Ernesto Bozzano Gemas, Amuletos e Talismãs



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Capítulo II


Nos episódios que seguem, o Sr. Moses percebe mãos materializadas manipulando gemas:

“27 de novembro de 1874 – Depois da sessão habitual em Douglas House, deitei-me, por volta de meia-noite, e quase imediatamente adormeci. Às 2:15 da madrugada, acordei em sobressalto, presa de inexprimível sensação: a de que um fenômeno se ia produzir. Deitei-me de costas, olhando para cima, e divisei uma mão luminosa, análoga às que vira no correr das sessões, com os dedos estirados, mas unidos uns aos outros, havendo debaixo deles uma pequena bola de fogo, do tamanho de uma ervilha grande, suspensa como que por atração. Estando eu a olhar, os dedos se abriram e a pequena bola de fogo me caiu sobre a barba. Tão certo me achava da realidade do que acabava de ver, que saltei da cama, acendi a luz e procurei entre os lençóis o objeto que caíra sobre mim. Achei, com efeito, uma gema do tamanho de uma ervilha grande. À luz que eu dispunha, ela me pareceu de tom escuro, com reflexos azuis; verifiquei mais tarde que se tratava de uma safira...” (Proceedings of the S. P. R., vol. XI, págs. 59-60).

Este outro episódio, idêntico ao precedente, é relatado nas resenhas da Sra. Speer.

“22 de maio de 1875 – Durante o jantar, pérolas brancas e pérolas pretas caíram diante de minha filha. À noite, reunimo-nos para uma sessão. Começaram as pancadas a fazer-se ouvir, antes mesmo que se apagassem as luzes. Logo nos envolveram lufadas de vento saturadas de delicioso perfume de violetas; pequenas nuvens luminosas, que se deslocavam, encheram o aposento. “Odorifer” se manifestou por meio de longa e lamentosa nota musical. Foi com essa nota melodiosa que respondeu às nossas perguntas. Nesse momento, disse o médium estar vendo por cima de nós uma mão que se dispunha a deixar cair qualquer coisa. Ainda não acabara a frase e uma grande pérola caiu entre nós, parecendo vir de alguns metros de altura. Em seguida, umas vinte outras foram obtidas nas mesmas condições, uma após outra. Algumas nos caíram nas mãos...” (Light, 1893, pág. 267).

Este terceiro episódio, análogo aos anteriores, também consta das resenhas da Sra. Speer.

“9 de janeiro de 1875 – Reunimo-nos para uma sessão, como de costume. Produziram-se muitas manifestações de luzes espiríticas, de delicioso perfume e de variados sons de instrumentos musicais inexistentes. Em dado momento, disse o médium estar vendo uma mão sobre a cabeça do doutor Speer e logo depois notamos que alguma coisa caíra diante dele. Por pancadas, mandaram que fizéssemos luz e encontramos, naquele lugar da mesa, uma esmeralda de coloração verde pálido e de maravilhosa transparência. “Franklin” se manifestou em seguida e nos informou que aquela pedra preciosa se destinava ao doutor Speer. Simbolizava a Verdade; era, pois, a gema que lhe convinha. Acrescentou o Espírito que estava saturado de influências benéficas e que o doutor devia trazê-la consigo. Perguntamos qual a gema que mais convinha ao nosso filho. Respondeu Franklin que para este seria de grande vantagem possuir, a seu turno, uma pedra espiritual e que ele cuidaria de criar uma igual à que fora trazida ao pai. Passados alguns minutos, voltou e disse: “Temos a gema, porém, não podemos introduzi-la aqui no aposento, por falta de força. Fazei a cadeia das mãos.” Fizemo-la, e a jóia prometida caiu incontinenti sobre a mesa, produzindo um ruído seco, como se houvera precipitado do teto. Era uma esmeralda semelhante à primeira obtida, porém mais bela e mais luminosa. Também dessa vez foi observado que, quando se preparavam “transportes” de pedras preciosas, primeiro uma luminosa auréola se formava em torno do círculo dos experimentadores.” (Light, 1893, pág. 173).

Neste outro episódio, trata-se de uma chuva abundante de pérolas, à plena luz do gás; mas não se especifica nitidamente a qualidade das pérolas.

“20 de setembro de 1874 – Foi a nossa última sessão em casa de Shanklin. Reunimo-nos às 9 horas, nas condições de costume. Pancadas sonoras reboaram de todos os lados, no aposento, e o médium disse estar vendo, acima da mesa, uma mão que segurava qualquer coisa entre os dedos. Manifestação nenhuma se produziu, surpreendendo-nos esse fato, por não ser habitual. Pedimos explicações a “Catarina”. Por batimentos muito fracos, foi-nos respondido: “Nada podemos fazer. Suspendam a sessão por uns vinte minutos...” Quando voltamos às experiências, o médium viu de novo a mesma mão espirítica e lhe descreveu os contínuos deslocamentos. Esta postou-se, primeiramente, por cima do doutor Speer e deixou cair qualquer coisa sobre ele; em seguida, fez o mesmo com cada um dos assistentes. Tateando sobre a mesa, demos com uma grande pérola; enquanto a passávamos de mão em mão, ouvimos a queda de muitas outras, em todas as direções. Vinham do alto, batiam na mesa e caíam no chão. De cada vez que o médium dizia “Vejo a mão em tal lugar”, imediatamente uma pérola aí caía. Perguntamos a “Catarina” de quem era aquela mão. Responderam-nos: “De Benjamin Franklin.” Levantada a sessão, acendida a luz, apanhamos de sobre a mesa e do chão umas vinte pérolas grandes e, enquanto as juntávamos, um punhado de outras caiu sobre o doutor Speer e outro punhado sobre o Sr. Moses. Eram ao todo umas quarenta, das quais cerca de metade caíra à plena luz do gás...” (Light, 1893, pág. 75).

Não podendo citar tudo, limitar-me-ei a acrescentar mais uma passagem em que se fala do “transporte” de outra gema. Escreve a Sra. Speer:

“12 de maio de 1878 – Amanhã é dia do meu aniversário natalício; festejamo-lo hoje por ser domingo. Terminado o almoço, vi surgir dentro de meu prato um magnífico rubi e meu filho Charlton recebeu de presente uma grande pedra preciosa. Estávamos ambos sentados longe do médium...” (Light, 1893, pág. 364).

Os “transportes” de que acabamos de falar, assim como todos os de que trata a narrativa da Sra. Speer, eram “criações mediúnicas”. Contudo, houve também, ao que parece, alguns “transportes” de pedras preciosas de origem, provavelmente, terrena. Presumo-o do que consta da obra de Trethewy sobre as experiências de Moses. Pôde esse autor consultar os 24 grandes registros manuscritos que Moses deixou e adquirir assim conhecimentos precisos acerca das memoráveis experiências. À pág. 75 da obra The Controls of Stainton Moses observa ele:

“No registro XIX encontram-se muitas alusões, em datas de janeiro e fevereiro de 1876, a um topázio que “Magus” se propusera trazer a Stainton Moses. Segundo esses documentos, na manhã de 28 de fevereiro, o Sr. Moses, ao despertar, achou a jóia prometida, no lugar onde costumava colocar o seu relógio. Estava montada num anel, que ele jamais possuíra nem vira. Ignorava como fora introduzida no seu quarto. Disseram-lhe que o topázio lhe devia servir de amuleto e de sinal de reconhecimento para os espíritos associados a “Magus”, em sua missão na terra. O Sr. Stainton Moses desejava conhecer a procedência daquela jóia e interrogara “Magus” a respeito, antes e depois do “transporte”. Temia, ao que se infere, que houvessem subtraído o topázio ao seu legítimo dono, sem a permissão deste. Não queria passar por detentor de jóias roubadas. Nunca, porém, chegou a obter uma resposta satisfatória a tal propósito. Esta circunstância o pusera maldisposto. Assim, quando, a 5 de fevereiro, foi convidado a obedecer a vontade de “Magus” respondeu: “Quando as ordens promanam de uma entidade oculta, não me decido a fazer coisa alguma sem conhecimento de causa.” Não menos certo é que jamais lhe prestaram o esclarecimento que pedira. Ele usava o topázio de acordo com as instruções dos “Espíritos-guias”, para determinar em si mesmo as “visões clarividentes”, no curso das quais percebia cenas da existência espiritual.”

Relativamente a esta passagem do Sr. Trethewy, farei notar que, se os “Espíritos-guias” nunca revelaram ao Sr. Moses a procedência do topázio, deve-se daí deduzir que dessa vez se tratava do “transporte” propriamente dito, de uma jóia terrestre (tanto mais quanto já veio montada num anel). Isto não implica necessariamente que tenha sido tirada de um vivo. É mais provável que proviesse de algum antigo sarcófago. Conhecem-se casos dessa espécie e isso explicaria a relutância dos “Espíritos-guias” em informarem a respeito o Sr. Moses.

Passado agora a examinar os fenômenos mencionados acima, julgo inútil estender-me ulteriormente a demonstrar que, salvo o episódio excepcional que acabo de relembrar, os “transportes” de gemas que Moses obteve constituíam “criações mediúnicas” e não “transportes” propriamente ditos. Isto se acha demonstrado pelo que eu disse com relação às curiosas propriedades que apresentavam algumas daquelas pedras e a beleza e pureza sem iguais que revelavam (ao parecer dos peritos joalheiros) e, ainda, a outra circunstância, a das explicações dadas pelas personalidades mediúnicas. Também farei notar que, se estivessem em causa jóias terrenas subtraídas a seus proprietários por aquelas personalidades, os jornais da época não teriam deixado de falar de uma série de furtos misteriosos de pedrarias de alto valor, realizadas em joalherias ou em casas particulares. Nesse caso, o Sr. Moses, que temia ser acusado de detenção de objetos roubados, se houvera alarmado vivamente e pedido explicações às personalidades mediúnicas que lhas traziam. Ora, nada de semelhante se deu.

Não será inútil responder previamente, desde já, às insinuações de algum jocoso que entendesse de avançar a hipótese de que o Sr. Moses comprava as jóias que surgiam no curso das sessões. Respondo, fazendo notar que o Sr. Moses estava longe de ser rico. Viveu sempre a expensas dos modestos ganhos que tirava do seu trabalho profissional de preceptor e professor e, para adquirir tão grande quantidade de pedras preciosas de toda espécie, de incomparável beleza e de valor inestimável (sempre segundo a opinião dos peritos), fora necessário dispor de um capital considerável, sem contar que as gemas, no mundo em que vivemos, de nenhum modo se alteram nem empalidecem quando seus donos caem doentes.

A esse propósito, acrescentarei a passagem seguinte, extraída de uma mensagem de “Imperator”, em que se fala das modalidades com que os Espíritos criavam as gemas trazidas.

“27 de maio de 1875 – As gemas que vos temos dado, em ocasiões diversas, foram saturadas de um poder magnético especial, tendo por fim manter-vos em relação conosco. Não devereis nunca as colocar umas sobre outras. Cada uma dessas gemas possui especial virtude e muito perderia de tal virtude se posta em contato com outras. Deveis considerá-las um depósito sagrado, reservado exclusivamente ao uso a que se destina. Temos o poder de cristalizar as pedras preciosas, tomando da atmosfera os elementos de que são constituídas, ao passo que no vosso mundo as pedras preciosas se formam graças às forças naturais.”

É muito interessante e significativo este último esclarecimento de “Imperator”. Concorda, aliás, com o que demonstrei numa de minhas obras, relativamente ao poder criador do Pensamento e da Vontade.2 Esse poder já se manifesta esporadicamente e de modo restrito em nosso mundo, para em seguida revestir funções especiais e gerais nas altas esferas da existência espiritual.

Do ponto de vista aqui adotado, não ouso acreditar que os negadores irredutíveis de uma intervenção espiritual nalgumas das grandes manifestações mediúnicas tenham desta vez a audácia de atribuir à subconsciência humana o poder de cristalizar diamantes, rubis, esmeraldas, safiras, pérolas e topázios, extraindo da atmosfera os elementos de que se compõem essas pedras. Mas, ao mesmo tempo, declaro que, se o fizessem, não me espantaria, sabendo como sei, por experiência, até que extremos fenomenais pode chegar aquilo que se chama “credulidade dos incrédulos”.

Farei também notar que um justo equilíbrio nas faculdades da razão deveria conduzir-nos a reconhecer que, se é verdade que os fenômenos da “fotografia do pensamento” e do “ectoplasma” provam que existe, na subconsciência humana, uma força capaz de criar, tendo por centro o pensamento e a vontade humanos, ressalta, entretanto, dos fatos que essa “força capaz de criar” só existe, na subconsciência, em estado embrionário, isto é, “em potencial”, à espera de emergir e evolver gradualmente, numa fase de existência apropriada, que não pode ser a corpórea.

É assim que numa criança de três anos de idade se encontram, “em potencial”, as diferentes faculdades da inteligência humana, na expectativa de emergir e evolver gradualmente, passando através das fases da infância e da adolescência. Em outros termos: aquele que pretenda que as faculdades supranormais, que existem latentes na subconsciência, são de natureza a gerar prodígios de criação análogos aos que tenho relatado, procede como se pretendesse que uma criança de três anos raciocinasse e se comportasse como um adulto.

Ela chegará lá um dia e nós chegaremos um dia às altitudes criadoras de que hei falado; mas, em conseqüência da nossa “desencarnação”, combinada com uma evolução espiritual de duração correspondente a uma série de séculos.




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