Entre tudo, susan glaspell



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ENTRE TUDO, SUSAN GLASPELL
Thalita Emanuelle de Souza (UNICENTRO), Margarida Gandara Rauen (Orientadora – Dep. de Arte-Educação/UNICENTRO)
Palavras-chave: Bagatelas, feminismo, patriarcado.
Resumo: Esse estudo propõe-se a analisar a peça Bagatelas (Trifles) de Susan Glaspell, escritora norte-americana, segundo uma visão histórico-social da época em que essa foi redigida (1916). O artigo tem como objetivo principal entender como as relações estabelecidas entre os personagens masculinos e femininos, durante a peça, são reflexos de uma sociedade até então controlada por um pensamento patriarcal.
Introdução
Susan Glaspell (1876-1948) é uma escritora norte-americana marcante pela sua forma velada de escrever, assim nesse trabalho, pretendo estudar a sua primeira peça Trifles (Bagatelas) e revelar as relações da sociedade patriarcal presente na mesma.

Segundo Sander (2002) as peças de Glaspell vieram, apesar de sutilmente, causar grande alvoroço, pois demonstravam uma situação social que não precisava ser falada, todos sabiam do que se tratava ao olhar para ela.

O objetivo desse artigo é, então, o estudo da peça Trifles, pois se vê nela a perspicácia de Glaspell ao revelar as “coisinhas de mulher”, ou seja, o pensamento e a construção feminina da época. A peça, de forma clara, articula as relações comportamentais impostas entre homens e mulheres, evidenciando a posição social da mulher da primeira metade do século XX em relação à posição do patriarcado.

Para isso inicio com uma análise histórica da situação feminina na primeira metade do século XX. Em seguida analiso as personagens da peça Bagatelas, na qual, apesar de a trama mover-se a partir de relações com homens, tem como personagens principais as mulheres. Assim, o meu trabalho tem como norte analisar a dramaturgia de Susan Glaspell e como o silêncio das mulheres, numa sociedade patriarcal, é constituído na cenografia.


Materiais e Métodos
Pesquisa bibliográfica e explanatória. Para tal apoio meu trabalho em autores que discutem contundentemente o assunto, utilizo-me de autoras como Muraro e coelho para a analise da historia feminina, e como subsidio histórico e autoral das obras de Susan Glaspell apoio-me em palavras de Gould, que faz uma breve biografia da autora, e nos livros de uma grande estudiosa de Glaspell, Lúcia Sander.
Resultados e Discussões
Glaspell em Bagatelas produz um mundo tido como fictício, no qual as mulheres só têm liberdade dentro do seu próprio espaço, no seu silêncio. Digo ‘tido’ pois nota-se nítida, nesse ponto, a similaridade com o mundo onde Glaspell estava inserida, em que as mulheres lutavam por liberdade, que foi instituindo-se em surdina.

Pensando nas relações de gênero estabelecidas durante a peça é que se faz uma análise das personagens femininas. Assim, depara-se com mulheres que conhecem e protegem umas as outras, ou em outras palavras, lutam a sua maneira pelos direitos que têm em comum, porém sem pronunciar palavra alguma aos homens presentes:


A palavra, um dos recursos mais poderosos do teatro, é negada ou cerceada a muitas das personagens femininas no teatro de Susan Glaspell, porém se lhes fosse dado o direito à fala, talvez o dispensassem. O silêncio dessas mulheres, ou dessas personagens, não se preenche com palavras, ele é a expressão de um vazio maior, de uma anulação não só do discurso, como também da experiência, da identidade, do ser mulher. (SANDER, 2007, p. 39)
Perante as constatações feitas após analise histórica e da obra, percebe-se que por meio de várias influências e indagações acerca da sociedade em que estava inserida Susan Glaspell reflete, e talvez sem intenção, descreve esse ambiente. Em Bagatelas, a peça escolhida para análise, nota-se isso de forma marcante e, de certo modo, detalhada. Primeiramente omite a sua personagem principal, e como numa sociedade onde a mulher tem o seu direito restrito a protagonista de Bagatelas não tem direito a defesa. Em seguida Glaspell mostra personagens femininas que também se comunicam pouco, são bloqueadas várias vezes pelas presenças masculinas.

No mesmo momento histórico em que as mulheres estão unidas pela força do trabalho e pela necessidade de independência a escritora apresenta mulheres-cúmplices, que são capazes de esconder provas mesmo sem conhecimento entre elas. A união que existe na peça além dela, é vida. A peça torna-se representação do real.


Conclusões

Verifica-se, dessa forma, que ao escrever sobre mulheres, Glaspell mostra o reflexo das que existiam, viviam e agiam naquela sociedade. Esse fator ocorre não apenas como um ato político, mas é também uma representação da história feminina e particularizada, afinal, Glaspell existe em suas palavras, ao lê-las são os seus suspiros que são ouvidos. E talvez não como crítica, mas como resposta, ela escreve e mostra que passarinhos estavam sendo mortos, vozes vinham sendo abafadas. Ela responde e comprova que há como contestar tal situação.

Em Bagatelas só o que se ouve são poucas palavras, suspiros, indagações, completados por olhares e identidades estabelecidas pelo silêncio, em que sutilmente percebe-se a lealdade feminina.
Referências
COELHO, Mariana. A evolução do feminismo - subsídios para a sua história.2ª edição – Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná.2002.

GOULD, Jean. Dentro e Fora da Broadway. RJ; 1ª edição. Bloch edições. 1968.

MURARO, Rose Marie. A mulher no terceiro milênio. RJ; 3ª edição. Editora Rosa dos tempos.2002

SANDER, Lúcia V. O teatro de Susan Glaspell:5 peças.2002.



_______________. Susan e eu: ensaios críticos e autocríticos sobre o teatro de Susan Glaspell. – Brasília : Editora Universidade de Brasília, 2007.

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