Experimento 1: efeito do método de produçÃo de sementes (aps ou pcs) e da árvore matriz (ou clone) na quantidade e tamanho de cones e sementes produzidos e propriedades tecnológicas do lote de sementes



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2.2.2 Distribuição de Cones e Sementes por Tamanho


O Índice de Gini para a variação do tamanho de cones e sementes das matrizes da APS e dos clones do PCS é apresentado na Tabela 2.9 e 2.10.
Tabela 2.9 - Índice de Gini das matrizes de Pinus taeda da APS

Matriz

Indice de Gini - Cones

Indice de Gini - Sementes

2005

2006

2005

2006

M 1

0,83

0,86

0,80

0,90

M 2

0

0

0,72

0,85

M 3

0

0,74

0,79

0,94

M 4

0

1,02

0,85

0,88

M 5

0,29

0,66

-

0,67

M 6

1,06

0,97

0,96

1,00

M 7

0

0,05

0,87

0,94

M 8

0,06

0

0,36

0,32

M 9

0,03

0

0,83

0,94

M 10

0,18

0,54

0,77

0,72

M 11

0,80

0,54

0,67

0,97

M 12

0

0,07

0,73

0,96

Média

0,27

0,45

0,77

0,84

M 13

...

0,69

...

0,96

M 14

...

0,68

...

0,96

M 15

...

0,94

...

0,77

M 16

...

0,66

...

1,04

M 17

...

0,69

...

0,99

M 18

...

0,69

...

0,90

Tabela 2.10 - Índice de Gini dos clones de Pinus taeda do PCS



Clone

Indice de Gini - Cones

Indice de Gini - Sementes

2005

2006

2005

2006

C 1

1,02

0,9

0,65

1,02

C 2

1,07

1,02

0,93

0,81

C 3

0,69

0,76

0,94

0,88

C 4

0,82

0,85

0,93

0,86

C 5

0,58

1

0,91

0,99

C 6

1,07

1,06

0,82

0,81

C 7

0,53

0,85

0,83

0,8

C 8

1,09

1,01

0,78

0,83

Média

0,86

0,93

0,85

0,88

C 9

...

0,65

...

0,77

C 10

...

0

...

1

C 11

...

0,58

...

0,79

C 12

...

0,66

...

0,82

C 13

...

1,03

...

0,82

C 14

...

0,33

...

0,45

C 15

...

0,42

...

0,68

Um valor alto do índice de Gini indica alta heterogeneidade dos dados, sendo que, neste caso, o valor mais alto possível seria 1,01, ou seja, se houvesse 33% do total de sementes em cada uma das três classes de tamanho de semente. O menor valor, ou seja “0”, representaria uma distribuição onde todas as sementes se encontrassem apenas em uma das categorias de tamanho, ou seja, uma situação de alta homogeneidade dos tamanhos das sementes. Com base nisso verifica-se que a distribuição dos cones foi mais homogênea na APS, em ambos os anos, enquanto que a distribuição do tamanho de sementes foi bastante parecida entre as duas áreas nos dois anos do estudo.

Os Gráficos 2.3 e 2.4 apresentam a distribuição de tamanho dos cones coletados das diferentes matrizes e clones da APS e do PCS, respectivamente, nos anos avaliados.
Gráficos 2.3 - Distribuição dos tamanhos dos cones de Pinus taeda produzidos pela APS


Gráficos 2.4 - Distribuição dos tamanhos dos cones de Pinus taeda produzidos pelo PCS

Por estes gráficos fica claro que no pomar clonal existe uma maior variação dos tamanhos dos cones produzidos pelos clones e que, de forma geral, os cones produzidos na APS são menores que aqueles produzidos no PCS. Na média, na APS em 2005, 84% dos cones produzidos pelas matrizes avaliadas tiveram um comprimento igual ou inferior a 10 cm (categoria 1 de tamanho), 13% estavam entre 10,1 e 11,5 cm (categoria 2) e apenas 3% eram superiores a 11,5 cm em comprimento (categoria 3). Em 2006, considerando as mesmas matrizes avaliadas em 2005, estes valores foram 71%, 25% e 4%, respectivamente para as categorias 1, 2 e 3 de tamanho. Já para o PCS, em 2005, 56% dos cones produzidos pelas matrizes avaliadas estiveram na categoria 1 de tamanho, 25% estavam na categoria 2 e 18% na categoria 3. Em 2006 estes valores foram 39%, 37% e 24%, respectivamente para as categorias 1, 2 e 3 de tamanho.

Os Gráficos 2.5 e 2.6 apresentam a distribuição de tamanho das sementes presentes nos lotes das diferentes matrizes e clones da APS e do PCS, respectivamente, nos anos avaliados.
Gráfico 2.5 - Distribuição dos tamanhos das sementes de Pinus taeda produzidas Pela aps

A matriz AF 53 não liberou suas sementes no ano de 2005.


Gráfico 2.6 - Distribuição dos tamanhos das sementes de Pinus taeda produzidAs pelo PCS

Pelas figuras acima fica nítida a diferença em tamanho entre sementes oriundas de diferentes matrizes e diferentes áreas de coleta. Para a APS, em 2005 49% das sementes eram menores que 4 mm (categoria 1 de tamanho), 45% estavam entre 4 e 4,5 mm de tamanho (categoria 2) e 6% das sementes eram superiores a 4,5 mm de tamanho (categoria 3) e em 2006, considerando as mesmas matrizes avaliadas em 2005, esses valores foram de 40%, 46% e 14%, respectivamente, para as categorias 1, 2 e 3 de tamanho.

Das sementes coletadas dos clones do PCS em 2005, 24% eram da categoria 1 de tamanho, 50% da categoria 2 e 26% das sementes da categoria 3. Em 2006 estes valores foram de 24%, 51% e 25%, respectivamente, para as categorias 1, 2 e 3 de tamanho. Nos dois anos do estudo a porcentagem de sementes maiores (categoria 3) foi bastante superior nos clones avaliados do PCS quando comparados às matrizes da APS. Esta tendência está de acordo com o encontrado por SORENSEN e CAMPBELL (1985), que verificaram que em espécies de coníferas, sementes de rametes enxertados em pomares de sementes apresentam sementes maiores que aquelas coletadas nos ortetes originais. POWELL e WHITE (1994) constataram também que sementes de Pinus elliottii advindas de pomares adultos eram aproximadamente 15% maiores que aquelas oriundas de plantios e áreas de distribuição natural da espécie. Os resultados de HADDERS (1963), com sementes de Pinus sylvestris e de PARKS (1978), com sementes de Pinus ponderosa,também chegam a essa conclusão.

Algumas justificativas relatadas para o fato de sementes maiores serem produzidas nos pomares e não em regiões de distribuição natural da espécie são diferenças de fotoperiodo, tamanho de copas (PDZHAROVA, 1973), estações de crescimento e teor de umidade (SLATER e JENSEN, 1970) e fertilidade (MERGEN e VOIGHT, 1960), tudo isso mais favorável em pomares.



Em seu trabalho HELLUM (1976), também encontrou grande variação na distribuição de tamanho de sementes de 9 famílias de Picea glauca, e grande variação no peso de sementes em dois anos consecutivos. Além dissoa distribuição relativa do peso da semente tendeu a ser a mesma nos dois anos, o que também foi verificado neste estudo. Dentre os clones avaliados nos dois anos, observa-se uma pequena variação de um ano para o outro com relação à distribuição do tamanho das sementes: em ambos os anos os clones que apresentaram a maior porcentagem de sementes maiores foram os clones 1 e 8 (ambos com mais de 50% de sementes tamanho 3 em 2005 e mais de 47% em 2006), e que os clones que apresentaram a maior produção de sementes menores em 2005 (clones 5, 6 e 7) foram os mesmos em 2006 .

2.2.3 Propriedades Tecnológicas dos Lotes de Sementes


A distribuição por tamanho, a porcentagem de germinação e o IVG das sementes das diferentes matrizes da APS coletadas em 2006 são apresentadas na Tabela 2.11.
TABELA 2.1 - distribuição por tamanho, Germinação e ivg das sementes das matrizes de Pinus taeda da APS - MÉDIA de 6 repetições

MATRIZ

SEM 1 (%)

SEM 2 (%)

SEM 3 (%)

GERMINAÇÃO (%)

TUKEY(1)

IVG

TUKEY(1)

M 4

42,5

55,5

2,0

94,3

a

5,86

a

M 3

18,7

59,3

22,0

90,0

a b

5,92

a

M 8

36,3

49,8

13,9

87,0

a b c

4,59

b

M 7

35,0

53,0

22,0

86,0

a b c

3,76

c d

M 1

39,2

49,3

11,5

84,7

a b c

4,52

b

M 9

39,2

53,1

7,7

84,3

b c

3,94

b c d

M 6

10,9

54,9

34,1

84,0

b c

3,68

c d

M 10

28,0

57,4

14,6

83,3

b c

4,00

b c

M 5

25,0

54,5

20,5

79,3

c

3,47

c d

M 2

18,9

65,7

15,4

78,7

c

3,30

d

MEDIA

29,4

55,3

16,4

85,2

 

4,30

 

MEDIANA

31,5

54,7

15,0

84,3

 

4,15

 

C.V.

 

 

 

5,44%

 

21,57%

 

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
O teste de Shapiro-Wilk indicou normalidade na distribuição dos resíduos das taxas de germinação (p-valor = 0,24), porém a homogeneidade das variâncias, verificada pelo teste de Bartlett, apresentou um p-valor inferior ao nível de significância adotado (p-valor = 0,038). Como a transformação desta variável usando a metodologia BoxCox não alterou este valor a análise foi realizada supondo-se a homocedasticidade das taxas de germinação. Para os dados de IVG o p-valor resultantes do teste de Shapiro-Wilk foi 0,014, indicando a necessidade de transformação. Pela metodologia BoxCox chegou-se ao valor de lambda de 0,252, de forma que a variável IVG transformada resultou em p-valores de 0,43 para o teste de Shapiro-Wilk e de 0,21 para o teste de Bartlett, adequando-se aos requisitos da ANOVA paramétrica. A ANOVA detectou diferença estatística na germinação (p-valor < 0,001) e IVG (p-valor < 0,001) de sementes das diferentes matrizes da APS.

Na germinação 80% das matrizes produziram sementes com comportamento estatisticamente semelhante, e no IVG 50% das matrizes.

O lote de sementes da matriz 4, de 94,3 % de germinação, apresentou 42,5% das suas sementes na categoria 1 de tamanho, 55% das suas sementes na categoria 2 e 2% apenas de suas sementes na categoria 3 de tamanho, enquanto que o lote de sementes de menor germinação, matriz 2 com 78,6% de germinação, teve 18,9% das suas sementes na categoria 1 de tamanho, 65,7% na categoria 2 e 15,4% na categoria 3. No trabalho de DUNLAP e BARNETT (1983) com sementes de Pinus taeda, sementes de menor tamanho (3,6 a 4 mm) não alcançaram a taxa máxima de germinação alcançada pelas sementes maiores (mais de 4,8mm). Com base neste resultado, seria de se esperar, portanto, que as matrizes deste estudo com maior porcentual de sementes na categoria 3 apresentassem maior capacidade de germinação, o que não aconteceu. Se assim fosse a matriz 6, com 34% de sementes da categoria 3, teria de apresentar a mais alta germinação, e a mesma ficou na 7º posição do ranking, com 84% de germinação.

Com relação ao IVG, os lotes de sementes das duas matrizes de maior capacidade de germinação também apresentaram um IVG estatisticamente superior aos das demais. No trabalho de DUNLAP e BARNETT (1983) com sementes de Pinus taeda, além de sementes de menor tamanho não alcançarem a taxa máxima de germinação das sementes maiores estas também levaram mais tempo para iniciar a germinação. No entanto, as sementes menores foram capazes de sustentar suas taxa máxima de germinação por um intervalo de tempo maior que as sementes maiores. O Gráfico 2.7 apresenta a velocidade da germinação das sementes das diferentes matrizes da APS. Nela podemos verificar que a matriz 4, dentre as matrizes avaliadas no ensaio de germinação aquela que produziu o maior porcentual de sementes da categoria 1, (42,5%), apresentou também a maior velocidade de germinação de suas sementes, com praticamente todas as sementes viáveis já germinadas em 6 dias, o que vai contra o encontrado por DUNLAP e BARNETT (1983).

Gráfico 2.1 - germinação de sementes de diferentes matrizes de Pinus taeda da APS

A matriz que produziu sementes de menor velocidade de germinação foi também aquela que apresentou a menor taxa final de germinação (matriz 2), até o 8° dia apenas 28% das suas sementes estavam germinadas, em comparação a 88% da matriz 4.



Os dados levantados do PCS são apresentados na Tabela 1.12.
TABELA 2.2 - distribuição por tamanho, Germinação e ivg das sementes das matrizes de Pinus taeda do PCS - MÉDIA de 6 repetições

CLONE

SEM 1 (%)

SEM 2 (%)

SEM 3 (%)

GERMINAÇÃO (%)

TUKEY

IVG

TUKEY(1)

C 13

12,7

69,4

17,9

90,7

a

5,30

b c d

C 4

16,7

67,1

16,1

86,7

a b

6,59

a

C 9

2,4

39,4

58,2

81,7

a b c

4,50

b c d

C 8

4,8

37,3

57,9

78,7

a b c d

4,91

b c d

C 2

5,4

63,2

31,4

77,0

a b c d

5,68

a b

C 10

27,2

54,2

18,6

75,7

a b c d

4,09

d e

C 7

38,2

58,2

3,6

72,3

a b c d

5,41

a b c

C 5

43,6

43,3

13,1

69,7

b c d e

4,42

c d

C 15

2,3

26,9

70,8

67,3

c d e f

5,22

b c d

C 11

14,2

72,1

13,8

65,0

c d e f

4,76

b c d

C 1

16,8

36,1

47,1

62,0

d e f

2,95

e f

C 3

9,0

60,4

30,6

53,3

e f g

2,61

f

C 12

52,2

44,1

3,7

51,0

f g

2,52

f

C 14

7,4

4,8

87,8

42,0

g

2,75

f

C 6

57,4

38,9

3,6

37,3

g

2,65

f

MEDIA

20,7

47,7

31,6

67,4

 

4,3

 

MEDIANA

14,2

44,1

18,6

69,7

 

4,5

 

C.V.

 

 

 

23,42%

 

30,46%

 

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
O teste de Shapiro-Wilk para os dados de germinação dos clones do PCS apresentou um p-valor de 0,165 e para os dados de IVG um p-valor de 0,39, indicando a normalidade da distribuição dos resíduos para ambas as características. O teste de Bartlett para germinação apresentou um p-valor de 0,26 e para IVG um p-valor de 0,20, indicando a homogeneidade das variâncias. A ANOVA realizada para os dados de germinação e IVG do PCS apresentou um valor-p < 0,001, verificando-se que existe, portanto, evidência de diferença estatística entre os tratamentos para ambas as características.

No pomar clonal, 53% das matrizes produziram sementes com germinação estatisticamente semelhante, enquanto que em termos de IVG esse valor foi de 46,6%. Os clones 13 e 4 foram os que apresentaram o maior potencial de germinação de suas sementes (91% e 87%, respectivamente). Estes clones estavam também entre os três clones que apresentaram o maior porcentual de sementes na categoria 2 de tamanho (C 13 com 69,4% e C 4 com 67,1%). Ainda no grupo dos clones que apresentaram estatisticamente maior porcentual de germinação estão os clones 9 e 8, que estão entre aqueles que produziram maior porcentual de sementes da categoria 3 (58,2% e 57,9%). No grupo dos clones que estatisticamente apresentaram as mais baixas porcentagens de germinação estão os clones 6 (38% de germinação) e 12 (50% de germinação), os dois clones que apresentaram o maior porcentual de sementes tamanho 1 (57,4% e 52,2%, respectivamente). É interessante observar que também fazem parte deste grupo o clone 14 (42% de germinação), que apresentou o maior porcentual de sementes na categoria 3, com 87,8% de suas sementes nesta categoria.

Ainda, no pomar clonal os clones que produziram sementes de maior capacidade de germinação (clones 13, 4 e 9) não foram exatamente aquelas de maior velocidade de germinação (clones 4,2 e 7), como pode ser observado no Gráfico 2.8.
Gráfico 2.2 - germinação de sementes dos diferentes clones de Pinus taeda do PCS

A grande variação existente na germinação de sementes provenientes de diferentes matrizes ou clones têm sido reportada por vários trabalhos (CHAISURISRI et al., 1992; EL-KASSAY, 2006; BRAMLETT, 1983) . Em seu estudo com clones de Pinus contorta var. latifolia, EL-KASSABY (2006) não encontrou diferenças significativas na germinação de sementes nos dois anos avaliados e concluiu que o componente genético (clones) foi o principal responsável pelas diferenças na germinação. BRAMLETT et al. (1983), estudando sementes de Pinus virginiana oriundas de cruzamentos dialélicos também verificaram grandes diferenças entre as sementes dos diferentes progenitores, ou seja, um forte controle genético no processo de germinação. As maiores diferenças entre a germinação dos lotes de sementes também foram encontradas nos primeiros dez dias, com o decréscimo gradual da diferença após esse período. A capacidade especifica de germinação explicou somente uma pequena porção da variação observada ao contrário da capacidade geral de germinação, que foi responsável por grande parte da variabilidade observada para IVG e capacidade de germinação. Com isso, apenas a seleção de matrizes ou clones com base em cruzamentos abertos se mostrou suficiente como estratégia para aumento do IVG e capacidade de germinação do lote de sementes.

Observa-se pelas Tabelas 1.11 e 1.12 que a porcentagem média de germinação foi maior para as sementes oriundas da APS (85%) que do PCS (67%). Nenhuma matriz da APS apresentou uma porcentagem de germinação inferior à média do PCS. Em ambos os casos houve uma alta correlação entre capacidade de germinação e IVG: 0,76 na APS e 0,86 no PCS.

Cumpre ressaltar que foi utilizado o método de quebra de dormência proposto pelas Regras de Análises de Sementes (1992): as sementes permaneceram sempre úmidas durantes 30 dias, em câmara fria, a 5°C. Estudos realizados com várias espécies citam que a eficiência do método utilizado pode variar entre famílias ou procedências (FONSECA, 1982; EL-KASSABY, 2006). FONSECA percebeu diferenças significativas na germinação de sementes de diferentes procedências de Mimosa scabrella, com uma variação de 69,5 para 41,5% de germinação média dependendo da temperatura da água utilizada. Esse autor considera a possibilidade de que a variação na porcentagem de germinação entre as procedências estudadas seja devido a uma possível diferenciação das mesmas quanto ao grau de dormência das sementes. Esse resultado indica que, para fins de cálculo do número de sementes necessárias para cumprir as metas de um programa de reflorestamento deve se determinar o método de quebra de dormência mais eficiente para cada procedência considerada. Esse, no entanto, não foi um dos objetivos focados por este estudo, optando-se, então, pelo uso de um método comum para todos os tratamentos envolvidos.



As médias, por tratamento, do número de sementes por quilo, encontram-se nas Tabelas 2.13 (APS) e 2.14 (PCS).
TABELA 2.3 - Número de sementes por quilo para as matrizes de Pinus taeda da APS – média de 5 repetições

MATRIZ

Nº SEMENTES /KG

TUKEY(1)

M 1

40.519

a

M 8

37.965

b

M 7

36.523

b c

M 10

35.817

c

M 9

35.613

c

M 6

35.336

c

M 2

33.602

d

M 4

32.573

d e

M 3

31.726

e

M 5

29.223

f

MÉDIA

34.890




MEDIANA

35.474




C. V.

9,29%

 

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
TABELA 2.4 - Número de sementes por quilo para OS CLONES de Pinus taeda do PCS – média de 8 repetições

CLONE

Nº SEMENTES/ KG

TUKEY(1)

C 14

47.647

a

C 5

47.450

a

C 6

44.919

b

C 3

40.879

c

C 12

39.177

c d

C 2

38.462

d

C 13

38.333

d

C 11

38.168

d e

C 10

37.647

d e f

C 7

36.697

e f g

C 1

36.647

f g

C 4

35.714

g

C 9

34.115

h

C 15

32.402

i

C 8

28.582

j

MÉDIA

38.456




MEDIANA

38.168




C. V.

13,57%

 

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
O teste de normalidade de Shapiro-Wilk indicou normalidade da distribuição dos resíduos da APS (valor-p = 0,91) e o teste de Bartlett indicou a homogeneidade das variâncias a 5% de probabilidade (p-valor= 0,40). Já para os dados do PCS o teste de normalidade apresentou um valor-p muito baixo (0,004) e foi utilizada a transformação Box-Cox em uma tentativa de atender os pressupostos da ANOVA. Tal transformação resultou em um valor de λ igual a 1, o que indica que não existe transformação. Após uma série de tentativas frustradas, utilizando as mais diferentes transformações, optou-se por trabalhar com os dados originais do PCS. A ANOVA encontrou diferenças significativas entre o número de sementes por quilo das diferentes matrizes da APS (p-valor < 0,001) e para os diferentes clones do PCS (p-valor < 0,001).

Na APS, a matriz 5 produziu sementes estatisticamente mais pesadas que as das demais matrizes (29.223 sementes/ quilo) e a matriz 1 produziu sementes significativamente mais leves que as das demais matrizes (40.519 sementes por quilo). A diferença porcentual entre estas duas matrizes foi de 39%.



No PCS o clone 8, com 28.582 sementes por quilo, foi estatisticamente superior aos demais no peso de suas sementes (menor número de sementes por quilo), enquanto que o clone 14, com 47.647 produziu sementes significativamente mais leves. A diferença porcentual entre estes dois clones foi de 67%. No estudo conduzido por GRIFFIN (1975) com sementes de 30 clones de Pinus radiata o número de sementes por quilo variou de 10.800 a 21.200 dependendo do clone. A variação encontrada entre rametes de um mesmo clone foi ainda maior. Qto?
Qual a implicação prática da diferença no número de sementes por quilo das diferentes matrizes/ clones?
Enquanto que a média de sementes por quilo da APS foi de 34.890 essa mesma média foi 10,3% superior para o PCS (38.483 sementes por quilo), ou seja, matrizes da APS produziram sementes mais pesadas que os clones do PCS. Ao contrário do que foi aqui verificado, no estudo com Pinus elliotti Engelm. var. elliottii POWELL e WHITE (1994) verificaram que o número médio de sementes por quilo de plantios comerciais e de áreas de distribuição natural da espécie é 21% superior à quantidade média de sementes por quilo produzidas em pomar clonal. Uma das explicações para isso seria a diferença de idade das duas áreas, porém como verificado por POWELL e WHITE (1994) apesar da produção total de cones e sementes por individuo aumentar gradualmente a número de sementes por quilo não se mostrou correlacionado com a idade do pomar.
A correlação entre porcentagem de germinação e número de sementes por quilo foram bastante baixas tanto para a APS quanto para o PCS (0,03 e -0,59, respectivamente). Ainda, ao contrário do encontrado por AGUIAR & NAKANE para Eucalyptus citriodora, e DONI FILHO (1974) para Eucalyptus grandis, onde foi verificado que o peso de sementes é maior quanto maior o seu tamanho, neste estudo as matrizes que apresentaram um menor número de sementes por quilo (sementes mais pesadas, portanto), não foram as mesmas que apresentaram uma maior porcentual de sementes maiores. O clone 14, por exemplo, com 87,8% de suas sementes produzidas na categoria 3, apresentou o maior número de sementes por quilo dentre os clones avaliados (47.647), ou seja, as sementes mais leves dentre todos os clones. Este mesmo clone foi, ainda, aquele que apresentou a segunda menor capacidade de germinação dentre todos os avaliados (41% de germinação apenas). Por outro lado, o clone 8, também com uma grande porcentagem de sementes tamanho 3 (58%) apresentou o menor número de sementes por quilo dentre os clones avaliados (28.582 sementes por quilo), ou seja, as sementes mais pesadas. Este mesmo clone mostrou ainda uma capacidade de germinação de 78,7%, quase o dobro da anterior. Nos lotes de sementes produzidos pelas matrizes da APS, verificou-se que a matriz 5, com o menor número de sementes por quilo (29.223), apresentou 20,5% de sementes tamanho 3 (a média da APS foi 11%) e o segundo mais baixo potencial de germinação (79,3%). A matriz que apresentou o maior porcentual de sementes do tamanho 3 (M 6, 34%) foi a 5º no ranking das que tiveram um menor número de sementes por quilo (sementes maiores), não indicando uma correlação entre a distribuição dos tamanhos das sementes e o número de sementes por quilo das matrizes avaliadas. Estes resultados deixam claro que nem o tamanho da semente, nem o número de sementes por quilo são indicativos do potencial germinativo do lote, a indicação das matrizes que o compõem é o melhor indicativo deste potencial.

2.2.3.1 Valor genético dos lotes de sementes


A partir da quantidade de sementes produzidas por cada clone e da freqüência de cada categoria de tamanho de semente foi calculado o valor genético dos lotes de diferentes tamanhos de sementes.

O lote de 2005 foi composto por 8 clones. O lote de sementes de tamanho 1 (sementes menores) apresentou um valor genético para diâmetro de 20,15 cm, o lote de sementes tamanho 2 idem e o lote de sementes tamanho 3 um valor genético de 20,13cm.

O lote de 2006 foi composto por 15 clones. O lote de sementes de tamanho 1 (sementes menores), 2 e 3 apresentaram o mesmo valor genético: 20,06 cm.

Verifica-se que nos dois anos os anos lotes dos diferentes tamanhos de sementes apresentaram praticamente o mesmo valor genético, mesmo com as diferentes freqüências de cada clone no lote. Com isso a classificação de sementes por tamanho para o lote formado por sementes destes clones não trouxe qualquer prejuízo ou vantagem do ponto de vista do ganho genético.



Citar estudos que tenham avaliado a influencia do tamanho da semente no valor genético do lote formado

No entanto deve-se considerar que os clones avaliados apresentaram um valor genético bastante semelhante. O mais alto valor genético foi de 20,6 cm (C 5) e o mais baixo foi de 19,6 cm (C 9), sendo a média 20,1 cm, nos dois anos. Caso esse valor fosse mais discrepante a influência das diferentes freqüências de cada clone no lote de sementes produziria maior efeito sobre o valor genético final do lote de sementes.





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