Emilio Bruno Germek



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PROJETO DE LEI Nº 205, DE 2010
Dá denominação de "Emilio Bruno Germek" ao Parque Tecnológico de Piracicaba, ação conjunta dos Governos Estadual e Municipal, e da iniciativa privada, naquele município



A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:

Artigo 1º - Passa a denominar-se “Engenheiro Agrônomo Emilio Bruno Germek” o Parque Tecnológico de Piracicaba, ação conjunta dos Governos Estadual e Municipal, e da iniciativa privada, localizada naquele município.

Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.



JUSTIFICATIVA

Tem por objetivo este Projeto de lei homenagear o insigne Engenheiro Agrônomo Emilio Bruno Germek”, atribuindo o seu nome e patronímico ao Parque Tecnológico de Piracicaba, ação conjunta dos governos estadual e municipal, e da iniciativa privada, localizado naquele Município, e que possui entre os seus objetivos o incentivo à pesquisa e à inovação tecnológica; o estímulo ao desenvolvimento, à competitividade e ao aumento da produtividade de empresas cujas atividades estejam fundadas no conhecimento e na inovação tecnológica; apoio às parcerias entre instituições públicas e privadas envolvidas com a pesquisa científica e inovação tecnológica, além de estimular a ampliação, em quantidade e qualidade, dos cursos superiores públicos e gratuitos, aumentando significativamente o número de vagas por habitante.

Para viabilizar a implantação adequada do Parque Tecnológico em Piracicaba e atender aos preceitos estabelecidos pelo Estado de São Paulo foram instituídos os objetivos do programa e delimitado o perímetro onde incidirão regras de uso especiais, visando criar uma área restrita à implantação e ao desenvolvimento de atividades de laboratório, universidade e instituições, voltadas à pesquisa em ciência e tecnologia, bem como à prestação de serviços de suporte ou de apoio às atividades intensivas em conhecimento e inovação tecnológica.

O Parque Tecnológico de Piracicaba será instalado em área de mais de 688.000 m2 (seiscentos e oitenta e oito mil metros quadrados) na Rodovia Deputado Laércio Corte (SP-147), no bairro Santa Rosa, onde será instalada uma FATEC - Faculdade de Tecnologia, centro de pesquisa e outros equipamentos.

Em 2006, o governo do Estado de São Paulo editou o Decreto Estadual nº 50.504, de 6 de fevereiro de 2006, através do qual instituiu o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, sendo que em razão deste foi firmado com o Município de Piracicaba um protocolo de intenções, visando à implantação de um Parque Tecnológico na cidade.

O Parque Tecnológico de Piracicaba contará com investimentos da ordem de R$ 500.000,00 (quinhentos milhões de reais), tornando-se o sexto parque tecnológico do Estado de São Paulo e o primeiro destinado a estudos dos biocombustíveis e bioenergia no mundo. A expectativa é de que o projeto gere 20.000 (vinte mil) empregos, dos quais4.000 (quatro mil) serão diretos, somente no parque. O parque tecnológico é uma parceria entre a Secretaria do Desenvolvimento do Estado – por meio do Sistema Paulista de Parques – instituições de pesquisa de Piracicaba e região, Prefeitura de Piracicaba e a iniciativa privada.

O Parque Tecnológico de Bioenergia é um projeto de R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões) que será instalado a 3 km (três quilômetros) da cidade, numa área de 300.000 m2 (trezentos mil metros quadrados) cedidas pela iniciativa privada. A prefeitura e a Esalq também são parceiras no empreendimento. Piracicaba, cidade com 315.000 (trezentos e quinze mil) habitantes incrustada numa tradicional região canavieira no interior do estado de São Paulo será referência no promissor mercado mundial de etanol. Para isso, articula pesquisa e desenvolvimento com as iniciativas do Governo e do setor produtivo. A cidade é a única do Brasil a reunir toda a cadeia produtiva do etanol. O município abriga 10 (dez) usinas de açúcar e álcool e conta com cerca de 80 (oitenta) metalúrgicas.

Piracicaba tem vantagens estratégicas: é sede da centenária Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq), responsável por pesquisas pioneiras sobre a utilização do solo para a cana e a destinação da vinhaça, e também abriga há 38 anos o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) – antigo Centro de Tecnologia Copersucar –, onde foi desenvolvida boa parte das variedades de cana plantadas no centro-sul do país. E mais recentemente tornou-se endereço do Pólo Nacional de Biocombustíveis, inaugurado em 2004 com o objetivo de coordenar esforços e definir estratégias para uso de diferentes fontes de biomassa, bem como contribuir para o desenvolvimento de uma política de promoção e produção dos biocombustíveis no país.

O homenageado, cujo nome pretendemos ver atribuído ao Parque Tecnológico, engrandecendo ainda mais o importante projeto, é nascido em São Paulo, aos 17 de maio de 1913. Foi formado Engenheiro Agrônomo. pela Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz” (ESALQ – USP), em 1936 – quinto da turma dentre os 28 colegas – já se despontava para a pesquisa agrícola.

Iniciou profissionalmente, no mesmo ano da formatura, na Seção de Genética, com pesquisas de melhoramento genético de milho, sorgo, trigo, centeio e arroz, esta última como único melhorista responsável, até junho de 1958.

Realizava as hibridações em Campinas, e as experimentações com arroz irrigado em Pindamonhangaba e de sequeiro em Pindorama. Executava pesquisas, também, em outras unidades como: Capão Bonito, Franca, e Mococa. Pesquisas nas quais comumente criava sua própria metodologia.

Neste ínterim, colaborou substituindo a Chefia da Seção de Cereais e Leguminosas.

Em 1958, assumiu a Chefia da Seção de Introdução de Plantas Cultivadas, permanecendo até 1970, quando as atividades passaram para a Seção de Botânica Econômica, na qual continuou como Chefe até sua aposentadoria em 1981.

Além de seu trabalho maravilhoso com germoplasma de arroz, cujo trabalho de melhoramento se reflete até os dias de hoje, com mais de uma dezena de novas cultivares, ainda atuou na domesticação e aclimatação de muitas espécies de plantas agrícolas, dentre as quais podemos destacar seu trabalho pioneiro com o Kiwi, Pupunha, Calabura, entre tantas outras espécies que passaram pelas suas mãos de melhorista.

Pela sua atuação com quarentena de plantas, participou de eventos marcantes da agricultura brasileira, como na introdução do germoplasma de café que acabou por salvar esta cultura disponibilizando germoplasma resistente ä ferrugem do café, apoiando o grupo do saudoso Dr. Alcides Carvalho. Bem como apoiando o CENARGEN, como consultor, no início daquela instituição.

Germek ainda produziu estudos importantíssimos como o combate à Tiririca, de Adubação Nitrogenada em Cobertura, de enraizamento da Roseira, de enxertia da Videira, de manejo da Primavera, aclimatação do feijão guandu, quarentena de cana-de-açúcar em conjunto com Coopersucar e Planalsucar (mais de mil introduções), com citros (mais de 800), cacau (178), bambu (133) - entre tantos outros acessos de espécies quarentenadas para os Bancos Ativos de Germoplasma e coleções de trabalho para pesquisas de melhoramento genético – instalou um arboreto no CEC (cujas espécies continuam até hoje). Publicou mais de 100 artigos dentre científicos e de divulgação.

Seu currículo é extremamente invejável, com incontáveis palestras, participações em eventos científicos e técnicos, contribuições em associações, uma série famosa de publicações no suplemento agrícola do Estado de São Paulo, além de uma centena de boletins técnicos, artigos científicos e livros, estes últimos com expressiva venda até hoje.

Nesta oportunidade, apresentamos a biografia da personalidade homenageada, que demonstra a grandiosidade de seu trabalho para a agricultura paulista:

“APRESENTAÇÃO:

Nome: Emílio Bruno Germek

Nacionalidade: Brasileiro

Nascimento: 17 de Maio de 1913, São Paulo (Capital), SP

Filho de ROMANO GERMEK (Áustria) e de ADELLE CATTER (1877, Itália, Rovinho).

Neto de GIOVANI GERMEK (Áustria) e de EMÍLIA NUSDOLFER (Áustria) e de GIOVANI CATTER (Itália) e de ANNA CATTER (Itália).

1º Casamento: YONE AMARAL GERMEK, Brasileira, Campinas, SP

Filhos: HERMAS AMARAL GERMEK, casado com Maria Aparecida Ribeiro Germek. CECÍLIA GERMEK ABDEL MASSIH, casada com Michel Abdel Massih Filho. SÍLVIA AMARAL GERMEK, solteira. Total: 6 netos.

2º Casamento: MARIA EDMEA TELLES GERMEK, Brasileira, Ribeirão Preto, SP.

Profissão: Engenheiro Agrônomo, ESALQ, 1936 e Pesquisador Científico VI, IAC.

ESCOLARIDADE:

Curso Primário: Escola Sete de Setembro, São Paulo, 1921 a 1923.

Liceu Coração de Jesus, São Paulo, 1924 a 1926.

Curso Secundário: Mackenzie College, São Paulo, 1927 a 1932, sendo aprovado para o curso de Engenheiro-Civil. Foram 2 da Escola Americana e 4 da maduresa. Total 6 anos.

Curso Superior: Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, 1933 a 1936. Engenheiro Agrônomo. Classificação: Quinto Lugar, entre 28 aprovados.

ATIVIDADES PROFISSIONAIS:

SEÇÃO DE GENÉTICA: Desde dezembro de 1936 até Junho de 1958.

Por indicação do seu professor da ESALQ, Alcides de Paravicini Torres, foi nomeado em 01 de dezembro de 1936, Assistente em regime de tempo integral no Instituto Agronômico, Campinas, SP, auxiliando nos trabalhos de melhoramento genético do milho, sorgo, trigo, centeio e arroz e logo após ficou sendo o único responsável pelo melhoramento genético do arroz.

PESQUISAS REALIZADAS:

Em 1938 efetuou as primeiras hibridações do arroz no Brasil. As hibridações iniciais foram realizadas em Campinas na própria cidade, na estufa ao lado da Seção de Genética e posteriormente na Fazenda Santa Elisa, para onde a Seção foi transferida.

Em 1936 foi cedida pelo antigo “Haras Paulista” uma área de 50 há ao IAC, para o estabelecimento de uma cultura experimental de arroz irrigado com transplante, sendo contratado o agricultor Júlio Takaki para realizá-la.

Apenas em 1945 foi criada a Estação Experimental, sendo o primeiro Chefe o competente amigo Roberto Alves Rodrigues, que ficou até 1957, quando se aposentou.

E 1949, as instalações da próxima antiga Estação de Sericicultura foram anexadas.

No início não era nada fácil trabalhar no Campo Experimental de Cultura do Arroz na localidade. Tinha que tomar o trem da central do Brasil, esta em precárias condições, alojar-se numa pensão e, no dia seguinte, alugar uma bicicleta para atingir o Campo, pois não havia condução autorizada para isso.

Desde aquela época, ficou estabelecido que a experimentação seria conduzida para a cultura irrigada em Pindamonhangaba, enquanto que a de sequeiro, dependente apenas da chuvas, em Pindorama.

Sempre, todas as hibridações artificiais foram realizadas em Campinas e nunca nas Estações Experimentais.

A de sequeiro, praticada nos Estados de São Paulo, Goiás, e Minas Gerais, era a mais importante, cerca de 90% naquela época, o que não tem tanto valor nos dias atuais.

Desenvolveu o método seguinte: Material: Tesoura bem pequena e pontas finas, com cabos contendo molas brandas para manter sempre abertas, enquanto não se comprimem. Uma pinça de pontas muito finas curva como a dos dentistas. Para enfraquecer, enrola-se um elástico. Uma lupa 16 aumentos. Um vidro com álcool a 70 %, para limpar a pinça após cada operação e pano ou papel para secar. Sacos de papel Kraft 7 x 17 cm, clips. Antes das 10 horas da manhã: Corta-se o ápice, retirando-se apenas parte da lema obliquamente e o ápice da pálea. Retiram-se as seis anteras, observando se nenhuma se rompeu. Neste caso, mergulha-se a pinça no álcool e limpa-se. Polinização logo após colocando anteras que vão abrir após as 10 horas, quando as glumas se abrem.

Recomenda-se utilizar variedade polinizadora com caráter dominante evidente, que vai aparecer na planta polinizada no F1.

Estabeleceu que todo trabalho de melhoramento teria como base a produção total de cada planta e não a simples escolha de uma panícula. Para este fim, as linhas das progênies de 6 metros, com espaçamento de 20 cm, seriam de uma única planta por cova. Entre linhas: sequeiro 80 cm e irrigado 50 cm.

Para evitar engano: Manter um número para cada linha, sendo de 01 à 1.000 para Pindamonhangaba e 1,001 à 2.000 para Pindorama.

Inicialmente, introduziu e estudou as variedades locais e as introduzidas do mundo todo, num total naquela época de 673 entradas, chegando à conclusão da superioridade das locais já adaptadas ao nosso ambiente. Isso mais para o sequeiro, enquanto que as introduzidas dos Estados Unidos têm sido importantes para nosso trabalho de melhoramento genético.

Idealizou a confecção de cilindros de chapa de ferro galvanizado nº 27, abertos em ambas extremidades, com 14 cm de altura e 18 de diâmetro, tendo a terça parte mediana crivada de furos de 2mm, espaçados de 1 cm por 1,5 cm. No canteiro preparado para a semeadura, são distribuídos  ordenadamente. Forçados no lodo até a parte crivada ficar no nível do terreno, permitem a livre circulação de água.

Semeadas, cada uma com sua etiqueta, uma semana após os cilindros  são retirados e usados novamente. Formam-se tufos de mudas e 40 dias após a semeadura são transplantadas.

A pedido do chefe da Seção de Cereais e Leguminosas, devido ao fato de o responsável pelas pesquisas do arroz ter decidido viajar ao Paraguai, a fim de obter remuneração mais elevada no exterior, onde ficou de 25 de novembro de 1942 a 24 de novembro de 1944, Emílio B. Germek decidiu colaborar, sem prejuízo de suas atribuições no melhoramento genético na Seção de Genética. Cuidou da preparação de grandes lotes de sementes em cultura irrigada, que eram entregues à Divisão de Fomento, destinadas a multiplicação em Campos de Cooperação, que depois seriam vendidas aos agricultores. Manteve continuidade na experimentação. Durante mais de três anos prosseguiu  colaborando.

Lotes de variedades: Não é prudente a semeação direta no campo de cultura sementes recebidas do exterior, pois seriam incontroláveis novas moléstias  e pragas. Assim, sempre foram previamente semeadas na estufa em Campinas.

Cultura irrigada: Um canteiro de cada variedade. 6 linhas de 6 m. Espaçamento 30 x 20 cm. 5 mudas por cova. Bordadura: uma linha no início e outra no fim de cada bloco. Colheita: 200 panículas nas 4 linhas centrais de cada canteiro em separado.

Cultura de sequeiro: Espaçamento 80 cm x filete contínuo de sementes. Colheita: Cerca de 200 panículas escolhidas nas quatro linhas centrais de cada canteiro em separado, que são levadas ao laboratório em Campinas.

Então, examinam-se e as mais interessantes são destinadas a Progênies de Variedades, uma panícula escolhida por linha de plantas, uma planta por covas. As outras panículas são debulhadas em conjunto e destinam-se à semeadura seguinte.

Lotes de Híbridos: Na estufa em Campinas: Após minucioso exame individual, para constatar que as plantas de uma mesma hibridação são realmente híbridas, as sementes colhidas individualmente nas diversas plantas da geração F1 são misturadas e semeadas no campo nos Lotes de Híbridos, sempre uma única planta por cova, de modo a permitir  o julgamento individual com a seleção das melhores.

Progênies de híbridos: Em essência é idêntico ao de variedades. Convêm ter em mente que as plantas selecionadas nas gerações mais próximas como F2 e F3 são ainda muito heterozigotas e assim dão origem a  progênies bastante variáveis. Nesse caso, uma demasiada exigência nas qualidades das plantas pode resultar na eliminação de uma boa seleção posterior. Sendo planta que se auto-fecunda, vai-se tornando mais homozigota, ou seja mais homogênia a partir da geração F6. De outra parte, convém não exagerar, para o agricultor poder logo usufruir os benefícios proporcionados pelas novas variedades selecionadas.

Em uma ocasião, consultou a Seção de Técnica Experimental do IAC, recebendo a orientação dos Engenheiros Constantino Gonçalves Fraga Júnior e Armando Conagin, para todo o trabalho que estava sendo realizado.

No início, recebeu orientação dos Engenheiros Agrônomos C.A.Krug, Glauco Pinto Viegas e Principalmente de Alcides Carvalho.

REALIZAÇÕES MAIS IMPORTANTE:

ESTUDOS DE MÉTODOS DE COMBATE À TIRIRICA (TP 10) E CORTADOR DE PROFUNDIDADE (TP 7). GERMEK, E.B.  e FORSTER, R. foram designados para  constituir a comissão de controle da tiririca. Diversos experimentos foram realizados, inclusive o de capinas diária nos dias úteis durante um ano, mostrando ser ineficiente devido às batatinhas. Idealizou-se um novo tipo de arado, sem tombamento da terra, com uma lâmina cortante trabalhando abaixo da superfície, com isso, desligando da camada inferior, de modo que a planta daninha fica solta na terra fofa, secando. O instrumento foi fabricado por André Tosello na Seção de Engenharia. Fomos antecessores dos atuais métodos de semeadura no sulco, permanecendo as plantas secas na superfície. É importante saber que produz sementes que germinam despercebidas na preparação de vasos.

INÍCIO DAS ADUBAÇÕES NITROGENAAS EM COBERTURA, EM CULTURAS ANUAIS EXTENSIVAS, NO ESTADO DE SÃO PAU3LO. (TP 70)

Obs.: Instalado em 11 de novembro de 11949 e colhido em 14 de abril de 1950.

Antes: Constou do Relatório da Seção de Genética. Depois: GERMEK, E.B. e ALOISI  J. Sobrinho. O Agronômico, Vol. 27/28, Número Único, 1975/1976. A aplicação de adubo químico nitrogenado após a germinação era praticamente desconhecida no Estado de São Paulo. Foi projetado um ensaio comparando: a) Toda a adubação aplicada no sulco de semeação; b) O fósforo e o potássio no sulco na semeação, ao passo que o nitrogênio distribuído no lado de cima ao longo das linhas de plantas, em cobertura, trinta e setenta dias após a germinação. Estação Experimental de Pindorama, em sequeiro. Trinta variedades de arroz, uma linha de cada, mantendo sempre a mesma seqüência uma ao lado da outra em dois blocos de quinze. Nas que ficam sempre na frente de cada bloco foi aplicada a adubação usual. (a). Atrás (b). Espaçamento 50 cm x 20 cm x 6 m. 40 Kg de N, 40 de P2O5 e 25 K20/hectare: sulfato de amônio, superfosfato de cálcio e cloreto de potássio.

Arroz em casca 1.611 Kg/há para o usual; 2.116 Kg/há cobertura.

Diferença 505 Kg/há; correspondente a favor da cobertura 31,3 %.

A finalidade é aplicar o nitrogênio quando as raízes forem suficientemente grandes para absorve-lo. Quando não, precolam para camadas mais profundas do solo, por serem muito solúveis.

Os blocos (b) de trás ficaram com plantas mais altas, despertando a curiosidade das pessoas, que ao tomar conhecimento passaram a utilizá-lo  nas semeaduras seguintes de arroz, milho, amendoim, sorgo e outras. A prática generalizou-se. Outro objetivo do ensaio era a caracterização das variedades. Para isso, foi mantida uma planta  por cova. Stand final 75,6 % e 76,3 %, respectivamente.

REGULAMENTAÇÃO PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO:

Por designação da Diretoria da Sociedade Paulista de Agronomia, EMÍLIO BRUNO GERMEK  e ANTONIO JOSÉ TEIXEIRA MENDES elaboraram o Ante-projeto de Regulamentação do Exercício da Profissão Agronômica e receberam agradecimentos em 23 de dezembro de 1950, com a informação de que resultou no Ante-projeto final da Regulamentação.

SIGLA IAC: Nos outros países era comum as instituições assinalarem com uma SIGLA de sua propriedade exclusiva as variedade por eles selecionadas. No Agronômico tal não acontecia. Assim, tive a iniciativa de colocar antes do nome ou número o IAC nas novas variedades, ao mesmo tempo em que providenciava, o registro oficial da sigla como propriedade do IAC. O desenho necessário para o Diário Oficial foi do POMPEU, que pintava belos quadros.

MODALIDADE DE CULTIVO: Sistema radicular muito superficial com concorrência de ervas daninhas. Sulcos rasos e baixas quantidades de sementes são melhores. Torta de mamona e sulfato de amônio em contato com sementes são prejudiciais. Evita-se aplicando em sulcos laterais 6, 8, 16, 26.

ROSEIRA, ENRAIZAMENTO DE ESTACAS E ENXERTIA SIMPLIFICADA DE BORBULHA: Realizou enraizamento de estacas, abrindo cova na sombra de árvore, onde colocou feixes, cobriu com pouco capim e bastante terra, mantendo o local úmido, mas desviando águas da chuva, assim ficando em completa escuridão. Tempo depois todas estavam com calos do enraizamento. Optou por um sistema simplificado de enxertia sem levantamento da casca: No internódio do porta-enxerto, com lâmina afiada, corta-se de cima para baixo, cerca de 4 cm, elimina-se a metade, permanecendo uma unha, onde é inserida à borbulha da nova variedade, obtida cortando de baixo para cima. Com talhe transversal elimina-se o que excede a parte exposta. Amarra-se com tira de plástico, mantendo a gema livre. O plástico substituiu a Ráfia que era importada. TP 11, 15, 18.

ENXERTIA HERBÁCEA DA VIDEIRA: Efetua-se no período de plena vegetação, utilizando-se a extremidade dos brotos mais vigorosos. Na extremidade da haste com duas gemas elimina-se a extremidade logo no ponto em que inicia-se uma curvatura característica da videira. Com uma lâmina bem cortante eliminam-se as folhas e gavinhas.

É importante escolher no porta enxerto galho de igual grossura ao que vai ser enxertado, ou as cascas devem coincidir contato, pelo menos de um lado. No sistema de garfagem em cunha, na extremidade do broto que vai ser enxertado efetua-se uma cunha e no porta enxerto corta-se na horizontal para eliminar a extremidade e abrir com um corte de cima para baixo para introduzir o enxerto.

Com uma tira de plástico amarra-se de baixo para cima cobrindo toda a área exposta e terminando com uma laçada para prender e papel fino translúcido como os guardanapos de papel, fazendo uma câmara com nó por baixo e por cima. Uma semana depois retira-se o papel e no fim de 20 – 30 dias o amarrilho, tendo já iniciada a brotação.

Nas parreiras dos quintais ele autor e do colega Armando Conagin faziamos festa com as nossas coleções de gostosas e novas variedades, graças ao enxerto herbáceo.

AS PRIMAVERAS DE CAMPINAS: Raras são as trepadeira ornamentais que em beleza, intensidade de florescimento e rusticidade podem ser comparadas as “primaveras”, também chamadas de “bougainvilleas”.

É planta brasileira encontrada nas florestas originais. O autor desta, desenvolveu um processo de hibridação, publicado em “Bragantia” fevereiro de 1954 e no Suplemento Agrícola “O Estado de São Paulo” publicou o artigo “As primaveras”, 20 de junho de 1955.

No início dos anos 50, havia em Campinas pouca variabilidade na cor das inflorescências, sendo a mais comum as de cor roxa, cor de tijolo e lilás. A existência de sementes passava despercebida, mas apalpando-se as flores secas, raramente são encontradas, semelhantes em forma e tamanho ao grão de trigo. Semeia-se a um centímetro de profundidade, leva um mês para germinar e em algumas plantas inicia o florescimento seis meses e meio depois da semeação.

As plantas resultantes de sementes comuns ou cruzamentos foram plantadas no jardim da Seção de Genética e de espaço ao longo da cerca então existente na Fazenda Santa Elisa da Avenida Brasil. Assim, qualquer pessoa podia cortar um pedaço de galho para obter sua própria muda. Nas cercas a formiga saúva raramente ataca.

Em maio de 1958, recebeu a visita de dois oficiais de Sua Magestade Britânica, que vieram do Quênia, na África, e que informaram estar muito interessados em primaveras e que queriam saber a origem das sementes que havíamos fornecido. Dessas sementes resultou uma variedade com flores completamente brancas, sendo considerada a única até então conhecida pela pureza da cor. Passaram a intercalar a branca de espaço em espaço ao longo das cercas.

Com o intercâmbio, recebemos sementes e mudas de nove belas variedades em 1958 e atualmente entre outras a branca e a cor de ouro embelezam Campinas.

Assim, Campinas tornou-se importante fonte de belíssimas variedades originais da trepadeira brasileira. Nenhum planta proporciona tanta cor às cidades e aos campos como a “primavera”. TP 13, 14 e 89.



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