Ensaio sobre as relaçÕes entre a logística, a economia e o comércio varejista: os gargalos do município de canoas, rs



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Ensaio sobre as relações entre a logística, a economia e o comércio varejista: os gargalos do município de Canoas, RS
Judite Sanson de Bem

Nelci Maria Richter Giacomini

Lucimar Teixeira Roxo
Resumo

A logística é entendida como o canal ou elo de ligação do produtor, dos bens e serviços, ao consumidor final. O ineficiente gerenciamento estratégico dos fluxos de materiais e das informações eleva os custos de transação, tornando o custo do processo uma desvantagem competitiva, logo causando perdas aos diferentes elos da cadeia. Canoas é um dos principais municípios, sob a ótica econômica, do RS. No entanto, por ele passam a maior parte do escoamento da produção do Estado, dificultando seu comércio varejista e o deslocamento de pessoas. Utilizando-se de revisão de literatura sobre o tema, o trabalho tem por objetivo definir o que se entende por logística, relacioná-lo à economia e ao comércio varejista, bem como mostrando as principais vias de acesso ao município. Conclui-se que os custos logísticos são um fator-chave para estimular o comércio, sobretudo entre países e entre regiões de um mesmo país pelo fato de que os custos de produção podem mais do que compensar os custos logísticos necessários para o transporte entre as regiões. Quanto a Canoas deverá ocorrer uma retomada da discussão sobre a construção de uma via de escoamento alternativa.



Palavras-chaves: Logística, vantagens competitivas, economia, comércio varejista, Canoas
Abstract

Logistics is perceived as the channel or a link of the producer of goods and services, to the final consumer. The inefficient management of the strategic flow of materials and information raises transaction costs, making the cost of a disadvantage competitive process, once causing losses to the various links in the chain. Canoas is a major municipalities, from the economical perspective of Rio Grande do Sul. However, he spend most of the flow of production of the state, hampering their trade retailer and displacement of people.Using up to review the literature on the subject, the work aims to define what is meant by logistics, relate it to economy and its reflections in the retail trade, as well as showing the main access routes to the council.. It is concluded that the logistical costs are a key factor in stimulating trade, especially between countries and between regions of the same country by the fact that differences in the costs of production may more than offset the logistical costs necessary for the transport between the regions. In Canoas should occur a resumption of the discussion on the construction of an alternative flow line.


Key words: Logistics, competitive advantages, economy, trade retailer, Canoas

1 INTRODUÇÃO
O ambiente em que as empresas operam no início do século XXI é complexo e competitivo. Portanto, elas são compelidas a buscar a diferenciação e o estabelecimento de vantagens competitivas em relação aos seus concorrentes. Embora com objetivos diferenciados, um ponto comum pode ser observado: a opção pela aplicação da logística, que deve ser entendida como o gerenciamento estratégico dos fluxos de materiais e das informações correlatas para levar, de forma eficiente e eficaz, os produtos de uma origem a um destino.

A globalização, a mudança no comportamento dos consumidores, a redução do ciclo de vida dos produtos e o enfraquecimento das marcas exigem que as organizações adquiram e desenvolvam novas competências para conquistar e manter clientes. As vantagens e diferenciais competitivos são cada vez mais efêmeros. Rapidez e flexibilidade tornam-se obrigatórias.

No processo de modernização economia brasileira (Governo Collor, 1990-1992) observou-se que as empresas passaram a competir do portão para dentro e o grande desafio nos anos 2000 passou a ser competir do portão para fora.

O conhecimento em logística ajuda na melhoria de processos operacionais e estratégicos das empresas, à medida que a primeira se ocupa da tecnologia, pois esta atua na integração da cadeia, nos controles e na automação das atividades, e quanto mais avança, mais mudanças acontecem, surgindo assim uma maior necessidade de capacitação.

Canoas tem um constante desafio, qual seja, sua importante participação no comércio varejista do RS, bem como ser elo de ligação entre a RMPA e a Região Norte/Nordeste do Estado. Este cenário traz ou município desvantagens locacionais, com constantes congestionamentos e encarecimento das atividades transacionais e de deslocamento de pessoas.

O objetivo deste trabalho é definir o que se entende por logística, sua influência nas vantagens competitivas, na economia e no comércio varejista, e verificar a posição de Canoas no fluxo/escoamento dentro da RMPA.



1.1 DEFINIÇÕES DE LOGÍSTICA
Uma das primeiras definições dos objetivos da logística foi dado por E. Grosvenor Plowman, baseado na escola grega e no primeiro uso moderno da logística – a área militar. O autor afirmava que a logística era a coordenação ótima do movimento de entrada de materiais, controle de estoques, manipulação de componentes em processo, embalagem, armazenagem e expedição de produtos acabados.

O mesmo autor também trabalhava com os cinco “certos” de um sistema de logística: suprir o produto certo, no lugar certo, na hora certa, na condição certa, ao custo certo para os consumidores do produto. (REAES, 2003)

Toda a responsabilidade pelas atividades de movimentação e armazenagem que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, é atribuído à logística por Ballou (apud Reaes, 2003, p.20) assim como os fluxos de informações que colocam os produtos em movimento, com o propósito de obter níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.

A definição de Logística proposta pelo National Council of Physical Distribution Management – antecessor do Council Logistics Management - CLM – (apud Reaes, 2003) diz respeito ao processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, do custo efetivo do fluxo e estocagem dos materiais, do inventário de materiais em processo de fabricação, das mercadorias acabadas e correspondentes informações, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com a finalidade de ajustar às necessidades do cliente.

A definição de Logística do CLM desde 1991 (apud REAES, 2003, p. 20) passou a ser: o processo de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às necessidades do cliente.

Já para Christopher (apud REAES, 2003, p. ) a logística trata do processo de gerenciar, estrategicamente, a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados, dado os fluxos de informações demandadas, através da organização e seus canais de marketing, de modo a maximizar a lucratividade presente e futura, mediante o baixo custo dos pedidos.


O que é Logística?

A figura 1 ilustra como a maior parte das pessoas entende a logística:

Porém logística é um pouco mais que isto


Figura 1 – O que se entende por logística

Fonte: POLIBRASIL (2007)

Muitos autores já tentaram conceituar o termo logística, porém, utilizar-se-á a definição do Council of Logistics Management, descrita por Filho ( 2001:3):


Logística é a parte do processo da cadeia de suprimento que planeja, implementa e controla o eficiente e efetivo fluxo e estocagem de bens, serviços e informações relacionadas, do ponto de origem ao ponto de consumo, visando atender aos requisitos dos consumidores.
Pela definição do termo, a função da logística é, principalmente, ser o elo de ligação em um processo que pode começar com um fornecedor e encerrar com um cliente em outra ponta da “cadeia”.
Ballou (1993, p.24) prefere a seguinte definição:
“A logística empresarial trata de todas atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.”
O termo produto é aqui utilizado inclui bens e serviços.

A figura 2 apresenta a abrangência da logística.




Figura 2 – Abrangência da Logística

Fonte:
Figura 2 – Abrangência da Logística

Figura 2 – Abrangência da Logística

Fonte: POLIBRASIL (2007)
Segundo Bowersox ( apud CORONADO, 2001,p.137), “ [...] a responsabilidade operacional da logística é o posicionamento dos estoques, das matérias-primas, produtos em processos e produtos acabados onde requeridos ao mais baixo custo possível”. Acrescenta ainda,
[...] logística é o processo de planejamento, implementando e controlando a eficiência, eficácia do fluxo dos estoques de produtos acabados, serviços e informações relacionadas do ponto de origem para o ponto de concepção da proposta de conformidade da necessidade do cliente.

Porter (apud CORONADO, 2001, p.138) procura conceituar a logística em categorias interna e externa, dependendo da estratégia da empresa:


Logística interna: atividades associadas ao recebimento, armazenamento e distribuição de insumos no produto, como manuseio de material, armazenagem, controle de estoque, programação de frotas, veículos e devolução para fornecedores.

Logística externa: atividades associadas à coleta, armazenamento e distribuição física do produto para compradores, como armazenagem de produtos acabados, manuseio de materiais, operação de veículos de entrega, processamento de pedidos e programação.

Logo, a logística empresarial estuda como melhor prover os serviços de distribuição aos clientes e consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivos para as atividades de movimentação e armazenagem que visam facilitar o fluxo de produtos.

A década de 1990 acentuou a integração logística, em especial a ampliação das subcontratações e alianças para que as empresas focalizassem os seus recursos nas suas capacidades principais (core capabilities).

Fleury et al.( apud REAES, 2003, p.7) apontam cinco etapas na evolução logística:

- A primeira, chamada de “do campo ao mercado”, localizada no início do século XX, fundamentalmente consistia no escoamento da produção agrícola; a etapa seguinte, denominada de “funções segmentadas” desenvolveu-se especialmente dos anos 1940 aos 1960, caracterizava-se pela especialização e ênfase nos desempenhos funcionais. A partir de 1960, no entanto, tem início a era das “funções integradas”. A preocupação maior é integrar a logística interna, e está voltada ao custo total e ao tratamento sistêmico. A quarta etapa que se estende até a década de 1980 foi rotulada de “foco no cliente” devido sua preocupação com o cliente o que leva ao estudo da produtividade e do custo dos estoques. A última etapa, chamada de “logística como elemento diferenciador”, tem o foco na estratégia logística como meio de obter vantagem competitiva. Surgindo o conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos (supply chain management) que busca a integração externa, os relacionamentos, as alianças e parcerias estratégicas ao longo de toda a cadeia de suprimentos.*grifos do autor*.


No entanto é o aspecto do entendimento da logística como vantagem competitiva e diferenciadora, no mercado, que mostra-se relevante para a economia.



2 LOGÍSTICA COMO VANTAGEM COMPETITIVA NUMA ECONOMIA DE MERCADO

Em 1985, Michael Porter lança o livro “Competitive Advantage – The value chain” onde utiliza os termos vantagem competitiva e cadeia de valor. O conceito de cadeia de valor tem por objetivo auxiliar no gerenciamento do negócio com vistas ao desenvolvimento de uma vantagem competitiva de mercado.


A cadeia de valor é, de acordo com Porter (apud REAES, 2003, p.8), um instrumento de análise das atividades da empresa como fontes de vantagem competitiva.[...] a cadeia desagrega uma empresa nas suas atividades de importância estratégica e dessa forma torna possível compreender as fontes de custos e as oportunidades de diferenciação.

Pegar o original


A gestão do processo logístico torna-se um diferencial competitivo, pois com o passar dos tempos os consumidores passam a ser mais exigentes com relação a qualidade dos produtos, tempo de produção e ciclo de vida dos produtos, prazo de entrega e mais recentemente, com o índice de inovações tecnológicas incorporados aos produtos.

O conceito de vantagem competitiva, reflete a situação em que uma empresa consegue criar, para seus compradores, um valor que ultrapassa o custo de fabricação. Neste sentido o valor passa a ser percebido como utilidade, ou mesmo significa aquilo que os compradores estão dispostos a pagar, por determinado bem ou serviço, e o valor superior decorre de oferecer um bem igual à concorrência a um preço inferior ou, no caso de ser mais caro, ter havido o acréscimo de um benefício exclusivo. Assim há dois tipos básicos de vantagem competitiva: liderança por custo ou por diferenciação.

As vantagens competitivas tradicionais, trabalhadas na economia industrial dos modelos “estrutura-conduta-desempenho”, como “barreiras à entrada” para empresas entrantes no mercado (concorrentes) tais como: economia de escala, proteção através de patentes, necessidade de aprendizagem, entre outros, podem ou devem ser substituídas ou incrementadas por novas vantagens, ou diferenciações, como a customização dos produtos, a redução dos seus ciclos de vida, globalização etc.

“A implementação de novos conceitos logísticos, sobretudo o serviço ao cliente, e o uso mais intensivo de tecnologia da informação podem significar um importante diferencial”. (PORTER apud REAES, 2003, p. 8)

Neste sentido as empresas que buscam aumentar a sua participação no mercado, através do desenvolvimento de vantagens competitivas “ via competência logística” desfrutam de uma posição diferenciada, causam uma barreira à entrada de outras empresas neste mercado, dificuldades estas que acabam por se tornarem permanentes, o que atrai a preferência do cliente.

Assim: a logística permite desenvolver estratégias para a redução de custos e o aumento do nível de serviço ofertado ao cliente. Como essas duas condições, isoladamente ou em conjunto, possibilitam o estabelecimento de diferenciais competitivos, justifica-se que este seja o caminho escolhido por um número crescente de empresas para buscar vantagens sobre a concorrência.



3. O PAPEL DA LOGÍSTICA NA ECONOMIA

A logística contribui para o Produto Interno Bruto à medida que representa eficiência e eficácia: a eficiência ocorre à medida que é uma das despesas mais importantes da economia dos negócios e diz-se da causa que obra e produz efeito certo. É eficaz quando seu desempenho produz bons resultados ou seja, o efeito desejado

A logística acrescenta valor, na forma de utilidade temporal e espacial. A utilidade, em termos econômicos, representa o valor que um determinado bem tem à medida que contribui à satisfação de uma necessidade específica do consumidor e assume os seguintes componentes:


  • de Forma: processo de formar fisicamente o produto final;

  • de Posse: tornar a posse possível;

  • de tempo: é valor acrescentado pela existência do produto quando este é necessário, no período de tempo/prazo adequado às demandas do consumidor:

  • de espaço: colocar o bem disponível onde este é necessário.

Partindo-se do pressuposto que “o processo logístico é visto como um sistema que liga as empresas com seus clientes e fornecedores, o fluxo de informações sobre os clientes, na forma de previsões e ordens, é refinado pelo planejamento na produção específica e objetivos de compras. Como materiais e produtos são comprados, um fluxo de valor adicionado é iniciado quando resulta na transferência da propriedade do produto acabado ou in natura para o cliente. Assim, o processo logístico é visto em termos de dois fatores inter-relacionados: fluxo de valor agregado – estoque, e fluxo de informações requeridas. O primeiro preocupa-se com a otimização dos fluxos somente dentro da organização, e o segundo não considera a integração interna suficiente.



3 A LOGÍSTICA COMO FUNDAMENTO PARA O COMÉRCIO


A logística começou a ser utilizada pelas empresas e foi definida como um modelo de análise e administração integradas, que permite otimizar o fluxo de materiais, desde sua fonte primária até a colocação nos pontos-de-venda como produto final. Com esse enfoque, estendeu-se à indústria, tendo como parceria as empresas atacadistas/distribuidoras e as empresas varejistas.

O enfoque logístico teve como influência primária o setor atacadista, que reconhecido pelas indústrias como um parceiro comercial, no que tange à distribuição otimizada de seus produtos, oferece recursos para possibilitar que alcancem clientes localizados em lugares distantes dentro do país.

Em escala global sistemas logísticos eficientes formam as bases para o comércio e a manutenção de um alto padrão de vida nos países desenvolvidos. As vezes certa região detém uma vantagem sobre as demais no que diz respeito a alguma especialidade produtiva. Um sistema logístico eficiente permite uma região geográfica explorar suas vantagens inerentes pela especialização de seus esforços produtivos naqueles produtos que ela tem vantagens. Estas resultam em exportações desses produtos a outras regiões, a medida que o custo do país (custos logísticos e de produção) e a qualidade desse produto sejam competitivos com produtos de qualquer outra região.

Custos logísticos são um fator-chave para estimular o comércio. O comércio entre países e entre regiões de um mesmo país é, freqüentemente, determinado pelo fato de que diferenças nos custos de produção podem mais do que compensar os custos logísticos necessários para o transporte entre as regiões.

Quanto maior e mais sofisticado for seu desenvolvimento, e quanto menores forem as necessidades de movimentações e armazenagens, mais fácil será a troca de mercadorias e maior a especialização do trabalho. Neste sentido, sem tal desenvolvimento, o comércio, perecerá e/ou não ocorrerá.

A logística é influenciada, diretamente, pelos custos associados a suas atividades. Entre os fatores que influem para o aumento ou redução de custos podem ser citados: o aumento da competição internacional, as alterações populacionais, a crescente escassez de recursos e a atratividade cada vez maior da mão-de-obra no Terceiro Mundo. O aumento do comércio internacional indica que a especialização do trabalho continua acontecendo numa escala mundial. ( BALLOU, 1993)
3.1 LOGÍSTICA NO SETOR ATACADISTA/DISTRIBUIDOR E VAREJISTA: O CASO DE CANOAS, RS
O desenvolvimento industrial e comercial de Canoas proporcionou o impulso necessário para a demanda crescente por serviços de logística, que neste trabalho se reportará ao transporte/escoamento de produtos pela maior participação nos custos logísticos.

Até a década de 1950, administrar empresas significava, basicamente, buscar a eficiência na produção. Mas, gradualmente, esse enfoque foi perdendo espaço e o consumidor passou a determinar as tendências de mercado ao invés do fornecedor.

Na década de 1970, impulsionada pela pulverização geográfica do mercado, pelo desenvolvimento de novas técnicas de comunicação e necessidade das indústrias produzirem volumes de produtos com características variadas, a administração empresarial chegou a duas conclusões:
- constatou que já havia, praticamente, atingido o limite de eficiência nas linhas de produção ao aplicar técnicas como KanBan, Just in Time. Pelo menos a curto prazo, não poderia contar com recursos que otimizassem a relação custos/benefícios nesse segmento;

- a indústria sentiu que precisava de um sistema capaz de escoar os produtos na velocidade exigida pelo mercado, mesmo que sua localização fosse longínqua e, ao mesmo tempo, funcionasse como um novo elemento de redução de custos. Mais do que nunca, estava claro que, para uma empresa, entregar é tão importante quanto produzir e vender. (CORONADO, 2001, p.133)

Esses fatores caracterizaram a importância que as indústrias começaram a dar às empresas que atuam no setor atacadista, considerando-as como um parceiro no mercado, aproveitando o sistema de logística, por elas até então apresentado.

As empresas passaram a valorizar a logística integrada, isto é, os serviços logísticos que ligam toda a cadeia de suprimentos. A princípio, a logística integrada restringia-se à distribuição física, utilizada nas empresas atacadistas. Com o passar do tempo, transformou-se em uma estratégia empresarial que coloca sob o mesmo “guarda-chuva” diversas funções de uma empresa ou diversas empresas de uma cadeia de distribuição.

As operações logísticas de uma empresa atacadista/distribuidora são divididas em três categorias: distribuição física, administração de estoque e abastecimento. Difere das empresas industriais somente na operacionalidade de movimentação de materiais internamente, mostrando a importância da logística na otimização dos resultados econômicos de toda a empresa e em relação às áreas de resultados.

Portanto as empresas industriais, atacadistas e varejistas operam dentro de um ambiente que muda, constantemente, em virtude dos avanços tecnológicos, advindos de uma economia globalizada, e à disponibilidade de recursos, de forma a adaptar-se às novas exigências de desempenho para as empresas.

Canoas, município integrante da Região Metropolitana de Porto Alegre – RMPA, e seu comércio varejista e atacadista enfrenta os desafios de manter sua competitividade econômica, e para tal deverá solucionar os problemas decorrentes das vias de acesso, entrada e saída de mercadorias, por ser limítrofe a Porto Alegre e se encontrar entre importantes rodovias federais: a BR 116, BR 386 e a BR 101.

Os fluxos de transporte de produtos que perpassam o município de Canoas decorrem de diferentes meios de transportes:


3.1.1 Transporte Rodoviário

Parte do escoamento da produção e matérias primas, para a Região Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul é feito pelas BR116 e 386, figura 3, onerando os custos em termos de tempo de viagem, custos de frete, mão de obra e de estradas em condições inapropriadas ao transporte. De acordo com o Índice de Performance Logístico do Banco Mundial, só há sentido no deslocamento de mercadorias à medida que o tempo de seu deslocamento seja compensado pelo retorno na venda desta mercadoria, logo uma relação custo benefício.






Figura 3 – Localização Rodoviária de Canoas-Rio Grande do Sul

Fonte: http://www.transportes.gov.br/bit/estados/port/rs.htm

Recorte elaborado pelo autor
A figura 4 ilustra também a localização do município de Canoas em relação as principais vias rodoviárias.



Figura 4- Localização Rodoviária de Canoas-RS

Fonte: Google Earth. 2008

Recorte elaborado pelo autor

3.1.2 Transporte Hidroviário


Próximo a Canoas está localizado o porto de Porto Alegre. Este é o maior porto fluvial do país, em extensão. Mantém oito quilômetros de cais acostável, dividido entre os cais Mauá, Navegantes e Marcílio Dias. Sua estrutura envolve 25 armazéns com 70 mil m², numa área total de 450 mil m².

O zoneamento do porto da Capital gaúcha dispõe áreas distintas para terminais de contêineres, de grãos, de fertilizantes, de Cargas geral, de frangos e cargas especiais. Nos últimos cinco anos, o porto de Porto Alegre juntamente com os terminais privados movimentou cerca de quatro milhões de toneladas/ano, em produtos como: bobinas de papel, fertilizantes, sal, grãos vegetais, transformadores elétricos, frango e celulose.







Figura 5 – Principais portos do Estado do Rio Grande do Sul



Fonte: http://www.transportes.gov.br/bit/estados/port/rs.htm

Recorte elaborado pelo autor

3.1.3 Transporte Ferroviário





Figura 6 – Malha Ferroviária do Rio Grande do Sul

Fonte: http://www.scp.rs.gov.br/ATLAS/atlas.asp?menu=568#
O Rio Grande do Sul possui hoje uma malha de 3.259 km de linhas e ramais ferroviários, utilizada para o transporte de cargas.(Figura 6). A maior parte apresenta bitola de 1 metro, sendo que apenas 5 km apresenta bitola mista (1,435 m), com objetivo de realizar a integração com as malhas argentinas e uruguaias.

Atualmente alguns trechos das ferrovias estão sem operação regular e os terminais ferroviários que apresentam maior concentração de cargas localizam-se nas proximidades da Região Metropolitana de Porto Alegre, em Passo Fundo, Cruz Alta e Uruguaiana.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

As operações logísticas de uma empresa são divididas em três categorias: distribuição física, suporte industrial e compras e formam uma unidade operacional de logística de uma empresa (logística de abastecimento, logística de planta e logística de distribuição).

O processo de administração, quanto à distribuição física com movimentos de produtos aos clientes, é visto como o tópico final no canal de marketing.

Em geral, cada sistema liga em conjunto as indústrias, atacadistas e varejistas no canal de marketing, que ao fornecerem produtos são avaliadas como um aspecto integral do processo de marketing.

A logística empresarial é um assunto que influi na gestão empresarial, pois mostra como a administração de uma empresa pode tornar-se cada vez mais eficaz e eficiente nos serviços de distribuição a seus clientes e consumidores, levando em consideração planejamento, organização e controle efetivos para as atividades de movimentação e armazenagem que visam facilitar o fluxo de produtos. A própria definição de gestão de estoques evidencia seus objetivos, que são planejar os estoques, as quantidades de materiais que entram e saem, as épocas em que ocorrem as entradas e saídas, o tempo em que decorre entre essas épocas e os pontos de pedido de materiais.

Quanto aos reflexos da logística na economia, a mais evidente relação está na tentativa das empresas manterem suas estratégias competitivas, influindo na criação de vantagens de mercado interno e externo, aumento de vendas, melhorias de qualidade, produtividade, entre outros o que acarreta em aumento da produção por hora/homem.

Canoas e seu comércio varejista encontram-se num dilema, pois ao mesmo tempo que usufruem de vantagens pela proximidade de Porto Alegre, vêem constantemente aumentado o fluxo de transporte de bens pelo seu território, encarecendo os processos internos de venda decorrentes do tempo, qualidade e desgaste das vias de acesso internas ao município, o que encarece seus processos internos (aumento do tempo gasto para compras e vendas, deslocamentos à Canoas realizados com veículos, cargas pesadas e pessoas).

Que saídas poderiam amenizar tais gargalos?

- redefinir a malha viária em Canoas, para aumentar a competitividade logística, através da construção de uma BR alternativa que ligasse a BR 386 à Av.Castelo Branco;

- Ações do Governo Federal para minimizar os custos, como a construção e modernização de um porto de maior calado na RMPA;

- Ações do Governo do Estado com vistas ao financiamento de Centrais Logísticas fora dos municípios da RMPA, evitando o congestionamento das BR 116, 386 e 101;

- Descentralização de atividades de serviço, fora de POA, diminuindo o fluxo de pessoas no sentido Porto Alegre Canoas e vice-versa.


REFERÊNCIAS


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Acessado em: 01/02/2008

Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: SCP, 2ª edição, 2002. Disponível em:.www.scp.rs.gov.br/atlas/atlas.asp?menu=349 . Acessado em: 10/04/2008.

BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1993.

CORONADO, Osmar. Controladoria no atacado e varejo: logística integrada e modelo de gestão sob a óptica da gestão econômica logisticon. São Paulo: Atlas, 2001.
DRUMOND, Marcella Autran Burlier. Desenvolvendo um Plano de Capacitação Logística
Desenvolvendo um Plano de Capacitação Logística. Fonte:Marcella Autran Burlier Drummond .
GARCIA, Elias; GARCIA, Osmarina Pedro Garcia; STRASSBURG, Udo A IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA NA GESTÃO DO ESTOQUE. Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Fonte: http://eco.unne.edu.ar/contabilidad/costos/VIIIcongreso/298.doc. Acessado em 25/05/2007.

NETO, Francisco Ferraes. Logística Empresarial. Centro Universitário Franciscano – UNIFAE. Paraná. Disponível em: http://www.fae.edu/elearning/TestLearning/LogEmpresarial/aula1_prof.%20ferraes.pdf. Acessado em: 31/08/2007.


NETO, Francisco Ferraes. A logística como estratégia para a obtenção de vantagem competitiva. Disponível Em: http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_fae_business/n1_dezembro_2001/gestao_logistica_estrategia_competitiva.pdf.
POLIBRASIL Disponível em: http://www.colegiopolibrasil.com.br/leiacursotécnico.asp?id=2. Acessado em: 30/10/2007.
REAES, Paulo Antônio. Estágio da Organização Logística das Indústrias da Região Metropolitana de Curitiba. Curitiba: CEFET: 2003, 88p. Dissertação de Mestredo em Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia, Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Disponível em: http://www.ppgte.cefetpr.br/dissertacoes/2003/reaes.pdf. Acessado em: 30/08/2007.


 Economista, Doutora em História pela PUCRS. Prof. de Economia da Universidade de Caxias do Sul ( UCS) e Centro Universitário La Salle (UNILASALLE). jsanson@terra.com.br.

 Economista, Mestre em Economia pela UFRGS, Profª Titular e Pesquisadora –IEPE -Aposentada da UFRGS, Profª Economia do Centro Universitário La Salle (UNILASALLE). nelcig@uol.com.br.

 Acadêmico de Economia e Bolsista ABI do Centro Universitário La Salle (UNILASALLE)



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