Esta história começa numa manhã de sol



Baixar 154.32 Kb.
Encontro12.03.2018
Tamanho154.32 Kb.

Projecto “Ler e contar histórias com António Mota”

Junho 2006

Santinhos e Douradinhos, a mais divertida banda de rock

 Esta história começa numa manhã de sol.  Esta história começa com uma brisa a chegar devagarinho, como se fosse um sopro suave, quente.  Esta história começa numa terra do concelho de Montemor-o-Novo que se chama Biscaia.

 Fala-nos de vizinhos curiosos e entretidos que se divertiam a trabalhar.

      A rã Raineta olhava no espelho as suas bochechas vermelhonas e retocava a maquilhagem. O grilo Verde acordava tarde; à tarde, afinava o instrumento; à noite, dava concertos. Os pássaros eram gulosos: debicavam as cerejas do velho avô!

      Estes animais conviviam junto à barragem.

   Naquela manhã, a rã acordou cedo com o chilrear das andorinhas…

      - Ah, que linda manhã! Já é Primavera. E aquele dorminhoco Verde ainda enfiado na toca!! – comentou sobre o seu amigo grilo. Resolveu acordá-lo:

      - Ó Verdufas… Verdufas?! Levanta-te, preguiçoso! Vamos dar uma volta. Já viste o dia que está? Nem sabes o que perdes… mexe-te!!

      - Bolas! – resmunga o grilo – Acordas muito cedo! Dá-me dois minutos.

      Estando, ao fim de hora e meia, o grilo equipado com um chapéu de mexicano e os seus óculos escuros (afinal era uma vedeta!), saíram no seu Tuning Racer com rodas de pau.

      Eis que, a meio da estrada aquecida, junto a uma pedrinha de Sol, encontram um passarito caído da cerejeira, ferido e triste.

      Então o grilo e a rã pararam para ajudar o novo amigo. Pegaram no pássaro, meteram-no no carro e levaram-no para a casa do grilo.

      A rã sabia de enfermagem e, enquanto o Verde assobiava, a Raineta esticava a sua língua de metro e meio e dava umas lambedelas na asa do Júnior (era o nome do passarinho). Rapidamente, este começou a ganhar cor e a ficar mais contente.

      [Escoural. Turma dos 2.º, 3,º e 4.º anos.] 


 

      - É estranho!... Tu assobias?! Os grilos não assobiam!... Mas gosto da tua música – admirava-se o Júnior.

      - Tu também podes assobiar – disse-lhe o grilo.

      - Também consigo, é verdade; mas não tenho tido muita sorte.

      - Não tens tido sorte? O que aconteceu? – questionou o Verde.

      - Para além de ter caído do ninho e de estar ferido na asa direita, não tenho irmãos para cantar comigo – respondeu.

      - Ah… não tens irmãos!

      - Perderam-se na tempestade do último Inverno. – justificava Júnior – Não tenho grande vontade e creio que já nem sei assobiar… .

      - Mas eu posso ensinar-te – prontificou-se o grilinho.

      Porém, ao passarito, também não lhe apetecia aprender. Para que lhe serviria recuperar o assobio se não tinha nenhum grupo de músicos para acompanhar?

      - Não me serve de nada… – choramingou – não tenho companhia!

      O grilo Verde era bonzinho. Parecia ter soluções para todos os males dos outros.

      - Se quiseres, podemos formar uma banda. Gostas de rock?

      Foi como se a avezita se tivesse curado de repente:

      - Gosto muito dessa tua ideia. Boa ideia, essa! Boa, boa… grande ideia! Sim…

      É neste momento que a rã Raineta aproveita para deixar escapar a língua e prega um beijo pegajoso no Verde. Exclama:

      - Belo, Verdufas! É por isso que tenho tanto orgulho em ser tua amiga

  

    [Escoural. Turma dos 1.º e 2.º anos.] 


 
 
 
 

      - Blerc!!

      O grilo Verde limpou a saliva que a amiga lhe tinha deixado na face:

      - Sabias que és pegajosa? Já to tinham dito? – fez uma pausa – Mas eu também gosto muito de ti…                                                                       

      E mostrou-lhe que já tinha aprendido francês no cinema:

      - Je t’aime, ma chérie!

      Envergonhada, a rã reagiu:

      - Ai, cala-te com isso! Sabes bem que eu não entendo inglês.

      Sonora gargalhada, a que o grilo deu.                    

      Quinze dias depois…

      Estava Júnior curado, os ensaios corriam bem e já tinham agendado o primeiro concerto para o Verão. E querem uma surpresa? A rã tinha-se juntado à banda e tocava guitarra eléctrica com a língua a servir de corda. Era afinadíssima!

      Finalmente, chegou o dia do concerto. A rã aproveitou para maquilhar os amigos.

      - Ah!! Estás deslumbrante!... – comentava Raineta acerca do seu trabalho no rosto e no guarda-roupa do Júnior; e dava pequenos gritinhos de entusiasmo.

      [Casa Branca. Turma única.] 


 
 
 
 
 
 

    


  O pássaro estava coberto de pó-de-arroz amarelo, e azulado nas pontas das asas e do rabito.

      Ao olhar para o grilo, admirou-se:

      - Verdufinhas, estás es-pan-to-sa-men-te… … horrível!! Simplesmente horroroso!

      - Não gostas da minha camisola? – perguntou.

       - Gosto da camisola… em especial do desenho da parte de fora que não se vê porque a vestiste às avessas.

       - Oh! Pois foi. – mostrava o ar mais descontraído do mundo; aliás, tirando agora, era sempre assim…

      Enquanto tratava de se vestir devida e demoradamente, o grilo ouviu anunciar o concerto. Ouviu, no entanto, o senhor apresentador engasgado quando chegou ao nome da banda. Aí, todos três deram conta de que ainda não o tinham decidido. Nisto, correm em direcção ao palco…

      Ao entrar em cena, Júnior reage ao pó-de-arroz e espirra mesmo no momento em que o apresentador aguardava pelo nome da banda.

      - Boa noite, senhoras e senhores! Convosco, nesta noite, a banda rock: “Os… …”

       - Atchim! – espirra o Júnior.

      - “Os… (Santinho!)”

      Entra a rã, cheia de lantejoulas… brilhante. Ao vê-la, o apresentador acrescenta:

      - (Douradinha!...) Apresento-vos “Os Santinhos e Douradinhos”!

  

[Montemor n.º1. Turma A do 3.º ano.] 


 
 
      O grilo chega esbaforido, numa correria desenfreada. Tropeça no cabo das luzes e choca com a rã. A Raineta empurra o Júnior. O pássaro empurra o senhor. O apresentador engole o microfone.

      - Tu sabes mal! De mim, é que todos gostam. – diz a Batata Frita ao Bife.

      (????!!!!)

      Ainda não perceberam? Então, “ouçam” a resposta do Bife:

      - Mas tu és frita. Fazes mal à saúde! Eu sou guisado… V.I.P…. Tenho “Qualidade Superior”… sou bastante bom!

      (????!!!!)

      Estão confusos?! Está bem, vamos explicar-vos.

      Nesta altura, estamos dentro do estômago do apresentador do concerto d’Os Santinhos e Douradinhos”

      Voltando à cena…

      O Maestro dá o tempo… e começam o concerto com a famosa canção:

      “Para mim, tanto me faz

      Que comas arroz doce ou ananás…”

      Porém, eis que há um corte de corrente e apagam-se todas as luzes. Faz-se silêncio absoluto.

      - Mamãããã!! Quero a mamã!

      Vocês pensam que o júnior tem medo do escuro? Pensam que é o Júnior que está a chorar?

      Pois enganam-se! É o grilo Verde que chora “baba e ranho”!... Noite, sim; mas com luzes!

      [Montemor n.º1. Turma B do 3.º ano.]

   


   Contudo, para o grilo, nem tudo está perdido. Não é que vemos aproximar-se do palco a chama duma tocha. Sabem quem era? Pois era esse mesmo. Zé Painho à procura de um burro Teimoso e de um cão chamado Lambão!

      - “Alguénhe biu por aíe únhe bourro e únhe com”?

      De o vermos tão preocupado quase entendíamos o seu sotaque – “o quê?!” – mas como já conhecíamos a história, percebemos que procurava o burro (“bourro”) e o cão (“com”) do Sr. Veloso.

      Bastou termos luz para ver o Verde trocar os medos pelos préstimos:

      - “Êue num bi”! - respondeu no mesmo dialecto - Mas tenho lá fora um carro de corrida e posso dar-te boleia. Sempre é mais provável encontrá-los de carro do que a pé. Damos uma volta bem maior e mais rápida!

      É claro que nós sabemos que ele não vai encontrar os animais, senão o amigo Veloso já não colocaria aquele anúncio (pouco verdadeiro, por sinal) no jornal, e a história teria outro desfecho, claro! Mas vale a pena tentar. Note-se que precisávamos de acabar com o choro do grilo. Tivemos aqui um grande trinta e um!

      Deslocaram-se até ao carro… jante 17… rodas de pau.

      - Estás a ver aquele carro espectacular? É meu!

      - E o carro anda muito depressinha? – temeu o Zé Painho.

      - Sim, claro. Duzentos e vinte!...

      - Duzentas e vinte?! O meu burrito nunca comeu assim tantas cenouras… e só lhas dou quando ele não quer andar!

      - Cenouras?! – estranhou o grilo – Eu não estou a falar de cenouras. Estou a falar de velocidade: motor “mil e novecentos”; cento e trinta cavalos!

      - E onde é que guardas tantos cavalitos? Nós só precisamos de dois!

     


 [Montemor n.º1. Turma A do 2.º ano.] 
 

  

    O grilo, indiferente ao comentário do Zé, abre as portas com o comando electrónico X.P.T.O.. O homem da quinta senta-se muito lentamente e com desconforto (carros, não era com ele…), ocupando o lugar do pendura.



      Ao ligar o motor, entusiasta, o grilo mete a chave na ignição (“tché, tché, tché, tché, tché…    …   … tché, tché, tché, tché, tché… ….  …”) e depois de alguma persistência … (“PUFFFFF!!”) ficam envolvidos numa nuvem de fumo preto e denso.

      - Ó amigo Verde – indigna-se Painho – o que é que os teus cavalos comeram? Azeitonas pretas, não?!

      E começam a tossir desalmadamente. Agora o concerto era outro: os “puns” dos cavalos e a tosse dos cavaleiros! Pensando que o veículo ia arder, os passageiros tiveram que o abandonar à pressa.

      A rã estava boquiaberta, assistindo àquele espectáculo. Julgando tratar-se de uma mangueira, Zé Painho deitou a mão à língua comprida da rã Raineta…

      - Então, já “num teins áuga” (como quem quer dizer… “já não tens água”)?! – disse o Zé à mangueira – Deves ter algum nó.

      E começou a puxar a língua da rã com o intento de desenrolá-la.

      Raineta estava roxa. A sua língua ficou tão fina que, se tocasse, produziria a nota mais aguda da História da Música! Subitamente, aquela língua não aguentou a tensão e recolheu violentamente, atirando o Zé Painho pelos ares e para o dorso de um viajante muito especial que ia a passar na passadeira. Sabem quem?... o burro Teimoso!

      Pois bem, neste ponto da história vocês devem estar a perguntar como é que o homenzinho pôde encontrar os animais, se nós vos dissemos que não os encontraria. A explicação fica para depois (nós não nos vamos esquecer dela)… Onde é que íamos?!

      Quando o homem montou (sem querer) o Teimoso, o cão estremeceu com a surpresa. E quando o cão estremecia…

      


[Montemor n.º1. Turma B do 2.º ano.]

      Como era de esperar, desatou a morder todas as canelas que encontrou… e mais as do burro. Este protesta com um valente coice no Lambão. Desta vez, o aviador é um mamífero canino, bestialmente irritante!... Dá um voo e vai parar ao volante do descapotável do grilo. O carro destrava-se e “aí vai” um cão zangado ao volante, rua abaixo, a fazer evacuar todos os que se movimentam à sua frente.

      O Zé Painho, esse, ficou retido pela tabuleta da farmácia onde espetou o nariz quando o burro despediu o cão e fugiu numa valente corrida. Era a segunda vez que os animais abandonavam os homens.

      Então, cá vai a explicação que vos prometemos…

      Quando o Zé bateu com a cabeça na placa da farmácia, ficou tão zonzo que apagou da memória o encontro com dois “obedientíssimos e amorosos” animais do seu amigo. Só nunca conseguiu perceber muito bem como é que fora ali parar e que… espetarem-lhe o nariz numa placa com letras não seria a forma mais branda de o ensinarem a ler! Que tal começarem antes por ajudá-lo a escrever o seu nome?

      Voltando ao cão…

      Lambão segue, sem travões, pela rua comercial. Nisto, vê uma cadela jeitosa e (“iióóóíi”) despista-se. Entra por um salão de beleza adentro e, quase sem dar conta, já está equipado com uma bata de tratamento rendilhada… bastante feminina.

      - Senhora que se segue…. Massagem… sala dois.

      Ô, Ô!... A massagista era um bisonte (-fêmea) com ar de poucos amigos. Ele nem teve tempo de responder. Foi agarrado pelo cachaço e despejado na marquesa.

      Ainda aguentou os primeiros golpes da massagem, mas quando a massagista lhe saltou para as costas… efeito rolha! O cão sai disparado pela gola da bata que tinha vestida ; atravessa duas salas e vai parar à sala de depilação.

      Entontecido, apenas sente um calor húmido na barriga da perna e… “Raaacc”!!

      - Ah… … ú, ú, ui!

      [Montemor n.º1. Turma A do 4.º ano.]

  

    A dor projectou-o no ar, trampolim para a cadeira da cabeleireira. Ao ver-se nu, e no intento de esconder a sua “natureza”, puxa imediatamente um vistoso casacão dourado do bengaleiro. No espelho, depois de uma curta intervenção, vê reflectida a imagem de um busto de cão com peruca de juiz… ou não… talvez cabeleira de tia-avó?!



      - Áááááááá!!!!... – gritava alarmado o cão.

      Ao julgar que a estavam a chamar, dona Á(ááá)guia, a manicure, veloz e perspicaz, capaz de orgulhar a sua longa família de aves de rapina, levanta o Lambão no ar e, “enquanto o diabo esfrega um olho”, ele vê-se de unhas vermelhas… Não. Um juiz não, definitivamente. Uma elegante e idosa SENHORA!!

      Corre para o quarto de banho… tranca a porta, alcança a janela e escorrega pelo algeroz. Vem cair mesmo em frente à cadela por quem se apaixonou… Ficou sem voz; estático.

      - Tia Josefina?! – surpreende-se a cadela Lola.

      O cão pensou dizer que não era a tia, mas teve medo que ela se assustasse. Então decidiu fingir:

      - Olá, minha sobrinha. Estás tão bonita! Há tanto tempo que não te via…

      - Ó tia, é tão bom encontrá-la! Não quer vir almoçar comigo hoje? Vamos celebrar o nosso encontro. Está mesmo uma princesa!

      - Obrigada, querida. Eu só preciso de mudar de roupa. – atrapalhou-se o cão – Mas antes, podes dar-me um beijinho?

      Lola não hesitou em dar uma beijoca ternurenta na suposta tia Josefina.

      - “Aúúú!!...” – uivou o cão, em pensamento, é claro; não fosse ser apanhado no seu disfarce.

       - Então, tia, podemos fazer o seguinte: eu vou depositar as minhas compras a casa e a tia vai preparar-se. Ao bater da uma, encontramo-nos à porta do restaurante italiano dos anões que, a essa hora, já estarão a servir. É quando se despacham da casa do sapateiro!

       [Montemor n.º1. Turma A do 1.º ano.]

      

      - À uma hora, portanto…



      - Prefere que vá buscá-la? – interrompeu, disponível, a “sobrinha”.

      - Oh, não. Não vale a pena, “Babe”!

      - “Babe”?! – intrigou-se a cadela, não percebendo o deslize de Josefina.

      - Fofurinha! – corrigiu o cão, reajustando a voz à figura que fazia.

      - Bravo, tia! Estou contente. Até já.

      Enquanto o cão entrava numa loja de roupa para se aprontar com um vistoso casacão dourado (e aproveitava para pensar em como iria desfazer aquele mal-entendido)…

      O grilo Verde estava destroçado! Tinha ficado sem o seu descapotável e pediu à amiga rã que fosse com ele comprar outro carro. Pelo caminho deparam-se com uma loja de motos e Raineta fica de olho preso a uma “cross” verde fluorescente.

      - Uau!... Porque é que tu não compras aquela mota em vez do carro?

      - Aquela?! Nem pensar. Até mete medo ao susto! Se queres uma mota escolhe outra.

      - Então… e se eu escolher outra, tu compra-la? E não voltas atrás?...

      - Está bem – respondeu o grilo – mas aquela, não!

      O quadro seguinte é… a rã a conduzir o veículo e o grilo a acompanhá-la, sentado no “side-car” (que, para quem não sabe, é um carrinho de um lugar ligado por um braço ao motociclo). Sabem como era a moto? Dêem uma espreitadela…

      . Cor-de-rosa;

      . luzes em forma de coração;

      . assento de linho com rendas;

      . pneus branquinhos com um padrão de papoilas…

      E muitos mais atributos.

      [Montemor n.º1. Turma B do 1.º ano.]

      Uma hora em ponto…

      - Uma mesa para duas, por favor!... De preferência perto da janela.

      Sentadinhas à mesa, Lola e Josefina conversam sobre familiares. Enquanto a “tia” se vê confrontada com questões que a fazem transpirar… passam, do outro lado da janela do restaurante, uma rã e um grilo a alta velocidade.

      Excelente condutora (“ooollééééé!”), Raineta estava habituadíssima a cortar curvas. Foi nesta prática que o sinal de “STOP” interceptou o veículo e o side-car, separando-os e enviando este último com o ocupante para o interior do restaurante onde se encontravam as “tias”. A rã, essa, nem deu conta da perda do companheiro… e seguiu viagem.

      Podemos dizer que o grilo chegou a intimidar-se; mas contornou o berbicacho…

      - Uma dose de esparguete à bolonhesa! – pediu.

      No silêncio dos veludos do restaurante, almoça-se tranquilamente. Ao fundo, vemos o grilo… de guardanapo ao pescoço e capacete em forma de penico enfiado na cabeça!

      Chegados à sobremesa…

      - Tia, quer arroz doce ou ananás?

      - Querida, para mim, tanto me faz. – responde Josefina a Lola.

      O grilo satisfeito, depois de quatro pratos e uma sobremesa, espreguiça-se longamente e começa a assobiar. A população, contagiada pelo ritmo, levanta-se e começa a dançar.

      A tia Josefina não tardou a ver-se tirada para dançar pelo músico; só não contava que o Verdufas lhe desse uma volta à maneira do velho tango e… pior ainda, que lhe caísse a peruca, revelando a sua verdadeira identidade.

      Pára tudo.               (??...  ?!... !!)

      Perante a resolução do mistério; passado aquele minuto de admiração colectiva, o grilo substitui o assobio por um RAP expressivo:

      - “A-ten-ção! Esta tia… esta tia é… um Cão!!”                              

      [Montemor n.º1. Turma B do 4.º ano.]

 - Oh, não! Enganei-me! – diz a cadela surpreendida. - Mas... afinal estou a sentir que gosto de ti! – exclama entusiasmada.

      O cão, ao recuperar do susto que o grilo lhe pregou, ficou tão emocionado que se atirou à Lola muito apaixonado e dá-lhe um beijo repenicado.

     De repente, surge pela janela do restaurante o passarito Júnior que fala ao ouvido do Verdufas:

     - A rã, ao cortar curvas, atropelou o tio Manuel Liró quando ia comprar as sementes para a sua horta. Agora estão os dois no hospital: o Tio com os quatro membros partidos e a rã com um traumatismo craniano profundo.

      O Lambão e a Lola, alheios a tudo o que se estava a passar, anunciaram o seu noivado e aproveitaram para convidar o grilo para padrinho de casamento.

     O Verde ficou tão confuso que, respondeu:

- Coi-ta-do do cão!!! Aceito, aceito ser padrinho da minha amiga rã!

O grilo  salta para as costas do Júnior e saem pela janela a alta velocidade,

ficando os dois cães muito intrigados com o que viam e ouviam.

- O grilo está passado dos carretos, não diz coisa com coisa. – diz a

cadela.

- Tens muita razão, minha fofura! –respondeu-lhe o cão.



No hospital, o Tio Liró fica todo engessado (só com os dedos de fora)  que

mal o reconhecem e a Raineta não parava de miar pois, ficou com a mania que era um gato.

      Quando os dois amigos entraram na enfermaria para os verem, a rã salta em cima do pássaro e o que o salvou foi ela ficar com alergia às penas... e espirrar durante uma hora.

      No meio da confusão, a enfermeira mete o Tio na maca e, tresloucada, empurra-a com tanta força que vai directa ao bloco operatório... 


 

[ Montemor nº 3. Turma do 4º ano]


O Tio Manuel Liró ficou estendido ao comprido na mesa de operações onde os cirurgiões aguardavam uma paciente para ser operada ao estômago. Quando o Tio vê o bisturi direito à sua barriga, sentou-se de repente e desatou a gritar:

- Socorro....socorro!!! Parem... parem!!! Não me matem!!!

Foge cada um para seu lado, bastante assustados...

                                          

Passados dois meses e meio, fazem-se os últimos preparativos  do

casamento do Lambão com a Lola.

Depois do casório, foram festejar a boda no restaurante “Fortes &

Companhia” que era gerido pelo Sr. Fortes e pelo Sr. Arnaldo. Terminado o banquete de vinte pratos, a banda rock começou a tocar e, para grande admiração dos convidados, surge a grande atracção, a cabra Ricardina, que exibe as suas danças do ventre.

      Os elementos da banda rock ficaram tão impressionados com a sua actuação que... contrataram-na imediatamente. Daí em diante a agenda d’ Os Santinhos e Douradinhos” ficou muito preenchida com concertos por todo o Alentejo.

      Entretanto, o burro Teimoso, cheio de saudades, resolveu voltar à sua terra Natal e, para espanto do Sr. Veloso ele tornou-se meigo e obediente. Como recompensa, o dono fez-lhe um novo estábulo onde ele tinha todas as condições para viver como um “Lord”.

      Certo dia, andava o Sr. Veloso a colher os frutos do pomar enquanto o Teimoso as carregava para o armazém; quando se lhe atravessa à frente uma grande quantidade de grilos pretos. O burro espanta-se e...
  

[Montemor nº3. Turma do 3º ano]

O Teimoso foge até à ribeira mas, ao tropeçar numa pedra, cai à água. Como não sabe nadar, agarra um tronco e deixa-se levar pela corrente até à outra margem, mas foi batendo com a cabeça noutras árvores e em pedras. Quando finalmente chegou a terra estava muito cansado, tonto, de língua de fora e a ouvir piar; quase não conseguia respirar!

      Nessa altura passou por ali perto o carro dos bombeiros que ia apagar um fogo. Ao vê-lo, os bombeiros socorreram-no e levaram-no para o hospital.

      Meteram-no numa cama e trataram das feridas. Quando se sentiu melhor, foi visitar os outros doentes e acaba por encontrar o Tio Manuel Liró gelado,  estendido na mesa de operações. O tio pede-lhe ajuda e o burro leva-o de volta à quinta, onde vivia.

      Entretanto, na cidade. a banda rock andou à procura de uma carripana para poderem fazer os concertos. Encontraram uma muito especial:

.amarela florescente;

.faróis quadrados com luzes laranja;

.pneus em triângulos azuis;

.portas em círculos verdes;

.janelas com vidros coloridos;

.e no interior havia: WC, quarto, sala e cozinha.

      Os quatro amigos resolveram comprá-la e, lá foram todos contentes pela estrada fora. A meio do caminho resolveram parar e, ir fazer o almoço. O pássaro em vez de carregar no botão da mesa, abriu o chuveiro e tomaram um duche; com o susto o grilo carregou noutro botão e apanhou com a mesa na cabeça, quando pensavam sentar-se carregaram noutro botão e ficaram dentro do frigorífico. Já estavam todos desanimados quando...  
 

[Montemor nº3. Turma do 1º ano] 


A cabra Ricardina ao carregar nos botões certos (porque esteve atenta à explicação do vendedor) puderam fazer um delicioso almoço.

      Enquanto os quatro amigos comiam descansados na sua carripana, um telemóvel tocou: trim, trim,trim...

      O grilo atendeu com rapidez:

- Boa tarde! Quem fala?

- Oi! Sou o Lambão!

Ficam todos tão eufóricos ao ouvir a voz do cão que, querem todos falar

ao mesmo tempo:

- Onde estão? O que fazem? Como estão? Há novidades???

- Estávamos na ilha Arco-íris a explorar uma caverna quando, de

repente, escorregámos por uma fenda e viemos parar ao País dos Cães Raivosos. Estamos muito aflitos porque nos prenderam e precisamos que vocês nos ajudem. – grita a Lola.

- E como? – pergunta o Júnior

- Vão ter com o barbeiro e peçam-lhe para ele construir uma engenhoca

que os assuste –pede o Lambão, desesperado.

      Enquanto eles ficam presos na caverna os amigos tentam convencer o barbeiro a inventar uma solução. Ele pega em: latas, plástico, pregos, cartões, rolhas de cortiça e pilhas e começa a criar um robot  em forma de monstro: cauda de canguru, cabeça de águia, tronco de elefante e membros de chita.

      Foram experimentá-lo e como funcionava bem, meteram-se os cinco lá dentro e lançaram-se do cimo do Monte Maior. Com a força do vento, facilmente alcançaram a ilha.

      Quando era para aterrarem é que foi pior... 
 
[Montemor nº3. Turma do 2º ano]
Viram que se tinham esquecido de lhes fazer os travões. O robot cai de cabeça mesmo no meio dos Cães Raivosos. Eles assustaram-se - « iauu!!» e desataram a correr pela ilha fora e acabam por ir parar ao mar e com a aflição morrem afogados.

      O robot partiu-se aos bocados e os cinco ocupantes saíram e foram à procura do Lambão e da Lola. Encontraram-nos amarrados a uma rocha com um caldeirão a ferver por baixo.

      O barbeiro desviou o caldeirão enquanto o Júnior com o bico picou a corda até ela se partir. Agora já estavam soltos mas, tinham que descobrir uma saída.

- Vamos todos no pássaro. – diz o grilo.

- Nem pensar! Vocês são muito pesados! – responde o Júnior assustado.

- Então pomo-nos às cavalitas uns dos outros. – sugere a cabra.

- Não concordo, fico espalmada! – grita a rã.

- E se esticássemos a língua da rã para trepar? – perguntou o barbeiro.

- Boa ideia! Boa ideia! Vamos experimentar. – gritam todos.

A rã estica a sua língua de metro e meio e cada um vai tentando subir mas,

quando foi a vez do grilo Verde, a meio caminho escorregou e caiu dentro da boca da rã - “Che” não “foches” tu, até te comia!... – diz a rã de boca cheia.

Antes que ela reconsiderasse, o grilo consegue chegar rapidamente ao

cimo da ilha onde todos os outros amigos tinham conseguido chegar. Ali todos juntos e alegres, era momento para festejar a sua libertação.

      Foram buscar côco para lhe beberem o leite e tâmaras para comer. Para animarem a festa, fizeram um concurso para ver quem conseguia trepar mais alto às árvores. 


 

[Montemor-o-Novo nº2. Turma do 2º ano]

- O júri é o barbeiro! – decidiu o passarito Júnior.

- Pode, cada um, ocupar a sua árvore... um, dois, três; PARTIDA – grita

o barbeiro.

     Começaram todos ao mesmo tempo só que...Quando a cabra ia quase a chegar aos ramos... um côco desprende-se, bate-lhe na cabeça e ela volta ao princípio;

     A rã, como é muito pegajosa, subia cinco passos e escorregava três;

     O grilo viu-se muito aflito porque, como fazia muito vento, tinha dificuldade em agarrar-se à árvore;

     A cadela cada vez que trepava, caía sempre e batia com o focinho no chão;

     O cão ao rir-se da cadela, perdia as forças e não conseguia subir nem descer;

     O pássaro, julgando-se o vencedor do concurso, fez três voltas no ar e foi aterrar de bico no rabo do barbeiro. O “UI” ouviu-se no Polo Norte.

     Com tantas peripécias resolveram desistir do concurso e pensar como voltar às suas casas.

     Deram várias voltas à ilha para arranjarem troncos de árvores e lianas para construírem uma jangada. Depois de muito trabalho, conseguem o desejado transporte para os levar de volta. Embarcaram e fizeram-se ao mar!

     Entretanto, a jangada começa a tombar com o peso dos animais.

- A cabra que é a mais pesada, que vá a nado. - diz o grilo.

- Não concordo, o barbeiro é muito mais pesado que eu! – grita a cabra.

- Seus ingratos! É assim que me agradecem? – refila o barbeiro.

     A confusão foi tanta, empurravam-se uns aos outros, que a jangada acabou por de voltar e caíram todos ao mar. 


 

     [Montemor-o-Novo nº2. Turma do 1º ano]


O grilo Verde como não sabia nadar agarrou-se a uma pata da rã Raineta , mas, como era muito escorregadia, caiu à água várias vezes. Quando estava quase a afogar-se, o Lambão segurou-o por uma asa.



  • Aaaaai! Ia morrendo!... Salvaste-me a vida! – dizia o grilo a escorrer

água por todos os lados.

Entretanto o pássaro Júnior, com as penas todas encharcadas, tentou voar,

mas bateu na jangada e afundou-se. O barbeiro ao vê-lo mergulhou até ao fundo. Quando o conseguiu apanhar meteu-o no bolso e veio à superfície.

      A cabra Ricardina ao desequilibrar-se deu uma cornada na cadela. Esta, por sua vez, mordeu-a e, com toda a força, espetou os chifres num tronco, ficando a flutuar.

      O cão, com o esforço de nadar, dá um “pum” dentro de água e... começam a aparecer tantas bolhas que todos pensam ser um tubarão a persegui-los. Nadam com todas as suas forças e só quando estão perto de terra é que vêem que estão enganados.

 Finalmente com as patas no chão, agora já podem voltar para casa. Apanham boleia num camião cheio de ovelhas.

     Enquanto o barbeiro fala com o motorista os animais cumprimentam-se e a cabra descobre que elas são as suas primas. Ficam todos satisfeitos e convidam-nos para irem com elas a uma passagem de modelos na Barragem dos Minutos.

      A rã, como é muito elegante, ofereceu-se logo para desfilar, assim como, o grilo, o cão e o pássaro.

      Chegados ao local, foram preparar-se para fazerem publicidade à marca: «LÃVIRGEM». 

Montemor-o-Novo nº2. Turma do 3º ano]

A “passerelle” estava instalada no muro da barragem, toda enfeitada com fitas vermelhas e flores. A assistência ficava sentada em insufláveis coloridos e em nenúfares, no meio da água. 

      Quando o público começou a gritar para darem início ao desfile, as ovelhas apresentaram os seus lindíssimos fatos do novo estilista  Tio João.

 Entretanto, surge na “passerelle” a charmosa rã  que vestia um “top” e uma mini-saia cor-de-rosa florescente, com umas botas pretas e uma cabeleira ruiva. Ao ver no meio da barragem o Sapo ADSL, fica impressionada com a sua beleza. Desliza a toda a velocidade e vê-se sentada no colo dele.

      O pássaro apresenta-se num voo acrobático com um vestido de noite, um xaile amarelo com brilhantes e uma “capline” na cabeça; acaba por prender o vestido num poste de luz e... fica totalmente nu.

 A cabra dá continuidade ao desfile com um casaco de lã branco todo aberto para se poder apreciar um biquini verde alface e cuecas  fio dental; sendo muito aplaudida.

     O casal canino desfila em conjunto: o cão com uns “boxer” brancos aos corações vermelhos e um “papillon” com o mesmo padrão e a cadela com as orelhas presas a fazer de laço,  uns corsários à boca de sino e uma túnica; provocando bastante euforia na assistência.

     Quando o grilo desfila, com toda a sua elegância, uma camisola de gola alta vermelha muito justa e umas peúgas a condizer; tropeça numa pedra e vai cair no meio de um nenúfar.

     No final do desfile surgem todos com o famoso estilista Tio João e aproveitam para lançarem balões com convites para assistirem ao espectáculo da banda rock d’ Os  Santinhos e Douradinhos” no Rock-in-Rio. 

[ Montemor-o-Novo nº2. Turma do 4º ano]

A adesão ao convite para assistir ao concerto d’ Os Santinhos e Douradinhos” foi unânime e nessa noite o Estádio estava repleto de fãs entusiasmados.

Nos bastidores a algazarra e o nervosismo eram uma constante.

A Rã Raineta maquilhava com todo o seu profissionalismo cada membro da sua banda, enquanto o Tio João ajeitava folhos e brocados.

Ouve-se nos corredores o último aviso para entrar em palco…

Todos correm e colocam-se nos seus lugares. O pano abre. Os fumos sobem no ar; as nuances luminosas dão ao ambiente uma sensação de mistério.

“Os Santinhos e Douradinhos” iniciam o seu concerto.

D. Rã, num solo de guitarra eléctrica, deixa soltar um “Dó” ao partir uma unha pintada de verde alface.

O passarito liricamente solta a voz a céu aberto e entra em feedback com as colunas.

Mas mesmo com toda esta agitação e imprevistos, a multidão acompanha harmoniosamente o grupo nas suas melodias.

O concerto foi de arromba, um sucesso inesperado, o que lançou a banda internacionalmente no mundo artístico.

[São Cristóvão 1º, 2º, 3º e 4º anos]

A letra da canção mais famosa era a seguinte:
Para mim, tanto me faz

Que comas arroz doce ou ananás

Eu gosto de ti, como tu és

Beleza tão intensa…

Da cabeça aos pés.
És linda, bela como a Natureza

O meu hino perfeito à ecologia

Sopro de vento, mar, tenho a certeza

O meu tesouro, a minha harmonia.


Tantos concertos fizeram, que houve necessidade de tirarem uns dias de férias devido ao cansaço.

- Que destino de férias escolheremos nós? – Perguntou a Raineta.

- Ora, ouvi falar que o Monte Selvagem é óptimo! – Respondeu o Verduscas.

Então rumaram até ao Monte Selvagem. Puderam observar várias espécies de animais. Perto deste local presenciaram uma tirada de cortiça e o Júnior até quis subir uma escada e sentir de perto essa actividade. Visitaram também a Velha Luciana e o seu galo e o misterioso Príncipe com cabeça de cavalo. Lá estava ele feliz acompanhado da sua esposa e dos seus belos filhotes.

A rã Raineta quis montar um deles, o mais mansinho. Colocou os arreios e lá foi pelos campos fora:

- Catrapam, catrapam, catrapam…

- Como eu gosto de galopar e sentir este cheirinho a Primavera!

De repente… apareceu a Galinha medrosa, que como o nome indica, tinha medo de tudo e ao ver o cavalo a galopar ficou tão aflita, tão aflita, que até as penas ficaram em pé.


[Cortiçadas de Lavre. Turma do 1.º e 4.º anos]

Estava tão nervosa que começou a pôr ovos, parecia que nunca mais parava. Sete, oito, nove… Doze, treze, catorze… Dezoito, dezanove, vinte…

- Sou eu, o Príncipe com cabeça de cavalo… Não tenha medo, eu não faço mal a ninguém!

A galinha de ter feito tanto esforço, caiu para o lado, mais parecia um frango depenado.

A rã Raineta dava saltos em cima do coração da galinha, o Verdufas e o Júnior batiam as suas asas para circular o ar, mas os olhos continuavam fechados e a ave parecia morta.

-“Alguém precisa de ajuda?

Eu sou o galo Campeão,

Salvo qualquer donzela,

Com Problema no coração.”

Era o galo da Velha Luciana que andava por ali a passear e ao ver tanta agitação decidiu ajudar.

O galo olhou para a galinha medrosa, puxou dos seus pulmões, cantarolou com tanta força que todos os animais se assustaram e afastaram-se. Aproximou o seu bico, ao bico da galinha, e, fez respiração boca à boca.

A galinha estremeceu, abriu um olho e depois outro, levantou uma patinha e a outra, abanou o rabinho e passou a asa pela crista do galo.

- Obrigado, salvaste-me a vida!

- Eu?! Não fiz nada demais… Nunca ia deixar morrer uma galinha tão linda e gorducha, a mais linda de todo o Alentejo.

- Mais uma vez, obrigado por tudo. Eu não sei porque é que sou assim… Tenho medo de tudo e assustei-me de tal maneira que pensei virar canjinha.

- Sabes o que eu acho? Que precisas de alguém que te proteja! De alguém forte que te faça sentir segura. – disse o galo enquanto enchia o seu peito de ar, para parecer maior.

- Não é má ideia… Mas quem será que me quer proteger? – perguntou a galinha já toda corada.

O grilo e o passarinho começaram a cantarolar a música dos casamentos e a rã…

- Vamos lá a despachar esta história, que isto já está a ficar lamechas demais! Vocês vão casar e PRONTO! Eu vou tratar de tudo!

Quando olharam já o galo e a galinha tinham desaparecido. Ainda por cima, os nossos amigos tiveram que colocar num lugar seguro os vinte e três ovos que a galinha tinha posto, não fosse a dona do Monte Selvagem fazer uma boa omelete.

Afinal, aquelas férias que deveriam ser para descansar, estavam a dar uma grande “trabalheira”. Tinham agora que preparar um casamento e eram eles os grandes responsáveis pela música e animação da festa.

[Cortiçadas de Lavre. 2.º e 3.º anos]

- Aí, meu Deus!... Viemos nós para aqui descansar e ainda arranjámos mais coisas em que pensar! – queixou se o grilo.

- Também acho.- disse a rã aborrecida.

Na verdade, todos estavam muito desiludidos com aquelas férias. Com um ar de muito cansaço, deixaram-se cair no chão e ficaram em silêncio um bom bocado. Foi o pássaro quem quebrou os pensamentos:

- Meus amigos, já tivemos muito tempo para reflectir, agora é hora de agir.

Ouviram atentamente as ideias do Júnior. Decididos, puseram mãos à obra. Em primeiro lugar, foram esconder os ovos; isso era uma urgência. Não podiam pôr os ovos em qualquer lugar, pois eram muitos. Além disso, o local tinha que ser aconchegado, quentinho e confortável. Após uma curta exploração dos melhores sítios, colocaram os 23 ovos dentro de um velho forno de lenha que já não era utilizado há muito tempo. Ali ninguém os encontraria, seguramente.

Resolvido o problema dos ovos, era altura de se preocuparem com o desaparecimento da galinha e do galo.

Onde é que estarão? Para onde é que terão ido? O que lhes terá acontecido? Estarão bem? Estas e outras perguntas não saíam da cabeça dos três amigos.

- Escutem a minha ideia. – propôs o grilo com os olhos muito arregalados, sinal de que tinha tido uma ideia brilhante.

A rã Raineta e o pássaro Júnior ficaram muito quietos para ouvir o grilo:

- Vamo nos separar e cada um vai procurar numa zona do Monte Selvagem. O que vos parece?

- Boa ideia! – disseram os outros dois ao mesmo tempo.

- Só espero que não tenham saído daqui. – acrescentou o pássaro.

- Eu acho que não. Às tantas, só estão por aí escondidos atrás de alguma árvore para nos pregarem um susto. – sugeriu a rã.

[Escola EB1 – Foros de Vale de Figueira,

3º e 4º Anos (Turma B)]

Os amigos separaram-se e iniciaram as buscas. A rã Raineta foi procurar no lago dos crocodilos, porque se entendia com água, o pássaro Júnior iniciou um voo lento sobre as árvores do Monte Selvagem e o grilo Verdufas foi no tractor até casa das zebras. O grilo ia distraído no tractor quando, de repente, olhou para o lado e viu uma grila linda de morrer a dançar.



  • Eh pá! Que borracho! – disse o grilo.

Zás! Entusiasmado com o que tinha visto desequilibra-se cai do tractor e bate com a cabeça numa árvore. Ficou tão atordoado que até viu galinhas a andar à roda da cabeça.

  • Ai, ai, ai...a minha cabeça, já fiz um galo! – disse o grilo.

Olha outra vez, meio zonzo, e vê a grila Samba em pessoa mesmo ao seu lado. Não é possível devia estar a sonhar, mas eram galinhas que ele via ou será que não?!

A grila Samba, aproxima-se com jeitinho, e começa a fazer-lhe respiração boca a boca pois pensava que ele estava desmaiado.



  • Ah! Que bom! Fui para o céu? – pergunta o grilo- estou a sonhar? Até já me sinto melhor nem vejo as galinhas.

  • Que fazes aqui? - pergunta a grila Samba.

  • Procuro a galinha dos 23 ovos e o galo, que desapareceram. –disse o grilo.

  • Ah! Ei vi-os! Iam a passar com os pintainhos ao colo – disse a grila.

  • Onde ? – perguntou o grilo.

  • Perto do velho forno de lenha – disse a grila.

  • Tenho de chamar os meus amigos, mas ainda me dói tanto a carola! – disse o grilo.

  • Eu dou-te um beijinho e vais ver que ficas melhor e depois vamos os dois procurá-los- disse a grila.

Dito isto, a grila Samba, deu um beijinho muito grande ao grilo Verdufas, e este ficou tão radiante que de verde passou a encarnado e começou a cantar a canção de sucesso do grupo:

“Para mim tanto me faz

Que comas arroz doce ou ananás

Eu gosto de ti, como tu és.....”

A rã Raineta, que se encontrava por perto e o pássaro Júnior ouviram a canção e encontraram o amigo, transformado em encarnado por causa dos beijinhos da grila Samba.


  • Que te aconteceu?!- perguntaram os amigos.

  • Ai meu Deus! Acho que encontrei o amor da minha vida! –disse o grilo.

  • Então, ficaste a namorar e esqueceste-te que temos um objectivo a cumprir, não? – ralhou a rã - Temos de encontrar o galo e a galinha.

  • Não, eu já os vi- disse a grila Samba- ao pé do forno da lenha com muitos pintainhos ao colo.

  • Então vamos a correr para o forno da lenha, os ovos foram encontrados e os pintainhos já nasceram – disse o pássaro Júnior.

  • Rápido! ! - disse a rã Raineta.

E lá foram com o grilo Verdufas, muito apaixonado, agarrado a sua grila Samba.

(S. Mateus, turma do 3º e 4 º anos. )

Quando chegaram ao forno da lenha, os quatro amigos ficaram imóveis, espantados e emocionados com o que viram… o galo Campeão e a galinha medrosa cacarejavam de alegria ao ver o vigésimo terceiro pintainho a sair da casca. O «corococó» do galo foi tão grande que se ouviu em toda a região. A galinha desmaiou de emoção, mas logo despertou ao ouvir o primeiro «piu piu» do filho.

- Que fofura! – exclamaram em coro a grila Samba e a rã Raineta.

- É um belo rapaz! – gritaram o Verdufas e o Júnior cheios de alegria.

- Que nome é que lhe vão dar? – perguntou, curioso, o Júnior.

- Bem, ainda não sabemos…- responderam o galo e a galinha.

- E que tal Tomás? – sugeriu o Verdufas.

- Não… Antoninho é bem mais bonitinho! – retorquiu a Raineta.

A confusão instalou-se, pois não chegavam a um acordo quanto ao nome do pintainho. De repente, a mãe-galinha, com uma voz meiguinha, interrompeu- -os , dizendo:

- Para mim, tanto me faz que seja Antoninho ou Tomás. O importante é que seja bom rapaz!

O grilo, o passarinho e a rã não resistiram e começaram a cantar a famosa canção do grupo. Passados uns minutos, já todos cantavam e dançavam entusiasmados.

- Piu…Toni… piu… Toninho…- sussurrou o pintainho.

Corta! Parou tudo! Ficaram embasbacados ao ouvir o pintainho a fazer os primeiros sons. O nome estava decidido. Seria, então, Antoninho.

Ficou por contar o motivo do desaparecimento da galinha e do galo. Cá vai: então não é que casaram e foram passar a lua-de-mel à Alemanha, para assistir ao Mundial de Futebol 2006 e apoiar Portugal! Regressaram logo que souberam que os pintainhos estavam quase a nascer. Não pensem que os pintainhos ficaram sozinhos. A velha Luciana ficou a tomar conta dos ovos.

Acção! Continuando a história… Decidido o nome do último pintainho, a galinha e o galo resolveram baptizar os filhotes. Seguiu-se uma grande festança, que contou com a actuação dos «Santinhos e Douradinhos».

Passados dois dias, os «Santinhos e Douradinhos» partiram em «tournée» por todo o mundo. E sabem quem é que se juntou à banda? A grila Samba, que sambava como ninguém.

Assim termina a história com o famoso final feliz e…com muita música!


[Escola EB 2, 3 São João de Deus de Montemor-o-Novo, turma B do 5.º ano.]

Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal