Núcleo de Pesquisas em Acessibilidade, Diversidade e Trabalho (NACE)1 para a disseminação de conhecimentos nesse campo, constituindo-se uma contribuição dos profissionais deste Núcleo ao LAPIP (Laboratório de Pesquisa e Intervenção Psicossocial) do qual faz parte.

Integram esta edição trabalhos de pesquisadores de 20 universidades, pertencentes a dez estados brasileiros2, contemplando artigos de revisão de literatura, ensaio teórico, relato de experiência, resenha e apresentação de livros novos com dois lócus principais de análise: a educação e o trabalho.

Relacionados à educação, são apresentados cinco artigos. Em Atitudes Sociais de Professoras de um Município de Médio Porte do Paraná em Relação à Inclusão, de Sadao Omote (Universidade Estadual Paulista) e Antonio Alexandre Pereira Junior (Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná), é investigada a influência de diferentes variáveis, como idade, formação e experiência nas atitudes sociais dos professores, sendo essas atitudes consideradas uma dimensão altamente relevante no processo de inclusão escolar.

Luciana Alves Drumond de Almeida, Matheus Faleiros Silva, Tulio Silva de Paula, Elaine Meire Vilela e Jorge Alexandre Barbosa Neves (Universidade Federal de Minas Gerais) apresentam o artigo Desempenho de Alunos com Deficiência na Rede Regular de Ensino: Impactos da Infraestrutura de Acessibilidade e da Formação Docente, que contempla dados de censos escolares dos anos de 2007 e 2008 e uma amostra de 14.213 alunos com deficiência no estado de Minas Gerais, buscando investigar se a existência de infraestrutura de acessibilidade para alunos com deficiência e a presença de docentes com formação específica para educação especial têm efeitos sobre o fluxo escolar desses alunos.

Sabrina Araújo de Almeida (Universidade Salgado de Oliveira) e Luciene Alves Miguez Naiff (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), investigam a Inclusão Educacional nas Representações Sociais de Professores e Estudantes de Magistério, identificando a associação de preconceitos, falta de informação e despreparo dos professores com ideais de igualdade, valorização e cidadania.

Em Práticas de Desenvolvimento de Pessoas com Deficiência em Uma Instituição do Setor Educacional, Marilene da Conceição Siqueira Delgado e Íris Barbosa Goulart (Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais), analisam como uma instituição de ensino vem promovendo a adaptação e o desenvolvimento profissional das pessoas com deficiência inseridas em seu quadro funcional.

No artigo Modos de Ordenar Eficiência e Deficiência Visual: Breve Leitura de um Documento, Márcia Moraes (Universidade Federal Fluminense),inaugura, a partir dos estudos de ciência, tecnologia e sociedade, uma nova perspectiva de análise dos modos de ordenar a eficiência e a deficiência presentes no documento Programa de capacitação de recursos humanos do ensino fundamental: deficiência visual, publicado em 2001, pelo Ministério da Educação do governo brasileiro.

Focalizando a dimensão do trabalho, cinco pesquisas são apresentadas. A primeira investigação, denominada Inserção Profissional de Pessoas com Deficiência em uma Experiência no Brasil e outra em Portugal: Desafios Comuns, Caminhos Diferentes e conduzida por Melissa Santos Bahia (Universidade Federal da Bahia) e Paula Chies Schommer (Universidade do Estado de Santa Catarina), discute relações entre práticas de inserção profissional de pessoas com deficiência em duas empresas, uma no Brasil e outra em Portugal, comparando essas práticas, a legislação sobre pessoas com deficiência no trabalho e políticas de responsabilidade social empresarial nos dois países.

Luciana Maria Maia (Universidade de Fortaleza), Cleonice Camino e Leôncio Camino (Universidade Federal da Paraíba), no artigo Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho: Uma Análise do Preconceito a partir das Concepções de Profissionais de Recursos Humanos, analisam o preconceito contra pessoas com deficiência no mercado de trabalho de Fortaleza.

A pesquisa Mercado de Trabalho para as Pessoas com Deficiência em Betim/MG, de Luiz Carlos do Nascimento, Gilberto José Barros Damasceno e Lamounier Josino de Assis (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), busca compreender como as pessoas com deficiência têm sido incluídas no mercado de trabalho em Betim, identificando as percepções de gestores de recursos humanos e demais empregados sobre a Lei de Cotas e suas repercussões nas políticas e práticas de recursos humanos para trabalhadores com deficiência.

A pesquisa de Marina Dias de Faria (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e José Luís Felício Carvalho (Universidade Federal do Rio de Janeiro), denominada Pessoas com Deficiências como Clientes Internos e Externos: Investigando a Inclusão como Potencial Atrativo para Jovens Talentos, adota um modelo quase-experimental com suporte de cenários, estratégia metodológica pouco utilizada nesse campo de estudos no Brasil, e avalia se a orientação de uma organização para necessidades de clientes internos e externos com deficiência constitui um fator valorizado por jovens talentos que ingressam no mercado de trabalho.

A pesquisa denominada As Repercussões Psicossociais do Benefício de Prestação Continuada na Vida no Trabalho de Pessoas com Deficiência Física, de Ana Idalina de Paiva Silva e Marcelo Afonso Ribeiro (Universidade de São Paulo), busca compreender as influências do Benefício de Prestação Continuada (BPC) na maneira como as pessoas com deficiência física constroem sua vida social e no trabalho, problematizando uma questão recorrente nas pesquisas com pessoas com deficiência no país e que ainda não havia sido diretamente investigada.

A revisão Deficiência e Trabalho: Literatura Científica Internacional, realizada por Maria Nivalda de Carvalho-Freitas, Giselle Teixeira Leal e Jéssica Faria Souto (Universidade Federal de São João del-Rei), analisa artigos internacionais, publicados no período de 2000 a 2010, relacionados à inserção de pessoas com deficiência no trabalho, identificando temas de estudo predominantes na literatura internacional e novas possibilidades de estudo sobre a inserção no trabalho de pessoas com deficiência.

O ensaio teórico O Trabalho para Pessoas com Deficiência: Uma Discussão Preliminar sobre Diversidade, Poder, Minoria e Deficiência, de Lílian Barros Moreira (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Mônica Carvalho Alves Cappelle (Universidade Federal de Lavras), Fernanda Mitsue Soares Onuma (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Adílio Renê Almeida Miranda e Ceyça Lia Palerosi Borges (Universidade Federal de Lavras), discute algumas dimensões que englobam o conceito de diversidade, mais especificamente pessoas com deficiência, com destaque para uma discussão introdutória sobre poder e identidade, trazendo também sugestões para pesquisas futuras.

O relato de experiência Pensando as Práticas de Intervenção dos Discentes do Curso de Licenciatura em Educação Física na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do Município de São João del-Rei/MG, de autoria de Andréa Carmen Guimarães (Universidade Católica de Brasília), Giselle Barreto Diniz Rocha (Universidade Federal de São João del-Rei), Marcos Gonçalves Maciel (Fundação Helena Antipoff) e Kleber do Sacramento Adão (Universidade Federal de São João del-Rei), descreve e faz uma reflexão sobre uma prática de formação de discentes do curso de Licenciatura em Educação Física e identifica elementos que podem contribuir para a formação desses profissionais no trabalho com pessoas com deficiência.

A resenha do livro Deficiência e Discriminação, organizada por Débora Diniz e Wederson Santos, e realizada por Mariela Cristina de Aguiar Costa, Maristela Ferro Nepomuceno, Michelli Godoi Rezende e Raissa Pedrosa Gomes (Universidade Federal de São João del-Rei), apresenta as contribuições de um livro que discute a questão dos direitos das pessoas com deficiência no Brasil e que oferece elementos de análise importantes aos pesquisadores desse campo.

Esta edição se encerra com a apresentação de cinco livros publicados nos anos de 2010 e 2009, e que podem se constituir em boas referências para pesquisadores, profissionais e alunos que têm interesse na temática da inserção de pessoas com deficiência.

Estamos otimistas sobre a progressão futura de pesquisas sobre a inserção de pessoas com deficiência no país. Temos verificado um constante fluxo de pesquisas que têm levantado novas direções de investigação nesse campo, indicando possibilidades de novos desenvolvimentos e contínuas contribuições para a compreensão dos aspectos psicossociais, organizacionais e socioeducativos relacionados à inserção de pessoas com deficiência nos diversos espaços sociais. Esperamos que essas pesquisas continuem e que esta edição da Revista PPP possa servir de inspiração para novas investigações.

A todos, uma boa leitura!


Maria Nivalda de Carvalho-Freitas

Valéria Heloisa Kemp



Endereço para correspondência: Laboratório de Pesquisa e Intervenção Psicossocial (Lapip/UFSJ). Praça Dom Helvécio 74, Salas 2.09 e 2.10, São João Del Rei, MG, CEP: 36.301-160.

1 O NACE é vinculado ao Laboratório de Pesquisa e Intervenção Psicossocial (LAPIP) e ao Mestrado de Psicologia da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e é coordenado pela Profa. Maria Nivalda de Carvalho-Freitas. Outras informações, vide www.ufsj.edu.br/incluir.

2 Os dez Estados estão distribuídos em quatro regiões do país: Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-oeste.



Pesquisas e Práticas Psicossociais 6(1), São João del-Rei, janeiro/julho 2011




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