Estreia Absoluta Teatro Nacional São João [5 + 6 Setembro 2008]



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Estreia Absoluta

Teatro Nacional São João

[5 + 6 Setembro 2008]

sexta-feira e sábado 21:30



Feminine

textos Fernando Pessoa / tradução e consultoria Richard Zenith


direcção e coreografia Paulo Ribeiro

música Nuno Rebelo

voz Richard Zenith, Cathrin Loerke

figurinos Ana Luena

desenho de luz Nuno Meira

assistência de coreografia Peter Michael Dietz


interpretação Elisabeth Lambeck, Erika Guastamacchia, Leonor Keil, Margarida Gonçalves, São Castro
co-produção Companhia Paulo Ribeiro, Fundação Caixa Geral de Depósitos – Culturgest, IGAEM – Centro Coreográfico Galego
duração aproximada [1:15]

classificação etária M/12 anos



Eu sou só uma pessoa comum que passa por este génio”
Mónica Guerreiro
Em 2007, o coreógrafo Paulo Ribeiro aproximou-se da figura de Fernando Pessoa para dar a ver as idiossincrasias de um homem peculiar, que alternava momentos de brilhantismo com uma existência orgulhosamente quotidiana. Nascia assim Masculine, apontamentos da vida de um homem pelos corpos e vozes de quatro bailarinos, entregues a uma sofreguidão ora cómica ora dramática, por entre apontamentos de autêntico kitsch. Mas a pesquisa pelas obras canónicas – e por outros escritos menos conhecidos – revelou material suficiente para pensar num projecto mais ambicioso em torno da figura pessoana. Chegou o momento de abordar a relação com as mulheres, do outro lado deste espelho: Feminine. Ribeiro à procura de um autor que o vem perseguindo? “Eu sou só uma pessoa comum que passa por este génio.” Razões para uma entrevista com o coreógrafo antes da estreia absoluta desta sua peça no TNSJ.
Paulo Ribeiro A ideia de trabalhar Fernando Pessoa já me persegue há muito tempo. Mas pensei sempre em trabalhar não em torno da obra, mas do homem: aquele homem em particular, com os seus defeitos. Uma pessoa, não apenas um génio escritor. As pessoas são essencialmente humanas: à volta daqueles momentos geniais há muitos outros momentos, normalíssimos, banais. Tacteámos isso em Masculine, mas em Feminine essa noção está muito mais clara. Já não sei porque surgiu uma primeira peça só para homens... Talvez tivesse a ver com essa vontade de falar de um homem, ir ao encontro dessa sensibilidade. Nunca se tratou, ao contrário do que muitas pessoas pensaram, de figurar em palco os vários heterónimos. Não estava ali em causa a obra literária, mas as características daquele homem, com uma vida aparentemente tão rotineira. Quem seria o Pessoa que frequentava o Chiado, em que pensaria nas horas banais, o que faria quando não estava a escrever? Foi por aí que quis pesquisar.
Uma só coisa me maravilha mais do que a estupidez com que a maioria dos homens vive a sua vida: é a inteligência que há nessa estupidez. A monotonia das vidas vulgares é, aparentemente, pavorosa. [...]

Um homem pode, se tiver a verdadeira sabedoria, gozar o espectáculo inteiro do mundo numa cadeira, sem saber ler, sem falar com alguém, só com o uso dos sentidos e a alma não saber ser triste.

Monotonizar a existência, para que ela não seja monótona. Tornar anódino o quotidiano, para que a mais pequena coisa seja uma distracção. (Bernardo SoaresLivro do Desassossego)
Paulo Ribeiro No Masculine passámos pelo Pessoa ainda de forma leve, andámos à volta da ironia e do humor inscrito na sua obra, que não é só fatalidade e pessimismo... Pelo contrário: mesmo quando é pessimista, é com imensa ironia. Consegue construir coisas incríveis com palavras muito simples e muito directas. Mas é a forma como dá o contexto, como as coloca juntas, que torna os textos fascinantes: nesse sentido, considero-o muito coreográfico, porque está tudo na sequência. As coisas não têm um sentido só, têm vários, e vão evoluindo com o tempo. Não é a mesma coisa ler o Livro do Desassossego aos 18, aos 30 ou aos 40 anos... Em Masculine, Pessoa surgia misturado com histórias pessoais dos intérpretes. Incluíamos frases soltas, excertos, textos curtos – o “monotonizar a existência”, os “conselhos às mal-casadas”... Em Feminine, o texto está muito mais presente, a palavra é um elemento forte. As fontes são quase as mesmas, o Livro do Desassossego, os Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, a Ode Marítima, mas aqui em trechos mais extensos, mais desenvolvidos. Vamos mais longe.
As mal-casadas são todas as mulheres casadas e algumas solteiras.

Livrai-vos sobretudo de cultivar os sentimentos humanitários. O humanitarismo é uma grosseria. Escrevo a frio, raciocinadamente, pensando em vosso bem-estar, pobres mal-casadas. (Bernardo Soares Livro do Desassossego)
Paulo Ribeiro E o que acabou por surgir, diferentemente, foi o olhar do Pessoa sobre a mulher, que não é dos mais recomendáveis. Não sei tecer considerações sobre isso, mas há ali qualquer coisa a ser analisada. [Risos] Não sei se é ironia... Mas continua a haver imenso humor. Aquilo que as bailarinas fazem em termos físicos está ao nível do que está escrito. Não tem mais seriedade que isso. A ambiguidade entre aquilo que ele diz e aquilo que nós fazemos é a mesma. Os segundos sentidos estão lá... Mas é evidente que há nesta peça uma forte componente sexual. Não há aqui aquela coisa açucarada da correspondência com a Ofélia, uma coisa não conseguida, meio platónica... A mim não me seduz nada. Existe sim uma intensidade sexual muito forte, muito presente. Na Ode Marítima, Álvaro de Campos toma a palavra como homem mas desejando transformar-se em mulher para experimentar no seu corpo todas as sensações e experiências, como aqueles marinheiros todos...
Ser o meu corpo passivo a mulher-todas-as-mulheres

Que foram violadas, mortas, feridas, rasgadas pelos piratas!

Ser no meu ser subjugado a fêmea que tem de ser deles

E sentir tudo isso – todas estas coisas duma só vez – pela espinha! (Álvaro de CamposOde Marítima)
Paulo Ribeiro Nesta peça surgiu algo muito engraçado, de que nunca me tinha apercebido: há uma grande diferença entre o universo masculino e o universo feminino. Os homens são desenfreados na forma como se entregam às coisas, atiram-se, estão sempre ao desafio; há quase uma falta de rigor, de seriedade. As mulheres são muito mais sérias, rigorosas, metódicas. Talvez tenha a ver com as pessoas que estão comigo nestes dois projectos, não sei. Os homens têm uma maior necessidade de desconstruir. Brincam com as coisas, estragam, subvertem. Terá a ver com o facto de as mulheres começarem a dançar mais cedo do que os homens, com uma formação mais severa? Na audição que fiz para o elenco feminino isso foi muito nítido. Mesmo as bailarinas que conheço, e que em cena são completamente desopilantes, na audição tiveram um comportamento mais retraído. No processo de trabalho, a diferença acentuou-se. Com os homens havia uma grande margem de interpretação, apesar de os parâmetros estarem definidos, tanto que foi necessário refreá-la, travá-la. Em Feminine, pelo contrário, a peça está coreografada ao milímetro. A estrutura inicial é mais sólida e mais severa. Claro que temos uma digressão pela frente, e é óbvio que haverá lugar para o trabalho de interpretação e apropriação dos materiais por parte das bailarinas. É o mais interessante. Em todos os trabalhos que faço acontece sempre isso: a estreia acaba por ficar muito aquém da obra após 15 ou 20 apresentações. Mas será certamente esse o caso com toda a gente.
Ribeiro já tinha trabalhado só com bailarinos, em White, peça que criou para o elenco masculino do Ballet Gulbenkian em 2004, quando era director da companhia. Além dos solos que coreografou para Leonor Keil, Feminine é a sua primeira peça dançada exclusivamente por bailarinas. As novas intérpretes que colaboram com a Companhia Paulo Ribeiro foram recrutadas depois de uma audição global, à qual responderam 250 candidatas.
Paulo Ribeiro Para chegar às mulheres, tinha primeiro de passar pelos homens. Quando fizemos Masculine, a Leonor foi minha assistente e pensámos em integrá-la, mas não aconteceu. E foi uma boa opção. Agora em Feminine tenho o Peter Michael Dietz como assistente. A minha ideia era fazer um tríptico, completar as duas peças com uma terceira criação, que não seria uma súmula das outras mas uma peça nova. Sou incapaz de fazer uma coisa que já fiz... Faço sempre de novo. Há uma constante no meu trabalho: não tenho método. Não tenho uma receita que utilize de peça para peça. Aliás, gosto é de me surpreender. Que aquela peça seja realmente nova na forma como chega. As peças e os processos surpreendem-nos, descobrimos com as pessoas que temos... E por isso não gosto de fazer duas vezes a mesma coisa. Isto já me acompanha desde os tempos de intérprete. Quando dançava em França, fiz uma peça mais de oitenta vezes, e de cada vez tinha gosto em tentar coisas diferentes, buscar um imaginário, algo que me alimentasse, para experimentar em palco sempre coisas novas. É isso que nos faz crescer. Tenho essa convicção.
Aquando do seu décimo aniversário, em 2006, a Companhia Paulo Ribeiro apresentou uma criação “antológica”, que intitulou Memórias de um Sábado com Rumores de Azul, revisitação de várias peças marcantes dessa década de trabalhos. Também aí não se tratou de uma colagem de materiais, mas de uma nova composição, com um outro registo (até porque o espírito da comemoração foi encoberto pela disforia causada pela dissolução do Ballet Gulbenkian). Entretanto, o projecto do tríptico pessoano foi abandonado e a próxima criação do coreógrafo não será uma terceira leitura em torno da “personagem” Fernando Pessoa.
Paulo Ribeiro É importante referir que o tradutor Richard Zenith nos tem acompanhado. Foi muito interessante ouvir os seus conselhos, deu-me alento e confiança. O Zenith não é nada purista em relação ao Pessoa: acha, justamente, que temos todo o direito de apanhar aqui e ali, fazer referência às coisas de forma não completamente obediente. Até pela natureza não acabada e impulsiva de muitos textos. Isso tranquilizou-me bastante, porque pude mesmo assumir trabalhar em palco este autor, esta obra literária, dentro das minhas possibilidades, porque não sou um estudioso. Sou uma pessoa comum que passa por este génio. E é importante podermos trabalhar assim. Para a liberdade da dança é fundamental esta utilização de obras literárias. Para a liberdade e para a voracidade da dança. A dança tem algo muito interessante, que é a grande capacidade de apreender e ser um bocadinho vampira das outras artes todas. Saber ir buscar. A nossa disciplina, esta forma de arte, é muito imaterial, no sentido de que a sua vocação não é contar histórias. Precisa de pescar muitas coisas das outras formas de arte. Por isso foi gratificante sentir essa liberdade, poder agarrar no Pessoa conforme me apetecesse.
Richard Zenith é responsável pela selecção de parte dos textos, que traduziu (o espectáculo é falado em português, inglês e italiano), e tem ainda uma intervenção na banda sonora, onde a sua voz surge a recitar alguns textos. Em Masculine, a banda sonora foi montada por Paulo Ribeiro, que nela fez constar Dimitri Chostakovitch e Frank Zappa. Para Feminine, foi encomendada a Nuno Rebelo uma composição original inspirada na música que Ribeiro usou durante o trabalho de estúdio, principalmente Jim Morrison e Zappa. Evocações dos anos 70 e de um mundo pop, na sequência do kitsch assumidamente presente em Masculine.
Paulo Ribeiro Há um parti pris muito evidente nesta peça: é um trabalho verdadeiramente pop. No espaço cénico, nos figurinos, nos adereços, está muito presente um hálito dos anos 70. Linóleo verde, puffs, roupas coloridas... E acho bem, porque quando fazemos as coisas elas dizem sempre algo de nós. E para mim o Fernando Pessoa foi um escritor dessa época, dos meus anos 70, dessa forma de estar em relação à vida. Os anos 70 tinham qualquer coisa que estes infelizmente não têm, uma espécie de grande esperança. Nos anos 70 tudo era possível. Tínhamos passado o Maio de 1968, havia um movimento comunitário, as pessoas acreditavam no amor livre... Acreditavam em tudo. Havia uma grande ingenuidade também. Tratava-se de uma forma tolerante de encarar a sociedade. Ou, pelo menos, havia um grande grupo que pregava uma certa tolerância, o que era engraçado. Em 2008 faz exactamente 30 anos que eu comecei a dançar, e esses anos têm para mim essa recordação muito presente, de liberdade. Acho que Feminine tem essa inspiração, essa alusão a esses momentos. Tenho uma certa nostalgia da esperança e do optimismo, que hoje já não sinto. Estava tudo por fazer, eu estava no princípio da vida... Tenho pena de já não me deslumbrar como me deslumbrava antes. Os desafios são de outra ordem, e continuo a acreditar em algumas coisas. Tenho pena de acreditar menos na capacidade de os humanos tornarem o mundo mais humano. Nessa altura sentia as coisas mais palpáveis, mais claras. Ou pelo menos tinha essa ilusão.
Há notas autorais frequentemente referidas no vocabulário físico de Paulo Ribeiro, como a expressividade enérgica e nervosa de um corpo vulnerável mas poderoso. A opção por uma dança pagã, na qual o corpo vale o que pode, marca uma estética claramente não contemplativa, onde o divino é tangível. E é humano. Também para Pessoa o divino pode ser tocado pelas nossas mãos e fabricado pelo nosso corpo.
Paulo Ribeiro Para mim, a dança tem um sentido quase étnico, de celebração de um corpo que se ultrapassa. Como é que posso formular isto? Há uns anos fiz Rumor de Deuses, que deu nas vistas em Bagnolet – curiosamente também tinha algumas coisinhas de Pessoa... E o Jérôme Bel dizia-me: “Sim, gostei da peça, mas porquê tanta energia? Tu pões tanta energia nas coisas!”. Eu percebo que ele diga isto, porque realmente consegue fazer imensas coisas não investindo tanta energia. Mas, para mim, é indissociável: tenho a impressão de não viver se não morrer para voltar a viver. É um combate permanente de que preciso. E salpico isso para os meus intérpretes. Ainda no outro dia a Leonor me dizia isso a propósito de Feminine, que é uma peça muito desgastante, muito puxada. Masculine também já o era. Mas realmente não consigo fazer as coisas de outra forma. Preciso desta verdade, do esgotamento dos intérpretes para depois poderem ser eles próprios. Esta luta interior que eles são obrigados a travar para conseguir dançar é algo que eu penso que contagia o público. Não podemos ser passivos em relação à vida, ao que nos rodeia. Temos uma responsabilidade. Somos responsáveis por tudo: pelos outros, por nós próprios. Temos de agir constantemente. A minha dança é assim porque quero chegar às pessoas, quero que as pessoas saiam da sala diferentes. Que haja ali algo a passar-se. A minha natureza é essa. Não tenho métodos, mas tenho uma natureza, que tem a ver com esta convicção, esta necessidade de criar efervescências. Falei no Jérôme Bel: também ele cria efervescências. Fá-lo de outra forma, com outro registo. É impressionante assistir a esse culto da simplicidade, ir tão longe com a simplicidade extrema – consegue pôr uma sala a vibrar com tão pouco. Mas temos de aceitar a nossa natureza. E tentar ir mais longe.

Cinco intérpretes à volta de Pessoa*
Elisabeth Lambeck A peça já está muito acabada, mesmo a um mês da estreia; ainda agora acabámos um ensaio corrido e estamos sempre a aperfeiçoar, a descobrir formas diferentes de fazer as coisas dentro daquela estrutura. Estamos a entrar mais e a crescer dentro da peça, perceber em que direcção podemos avançar. Depois de termos todas lido o livro, fizemos muita improvisação sobre passagens específicas, fosse criando movimentos que se relacionassem com as frases ou criando a partir do próprio texto, dizê-lo em palco, e avançar por aí, com a direcção do Paulo. Outra das indicações foi tentar pensar “feminino”, o que é isso do feminino e o que é o feminino em Pessoa. Nenhuma de nós representa Ofélia. Claro que isso cabe dentro da liberdade de cada intérprete mas, para mim, Ofélia não está presente em Feminine.
Erika Guastamacchia Para mim foi tudo uma nova experiência: quando vim à audição não conhecia o trabalho do Paulo, mas estava disponível para ser surpreendida. E esse factor surpresa é excitante. Também fiquei a conhecer Pessoa. Não foi fácil para mim perceber a sua maneira de ver a vida, sentia aquilo muito distante, então foi preciso pensar “o que é que ele quer mesmo dizer com isto?”. Tentar sentir aquilo à minha maneira, entrar no espírito do que estava escrito. Pareceu-me um livro [Livro do Desassossego] difícil de ler de uma só vez. Concentrei-me mais em frases específicas, em palavras que me inspiraram, para construir alguma coisa em torno disso.
Leonor Keil Fiquei muito surpreendida com o Paulo, porque o trabalho se desenvolveu muito rápido, com pessoas que nunca tinham trabalhado juntas, e algumas nunca com ele... Mas ainda estou demasiado por dentro, ainda estou a assimilar muitas coisas... Foi mesmo depressa. O esqueleto já está montando há algumas semanas, e desde então temos estado a alterar esse esqueleto, a pôr mais ossinhos, a pôr mais carne aqui, mais músculo ali, mais umas cores, a pele, agora estamos a ir para os adornos... Já mudou muita coisa. Sinto que é uma peça que leva o seu tempo a digerir. É como se tivesses um comprimido para tomar que é grande demais e tivesses de ter cuidado para engolir, senão engasgas-te logo. Então tens de o partir aos bocadinhos, bebes um bocadinho de água, depois engoles mais um pedacinho... Até que começa a fazer efeito. E só pára mesmo quando já estás bom.

[Trabalhar numa peça com um elenco completamente feminino] é muito diferente. O elemento feminino é muito mais homogéneo, mais calmo; há sempre um turbilhão, mas é mais interior... Ao passo que os homens se mostram mais, fazem mais barulho. As mulheres são mais delicadas, aquilo mexe lá mais dentro, mas depois vai aos bocadinhos... Mas este caso também é diferente, porque eu não conhecia nenhuma delas. Talvez por isso, senti muito aquela coisa de as mulheres serem mais calmas, tomarem o tempo para se conhecer, estarem à vontade e então poderem soltar-se. E como fui assistente no Masculine, e eles também não se conheciam, achei engraçada a diferença. Com os homens foi muito mais rápido este processo de mostrarem quem eram, de se porem mais disponíveis e à vontade uns com os outros.


Margarida Gonçalves Não foi uma procura fácil, mas acho que Pessoa e a questão da feminilidade combinam bem, encaixam bem. O processo é difícil, mas é bom precisamente porque é difícil, porque as coisas fazem muito sentido. Em imensos textos, Pessoa dá o seu ponto de vista sobre as mulheres da altura – e creio que fala também das de agora, porque aquilo que escreveu é completamente contemporâneo. E o Paulo tem uma grande capacidade para desconstruir os textos, que não ficam colados a uma interpretação quotidiana; coloca-os em situações diferentes daquelas que os originaram, descontextualiza-os. Os textos de Fernando Pessoa são muito satíricos, têm um humor muito especial; no trabalho em dança, o corpo pode dar essa sugestão do humor, passar por mudanças de temperamento. E transmitir isso é bonito de ver, mas difícil de explicar. Vê-las a dançar é muito bom e muito inspirador.
São Castro Estou a gostar muito de trabalhar com estas intérpretes; temos todas particularidades diferentes e é um grupo que funciona, encontrámos todas o estado de espírito certo para estar aqui. Não é a primeira vez que trabalho com material literário em dança, mas está a ser muito interessante fazer um espectáculo em torno de Pessoa, que era sem dúvida um homem estranho e criativo. E muito divertido. Não só o Paulo tem esta particularidade de convocar sempre um ambiente de humor, como a própria selecção dos textos de Pessoa tem em conta a ironia e o sarcasmo com que ele falava das mulheres. E isso ajuda-nos ainda mais a sermos femininas, a expressar esse lado e a acentuá-lo, por aquilo que ele diz de nós.
* Depoimentos recolhidos por Mónica Guerreiro e publicados originalmente em: Obscena: Revista de Artes Performativas. N.º 13/14 (Jun./Jul. 2008). p. 52-53.

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