Estudo comparativo da resistência mecânica de cabos metálicos condor X concorrente



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

CURSO DE ENGENHARIA DE MATERIAIS


Relatório de Estágio Curricular VI

Período: 11/02/2008 a 23/05/2008


Lívia Rodrigues Lothhammer

Matrícula: 0323710-9

Orientador: Eng. Marcelo Maruju


“CONCORDAMOS COM O

CONTEÚDO DO RELATÓRIO”
Florianópolis

2008




Fras-le S.A.

Rod. RS 122, km 66 - Forqueta

CEP: 95115-550 - Caxias do Sul - RS

Fone: (54) 3289-1000

Fax: (54) 3289-1921

www.fras-le.com.br

Agradecimentos
À empresa Fras-le S.A. pela oportunidade de estágio.

Ao Eng. Marcelo Maruju e Marcos Roberto Soares, PhD, pela orientação.

Ao Professor Hazim Al-Qureshi pela atenção, carinho, colaboração no aprimoramento dos meus conhecimentos e ensinamentos para a vida.

Aos Engenheiros Luciano Tedesco Matozo e André Brezolin, assim como a Jose Andre P. Scherer, pela orientação e auxílio das atividades desenvolvidas.

Aos colegas Flavio Buffon, Daniel de Oliveira, Elvo Pilatti, João Laimer e Reoni Krewer pela amizade e conhecimentos transmitidos.

A todos os colaboradores do Laboratório Físico e Químico, que direta ou indiretamente contribuíram para o desenvolvimento deste trabalho.

A Deus, por nos dar a vida e, cuja presença se traduz na força que nos mantêm persistentes na busca de nossos objetivos.

Aos meus pais, Alfredo e Sirlei Lothhammer, que apesar da distância me dedicam apoio, amor e confiança, estando presentes em todos os momentos da minha vida.

À Universidade Federal de Santa Catarina, representada pela Coordenação de Estágios do curso de Engenharia de Materiais, pela dedicação prestada e esforço voltado ao funcionamento do sistema cooperativo com qualidade deste curso.

Índice


1 Introdução 6

1 Introdução 6

2 Revisão Bibliográfica 7

2 Revisão Bibliográfica 7

2.1 Sistema de Freio 7

2.1.1 Freios a Disco 7



2.1.2 Freios a Tambor 8

2.2 Dinamômetro Inercial 9

2.3 Estudo Estatístico de Repetitividade e Reprodutibilidade (R&R) 10

2.3.2 Repetitividade 11

2.3.3 Reprodutibilidade 11

2.1.1 Estudo da Repetitividade e Reprodutibilidade (R&R) 12

3 Atividades Desenvolvidas 13

3 Atividades Desenvolvidas 13

3.1 Confiabilidade do Sistema de Medição Utilizado nos Métodos de Desgaste 13

3.1.1 Objetivo 13

3.1.2 Etapas do Trabalho 13

3.1.3 Definição dos Grupos de Estudo 13

3.1.4 Determinar Range para cada Grupo de Estudo 14

3.1.5 Preparação e Aquisição das Amostras 14

3.1.6 Aquisição dos Valores de Desgaste 15

3.1.7 Resultados e Discussões 15

3.1.7.1 Estudo de R&R em Corpos de Prova 18

3.1.8 Conclusões 21

3.1.9 Sugestões 21

4 ConclusÃO 22

4 ConclusÃO 22

5 Referências Bibliográficas 23

5 Referências Bibliográficas 23

6 ANEXOS 24

6 ANEXOS 24

CLIENTES E MERCADOS 25

CLIENTES E MERCADOS 25



  1. Introdução

A cada dia que passa o mundo exige empresas ágeis, produtivas, com tecnologias avançadas e altamente competitivas em termos de custo e qualidade.

Diante disto, a Fras-le S.A., uma das integrantes das Empresas Randon, tem como atividade a produção de materiais de fricção. Seu negócio Segurança no Controle de Movimentos faz dela a maior empresa da América Latina e uma das líderes mundiais.

É neste contexto que a empresa Fras-le atua, produzindo uma diversificada gama de materiais de fricção com a qualidade exigida pelas principais montadoras de veículos do mundo e pelo mercado de reposição.

Durante o período de estágio no Laboratório Físico, os estudos sobre Método de Desgaste em materiais de fricção foram as atividades desenvolvidas, além de outras de caráter confidencial, não presentes neste relatório. Análise estatística de Repetitividade e Reprodutibilidade para determinar a confiabilidade do sistema de medição utilizado nos métodos de desgaste da empresa constitui este trabalho.




  1. Revisão Bibliográfica

Buscou-se na literatura entender a estrutura de um sistema de freio, com a indicação de seus princípios de funcionamento. O ensaio em Dinamômetro para freios, tipo inercial, também foi compreendido, assim como o estudo estatístico de Repetitividade e Reprodutibilidade, para maior entendimento das atividades realizadas.



    1. Sistema de Freio

Os sistemas de freios têm como funções principais reduzir a velocidade, parar um veículo em movimento e manter parado um veículo que esteja estacionado. Constitui uma das partes mais importantes e vitais de um veículo, sendo projetado para dar o máximo de rendimento. Corretamente conservado e ajustado, o sistema de freios proporciona ao motorista a garantia de uma frenagem segura, sob as mais diversas condições de tráfego.

No uso contínuo de um veículo, nenhum componente é tão intensamente sujeito a esforços e altas temperaturas quanto o sistema de freios, isto em decorrência das frenagens. A desaceleração envolve a transformação da energia cinética do veículo em energia térmica do sistema de freio. Fatores importantes como a estabilidade e distribuição, modulação da força de acionamento do freio, distâncias de parada, perda de eficiência a altas temperaturas -“fading”- e desgaste do material de atrito (lonas e pastilhas), devem ser levados em consideração para o projeto e avaliação de sistemas de freio.

Os sistemas de freio são essenciais para garantir a segurança nas estradas e por isso este assunto é regulamentado por órgãos oficiais de cada país. A aprovação de veículos, homologação e liberação para circulação em estradas, geralmente são determinadas por normas nacionais, ou se não existir, por uma regulamentação internacional. Estas leis definem terminologia, descrevem conceitos básicos e requisitos mínimos para a composição de um sistema de freio.



        2.1.1 Freios a Disco

Neste mecanismo de frenagem as forças de atrito são geradas entre as pastilhas presas a uma parte fixa do veículo com as partes planas dos discos (Figura 01). É necessário que o disco seja submetido a forças de compressão iguais com o objetivo de desgastar igualmente o disco e as pastilhas. Os freios a disco podem ser classificados em flutuantes ou fixos:

- Tipo Fixo: possui pistões nos dois lados e a carcaça do freio é fixa em relação ao suporte do freio (Figura 2-a).

- Tipo Flutuante: possui pistão de acionamento apenas de um lado e a carcaça do freio é móvel em relação ao suporte do freio (Figura 2-b).


Figura 1 – Mecanismo de frenagem no sistema de freio a disco [2].

Figura 2 – a) Freio a Disco Fixo.


b) Freio a Disco Flutuante [2].

As vantagens da utilização do freio a disco estão em ser auto-regulável, superfície de frenagem plana, maior refrigeração e limpeza, facilidade de manutenção, frenagem uniforme mesmo em situações de emergência. Existe uma tendência de substituição do sistema de freio a tambor por freio a disco em todos os veículos, inclusive na linha de veículos comerciais pesados. Os requisitos de eficiência de frenagem estão mundialmente tornando-se mais severos fazendo com que os veículos comerciais atuais absorvam mais energia na frenagem e encurtem as distâncias de parada.



      1. Freios a Tambor

Neste tipo de mecanismo de frenagem, as forças de atrito são produzidas empurrando as sapatas com lonas de freio contra o tambor de freio (Figura 3). Estes foram os primeiros sistemas utilizados em veículos, estando presentes ainda hoje em veículos comerciais pesados e freios traseiros da linha leve.


Figura 3 – Mecanismo de frenagem no sistema de freio a tambor [2].

Entretanto, o freio a disco possui algumas vantagens frente ao freio a tambor:

- Dissipação do calor;

- Ventilação do disco (umidade e contaminantes podem ser retirados pela ação da pastilha);

- Menor nível de histerese;

- Eficiência mecânica mais alta.



    1. Dinamômetro Inercial

O ensaio em dinamômetro inercial (Figura 4) é um simulador de frenagem automotiva. Avalia os sistemas de freio e os materiais de fricção quanto a sua funcionalidade e durabilidade.

Figura 4 – Componentes Funcionais de um Dinamômetro Inercial [9].

Este equipamento permite simular condições de frenagens contínuas, em condições variadas de velocidade, pressão e temperatura. É constituído de massas inerciais variáveis, equivalendo à faixa da quantidade de movimento possível de ser gerado em todos os veículos com ou sem carga, realizando frenagens bruscas ou gradativas em temperatura ambiente e condições climáticas secas, sob ar forçado com velocidades variadas [3].

O acionamento do freio é semelhante ao encontrado em automóveis convencionais, ou seja, cáliper com acionamento servo hidráulico por meio de fluído [3]. Já nos veículos de grande porte, o acionamento é realizado por meio do sistema a ar comprimido, aplicando pressão nos diafragmas dos cilindros pneumáticos [2].

O dinamômetro inercial realiza ciclos de ensaios controlando tempo e/ou temperatura. As frenagens ocorrem mediante ciclo de desaceleração (velocidade até zero ou apenas reduzindo a velocidade, sem parar o sistema) e ainda por drag (arraste contínuo, ou seja, aplicação do freio com velocidade constante, simulando, por exemplo, uma descida de serra).

- Ciclo de Desaceleração: Controle por torque. É iniciando com o comando de frenagem da velocidade. A unidade é energizada, o sistema de inércia é acelerado para a velocidade predeterminada e esta velocidade é estabilizada para o restante do período de tempo pré-definido. Então, o freio é acionado, desacelerando o sistema.

A fase de frenagem pode ser do tipo stop (velocidade final igual a zero) ou do tipo snub (apenas redução de velocidade).

- Ciclo de Drag: Ensaio por arraste contínuo. Velocidade constante. Controle por torque ou pressão com o freio aplicado. Se o controle for por torque, a pressão varia para manter o torque. Se for por pressão, o torque varia para manter a pressão. A frenagem no ciclo de Drag pode ocorrer atendendo à uma temperatura ou tempo definido.



    1. Estudo Estatístico de Repetitividade e Reprodutibilidade (R&R)

A execução de estudos de MSA (Análise dos Sistemas de Medição) consiste na aplicação de técnicas estatísticas que têm por objetivo descreverem o tamanho e os tipos de variações dos resultados gerados por um Sistema de Medição, quando este é posto em operação em suas condições reais de trabalho e também para satisfazer as exigências da ISO/TS 16949.

O estudo de Repetitividade e Reprodutibilidade (R&R) é um dos métodos de análise que descreve a variação do Sistema de Medição. A confiabilidade dos resultados gerados por este sistema é um fator de relevante importância para a indústria, uma vez que os resultados de medições são utilizados para: controle de processos, execução de estudos estatísticos e verificação da qualidade dos produtos.

Repetitividade e Reprodutibilidade são as formas mais comuns de expressar PRECISÃO, conceito que reflete a variação dos resultados quando análises repetidas são feitas em uma mesma amostra. Seu valor pode ser afetado por erros sistemáticos, aleatórios e grosseiros.

A precisão (incerteza) é normalmente expressa com base em cálculo do coeficiente de variação (CV) que significa o desvio padrão relativa (%), segundo as categorias: Repetitividade e Reprodutibilidade [4].



      1. Repetitividade

“Variação nas medidas obtidas com um dispositivo de medição quando usado várias vezes por um operador medindo a mesma característica na mesma peça” [5].

A repetitividade pode ser determinada por meio da medição de um mesmo item várias vezes. A distribuição de probabilidade resultante das medições é em geral uma curva gaussiana como a apresentada na Figura 5.

Figura 5 – Conceito de Repetitividade [5].


A amplitude dessa distribuição deve ser pequena quando comparada com a tolerância da peça/produto sendo medida.

Deve-se estar atento de que as medições realizadas para avaliar a repetitividade do processo de medição são sempre afetadas por duas fontes de repetitividade. Uma provém do próprio instrumento, que são seus erros aleatórios, e a outra da variação de posição das peças sobre o instrumento durante o processo de medição, já que a geometria das próprias peças não são perfeitas. Soma-se a essas duas componentes a influência do operador [6].



      1. Reprodutibilidade

“Variação na média das medidas feitas por diferentes operadores utilizando o mesmo dispositivo de medição medindo característica idêntica nas mesmas peças” [5].

Reprodutibilidade na verdade expressa a falta de reprodutibilidade. O resultado da distribuição de três operadores é mostrado na Figura 6, onde valor médio encontrado por cada um dos operadores é diferente. A diferença entre a média da distribuição do operador B (valor médio mais afastado do valor verdadeiro convencional) e operador C (valor médio de menor afastamento em relação ao valor verdadeiro convencional) é a medida da reprodutibilidade [6].

Figura 6 – Conceito de Reprodutibilidade [5].



      1. Estudo da Repetitividade e Reprodutibilidade (R&R)

Avaliar a repetitividade isoladamente não é suficiente para garantir que o processo de medição seja adequado. Pode um operador conseguir excelente repetitividade, mas o seu resultado quando comparado com outros operadores não é reprodutivo. O exemplo da Figura 6 ilustra bem essa situação. Considerar o resultado da combinação da repetitividade e reprodutibilidade, que denominamos de R&R, é o caminho mais adequado para avaliar a capacidade do processo de medição.

O manual MSA 3ª ed. determina como critério de aceitação [7]:

  • %R&R < 10 = Processo de medição APROVADO.

  • 10 ≤ %R&R ≤ 30 = Processo de medição ACEITÁVEL. Necessita melhoria dependendo de alguns fatores como aplicação, custo, etc.

  • %R&R > 30 = Processo de medição REPROVADO.


  1. Atividades Desenvolvidas

    1. Confiabilidade do Sistema de Medição Utilizado nos Métodos de Desgaste

      1. Objetivo

Determinar a confiabilidade do sistema de medição aplicado aos Métodos de Desgaste, a partir do estudo estatístico de Repetitividade e Reprodutibilidade (R&R).

Este trabalho servirá para conhecer a incerteza do método, bem como adequar Laboratório Físico as exigências da norma ISO/TS 16949.

Duas medidas de precisão (incerteza) chamadas REPETITIVIDADE e REPRODUTIBILIDADE são usadas para descrever a variabilidade de métodos de teste. A realização deste independerá do método de desgaste escolhido. Este estudo está voltado exclusivamente à análise da confiabilidade do sistema de medição, não importando o método utilizado.



      1. Etapas do Trabalho
  1. Definição dos grupos de estudo.

  2. Determinar range para cada grupo de estudo.

  3. Preparação/aquisição das amostras.

  4. Aquisição dos valores de desgaste.

  5. Resultados e Discussões.



      1. Definição dos Grupos de Estudo

O desgaste em materiais de fricção é principalmente avaliado observando a variação de massa (∆m) e variação de espessura (∆x), utilizando balança e micrômetro/paquímetro, respectivamente.

O Quadro 1 exibe os grupos de estudo definidos conforme análise (tipo de variação) e equipamento.





Grupo de Estudo

Análise / Equipamento

Massa (∆m)

Espessura (∆x)

1. Material de Atrito (Pastilha/ Lona).

Balança




2. Disco/ Tambor.

Balança


3. Lona




Paquímetro (medida de altura no ponto rebitado. Não mede espessura total da lona).

4. Pastilha


Micrômetro flat

5. Disco/ Tambor


Micrômetro flat

6. Lona


Micrômetro ponta esférica.

Quadro 1 – Grupos de Estudo vs. Análise/Equipamento a ser utilizado.


      1. Determinar Range para cada Grupo de Estudo

A realização da análise estatística de R&R exige que seja especificado os limites para a faixa de ensaio.

Os ranges para cada grupo de estudo foram definidos buscando os limites máximos e mínimos que compõem cada estudo, conforme apresenta o Quadro 2.

Quadro 2 – Range de estudo para cada Grupo de Estudo.


      1. Grupo de Estudo

        Faixa de Estudo (range)

        Limite Mínimo

        Limite Máximo

        1. Material de Atrito (Pastilha/ Lona). (∆m)

        Patilha A1 – 250g

        Lona B1 – 11 kg

        2. Disco/ Tambor. (∆m)

        Disco A2 – 3.500g

        Tambor B2 – 52 kg

        3. Lona. (∆x)

        Lona A3 – 6 mm

        Lona B3 – 10,5 mm

        4. Pastilha. (∆x)

        Pastilha A4 – 16 mm

        Pastilha B4 – 30 mm

        5. Disco/ Tambor. (∆x)

        Tambor A5 – 13 mm

        Disco B5 – 45 mm

        6. Lona. (∆x)

        Lona A6 – 6,5 mm

        Lona B6 – 17 mm

        Preparação e Aquisição das Amostras

Durante este estudo, as amostras permaneceram sempre no mesmo ambiente, principalmente os materiais de atrito, com o objetivo de evitar grandes variações de massa e espessura.

Buscou-se utilizar amostras que já passaram pelo ensaio de desgaste. Assim, os resultados obtidos são compatíveis à realidade.



      1. Aquisição dos Valores de Desgaste

Para avaliar a confiabilidade do sistema de medição, foram utilizadas dez peças de cada grupo de estudo, sendo que cinco amostras contidas no limite inferior e as outras cinco, no limite superior. Exemplo:

  • Grupo 1 (Lona/Pastilha): 5 peças Pastilha A1 e 5 peças Lona B1.

Em cada grupo de estudo, dois operadores mensuraram as dez amostras, duas vezes (com intervalo próximo de 24 horas entre uma medida e outra).

Na análise de variação de espessura (∆x), o valor considerado foi a média dos pontos inspecionados em cada amostra a fim de estimar a incerteza do sistema de medição (Ex. Pastilha – Peça 1 = média dos pontos examinados).

O resultado de R&R para cada grupo foi calculado por meio de uma planilha de Excel. Observações sobre a maneira como cada operador mensurou as peças foram registradas.

Através do cálculo das médias e amplitudes, foram estimados valores para a repetitividade e reprodutibilidade do sistema se medição, possibilitando dessa forma a investigação das causas do erro.



      1. Resultados e Discussões

A incerteza do sistema de medição para método de desgaste foi conhecida em conseqüência do estudo de R&R dos grupos examinados.

Antes de apresentar os resultados, alguns conceitos devem estar esclarecidos:

Segundo José André P. Scherer (Lab. Químico), os valores mais importantes obtidos na análise de Repetitividade e Reprodutibilidade são:

  • R&R x 5,15σ = Verifica se o erro de precisão do sistema de medição está adequado à especificação. Este valor deve ser multiplicado por 100 (para ser transformado em %) e dividido pela faixa de tolerância determinada. Se o valor calculado for menor que 30%, então, o sistema de medição é confiável.

  • R&R = É o erro de medição (variação). Ex. xx ± x, xx mm.

  • %R&R = Indica se o sistema de medição é aceitável ou não.

O manual MSA 3ª Ed. determina como critério de aceitação para este estudo estatístico [7]:

  • %R&R < 10 = Processo de medição APROVADO.

  • 10 ≤ %R&R ≤ 30 = Processo de medição pode ser ACEITÁVEL. Necessita melhoria dependendo de alguns fatores como aplicação, custo, etc.

  • %R&R > 30 = Processo de medição REPROVADO.


De maneira resumida, o Quadro 3 apresenta o resultado da análise para cada grupo.

Quadro 3 – Síntese da análise estatística de R&R.


Avaliando o estudo, o percentual de R&R em todos os grupos estive muito abaixo dos 10%, estando o processo de medição aprovado conforme especifica o manual MSA 3ª ed. Porém, não significa que, em relação às tolerâncias, o estudo esteja confiável. Isso dependerá da especificação para cada estudo (se < 30% - Sistema de Medição Aprovado).

Para ampliar a precisão dos resultados, optou-se por separar os ranges. A nova análise de R&R se fez separando em outras duas planilhas os valores de limite inferior e superior.

O resultado do Range Inferior pode ser observado no Quadros 4.

Quadro 4 – Síntese Range Inferior.

Através deste exame, nota-se o aumento %R&R. A maioria dos grupos ainda apresenta sistema de medição Aprovado. Entretanto, o Estudo 5 e 6 revelou %R&R > 10. Isso os considera, respectivamente, Aceitável e Reprovado. No entanto, ao separar os ranges, o %R&R pode ser desprezível. Os valores de R&R x 5,15σ e R&R são mais importantes, já que apenas uma nominal está sendo avaliada (Range Inferior) e assim, a variação entre os resultados de medição é muito pequena.

O Quadro 5 exibe o resultado de R&R para o Range Superior.





Quadro 5 – Síntese Range Superior.

O estudo de Repetitividade e Reprodutibilidade do limite superior, também demonstrou o aumento do %R&R em relação ao estudo completo, devendo-se à análise de uma única nominal.

A utilização destes dados aplicados ao dia-a-dia deve ser realizada avaliando a melhor opção (range completo ou separado) para a necessidade presente, como também considerando o valor de R&R x 5,15σ para a especificação.




        1. Estudo de R&R em Corpos de Prova

A necessidade do estudo de R&R também é referente ao Laboratório de Caracterização. Logo, outros dois grupos, 7 e 8, também foram avaliados. Nestes, foram analisados a variação de massa e espessura em corpos de prova Fast e SAE J661.

Os mesmos procedimentos de preparação e aquisição das amostras foram adotados, bem como os cuidados para adquirir os dados.

Os Quadros 6 e 7 apresentam os grupos de estudo definidos conforme análise (tipo de variação) e equipamento, assim como o range de análise.

Quadro 6 – Grupos de Estudo vs. Análise/Equipamento a ser utilizado.

Grupo de Estudo

Análise / Equipamento

Massa (∆m)

Massa (∆m)

7. Corpos de Prova

Balança


8. Corpos de Prova


Micrômetro flat


Quadro 7 – Range de estudo dos Grupos de Estudo.



Bons resultados também estiveram presentes nos estudos em corpos de prova. O percentual de R&R nos dois grupos estiveram muito abaixo dos 10%, estando o processo de medição adequado conforme exige o manual MSA 3ª ed. Todavia, como já mencionado, deve-se considerar o valor de R&R x 5,15σ para a especificação, a fim de certificar a confiabilidade do processo.

O Quadro 8 exibe os resultados completos (sem separação de range).

Quadro 8 – Síntese da análise estatística de R&R.

Para ampliar a precisão dos resultados, também foi analisado os ranges separados. O mesmo exame de R&R se fez para o Estudo 7 e 8, separando em outras planilhas os valores de limite inferior e superior.


Grupo de Estudo

Faixa de Estudo (range)

Limite Mínimo

Limite Máximo

7. Corpos de Prova (∆m)


CP Fast – 0,6g

CP J661 – 12,2g

8. Corpos de Prova (∆x)


CP Fast – 2,3 mm

CP J661 – 6,1 mm
Os Quadros 9 e 10 exibem a síntese para o Range Inferior e Superior, respectivamente.

Quadro 9 – Síntese Range Inferior.

Quadro 10 – Síntese Range Superior.



      1. Conclusões

  • Considerou-se APROVADO todos os sistemas de medição aplicados aos métodos de desgaste. Porém, não significa que, em relação às tolerâncias, o processo esteja confiável. Isso dependerá da especificação para cada estudo (se < 30% - Sistema de Medição Aprovado).

  • A utilização dos resultados aplicados ao dia-a-dia deve ser realizada avaliando a melhor opção (range completo ou separado) para a necessidade presente, como também considerar o valor de R&R x 5,15σ para a especificação.

      1. Sugestões

  • Realizar análise de tendência para complementar o estudo sobre Sistema de Medição dos Métodos de Desgaste.

  1. ConclusÃO

No estágio realizado na empresa Fras-le S.A., foi possível conhecer e vivenciar a realidade da empresa referência na produção materiais de fricção. A preocupação em garantir segurança no controle de movimento revela-se na busca da melhoria contínua, desafios diários na prática da pesquisa e desenvolvimento.

As atividades cotidianas possibilitaram aprender bastante sobre diferentes produtos que a empresa produz, bem como sobre sistemas de freios e ensaios em laboratório, que avaliam a qualidade e o desempenho dos materiais de fricção.

De forma geral, as atividades realizadas ofereceram um complemento na busca do crescimento, não só profissional como também pessoal, contando com a colaboração de pessoas capacitadas e de uma infra-estrutura adequada ao trabalho desenvolvido.









  1. Referências Bibliográficas

[1] Master. Engenharia. Conceitos. Disponível em: . Acesso em: 15 de abril de 2008.

[2] Fras-le. Manual Técnico Linha Leve e Linha Pesada. Caxias do Sul, 2006/2007. Disponível em: <http://www.fras-le.com.br/fras%2Dle/>. Acesso em: 15 de abril de 2008.

[3] SERBINO, Edison Marcelo. Um Estudo dos Mecanismos de Desgaste em Disco de Freio Automotivo Ventilado de Ferro Fundido Cinzento Perlítico com Grafita Lamelar. 2005. Dissertação (Mestrado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo.

[4] Pontifícia Universidade Católica DO RIO DE JANEIRO. Programa de Pós-Graduação em Metrologia. Disponível em: <http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/cgibin/PRG_0599.EXE/5563_7.PDF?NrOcoSis=15002&CdLinPrg=pt>. Acesso em: 23 de abril de 2008.

[5] Silva, Welbert Luiz. Experiência na implantação da rotina de análise de sistemas de medição em uma indústria de auto peças. Educação & Tecnologia. Belo Horizonte, v.7, n.2, p.17-22, jul./dez. 2002. Disponível em: . Acesso em: 23 de abril de 2008.

[6] Metrologia & Instrumentação. A capacidade de inspeção. Disponível em: <http://www.banasmetrologia.com.br/imprime.asp?codigo=1033>. Acesso em: 23 de abril de 2008.

[7] MSA. Análise do Sistema de Medição. Consultoria e Treinamento. São Paulo: VTB, 2004.

[8] MSA. Análise dos Sistemas de Medição. Manual de Referência. 3. ed. São Paulo: IQA, 2002.

[9] DOHLE, A. ELVENKEMPER, A. LANGE, J. The “µ - Value” - Friction Level Determination in Brake Systems. 8º Collonquium Internacional SAE BRASIL de Freios & Mostra de Engenharia. Gramado, 2007.


  1. ANEXOS

Anexo A – Histórico da Empresa

A Fras-le S.A., fundada em 22 de fevereiro de 1954, tem seu complexo industrial sediado em Caxias do Sul – RS, instalado em uma área total de 310.000 m2, com 58.100 m2 de área construída. É uma Empresa de capital aberto, com o controle acionário exercido pela Randon Implementos e Participações S.A.

A Fras-le iniciou suas atividades quando os materiais de fricção eram 100% importados, ganhando rapidamente projeção no mercado. Atualmente é líder no mercado nacional e com forte atuação no mercado internacional, incluindo escritório de vendas nos Estados Unidos, Chile, Argentina e Alemanha. A consolidação da Fras-le nos mercados nacional e internacional decorreu de uma seqüência de eventos empresariais.

A Fras-le atua no ramo metalúrgico e têm como atividade a fabricação de materiais de fricção, com as marcas Fras-le e Lonaflex, tanto no mercado nacional quanto no internacional. Tem como missão básica a produção e fornecimento da mais completa linha de materiais de fricção, onde constam mais de 9.000 itens. Com uma tradição de 50 anos e posição consolidada no mercado, a Fras-le é líder na produção de material de fricção na América Latina e está entre as cinco maiores do mundo, assumindo o pioneirismo na absorção de tecnologias avançadas. Parte da produção (45%) é direcionada ao mercado externo, atendendo mais de 70 países. A outra parte (55%) é destinada ao mercado interno. No mercado interno a Fras-le detém (40%) do segmento reposição e (15%) do segmento montadoras.

Tendo como negócio “Segurança no Controle de Movimento”, e alicerçada a sua liderança e competitividade por meio de constantes investimentos orientados para o desenvolvimento de novas tecnologias e processos, a Fras-le, em 2004, produziu 83,6 milhões de peças, obteve um faturamento bruto total de R$ 442 milhões (23% do faturamento da Holding) e empregou, no final de 2004, 2055 funcionários (33% do efetivo da Holding).

Pelas características do segmento em que atua mais especificamente em materiais de fricção, a atualização tecnológica é de fundamental importância para a Fras-le. Tendo como visão “Ser uma empresa de Classe Mundial, líder no mercado de fricção”, a Fras-le realiza investimentos estratégicos em capacitação tecnológica, gestão ambiental, qualidade e em equipamentos de última geração. Um passo importante nesta direção foi à criação, em 1974, e a reestruturação, a partir de 1999, do “Centro de Pesquisa e Desenvolvimento”.


CLIENTES E MERCADOS

O mercado de atuação da Fras-le está dividido em três segmentos:

- Montadoras: Para todas as linhas de veículos e com maior atuação na linha pesada, representa 15% do faturamento da Empresa. Seus principais clientes são (curva ABC por faturamento 2004): Luk do Brasil Embreagens Ltda., Master Sistemas Automotivos, Continental do Brasil, Daimler Chrysler do Brasil, TRW Automotive South América, General Motors do Brasil, Robert Bosch, Volvo do Brasil, Randon S/A Implementos e Volkswagen do Brasil. Para o relacionamento com esse segmento, a Fras-le mantém escritório estrategicamente localizado em São Paulo, o qual desenvolve atividades comerciais e técnicas junto a montadoras e fabricantes de sistemas de freios.

- Reposição: É líder nacional no mercado, comercializando seus produtos em lojas de autopeças, oficinas, concessionárias e frotistas, representa 40% do faturamento da Empresa. Seus principais clientes são (curva ABC por faturamento 2004): DAL – Distribuidora Automotiva–SP, Ribeiro e Caixeta–SP, Comercial Distribuidora–RJ, Pacaembu Auto Peças–SP, DPK Comercial Automotiva–SP, Real Moto Peças–MG, Vidiesel Auto Peças–RJ, Condor Atacadista–DF. Para esse segmento mantém escritórios de vendas localizados em pontos estratégicos do país e conta ainda com equipe de assistência técnica e de vendas em todos os estados brasileiros.

- Exportação: A Fras-le comercializa seus produtos em cerca de 70 países, nos cinco continentes, representa 45% do seu faturamento. Seus principais clientes são (curva ABC por faturamento 2004): Arvin Meritor – EUA, Fras-le North America – EUA, Fras-le Argentina – Argentina, Arvin Meritor CVS - Inglaterra, MIDAS GROUP – África do Sul, URI Ovadia LTD – Israel, Spiros Sigalos–Grécia, LUK Astermarket Service – México, Taro Distributors– Austrália, Europart Technischer Handel - Alemanha. Esses representaram 73% da exportação da Fras-le no ano de 2004. A Empresa mantém escritórios de relações comerciais e técnicas na Argentina, no Chile, nos Estados Unidos e na Alemanha.

A Fras-le tem seu sistema de fabricação certificado pelas Normas ISO/TS 16949:2002 e ISO 14001, permitindo, desta forma, um adequado sistema de identificação e atendimento aos requisitos dos clientes, através do estabelecimento de especificações técnicas do produto e adequação ao uso. Essas especificações são desenvolvidas visando assegurar as características intrínsecas do produto, tais como: coeficiente de atrito, taxa de desgaste, durabilidade, eficiência de frenagem, efeito abrasivo, “compressibilidade” do material de atrito e ruído durante a aplicação.



PROCESSO E PRODUTOS

Na linha de produtos da Fras-le constam mais de nove mil referências, entre pastilhas e lonas para freios, revestimento de embreagens, produtos industriais e especiais para aplicação em caminhões, ônibus, semi-reboques, automóveis, máquinas industriais, tratores, metrôs, elevadores, sondas petrolíferas, aviões e motocicletas, participando desde processos de engenharia simultânea até o lançamento no mercado.

A Fras-le foi o primeiro fabricante de materiais de fricção no Brasil a obter a certificação ISO 9001 e pioneira na América Latina na conquista da certificação internacional de gestão ambiental ISO 14001 em seu segmento. Em setembro de 2002 retirou o amianto de toda a sua linha de produtos, antecipando-se à exigência legal a respeito. Também obteve o certificado QS9000 e a homologação como fornecedora Qualidade Assegurada em montadoras americanas e na maioria das montadoras brasileiras. Em maio de 2004, obteve a certificação ISO/TS 16949:2002, sistema de gestão que engloba, entre outros, todos os requisitos das normas ISO 9001 e QS9000.









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