Escolhas pessoais (idéias, estilos)



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Ralf Rickli

LIBERDADE SOCIALMENTE SUSTENTÁVEL

uma introdução à Filosofia do Convívio
e a algumas de suas aplicações


A filosofia de um século é o senso comum do século seguinte.

Henry Ward Beecher



Para que nosso século não venha a repetir o récorde de tragédias do anterior, por amor dos pequenos que estão no mundo agora e dos que ainda estão por nascer, é minha esperança que estas idéias, tendo nascido ainda no século XX, não precisem esperar o século XXII para se tornarem senso comum.

São Paulo, 25.02.2008 – o autor

PUBLICADO NA INTERNET EM 01.06.2008
presente versão: 4 (com pequenas revisões), postada em 03.06.2008


Seção 1.
A questão e a abordagem 4


1.1. O pós-moderno e o pós-pós-moderno:
um primeiro olhar para o âmago da questão 4


1.2. Quem inventou o Pluralismo Absoluto? ( E isso importa? ) 5

1.3. Pluralismo Radical e Convivialismo
- breve histórico e “parentes” 6


1.4. Minimalismo: o método “menos é mais” 8

1.5. O zôon politikón e seu inferno 9

Seção 2.
O cerne da proposta 11


2.1. Uma rara concordância humana universal 11

2.2. O conceito de Convívio e seus campos de aplicação 14

2.3. Introdução à idéia de um Estatuto Fundamental da Humanidade 16

2.4. Minuta para um Estatuto Fundamental da Humanidade em 4 seções 21

Seção 3.
GRUPOCENTRISMO E DISCRIMINAÇÕES:
O PENSAMENTO CONVIVIAL APLICADO A ALGUMAS QUESTÕES PRÁTICAS
(sobretudo de interesse pedagógico) 24


3.0. Motivos de discriminação:
resultados de uma pesquisa informal 24


3.1. O retorno do reprimido:
violência reativa, perversão sexual etc. 27


3.2. Etnocentrismo, grupocentrismo 28

3.3. Religião, fé e propaganda 29

3.4. Diversidade sexual 30

3.5. Quantos preconceitos se pode tolerar? 32

Seção 4. O nível cosmológico:
o convívio como constituinte da realidade 33




Seção 1.
A questão e a abordagem1

1.1. O pós-moderno e o pós-pós-moderno:
um primeiro olhar para o âmago da questão


No final do século XX tornou-se comum dizer que havíamos entrado numa “condição pós-moderna”, em que não existe mais nenhum esquema explicativo absoluto, de modo que de certa forma “vale tudo”.

De modo bem simplificado, é essa a tese central do livro de 1979 do francês Jean-François Lyotard (1924-1998), chamado O pós-moderno na primeira edição e A condição pós-moderna nas seguintes.

Naturalmente muitos contestaram até que exista alguma coisa que possa ser chamada pós-modernidade, enquanto outros autores propunham também outros traços para caracterizá-la – por exemplo Jean Baudrillard (1929-2007), que apontava a vida pós-moderna como dominada por simulacros.

Olhada com seriedade, a idéia de Lyotard não é porém nenhuma bobagem. Sobretudo, apresenta uma característica bem interessante: quando mais for contestada, mais estará comprovada – pois afirma justamente que não existem verdades seguras e fora de contestação!

Lá por 1995 tive a oportunidade de ouvir um professor doutor da PUC-SP falando com entusiasmo dessas concepções, mostrando o patamar superior de liberdade que havíamos atingido com isso –

... e aí lhe dirigi a pergunta: “professor, se agora de certa forma vale tudo, com que base poderemos dizer que as propostas do nazismo não valem? Que critério restou para explicar por que elas, ou outras semelhantes, não devem ser aceitas? Ou então elas devem ter lugar como quaisquer outras?”

Para minha surpresa, esse experiente professor – que apesar disso tenho fortes motivos para respeitar e estimar – ficou perturbado e terminou dizendo algo como: “É, de fato, a teoria não prevê isso. É preciso pensar essa questão.”

Naquele momento eu achava ­– e continuo achando – que já sabia a resposta, mas teria sido bem deselegante, anti-ético mesmo, pretender “cortar a bola” na palestra de outro professor, ainda mais sendo bem mais jovem e não tendo nenhum dos seus títulos. E além disso seria imprudente, pois na ocasião eu ainda não tinha nada escrito e muito menos publicado sobre essa resposta, a que dou o nome de Princípio do Pluralismo Absoluto.

Tive porém muitas oportunidades, antes e depois, de apresentar publicamente essa resposta, e observei que isso costuma ter um efeito ambíguo: por um lado a resposta convence; sua lógica é auto-evidente – mas por outro lado parece causar certa perplexidade, e até mesmo irritação, porque é simples demais – e nos acostumamos a só apostar no complicado.

Confesso que eu mesmo me sinto extremamente perplexo de que um ponto tão pequeno possa ter conseqüências tão vastas, mas qualquer um que se dê o trabalho de refletir seriamente sobre essas conseqüências verá que o Princípio do Pluralismo Absoluto realmente dá conta do recado de preservar a liberdade plural conquistada pela pós-modernidade (o estado de maior liberdade que o ser humano já conquistou até hoje) protegendo essa liberdade de si mesma, impedindo que ela se auto-destrua –

... e, além disso, dá conta de uma infinidade de outras questões – pois quase que sem perceber acerta na raiz de onde brotam grande parte dos galhos que afligem a humanidade.

Por isso o chamo também de Pluralismo Radical – no sentido de Marx e de Paulo Freire: porque se dirige à raiz.2 Neste trabalhou direi algumas vezes “absoluto”, outras vezes “radical”, sem que deixe de estar me referindo à mesma coisa.




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