Eficácia do herbicida Hussar Plus no controlo da Avena sterilis (Balanco-maior) em pós-emergência da cevada dística



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Eficácia do herbicida Hussar Plus no controlo da Avena sterilis (Balanco-maior) em pós-emergência da cevada dística (Hordeum distichum L.)

José F. C. Barros

Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologia, Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Universidade de Évora, Núcleo da Mitra, 7002-554 Évora, Portugal. E-mail: jfcb@uevora.pt

Resumo

No ano agrícola de 2013/2014, realizaram-se dois ensaios de campo com o objetivo de estudar a eficácia do herbicida Hussar Plus no controlo da Avena sterilis L. (balanco-maior) em pós-emergência da cultura da cevada dística (Hordeum distichum L.). Estes ensaios foram levados a cabo na Herdade Experimental da Almocreva (Beja) em solos de barro, cartografados como Bvc (Barros castanho-avermelhados de calcários), sendo num dos ensaios, a cultura instalada em sementeira direta e no outro, através do sistema de mobilização reduzida. Os resultados obtidos demonstraram que o herbicida Hussar Plus é bastante eficaz no controlo do balanco-maior, mesmo quando aplicado numa fase mais avançada do desenvolvimento desta infestante, principalmente quando as doses aplicadas são as recomendadas.





Fig. 1. Ensaios com o herbicida Hussar Plus em cevada dística

Introdução

O herbicida Hussar Plus encontra-se atualmente em fase de registo, pedido pela empresa Bayer CropScience. É um herbicida constituído por duas sulfonilureias (iodossulfurão-metilo-sódio + mesossulfurão-metilo) e por um “safener” (mefenepir-dietilo), o qual tem a função de garantir a seletividade do herbicida.

O iodossulfurão-metilo-sódio é sistémico e residual de absorção foliar e radicular. Está indicado para o controlo em pós-emergência das infestantes de folha estreita (monocotiledóneas) Lolium rigidum L. (erva-febra), Avena spp (balanco), Phalaris paradoxa L. (alpista) e de muitas infestantes de folha larga (dicotiledóneas), tais como a Polygonum aviculare (sempre-noiva), a Papaver rhoeas L. (papoila-das-searas), Galium aparine L. (amor-de-hortelão), Sinapis arvensis L. (mostarda-dos-campos) e muitas outras, nas culturas do trigo mole (Triticum aestivum L.) trigo duro (Triticum durum L.) e cevada (Hordeum vulgar L. e Hordeum distichum L., ou seja, cevada hexástica e cevada dística, respetivamente).

Tal como o iodossulfurão-metilo-sódio, também o mesossulfurão-metilo pertence ao grupo químico das sulfonilureias, tal como foi referido anteriormente. O mesossulfurão-metilo é igualmente sistémico e residual, de absorção foliar e radicular, estando indicado para o controlo das mesmas infestantes monocotiledóneas que o iodossulfurão-metilo-sódio, mas contrariamente a este, revela-se muito eficaz no controlo do Bromus diandrus L. (espigão) e da Poa annua L. (cabelo-de-cão), mostrando igualmente maior eficácia no controlo de algumas infestantes dicotiledóneas, tais como a Anagallis arvensis L. (morrião), a Stellaria media L. (morugem-branca) e a Picris echioides L. (raspa-saias), entre outras. Assim, a junção destas duas moléculas no mesmo herbicida aumenta o seu espetro de ação, possibilitando um melhor controlo num maior tipo de infestantes.

O mecanismo de ação das sulfonilureias traduz-se pela inibição da ALS (Acetato Lactato Sintase), que é a enzima mais importante na biossíntese dos aminoácidos valina, leucina e isoleucina. Após a absorção, as sulfonilureias são rapidamente translocadas para as zonas de crescimento ativo das plantas (ápices e meristemas), sendo o crescimento inibido quando as plantas são suscetíveis, consequência da incapacidade de produzir aminoácidos essenciais de que necessita e portanto, acabando por morrer.

Outro aspeto considerado muito importante na eficácia dos herbicidas tem a ver com a formulação em que estes se encontram. Infestantes como a Galium aparine L. (amor-de-hortelão), a Anthemis arvensis L. (camomila) entre outras, são mais sensíveis a herbicidas cuja formulação seja OD (dispersão em óleo) do que formulações sólidas, ou seja, de grânulos dispersiveis em água (WG). A formulação OD combina as vantagens das formulações sólidas e líquidas aumentando a retenção e melhorando a distribuição da calda na superfície das folhas, mantendo a superfície foliar húmida durante um período de tempo mais longo do que a formulação WG (grânulos dispersiveis em água). Este fator conduzirá a um maior período na penetração do herbicida com consequência numa maior quantidade de substância ativa que entra na planta. Por esta razão, a formulação OD é especialmente vantajosa em condições climáticas adversas, ou em aplicações mais tardias, quando as infestantes já estão mais desenvolvidas e por isso, menos sensíveis aos herbicidas. A formulação WG tende a ser mais afetada pelas condições climáticas, principalmente pela humidade relativa e pela humidade do solo. Vários investigadores têm referido uma maior eficácia da formulação OD em relação à WG para a mistura mesossulfurão-metilo + iodossulfurão-metilo-sódio, bem como para outras sulfonilureias.

Foi objetivo deste trabalho, estudar a eficácia de diferentes doses do herbicida Hussar Plus no controlo em pós-emergência da Avena sterilis L. (Balanco-maior) em duas fases distintas do seu desenvolvimento e o seu efeito na produção de grão na cultura da cevada dística (Hordeum distichum L.).

Material e Métodos

Os ensaios realizados no ano agrícola de 2013/2014 tiveram como objetivo estudar a eficácia de três doses do herbicida Hussar Plus, em duas épocas de aplicação, no controlo em pós-emergência da Avena sterilis L. (Balanco-maior) na cultura da cevada dística (Hordeum distichum L.) e o seu efeito na produtividade da cultura.

Num dos ensaios, utilizou-se a sementeira direta como técnica de instalação da cultura, enquanto no outro ensaio, foi a mobilização reduzida o sistema utilizado para instalar a cultura.

Em ambos os ensaios, a cevada dística foi semeada no início de Dezembro e a variedade utilizada foi a Charmay, com uma densidade de 190 kg ha-1. A folha da herdade onde se realizaram os ensaios está inserida na rotação, Girassol → Trigo → Cevada.

No ensaio de sementeira direta, o controlo químico das infestantes em pré-sementeira foi realizado dois dias antes da sementeira com um herbicida sistémico, total e não residual, no caso o Roundup UltraMax (360 g L-1 de glifosato). No ensaio de mobilização reduzida, quer o controlo das infestantes em pré-sementeira, quer a preparação da cama da semente foram levados a cabo com um escarificador de braços flexíveis (vibrocultor).

Em ambos os ensaios, a adubação à sementeira, foi realizada com um distribuidor centrífugo de adubo, aplicando-se 350 kg ha-1 do adubo ENTEC 20-10-10. Em meados de Fevereiro, efetuou-se uma adubação de cobertura, onde foram aplicados cerca de 120 kg ha-1 de um adubo azotado 40% (35% ureia + 5% amoniacal) + 14,4 % SO3 PRILL.



Os tratamentos foram os seguintes:

4 doses

D0 – 0 ml ha-1 (testemunha)

D1- 100 ml ha-1

D2 – 150 ml ha-1

D3 – 200 ml ha-1

As doses recomendadas para o Hussar Plus variam de 150 a 200 ml ha-1 e o volume de calda a aplicar poderá variar de 200 a 400 L ha-1, em cereais. Nestes ensaios, o volume de calda aplicado foi de 200 L ha-1.



2 épocas de aplicação

1ª época – fase do afilhamento completo do balanco

2ª época – fase de alongamento dos caules no balanco

A 1ª época correspondeu na cultura da cevada dística à fase de colmo principal com 4 filhos (estádio 24 da escala de Zadoks) e a 2ª época de aplicação, à fase de 3º nó visível (estádio 33 da escala de Zadoks).

Ao herbicida adicionou-se uma solução concentrada com 283 g L-1 ou 27 % (p/p) de laurel éter diglicol sulfato sódio (Genapol) com a concentração de 0,5 L ha-1. Esta substância é designada por molhante não iónico e o seu efeito traduz-se numa maior aderência da calda à parte aérea das plantas.

Para controlar a helmintosporiose e a rincosporiose fizeram-se duas aplicações do fungicida Prosaro, que é um concentrado para emulsão com 125 g L-1 ou 12,7% (p/p) de protioconazol e 125 g L-1 ou 12,7% (p/p) de tebuconazol. A primeira aplicação efetuou-se quando a cultura se encontrava a meio do afilhamento e a segunda aplicação, quando a cevada se encontrava na fase de emborrachamento, tendo o Prosaro mostrado bastante eficácia no controlo daquelas doenças. Este fungicida foi aplicado com uma dose de 1 L ha-1 em 300 litros de água, por hectare. De salientar, que o Prosaro poderá também ser utilizado no controlo da Septoria tritici e Erysiphe graminis.

Para determinar a eficácia do herbicida, as infestantes foram contadas duas vezes mas não foram removidas. A primeira contagem teve lugar imediatamente antes do tratamento em cada uma das épocas de aplicação e a segunda contagem cerca de dois meses após o tratamento, em caixilhos de madeira com 50 cm x 50 cm, colocados em todos os talhões e na parte central destes. O número médio de plantas de Avena sterilis L. presentes nos ensaios era de 13 plantas m-2 para a sementeira direta e de 17 plantas m-2 para a mobilização reduzida. A reinfestação foi em ambos os ensaios, de 1 planta m-2 para a 1ª época de aplicação e 0 plantas m-2 para a 2ª época de aplicação.

A aplicação do herbicida foi levada a cabo com um equipamento próprio para ensaios equipado com bicos de fenda (110o - 10), quando 90 % ou mais das infestantes se encontravam na fase do afilhamento completo (1ª época de aplicação) e quando cerca de 90% ou mais das infestantes se encontravam na fase de alongamento dos caules (2ª época de aplicação).

A dimensão dos talhões em todos os ensaios, era de 10 m x 3 m e a área de colheita correspondeu a 13,5 m da parte central de cada talhão para evitar o efeito de bordadura, usando-se para tal, uma ceifeira-debulhadora própria para ensaios. A colheita foi efetuada no início de Julho e a produção de grão por unidade de área foi determinada diretamente, depois da correção da humidade.

Resultados e discussão

Eficácia do herbicida

Como se pode verificar pelas figuras 2 e 3, o herbicida Hussar Plus mostrou uma grande eficácia no controlo do balanco, não havendo diferenças significativas entre doses e épocas de aplicação, em ambos os ensaios (mobilização e sementeira direta). Para todas as doses de herbicida, a eficácia no controlo do balanco foi maior, mas não significativamente, quando a aplicação se realizou numa fase mais precoce do desenvolvimento da infestante (afilhamento completo) e não obstante a maior eficácia do herbicida tenha sido obtida com as doses recomendadas (D2 - 150 e D3 - 200 ml ha-1) constata-se, que a dose inferior às recomendadas (D1 - 100 ml ha-1) conseguiu uma menor, mas não significativa eficácia, relativamente àquelas, também em ambos os ensaios e épocas de aplicação.





Fig. 2. Eficácia do herbicida Hussar Plus no controlo da Avena sterilis L. (Balanco-maior) no ensaio de mobilização



Fig. 3. Eficácia do herbicida Hussar Plus no controlo da Avena sterilis L. (Balanco-maior) no ensaio de sementeira direta.

A figura 4 representa um dos talhões testemunhas dos ensaios, onde se pode observar a população de Avena sterilis L. (Balanco-maior).





Fig. 4. Talhão testemunha

A figura 5 mostra um talhão dos ensaios onde se aplicou a dose menor do herbicida (D1-100 ml ha-1) e onde são visíveis algumas plantas de Avena sterilis L. (Balanco-maior), que sobreviveram ao tratamento.





Fig. 5. Talhão dos ensaios com o tratamento D1 (100 ml ha-1)

A figura 6 representa um dos talhões dos ensaios onde se aplicou a dose intermédia do herbicida Hussar Plus (D2 – 150 ml ha-1).





Fig. 6. Talhão dos ensaios com o tratamento D2 (150 ml ha-1)

Pela figura 6, pode observar-se um dos talhões dos ensaios onde se aplicou a dose mais alta do herbicida Hussar Plus (D3 – 200 ml ha-1).





Fig. 7. Talhão dos ensaios com o tratamento D3 (200 ml ha-1)

Produção de grão

À maior eficácia no controlo do balanco para todas as doses de herbicida na 1ª época de aplicação (Figuras 2 e 3) correspondeu também em ambos os ensaios, uma maior produtividade na cultura da cevada dística, para esta época mais precoce do desenvolvimento das infestantes (Quadros 1 e 2).

De salientar, que nos dois ensaios, a dose mais elevada do herbicida (D3 - 200 ml ha-1) não obstante ter sido a mais eficaz no controlo do balanco (Figuras 2 e 3), não foi a que mais grão produziu por unidade de área.

Quadro 1. Produção de grão (kg ha-1) para as diferentes doses de herbicida e épocas de aplicação, no ensaio de mobilização


Doses

Épocas

D1

D2

D3

1

5056

5210

4869

2

4124

4854

3783

Média__4590__5032__4325__Quadro_2.'>Média

4590

5032

4325

Quadro 2. Produção de grão (kg ha-1) para s diferentes doses do herbicida e épocas de aplicação no ensaio de sementeira direta

Doses

Épocas

D1

D2

D3

1

4904

5449

4869

2

4213

4801

4365

Média

4558

5125

4871

Conclusões

Pelos resultados obtidos nestes ensaios poder-se-á afirmar-se que o herbicida Hussar Plus é bastante eficaz no controlo da Avena Sterilis L. (Balanco-maior), mesmo quando aplicado numa fase mais avançada do desenvolvimento desta infestante. A eficácia será maior se as doses utilizadas forem as recomendadas (150 e 200 ml ha-1), não obstante a também boa eficácia da dose inferior às recomendadas (100 ml ha-1) principalmente quando aplicada numa fase mais precoce do desenvolvimento do balanco. A maior eficácia de todas as doses do herbicida quando o controlo do balanco é efetuado numa fase mais precoce do seu desenvolvimento refletir-se-á também numa maior produtividade da cultura da cevada dística. Assim, para as condições em que se realizaram estes ensaios, poder-se-á afirmar que o herbicida Hussar Plus é uma excelente opção para controlar a Avena sterilis L (Balanco-maior) em pós-emergência da cevada dística, quando esta infestante se encontrar próxima da fase de desenvolvimento do afilhamento completo e a dose de 150 ml ha-1 em 200 litros de água por hectare, parece ser a mais indicada.



Agradecimentos

O autor agradece ao Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, à Universidade de Évora e à Empresa Bayer CropScience (Portugal) a colaboração prestada na realização do presente trabalho.





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