Experimento 1: efeito do método de produçÃo de sementes (aps ou pcs) e da árvore matriz (ou clone) na quantidade e tamanho de cones e sementes produzidos e propriedades tecnológicas do lote de sementes



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1.5 Implicações do Beneficiamento de Sementes e Práticas de Viveiro para a Variabilidade Genética do Lote


O modo como as sementes florestais vêm sendo beneficiadas para comercialização é bastante variado e não considera características de semente inerentes às famílias e a variabilidade genética final do lote de mudas. No caso de P. taeda, as empresas com participação mais pronunciada no mercado de sementes utilizam mesas de gravidade para este beneficiamento, enquanto que empresas menores utilizam técnicas desde a convencional imersão em água para retirada de sobrenadantes até máquinas de ventilador e peneiras. Estas metodologias levam a uma classificação das sementes por peso e, conseqüentemente, tamanho, um dos fatores segundo CAMPBELL e SORENSEN (1984) que conduzem a uma seleção genética direcional.

Essa eliminação acidental ou perda da proporção relativa entre diferentes famílias em um lote de sementes pode ocorrer em qualquer fase do processo de beneficiamento. Uma vez que sementes diferem entre si em aspectos físicos, fisiológicos e morfológicos e que esses caracteres variam conforme a família, cada passo no processamento e beneficiamento pode influenciar sementes de diferentes famílias de forma diferente, eliminando maiores porções de algumas famílias que de outras. Dessa forma a participação relativa das famílias no lote de sementes não beneficiado pode ser diferente da participação no lote de mudas originado (LAURIDSEN, 1995).

Além da classificação de sementes por tamanho, práticas de viveiro como a seleção de mudas por tamanho também levam à seleção direcional. Quando é realizada a semeadura de sementes de diferentes tamanhos a competição entre as mesmas leva a uma seleção genética natural e artificial e os genótipos associados a sementes pequenas são mais prejudicados. A classificação de sementes por tamanho neste caso reduz a variação genética, principalmente nas classes de sementes mais pesadas e mais leves (SORENSEN e CAMPBELL, 1985).

Algumas situações que podem conduzir a essa perda de variabilidade ou proporcionalidade durante o processamento das sementes e práticas de viveiro são sumarizadas a seguir (SCHMIDT, 2000b):

Coleta de sementes: O número de sementes viáveis em diferentes famílias na época da coleta pode ser diferente devido à desproporcionalidade no número de sementes ou frutos coletados, diferenças no número de sementes por fruto ou diferenças na viabilidade devido ao estádio de maturidade, predação por insetos ou número de sementes viáveis.

Processamento: Técnicas de processamento tais como purificação, peneiramento, etc. podem eliminar sementes viáveis, sejam através de injúrias mecânicas ou por eliminação de sementes classificadas com um tamanho ou morfologia em particular.

Armazenamento: variação na viabilidade pode eliminar sementes de baixa viabilidade relativa. O genótipo tem uma influência bastante forte no armazenamento. Se a viabilidade total do lote de sementes varia consideravelmente durante o armazenamento a constituição genética do lote de sementes provavelmente será estreitada. BARNETT e McLEMORE (1970), verificaram que a resposta ao armazenamento de sementes de P. palustris varia entre lotes de diferentes árvores, porém não encontraram significância estatística na correlação entre lotes destas mesmas árvores colhidos em anos consecutivos. Isto indica que fatores ambientais, tais como variação na maturidade, podem ser mais importantes que a variação genética.

Germinação: As taxas de germinação podem diferir devido ao armazenamento e ao pré-tratamento. O manejo de sementes no viveiro é um dos fatores que determinam o tempo requerido para a germinação. Uma baixa emergência ou o atraso na emergência são limitações sérias não somente para a utilização eficiente da semente, mas também para se evitar custos adicionais na produção.

Práticas no viveiro: O desenvolvimento das mudas pode diferir em tamanho e vigor. A classificação intencional de mudas, equivalente ao que ocorre com sementes, também é um processo de rotina em muitos viveiros. A seleção geralmente favorece mudas maiores, descartando aquelas abaixo de determinado tamanho, as quais geralmente não são plantadas. Para a semeadura direta de sementes pequenas em tubetes, os plantadores por vezes semeiam mais de uma semente por cavidade, e então removem as mudas com características inferiores. Esta prática implica que sementes de genótipos com dormência profunda, velocidade de germinação lenta e baixo crescimento inicial podem ser removidos sem intenção (SCHIMDT, 2000b).

As técnicas de processamento e beneficiamento são desenvolvidas em sua maioria para beneficiar sementes ou mudas com características “médias”, com ajustes para levar em consideração a variação dentro do lote de sementes. Quanto mais próxima uma muda ou semente for da média em qualquer característica influenciada pelo processamento, menor sua probabilidade de ser eliminada sem intenção através do processamento e beneficiamento (SCHIMDT, 2000b).

Quando sementes de diferentes famílias são misturadas no campo o controle da composição por família no lote de sementes é perdido. Manejos subseqüentes podem, portanto, mudar a proporção das várias famílias no lote ou mesmo eliminar algumas delas. Por exemplo, uma família com sementes relativamente pequenas pode perder uma proporção relativamente alta de sua representação no lote durante o processo de processamento ou classificação, quando as sementes menores são seletivamente eliminadas, estreitando a base genética do plantio (SCHMIDT, 2000b; SILEN e OSTERHANS, 1979;). Tal eliminação ou falta de proporcionalidade entre os pais pode não ser importante no caso de lotes onde um grande número de famílias são representadas. No entanto, quando o número de famílias é pequeno (menor que 10) o futuro estreitamento da base genética durante o processamento pode trazer implicações genéticas (SCHMIDT, 2000b).

Silen e Osterhaus (1979) relataram que para Pseudotsuga menziesii a eliminação de um terço das sementes mais leves do lote afetaria 16 das 18 famílias envolvidas em diferentes graus. Seis perderiam mais de 50% de suas sementes. Destas seis, duas estavam entre as melhores cinco árvores em altura no teste de progênies de 2 anos de idade. Segundo BARNETT (1996) todos os tamanhos de sementes deveriam ser utilizados na produção das mudas.

Segundo SCHMIDT (2000b), a implicação do manejo sobre a diversidade genética das sementes e mudas pode ser resumida nos seguintes pontos:

1. Qualquer procedimento ou condição que tenda a eliminar sementes ou mudas viáveis em qualquer estádio implica no risco de mudança no balanço entre famílias no lote de sementes ou na população de mudas.

2. Se a distribuição dos caracteres de sementes ou mudas de determinadas famílias difere da média do lote, então qualquer processo de manejo que implique na eliminação de sementes ou mudas para aquele caractere em particular mudará o balanço entre genótipos.

3. Quanto antes acontecer o processo de mistura de materiais, maior o risco de mudança no balanço durante o manejo subseqüente.

4. Quanto menor o número de famílias no lote de sementes maior as implicações genéticas do manejo de sementes.

5. Quanto maior o número de sementes eliminados durante um procedimento, maior o risco de famílias serem perdidas.

Portanto, verifica-se que o ganho em termos de qualidade fisiológica pela formação de mudas mais vigorosas, pelo uso da fração de sementes de maior peso, pode significar perda em termos de qualidade e diversidade genética, pois sementes maiores podem assegurar uma germinação rápida e vigorosa e maior crescimento das mudas, porém o tamanho da semente não necessariamente está correlacionado com o potencial de crescimento do embrião (SCHMIDT, 2000b).




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