Estudo de cultivares de alface lactuca sativa



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ESTUDO DE CULTIVARES DE ALFACE (Lactuca sativa L.) EM ESTUFA
REGATO, Mariana Augusta Duarte*; GUERREIRO, Idália Manuela; SILVA, Osvaldo Pantaleão; DÔRES, José Manuel

Escola Superior Agrária de Beja

Rua Pedro Soares – Apartado 158

7801-902-Beja

Telefone: 284 314300

* e-mail: mare@esab.ipbeja.pt


Projecto nº 347 – Acção 8.1 do PO AGRO.

Resumo

Este ensaio teve como objectivo estudar o comportamento de quatro cultivares (cvs.) (Triathlon, Taverna, Vanity e Floreal) de alface em estufa, na região de Beja.


Concluiu-se que as cvs. apresentaram uma boa produção comercializável: Triathlon – 73,47 t ha-1, Vanity – 65,47 t ha-1, Floreal – 68,3 t ha-1 e Taverna 48,37 t ha-1.
A cultivar Taverna foi a que, nas condições em que decorreu o ensaio, demonstrou maior sensibilidade ao espigamento levando a que o seu período de colheita tenha sido mais reduzido, sendo as mais resistentes a Triathlon, a Vanity e a Floreal. Esta última foi a única cultivar atacada por tripes, após o início da colheita.
As cultivares Vanity e Taverna foram as mais sensíveis à podridão cinzenta na fase final da cultura.
Palavras chave: alface, cultivares, estufa.
1 – Introdução

A escassa informação relativa ao comportamento de culturas hortícolas na região de Beja, tem feito com que o Centro Hortofrutícola da Escola Superior Agrária de Beja realize alguma experimentação neste tipo de culturas.




O interesse pela horticultura nesta região, ainda pouco direccionada para esta vertente agrícola, tem vindo a crescer nos últimos anos tornando-se assim, necessário fornecer aos interessados toda a informação base, como a adaptação de cultivares, épocas de plantação, datas de sementeira, compassos, etc.

A alface pode ser produzida em estufa ou ao ar livre e sem grandes exigências culturais. Cultiva-se em quase todos os tipos de solo e ao longo de todo o ano.


Neste caso, são apresentados os resultados obtidos num ensaio de cultivares de alface em estufa.
2 – Material e Métodos
O ensaio realizou-se numa estufa de tecto semicilíndrico e paredes rectas, de estrutura metálica e cobertura de polietileno tratado com uma espessura de 0,45 mm, ocupando uma área de 240 m2. O arejamento é estático e manual, efectuado através de janelas laterais colocadas a todo o comprimento da estufa.
Utilizaram-se quatro cultivares de alface (Triathlon, Taverna, Vanity e Floreal), cujas características se passam a descrever. Relativamente à Floreal não se encontraram dados disponíveis na bibliografia consultada.
Triathlon

Batávia de cor clara e muito brilhante. Desenvolve um sistema radicular muito forte e atinge peso e volume elevados. É uma cultivar de ciclo curto com facilidade de adaptação a condições muito diversas. Apresenta forte resistência ao espigamento, é pouco sensível ao Tip Burn, tolerante ao vírus do mosaico da alface e resistente ao míldio.


Taverna

Cultivar do tipo Batávia de coloração média brilhante. É volumosa, pesada e resistente ao transporte. Apresenta um rápido crescimento e porte semi erecto. É resistente à Brémia NL 1-16, 19, 21 e LMV.


Vanity

Batávia de cor clara. É uma cultivar volumosa, resistente ao LMV e tolerante não só ao espigamento e como também ao Tip burn.


Na figura 1 apresenta-se as temperaturas máximas e mínimas registadas no interior da estufa durante o decorrer do ensaio.
Como se pode verificar a temperatura máxima variou entre os 27 e os 44 ºC. A temperatura mínima variou entre os 8 e os 18 ºC.


Fig. 1 – Temperaturas Máximas e Mínimas da estufa.

As temperaturas altas que ocorreram foram as responsáveis pelo espigamento de algumas alfaces, principalmente da cv. Taverna.


O ensaio foi instalado em blocos completamente casualizados, com quatro repetições.

Realizou-se uma escarificação, uma desinfecção do solo com o insecticida Furadan 5G (carbofurão) e por fim uma fresagem.


Após a preparação do terreno procedeu-se à instalação do sistema de rega gota-a-gota. Utilizou-se fita de rega com gotejadores distanciados de 0,30 m, com o débito unitário de 0,98 L h-1.
A transplantação da alface foi efectuada, manualmente, no dia 27 de Março de 2003.
O compasso de plantação utilizado foi o de 50 cm x 30 cm em linhas pareadas.
A área de cada talhão era de 6,6 m2 com 88 plantas, conduzindo a uma densidade de plantação de 133 300 plantas ha-1.
As operações culturais realizadas ao longo do ensaio foram uma sacha a 14 de Abril de 2003, várias regas, fertilizações e tratamentos fitossanitários.
A aplicação de adubo foi efectuada através de fetirrega e adubação foliar (quadro 1).
Quadro 1-Adubações realizadas

Data

Adubo

28 de Março, 08, 15 e 24 de Abril de 2003 (fertirrega)

Fos-Pot (LLT) (3 L ha-1)

11 de Abril de 2003 (adubação foliar)

Nutriquisa 12-4-6 (250 mL hL-1)

No decorrer do ensaio a cultura foi atacada por roscas (Agrotis segetum Den &Scgiff.), podridão cinzenta (Botrytis cinerea Pers), lagartas (Autographa gamma L.), míldio (Bremia lactucae Regel) e trips da Califórnia (Frankliniella occidentalis Pergante) (Carvalho et al., 2001).


Os ataques mais importantes foram a rosca logo a seguir à transplantação e as lagartas que começaram a surgir próximo da época de colheita. No combate a estas pragas e doenças foram realizados os tratamentos descritos no quadro 2.
O ataque de trips apenas se verificou na cultivar Floreal, após o início da colheita. Não foram realizados quaisquer tratamentos no combate a esta praga devido ao intervalo de segurança dos produtos.

Quadro 2 – Tratamentos efectuados ao longo do ciclo da cultura


Data

Doença ou praga

Tratamento

2 e 11 de Abril de 2003

Rosca

Karate (lambda-cialotrina) (40 mL hL-1)

16 de Abril de 2003
Podridão cinzenta

Rovral (iprodiona) (150 g hL-1)

21 de Abril de 2003
Míldio

Mancozan (mancozebe) (200 g hL-1)

2 e 7 de Maio de 2003

Lagartas

Turex (Bacillus thuringiensis) ( ml hL-1)

A colheita iniciou-se no dia 08 de Maio e terminou a 22 de Maio de 2003.


3 - Apresentação e discussão dos resultados
Através do quadro 3 pode-se verificar que não houve diferenças significativas em qualquer dos parâmetros analisados.

Quadro 3 – Análise de variância da produção total e do peso médio da alface


Origem de variação

Produção total

Produção comercializável

Peso médio da alface
Repetição

0.12 n.s.




0.12 n.s.

Cultivar




0.31 n. s.




Nota: n.s - p0,05
O peso médio das alfaces variou entre os 0,538 kg da cultivar Vanity e os 0,6 kg da cultivar Triathlon (figura 2).
Através da figura 3 pode-se verificar que todas as cultivares apresentaram uma boa produção comercializável (Triathlon – 73,47 t ha-1, Vanity – 65,47 t ha-1, Floreal – 68,3 t ha-1 e Taverna 48,37 t ha-1).





Fig. 2 – Peso Médio da Alface.

Fig. 3 – Produção Total e Produção Comercializável.

4 – Conclusões
Todas as cvs. apresentaram uma boa produtividade, sem diferenças significativas entre elas.
A cultivar Taverna foi a que, nas condições em que decorreu o ensaio, demonstrou maior sensibilidade ao espigamento, levando a que o seu período de colheita tenha sido mais reduzido.
A Floreal foi a única cultivar atacada por trips, mas já depois de ser ter iniciado a colheita.
As cultivares Vanity e Taverna foram as mais sensíveis à podridão cinzenta na fase final da cultura.
As cultivares Triathlon, Vanity e Floreal mostraram-se resistentes ao espigamento.

5 – Bibliografia
Carvalho, A.; Rodrigues, A. S.; Miranda. C. S.; Miranda. C. S.; Gonçalves. L. (2001). Manual de protecção integrada de culturas hortícolas. Edição Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste.






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