Ensaios Filosóficos



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Jober Rocha

Ensaios Filosóficos

Rio de Janeiro

2013


Advertência aos Leitores

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, sob qualquer forma ou meio, eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos xerográficos, sem permissão expressa do autor.

Prólogo


Bafejado, ultimamente, por preocupações de ordem Filosófica e Metafísica, submeto a apreciação dos meus estimados leitores, através da presente obra, dezessete ensaios versando sobre temas filosóficos, para mim extremamente interessantes, como a busca pela Felicidade, a prevalência do livre-arbítrio ou do determinismo, a evolução espiritual, as razões da desigualdade, o aprisionamento ou a privatização dos Deuses, a existência da amizade, os vícios e as virtudes, etc., temas estes capazes de suscitar horas, se não dias, de frios debates entre filósofos e acaloradas discussões entre não filósofos. Alguns dos meus leitores poderão não concordar com os pontos de vista apresentados, tanto com relação ao modo como os temas foram tratados, quanto com respeito a eventuais conclusões expostas ao final de cada ensaio. Lembro a todos, entretanto, que Filosofia e Metafísica não são sinônimos de Verdade. A Filosofia trata dos problemas fundamentais relacionados à existência humana, ao conhecimento, à busca pela verdade, aos valores morais e estéticos, a mente e a linguagem, utilizando argumentos racionais que podem ou não ser verdadeiros. Como já disse alguém, a Filosofia surgiu criada por aqueles que não se contentavam com respostas prontas. A Metafísica, por sua vez, sendo uma das principais disciplinas da Filosofia, trata, dentre outros aspectos, do estudo da totalidade dos fenômenos do Universo. Também alguém já disse que a Metafísica foi criada por aqueles que desejavam conhecer o outro lado da fronteira entre a vida e a morte, sem ser através do caminho da Religião. Infelizmente, porém, tudo aquilo até hoje escrito, tanto sobre Filosofia quanto acerca da Metafísica, têm consistido, apenas, nos pontos de vista daqueles que sobre estes temas se ocuparam ao longo da História. Espero, no entanto, que, mesmo sem a concordância mencionada anteriormente, a leitura seja do agrado dos leitores, notadamente por se tratarem de temas bastante polêmicos e que dão margem a diversas interpretações e julgamentos. Se, por acaso, esta obra conseguir criar mais dúvidas do que aquelas que o estimado leitor já tinha, meus objetivos terão sido plenamente alcançados.

Índice


1. Nossos Piores Inimigos 05

2. Já Gostei de Ensinar e Hoje Gosto é de Aprender 07

3. Existirá Alguém que Possa Esclarecer as Nossas Dúvidas? 11

4. Porque Não Somos Felizes? 14

5. Contradições de um Povo que Ainda Não Encontrou Seu Destino 22

6. Considerações Ufológicas, Filosóficas e Religiosas 29

7. O que Impede um Político de Ser Honesto? 36

8. Contradições Incoerentes podem Constituir Verdades Incontroversas! 41

9. A Espiritualidade dos Animais 45

10. Carta de uma Criatura ao Criador 48

11. Resposta do Criador à Criatura 60

12. Viver na Ignorância ou Saber Demais? 65

13. O Livre Arbítrio, O Determinismo e a Evolução Espiritual 70

14. Sobre as Desigualdades 80

15. Será que Nossas Elites Pretendem, definitivamente, nos imbecilizar? 90

16. Os Deuses Aprisionados ou a Privatização dos Deuses 99



17. Sobre a Amizade 108

  1. Os Nossos Piores Inimigos



Nos primórdios da civilização um jovem guerreiro índio, sentado ao pé da fogueira, perguntou a um velho sábio da aldeia em que nascera, quem eram e onde viviam os seus inimigos, ouvindo dele a seguinte resposta: - “Nós, aqui da aldeia, possuímos vários inimigos; alguns piores do que outros. Enquanto aqueles que, por seus gritos e ameaças mais temor nos impõem, residam nas florestas e nos bosques próximos, aqueles que, na realidade, mais malefícios nos causam residem dentro de nós mesmos”.

Ante a perplexidade do jovem índio, o velho ancião continuou: -“As ameaças que recebemos dos nossos inimigos vizinhos e que se traduzem em periódicas tentativas de invasão, sempre as temos rechaçado com sucesso, embora com perdas para ambos os lados. Estas lutas, em que pesem as baixas, têm seu lado positivo, pois servem para nos unir, cada vez mais, em torno do bem comum de nossa tribo. As lutas que costumamos perder são aquelas que travamos, diariamente, contra nossos inimigos internos: a inveja, o orgulho, a cobiça, a incúria, a maldade, a preguiça, a covardia, o egoísmo, o ódio, a raiva, a soberba, a ira, a luxúria, o fanatismo, a antipatia, o medo, o ciúme, etc. etc. etc. Estes inimigos, ao contrário dos primeiros, desunem a tribo, representando a única ameaça real à nossa extinção como povo; pois, implicariam na destruição da aldeia de dentro para fora.

Para o combate a estes inimigos fazem-se necessárias mais força, determinação e coragem, que aquelas que empregamos contra nossos vizinhos que nos ameaçam de tempos em tempos. Neste caso, combatemos contra o pior dos inimigos, nós mesmos. Trata-se, pois, de um inimigo que conhece todas as nossas fraquezas e que se dispõe a explorá-las. Por conhecer o âmago de nossas vulnerabilidades, seu combate tem que ser realizado constante e diariamente. Temos de nos manter de sobreaviso a qualquer um de seus sinais de presença. Ao sobrepujar nossas defesas e tomar conta da praça, nossos inimigos internos preparam o caminho para o surgimento da cizânia, da concorrência e da desunião, entre os membros da tribo. Não nascemos para competir, egoisticamente, uns com os outros; mas, sim, para nos ajudarmos mutuamente, pois a nossa espécie é colaboracionista. A concorrência que deve prevalecer, entre os de nossa raça, é a de cada um procurar trabalhar mais que o outro, em prol de toda a coletividade. A competição, ou concorrência, quando não visa ao bem comum, mas, apenas, ao bem individual, é lesiva e deve ser evitada; pois, motivada pelo egoísmo e pela ambição, conduz à inimizade entre os membros da tribo e, no passo seguinte, à desagregação. Esta concorrência ou competição encontra-se sempre presente, quando nos deparamos com algum de nossos inimigos internos, o que nos faz supor que é a terra que possibilita o nascimento daquela semente daninha.

Que o Grande Espírito (nosso pai e criador) não permita, com a expansão da nossa espécie, que a concorrência, originada do egoísmo e da ambição, vire coisa normal entre nós e que deixemos de trabalhar pelo todo para trabalharmos cada um por si. Se, e quando, isto ocorrer nossa raça estará, a partir de então, caminhando para sua extinção, pois os inimigos internos terão o campo livre para dominar nossos corações e nossas mentes.

O jovem índio, que não entendera quase nada daquela resposta dada pelo velho, pensara em ouvir do ancião da tribo uma resposta mais simples, do tipo: - “Nossos inimigos são as duas tribos que habitam por detrás da Montanha Dourada, após o Rio Azul que corta nossa aldeia.”

A continuação, fingindo um bocejo de sono, o jovem levantou-se e caminhou, sorrateiramente, para o interior da caverna, onde pretendia encontrar-se com uma jovem índia que ele desejava para si, e que pertencia a outro jovem da tribo, para entregar-lhe um colar de pedras brilhantes que havia tomado, às escondidas, de uma das índias mais velhas. Seu propósito, que vinha planejando já há algum tempo, era o de conquistar a jovem índia (filha do chefe da tribo) e, após casar-se com ela, matar o velho cacique de modo que viesse a parecer um acidente, tornando-se, então, o novo chefe da aldeia.

A seguir, tão logo pudesse, pretendia empreender combate a todas as tribos que habitavam àquela região e criar, logo depois de conquistá-las, um império que invadiria outras terras mais distantes e submeteria as novas tribos dominadas, e o próprio homem branco, à sua única e exclusiva vontade. Quando se tornasse imperador, pretendia substituir, no Conselho do seu Império, todos os anciãos (que, com suas senilidades, vislumbravam inimigos internos inexistentes), por guerreiros mais jovens, preocupados apenas com o desejo de conquistar e dominar...

  1. Já Gostei de Ensinar e Hoje Gosto é de Aprender

Quando eu era jovem e pouco sabia, gostava de ensinar, aos demais, aquele pouco que tinha em meu estoque de conhecimentos, pensando que fosse muito. Não havia discussão, entre amigos, conhecidos ou mesmo desconhecidos, da qual não participasse defendendo com ênfase (e, às vezes, até mesmo com certa raiva daqueles que nada sabiam) meus pontos de vista; frutos de muita convicção, porém de pouco saber e amadurecimento.

Lembro-me de inúmeras destas discussões em que, embora conseguisse ver prevalecer meu entendimento sobre o assunto em foco, por força dos argumentos que apresentara na ocasião; acabei constatando, anos depois, que meus argumentos eram falsos e que não correspondiam à realidade.

Durante a juventude (a exceção dos sábios jovens que surgem de vez em quando), simples mortais, como nós, quase nada sabemos da maioria dos assuntos. A sabedoria, que não pode ser confundida com a inteligência, carece do estudo, do amadurecimento e do tempo.

Muitos, julgando-se grandes conhecedores do que quer que seja, enquanto jovens, fazem questão de ensinar aquele pouco que sabem, achando que constitui a coisa mais importante já descoberta e cujo conhecimento deve ser partilhado com o maior número possível de seres humanos.

Com a chegada da idade, por intermédio do estudo e em razão do amadurecimento, descobre-se quão vasto é o Universo do Conhecimento a ser ainda descoberto, face ao tão pouco que já descobrimos. Constata-se também que muito daquilo já descoberto e que é tido como verdadeiro (no campo das Ciências, da Filosofia, da Religião, da Política, etc.), não passa de uma verdade relativa, válida apenas sob certas circunstâncias ou condicionantes. Compreende-se, ademais, que Ciência, Filosofia, Religião e Política, são utilizadas como instrumentos de dominação da raça humana e, em vista disto, devem ser vistos com reservas. Muito daquilo que, ao longo do tempo, escreveram cientistas, filósofos, religiosos e políticos, acabou sendo depositado na lixeira da História e ridicularizado pelas gerações que se seguiram. Basta ver as explicações de médicos da Idade Média sobre as causas das doenças que acometiam os indivíduos. Basta ver as explicações religiosas sobre a origem da vida e sobre a criação do universo. Basta ver a explicação dos políticos, para justificar a dominação dos opressores sobre os oprimidos. Mesmo os filósofos, tradicionalmente comprometidos com a busca da verdade através do conhecimento, têm esposado teorias que não correspondem à verdade que tão incansavelmente procuram. Muito do que estes próprios filósofos ou pensadores nos legaram, na atualidade tem apenas interesse histórico e ilustrativo, tendo servido em determinadas épocas para justificar pontos de vista das elites dominantes (supremacias de raças; formas de governo mais adequadas; ideologias e sistemas econômicos melhores do que outros; etc.).

Atualmente, com o advento da moderna tecnologia da Informática, o conhecimento deixou de ser um estoque (que o indivíduo deveria carregar sempre consigo, em sua memória), para transformar-se em um fluxo (que o indivíduo pode obter através da WEB, desde que saiba onde procurar).

O ser humano, nos dias atuais, precisa, apenas, saber qual a informação que deseja e ter noção de como fazer para obtê-la através da Internet (o grande banco de dados e de informações mundiais). Assim, as discussões de caráter técnico-científica, ou mesmo históricas e geográficas, podem ser dirimidas, rapidamente, através de uma consulta ao computador de mão ou de mesa. As controvérsias de caráter filosófico, religioso e político, estas sim, continuarão necessitando de leitura prévia de vários autores, já que dependem do entendimento e da interpretação das várias correntes de pensamento sobre o assunto.

Constitui antiga e conhecida frase, a velha afirmação: - “Quem sabe faz, quem não sabe ensina!”. Sem querer desmerecer a classe dos professores, pagos que são para ensinar determinado assunto que aprenderam anteriormente, creio que esta frase deveria referir-se mais às discussões de caráter geral que travamos todos os dias e por meio das quais, ao invés de tentarmos mudar o mundo, tentamos fazer com que os outros o mudem por (e para) nós.

Na medida em que percebi ser muito difícil mudar o mundo, tentando mudar as pessoas com as quais convivia, conclui ser mais fácil mudar a mim mesmo e ao meu próprio mundo. De que me adiantaria querer mudar o mundo, para todos, caso isto fosse possível? Muitos, com toda certeza, estão satisfeitos da forma como ele se encontra; e os demais, insatisfeitos, podem querer mudá-lo de suas próprias maneiras, que podem não coincidir com a minha.

Todos nós temos nosso próprio mundo, físico e mental. Você pode mudar a aparência do seu corpo e o conteúdo da sua mente. No primeiro caso, necessitará de exercícios físicos, e, no segundo, de exercícios mentais traduzidos pela leitura, pelo aprendizado, pela observação e pelo amadurecimento das questões.

As principais teorias filosóficas e religiosas deixam claro que o objetivo do ser humano é o da busca pela verdade, traduzida esta como o conhecimento, que lhe proporcionaria a tão desejada evolução espiritual. Esta evolução é cumulativa, fruto da deposição de uma camada sobre as demais. Ninguém pode evoluir pelo outro, já que é uma tarefa individual. Por esta razão o Criador não nos criou já, totalmente evoluídos.

Tudo aquilo o que disse anteriormente, é diferente do simples fato de se responder a uma indagação de alguém que tenha dúvidas ou de esclarecer alguém que, como nós, busca ao conhecimento. Neste caso, podemos discorrer sobre o que pensamos, tendo sempre em mente que nosso ouvinte tem o direito de acreditar ou não naquilo que dizemos. Por nossa vez, se ele acreditar ou não, o problema e as suas conseqüências serão exclusivamente dele.

Com base no até aqui exposto, cinco regras de ouro podem ser enunciadas, para quem não deseja indispor-se com os demais ou, até mesmo, vir a perder amigos de longa data:

  1. Procure conversar com pessoas que tenham os mesmos interesses que você e posições semelhantes; pois, assim, a conversa fluirá amena, com ambos complementando seus conhecimentos com os conhecimentos expostos pelo outro;

  2. Caso a conversa se torne acalorada, pare, imediatamente, o que está dizendo, saia para tomar um copo d’água e não volte mais. Não perca amigos desnecessariamente, apenas para ver prevalecer seus pontos de vista;

  3. Procure querer aprender, mais do que querer ensinar. Você, certamente, deseja aprender; mas, os outros podem não estar interessados nisso. Não julgue os demais por você e não queira ensinar a todo mundo;

  4. Somente exponha seus pontos de vista, sobre determinado assunto, se for questionado e, mesmo assim, diga só o essencial. Não queira bancar o sábio que conhece de tudo e para tudo possui uma resposta. Fique na sua e procure aprender com os outros. Mesmo que já conheça o assunto, sempre uma nuance diferente, sobre o mesmo, pode ter-lhe escapado e, às vezes, ouvindo alguém falar sobre o tema novamente, você poderá inteirar-se de algo novo;

  5. Se tiver a sorte de possuir um discípulo (que acredite em tudo aquilo que você disser), transmita para ele seus conhecimentos, sem pressa. Não queira passar-lhe tudo de uma única vez. Dê-lhe tempo para amadurecer aquilo que aprendeu de você e que foi fruto de todo o aprendizado da sua vida. Também não lhe ensine tudo, pois uma parcela do conhecimento de que necessita, cabe a ele mesmo pesquisar e descobrir.

3. Existirá Alguém que Possa Esclarecer as Nossas Dúvidas?



O Surgimento do Homo Sapiens em nosso planeta, segundo os antropólogos, data de cerca de 130.000 a 200.000 anos atrás. Desde aquela longínqua data, até os dias atuais, os seres humanos utilizaram seu tempo disponível para desenvolver as Ciências, as Artes, as Filosofias e as Religiões. As únicas destas construções humanas que pouco se modificaram, nos últimos cem anos, foram às religiões. Todas as demais sofreram sensíveis mudanças e desenvolvimentos neste período.

Com o advento da Informática, o progresso humano se multiplicou, possibilitando a expansão sem precedentes do desenvolvimento científico e tecnológico.

As artes, também, passaram por aperfeiçoamentos com o surgimento de novas técnicas, novos materiais e novas formas de arte.

No campo filosófico, embora tenham surgido diversas correntes de pensamento, estas, quase sempre, constituem meros aperfeiçoamentos das anteriores; ou seja, as mesmas coisas ditas de outras formas. Friedrich Nietzsche foi um dos poucos filósofos originais, que não se baseou no pensamento de seus antecessores. O fato é que continuam, ainda, sem resposta as três indagações básicas, formuladas pelos filósofos gregos da antiguidade: Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?

A Ciência ainda não conseguiu respostas suficientes e definitivas sobre estes temas; a Filosofia, tampouco.

A arte jamais poderá respondê-las, por lhes fugirem ao escopo.

A Religião, por seu conservadorismo, tem perdido terreno, em virtude de apresentar, historicamente, respostas simplistas para temas tão complexos. Em um mundo informatizado, no qual as grandes massas humanas podem ter acesso imediato ao conhecimento mais atual (conhecimento este que evolui diariamente), fica cada vez mais difícil, para nós, acreditarmos nas mesmas explicações que satisfaziam, no passado, aos nossos ascendentes; principalmente, ao levarmos em consideração que a religião sempre se constituiu, basicamente, em um instrumento de dominação das elites sobre as populações mundiais.

As tentativas de explicação (quer no âmbito científico, filosófico ou religioso), acerca das três perguntas anteriormente formuladas pelos filósofos gregos e que, ainda hoje, continuam sem resposta, não passam de tentativas humanas para responder o irrespondível ou resolver o insolúvel.

A fronteira entre a vida e a morte é tão bem guardada que nenhum ser humano, vivo, conseguiu ainda transpô-la, obter as respostas desejadas (que também estão bem guardadas) e voltar vivo para contá-las aos demais. As raras informações que eventualmente temos são, supostamente, oriundas dos espíritos de seres já desencarnados ou de eventuais Experiências de Quase Morte – EQM. Tais informações são fragmentarias e não permitem, à rigor, uma visão de conjunto sobre toda a problemática envolvendo a criação do universo e da vida. A se acreditar nestas interpretações, muita coisa haveria ficado de fora, de modo a que permanecêssemos, ainda, na obscuridade. Isto poderia significar que aqueles, supostamente do outro lado, saberiam tanto quanto aqueles do lado de cá; isto é, nada ou muito pouco, ou que estariam impedidos de nos comunicar tudo o que sabiam.

Como informação é poder, muitos se apresentaram e ainda se apresentam como detentores destas informações, que constituem questões básicas, formuladas desde os primórdios por todos os seres humanos. Muitos indivíduos, pouco curiosos e pouco questionadores, conseguem alcançar satisfação com as reduzidas e truncadas informações que recebem através das religiões. Outros, materialistas, por não acreditarem em Criador e em vida após a morte, não se preocupam com o assunto ou se acaso se preocupam é para tentar desmontar a crença daqueles que acreditam; o que não faz sentido. Outros, ainda, curiosos e questionadores (embora acreditando em Criador e em vida após a morte), não aceitam as explicações religiosas e enveredam por todos os campos do conhecimento humano em busca de respostas que os satisfaçam. Todavia, como já dito anteriormente, as fronteiras que separam os territórios da vida e da morte são muito bem guardadas, até o presente, quanto à passagem de eventuais informantes, conduzindo, sorrateiramente, a Explicação Total e Final. Tanto é assim, que àqueles que estão do lado de lá (já desencarnados) não é permitido passar para o lado de cá, conduzindo esta Informação global e completa. Da mesma forma, àqueles que estão do lado de cá (encarnados) não é autorizada a passagem para o de lá e o retorno, trazendo, ainda que sub-repticiamente, esta mesma Explicação Total. Talvez seja porque, em ambos os lados daquela fronteira, esta explicação global, total e completa, ainda, não esteja (nem nunca estará?) disponível para nós. Talvez a explicação total e final que buscamos só exista (ou apenas faça sentido), para o próprio Criador da vida e do Universo.

É possível que jamais venhamos a conhecer a verdade total por detrás da Criação; verdade esta, talvez, só acessível aos espíritos que tenham atingido o último degrau da evolução.

Neste contexto, como cobrar dos seres humanos que sigam os desígnios do Criador? Na realidade, não conhecemos pessoalmente o nosso Criador, nem podemos confirmar com plena certeza (embora o bom senso e a boa razão digam que sim) a sua existência. Não conhecemos, realmente, qual o objetivo que tinha para aquelas criaturas que criou; muito embora, o bom senso e a sã razão nos indiquem que deva ter sido o da evolução espiritual.

Pode ser que em um futuro distante, com o transcorrer da evolução humana, venhamos a vislumbrar algum significado maior para a vida dos seres humanos comuns, que, simplesmente, alternam em seu dia a dia o trabalho com o divertimento e o descanso. Pode ser que, através de um eventual contato com civilizações extraterrestres (certamente mais adiantadas tecnologicamente e, possivelmente, mais evoluídas espiritualmente), aprendamos com elas o significado da existência.

A descrença total, no Criador e na vida espiritual, afigura-me como algo pouco imaginativo, muito simplista e totalmente carente de intuição (característica metafísica dos seres humanos). O argumento de que não podemos provar a existência de um Criador e que, portanto, este Criador não existe, é falho; notadamente, quando consideramos o fato de que, se ainda não sabemos provar, não significa que é impossível provar e que não venhamos a fazê-lo.

Entretanto, se você caro leitor deseja saber qual a minha opinião verdadeira e particular sobre este assunto, eu lhe diria que este assunto não tem (e nunca terá) solução...

4. Porque Não Somos Felizes?


A felicidade pode ser definida como um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos, que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou o júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior. Ela pode ser abordada pela ótica da Filosofia, da Religião ou da Psicologia.

Desde os primórdios do tempo, tem sido buscada pelo homem. Filósofos, pensadores e religiosos, sempre se dedicaram a definir sua natureza e que tipo de comportamento ou estilo de vida levaria a felicidade plena.

Nosso objetivo, entretanto, é o de tentar investigar as razões pelas quais, no mundo moderno, as pessoas, em grande parte, sentem-se e dizem-se infelizes e são levadas a consumir grandes quantidades de drogas e medicamentos, que aliviem ou minimizem seus estados patológicos de infelicidade.

São diversas as abordagens desta investigação. Iniciaremos pelos entendimentos filosóficos, religiosos, psicológicos, sociais, científicos e ideológicos, acerca da felicidade, para, em seguida, tentar determinar porque se encontra ausente na vida de tantos indivíduos.


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