Estudo de interaçÕes moleculares entre a isoflavona genisteína e lipossomos de asolecitina de soja



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Rio Grande/RS, Brasil, 23 a 25 de outubro de 2013.



ESTUDO DE INTERAÇÕES MOLECULARES ENTRE A ISOFLAVONA GENISTEÍNA E LIPOSSOMOS DE ASOLECITINA DE SOJA

LOPES DE AZAMBUJA, Carla Roberta(PG), PARIZE, Alexandre Luís (PQ),

RODRIGUES DE LIMA, Vânia (PQ)

titakimica@gmail.com
Evento: Encontro de Pós- Graduação

Área do conhecimento: Orgânica Tecnológica
Palavras-chave: câncer, genisteína, lipossomos
1 INTRODUÇÃO

A genisteína é uma isoflavona que apresenta importantes propriedades antitumorais, no entanto sua administração oral é dificultada devido à sua hidrofobicidade. Uma forma de viabilizar tal administração é incorporar a genisteína em lipossomos, a fim de desenvolver um sistema farmacológico mais eficiente. Para tal, é necessário caracterizar as interações genisteína-lipossomo a fim de conhecer a influência da substância ativa na dinâmica dos lipídios presentes no lipossomo, no que diz respeito aos parâmetros de ordem, mobilidade e fluidez 1-3. Neste trabalho, efetuou-se a incorporação, quantificação e caracterização dos efeitos da genisteína em lipossomos de fosfatidilcolina de soja (ASO), através das técnicas de Ultravioleta-visível (UV-visível), Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR) e Ressonância Magnética Nuclear (RMN).



2 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

Os lipossomos foram preparados pelo método de hidratação de vesículas, que consiste em co-solubilizar o lipídio em clorofórmio, evaporar o solvente através da técnica de rotaevaporação, eliminar os traços de solvente por dessecação a vácuo, hidratar o filme lipídico formado em um tampão aquoso contendo tricina/MgCl2 pH 7,4 e, por fim realizar agitação da amostra em vortex para formação das vesículas.4 A genisteína foi incorporada na etapa de co-solubilização do lipídio em solvente orgânico.

A quantificação da concentração de genisteína nos lipossomos foi obtida a partir do efluxo da isoflavona para o meio aquoso após dissolução das membranas lipídicas com o surfactante Triton X-100. O ensaio foi monitorado por espectroscopia UV-visível, usando o comprimento de onda máximo de absorção 262 nm. A concentração de genisteína incorporada nos lipossomos foi calculada a partir do seu coeficiente de absortividade molar, 35842 M/cm-1.5

Os estudos com FTIR foram realizados através de varreduras de 400 a 4000 nm, com resolução de 2 cm-1. Foram analisados alargamentos e deslocamentos dos valores de freqüência de bandas vibracionais dos lipídios na presença e ausência de genisteína. Os experimentos de RMN foram realizados a 60 MHz, e consistiram em medidas de T1 de 1H de lipossomos na ausência e na presença de genisteína. Este ensaio foi realizado em solvente H2O:D2O (80:20, v/v), usando-se como referência externa foi usada o TSP (ácido trimetilsilil propiônico).



3 RESULTADOS e DISCUSSÃO

A concentração máxima de genisteína incorporada foi detectada em 485 μM. Os resultados obtidos por FTIR indicaram que, nesta concentração, a isoflavona aumentou os valores de freqüência da banda referente ao estiramento assimétrico do fosfato lipídico (ν PO2- a 1217,08cm-1, em lipossomos puros) em aproximadamente 2 cm-1, indicando redução no seu grau de hidratação. A genisteína também reduziu a freqüência das bandas dos estiramentos simétricos dos metilenos lipídicos (νs CH2 a 2854,05 cm-1, em lipossomos puros), em aproximadamente 1,5 cm-1, ordenando a membrana. A análise da largura de bandas de infravermelho demonstrou que a genisteína reduziu a largura dos picos referentes aos grupos fosfato e carbonila em aproximadamente 2,8 cm -1 e 3 cm -1 respectivamente, indicando uma diminuição da mobilidade nestas regiões. As análises de RMN indicam que a presença de genisteína parece diminuir o valor de T1 da região da colina de 0,51 s (valor correspondente a lipossomos de Aso puro) para 0,40 s (valor correspondente a lipossomos de Aso na presença de genisteína) e aumentar o T1 da região metilênica de 0,018s (valor correspondente a lipossomos de Aso puro) para 0.5 s (valor correspondente a lipossomos de Aso na presença de genisteína). A variação de T1 está diretamente relacionada com a variação dos valores de tempo de correlação (τc). Sendo assim, as análises de RMN demonstram que o comportamento induzido pela genisteína parece corroborar com um discreto efeito de aumento de mobilidade na região de colina do lipídio e diminuição da mobilidade na região acil.


4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A genisteína parece interagir com as regiões do fosfato e carbonila da membrana, ordenando-as. Esta interação pode aumentar o grau de mobilidade da colina lipídica, bem como aumentar a comunicação intermolecular na região hidrofóbica da membrana de ASO. Estes resultados podem contribuir com o desenvolvimento de sistemas farmacológicos mais eficientes na terapia antitumoral.


REFERÊNCIAS
1.Esteves,E.A. et al. Rev. Nutr. Campinas. 2001, 14, 43-52.

2Jingling, T. et al. Int. J. Nanomedicine. 2011, 6, 2429–2435.

3Gursoy, A.; Kut, E.; Özkirimli, S. Int. J. Pharm.2004, 271, 115-123

4 Hope, M.J.; Bally, M.B.; Mayer, L.D.; Janoff, A.S.; Cullis, P.R. (1986) Generation of multilamellar and unilamellar phospholipid vesicles. Chem. Phys. Lipids. 40: 89-107.

5 Franke, A. A.; Halm, B.M.; Kakazu, K.; Xingnan, L.; Custer, L.J. (2008) Phytoestrogenic isoflavonoids in epidemiologic and clinical research.Published online in Wiley Interscience: (www.drugtestinganalysis.com) DOI 10.1002/dta.12

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