Experimento 1: efeito do método de produçÃo de sementes (aps ou pcs) e da árvore matriz (ou clone) na quantidade e tamanho de cones e sementes produzidos e propriedades tecnológicas do lote de sementes



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2.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

2.2.1 Produção de Cones e Sementes


A quantidade de cones, o peso total de cones e o peso total das sementes produzidas por cada matriz da APS nos anos avaliados, encontram-se na Tabela 2.7.
TABELA 2.7 – número e peso tOTAL DE CONES E SEMENTES PRODUZIDOS pelas matrizes de Pinus taeda nA APS

MATRIZ

CONES (g)

SEMENTES (g)

QUANTIDADE

PESO (g)

PESO (g)

2005

2006

2005

2006

2005

2006

M 1

95

195

4.576

7.095

43,0

579,6

M 2

89

248

3.267

6.085

51,6

249,8

M 3

3

276

167

10.940

2,7

505,1

M 4

66

67

2.554

3.460

79,9

208,5

M 5

132

351

6.426

13.545

126,6

284,4

M 6

79

151

4.619

7.720

65,0

276,8

M 7

87

132

4.985

5.380

48,2

230,7

M 8

234

66

10.359

2.250

533,2

120,8

M 9

135

102

7.145

4.000

122,4

268,7

M 10

92

154

6.056

3.600

61,7

209,0

M 11

80

121

4.659

4.520

58,6

221,4

M 12

113

87

4.232

4.455

108,4

231,1

MÉDIA

100,4

162,5

4.920

6.088

108,4

282,2

MEDIANA

90,5

141,5

4.639

4.950

63,3

240,4

C.V.

53,8%

54,9%

51,2%

54,4%

127,6%

46,0%

O teste t para comparação da média dos dois anos da APS considerando as diferenças apresentadas por cada uma das matrizes resultou em um valor-p para o teste bilateral de 0,09 e 0,42 para número de cones e peso do total de cones produzidos nos dois anos, respectivamente. Considerando-se um nível de significância de 0,1, o valor-p indicou evidência de diferença significativa no número de cones produzidos de um ano e outro, sendo que a produção do ano de 2006 foi 61,8% superior, na média geral, a do ano de 2005. O mesmo aconteceu com a diferença no total de sementes produzidas de um ano para o outro (valor-p = 0,024), onde no ano de 2006 foram produzidas 160% mais sementes que 2005.

Do ponto de vista prático, uma diferença de 61,8% na produção de cones entre anos consecutivos, como acontecido na APS, não altera consideravelmente o esforço de coleta, mas sim o custo de coleta dos cones e, consequentemente, o custo da semente. Isso porque o momento de maior esforço, perigo e que demanda mais tempo na coleta dos cones é o de subida e descida da árvore. Quando terceirizado (o que ocorre com freqüência nas empresas, devido ao risco da operação) o pagamento geralmente é realizado com base no número de sacos de cones colhidos (em 2007 esse valor foi de R$85,00/ saco, sendo 25 kg o peso médio do saco cheio). Desta forma uma diferença como esta pode, por vezes, significar um grande prejuízo ou lucro para a empresa terceirizada para o serviço. Árvores com número reduzido de cones geralmente não são colhidas pela equipe terceirizada, a menos que o preço do serviço seja ajustado para número de árvores colhidas (em 2007 o valor cobrado foi de R$50,00/ árvore).

O mesmo aconteceu com a diferença no total de sementes produzidas de um ano para o outro na APS (valor-p = 0,024), onde no ano de 2006 foram produzidas 160% mais sementes que 2005. A quantidade média de sementes produzidas por matriz em 2006 (282 gramas) foi 160% superior a de 2005. Uma diferença de 160% traz enormes diferenças no potencial ganho econômico da venda das sementes, tendo em vista o elevado preço de venda da semente (R$1.200,00 - preço praticado pela Modo Battistella Reflorestamento S.A. em 2007).

O Gráfico 2.1 apresenta a variação da quantidade de cones produzidos por cada matriz da APS. Observa-se uma grande variação na produção de 2005 e 2006, sem qualquer tendência aparente.
Gráfico 2.1 - quantidade de cones produzidos pelas matrizes de Pinus taeda nos diferentes anos na aps

O coeficiente de correlação de Spearman para a comparação da posição ocupada pela matriz no ranking nos dois anos confirma essa falta de tendência. Não houve uma associação significativa entre produção de cones em 2005 e 2006 para a quantidade de cones produzidos pelas matrizes. O resultado foi negativo (rs= - 0,21) e não-significativo, uma vez que o tcalculado foi inferior ao ttabelado (-0,69 e 3,16, respectivamente).



A Tabela 2.8 apresenta a quantidade de cones, o peso total de cones e o peso total de sementes produzidas por cada ramete dos clones do PCS.
TABELA 2.8 - MÉDIA DO TOTAL DE SEMENTES E CONES PRODUZIDOS pelos clones de Pinus taeda selecionados do PCS – média de 4 rametes

CLONE

RAMETE

CONES (g)

SEMENTES (g)

QUANTIDADE

PESO (g)

PESO (g)

2005

2006

2005

2006

2005

2006

C 1

1

115

103

11.884

9.755

173,5

166,6

C 1

2

97

133

9.424

10.985

124,8

178,1

C 1

3

35

57

3.597

4.500

45,7

85,1

C 1

4

48

60

4.651

4.795

57,8

75,7

C 2

1

170

42

10.025

2.150

824

92,9

C 2

2

578

360

30.603

21.577

1606,4

855,8

C 2

3

574

466

31.455

26.980

1459,6

1.268,0

C 2

4

704

573

44.925

35.600

2529

1.412,0

C 3

1

290

281

15.758

16.700

744,7

691,4

C 3

2

297

321

17.879

19.726

528,9

769,8

C 3

3

144

68

9.250

3.120

404,8

133,5

C 3

4

121

215

7.564

12.250

286,7

505,7

C 4

1

127

54

6.355

2.375

46,9

60,1

C 4

2

263

218

13.524

12.620

564,3

543,5

C 4

3

277

251

15.126

12.190

184,5

452,3

C 4

4

329

333

19.456

18.450

291

627,6

C 5

1

112

116

8.790

9.500

215,4

123,7

C 5

2

112

151

8.661

10.320

95,4

175,9

C 5

3

145

196

11.494

14.810

146

292,9

C 5

4

180

201

16.009

16.175

248,4

347,1

C 6

1

40

106

1.861

5.910

61,2

142,6

C 6

2

93

256

6.452

14.460

30,1

331,3

C 6

3

71

383

4.155

23.200

88,7

600,1

C 6

4

63

248

4.447

14.523

131,1

350,3

C 7

1

37

14

2.260

600

82,8

26,0

C 7

2

79

42

4.522

1.900

126,8

76,5

C 7

3

136

268

7.915

13.250

280,3

698,4

C 7

4

200

164

14.434

9.630

544,9

433,6

C 8

1

22

12

1.670

700

24,9

31,2

C 8

2

131

208

8.671

14.750

148,3

659,7

C 8

3

77

197

5.361

14.375

31,6

527,0

C 8

4

155

102

7.659

4.980

55,4

59,0

MÉDIA

181,9

193,7

11.432,4

11.964,3

380,7

399,8

MEDIANA (1)

125,1

190

9.313,7

12.055

217,49

337,6

C. V. (1)

80,4%

44,9%

69,4%

40,3%

135,0%

59,2%

(1)= Levando-se em consideração os valores médios dos rametes dos clones
No pomar clonal, o teste t para comparação da média dos dois anos apresentou níveis descritivos acima dos usuais (10%) não indicando evidências de diferenças no número de cones produzidos (valor-p=0,519), nem no peso do total de cones produzidos (valor-p =0,615) e nem no peso do total de sementes produzidas (valor-p =0,763) entre um ano e outro. De fato foi verificada uma diferença mínima entre os anos, sendo que em 2006 a produção de cones foi 6,4% superior a de 2005, e a quantidade de sementes foi 5%.

Pesquisar sobre a estabilidade da produção de cones e sementes em PCS.

Apesar de não existir diferença significativa entre anos na análise da produção total da área, encontramos uma diferença significativa na produção dos diferentes clones em 2005 com relação ao número total médio de cones produzidos por ramete (valor-p < 0,001), peso desta produção (valor-p < 0,001), e peso médio da produção de sementes (valor-p < 0,001). Ao realizar o teste de comparações múltiplas evidenciou-se que apenas um dos clones (C 2) diferenciava-se dos demais. Neste ano, a produção média dos rametes dos clones avaliados variou de 73 a 506 cones e a produção de sementes variou de 65 gramas a 1,6kg de sementes por ramete. Em 2006, apesar de não existir diferença estatística entre os clones para a produção média de cones pelos rametes dos clones avaliados (valor-p: 0,085) esse valor variou de 88 a 360 cones. Neste mesmo ano, a diferença na produção média de sementes por ramete variou de 126 gramas a 907 gramas e foi estatisticamente significativa (valor-p: 0,051). Neste caso, como no anterior, a diferença foi devida a um único clone, o mesmo C 2, cuja produção média de sementes foi 277% superior à produção média dos demais. Esse clone ocupou o primeiro lugar do ranking de produção de sementes nos dois anos, mas a mesma tendência não aconteceu com relação os demais clones. A herdabilidade no sentido amplo encontrada para a produção de cones em 2005 foi de 0,076 e em 2006 de 0,053, resultados bastante inferiores dos reportados pelo estudo anteriormente citado de MATZIRIS (1993), com Pinus nigra, onde as herdabilidades para esta característica nos anos avaliados foram superiores a 0,80.



Dentro de cada clone, ou seja, entre os rametes, o coeficiente de variação para a quantidade de cones produzidos variou de 24% a 63% em relação à média em 2005 e de 24% a 96% em 2006, indicando uma grande variação entre rametes de determinados clones. O coeficiente de variação para quantidade de sementes variou de 39% a 88% em 2005 e de 42% a 105% em 2006.

O Gráfico 2.2 apresenta a quantidade média de cones produzidos pelos rametes de cada clone do PCS nos dois anos do estudo. Em seis dos oito clones a produção de 2006 foi superior a de 2005. No entanto, o coeficiente de correlação de Spearman com relação à quantidade de cones produzidos nos dois anos foi positivo e não significativo (rs= 0,45; t calculado= 1,19; t tabelado = 3,5), não havendo, portanto, uma associação significativa entre a posição ocupada pelos clones no ranking nos dois anos.


Gráfico 2.2 - quantidade média de cones produzidos pelos clones de Pinus taeda nos diferentes anos No pcs

O ano de 2006 foi melhor do ponto de vista de produção de cones em ambas as áreas, porém, ao contrário do reportado por MATZIRIS (1993) com Pinus nigra nem todas as matrizes e clones reportaram uma produção maior no ano de melhor colheita.

Verifica-se através da proximidade do valor-p (0,103), aos níveis de significância usuais que há indícios de que a produção de cones do PCS foi superior à produção da APS em 2005 quando a quantidade média de cone produzidas por ramete do PCS foi 81% superior à produzida pelas matrizes da APS, mas não em 2006 (valor-p = 0,46), quando a quantidade média de cones produzidos por ramete PCS foi 19% superior às matrizes da APS. O peso da produção total de cones, no entanto, apresentou diferenças significativas entre as áreas para os dois anos (valor-p em 2005= 0,023; valor-p em 2006 = 0,019). Em 2005 o peso médio da produção total de cones no PCS foi de 11,4 kg, enquanto que na APS esse valor foi 57% inferior (4,9 kg), em 2006 o peso médio da produção total de cones no PCS foi de 11,9 kg, enquanto que na APS esse valor foi 49% inferior (6 kg).

A quantidade média de sementes produzida por individuo foi maior no pomar clonal nos dois anos do estudo, sendo que o pomar teve uma vantagem de 251% na quantidade de sementes média produzida por cada individuo em 2005 e de 42% em 2006. Comparando-se, pelo teste t os dados do mesmo ano do PCS e da APS, conclui-se que houve uma diferença significativa na quantidade média de sementes produzidas por cada individuo nas diferentes áreas em 2005 (valor-p = 0,098), mas não em 2006 (valor-p = 0,266).

Entre os fatores que poderiam explicar as diferenças na produção de cones e sementes na APS e no PCS estão: a quantidade de pólen produzida nos respectivos anos/áreas (MATZIRIS, 1997;), a idade das áreas (POWELL e WHITE, 1994), diferenças de espaçamento entre indivíduos (GARRIDO, 1984;), diferenças nas qualidades dos sítios e até mesmo influências micro-locais (SWEET, 1992). É importante citar que no estudo de POWELL e WHITE, (1994), com Pinus elliottii, 50% da produção máxima de sementes por hectare foi alcançada aos 11 anos. Após essa idade a produção cresceu consideravelmente até atingir o ponto máximo entre 15 e 18 anos e, a partir daí, começou a decrescer. É claro que as condições encontradas no pomar clonal de Rio Negrinho são bastante diferentes daquelas encontradas na Florida, Geórgia e Alabama, onde os autores realizaram seu estudo, porém os resultados por eles encontrados são um indicativo da grande variação de produtividade esperada para idades distintas. Seria interessante, portanto, a continuidade do monitoramento das áreas deste estudo para verificar o real efeito da sazonalidade, idade e demais fatores sobre a produtividade de sementes e cones.

Como observado nos Gráficos 2.1 e 2.2 a falta de associação entre a produção de um ano e outro impede uma previsão confiável da participação de uma determinada matriz ou clone no futuro lote de sementes produzido. Mesmo em estudos mais prolongados, como MATZIRIS (1993), que avaliou a produção de três anos de um pomar clonal de Pinus nigra, não houve uma associação entre a posição ocupada no ranking em anos consecutivos, principalmente devido aos clones de produção intermediária. Porém, o autor encontrou associação entre o primeiro ano (de melhor produção) e o terceiro ano do estudo (de produção moderada), neste caso a variação no ranking foi menos acentuada (o segundo ano apresentou baixa produção). Com isso o autor sugeriu a presença de um efeito de um ano sobre o próximo, ou seja, a grande produção de um ano afetaria negativamente a produção do ano seguinte e a partir do terceiro ano a produção começaria a ser recuperada. Seria interessante, baseado nisso, a continuidade deste estudo por mais anos para verificar se o mesmo acontece com o Pinus taeda.




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