Experimento 1: efeito do método de produçÃo de sementes (aps ou pcs) e da árvore matriz (ou clone) na quantidade e tamanho de cones e sementes produzidos e propriedades tecnológicas do lote de sementes



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3.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.2.1 Número de Sementes por Cone


O resultado do teste de Shapiro-Wilk para os resíduos da ANOVA do número de sementes em função do tamanho do cone, não rejeitou a hipótese de normalidade (p-valor= 0,14). O teste de Bartlett indicou comportamento homocedástico nos diferentes tamanhos de cones (p-valor= 0,46), porém o mesmo não foi concluído com relação aos dados de diferentes clones (p-valor = 0,002), devido à baixa variabilidade apresentada por dois clones (C9 e C5). A transformação dos dados pela metodologia Box-Cox não surtiu efeito, optando-se então pela exclusão dos clones de baixa variabilidade e análise dos dados pelos métodos paramétricos.

A ANOVA realizada após a exclusão dos dois clones de baixa variabilidade encontrou significância na diferença entre clones (p-valor < 0,001), tamanhos de cones (p-valor < 0,001) e interações entre tamanhos de cones e clones. A Tabela 3.4 apresenta a quantidade de sementes produzida por cada tamanho de cone em cada clone.



Tabela 3.4 - quantidade de sementes dos diferentes tamanhos de cones de Pinus taeda

CLONE

CONE 1

CONE 2

CONE 3

MÉDIA

C 9

108,3

126,2

125,1

119,9

C 5

94,9

125,7

137,0

119,2

C 2

68,9

124,4

147,3

113,5

C 6

109,4

62,1

156,1

109,2

C 8

82,3

80,0

122,4

94,9

C 4

44,6

81,2

114,5

80,1

C 13

44,5

99,1

69,5

71,0

MEDIA

74,2

96,8

124,0

148,1

MEDIANA

82,3

99,1

125,1

109,2

C.V.

37,01%

27,11%

22,82%

13,17%

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
As interações podem ser avaliadas pelo Gráfico 2.1.
Gráfico 3.1 - interação entre o tamanho de cones e clones com relação à quantidade de sementes por cone de Pinus taeda

Se não fosse pela classe de tamanho de cone 2 não existiria interação entre clones e tamanhos de cones e ficaria clara a tendência de cones maiores produzirem mais sementes, o que coincide com o apresentado na Tabela 3.5, onde verifica-se uma correlação significativa entre comprimento do cone e o total de sementes produzidas.


TABELA 3.5 - coeficiente de correlação DE PEARSON PARA CARACTERÍSTICAS de cones e sementes PRODUZIDAS por Pinus taeda

 

Peso do Cone

largura do Cone

Comprimento do Cone

Qtde Total de Sementes

Peso Médio da Semente

Peso do Cone

1

0,77 **

0,80**

0,59 **

-0,16 *

largura do Cone




1

0,58**

0,53**

-0,15 n. s.

Comprimento do Cone







1

0,50 **

0,04 n. s.

Qtde Total de Sementes










1

-0,30 **

Peso Médio da Semente













1

** = Significativo em nível de 1% de confiança. * = Significativo ao nível de 5% de confiança. n.s. = Não significativo.
O coeficiente de correlação de Pearson encontrado para comprimento dos cones e peso dos mesmos foi bastante alto e significativo em nível de 1%, bem como o coeficiente de correlação entre largura do cone e seu peso, indicando que quanto maior o comprimento e largura do cone maior o seu peso. O coeficiente de correlação entre largura do cone e comprimento também foi significativo ao nível de 1%, indicando uma tendência de que cones mais compridos tenham também uma maior largura.

Quanto mais pesados os cones, maior a quantidade de sementes que estes contêm como pode ser visto pelo coeficiente de correlação, significativo ao nível de 1% de probabilidade (Gráfico 3.2). Inclusive, dentre todas as características o peso foi a mais correlacionada com a quantidade de sementes produzidas. Os resultados encontrados para as demais características avaliadas estão similares aos encontrados por O’REILLY e FARMER (1991) em estudo com Larix laricina: os autores encontraram um coeficiente de correlação de 0,48 para o número de sementes por cone e comprimento dos cones e de 0,46 para o número de sementes por cone e largura dos cones.

Gráfico 3.2 - RELAÇÃO ENTRE O PESO DO CONE E QUANTIDADE DE SEMENTES PRODUZIDAS por Pinus taeda



Qual a implicação prática da influência do tamanho/ peso do cone na quantidade de sementes que este produz? Citar literatura – efeito do tamanho do cone na quantidade de sementes. Foi verificada uma leve tendência (significativa em nível de 5% de probabilidade) de decréscimo do peso da semente em cones mais pesados, provavelmente devido à tendência de cones mais pesados produzirem um maior número de sementes e, consequentemente, mais leves. Esse resultado é contrário ao encontrado por MATZIRIS (1997), com Pinus halepensis, onde foi verificada tendência de que cones maiores e mais pesados produzirem sementes maiores e mais pesadas.

Além disso, observando o peso médio da semente produzida pelo cone e seu coeficiente de correlação com a quantidade de sementes produzidas, conclui-se que quanto maior o número de sementes produzidas mais leves estas sementes são na média (Gráfico 3.3). Da mesma forma no estudo conduzido por SAYWARD (1975) o número de sementes por cone se mostrou diretamente proporcional à produção de sementes e inversamente proporcional ao peso da semente, ou seja, aparentemente o grande número de sementes por cone estressaria o mesmo, o que resultaria na produção de sementes mais leves. Qual a implicação prática da diminuição do peso da semente com o aumento da qtde de sementes por cone?


Gráfico 3.3 - rELAÇÃO ENTRE O peso médio das sementes E QUANTIDADE DE SEMENTES PRODUZIDAS por cones de Pinus taeda

.

A Tabela 3.6 apresenta os valores da análise de regressão linear para os diferentes clones:


Tabela 3.6 - COEFICIENTE ANGULAR E P-VALOR DA REGRESSÃO LINEAR ENTRE o peso DO CONE E A QUANTIDADE DE SEMENTES DAS DIFERENTES MATRIZES de Pinus taeda

CLONE

COEFICIENTE ANGULAR

VALOR-P

C 9

1,298

0,042

C 2

2,207

4,9 .10-9

C 4

3,357

8,3 .10-7

C 5

1,352

0,0005

C 13

0,713

0,061

C 6

1,646

0,023

C 8

1,789

2,66.10-6

Gráfico 3.4 - RELAÇÃO ENTRE peso do cone e quantidade de sementes para cada clone de Pinus taeda do pcs

Fica bastante claro que existe uma grande diferença entre matrizes com relação à influência do peso do cone ou o comprimento do cone na quantidade de sementes. Qual a implicação prática?


3.2.2 Distribuição do Tamanho de Sementes por Cone


Na média, cones pequenos (comprimento inferior a 10,5 cm), produziram 28%, 55% e 17% de sementes pequenas (tamanho inferior a 4mm), médias (tamanho entre 4 e 4,5 mm) e grandes (tamanho superior a 4,5mm), respectivamente. A porcentagem de sementes de diferentes categorias de tamanho não variou muito entre os cones médios (entre 10,6 e 11,5 cm) e grandes (acima de 11,5 cm): cones médios produziram 22%, 58% e 20% de sementes das categorias pequenas, médias e grandes, respectivamente, e cones grandes 27%, 53% e 20%.

O índice de Gini para as diferentes categorias de tamanho de cone foi de 0,77, 0,80 e 0,72, para os tamanhos de cone 1, 2 e 3, indicando uma baixa heterogeneidade dos tamanhos de sementes (a maior parte das sementes se concentraram na categoria de tamanho 2).

Gráfico 3.5 - distribuição do tamanho das sementes em diferentes tamanhos de cones e clones de Pinus taeda

Pode-se observar, entretanto, a tendência que acompanhou a produção de diferentes tamanhos de sementes nos diferentes clones pelo Gráfico 3.5. Em alguns clones diferentes tamanhos de cones apresentaram distribuição do tamanho de sementes bastante semelhantes, como é o caso dos clones 9, 5, 4 e 8. Em clones como o 2 e 13, onde não foi observada essa tendência, houve um leve acréscimo da proporção de sementes maiores com o aumento do tamanho do cone. O clone 6 foi o único onde não foi possível a identificação de qualquer padrão na proporção de sementes de diferentes categorias de tamanho.

O Índice de Gini para os diferentes clones variou de 0,64 a 0,86, indicando uma tendência na concentração das sementes em uma determinada categoria de tamanho.

3.2.3 Propriedades Tecnológicas dos Lotes de Sementes


As médias, por tratamento, de porcentagem de germinação e IVG encontram-se nas tabelas 3.7 (Cones) e 3.8 (Sementes), bem como os resultados dos testes de Tukey. O teste de Shapiro-Wilk para os dados de germinação dos diferentes tamanhos de cone indicou a normalidade dos resíduos (p-valor= 0,50), bem como o teste de Bartlett indicou a homogeneidade das variâncias (p-valor=0,74), para a mesma característica. O mesmo aconteceu para os dados de IVG dos diferentes tamanhos de cones (p-valor = 0,25 para o teste de Shapiro –Wilk e p-valor= 0,37 para o teste de Bartlett), germinação dos diferentes tamanhos de sementes (p-valor = 0,76 para o teste de Shapiro –Wilk e p-valor= 0,93 para o teste de Bartlett) e IVG dos diferentes tamanhos de sementes (p-valor = 0,78 para o teste de Shapiro –Wilk e p-valor= 0,70 para o teste de Bartlett).

A ANOVA obteve um p-valor de 0,005 para a diferença na germinação e um p-valor de 0,017 para a diferença do IVG entre diferentes classes de tamanho de cone. Esse valor foi de 1,88 . 10-9 para a diferença na germinação e de 7,88. 10-11 para a diferença de IVG entre sementes das diferentes classes de tamanho.


Tabela 3.7 - germinação e IVG médio de cada classe de tamanho de cone de Pinus taeda

Tamanho do Cone

Germinação(%)

Tukey(1)

IVG

Tukey(1)

CONE 3

87,0

a

5,43

a

CONE 2

80,0

b

4,98

a b

CONE1

78,0

b

4,91

b

MÉDIA

82,0

 

5,10

 

MEDIANA

80,0

 

4,98

 

C.V.

5,79%

 

5,55%

 

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
Tabela 3.8 - germinação e ivg médio de cada classe de tamanho de semente de Pinus taeda

Tamanho da Semente

Germinação(%)

Tukey(1)

IVG

Tukey(1)

SEMENTE 3

78,3

a

4,55

a

SEMENTE 2

59,5

b

3,41

b

SEMENTE 1

59,3

b

3,35

b

MÉDIA

65,7

 

3,77

 

MEDIANA

59,5

 

3,41

 

C.V.

16,60%

 

17,93%

 

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
Verifica-se pelas tabelas anteriores que a porcentagem de germinação e IVG foi estatisticamente superior para os maiores cones e para as maiores sementes. A germinação superior das maiores sementes de Pinus taeda. também foi constatada por DUNLAP e BARNETT (1983). Ainda neste trabalho, sementes de menor tamanho (3,6 a 4 mm) levaram mais tempo para iniciar a germinação e não alcançaram a taxa máxima de germinação alcançada pelas sementes maiores (mais de 4,8 mm). Citar mais trabalhos de germinação X tamanho da semente.

Observou-se neste estudo que, apesar das sementes de diferentes tamanhos iniciarem sua germinação no mesmo período, sementes maiores apresentaram um maior velocidade de germinação inicial: enquanto 52% das sementes de tamanho 1 e 2 haviam germinado até o 9° dia esse porcentual foi de 70% para as sementes de tamanho 3, como pode ser visto no Gráfico 3.6. Citar mais trabalhos de IVG X tamanho da semente


Gráfico 3.6 - velocidade da germinação de sementes de diferentes tamanhos e provenientes de cones de diferentes tamanhos de Pinus taeda


As médias, por tratamento, do número de sementes por quilo, encontram-se na Tabela 3.9, bem como os resultados dos testes de Tukey.
Tabela 3.9 - Número de sementes por quilo para cada classe de tamanho de cone e semente de Pinus taeda

tamanho

Cone

Tukey(1)

Semente

Tukey(1)

1

37.845

a

43.215

a

2

36.350

b

35.745

b

3

36.953

a b

34.450

b

MÉDIA

37.049

 

37.803

 

MEDIANA

36.953

 

35.745

 

C.V.

2,03%

 

12,52%

 

(1) Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 95% de confiança.
O teste de Shapiro-Wilk para os dados de número de sementes por quilo dos diferentes tamanhos de cone indicou a normalidade dos resíduos (p-valor= 0,28), bem como o teste de Bartlett indicou a homogeneidade das variâncias (p-valor=0,94), para a mesma característica. Já para os dados de diferentes tamanhos de cone, o teste de Shapiro-Wilk apresentou um p-valor de 0,40 e o teste de Bartlett um p-valor de 0,11, todos de acordo com os pressupostos da ANOVA paramétrica. A ANOVA teve um p-valor significativo de 0,017 para a diferença do número de sementes por quilo de diferentes classes de tamanho de cone e um p-valor < 0,001 para as diferentes classes de tamanho de semente.

Os menores cones apresentaram as sementes mais leves e, portanto, um maior número de sementes por quilo. Esse resultado, entretanto, não diferiu significativamente dos maiores cones.

Da mesma forma, sementes menores também são mais leves e um lote composto apenas por estas sementes apresenta um número maior de sementes por quilo. Em termos porcentuais a diferença entre o número de sementes por quilo de um lote composto por sementes grandes e um lote composto por sementes pequenas chegou a 25,4%. STURION (1984), para Mimosa scabrella, AGUIAR e NAKANE (1983) para Eucalyptus citriodora e DONI FILHO (1974) para Eucalyptus grandis também verificaram que o peso das sementes é menor quanto menor o seu tamanho. Citar mais referências sobre influencia do numero de sementes por quilo de diferentes tamanhos de sementes.

No estudo conduzido por GRIFFIN (1975) com sementes de Pinus radiata variação existente em 29 cones de quatro rametes de um mesmo clone, todos plantados no mesmo sítio, o autor encontrou uma variação de 28.300 a 14.600 sementes por quilo entre cones





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