Ensino de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental



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ENSINO DE CIÊNCIAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: mapeamento dos artigos publicados em periódicos de educação
Elaine Cristine de Lima Alves - Bolsista

Girlene dos Santos Souza- Bolsista

Paulo César Geglio – Coordenador

Prolicen – DCFS/CCA/UFPB



RESUMO
Este texto apresenta o resultado do mapeamento realizado sobre as publicações periódicas em revistas brasileiras de educação, durante os ano de 2000 a 2012, que abordam a discussão sobre o ensino de ciências de maneira geral e, em particular, sobre o ensino de ciências naturais nos anos iniciais da escolarização. Para isso foram selecionados 10 periódicos de educação, cuja especializados na área de ciências naturais. O critério para a seleção dos periódicos foi a classificação do sistema Qualis da CAPES. A quantidade mapeada de artigos que abordam em seu título ou resumo o ensino de ciências é de 109 e a quantidade que discute o ensino de ciências nos anos iniciais da escolarização é 26.
Palavras-chave: anos iniciais da escolarização; ensino de ciências; publicação de artigos

1.INTRODUÇÃO
Embora tenhamos a compreensão de que os primeiros anos do ensino fundamental, que se estendem do 1º ao 5º ano, sejam caracterizados fortemente pela prática pedagógica centrada na aquisição da leitura, escrita e operações da aritmética. (BONANDO 1994, apud, OVIGLI; BERTUCCI, 2009, p4.), portanto, uma educação voltada para a alfabetização e aprendizagem da matemática, sobretudo nos dois primeiros anos, que compõem o Ciclo I, também compreendemos que esta fase da escolarização e da idade é um momento fundamental para a criança aprender, de maneira sistemática, sobre os fenômenos naturais. Não obstante, a questão é saber se os professores que atuam nesse seguimento de educação estão preparados para conduzir o ensino desse conteúdos.

Os currículos dos cursos de formação de professores para atuar nesse segmento da educação escolar - especificamente os cursos de Pedagogia e Normal Superior – focam na capacitação do egresso, muito mais, para o ensino da leitura e escrita, do que nos demais componentes. (DUCATTI-SILVA, 2005). Também é comum percebermos programas oficiais visando ao reforço dessas habilidades de leitura e escrita, visto que a deficiência nos primeiros anos da escolarização recai, ou é vista, a partir desse ângulo. Assim, pouca visibilidade é dada aos demais saberes do programa, como ciências, história, geografia, artes e educação física.

A ênfase no ensino das habilidades de leitura e escrita e na aritmética é um fenômeno muito recorrente na cultura escolar e está no discurso do pensamento comum. Para a sociedade, a escola de qualidade é aquela que ensina a ler e escrever em rapidamente no processo de escolarização. Quanto mais os alunos conseguem dominar essas habilidades melhor é a escola e o professor. Pouca importância é dada ao conhecimento das crianças em outros domínios, pois o básico e necessário para a sobrevivência na sociedade letrada e informatizada são essas duas capacidades mínimas.

O domínio da leitura e da escrita se constitui como base para a aquisição de outros saberes como a geografia, história e ciências, artes e educação física, porém é preciso considerar que a fase cronológica dos alunos dos anos iniciais da escolarização é caracterizada pelo anseio da descoberta e da curiosidade, portanto um excelente momento para o ensino de outros saberes, como, por exemplo, o das ciências. Nesse sentido, entendemos que seja possível um ensino que não abandone o foco na leitura e na escrita, mas que também se volte para a aquisição da alfabetização científica, com um aspecto mais prático e ilustrativo.

Sabemos que os professores dos anos iniciais do ensino fundamental, que são polivalentes no ensino dos saberes, não possuem a segurança necessária para o ensino de ciências nos moldes que possa despertar o aluno para a curiosidade e para a construção de uma consciência crítica e cidadã. Considerando sua formação, com pouca ênfase nesses saberes, bem como a cobrança social e escolar para a instrução dos alunos na leitura e na escrita, os professores sentem-se receosos para se aventurar nos conteúdos característicos das ciências naturais. Acreditamos que eles não se sintam à vontade para abordar, como os alunos, assuntos que remetam a valores, posições pessoais, uma vez que isso exige mudança de postura do professor e conscientização da comunidade interna e externa da escola, bem como mudança na elaboração do seu planejamento.

Não desconsideramos que os professores ensinem, aos seus alunos, saberes oriundos das ciências, mas acreditamos que tais saberes não sejam suficientes para despertar curiosidades necessárias, que levem ao interesse e conscientização para uma vida democrática e harmoniosa com na natureza e com a sociedade, uma vez que a própria cultura do professor pode servir de barreira para o ensino de hábitos conscientes, bem como sua preocupação maior com o ensino da leitura e da escrita. Esse fato nós já constatamos, ao realizar uma investigação a respeito do que eles ensinam, como ensinam e quanto tempo dedicam ao ensino de ciências aos alunos. Nossa pretensão agora é fazer uma análise das discussões veiculadas nos periódicos científicos de educação, no sentido de saber quais são as propostas de conteúdo e de metodologia apresentadas para o trabalho dos professores com alunos nos anos iniciais do ensino fundamental.

Em uma investigação anterior (RELATÓRIO PROLICEN/UFPB, 2010), sobre o grau dedicação que professores dos anos iniciais da escolarização, de escolas do município de Areia (PB), dão ao ensino de ciências, percebemos que é muito baixa a importância que eles conferem aos conteúdos do referido componente curricular. Esse fato se deve a, por um lado, a cobrança que os professores têm da escola e da sociedade para que as crianças dominem a leitura, a escrita e as quatro operações básicas da aritmética, e, por outro lado, devido à própria formação inicial do professor, realizada nos cursos de Pedagogia, Normal Superior ou Normal Ensino Médio, que não enfatizam o ensino das disciplinas que ensinam as metodologias de História, Geografia, Ciências Naturais etc., além de ter menor carga horária, não são trabalhadas na perspectiva da interdisciplinaridade com a alfabetização.

Os dados que analisamos revelaram que o professor polivalente não reconhece a importância do ensino dos conteúdos de Ciências Naturais nos anos iniciais do Ensino Fundamental. No primeiro ano a centralidade é majoritária na aprendizagem da leitura e escrita, as aulas de Ciências Naturais quase não existem. No segundo ano elas ganham mais atenção e passam para duas aulas semanais. Esse aumento em relação ao primeiro ano mostra que a disciplina de Ciências Naturais vai ganhando espaço na medida em que as crianças são alfabetizadas, porém também revela que ela está em segundo plano na aprendizagem escolar dos alunos.

Na sequência de nossa investigação sobre essa temática, que envolve o ensino dos conteúdos da disciplina de Ciências nos primeiros anos do Ensino Fundamental, nos propusemos a realizar um mapeamento das produções veiculadas em periódicos de educação, que se concentram nas discussões sobre o ensino de ciências naturais. Nossa proposta inicial era fazer um exame dos assuntos abordados nos artigos dos periódicos de educação, mas a proposta de se revelou muito abrangente para o tempo de vigência da bolsa do Prolicen e, portanto, nos concentramos em fazer um mapeamento das produções, veiculadas no período de 2000 a 2012. Nossa intenção é apresentar o volume de trabalhos que abordam discussões sobre o ensino de ciências nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
2.METODOLOGIA

A coleta de dados foi realizada com base em 10 periódicos de educação, que concentram em seu título a área de ciências naturais. Para a seleção dos periódicos nos orientamos pela classificação Qualis da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Optamos por considerar os periódicos do estrato A1 e A2. O período estabelecido para mapeamento do material foi do ano 2000 ao ano de 2012. Nos baseamos nos títulos e resumos dos artigos. Os periódicos que serviram de base para nosso mapeamento estão descritos no quadro abaixo.




Qde.

ISSN

Título do periódico (revista)

1

1518-8795

Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências

2

1414-5111

Ciência & Ensino (UNICAMP)

3

1518-8795

Investigações em Ensino de Ciências

4

1806-5104

Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências

5

1519-8650

Educação nas Ciências (UNIJUÍ)

6

1415-2150

Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências

7

1982-2413

Experiências em Ensino de Ciências (UFRGS)

8

2237-4450

Ensino de Ciências e Tecnologia em Revista

9

1982-873X

Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia

10

2179-426X

Revista de Ensino de Ciências e Matemática (REnCiMa)



3.RESULTADOS

Os dados ainda estão em processo de análise, não obstante é possível registrar que do total de 109 artigos publicados nos periódicos listados acima, durante os anos de 2000 a 2012 e que no seu título ou resumo, abordam o ensino de ciências, somente 26 deles focam no ensino de ciências nos anos iniciais da escolarização.


4.CONCLUSÕES

Os dados ainda estão em processo de análise




REFERENCIAS

DUCATTI-SILVA, K. C. A formação no curso de pedagogia para o ensino de ciências nas séries iniciais. 2005. Dissertação de Mestrado. Marília: Unesp. Disponível em < http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/bma/33004110040P5/2005/silva_kcd_me_mar.pdf>. Acesso em 20/06/2011



OVIGLI, D. F. B.; BERTUCCI, M. C. S. O ensino de Ciências nas séries iniciais e a formação do professor nas instituições públicas paulistas. I Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, 2009. Disponível em <http://www.pg.utfpr.edu.br/sinect/anais/artigos/13%20Formacaodeprofessoresnoensinodecienciaetecnologia/Formacaodeprofessoresnoensinodecienciaetecnologia_artigo7.pdf>. Acesso em 23/6/2011

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