Estado da arte 86-96; marilia data de entrada: 03/12/92



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JUVENTUDE

ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto. As relações educação e trabalho na escola do “não-trabalho” : o aluno-trabalhador e o professor 'não-trabalhador'. Porto Alegre, 1989. 315 p. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

ORIENTADOR(A): SOLARI, Carmen Lins Baia de.
DESCRIÇÃO:

Parte dos discursos genéricos legal e teórico sobre educação e trabalho e, passando pela prática concreta vivenciada em determinada comunidade escolar constituída por trabalhadores, procura chegar a um entendimento do real significado da "preparação para o trabalho" de modo que esta possa corresponder às reais necessidades do aluno e da escola em que o estudo se desenvolve. A teorização resultante, específica para a realidade dessa escola, objetiva: reestruturar seu programa de preparação para o trabalho de forma que possa ser significativo para alunos e professores; aprender a utilizar metodologia de trabalho adequada aos fins a que se propõe.


METODOLOGIA:

Pesquisa qualitativa, denominada de construção ou reconstrução, cujo problema principal consiste em saber como alcançar determinados objetivos e produzir determinados efeitos, pois a intenção é a injeção de informações na configuração do projeto. A escola estudada foi selecionada por adotar em seu plano de trabalho princípios gerais face a questão da preparação profissional, anunciando uma linha transformadora. A amostra constituiu-se em estudantes trabalhadores, que cursavam em 1987 a terceira série do segundo grau, sendo 37 do curso de Auxiliar de Administração e 16 do Programa de Preparação para o Trabalho (PPT), assim como professores e corpo técnico-administrativo. Para a coleta de dados utilizou-se de observações de aulas, do cotidiano da escola e dos processos de relacionamento; entrevistas e análise de documentos (Referencial Teórico da Escola, Plano Global da Escola, Programa de Implantação da Lei 7044/82, atas da Escola e trabalhos dos alunos).


CONTEÚDO:

Tem por objetivo chegar a um entendimento real do significado da "preparação para o trabalho", analisando a relação educação e trabalho sob dois pontos de vista: 1) o da escola (pública e noturna), seu discurso teórico e sua prática de ensino e 2) os aspectos sócio-econômico-político-culturais do estudante trabalhador (matriculado em curso profissionalizante). Apresenta, inicialmente, o referencial teórico na qual se aborda a sociedade e a escola brasileira, com ênfase no modo de produção e na estrutura social capitalista, uma revisão geral do estado da arte relativo a questão da relações educação/trabalho, bem como a legislação pertinente. Também enfoca a conceituação da educação e trabalho que norteou a análise do entendimento e da postura da escola pesquisada.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

A escola estudada não foge a regra no que se refere aos aspectos contraditórios de uma preparação para o trabalho. Ela exclui o aluno de seu interior e não auxilia aquele que nela permanece no processo de construção de sua identidade, como pessoa e integrante da classe trabalhadora. Não permite ao trabalhador-aluno a apropriação dos princípios teóricos e metodológicos explicativos de suas atividades laborais e nem mesmo prepara estritamente para o trabalho por meio dos cursos de habilitação. Assim a escola deve construir sua identidade - escola da classe trabalhadora -, negando a unilateralidade e construindo sua existência omnilateral. Ficou evidente que nada na área legal ou no planejamento do órgão central tolhe ou cerceia algum tipo de iniciativa, sendo que cabe a escola o esforço para as mudanças. Esta deve resgatar a face positiva da escola e do trabalho, buscando um salto qualitativo. A instrução politécnica, respaldada na pedagogia marxista, encontra limitações numa sociedade capitalista em que a lógica do capital prescinde do homem omnilateral e politécnico, como também pela carência de recursos humanos e físicos, que acabam ate inviabilizando a proposta de profissionalização da legislação vigente. O anúncio de uma utopia na educação do trabalhador voltado para o interesse de classe exige o reconhecimento e a efetivação da necessária autonomia da escola, juntamente com as condições imprescindíveis que lhe possibilitem firmar uma clara concepção de educação, de trabalho e da relação entre ambos, entendendo essas categorias em suas relações histórico-conjunturais.


Inclui bibliografia.

ABRAMOWICZ, Mere. Avaliação da aprendizagem : como trabalhadores estudantes de uma faculdade particular noturna vêem o processo em busca de um caminho. São Paulo, 1990. Tese (Doutorado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

ORIENTADOR(A): FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa.
DESCRIÇÃO:

Procura desvelar a percepção que os trabalhadores-estudantes de uma faculdade particular noturna têm do processo de avaliação da aprendizagem a que estão submetidos.


METODOLOGIA:

Abordagem qualitativa desenvolvendo um estudo de caso em uma faculdade particular na cidade de São Paulo. Para conhecer a instituição escolar foi realizado uma análise documental e uma entrevista com o diretor-fundador. Como instrumento principal foi utilizado um questionário que foi aplicado em 183 alunos do primeiro ao sexto semestre do curso de pedagogia noturno. Também os professores responderam a questionários.


CONTEÚDO:

Estudo de caso que tem como foco o processo de avaliação de aprendizagem, tal como é percebido por trabalhadores-estudantes de uma faculdade particular noturna da cidade de São Paulo. Foram aplicados questionários de avaliação da aprendizagem a professores e candidatos ao vestibular da faculdade. Muitas publicações sobre evasão e repetência reduzem os adolescentes a números que camuflam o drama humano vivenciado pelos repetentes e excluídos da rede pública de ensino brasileiro. A importância de ouvi-los surgiu no momento que participavam de um projeto extra-classe - um clube de ciências e cultura. A percepção que os trabalhadores-estudantes tem da avaliação da aprendizagem enfatiza o aspecto de controle e produto; da mesma forma a problemática da qualidade de ensino vem embricada com a avaliação da aprendizagem, que aponta para a desqualificação do ensino, a fragmentação e o "aligeiramento". Percebe-se ainda a dimensão de processo, da avaliação da aprendizagem, através da problemática da participação. Destaca-se também a carga emocional que acompanha toda avaliação. Os dados remetem a um autêntico retrato dessa escola superior particular noturna. Enfatiza-se a necessidade e importância de contextuar a avaliação em condições mais amplas, capazes de apreender as contradições da realidade.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

A percepção que os trabalhadores-estudantes têm da avaliação da aprendizagem enfatiza o aspecto de controle e produto; da mesma forma a problemática da qualidade de ensino vem embricada com a avaliação da aprendizagem, que aponta para a desqualificação do ensino, a fragmentação e o "aligeiramento". Percebe-se ainda a dimensão de processo, da avaliação da aprendizagem, através da problemática da participação. Destaca-se também a carga emocional que acompanha toda avaliação. Os dados remetem a um autêntico retrato dessa escola superior particular noturna. Enfatiza-se a necessidade e importância de contextuar a avaliação em condições mais amplas, capazes de apreender as contradições da realidade.


Inclui bibliografia.

ACIOLI, Márcia Hora. Da casa invisível à escola inevitável : um estudo sobre movimentos simbólicos dos meninos e meninas de rua da rodoviária de Brasília. Brasília, 1995. 211 p., il. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade de Brasília.

ORIENTADOR(A): SÁ, Laís Maria Borges de Mourão.
DESCRIÇÃO:

O eixo da reflexão consiste na tomada da esfera pública como lugar de morada das crianças e adolescentes e a complexidade anunciada por esta nova ordem social. O estudo pretendeu levantar subsídios teóricos para novas reflexões e práticas pedagógicas que garantam às crianças em situação de risco, uma educação de qualidade.


METODOLOGIA:

Trata-se de pesquisa etnográfica que obteve dados a partir de observações informais e do registro de conversas com a população estudada. As informações e os dados da pesquisa, bem como as impressões do pesquisador, foram registrados no diário de campo. Foi investigado um grupo de meninas e meninos, moradores ou freqüentadores da Rodoviária de Brasília, somando por volta de 20 a 25 indivíduos de idade entre 8 e 19 anos. O trabalho de campo foi realizado no período de novembro de 1994 a abril de 1995.


RESUMO:

O estudo investigou a transferência simbólica realizada por meninos e meninas de rua do espaço doméstico para o lugar público e a noção de educação subjacente às práticas sociais. Foi feita uma incursão etnográfica pela cultura do mundo da rua, mais precisamente das crianças e adolescentes que organizam suas vidas na rodoviária da cidade de Brasília. O rito social que norteou o estudo é o movimento que a criança ou o adolescente faz de incorporação a galera (grupo da rua) como movimento de iniciação, portanto o momento de aquisição de novos papéis e novo lugar social. A ambigüidade apareceu como marca da vida de rua e a ocultação é perseguida incansavelmente nas suas mais variadas possibilidades, da concreta à simbólica. A educadora da rua é, por sua vez, todo o sistema de socialização que vai garantir aos sujeitos a ela submetidos a autonomia necessária para organizarem a vida no contexto adverso e inóspito que é o mundo da rua.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Observou-se que a busca da autonomia e da liberdade direciona os meninos e meninas estudados a uma reordenação do mundo, cujos elementos estruturantes são: a) espaço como lugar de conquista e construção simbólica; b) identidade como construção coletiva coerente com o mundo que os cerca; c) autoridade como liderança reconhecida pelo coletivo; d) travessias como rituais de movimento social e/ou individual; e) currículo como repertório mínimo de conhecimentos que permite a aquisição da autonomia e a conquista da liberdade. Os meninos e meninas buscam, no espaço público, a possibilidade de experimentar livremente a vida. No entanto são bastante dependentes das necessidades vitais, sem que percebam ou admitam isto, talvez porque precisem enormemente suprir esta necessidade ao reconstruir o espaço doméstico no espaço público. Neste momento novas organizações familiares são iniciadas e sofrerão, adiante, novas rupturas.


Inclui bibliografia.

AFONSO, Maria Lúcia Miranda. A polêmica sobre adolescência e sexualidade. Belo Horizonte, 1997. 216 p. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais.

ORIENTADOR(A): MIRANDA, Glaura Vasques de.
DESCRIÇÃO:

Busca compreender de que forma as representações e identidades de gênero modificam o acesso, a procura, a compreensão e o uso da informação sobre sexualidade e contracepção entre adolescentes.


METODOLOGIA:

Foi realizado um “survey” com aplicação de questionários a 387 estudantes de idade entre 14 e 20 anos, distribuídos eqüitativamente entre os dois sexos, em 25 escolas da rede pública e particular de Belo Horizonte, escolhidas por sorteio. Os dados receberam tratamento estatístico.


CONTEÚDO:

Pesquisa sobre a relação entre representações sociais de gênero e nível de informação sobre sexualidade e vida reprodutiva. As diferentes concepções expressas pelos jovens são identificadas com os discursos sobre sexualidade e vida reprodutiva difundidos a partir dos anos 60 em nossa sociedade. Observou-se que as representações igualitárias de gênero estão positivamente associadas a maior índice de informação. Os jovens de nível sócio-econômico alto, sobretudo as mulheres, são os que mais enunciam representações modernizantes e apresentam domínio de maior quantidade de informação, enquanto os homens de nível sócio-econômico baixo e vinculados a uma religião apresentam uma menor tendência para representações modernizantes. O “discurso bem informado” é parte de um discurso modernizador sobre a sexualidade e a vida reprodutiva, sendo instrumento de “planejamento racional” desta última e de luta pela autonomia do sujeito.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Concluiu-se que as representações igualitárias de gênero estão positivamente associadas a altos índices de informação, o que é coerente no interior de um “discurso bem informado” que defende o maior controle do indivíduo sobre seu corpo e vida reprodutiva e que está vinculado a emergência do individualismo como visão de mundo. A geração atual de adolescentes está diante de uma transformação das instituições e discursos sobre a sexualidade, das condições técnicas do controle da reprodução e dos valores envolvidos nas relações de gênero e na organização familiar. Eles se vêem as voltas com os dilemas gerados não só entre uma postura hierárquica e outra igualitária, mas também aos desdobramentos que o igualitarismo pode trazer a partir de sua associação - ou não- ao individualismo.


Inclui bibliografia.

AGUIAR, Elaine Puntel Ribas de. O imaginário cultural moderno e a constituição do sujeito adolescente : contribuição ao estudo da adolescência através da análise de uma revista feminina. São Paulo, 1998. 165 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.

ORIENTADOR(A): SOUZA, Maria Cecília Cortez Christiano de.
DESCRIÇÃO: Analisa o conteúdo de uma revista feminina em particular - "Capricho" - a fim de compreender a dimensão psíquica envolvida na relação que as adolescentes estabelecem com esse tipo de mensagem; Verifica se o imaginário criado pelas revistas femininas contribui para a constituição da adolescente enquanto sujeito.
METODOLOGIA:

Foram analisados exemplares da Revista "Capricho" a fim de caracterizar seus elementos centrais, com a ajuda da análise estrutural.


CONTEÚDO:

A pesquisa investiga as revistas femininas em geral, e a revista "Capricho" em particular, buscando identificar os elementos centrais presentes nesse tipo de leitura e sua relação com a dimensão psíquica das adolescentes, que constituem seu público-alvo. São discutidas alguns tópicos centrais: a indústria cultural e o segmento feminino, o histórico das revistas femininas no Brasil e o conceito de adolescência em geral e na Psicologia. Observou-se que os conteúdos veiculados pela revista banalizam o comportamento, as relações amorosas e sobretudo o sexo, dando a impressão de que a adolescência é um período sem conflitos, no qual se pode legitimamente exigir prazer e satisfação imediatos. Há a imposição de um modelo único de beleza e de moda, que contribui para uma visão estereotipada do que é ser mulher.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Concluiu-se que a Revista "Capricho" difunde padrões de consumo e de comportamento homogeneizadores e promove a idéia de uma adolescência sem conflitos, onde a busca do prazer e da felicidade imediata é legítima. Somente quando a jovem consumidora vivencia uma tensão diante do imaginário cultural apresentado pelas revistas é que ela se depara com a possibilidade de tornar-se sujeito.


Inclui bibliografia.

ALMEIDA, Elisabeth Gomes de. Na relação escola-trabalho, o sonho que ainda permanece : um estudo sobre a representação que alunos da suplência II da rede municipal de ensino fazem da socialização escolar. São Paulo, 1993. 97 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.

ORIENTADOR(A): GOMES, Jerusa Vieira.
DESCRIÇÃO:

Busca identificar as representações que os alunos do ensino de suplência elaboram a respeito da socialização escolar, sobre o enfoque de relação escola-trabalho.


METODOLOGIA:

Optou-se por realizar a pesquisa com um grupo de alunos que estivessem matriculados e cursando o último semestre (4º termo) do curso de suplência II em uma escola da rede municipal de ensino na zona Leste da cidade de São Paulo. A obtenção de informações junto aos alunos foi viabilizada, num primeiro momento, através de um questionário aplicado em outubro de 1991 a 70 alunos, de uma população total de 100. Em agosto de 1992, houve um retorno a escola e novamente aplicou-se o questionário a 23 alunos de uma turma diferente do termo 4. Dentro desse grupo, selecionou-se 12 alunos para uma entrevista semi-estruturada.


CONTEÚDO:

Procura identificar as representações que os alunos do ensino de suplência elaboram a respeito da socialização escolar, sobre o enfoque de relação escola-trabalho. Concluiu-se que a maioria dos estudantes trabalha em atividades do comércio e prestação de serviços, em ocupações de baixo prestígio social, que o adulto que trabalha é diferente do aluno mais jovem que procura trabalho, pois o primeiro sabe dizer o que espera da escola e no que ela pode beneficiá-lo, enquanto o outro espera que a escola proporcione condições de superar as dificuldades impostas pela concorrência no mundo do trabalho. Os depoimentos estão nitidamente povoados por afirmações que compreendem a necessidade social de identificação, afirmação e prestígio, sendo a ascensão social o objetivo final a ser alcançado. Para os alunos, a escola desenvolve habilidades que serão básicas para posterior conhecimento.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

A maioria dos estudantes trabalha em atividades do comércio e prestação de serviços, em ocupações de baixo prestígio social. Além disso, o adulto que trabalha é diferente do aluno mais jovem que procura trabalho, pois o primeiro sabe dizer o que espera da escola e no que ela pode beneficiá-lo, enquanto o outro espera que a escola proporcione condições de superar as dificuldades impostas pela concorrência no mundo do trabalho. Os depoimentos os alunos estão nitidamente povoados por afirmações que compreendem a necessidade social de identificação, afirmação e prestígio. A ascensão social constituiu-se como objetivo final a ser alcançado. Segundo os alunos, a escola de primeiro grau não desenvolve o conhecimento técnico almejado, mas sim habilidades que serão básicas para posterior conhecimento. Afirmam também que na escola aprendem a tratar bem as pessoas, a defender seus direitos e a entender e discutir vários assuntos. O esforço como garantia do sucesso e ausência de fracasso é ingrediente constante na fala dos alunos quando justificam seu modo de ver o mundo ("ascensão pelo esforço"). Uma das formas de ação da escola pode ser a de levar os alunos a conhecer os mecanismos que a constituem para que eles visualizem as realidades parciais, integrando-a de modo a se posicionarem no mundo. A educação, embora não tendo poder de modificar a realidade social, pode equacionar recursos e objetivos, colaborando no sentido de sua própria compreensão sociológica enquanto um dos fatores de progresso social.


Inclui bibliografia.

ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. O Projeto Noturno : incursões no vivido por educadores e alunos de escolas públicas paulistas que tentaram um jeito novo de caminhar. São Paulo, 1992. 212 p. Tese (Doutorado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

ORIENTADOR(A): MAHONEY, Abigail Alvarenga.
DESCRIÇÃO:

Busca compreender o significado do Projeto Noturno a partir das impressões dos sujeitos envolvidos nessa experiência (diretores, coordenadores, professores e alunos), considerando ser essa uma proposta de reestruturação do ensino na qual coube a cada escola e sua equipe elaborar e efetivar seu próprio projeto.


METODOLOGIA:

Pesquisa qualitativa realizada por meio de entrevistas semidirigidas (individuais e coletivas), coleta de depoimentos e análise de discurso. Adota a linha de investigação proposta por Amedeo Giorgi, a qual estabelece relações entre os embasamentos fenomenológicos e os procedimentos de pesquisa na área da psicologia.


CONTEÚDO:

Adotou como universo de pesquisa algumas escolas que participaram, com êxito, do Projeto Reestruturação Técnico-Administrativa e Pedagógica do Ensino de 1º e 2º graus da rede estadual, Projeto Noturno, implantado pela Secretaria da Educação de São Paulo em 1984. A coleta de dados, ocorrida nos últimos quatro meses de 1986, foi realizada por meio de entrevistas e questionários destinados a diretores, coordenadores, professores e alunos. Conclui destacando que a análise dos depoimentos revelou a trama das relações interpessoais que se estabeleceu no interior das escolas, como conseqüência da forma de apresentação do Projeto pela Secretaria. Revelou, também, que cada escola desenvolveu seu próprio projeto pedagógico, tendo as relações interpessoais desempenhado importante papel na realização das intenções propostas.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Houve uma mudança profunda e total na política dos relacionamentos interpessoais dos sujeitos envolvidos nas experiências bem sucedidas do Projeto Noturno. Essas conseguiram abranger toda a escala de relações existentes dentro do universo escolar, fazendo com que professores e alunos passassem por um processo de aprendizagem significativa, baseada na qualidade do envolvimento pessoal, a qual modificou profundamente as atitudes e provocou a formação de novos valores de convívio. Considera que o verdadeiro ganho do Projeto Noturno está no fato de ter possibilitado a construção de uma nova identidade aos que dele participaram com sucesso.


Inclui bibliografia.

ALVARIM, Vânia Maria de Souza. Escola noturna : sonhos e lutas dos trabalhadores. Niterói, 1992. 187 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal Fluminense.

ORIENTADOR(A): LINHARES, Célia Frazão Soares.
DESCRIÇÃO:

Estuda as "cosmovisões" existentes em uma determinada escola, para descobrir o cotidiano escolar a partir da categoria trabalho, e, através da análise crítica dos discursos existentes neste cotidiano, desvenda os valores internalizados nos indivíduos que o vivenciam.


METODOLOGIA:

Procura adotar, a princípio, a pesquisa participante como instrumento metodológico, mas algumas limitações impediram o uso desta metodologia. Pesquisa desenvolvida de 1990 a 1991 numa escola supletiva da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, articulada à pesquisa "Autonomia Universitária e Formação Docente para os Trabalhadores", coordenada pela professora Célia Linhares. A coleta de dados foi realizada através de entrevistas com alunos, professores, coordenadoras e diretora-adjunta, além de observação de aulas de alfabetização. Através destes dados procura analisar discursos verbais e não verbais, procurando encontrar valores internalizados nos indivíduos que vivenciam o cotidiano escolar. Para a análise foi priorizada a visão do trabalho dos alunos e dos professores.


CONTEÚDO:

Procura detectar as concepções existentes no processo de ensino-aprendizagem escolar, relacionando-o às questões do trabalho e do trabalhador, buscando configurar as "cosmovisões" que informam o cotidiano escolar e, através de um análise crítica dos discursos existentes neste cotidiano, desvendar os valores internalizados nos indivíduos que o vivenciam. Remete-se a teoria marxista como referencial teórico. Procura analisar discursos verbais e não verbais, para encontrar valores internalizados nos indivíduos que vivenciam o cotidiano escolar. Prioriza a visão do trabalho dos alunos e dos professores. Conclui que a escola não só expressa, reforça e contribui a naturalização e internalização das relações sociais vigentes, mas também é um espaço sociocultural, onde seres semelhantes, com ideais e histórias de vidas similares, podem se encontrar e ampliar os vínculos de solidariedade e até assumirem-se como sujeitos coletivos e pessoais. Aponta para a necessidade de se repensar os cursos de formação de professores, levando-se em conta a especificidade do alunado das escolas noturnas em grande parte formado por trabalhadores.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

As relações existentes na escola seguem uma linha de conduta hierárquica, controladora e centralizadora, tendo na figura da diretora-adjunta um referencial de ação. As coordenadoras realizam um trabalho estritamente burocrático. Alunos e professores do período noturno são privados de parte do espaço físico da escola e de recursos didáticos. Os alunos do noturno não tem acesso a biblioteca e a sala de audiovisual. Os argumentos apresentados pela diretora-adjunta demonstram discriminação com relação aos alunos do curso supletivo. A diretora acredita que disciplina e obediência a regras, e deve valer para professores e alunos. A escola é considerada pelo aluno como um importante espaço de socialização. Verificou a ausência de prazer no trabalho do professor, o que prejudica a relação professor-aluno. Percebeu "vaga-lumes" de resistência, que apontam para a existência de outras concepções do trabalho escolar circulando na escola, apesar de não serem, ainda, hegemônicas. Recomenda repensar a formação do professor, a estrutura e funcionamento da escola noturna, levando em consideração as características dos alunos, em especial das séries iniciais. Nesta formação devem ser revistas concepções de ensino-aprendizagem vigentes e serem articuladas questões macrosociais. Os professores devem criar centros de estudos no interior das escolas.


Inclui bibliografia.

ALVES, Magda Anachoreta.



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