Estratégias de ensino a distância por meio da internet



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ESTRATÉGIAS DE ENSINO A DISTÂNCIA POR MEIO DA INTERNET

1. INTRODUÇÃO

Um grande avanço na relação entre educação e tecnologias deu-se por meio do

surgimento da Internet. Por meio desta tecnologia, o Ensino a Distância - EAD e a sala de aula tradicional se abriram para novos canais de comunicação, onde professores e alunos tiveram a possibilidade de se interagirem por meio de e-mails, listas de discussões, fóruns e Chat, por exemplo.


A utilização deste recurso como tecnologia na educação cresceu acentuadamente entre as instituições de ensino a distância. Para se ter uma idéia, segundo dados do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância - ABRAEAD (2006) o e-learning (Internet), no ano de 2005, correspondeu a 62,2% das mídias mais utilizadas nas instituições de ensino da modalidade EAD no Brasil, destacando que este recurso foi o segundo mais utilizado neste período.
O fato é que as primeiras mídias utilizadas no ensino a distância, tais como os

correios, o rádio e a televisão, estão dando espaço para a utilização de tecnologias de

multimídia e da Internet, pois, como coloca Veiga et al (1998 apud TESTA & SCHULER, 2000), por meio destas tecnologias é possível aliar uma maior interatividade ao som, à imagem e ao texto.
Tudo isso acarreta impactos sobre estratégias de ensino em diversos campos de conhecimentos, inclusive da contabilidade. Sobre o assunto, Cornachione Jr. (2001 apud KRAEMER, 2003), destaca que sob este novo paradigma, o ensino da contabilidade passa a contemplar novas realidades, novas potencialidades derivadas de mídias alternativas, da conectividade que assola a humanidade atualmente, abordando aspectos da tecnologia da educação e seus impactos no ensino e aprendizagem relativos à Contabilidade.
Em detrimento a este fenômeno, corroborando com as conclusões do trabalho de Nossa (1999), ainda hoje a maioria dos docentes em contabilidade apresentam baixo

desempenho na execução de suas funções acadêmicas, sendo poucos, por exemplo, os que têm titulação de Doutorado em Contabilidade. Dessa forma, o papel dos educadores em contabilidade deve ser repensado e, novas estratégias de ensino devem ser produzidas, para 2 que os futuros profissionais formados sob esta nova ótica educacional consigam atingir os objetivos em suas atividades profissionais que, “é de fornecer um conjunto de relatórios financeiros para usuários indeterminados com relação à riqueza ou transações econômicas da empresa” (HENDRIKSEN E BREDA 1999, p.120).


Sendo assim, objetivando contribuir com a qualidade no ensino contábil na perspectiva do ensino a distância, este trabalho pretende responder a seguinte questão: Que estratégias de ensino mediado pela Internet podem ser aplicadas à contabilidade, de forma que se consiga obter êxito na formação de novos profissionais com qualidade igual ou até superior ao ensino tradicional?
O objetivo geral do presente estudo é perquirir e analisar as possíveis aplicabilidades

das ferramentas proporcionadas pela Internet, com intuito de otimizar a apropriação do conhecimento por parte do aluno. O proceder metodológico utilizado para a consecução da pesquisa foi o dedutivo, utilizando-se de técnicas de pesquisa bibliográfica e documentação indireta, cujo formato configurou-se como exploratório-descritivo.


O trabalho justifica-se, pois, com a presença constante da Internet no cotidiano da

sociedade, utilizar-se das ferramentas proporcionadas por ela para formar novos profissionais de contabilidade teria relevante contribuição à profissão, dinamizando e flexibilizando o método de estudo.


2. ENSINO A DISTÂNCIA

De acordo com Versuti (2006) inicialmente, o ensino a distância foi conceituado pelo

que ele não era, e não por suas características próprias. Neste sentido era fácil observar as comparações feitas da EAD com a modalidade de ensino presencial, conceituação esta que dá apenas um entendimento parcial do que vem a ser ensino a distância.
Somente a partir das décadas de 70 e 80 o ensino a distância foi sendo definido por

suas características próprias, destacando, como colocou Cavalcante (2006), que a educação a 3 distância é uma modalidade de ensino específica e não concorrente com o ensino presencial. (informação verbal)2


Por meio desse comportamento, foram sendo estabelecidas conceituações mais

científicas, apontando o que estudos mais recentes mostram, ou seja, definições que, se não homogêneas, são mais precisas, tais como as de G. Dohmem (1967), M. Moore (1973), B.


Holmbergue (1977), e O. Peters (1973) conforme figura no estudo de Keegan (1991 apud Nunes, 1994), descrito a seguir.
Sob este entendimento G. Dohmem (1967 apud NUNES, 1994, p. 06) conceitua o

ensino a distância enfatizando a existência da separação física entre professor e aluno, de forma que:


Educação à distância (Ferstudium) é uma forma sistematicamente organizada de autoestudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível de ser feita a distância através da aplicação de meios de comunicação capazes de vencer longas distâncias. O oposto de “educação à distância” é a “educação direta” ou “educação face a face”: um tipo de educação que tem lugar com o contato direto entre professores e estudantes.
Esta definição leva ao entendimento básico que distingue o ensino a distância do modelo tradicional (o ensino presencial), que é a separação física e/ou temporal entre

professor e aluno.


Já Moore (1973 apud NUNES, 1994, p. 06) destaca outro ponto que contribui para uma melhor definição de ensino a distância, enfatizando que os métodos instrucionais são executados a partir das ações dos alunos, de forma que “neste sentido, a comunicação entre o professor e o aluno deve ser facilitada por meios impressos, eletrônicos, mecânicos ou outros”.
Isto demonstra que a ausência de interação gerada pelo distanciamento entre professor e aluno provoca a necessidade de utilização de Tecnologias de Informação e de Comunicação – TIC’s eficientes e eficazes, de forma que ocorra comunicação em via de mão dupla com o objetivo de aperfeiçoar a difusão do conhecimento esperado.
2 Informação fornecida por Cavalcante durante palestra apresentada em comemoração ao Dia Nacional da Educação a Distância: O papel do professor na EAD. Recife, 24 de novembro de 2006 – SENAC:

PE.


4
Para B. Holbergue (1977 apud NUNES, 1994, p. 06) o destaque é a presença da

organização de ensino na educação à distância, colocando que:


(...) o termo educação à distância esconde-se sob várias formas de estudo, nos vários níveis que não estão sob a contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura ou no mesmo local. A educação a distância se beneficia do planejamento, direção e instrução da organização de ensino.

Neste contexto, é notável que apesar do professor ainda ter papel fundamental no

processo educacional, a EAD promove a necessidade de atuação de outros profissionais, tais como animadores, programadores e designers, por exemplo.

E por ultimo, O. Peters (1973 apud NUNES, 1994, p. 06) destaca que a educação a

distância é uma forma industrializada de ensinar e aprender, colocando que: (...) é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto quanto pelo uso extensivo de meios de comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto esses materiais durarem.
Isso demonstra o fato de que a produção de novas TIC’s requer forte influência de

uma organização educacional e participação de uma forma industrializada de educação, de maneira que assistir na televisão um programa educativo, ou acessar a Internet não constitui educação à distância, sem que haja planejamento, sistematização, plano, projeto e organização dirigida, por exemplo.


2.1. Evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação para o Ensino a Distância e a Internet
No início, a Educação a Distância no Brasil era mediada por meio da utilização de

radio e de cartas, tanto que seu inicio se deu com as radio difusoras, como a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923, fundada por Roquete Pinto. Vale salientar que nesta época a 5 EAD era vista como um modelo de educação aberta, supletiva (substituta do ensino presencial) e de iniciação técnica, sem a participação das universidades.


Após este primeiro momento, até a década de 90, a Educação a Distância no Brasil foi se transformando num somatório de materiais impressos, programas de rádio e de televisão.
Dessa forma, ao mesmo tempo em que continuaram sendo oferecidos os cursos por

correspondência, foram também sendo desenvolvidas atividades via rádio e via rede aberta de televisão, na qual o indivíduo seguia um predeterminado curso com interação relativamente pequena com a instituição produtora.


A partir da década de 90, o Brasil começou a vivenciar uma nova era para a Educação

a Distância. Nesta época, começou a ficar disseminada no meio educativo a utilização de TV a cabo e via satélite, o computador para uso em rede local, as vídeos-aula, os disquetes, as teleconferências (via satélite), as redes digitais e as videoconferências.

Foi também por volta da metade dos anos 90 que as Instituições de Ensino Superior -

IES brasileiras, por meio do reconhecimento legal desta modalidade de ensino, mobilizam-se para a EAD, coincidindo com o uso das novas TICs, tais como a Internet.


Atualmente a Internet como meio de mediação para o ensino à distância, é fortemente

utilizada isto porque a atratividade que esta tecnologia traz, como a utilização de bate-papos, textos de voz, fóruns correios eletrônicos e listas de discussões, dispõe de uma maior interação e interatividade e facilidade para o ensino.


A Internet permite aos alunos e professores trocarem informações em tempo real, ou

seja, quase sem espera, tal como ocorre em conversas face a face e em ligações telefônicas,tais como os "bate-papos" de texto e de voz (ferramentas síncronas) e em tempo não real, ou seja, entre o envio de uma mensagem e seu recebimento pode haver um distanciamento temporal, tal como ocorre com os e-mails e fóruns (ferramentas assíncronas).


O fato é que por meio da Internet é possível aliar uma maior interatividade ao som, à

imagem e ao texto, tanto por meio de ferramentas síncronas e/ou assíncronas. 6


3. CONTEXTUALIZAÇÃO DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Na estruturação do conteúdo de um curso com as características da Ciência Contábil

deve ser identificado inicialmente, o perfil do profissional que se deseja formar diante das exigências do mercado.
Tendo em vista tratar-se de uma ciência social e, aplicada a preocupação com o

mercado é uma constante, pois as entidades necessitam de um profissional com o perfil que possa atender às demandas sociais e de mercado. Dessa forma, a proposta pedagógica de um curso de natureza utilitária que tem por finalidade o controle patrimonial das entidades como um todo e, por objetivos a geração e comunicação de informações, das mais diversas naturezas (financeira, econômica, física e de produtividade), aos mais diversos interessados (pessoas físicas e jurídicas), sobre a situação e performance dos patrimônios administrados (privados e públicos), com o fim de auxiliá-los (os interessados) em seus processos de avaliação e tomada de decisão, diminuindo os seus níveis de insegurança, deve visar a sintonia do mundo acadêmico com o mercado de capitais e, consequentemente as tecnologias nele existentes.


A contabilidade abrange tanto as organizações sem fins lucrativos quanto as empresas públicas e privadas. Por esta razão é concebida como um sistema de informações, responsável por captar eventos econômicos ocorridos, sob a forma de dados que após tratamento contábil, dará saída a informações com características de utilidade aos seus usuários.
A profissão contábil se caracteriza pela real demanda e, absorção certa de seus

profissionais no mercado de trabalho. Assim, é essa característica é que define o perfil do aluno do curso de Ciências Contábeis como aluno trabalhador, na maioria das situações já inserido no mercado de trabalho antes mesmo da conclusão do curso universitário.


Outro ponto a ser salientado é a função social que a Educação a Distancia promove,

uma vez que reduzindo distancias é possível levar o conhecimento contábil a áreas onde existe escassez de professores capacitados e atualizados para a docência.


Porquanto estar sintonizado com as novas tecnologias de informação e comunicação

(TIC´s) torna-se parte essencial na estrutura curricular e nos perfis dos alunos e dos

professores que atuam ou atuarão nesse mercado tecnológico. 7
4. O PERFIL DO ALUNO E PROFESSOR PARA O ENSINO A DISTÂNCIA POR

MEIO DA INTERNET

4.1. Quanto ao Professor

Segundo Cruz (2001) o fim do professor tem sido anunciado há bastante tempo por

alguns teóricos defensores de uma completa autonomia do estudante à distância.
Esta idéia teve reflexo no início da história da EAD que, de acordo com o que expôs Abranches (2006), no início o professor desapareceu dentro do processo ensino-aprendizagem. (informação verbal)3
Porém esta idéia ao longo do tempo foi mudando e, ao contrário, foi se observando

que há extrema necessidade do professor para o modelo EAD, apesar de seu papel ter se adaptado a esta nova realidade.


O professor perdeu sua centralidade e seu status profissional, pois este deixou de ser a figura principal do processo educacional, e em decorrência disto passou a procurar outros meios de poder acompanhar uma “sala de aula virtual”.
Com isto, a relação entre o chamado “professor conteudista” e o “professor-tutor”

tornou-se essencial para o desenvolvimento da EAD, sendo o primeiro responsável por elaborar materiais didáticos (conteúdos), enquanto que o segundo, por ser um personagem de interação com os alunos.


Assim, o conceito moderno de educação, onde o professor não ensina, mas ajuda o

aluno a aprender, tornou-se requisito essencial para o sucesso da Educação a Distancia, onde o docente é um incentivador, um orientador e motivador para o estudo.


4.2. Quanto ao Aluno

Assim como o professor, o aluno deve estar em sintonia com algumas abordagens

pedagógicas não somente utilizadas no Ensino a Distancia, mas que são consideradas imprescindíveis para seu sucesso.
3 Informação fornecida por Abranches durante palestra apresentada em comemoração ao Dia Nacional

da Educação a Distância: O papel do professor na EAD. Recife, 24 de novembro de 2006 – SENAC: PE. 8


Desta forma, este estará diante de uma nova possibilidade de aprendizagem, na qual

será o ator principal, e isso exigirá o desenvolvimento de atitudes imprescindíveis ao seu sucesso, como, por exemplo, adquirir hábitos de estudo sistemáticos e eficientes por meio da utilização de métodos e técnicas adequadas.


Assim, o aluno deverá ter domínio das TIC’s utilizadas no processo educacional, além

de estar: motivado para aprender, ter obstinação, perseverança e responsabilidade, ter hábito de planejamento, ter visão de futuro, ser pró-ativo, ser comprometido e ter autodisciplina.


4.3. Abordagens pedagógicas para o uso da internet no ensino a distância

De acordo com Prado e Valente (2002) as abordagens de EAD por meio da Internet

podem ser de três tipos: broadcast, virtualização da sala de aula presencial ou estar junto virtual.
Na abordagem denominada broadcast, a tecnologia computacional é aplicada para

\'\'entregar a informação ao aluno\'\' da mesma forma que ocorre com o uso das tecnologias tradicionais de comunicação como o rádio e a televisão.

Sob esta abordagem, Versuti (2006) destaca que a experiência com a broadcast já não atende às expectativas atuais de ensino. O ensino mediado pela Internet envolve muito mais que tutorias computacionais, livros de instrução programada e procedimentos que apenas entrega o material do curso para o aluno utilizando meios tecnológicos, a exemplo do que ocorreu com o material impresso, rádio e televisão.
Já quando os recursos das redes telemáticas são utilizados da mesma forma que a sala de aula presencial, acontece a virtualização da sala de aula, que procura transferir para o meio virtual o paradigma do espaço-tempo da aula e da comunicação bidirecional entre professor e alunos.
Por último, vem a abordagem do “estar junto virtual”, que explora a potencialidade

interativa da Internet propiciada pela comunicação multidimensional, que aproxima os

emissores dos receptores dos cursos, permitindo criar condições de aprendizagem e

colaboração.


9

Sobre esta abordagem, é necessário entender que não basta pôr os alunos diante da

Internet, pois segundo Almeida (2003) o conhecimento técnico-científico e de novas

tecnologias não é suficiente para uma adequada abordagem pedagógica do “estar virtual” direcionada para o processo ensino-aprendizagem entre “professor on-line” e “aluno on-line”.


Assim, de acordo com Theóphilo (2002), a literatura conduz à idéia de que o modelo

pedagógico ideal para a Educação a Distância se identifica com a Teoria Construtivista, na qual o aluno aprende com independência supervisionada (o estar junto virtual) com ênfase na inteligência coletiva e no aprendizado cooperativo.


Dessa forma, de acordo com Papert (1985) o fundamental é considerar o aluno como

agente ativo no processo de aprendizagem, ou seja, é preciso vê-lo como construtor de suas próprias estruturas intelectuais, nas quais é necessária a utilização de uma metodologia de trabalho especialmente voltada para o aprendizado individualizado e fundamentado em técnicas de estudo.


5. O ENSINO DA CONTABILIDADE E A UTILIZAÇÃO DA INTERNET.

Não é de hoje o relacionamento do ensino da contabilidade com a utilização da

Internet. Parise, Cornachione Jr e Vasconcelos (1997 apud ANDRADE, 2002) já

visualizavam a importância da Internet no ambiente do ensino da contabilidade. Os autores, na época, destacaram que:


A Internet é e será um importante instrumento para a divulgação de conhecimento, seja por meio da inclusão de arquivos de trabalhos acadêmicos e ensaios científicos, seja pela divulgação de eventos (congressos, palestras), seja para a educação à distância (programas de especialização e pós-graduação).
Esta previsão não estava errada, corroborando com os atuais números que indicam o

expressivo crescimento dos cursos de Ciências Contábeis na modalidade de ensino a distância, tanto no ambiente do ensino de graduação quanto no de pós-graduação, tendo, por exemplo, de acordo com dados do MEC, cerca de 14 instituições de ensino superior credenciados e autorizado a oferecer cursos de graduação em Ciências Contábeis na modalidade EAD (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES, 2006).


A Internet também está presente, por exemplo, na vida dos alunos do curso de

Ciências Contábeis da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e, isso se dá por meio de 10 aulas semi-presenciais com apoio deste meio, na efetuação da matrícula, no acesso às notas, na consulta ao currículo do curso, renovação de livros da biblioteca e horário das turmas das disciplinas. Já na perspectiva de cursos à distância via Internet, a UFPE oferece pós-graduação em contabilidade em nível latu sensu.


Desta forma, em meio da proliferação da educação à distância no ambiente da

contabilidade, com o intensivo uso da Internet como tecnologia na educação, em detrimento a falta de preparo do corpo docente acusada por Nossa e a deficiência na metodologia do ensino da Contabilidade, surge a preocupação com métodos de ensino voltados a este novo ambiente, a Internet.


5.1. Estratégias de ensino da contabilidade via Internet

O fato de uma tecnologia de comunicação e de informação ser mais ou menos síncrona e permitir uma interação mais ou menos espontânea traz conseqüências importantes para seu uso educacional. Dessa forma, eis como as características de cada ferramenta pode influenciar seu uso no Ensino da Contabilidade:


5.1.1. Chat

Por ser síncrono, no "Chat" o tempo de participação é normalmente dividido entre

vários participantes, sendo, portanto, quase sempre limitado. As mensagens também precisam ser curtas o suficiente para serem lidas no espaço oferecido.
No "Chat”, conforme dispõe o Quadro 1, são desenvolvidas habilidades de

cooperação, socialização e estudo. Todas estas habilidades conduzem o aluno enfrentar desafios que irão surgir em suas futuras vidas profissionais, pois segundo Marion (2007), dentro da profissão contábil muito se fala sobre administração de conflitos, sobre inteligência emocional, isto é, saber lidar com emoções, empatia, facilidade em se relacionar com outras pessoas com a visão de realização de trabalho em grupo.


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Quadro 1 – Habilidades e Tarefas

Habilidades a desenvolver Tarefas sugeridas

SOCIALIZAÇÃO Conhecer alunos de outras faculdades ou de outras cidades e países.

COOPERAÇÃO Fazer trabalhos em grupo à distância, em várias disciplinas.

ESTUDO Obter ajuda do professor ou de um colega.

Fonte: adaptação de Araújo (2007)

5.1.2. Correio Eletrônico

De acordo com Araújo (2007), quando distribuídas por listas de discussão, as

mensagens de "correio eletrônico" permitem a interação de um grande número de alunos. As listas possuem um mecanismo para distribuir para todos os seus participantes uma mensagem enviada para ela. Todos podem ler as mesmas mensagens e têm a possibilidade de comentálas livremente (por ser assíncrono). Trata-se, portanto, de uma tecnologia de comunicação e de informação extremamente útil para a realização de trabalhos educativos em grupos.

Dessa forma, o "correio eletrônico" é bastante adequado para o ensino da contabilidade, pois como disposto no Quadro 2 esta ferramenta pode ser utilizada na

aquisição das mesmas habilidades de socialização, cooperação e estudo descritas para o “Chat".


Quadro 2 – Métodos e Objetivos

Método Objetivo

ENTREGA DE MATERIAL

DIDÁTICO


A utilização deste método faz com que o aluno desenvolva aspectos teóricos da disciplina;

RESOLUÇÕES DE EXERCÍCIOS Este método desperta curiosidade do aluno provocando maior interesse no desenvolvimento da teoria ESTUDO DIRIGIDO O uso deste método é recomendado para que cada aluno possa caminhar por si mesmo,

conforme seu próprio ritmo.

Fonte: adaptação de Araújo (2007)

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5.1.3. Fórum

O fórum (assíncrono) se baseia em um sistema em que as mensagens postadas ficam permanentemente exibidas e organizadas por linha de discussão.

O fórum pode ser interessante como ferramenta de socialização ou de discussão mais aprofundada. Por intermédio dele, o professor de contabilidade pode instigar comentários a respeito de temas contábeis emergentes, tais como cobrar leitura para o aluno, de artigos e a elaboração de resenhas críticas.
5.1.4. Jogos Educativos

Por fim, os jogos educativos servem para que o aluno possa incorporar seus

conhecimentos em situações diferentes daquelas nas quais se originou. Isto, no ambiente da Internet, é facilitado pela existência de ferramentas síncronas e assíncronas de comunicação, redimensionando as relações de Espaço e Tempo.

Dessa forma, à luz da aprendizagem construtivista, destacada por Theóphilo o que se

sugere são simulações de situações concretas, ou desafios, que aplicados ao ensino da contabilidade possam ser utilizadas simulações empresariais, de negócios e de decisão.
A partir dos jogos de empresas, segundo Santos (2003) os alunos desenvolverão, por

exemplo, habilidades na elaboração, análise e interpretação de relatórios econômicofinanceiros das empresas, tais como balanços, demonstrações de resultados, fluxo de caixa, etc.


5.1.5. Sites para Consulta

Os professores de contabilidade podem ainda indicar sites em que os alunos obtenham diversas informações sob a profissão contábil.


Algumas páginas no ambiente World Wide Web (WWW), podem ser utilizadas, no

ensino da contabilidade, dentre elas estão: a do “Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA, (www.eac.fea.usp.br), a do Sistema de Gestão Econômica - GECON

(www.gecon.com.br), e a do Conselho Federal de Contabilidade (www.cfc.org.br)”,

(CORNACHIONNE JR & SILVA, 2001, p. 9) dentre outros.

13
6. RECOMENDAÇÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ensino a distância requer novas práticas educativas, de forma que novas posturas

tanto do professor quanto do aluno sejam adotadas. A abordagem pedagógica deve ser focada no aluno, ao contrário do que a pedagogia tradicional privilegia, ou seja, o professor depositando conhecimentos nos alunos para em seguida avaliar se foram retidos.

Nesta perspectiva, deve ser estimulada a autonomia do aluno, ficando o professor

obrigado a ser mais que um produtor ou distribuidor de materiais didáticos e sim observador, animador e auxiliador.
Assim, são indicadas atividades que envolvam trabalhos em equipe, estimulando a

socialização, a cooperação e a descoberta por meio do estudo.


Por fim, o mais importante a ser ressaltado, entretanto, é que o professor de

contabilidade compreenda a necessidade de aperfeiçoamento e do apoio de outros professores na realização de seu trabalho, não esquecendo que uma equipe multidisciplinar se faz mais do que necessária para o sucesso deste novo desafio para o ensino da contabilidade.


7. REFERÊNCIAS

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Monitor Ltda. São Paulo: 2006.

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Educação a Distância – O papel do professor na EAD. Recife, 24 de novembro de 2006 –

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ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Educação à distância na Internet: Abordagens

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de São Paulo. Revista Educação e Pesquisa. Volume 29 n° 2. São Paulo: 2003.

ANDRADE, Cacilda Soares de. O Ensino da Contabilidade Introdutória nas

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ARAÚJO, José Paulo. Novas Tecnologias na Educação Especial: Algumas Considerações

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14

BRASIL. SINAES: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. Instituto Nacional



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http://sinaes.inep.gov.br:8080/sinaes/ Acesso: 15/12/2006

CAVALCANTE, Patrícia Smith. Questões de Aprendizagem em EAD: Teoria e Prática.

Palestra apresentada em comemoração ao Dia Nacional da Educação a Distância – O papel do

professor na EAD. Recife, 24 de novembro de 2006 - SENAC: PE.

CORNACHIONE JR, Edgard Bruno; SILVA, Leda Bezerra da. Educação a Distância e seu

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http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt16/t162.pdf Acesso: 20/12/2006

Autor: FELIPE LUIZ LIMA DE PAULO / CACILDA SOARES DE ANDRADE



Contato: felipeluizlpaulo(arroba)msn.com


Técnico em Contabilidade e formado em Ciências Contabeis pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente trabalha com Auditoria Interna e Ensino da Contabilidade / Doutoranda em Educação - UFPE, Mestra em Contabilidade e Controladoria - USP, Especialista em Contabilidade e Controladoria - UFPE e Contadora - UNICAP. Atualmente é Professora do Departamento de Ciencias Contabeis da Universidade Federal de Pernambuco e Especialista da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.

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