EducaçÃo artística



Baixar 289.03 Kb.
Página1/5
Encontro11.03.2018
Tamanho289.03 Kb.
  1   2   3   4   5


EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

Apostila de apoio




Apostila que permitirá estudar no decorrer do ano a Educação Artística, possibilitando um estudo mais abrangente e diferenciado do que já foi estudado em séries anteriores.




Professora Lylian Almeida

Janeiro / 2012



INTRODUÇÃO

A Educação Artística que estudaremos no decorrer do ano possui um caráter mais abrangente e diferenciado da até então apresentada. Até a 8ª série cuidamos do processo criativo, do contato com diversos materiais e técnicas do fazer artístico e suas manifestações. Passaremos, agora, para análise da Arte e sua história, contando como pré-requisitos não somente o que foi trabalhado no 1º grau, mas também a maturidade que vai se tornando, a cada dia, mais delineada nos alunos do 2º grau, a quem tal conhecimento é nesta oportunidade dirigido.

Utilizaremos como apoio, conhecimentos provenientes da História, Sociologia, Filosofia e Estética da Arte. Com esse aprendizado poderemos “ler” mais amplamente a obra de arte com seus aspectos sociais, políticos, econômicos, religiosos e até geográficos de seu lugar de origem, garantindo, desta forma, uma visão holística do homem e seu mundo. A importância desse estudo está em levar ao raciocínio lógico, fazendo-nos perceber com clareza que somos reflexo de um passado, a somatória dos acontecimentos históricos, resultando numa melhor compreensão do mundo de hoje e de nós mesmos.

No decorrer dos nossos estudos, esperamos que a arte seja melhor compreendida para ser mais apreciada. Afinal só não gostamos do que não entendemos!

A Função da Arte

A palavra ARTE, em latim ars, artis, vem de ágere, que significa agir. Portanto, arte é ação, assim como o artista é o agente em cujo trabalho sempre encontraremos o reflexo de uma época. Desta forma, uma das funções da arte é a de documentar os fatos. É bom lembrar que, se temos condições de saber muito da pré-história e de civilizações remotas, é também por meio da arte deixada pelo homem que podemos saber os valores e o estágio de civilização de quem a realizou.

Quando falamos sobre valores em Arte, referimo-nos à Estética. Ela surgiu como uma nova disciplina filosófica no século XVIII, com o objetivo de estudar o Belo e suas manifestações na arte. Perceberemos, no entanto, que o Belo é relativo, dependendo também dos padrões determinados em uma época ou região. Esses padrões variam conforme interesses sociais do momento. Tomando como exemplo o enaltecer da magreza, no nosso século, contrapondo a “obesidade” do século passado, notamos que o interesse social está, neste caso, na medicina que concluiu que a gordura é maléfica à saúde. Logo, o maléfico não pode ser belo. Mas o que hoje qualificamos de obeso, não é compatível com o conceito de outras épocas. Basta notarmos alguns nus de obras realizadas até o fim do século passado; a gordura estava diretamente relacionada com status, assim como a cor branca da pele, pois visto que o trabalho não intelectual era considerado humilhante.

As mudanças de padrões são decorrentes do aparecimento de idéias novas, e introduzir uma idéia nova não é fácil, pois o homem, por natureza, é extremamente conservador. O novo exige mudança e isso dá trabalho, gera atrito e é mais cômodo ficar apenas no domínio do já conhecido. Por isso o novo incomoda. O artista sempre apresenta idéias novas que são em princípio, recusadas por contestarem o que está acontecendo, agredindo os valores do momento. Vejamos os impressionistas no fim do século passado: totalmente inovadores a nível de proposta pictória e composicional, tanto quanto recusados em sua época. Hoje, suas obras são valorizadíssimas no mercado de arte; décadas se passaram para que fossem compreendidos e apreciados.

Entretanto, os meios de comunicação vigentes nesta nossa era propiciam mudanças de costumes, gostos e valores de modo extremamente rápido, o que não acontecia antes do rádio e da televisão. Hoje, somos muito suscetíveis à manipulação feitas pelas estratégias de propaganda. Lança-se um produto que deve ser “consumido” para ser sucesso. Madonna, por exemplo, tem tipo físico roliço e ditou facilmente essa característica na geração 80, substituindo de modo rápido a “moda esquelética” ditada por Twigg, famosa modelo da década de 70, e que levou muitas moças ao sofrimento com regimes exaustivos por desejarem um tipo físico que não era o seu.

Se analisarmos a função da Arte e do artista nas diferentes épocas, perceberemos que será específica para cada momento. Mas, o artista sempre foi colocado à margem da sociedade por diversos motivos. Hoje ele é considerado a figura exótica porque propõe o novo, questiona o antigo, deleta, denuncia, enfim, incomoda essa sociedade tão fortificada pelos seus valores. No entanto, seu trabalho é apreciado e tão intenso é o poder da sua arte como meio de comunicação que nos governos não democráticos são os artistas os primeiros a serem perseguidos, a tal ponto que são forçados a abandonar seus países. Por outro lado, eles também são procurados para a tarefa de divulgação de uma idéia, atingindo grandes massas.

A arte está presente em todos os momentos de nossas vidas. Talvez fosse necessário que ela desaparecesse por algumas horas apenas, para que pudéssemos perceber realmente o quanto ela está presente e diretamente ligada ao homem. Não se tem notícias de civilizações que não realizaram sua arte; desde a mais primitiva a mais civilizada, da mais antiga a mais atual, a arte sempre foi manifestada.

Só precisamos nos despertar para ela e usufruir dessa riquíssima fonte de comunicação, expressão informação para nos aprimorarmos tanto materialmente como espiritualmente. Espiritualmente porque a arte possui também a função catártica. Quem de nós ainda não sentiu a mais profunda emoção de êxtase, delírio, mesmo que seja cantada em outra língua que não conhecemos? Essa é uma prova que ela atinge a alma.

Por fim, o estudo da arte leva ao cumprimento de sua função noética, isto é, a de fornecer novos conhecimentos, colaborando para que nossas atitudes sejam sempre fundamentadas no saber, como pregou Kant: “Saber para prover”.

Arte Primitiva – Arte na Pré-História

Duas características do Homem o diferenciam de outras espécies animais:



  • O raciocínio (Homo Sapiens);

  • A habilidade do fazer com as mãos (Homo Faber).

Ambos possibilitam o seu desenvolvimento e a sua arte.

Se retomarmos a origem da Arte, chegaremos à Pré-História – Paleolítico Inferior – e perceberemos que a chamada arte menor surgiu da necessidade básica de sobrevivência. Mas, no que consistia essa arte menor? Tratava-se de instrumentos de pedra lascada com os quais o ancestral, que era nômade, caçador e pescador, obtinha o seu alimento.

As primeiras manifestações de pintura e escultura – arte maior – que temos conhecimento pertencem ao Paleolítico Superior. Apesar de existirem várias teorias acerca do surgimento de tais manifestações, as evidências nas descobertas nos fazem crer que ambas estavam totalmente relacionadas com um sentido mágico.

Deste modo, não havia distinção entre o bisonte desenhado na caverna e o que fora dela se encontrava; desenhando-o, adquiria poderes sobre ele, flechando-o, já o teria obtido como sua caça. Realizam assim, um “culto à caça”.

Este raciocínio também cabe às “mãos em negativo” – contorno de mãos sobrepondo as figuras de animais, ou mesmo desenhadas em conjunto. Existiria melhor interpretação para esses desenhos senão o domínio do homem sobre o animal, e com isso a sua interferência no meio em que vivia?

A escultura não é uma exceção. O destaque está para as “Vênus” – pequenas estatuetas femininas, cujos seios e quadris estão bem desenvolvidos. Poder-se-ia argumentar que seriam meras reproduções das mulheres em estado de procriação, mas impossível rejeitar a idéia de serem ídolos de um “culto à fertilidade”; afinal, o homem da pré-história vivia entre os dois instintos elementares: o de reprodução e o de preservação.

A Pré-História é o palco da primeira revolução de estilos nas artes e esta mudança corresponde à verdadeira revolução no modo de vida e na mentalidade do homem da Idade da Pedra.

A pintura passa do figurativismo realista do paleolítico para o geometrismo de tendências abstratas do Neolítico – período da pedra polida. O homem não precisa mais desenhar o animal flechado para obtê-lo como caça, pois agora domestica os animais. Deixa de ser caçador para ser pastor. Organiza-se, aprende a prever, isto é, a transcender a realidade imediata porque, além de pastor, é também agricultor e, como tal, sabe que suas atitudes repercutirão no futuro. Em decorrência da agricultura e por necessitar armazenar sua colheita, ele cria a cerâmica. A necessidade faz o homem também criador.

Ainda no neolítico surgem as manifestações arquitetônicas, as primeiras habitações, uma vez que o homem torna-se sedentário. Dentro da arquitetura, encontramos principalmente os monumentos megalíticos; o homem do neolítico atingiu a mais alta das abstrações – a crença na imortalidade da alma. Passou de monista para animista. Os monumentos megalíticos estavam, provavelmente, associados a um “culto aos mortos” e são encontrados em três tipos:


  • Menhir – bloco de pedra colocado verticalmente;

  • Dólmen – duas pedras verticais e uma terceira disposta horizontalmente;

  • Cromlech – pedras colocadas verticalmente de modo a formar um círculo.

Os vestígios deixados pelo Homem passam, cada vez mais, a ter uma força de expressão superior aos deixados por outras espécies animais.

O Homem vai se aprimorando também em sua forma de comunicação. Os desenhos deixados nas paredes, com o decorrer do tempo, passam a transmitir uma idéia. A esse conjunto de desenhos denominamos ideogramas. Essa atitude, que nos parece bastante simples, foi um grande marco: a partir de então, os fatos poderiam ser documentados. Inicia-se, desta forma, a HISTÓRIA.

A Arte no Egito Antigo

Quando falamos de primeiras formas de escrita, lembramos imediatamente dos hieróglifos do Egito Antigo que até hoje não foram totalmente desvendados. Aliás, o mistério é um dentre os admiráveis atrativos dessa civilização que a tantos fascina.

A religiosidade influenciou fortemente todas as atividades desenvolvidas pelos Egípcios, inclusive as artísticas, fossem elas manifestadas pela escultura, pintura ou arquitetura. Possuíam vários deuses personificados em aves e animais; acreditavam na imortalidade da alma e na vida eterna. Após a morte, a alma continuaria a viver e, para essa existência eterna, precisaria de um suporte material que a recebesse na terra e que também perdurasse para a eternidade, daí a mumificação dos corpos. A múmia, por sua vez, não poderia ser tocada, destruída ou profanada, pois a alma sofreria o resto da imortalidade. Por isso, os egípcios a ocultavam ao máximo, escondendo-a em labirintos escavados nas rochas ou sob túmulo que, por terem que durar a eternidade, tinha um caráter monumental.

Durante o Antigo Império, distinguimos dois tipos de túmulos:



  • Mastaba – túmulo particular;

  • Pirâmide – túmulo do faraó.

O faraó era a figura máxima e soberana da forte hierarquia social do Egito; dentro do regime teocrático, era o representante de Deus na terra, cujos poderes eram ilimitados.

Quem de nós não ouviu falar das pirâmides do Egito? E o enigma que envolve toda a sua construção? Grandes obras arquitetônicas, as pirâmides, com sua monumentalidade, verticalidade e ampla base, simbolizam a própria autoridade absoluta do faraó voltada para o céu, mas fortemente embasado na terra. Geometricamente falando, perceberemos que a própria estrutura das pirâmides – um triângulo isósceles – é, dentre todas as figuras geométricas, a que mais equilíbrio e estabilidade nos transmite e estas qualidades são quase inerentes também na cultura egípcia, pois durante milênios, ela manteve as mesmas características.

As três pirâmides de Gizeh, construídas pelos faraós Quéfren, Quéops e Miquerinos, são, por excelência, o símbolo do Egito. Porém elas não estão sós. A região de Gizeh contém um magnífico complexo arquitetônico composto não somente pelas pirâmides, mas pela esfinge e pelos templos. Estes não visavam acolher os fiéis em suas preces, muito contrariamente, ninguém poderia entrar neles. O templo do vale é ligado ao templo do mortuário por uma aléia coberta, onde lateralmente encontra-se a esfinge de Gizeh. Esculpida diretamente na rocha do planalto, possui corpo de leão e cabeça de ser humano que, na posição erguida, com os olhos fixos no sol, dá-nos a sensação de que está guardando todo esse conjunto. Há quem a considere um retrato estilizado do próprio faraó Quéfren, o que não seria de todo impossível, visto que os egípcios confeccionavam estátuas que eram colocadas juntamente com os túmulos reais, pois se a preservação do corpo não fosse suficiente, uma fiel imagem preservada, com certeza, asseguraria a vida eterna.

Deste modo, sua função não era só a de representação, mas também a de “ser” o próprio faraó. Por outro lado, se uma fiel imagem pressupõe um realismo, este era em geral atribuído às estátuas de classe inferior; as do faraó eram estilizadas e idealizadas, tendo atenuado seu caráter particular para transparecer, acima de tudo, seu caráter divino e imortal.

O escultor raramente tentava sair das convenções e limitava-se a representar a figura na posição de andar, estando o pé esquerdo sempre na frente; sentado, com a mão esquerda apoiada na coxa e a direita fechada ou ainda sentado, com as pernas cruzadas, tal qual a famosa estátua do “Escribe Sentado” que se encontra no museu do Louvre (Paris). Aliás, ser escriba numa terra de analfabetos significava a autoridade de dar formas às leis e ordens do soberano; era, portanto, uma posição privilegiada.

Mas, se todo um esquema pré-estabelecido dirigiu a escultura em volume, a influência é ainda mais nítida no baixo-relevo e na pintura. Utilizando para ornar as paredes dos sarcófagos e templos, tinham a finalidade de marrar fatos, hábitos e atividades necessárias à vida futura. As normas estilísticas revelam-nos que a preocupação era registrar o maior número de fatos possível. Assim, a lei da frontalidade, característica predominante em ambas manifestações, é a que mais obedece tal necessidade de variação.

A figura é desenhada numa alternância de posições, pois cada pormenor deve ser desenhado na sua forma mais significativa, proporcionando melhor legibilidade na representação: cabeça de perfil, olhos e troncos de frente, pernas e pés novamente de perfil. Esta é, sem dúvida, uma posição estranha para nós, mas temos de concordar que, de fato, um olho é muito mais reconhecível de frente do que de perfil.

A pintura egípcia não conhece a sombra, portanto, não proporciona sensação de volume, é sempre bidimensional. Igualmente, desconhece por completo a perspectiva e, quando são representados vários objetos idênticos, em vez de colocar um atrás do outro em diminuição, desenhavam um na posição desejada e depois repetiam a metade da figura sucessivamente.

As cores disponíveis derivadas de substâncias minerais, também eram convencionadas: o vermelho-tijolo para a epiderme masculina, o amarelo-ocre, para a feminina; cabelos e íris, negras; a água em azul ou com linhas em ziguezague e as plantas, pintadas na cor verde.

Outras convenções são do mesmo modo interessantes. Surgiram da necessidade de valorizar determinados personagens, e a melhor maneira de se conseguir isso foi aumentar o tamanho dele com relação aos demais. Então desenhavam o senhor várias vezes maiores que seus escravos, o marido maior que a mulher, e não é raro ver a esposa do faraó inserida num triângulo formado pelas pernas do mesmo.

Todas essas regras existiram desde as primeiras dinastias e perduravam durante todos os milênios de existência da civilização egípcia. Somente uma vez o estilo egípcio viu-se abalado, e o autor disso foi o faraó Amenófis IV, no Novo Império, que rompeu com muitos costumes e tradições do Egito. Começou por tentar introduzir o monoteísmo, substituindo o deus tradicional Amon-rá por Aton, de quem era devoto e cujo símbolo era o disco solar.

Amenófis IV atribuiu à pintura um caráter muito naturalista e, embora a lei da frontalidade não tivesse sido abandonada, o que o tornou particular foi o modo como se fez representar, mostrando toda a sua fragilidade humana em cenas e atividades comuns a qualquer pessoa. Isso, com certeza, chocou os egípcios que, por milênios, acostumaram ver o faraó com ar divino e solene.

Toda essa revolução não conseguiu alterar o estilo egípcio; o sucessor de Amenófis logo faria a arte voltar às rígidas convenções.

Posteriormente, a cultura egípcia ficou novamente suscetível a mudanças, pois foi vítima de constantes invasões; com isso, travou contatos com povos influentes, como por exemplo, os gregos. Estes estiveram sob o domínio de Alexandre Magno o qual libertou o Egito dos Persas. Mas se militarmente o Egito sucumbiu, o mesmo não aconteceu com a sua arte. Nela, a figura onipotente do faraó sempre reinará absoluta e o Egito buscará a eternidade.

Grécia

Ainda às margens do Mediterrâneo desenvolveu-se a civilização que maior influência causou na cultura ocidental: a civilização grega. Extremamente observadores, os gregos buscaram compreender o homem e o mundo, utilizando para tal a razão e não a emoção. Assim, instituíram a Filosofia e conceberam os valores universais que eram o Belo, o Bem e a Verdade. Para nós estudantes da História da Arte, é fácil detectar tais valores, pois a arte grega acha-se regada às noções do Belo. Mas, o que é o Belo? Para os gregos, nada era belo senão pela sua participação no Belo em si, o qual, por sua vez, confunde-se com o Bem supremo e com o divino. E quando falamos em “divino”, referimo-nos a deuses de forma antropomórfica, isto é, deuses com forma, virtudes e defeitos humanos. Tudo isso leva-nos a perceber tanto o caráter humanista dos gregos como a complexa interação: homem-divino-belo-arte.



A manifestação artística, assim como no Egito, também estava voltada para a religião. Porém, a arte não obedecia a normas e convenções rígidas ditadas pela crença. As artes atendiam às necessidades práticas do culto religioso; obedeciam a cânones e cálculos matemáticos e geométricos que visavam a um equilíbrio e harmonia de formas buscando, assim, o ideal de beleza e perfeição. Então, vejamos de que modo os gregos serviam à religião, sem sucumbir seus anseios filosóficos.

O templo o teatro são dois monumentos que se sobressaem na arquitetura grega. O teatro atendia ao culto em honra ao deu Dionísio, celebrado através de peças teatrais representadas por atores do sexo masculino que usavam as chamadas “personas”. Estas eram máscaras que, por si só, já indicavam se a peça era uma tragédia ou uma comédia. O teatro era, então, construído em madeira, por ocasião dessas peças, ou ainda, desse culto. Porém, mais tarde, os arquitetos gregos resolveram construí-lo em pedra e com uma estrutura que fosse permanente. Em forma semicircular, os gregos construíram as arquibancadas aproveitando o relevo íngreme das montanhas. Tais detalhes podem parecer banais, mas não se observarmos que o formato semicircular proporciona uma boa visão da cena e que, ao aproveitarem a inclinação das montanhas, os gregos, com sua sabedoria, revolucionaram os problemas com o som e deram os primeiros passos para o que hoje conhecemos como Acústica.

Já o templo destinava-se à simples moradia de uma divindade. Suas características mostram que não eram construídos para que os fiéis ficassem no seu interior; era mais exterior do que interior. Algumas partes do templo merecem atenção: as colunas com seus capitéis, o frontão e o friso. As colunas com seus capitéis determinavam a ordem arquitetônica a qual pertence o templo: dórica, jônica ou coríntia. Nas ordens: dórica e jônica, o esquema de decoração era reciprocamente coordenado com a proporção dos elementos. Um exemplo dessa proporção pode ser dado ainda referindo-se à coluna. Sua altura é diretamente proporcional ao seu diâmetro e tal proporção varia de acordo com a ordem arquitetônica, pois podemos perceber que estas refletem também o perfil do povo que as utilizou. Os templos da ordem dórica, por exemplo, são simples, porém maciços. Suas colunas, cuja altura equivale a quatro ou seis vezes o seu diâmetro, elevam-se firmes e robustas, pois são mais estreitas no alto que na base; possuem caneluras largas e terminam no capitel dórico, sóbrio e geométrico. Todos esses detalhes refletem a personalidade dos dórios que, aguerridos e nômades, foram os últimos a penetrarem no território grego.

A ordem jônica, cujo nome vem dos jônios, povo ariano que também formou o povo grego, reflete um gosto mais refinado e uma preocupação maior com a estética. Ao contrário das colunas dóricas, as colunas dessa ordem são sustentadas por uma base circular propositadamente preparada; são mais esguias e cilíndricas, pois suas caneluras são mais estreitas e sua altura equivale a oito ou dez vezes o seu diâmetro. Seu capitel é caracterizado por duas volutas laterais simetricamente colocadas, que torna a coluna jônica bem mais leve e graciosa. Aliás, a plasticidade dessas duas ordens arquitetônicas, a dórica e a jônica, é tão oposta que os gregos costumavam utilizar a ordem dórica nos templos de divindades masculinas e a jônica nos templos de divindades femininas.

A coríntia foi a ordem arquitetônica preferida no último período da arte grega, o helenístico. As colunas são similares às da ordem jônica, mas seu capitel caracterizou-se pela riqueza de detalhes decorativos. Em forme de um sino invertido, ele é todo envolvido por folhas de acanto estilizadas, donde emergem pequenas volutas que, no conjunto, dão à coluna mais suntuosidade e luxo. Foi uma das ordens mais utilizadas posteriormente pelos romanos.

O frontão é o espaço em forma de triângulo longo e baixo, conseqüente da necessária inclinação do telhado do templo; já o friso consiste numa faixa estreita que percorre toda a lateral do mesmo. Ambos eram decorados com esculturas em baixo e alto relevo que representavam deuses, heróis, monstros, vivenciando uma cena mitológica.

A escultura, inclusive, foi outra importante manifestação da arte grega; e não se destinaria só à decoração dos templos; podia ser autônoma também. Entretanto, quase todas as obras escultóricas desta natureza se perderam; o conhecimento que temos de algumas delas é por intermédio de cópias romanas, nem sempre fiéis às originais. O desenvolvimento da estatuária grega acompanha o próprio desenrolar da história dos gregos, ou seja, temos a escultura do período arcaico, clássico e o helenístico.

No período Arcaico, a estátua, apesar de inspirada no convencionalismo e técnicas egípcias, mostra pequenas inovações; como por exemplo, pode ser vista de qualquer ângulo, ao contrário da egípcia, que só de face importava; para atribuir mais vida à estátua, o rosto era animado com um sorriso característico, denominado “sorriso arcaico” ou “beócio”. Tal sorriso era, por vezes, inadequado; como interpretá-lo na fisionomia de um guerreiro moribundo? Portanto, logo foi substituído por uma serena tranqüilidade fisionômica. Neste período predominavam dois tipos de estátuas:




  • Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal