Fala o antigo testamento



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FALA O

ANTIGO TESTAMENTO

Samuel J.Schultz

Um Exame Completo da História e da Literatura do Antigo Testamento



  • Prefácio

  • Introdução

  • Capítulo 1: O Período dos Princípios

  • Capítulo 2: A idade patriarcal

  • Capítulo 3: A emancipação de Israel

  • Capítulo 4: A religião de Israel

  • Capítulo 5: Preparação para a nacionalidade

  • Capítulo 6: A ocupação de Canaã

  • Capítulo 7: Tempos de transição

  • Capítulo 8: União de Israel no reinado de Davi e Salomão

  • Capítulo 9: O reino dividido

  • Capítulo 10: A secessão septentrional

  • Capítulo 11: Os realistas do sul

  • Capítulo 12: Revolução, recuperação e ruína

  • Capítulo 13: Judá sobrevive ao imperialismo assírio

  • Capítulo 14: O desvanecimento das esperanças dos Reis davidicos

  • Capítulo 15: Os judeus entre as nações

  • Capítulo 16: A boa mão de Deus

  • Capítulo 17: Interpretação da vida

  • Capítulo 18: Isaias e sua mensagem

  • Capítulo 19: Jeremias: - um homem de fortaleza

  • Capítulo 20: Ezequiel – o atalaia de Israel

  • Capítulo 21: Daniel – homem de estado e profeta

  • Capítulo 22: Em tempos de prosperidade

  • Capítulo 23: Isaias e sua mensagem

  • Capítulo 24: As nações estrangeiras nas profecias

  • Capítulo 25: Depois do exílio


PREFÁCIO
A Bíblia vive hoje. O Deus que falou e atuou em tempos passados confronta aos homens desta geração com a palavra escrita que tem sido preservada no antigo Testamento. Nosso conhecimento das antigas culturas em que este documento teve sua origem tem sido grandemente incrementado mediante descobrimentos arqueológicos e as crescentes fronteiras ampliadas da erudição bíblica. A preparação desta visão geral destinada a introduzir ao estudante das artes liberais e ao leitor leigo na história e a literatura do Antigo Testamento, tem sido impulsionada por mais de uma década de experiências nas aulas. Neste volume tento oferecer um esboço de todo o Antigo Testamento a luz dos progressos contemporâneos.
Em meus estudos de graduação esteve exposto a um amplo campo de interpretação do Antigo Testamento, com o auxílio do Dr. H. Pfeiffer na Universidade de Harvard, igual os Drs. Alian A. MacRae e R. Laird Harris de Faith Theological Seminary. A tais homens sou ligado por uma dívida de gratidão por um entendimento crítico dos problemas básicos com que se enfrenta o erudito Antigo Testamento. Não é sem a consciência do conflito do pensamento religioso contemporâneo a respeito à autoridade das Escrituras que a visão bíblica da revelação e autoridade projeta como a base para uma adequada compreensão do Antigo Testamento (ver Introdução), Dado que esta análise está baseada na forma literária do Antigo Testamento como têm sido transmitidas até nós, as questões de autoridade está ocasionalmente anotado e os fatos pertinentes de crítica literária mencionam – se de passada.
Inclui – se mapas para ajuda do leitor em uma integração cronológica do desenvolvimento do Antigo Testamento. As datas dos períodos mais antigos estão, todavia sujeitas a revisão. Qualquer dado ocorrido antes dos tempos davídicos tem que ser considerado como aproximado. Para o Reino Divido segui o esquema de Edwin H. Thiele. Posto que os nomes dos reis de Judá e Israel constituem um problema para o leitor meio, tem dado as variantes utilizadas nestes livros.
Os mapas têm sido desenhados para ajudar ao leitor a uma melhor compreensão dos fatores geográficos que tem afetado a história contemporânea. As fronteiras têm mudado freqüentemente. As cidades foram destruídas e voltas reconstruir de acordo com a variante fortuna dos reinos que floresceram e declinaram.
É um prazer render um tributo de agradecimento ao Dr. Wayne Young da Universidade de Brandeis pela leitura deste manuscrito em sua totalidade e sua contribuição de ajuda crítica no conjunto da obra. Também quero expressar meu agradecimento ao Dr. Burton Goddard e William Lañe da Gordon Divinity School, assim como ao Dr. John Graybill do Barrington Bible College, que leu as versões anteriores. Quero dar graças de modo especial a meu amigo George F. Bennet, cujo interesse e conselho foram uma fonte contínua de estímulo.
Desejo igualmente expressar meu agradecimento a administração do Wheaton College por conceder – me tempo para completar o manuscrito, a Associação de Alunos de Wheaton College por uma subvenção para investigação e a Igreja Batista de Southshore de Hingham, Massachussetts, por proporcionar – me facilidades para investigar e escrever. Estou agradecido pelo interesse e o estímulo de meus colegas do Departamento de Bíblia e Filosofia do Wheaton College, especialmente ao Dr. Kenneth S. Kantzer que assumiu responsabilidades presidenciais em minha ausência.
A Elaine Noon estou agradecido por sua exatidão e cuidado ao digitar todo o manuscrito. De igual forma tem sido altamente valiosa a ajuda dos bibliotecários de Andover – Harvard e Zion. Estou em dívida de gratidão igualmente com Cari Lindgren de Scripture Press pelos mapas incluídos no presente volume.
Por cima de tudo, este projeto não teria acontecido sem a cooperação de minha família. Minha esposa, Eyla June, leu e releu palavra por palavra todo o trabalho brindado – me sua inapreciável crítica, enquanto que Linda e David aceitaram bondosamente as mudanças que este empenho impôs sobre nossa vida familiar.
S.J.S
Wheaton College
Wheaton, Illinois
Janeiro, de 1960

Janeiro. De 1960



INTRODUÇÃO
O Antigo Testamento
O interesse no Antigo Testamento é universal. Milhões de pessoas voltam a suas páginas para rastrear os princípios do judaísmo, o cristianismo, ou o Islã. Outras pessoas, inumeráveis, têm feito buscando sua excelência literária. Os eruditos estudam diligentemente ao Antigo Testamento para a contribuição arqueológica, histórica, geográfica e lingüística que possuem conducentes a uma melhor compreensão das culturas do Próximo Oriente e que precedem a Era Cristã.
Na literatura mundial, o lugar que ocupa o Antigo Testamento é único. Nenhum livro – antigo ou moderno – tem tido tal atração a escala mundial, nem tem sido transmitido com tão cuidadosa exatidão, nem tem sido exatamente distribuído. Aclamado por homens de estado e seus subsídios, por homens de letras e pessoas de escassa ou nenhuma cultura, por ricos e pobres, o Antigo Testamento nos chega como um livro vivente. De forma penetrante fala, a todas as gerações.
Origem e Conteúdo
Desde um ponto de vista literário, os trinta e nove livros que compõe o Antigo Testamento, tal e como é utilizado pelos protestantes, podem dividir – se em três grupos. Os primeiros dez e sete – Gênesis até Ester – dão conta do desenvolvimento histórico de Israel até a última parte do século V, a C. Outras nações entram na cena só quanto tem relação com a história de Israel. A narração histórica se interrompe muito antes dos tempos de Cristo, por que há um intervalo de separação de quatro séculos entre o Antigo e o Novo Testamento. A literatura apócrifa, aceita pela Igreja Católica, se desenvolveu durante este período, mas nunca foi reconhecida pelos judeus como parte de seus livros aceitos ou “Canon”.
Cinco livros, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares, classificam – se como literatura de sabedoria e poesia. Sendo de natureza bastante geral, não serão relacionados intimamente com algum incidente particular na história de Israel. Como muito, só uns poucos salmos podem – se associar com acontecimentos relatados nos livros históricos.
Os outros dezessete livros restantes registram as mensagens dos poetas, quem apareceu em Israel de tempo em tempo para declarar a Palavra Deus. O fundo geral e freqüentemente os detalhes específicos dados nos livros históricos, servem como chave para a adequada interpretação de tais mensagens proféticas. Reciprocamente, as declarações dos profetas contribuem em grande medida para a compreensão da história de Israel.
A disposição dos livros do Antigo Testamento tem sido uma questão de desenvolvimento histórico. Na Bíblia hebréia moderna os cinco livros da Lei estão seguidos por oito livros chamados de “Profetas”: Josué, Juízes, I e II Samuel, I e II Reis, Isaias, Jeremias, Ezequiel e os Doze (os profetas menores). Os últimos onze livros estão designados como “Escritos” ou hagiógrafos: Salmos, Jó, Provérbios, Rute, Cantares dos Cantares, Lamentações, Ester, Daniel, Esdras – Neemias e I e II Crônicas. A Ordem dos livros tem variado durante vários séculos depois de haver sido completado o Antigo Testamento. O uso do códice, em forma de livros, introduzido durante o século da Era Cristã, necessitava de uma ordem definido de colocação. Enquanto era conservado em rolos individuais, a ordem dos livros não era de importância fundamental, mas segundo o códice foi substituído pelo rolo, à colocação normal, tal e como se reflete em nossas Bíblias hebréias e de línguas modernas, chegou gradualmente a fazer – se de uso comum.
De acordo com a evidência interna, o Antigo Testamento foi escrito durante um período de aproximadamente mil anos, (de 1.400 a 400 a. C.) pelo menos, trinta autores diferentes. A paternidade literária de certo número de livros é desconhecida. A língua original da maior parte do antigo Testamento foi o hebreu, um ramo da grande família das línguas semíticas, incluindo o fenício, o assírio, o babilônico, o árabe e outras línguas. Até o tempo do exílio, o hebreu continuou sendo a linguagem falada da Palestina. Com o transcurso do tempo, o aramaico converteu – se na língua franca do Fértil Crescente, pois partes de Esdras (4:8 – 6:18, 7:12-26), Jeremias (10:11) e Daniel (2:4-7:28) foram escritas nesta língua.
Transmissão do Texto hebreu
O pergaminho ou velino, que prepara – se com peles de animais, era o material mais freqüente empregado nos escritos do Antigo Testamento hebreu. A causa de sua durabilidade, os judeus continuaram seu uso através dos tempos de gregos e romanos, ainda que o papiro resultasse mais plena e comerciante aceitável tipo de material de escritura. Um rolo de pele e tamanho corrente médio dez metros de comprimento por vinte e cinco centímetros de altura aproximadamente. Peculiar aos textos antigos é o fato de que no original só se escreviam as consoantes, aparecendo em uma linha contínua com muito pouca separação entre as palavras. Com o começo da Era Cristã, os escribas judeus fizeram – se extremadamente conscientes da necessidade da exatidão na transmissão do texto hebreu. Os eruditos dedicados particularmente a esta tarefa nos séculos subseqüentes se conheciam como os masoretas. Os masoretas copiavam o texto com grande cuidado, e com o tempo, incluso numeravam os versículos, palavras e letras de cada livro. Sua maior contribuição foi à inserção de signos vocais no texto como uma ajuda para a leitura.

Até 1.448, em que apareceu em Soscino, Itália, a primeira Bíblia hebréia impressa, todas as Bíblias eram manuscritas. Apesar de haver aparecido exemplares privados em vitela e em forma de livro, os textos da sinagoga eram limitados usualmente a rolos de pele e copiados com um extremo cuidado.


Até o descobrimento dos Rolos do Mar Morto, os mais antigos manuscritos existentes datavam mais ou menos por volta de 900 a. C. Nos rolos da comunidade de Qunram que foi dispersa pouco antes da destruição de Jerusalém em 70 a. C., todos os livros do Antigo Testamento estão representados, exceto o de Ester, Evidências mostradas por estes recentes descobrimentos tem confirmado o ponto de vista de que os textos hebreus preservados pelos masoretas têm sido transmitidos sem mudanças de consideração desde o século I. a.C.
As versões

A Septuaginta (LXX), uma tradução grega do Antigo Testamento, começou a circular no Egito nos dias de Ptolomeo Filadelfo (285 – 246 a.C.). Existia uma grande demanda entre os judeus de fala grega de exemplares do Antigo Testamento, acessível para uso privado e na sinagoga, na língua franca da área mediterrânea oriental. Muito provavelmente uma cópia oficial foi colocada na famosa biblioteca de Alexandria.


Esta versão não foi usada somente pelos judeus de fala grega, mas que também foi adotada pela Igreja cristã. Muito provavelmente, Paulo e outros apóstolos usaram um Antigo Testamento grego ao apoiar sua afirmação de que Jesus era o Messias (Atos 17:2-4). Contemporaneamente, o Novo Testamento foi escrito em grego e veio a formar parte das Escrituras aceitadas pelos cristãos. Os judeus, alegando que a tradução grega do Antigo Testamento era inadequada e estava afetada pelas crenças cristãs, se aferraram tenazmente ao texto na língua original. Este texto na

língua original. Estes textos hebreus como já têm apontado, foi transmitido cuidadosamente pelos escribas e masoretas judeus em séculos subseqüentes.


Em virtude destas circunstâncias, a igreja cristã veio a ser a custódia da versão grega. Aparte de eruditos tão destacados como Orígenes e Jerônimo, poucos cristãos concederam atenção alguma ao Antigo Testamento em sua língua original até o Renascimento. Sem embargo, havia várias traduções gregas em circulação entre os cristãos.
Durante o século II, a forma de códice nossa moderna forma de livro com folhas ordenadas para a encadernação começou a entrar em uso. O papiro era já o principal material de escritura empregado em todo o Mediterrâneo. Substituindo os rolos de pele, que havia vindo sendo aceito no meio para a transmissão do texto hebreu, os códices de papiro converteram – se nas cópias normais das Escrituras na língua grega. Até o século IV o papiro foi substituído pela vitela (o pergaminho). As primeiras cópias que atualmente existem, datam a primeira metade do século IV. Recentemente, alguns papiros, da notável coleção de Chester Beatty, têm proporcionado porções da Septuaginta que resultam anteriores aos códices em vitela anotados anteriormente.
A necessidade de outra tradução se desenvolveu quando o latim substituiu ao grego como língua comum e oficial do mundo mediterrâneo. Ainda que uma antiga versão latina da Septuaginta tivesse circulado na África, foi, não obstante, através dos esforços eruditos de Jerônimo, quando apareceu uma tradução latina do Antigo Testamento no final do século IV. Durante o seguinte milênio, esta versão, mais conhecida como a Vulgata, foi considerada como a mais popular edição do Antigo Testamento. A Vulgata, até nossos dias, com a edição dos livros apócrifos que Jerônimo, permanece como a tradução aceita pela Igreja Católica Romana.
O Renascimento teve uma decisiva influência na transmissão e circulação das Escrituras. Não somente o reavivamento de seu estudo estimulou a multiplicação de cópias da Vulgata, mas que despertou um novo interesse no estudas das línguas originais da Bíblia. Um novo ímpeto foi produzido com a caída de Constantinopla, que obrigou a numerosos eruditos gregos a refugiar – se na Europa Ocidental. Junto com este renovado interesse no grego e no hebreu, surgiu um veemente desejo de fazer a Bíblia acessível ao leigo, como resultado do qual, apareceram traduções na língua comum. Antecedendo de Martin Lutero em 1552, havia versões alemãs, francesas, italianas e inglesas. De importância principal na Inglaterra foi à tradução de Wycliffe até o final do século XIV. Por se encontrar reduzida a condição de Bíblia manuscrita, a acessibilidade desta nova versão inglesa estava bastante limitada. Com a invenção da imprensa no século seguinte, amanheceu uma nova era para a circulação das Escrituras.
William Tyndale é reconhecido como o verdadeiro pai da Bíblia na língua inglesa. Em 1525, o ano do nascimento da Bíblia na língua inglesa, começou a aparecer sua tradução. A diferença de Wycliffe que traduziu a Bíblia do latim, Tyndale recorreu às línguas originais para sua versão das Sagradas Escrituras. Em 1536, com sua tarefa, todavia sem terminar, Tyndale foi condenado à morte. Em seus últimos momentos, com chamas em volta, fez a sua última oração: “Senhor, abre os olhos do Rei da Inglaterra”. A súbita mudança de acontecimentos justificou logo a Tyndale e sua obra. Em 1537, foi publicada a Bíblia de Matthewm que incorporava a tradução de Tyndale suplementada pela versão de Coverdale (1535). Obedecendo a ordens de Cromwell, a Grande Bíblia (1541) foi colocada em todas as igrejas da Inglaterra. Mesmo que esta Bíblia era principalmente para uso das igrejas, alguns exemplares fizeram – se acessível para o estudo privado. Como contrapartida, a Bíblia de Genebra entrou em circulação em 1560 para converter – se na Bíblia do lar e durante meio século foi a mais popular para a leitura privada em inglês.
A versão Autorizada da Bíblia foi publicada em 1611. Sendo esta o trabalho de eruditos de grego e hebreu interessados em produzir a melhor tradução possível das Escrituras, esta “Versão do Rey Jaime” ganhou um lugar indiscutível no mundo que fala inglês em meados do século XVII. Revisões dignas de ser notadas aparecidas desde então, são a Versão Inglesa Revisada, 1881-1885, a Versão Standard Americana de 1901, a Versão Standard Revisada de 1952 e a Versão Berkely em inglês moderno de 1959.
Significado
Chegou o Antigo Testamento a nós como um relato de cultura ou história secular? Tem somente valor como a literatura nacional dos judeus? O Antigo Testamento mesmo manifesta ser mais que o relato histórico da nação judia. Tanto para judeus como para cristãos, é a História Sagrada que descobre a Revelação que Deus faz de Si mesmo ao homem; nele se registra não somente o que Deus tem feito no passado, mas também o plano divino para o futuro da humanidade.
Através das venturas e desventuras de Israel, Deus, o Criador do Universo, tanto como do homem, dirigiu o curso de seu povo escolhido na arena internacional das culturas antigas. Deus não é somente o Deus de Israel, mas o supremo governador que controla o fazer de todas as nações. Conseqüentemente, o Antigo Testamento registra acontecimentos naturais, e além do mais, entrelaçadas através de toda esta história, encontram – se as atividades de Deus em forma sobrenatural. Este rasgo distintivo do Antigo Testamento - o descobrimento de Deus em acontecimentos e mensagens históricas – eleva sobre o nível da literatura e historia seculares. Somente como História Sagrada pode ser o Antigo Testamento entendido em sua significação plena. O reconhecimento de que tanto o natural como o sobrenatural são fatores vitais em toda a Bíblia, é indispensável para uma compreensão integral de seu conteúdo.
Única como História Sagrada, o Antigo Testamento reclama distinção como Sagrada Escritura, assim foi para os judeus, a quem estes escritos foram confiados, ao igual que para os cristãos (Rom. 3:2). Vindo através dos meios naturais de autores humanos, o produto final escrito teve o selo da aprovação divina. Sem dúvida o Espírito de Deus usou a atenção, a investigação, a memória, a imaginação, a lógica, todas as faculdades dos escritores do Antigo Testamento. Em contraste com os meios mecânicos, a direção de Deus se manifestou por meio das capacidades históricas, literárias e teológicas do autor. A obra escrita como a receberam os judeus e cristãos constitui um produto divino – humano sem erro na escritura original. Como tal, continha a verdade para toda a raça humana.
Esta foi à atitude de Jesus Cristo e os apóstolos Jesus, o Deus – Homem aceitou a autoridade do corpo inteiro de literatura conhecido como o Antigo Testamento e usou livremente estas Escrituras como base do apoio de seu ensino. (Comparar João 10:34-35; Mt. 22:29, 43-45, Lc, 16:17, 24:25). De igual forma fizeram os apóstolos no período inicial da igreja cristã (H. Timóteo 3:16; II Pd. 1:20-21). Escrito por homens abaixo da direção divina, o Antigo Testamento foi aceito como digno de toda confiança.
Em nossos dias, é tão essencial considerar o Antigo Testamento como autoridade final, como foi nos tempos do Novo Testamento para judeus e cristãos. Como um registro razoavelmente confiável, dando margem a erros de transmissão que necessitam de consideração cuidadosa mediante o uso científico dos corretos princípios do criticismo atual, o Antigo Testamento fala autoritativamente na linguagem do leigo faz dois ou mais milênios. O que anuncia o declara com toda a verdade, já utiliza a linguagem figurada ou literal, já trata de questões de ética ou de mundo natural da ciência. As palavras dos escritores bíblicos, adequadamente interpretados em seu contexto total e em seu sentido natural de acordo com o uso de seu tempo ensinam a verdade sem erro. Assim, fale ao leitor o Antigo Testamento.
Este volume oferece uma perspectiva de todo o Antigo Testamento. Dado que a Arqueologia, a História e outros campos de estudo estão relacionados com o conteúdo do Antigo Testamento, podem ser meios para conseguir um melhor entendimento da mensagem da Bíblia, mas somente em tanto o leitor deixe a Bíblia falar por si mesma, alcançará este livro seu propósito.

CAPÍTULO I
O PERÍODO DOS PRINCÍPIOS

Os interrogantes acerca da origem da vida e das coisas tem tido sempre um lugar no pensamento humano. Os descobrimentos do passado, tais como o dos rolos do mar Morto, não somente é um desafio para o estudioso, mas que também fascina ao leigo.


O antigo Testamento prove uma resposta à interrogação do homem a respeito do passado; Os primeiros onze capítulos de Genesis expõem os fatos essenciais a respeito à Criação deste Universo e do homem. No registro escrito do proceder de Deus com o homem, estes capítulos penetram no passado mais além do que tem sido estabelecido ou corroborado definitivamente pela investigação histórica. Com razoável segurança, sem embargo, o evangélico aceita inequivocadamente esta parte da Bíblia como o “primeiro” (e p único autentico) relato da Criação do Universo por Deus.
Os capítulos iniciais do cânon são fundamentais para toda a revelação exposta no Antigo Testamento. Em toda a Bíblia há diferenças a criação e cedo história da humanidade tal como se expõe nestes capítulos introdutórios.
Como deveremos interpretar esta narração do princípio do homem e seu mundo? É mitologia, alegoria, uma combinação, contraditória de documentos, ou a idéia de um só homem acerca da origem das coisas? Outros escritores bíblicos a reconhecem como uma narração progressiva da atividade de Deus ao criar a terra, os céus e o homem. Mas o leitor moderno deve guardar – se de ler mais além da narração, interpretado-a em termos científicos, ou assumindo que é um armazém de informação sobre ciências recentemente desenvolvidas. Ao interpretar esta sessão da Bíblia – ou qualquer outro texto a tal objeto – é importante aceita – loa em seus próprios termos. Sem dúvida alguma, o autor fez uso normal de símbolos, alegorias, figuras da linguagem, poesia e outros recursos literários. Para ele, ao parecer, constitui um registro sensível e unificado do princípio de todas as coisas, tal como lhe haviam sido dadas a conhecer por Deus mediante humanos e divinos.
O tempo compreendido por este período dos princípios não indica em nenhum lugar das Escrituras. Entanto o ponto terminal - o tempo de Abraão – relaciona – se com a primeira metade do segundo milênio, os demais acontecimentos desta era não podem ser fechados com exatidão. Intentos de interpretar as referências genealógicas como uma cronologia completa e exata, não parecem razoáveis a luz da historia secular. Mesmo que a narrativa segue, em geral, uma ordem cronológica, o autor do Genesis não sugere de forma alguma uma data para a criação
Tão pouco nos são conhecidos os detalhes geográficos deste período. É improvável que cheguem a ser identificadas as situações do Éden e alguns dos rios e nações mencionados. Não se assinalam as mudanças geográficas tido com a expulsão do homem do Éden e com o diabo. Ao parecer, estão mais além dos limites da investigação humana.
Ao ler os onze capítulos do Antigo Testamento, podem suscitar – se questões que a narrativa deixa sem contestação. Estas interrogações merecem um estudo mais extenso. De maior importância, sem embargo, é a consideração do que se afirma, porque este material prove o fundamento e fundo para maior e mais completo revelação de Deus, como se manifesta de forma progressiva em capítulos subseqüentes.
A primeira parte do Gênesis encaixa distintamente nas divisões seguintes:


  1. Relato da Criação Gênesis 1:1-2:25

  1. O universo e seu conteúdo 1:1-2:3

  2. O homem e sua habitação 2:4-25




  1. A caída do homem e suas conseqüências 3:1-6:10

  1. Desobediência e expulsão do homem 3:1-24

  2. Caim e Abel 4:1-24

  3. A geração de Adão 4:25-6:10

III O dilúvio: Juízo de Deus sobre o homem 6:11-8:19



  1. Preparação para o dilúvio 6:11-22

  2. O dilúvio 7:1-8-19

IV. O novo princípio do homem 8:20-11:32



  1. O pacto com Noé 8:20-9:19

  2. Noé e seu filhos 9:20-10:32

  3. A torre de Babel 11:1-9

  4. Sem e seus descendentes 11:10-32



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