EvoluçÃo tectono-estrutural do pré cambriano da região de sucuru-pb, terreno alto moxotó, província borborema lauro Cézar M. de Lira Santos1, Edilton José dos Santos2, Elton Luiz Dantas1, Haroldo Monteiro Lima2



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EVOLUÇÃO TECTONO-ESTRUTURAL DO PRÉ CAMBRIANO DA REGIÃO DE SUCURU-PB, TERRENO ALTO MOXOTÓ, PROVÍNCIA BORBOREMA

Lauro Cézar M. de Lira Santos1, Edilton José dos Santos2, Elton Luiz Dantas1, Haroldo Monteiro Lima2

1Universidade de Brasília, 2Universidade Federal de Pernambuco, lmontefalco@unb.br

INTRODUÇÃO E CONTEXTO GEOLÓGICO

A Província Borborema, localiza-se no NE do Brasil e corresponde a uma faixa móvel formada durante o ciclo Brasiliano-Pan-Africano (Almeida et al. 1977, Brito Neves, 1983). Segundo Van schmus et al. (1995), a Província seria estruturada em três grandes domínios principais, denominados de Setentrional, Transversal e Meridional, separados pelos lineamentos Patos e Pernambuco. O terreno Alto Moxotó (TAM) de idade paleoproterozóica (Santos 1996, Santos & Medeiros 1999), constitui uma das subdivisões do domínio Transversal (DT). O estudo detalhado deste subdomínio tem revelado uma grande complexidade litoestratigráfica e estrutural. Segundo Santos & Brito Neves (2001), o TAM constitui um bloco paleoproterozóico contendo raros klippes de rochas supracrustais ediacaranas e restritas intrusões de granitos do tipo-A e seu contexto geológico é dominantemente constituído por ortognaisses e outras rochas metaplutônicas que foram retrabalhadas no Ediacarno.

Estudos recentes de análise estrutural (meso e micro) e cinemática, bem como o mapeamento geológico demonstraram a existência de pelo menos 4 fases deformacionais que afetaram a região próxima a Sucuru-PB, sendo a primeira e a segunda de caráter tangencial com, a terceira fase referente a transcorrência brasiliana e uma quarta fase que culminou com o alojamento dos diques da suíte Sucuru (Tabela 1).

EVOLUÇÃO DEFORMACIONAL

A primeira foliação observada (S0) representa um bandamento composicional máfico-ultramáfico e está presente principalmente em afloramentos do Complexo Malhada Vermelha representando uma foliação de fluxo ou estruturas cumuláticas. A partir de certo estágio, essas estruturas magmáticas são totalmente transpostas por uma foliação de baixo ângulo (S1). Os critérios cinemáticos observados no campo associados a lineação de alto rake, sugerem que o evento D1 representa uma tectônica contracional com transporte para NW, sendo representada principalmente pela Zona de Cisalhamento do Carmo. Grande parte desta tectônica está envolvida por migmatitos, principalmente diatexiticos. Na região sudoeste da área no interior de ortognaisses e metassienitos, há resquícios de metagabros com muita granada e cpx, inclusive com texturas simplectíticas, o que sugere que o metamorfismo M1 associado a fase D1 é um tipo bárico de alta pressão (fácies eclogito). Uma nova foliação de baixo ângulo com lineação de alto rake, sugere a existência de uma nova fase tangencial (D2) porém esta com transporte para SSE, para esta tectônica não foi possível definir alguma zona de cisalhamento que expresse com clareza o efeito desta tectônica. O metamorfismo M2 associado a esta tectônica é de fácies anfibolito alto.

A fase seguinte D3 é de caráter dúctil transcorrente, reslacionada com a movimentação das zonas de cisalhamento de Coxixola (localizada ao sul da área), de direção leste-oeste e rejeito dextral, e do Congo de direção nordeste-sudoeste de rejeito sinistal. Os critérios cinemáticos (S-C, S-C-C’, porfiroblastos do tipo sigma) são bem observados na superfície horizontal de vários afloramentos onde ocorrem milonitos com proeminente foliação vertical, na qual acha-se impressa uma lineação de estiramento mineral sub-horizontal. A largura de influência desses milonitos atinge até poucas dezenas de metros. O metamorfismo associado M3 ainda é de fácies anfibolito, onde biotita, plagioclásio e quartzo ainda são fases estáveis, podendo ocorrer fortemente cominuidos em seções delgadas. Os critérios cinemáticos são bem observados na superfície horizontal, onde ocorrem milonitos com proeminente foliação vertical, na qual acha-se impressa uma lineação de estiramento sub-horizontal. A largura de influência desses milonitos atinge até poucas dezenas de metros. O metamorfismo M3 associado é de ainda de fácies anfibolito, onde biotita, plagioclásio e quartzo ainda são fases estáveis, que ocorrem fortemente cominuídos nas seções delgadas, além da presença de anfibólio, sillimanita e os migmatitos associados. A zona de cisalhamento Riacho do Urubu é a estrutura mais característica na área, caracterizada por milonitos a ultramilonitos verticais. Vários segmentos de zonas de cisalhamento transcorrente, transpondo ou não os milonitos tangenciais ocorrem por toda área e são responsáveis por dobramentos com eixos de direção NE-SW e caimento ora pra NW e ora pra SE.

A fase final é, possivelmente, de caráter transpressional dúcil-rúptil, sendo responsável pela geração do enxame de diques da suíte Sucuru, contrastando com a idéia de que a colocação de enxames de diques na Província Borborema, sempre foi considerada em decorrência de processos extensionais, pós-orogênicos. A estrutura mais importante desta fase é a zona de cisalhamento do Riacho da Onça, de direção NNE-SSW. O metamorfismo M4 associado atingiu o fácies xisto verde, sendo bem caracterizado pela recristalização de sericita e clorita e pela formação de espelhos de falha milimétricos. Os dados de campo ainda são preliminares, mas a definição de um par conjugado de zonas de cisalhamento, com bandas centimétricas, orientadas nas direções N10E com rejeito sinistral e N10-20W com rejeito dextral (prováveis shears de Riedel R’ e R, respectivamente), além de foliações afetando os diques da suíte Sucuru na direção NE-SW, sugerem a existência de um σ1 compressivo, aproximadamente na direção N-S. Este padrão indica um regine transpressional associado a um sistema E-W de rejeito dextral (Woodcock & Schubert 1994).



Tabela 1 – Quadro de evolução estrutural e metamórfica da região de Sucuru-PB, segundo Santos et al. 2010.



CONCLUSÕES

A análise estrutural da região de Sucuru-PB demonstrou uma complexa evolução estrutural e metamórfica com a presença de pelo menos 3 fases deformacionais de caráter dúctil, tangencial D1, D2 (com suas respectivas foliações de baixo ângulo S1 e S2) e transcorrente (D3) com sua foliação de alto ângulo S3. Estas observações corroboram com os dados de Medeiros & Torres 2000. e uma fase final D4 de caráter dúctil-rúptil transpressional descritas acima. As rochas mais antigas possuem um trend geral NE-SW sendo divididas em dois domínios distintos pela ZCC de caráter tangencial com transporte para NW. O domínio à norte da ZCC é representado principalmente por ortognaisses sieníticos, graníticos e tonalíticos, além de rochas metamáficas e metaultramáficas. O domínio ao sul da ZCC é constituído por rochas metassedimentares do Complexo Sertânia. Dados petrográficos de paragênese mineral, sugerem que a área de Sucuru foi afetada por metamorfismo regional de alto grau, principalmente relacionadas à tectônica tangencial (fases D1 e D2) e a fase D3 transcorrente , correspondendo à condições de fácies eclogito (metamorfismo M1 e M2 e anfibolito alto (metamorfismo M3.



REFERÊNCIAS

Almeida F.F.M., Hasui Y., Brito Neves B.B., Fuck R.A. 1977. Províncias estruturais brasileiras. In: SBG, Simp. Geol. NE, 8, Atas, p. 363-391.

Brito Neves B.B. 1983. O mapa geológico do Nordeste Oriental do Brasil, escala 1:1.000.000. Tese de Livre Docência, Instituto de Geociências/Universidade de São Paulo, 171p.

Medeiros, V.C. & Torres, H.H.F. 2000. Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil. Sumé. Folha SB.24-Z-D-V. Estados da Paraíba e Pernambuco. Escala 1:100.000. Falcão Torres. – Brasília: CPRM.

Santos E.J. 1996. Ensaio preliminar sobre terrenos e tectônica acrescionária na Província Borborema. In: SBG, Congresso Brasileiro de Geologia, 39o, Salvador, Anais, 6:47-50.

Santos, E.J. & Medeiros V.C. 1999. Constraints from granitic plutonism on proterozoic crustal growth of the Transverse Zone, Borborema Province, NE-Brazil. Revista Brasileira de Geociências, 29:73-84.

Santos, E. J. ; Brito Neves, B.B. 2001. Deformação, trajetórias metamórficas e justaposição de terrenos na subprovíncia Transversal. In: XLI Simpósio de Geologia do Nordeste, 2001, Natal RN. Resumos Boletim No 17. Natal RN : SBG Núcleo Nordeste, v. 1. p. 300-301.

Santos, L.C.M.L. 2010. Mapeamento geológico e análise litoestratigráfica do precambriano da região de Sucuru (Paraíba), terreno Alto Moxotó, Província Borborema. UFPE, Centro de Tecnologia e Geociências, Departamento de Geologia, Relatório de Graduação, 146p.



Van Schmus, W. R., Brito Neves B. B., Hackspacher P. C. & Babinski M. 1995. U/Pb and Sm/Nd geochronologic studies of the eastern Borborema Province, Northeast Brazil: initial conclusions. Journal of South American Earth Sciences, 8(3/4):267-288.

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