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Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Centro de Letras e Artes – CLA

Faculdade de Letras

Departamento de Lingüística e Filologia

Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - PEUL

Banco de Dados do PEUL/UFRJ


AMOSTRA CENSO/1980

Falante: 26 Jos

Idade: 32 anos

Escolaridade: Fundamental 2

Bairro: Rio Comprido

Profissão: Vendedor

E- Como é que é [esse]- esse seu trabalho que o senhor falou? [é]- é vendedor autônomo, não é? E vidraria para laboratórios. [Que tipo de] vidro?

F- [(hes)] Tudo que você possa imaginar. É Békerer, é Mayer, é proveta, pipeta, buretas, é o microscópio, manta aquecedora, placa agitadora... aquecedora... enfim... tubos de ensaio- tudo [que]... que um laboratório precise usar, usa, eu vendo.

E- Certo. O senhor compra e revende?

F- Não, não! Eu tenho uma firma...eu trabalho numa firma que é de... que é do meus tios, e essa firma [ele]... ele é representante da vidros Corning [do]... do Brasil, aqui no Rio, ou seja, a Corning já é representada... tem uma carta [de].... de - [de]- de fabricação em São Paulo, e nós somos revendedores. Certo? Nós somos representante diretos. Revendemos a mercadoria Corning que é o material Pirex mais usado nas faculdades. E além disso trabalhamos com a marca Fizaton, Fani, Faben, Pemen, que são pinças, garras. Tudo que você possa imaginar dentro da química e de um laboratório em geral, (hes) nós vendemos, fornecemos.

E- Certo. Então o senhor trabalha para uma firma, não é?

F- Trabalho para uma firma. Essa firma tem o nome de esse vidros.

E- E há muito tempo que o senhor trabalha com isso?

F- Não! Eu trabalho com isso há dois anos, fez agora em janeiro. Sendo que eu trabalhei [um ano e meio]- um ano e meio como entregador, que eu tinha uma kombi, eu era motorista autônomo. E essa kombi eu engajei nessa mesma firma que é do meu tio, conforme já disse. E da kombi surgiu [a]- a oportunidade de pegar as vendas, eles insistiram, aí, eu deixei a kombi engajada e peguei ...comprei um outro carrinho, e peguei vendas. E não me arrependo de jeito nenhum.

I- É melhor?

F- Ah! É muito melhor. Eu- praticamente eu dobrei o meu salário. Quer dizer, dobrei o meu salário com menos despesa ainda. (est) É.

E- [Vem cá! O senhor] acha que para vender precisa falar muito, tem que [falar bem?]

F- [(inint]-! [Não,] você tem que ser (hes) além de ser comunicativo, [você]... você... digamos, eu sou um cara baixinho, gordinho, está? (est) Tenho um metro e sessenta, peso cem quilos, mas eu sou um gozador. Eu sei chegar, eu sei... sabe? (hes) Tem clientes [que]- que você tem que chegar: "Sim senhor, doutor e tudo bem," [no]- no - E tem clientes que você chega: "O, cara, qual é? Como é que é? Tu vai me dar pedido? Não vai? Não sei o quê-" e tem os compradores boleiros, é lógico, que isso existe em qualquer ramo. É um comprador que leva a parte dele. Isso aí- o que eu estou falando, eu falo na cara de (rindo) qualquer um. Não tem nada a ver porque é a verdade é essa mesmo. Todo lugar tem.. (est)

E- Então depende da idade [do]...do comprador, assim, não é?

F- Não, depende do - do comprador e das possibilidades do comprador. Tem comprador que ele compra, mas acima dele tem cinco, seis olhando ele. E tem comprador que ele compra direto e faz as armações direto, e não tem nada a ver. Entendeu? [e]- e assim vai fundo. Agora, o cara para vender, [ele tem que]- ele tem que ser (hes) um...hoje em dia tem que ser um artista. (est) É uma ótima profissão. Ganha-se dinheiro, mas tem que ser um artista mesmo, porque o negócio é sério, sabe?

E- Então o senhor tem que ter muito tato, não é? Para lidar com as pessoas?

F- É! Tato, malícia, não é? Tudo isso.

I- Como é o primeiro contato?

F- Ah! O primeiro contato é um troço muito sério. A gente não sabe como vai chegar para o homem. Está entendendo?(riso f)

I- Pois é, mas, assim você tem alguma intuição?!

F- Não, eu pego o nome de uma firma, vou, entro, visito, [me]... [me]... me identifico de aonde eu sou, entrego um catálogo do que eu vendo, um folheto do que eu forneço, e começamos um bate-papo- o importante não é perder muito tempo [com]- com o cliente, que tempo é dinheiro. E você da primeira, assim- da primeira visita, você não pode tirar nunca nada. Quer dizer, você tem que visitar- eu
- eu, pelo menos, trabalho assim: eu visito a primeira, segunda, na terceira que eu chegar perto- nessa mesma firma já tenho que trazer alguma, sabe? Algum pedidozinho por menor que seja ele, mas- que, se não trouxer [na]- [na]- na terceira, já fica ruim. Eu, por exemplo, eu tentei... eu posso citar um caso aqui que eu tentei, durante quatro meses, vender para um... para uma pessoa, um tenente dentro do hospital da força aérea do galeão. Ou, minto. Dentro do Laquifa, laboratório químico e farmacêutico da aeronáutica. Levei quatro meses visitando esse homem, e não consegui vender. Até hoje, eu não vendo para lá. (est) Não vendo!

E- Por quê?

F- Porque não tenho chance. Não- (hes) sabe? Eu sei qual é a boa, eu sei que o cara tem transação, mas ele não se abriu comigo. (est) E eu já cheguei: "tenente, eu preciso fazer o que para mim vender para o senhor?"

I- (riso i) Já até perguntou?

F- Já. "Eu preciso fazer o quê?" Eu só não entrei [numa]- numa mais forte, não é? Que eu poderia ter chegado perto dele e falar: "O senhor quer quanto para mim vender para o senhor?" Mas eu não posso falar isso. Entendendo? Não posso também, nem citar o nome da- [do-] do tenente que é- não sei. (hes) Essa entrevista (hes) pode ser confidencial, (hes) pode ser também prejudicial. (est) Correto? E nome, a gente nunca cita, de comprador nenhum. (est) Principalmente se os compradores que levam bola. (risadas) mas-

E- Então é até interessante, não é? O trabalho, de um modo geral?

F- Não, o trabalho é gostoso, é muito gostoso. Você está na rua, você visita um, dois, três, quatro, cinco cliente, ou visita um, dois. Aí, você encontra com um. (hes) "Agora [vamos]-vamos almoçar!" Aí, almoça. Aí, do almoço já- no almoço já vem uma cerveja, duas, três. Ai, tu emenda, aí, - acabou teu dia. (latidos) Acaba. (f)

E- Sem sentir, não é?

F- Sem sentir, pô! Dali você começa um monte de coisa, monte de conversas- eu sei lá. Eu gosto, sabe? Eu gosto mesmo de vendas. Eu já vendi muito, já- sempre me- sempre trabalhei em vendas. Em sessenta e nove para setenta eu trabalhei na Esplanada Roupas. Vendia crediário. Eu já cheguei a dar entrada para um cliente para mim ganhar o percentual sobre aquela entrada que eu dei. (est) O cara chegava para mim: "Ah, mas eu não tenho a entrada!" "Mas não tem problema a gente dá um jeito, aí. Quer vender o relógio?" E isso tudo valia, era válido, porque eu ganhava [sobre]- [sobre]- sobre a entrada que eu arrancava dele, entendeu? (est) Então essa firma Esplanada era na esquina da Marechal Floriano com rua do Acre. Então nós fizemos- a Esplanada fez uma promoção na- no arsenal de marinha .É, marinheiro compra, não sei quê, aquela transação. Os cara vinham, mas muitos não tinham o dinheiro para dar entrada. Sabe? É que era o chamariz mas muito não tinha. Então o cara trazia cigarro americano, trazia relógio Seiko, que na época (est) quem tinha um Seiko cinco (hes), sabe? [era]- era bacana, era não sei o que, e < Perrew>-

E- Hoje não vale muita (rindo) coisa, não. (f)

F- Não, o Seiko cinco ainda vale [muito!]

E- [ainda?]

F- O Seiko cinco é o melhor relógio da linha Seiko [que]- que possa existir. Não tem Quartzo, não tem nada, porque ainda é o Seiko- [eu]- eu acho que seja um Seiko cinco. Eu tenho um Seiko cinco até hoje. Está por aí jogado (rindo) mas eu tenho. (f) Mas, sabe? Então, eu posso dizer que vendas [é um]- é um ótimo ramo para quem quiser. Agora, a pessoa tem que - [tem que]- tem que ter aquele - como você disse, um tato, [tem que]- tem que gostar do negócio. Que, por exemplo, eu hoje trabalhei o dia inteiro [e não]- e não vendi nada. Gastei gasolina, gastei almoço, gastei tempo, gastei- suei, que hoje o calor foi brabo, mas- sabe? Sei lá! Eu gosto, gosto mesmo [e]- e não pretendo parar mais de venda, não.

E- E tem dia que o senhor vende à beça , não é?

F- É. Tem dia que você vende demais. Conforme, também, eu não vendi nada. Eu (hes) não vendi nada. Mas eu cheguei na firma, e tinha um pedido para mim, do qual eu tinha levado uma proposta. Quer dizer, eu hoje não vendi nada. Eu, na rua. Mas eu fiz uma venda de quinhentos e dez mil cruzeiros, quinhentos e dez e oitocentos para o hospital da força aérea do galeão. Está entendendo? [eu não]- eu não trouxe o pedido da rua, mas o pedido veio pelo telefone de uma proposta que eu já tinha entregue. Então, eu hoje não vendi. Quer dizer, eu vendi e não vendi. (est) Correto? [eu]- [eu]- eu, minha pessoa [não]...não vendeu nada. A firma vendeu para mim, mas eu não.

I- (Passando veículo na rua) já teve, assim, alguma estória, assim, de chegar você e um outro vendedor e- [a (f) concorrência.]

F- [ah, tem!] Isso tem muito!

I- Como é que faz, assim, [nessas horas?]



F- [Não,] não tem nada a ver! Não tem- sabe? porque todo vendedor, ele dentro- ele- nós- quer dizer, nós somos concorrentes, correto? Nós somos concorrentes. Então, ele dá o preço dele, eu dou o meu. Agora, muitas vezes, entre nós, vendedores...quer dizer, eu trabalho para firma xis, ele para firma ipsilon, e o outro para a firma ze, (bate uma palma) o que que acontece? Gente se reúne, - nós sabemos que vai ter uma concorrência daquele material; então, sabemos que o comprador é pechincheiro, ele gosta do preço baixinho. E nós, pôxa! Se damos um preço baixinho, a minha comissão vai para um por cento; se eu dou um preço mais ou menos, a nossa comissão vai para dois e meio por cento; se o preço já é melhorzinho, chega a cinco; e, se é um preço bom, chega a dez. Então, nós sabemos que quem vai entrar sou eu, [o]- o fulano, o sicrano. E o beltrano. Então, (bate palma)o comprador normalmente diz: "Chamei (hes)vocês." Chamou os quatro. Que são... (hes) firmas boas, no meu ramo, só tem umas três ou quatro [que]- sabe? Que cumprem tudo legal. Então, eu- "Ó! Chamei fulano, sicrano, beltrano e o outro." Está. Então, eu, como vendedor, já procuro cercar [o]- o- os outros colegas, como eles procuram me cercar. "Olha, Vasco, tem essa
- tem isso aqui." Eu falei: "Eu sei. Eu também estava caçando você. " Fulano! (inint)." Então, nós mesmo, nós, vendedores, sentamos num canto, pegamos a relação do material, e fazemos: "Ó! Você vai ganhar o item tal; eu, o item tal; ele, o item tal; e o fulano, o item tal." Correto? Então, nós dividimos entre nós. Porque não é interessante eu entrar- [se eu]- se eu posso lhe vender essa peça por quinhentos cruzeiro, eu vou vender por cem por quê? Está? Então, eu- está? Aí, eu- a peça custa quinhentos. Então ele cota quatrocentos; eu, trezentos; o outro, duzentos, e o outro , cem. Quer dizer, vai ganhar o de cem. Mas o que que adianta ele ganhar cem? Ele vai ganhar dez mil réis naquela peça. Dez não, minto! Um cruzeiro, (est) que é um por cento.(est) Pô! Se eu posso ganhar dez por cento, ganhar dez cruzeiros, então em vez da peça que eu vou vender por cem, eu vou vender é por quinhentos, que eu vou ganhar esse cinqüenta mil réis, está entendido? Então nós nos reunimos. Então- mas existem também [os]- (hes) os vendedores que não querem dividir. Não querem mesmo. Não querem. "Não, não, você entra com o teu, que eu entro com o meu!" "Então pode entrar!" Porque eu, no meu - - - no meu negócio, na nossa- [no]... [no]... no que eu sou distribuidor direto, praticamente direto- no Rio só tem mesmo- em primeiro lugar, tem a firma que eu trabalho e um outro que é ("lir"). Então, se o cara vai entrar, eu já sei qual é o desconto que ele entra. Então, eu perco, às vezes, [meio por]- meio por cento no preço, mas eu ganho o pedido no montante. (est) Eu ganho no montante. Está entendendo? Então, tem um monte [de]... [de]... [de]... de transações na venda. (est) Mas normalmente nós, vendedores de ruas do mesmo ramo, gente se reúne, pára, bate papo, toma um chopp. "Ó! Fulano quer preço disso. Você tem preço? Tem?" ["ó]- [ó]- ó, eu não vendo seringa, mas o fulano vende. Eu não vendo produtos químico, mas tem o meu pai que vende [produto]- produto químico, e tem o outro - vendedor que vende Mercó." Então, quer dizer, o cara sabe que eu vendo vidro pirex; eu sei - - que ele vende produtos Mercó; sei que o outro vende produto ("Reargem"), Proanálise, e Quimibrás. Então, que- o que que nós fazemos? O fulano pegou um pedido de vidro, ele trás para mim. Eu pego um pedido [de]- de produtos Mercó e levo para ele. Quer dizer, a gente se encontra. Diariamente, nós, - vendedores, nos encontramos. Nos encontramos mesmo, ali, dentro do fundão todinho. Sabe? E não tem nada [de]- de briga, de nada. Não- na concorrência é muito, assim, muito vaga. (est) Porque eu- olha, a maior parte dos vendedores, hoje em dia, é tudo rapaziada nova. (est) Só tem um- eu conheço um que tem sessenta e um anos, que é meu pai. (riso e) E moleque nenhum bota ele no bolso, não, porque o velho é indigesto. (est) (riso e) É. Moleque, assim, trinta e dois, trinta e três, vinte e nove, (est) (inint)- tem rapazes de vinte e três anos em venda, aí. Não bota o velho no... não bota, não! O velho é indigesto mesmo. É ele, e um outro senhor chamado Aníbal. Também- esse também é duro, sabe? É duro de se roer. É o Macedo, que é o meu pai, e o Aníbal. Chega [no]- no Fundão, fala o nome do Macedo ou do Aníbal, pronto! Os vendedores já: Pô! Mas o Macedo está aí, então eu [já]- já nem entro mais porque o preço do (inint)-" que entra mesmo, sabe? Não adianta! Eu acho que vendas é isso mesmo. (est) É leão comendo leão, mas não tem briga, não. Não tem! Como ele me fez a pergunta... foi assim: "O que que acontece..." (inint) "O que que acontece quando se chocam? [não]- [não]- não acontece nada. Não...(est) Como os bons ser humano, não é? (riso)

E- Agora vamos mudar um pouco de assunto? (riso e) É... o senhor adora cachorros, não é? [Eu estou vendo.] Qual foi o problema do cachorro, mesmo, que teve?

F- [Ah, adoro!] [eu]- (hes) eu não sei! Eu perdi o outro a semana passada com uma diarréia de sangue. Em questão de quarenta e oito horas perdi um cachorro, um fila de quatro meses. E no sábado, depois que vocês saíram daqui, eu desci [com]- com meu filho, fui saltar uma pipa aí na rua, (riso e) depois fiquei bebendo aí (hes)um vinho... consegui esvaziar um garrafão, por incrível (rindo) que pareça, passei até mal. (est) Mas passei mal mesmo, mas (inint)- mas matei um garrafão! De vinho. (est) Aí, quando foi-
, deitei- depois deitei aí pela sala [e]- e me acordei, eram onze hora da noite, (inint) senti a cachorra meia caída também. Fui cachorra estava boa. A irmã dele. Domingo de manhã acordamos, estava escada cheia de diarréia de sangue, também. Peguei, corri para o veterinário, está lá internada até agora. Não sei! Eu ia lá na hora que vocês chegaram. (est) Eu vim direto (inint)o calor. Eu ia passar lá. Mas a hora que a gente terminar, eu vou dar uma chegada lá na veterinária para ver. Mas eu gosto de bicho. Você viu que eu tenho quatro, não é? Tinha quatro. Não sei! Que eu estou com um...dois em casa, um internado e um que eu perdi essa semana.

E- Desde pequeno que o senhor gosta?

F- Sempre gostei! (expira) Qualquer bicho, eu sempre gostei. Quando eu era criança, eu arrumava gatos. (hes) Então, de noite minha mãe...no dia seguinte minha mãe falava: "Ah, o gatinho criou asa, voou!" Depois de grande é que eu vim saber o que que era criar asa: ela pegava o gato de noite, não é? Descia, largava na rua, (riso i) e eu chegava de manhã: "Cadê o gatinho?" "Ah, criou asa, voou!" Aquelas coisa de, não é?- Estória de mãe que não queria. Nunca tive. Nunca tive mesmo. Até meus vinte e três anos eu nunca tive nada. Quando eu me casei, falei: "Bom, hoje em dia, eu sou o dono da minha vida, então eu vou ter o que eu quero." Casei com uma mulher maravilhosa, que é a minha esposa, e que também gosta, sabe? Foi...também teve uma infância muito reprimida. Muito, mas muito mesmo. Hoje em dia, tem toda liberdade, faz o que quer. (est) Dentro do limite, também, que eu posso dar, não é? E, graças a Deus, aí, tenho mesmo. Tenho passarinho, tenho cachorro, crio galinha aqui atrás.

I- [Ah, o terreno] continua?

F- [Ah, aqui atrás-] Aqui atrás é o lugar... (hes) esse corredor aí, (est) é um corredor independente. (hes) Aqui atrás tinha uma casa de quarto, sala, cozinha e banheiro que não estava muito firme. Então, nós tivemos uma empregada em casa, que ela queria deixar...queria trazer a empregada com o marido e não sei o quê. E o marido era um beberrão de samba, aqueles, sabe? Pagodeiro, cachaça- eu bebo cerveja, bebo vinho, bebo, assim, uma vez ou outra, eu bebo uma cachacinha antes do - da janta, do almoço. Mas não sou aquele cachaceiro de (inint) (imitando), sabe? Mas o cara- então, ela queria botar o cara aí. Eu um dia me aborreci, subi para o quintal, peguei um- uma perna de três, não sei você conhece um caibro quadrado. Botei no ombro e derrubei a casa todinha com o caibro no ombro. (est) Meu ombro ficou em carne viva, mas eu derrubei a casa todinha. Sabe? Porque- para não me aborrecer mais (rindo) sério com ela, (riso i) eu subi para o quintal e derrubei a casa. Mas derrubei mesmo. Está lá em cima toda... arranquei telhado, arranquei tudo. (est) (inint) Pouco...o pouco telhado que já tinha.

E- [Que coragem!] (riso e)

F- [Aí, eu botei aí-] não, [eu]- eu meio invocado, eu sou meio chato, mesmo. (est) Eu - eu- como eu te disse, eu sou um baixinho- (risos)

E- Tem que lutar pelos nossos direitos.

F- É. Essa rua aí, o pessoal, graças a Deus- minha mulher tem vinte e nove anos, é dona Ângela. Todos eles. Até- sabe? Seja quem for, (inint) "dona Ângela!" E- que eu -(batendo na mesa) eu dei o respeito para ser respeitado. Eu acho que a gente se quer ser respeitado [num]...num ligar, você dê ao respeito. Apesar de que eu desço para rua com meus filho, eu solto pipa. As criança não têm linha, eu dou dinheiro, compro linha para todo mundo. "Ah, não tenho pipa!" "Vai comprar pipa." "Ah, não tenho cerol!" "Vai comprar cerol." Então, sabe? Se eu pego meu filho para ir passear [na]- na Lagoa, vou eu, minha esposa, meu filho, e oito, nove crianças. (est) Não minhas, sabe? Aí, dos vizinho.

E- Mas dá todo mundo no carro?

F- Ah! Eu - eu tinha Kombi, não é? - (est) (riso e) Hoje em dia, eu já modero que o carro está menor. É uma variante. Mas mesmo assim, ainda carrego quatro, cinco, dois lá atrás e não sei o quê. Gente divide, não é?

E- E vocês dão a volta em- na Lagoa toda?

F- Damos. Está bom, cara! Isso tudo é bom, é viver a vida. (hes) Tu- amanhã, tu morre e- ontem mesmo. Ontem mesmo eu falei assim: "Pô, (hes) eu estou a fim de comer uma galinha, aí. Vamos comer?" "Ah, vamos!" "Está, então-" tinha- ainda tinha uma lá em cima, fui lá e ! (risos) Não tem troço mais gostoso, você comer [uma galinha] fresquinha. (est)

I- [Na hora.] (est) Isso é!

E- Morta na hora, [não é?]

F- [Aquela] menina que você viu aí... tinha uma morena alta aí, não tinha?

E- Tinha.

F- Essa menina está sempre aqui em casa. Foi a tal [que eu]- que eu falei. (hes)... Aquele (est) dia eu falei contigo, não é? (est) [ela]- ela participa, (gesticula como quem come) (risos) está? Mas não participa. (Gesticula com os dedos demonstrando dinheiro) então, eu também [não]- não sou de chegar: "Aí, me dá xis!" Não. (est) Mas ela é prestativa. Tu vê! Ela chegou- ela estava aí de manhã, tomou o banhozinho de piscina dela, e não sei o quê, eu falei: "Pô- Sílvia! Eu estou a fim de comer uma galinha!" Ela falou: "É para já!" na mesma hora, eu fui lá em cima, peguei a galinha, ela trucidou e ("preparou") uma galinha vermelhinha, sabe? (est) Aí, pronto!

E- E o senhor, sabe fazer alguma coisa na cozinha?

F- Eu sei!

E- Sabe?

F- Fritar um bife. Mais nada. (riso f)

E- Então, como é que faz esse bife?

F- Eu?


E- É.

F- Eu boto [a banha]- a banha- a frigideira na banha, jogo o bife lá dentro e boto uma tampa em cima e saio de (rindo)perto. (risos) Depois de um tempinho que , eu volto lá, tiro a frigideira tapada, espero parar [de]- de pular, desviro o bife, boto a tampa, (rindo) e boto no fogo de novo. (riso e)

I- Não é um cozinheiro corajoso! (riso e)

F- Não, eu - Ih! Eu passo ali, que está fritando uns troço, me espirra, eu já fico quicando. (riso do i) Não! Pára com isso!

E- O carnaval aí? Fala um pouco sobre o carnaval.

F- Carnaval, eu ia viajar, não é?

E- Ia?

F- Ia. Eu ia para fora. Eu ia aqui para o sítio do meu tio, que é aqui perto. É meia hora daqui lá.[Atravessa]- atravessa a ponte aí, Laranjal, é Alcântara, [Laranjal]- Laranjal. Mas, eu como estava com um carrinho, aí, que eu comprei para trabalhar, mas ele estava precisando fazer um servicinho- esse mês de janeiro que era fraco, fevereiro- o cara me falou: "ah, te dou o carro em quinze dias!" Dia vinte e três eu botei o carro. Ele falou agora - hoje ele me falou que só depois do carnaval. Quer dizer, eu não tenho condições de viajar sem carro mesmo. Porque é aquele negócio: está tudo comprado. Eu estou com refrigerante litro comprado, eu estou com arroz já separado, estou com feijão já- quer dizer, está tudo já prontinho que é só chegar, encaixotar e- que se o- qualquer lugar [que]- que você vai, por mais perto, passar o carnaval fora, é tudo o dobro, três vezes mais, entendendo? (est) Então, pô! [eu]- eu carrego tudo carrego tudo mesmo daqui. É a- óleo. Tudo, tudo, tudo, tudo, tudo. E leva-se sempre um trocado, porque sempre tem, mas, se você for sem nada para fora, você gasta cinco, seis vezes mais.



E- E não dá para ir de ônibus?

F- (hes) [Como é que eu]- como é que eu vou levar isso? (expira)

I- Seus filhos gostam de lá?

F- Ah, eles adoram. Eles adoram. É um lugar sossegado, sabe? [é]- é perto, mas [é um]- é um gozado- é gozado. É dentro de uma - é dentro da- praticamente dentro de São Gonçalo, dentro de Niterói. Que ali é município de São Gonçalo, Tribobó, (inint). E, está- digamos assim, do asfalto, lá, (gesticula) é mil metros. Mas, pô! É um lugar tão verde, tão verdinho, tão gostosinho, todo florido, sabe? Aí, tem assim um quadradinho que meu tio fez [de]- [de]- de ladrilho, onde os pombos bebem água, e, sabe? Ali [daquele]- daquele quadrado já sobe um viveiro com uns passarinho então, sabe? Aí meu tio é um solteirão de cinqüenta e poucos anos, com dinheiro, então, ele tem um ali, tem um em Maricá. Então- eu gosto mesmo é dali. De Maricá, eu já não gosto menos. (est)

E- Bom, e fala aí, um pouco sobre os vizinhos, por exemplo! Eles são muito legais? São [paradão?]

F- [Não tenho] queixa, não. (est) Não tenho queixa. Meus vizinhos [não]- não me dão trabalho. Eu também sou um vizinho que não dou trabalho. Porque aqui atrás- pena que não começou, mas daqui a pouco começa, aí, um centro, ai, até duas, três hora [da]- da manhã- (est gesticulado) não, é legal?! Corre um samba frouxo, aí, de centro, morou! Eu [não]- [não]- não me meto, não me meto. Faço o meu churrasco aqui. Você está vendo a churrasqueira, aí, toda, aí, (inint)- (est) vive aí. Chove, molha, tudo, mas está aí. (gesticula) Sabe? Eu faço o meu churrasco- o cara está lá em cima (inint) o centro, e eu estou aqui no meu churrasco, não quero nem saber; principalmente sexta-feira que é dia de macumba mesmo. (risos) (tosse)

E- Fundo musical, não é?

F- É. A gente até ri, brinca, começa a dançar com os espeto na mão. Ih! Eles é que uma vez implicaram comigo. Também eu estava - pô! Aqui dentro- tu vê! [dentro]- dentro da cidade, criar três leitões, só eu mesmo, não é?

I- Ah, não brinca!

F- Criei três leitões, aí. (est) [durante]- durante noventa dias eu criei três leitões. Aí, quando chegou no dia seis de janeiro, matamos o leitão, fizemos churrasco de leitão.

E- Três leitões no mesmo dia?

F- Três leitões. (est) [foi]- foi no dia do meu aniversário. Chamei, aí, a família, aí, viemos para cá. Pô! Fizemos churrasco de leitão. Destroçamos o leitão todinho- pernil inteiro, enfiava, assim, nos espeto. A churrasqueira não era essa, lógico, era um tambor de duzentos litros que eu tinha serrado em pé, legal. Mas, pô! (risadas)

I- Que farra!

F- E a - a vizinhança ali de frente não tem. Olha! Aqui - aqui, (aponta) nessa casa do lado, mora um general. Filho dele, gente finíssima, gente fina, mas com problema de cabeça e de fumo, tóxico. Mas é um cara que senta ali no muro cheio de maconha e bate papo comigo e- sabe! (hes) E é incapaz de chegar e pular para o meu quintal.

I- Senta no muro?

F- É! Porque ali atrás fica baixinho o muro, não é? (est) Ali atrás o muro fica baixinho.

E- [Ele conversa] com o senhor?

F- [ Agora-] conversa. "dona Ângela e (inint) -" bate papo. Agora está meio sumido. Deve estar em alguma clínica, internado. Não sei se você leu no jornal- (hes) como é que é? "Faixa preta de caratê - bateu na mãe e -"[veio]- [veio um]- [veio um]- um choque da PM para segurar o cara, malandro! Um choque- (est gesticulado) é, para segurar o garoto. O garoto [dá]... [dá]... [dá]... dá mais alto que você e dá uns três de mim. Um choque da PM tiraram ele daí à base de bomba de gás. ele-

I- Surrou a mãe?

F- Ele surrou a mãe e- tomou uns , queimou uns fumo e surrou quem aparecia. Veio bombeiro, [não]- não se engraçou; veio PM, ele pegava de dois em dois, jogava para o (rindo) alto- [o moleque]- o moleque é indigesto. O cara é faixa preta, pô! E, sabe? [Só conseguiram]- por trás, não é? (inint) Entraram pela Cândido de Oliveira- só conseguiram segurar ele mesmo com bomba de gás, aí- (est) e meus vizinho aí [da]- da frente, me dou bem com todos eles, porque eu sou- eu- como você- como eu disse: o cara. [para]- para ser vendedor tem que saber, tem que tentar. E eu sou muito comunicativo, sou muito prestativo. Agora, eu tenho vizinhos aí na frente que têm um olho grande desgraçado. Essa casa que eu moro não é minha. Essa casa que eu moro aqui, eu- você vai ter o prazer de ver, é um palacete, (est) praticamente. Eu vim- em abril faz cinco anos que eu vim morar aqui. Então, eu vim morar aqui, para morar seis meses enquanto eu arrumava uma outra casa para mim morar, porque onde eu morava dobrou o aluguel. (est) Era mil e quinhentos cruzeiro, ia dobrar para três, eu não tinha dinheiro. Isso há cinco anos atrás. Então, esse amigo meu falou: "Ah, eu tenho uma casa vazia, era o meu ex-patrão. Você vai para lá." Eu falei: "Está legal!" E estou aqui há cinco anos. Faz em abril. Agora, tudo que chega de conta, aqui, eu pago. (hes) Eu pago conta, aqui, de - [paguei]... [paguei]... paguei, agora, conta de setenta e sete que eu nem morava aqui. Paguei quinze mil cruzeiro de água.

I- Setenta e sete!

F- Setenta e sete. Eu não- eu ainda não morava aqui, paguei água. (est) Setenta e seis, setenta e sete.

E- [A rua toda-] o senhor tem vontade de mudar, um dia?

F- Como assim? Mudar para quê? Mudar [em quê?]

E- [Mudar daqui] para outro lugar.

F- Dessa casa?

E- É.

F- Não, essa casa, [eu gostaria]- [eu gostaria]- eu gostaria que fosse minha, e que eu tivesse condições de reformar. Que essa casa para reformar, ela precisa [de]- de um- de grana. Vamos botar, aí, num- miseravelmente, uns três mil cruzeiros- três milhões, não é? Para ela ficar legal. Ai, sim, eu lá atrás teria o que eu gosto, que é uma mesinha de sinuca; [é uma]- é uma (est) piscina legal, não é uma piscininha de plástico. Agora- e para comprar também, não é? Para comprar, eu precisaria de, no mínimo, uns doze mil cruzeiros [que]-(est) que é quanto essa casa miseravelmente está valendo atualmente.



I- Mas ela é muito boa, não é?

F- É.


I- Tem um terreno!

F- Ela tem um terraço, tem um terreno aqui para trás, tem goiabeira que me dá umas goiabas bonitas. (est) Não deu esse ano, porque eu fui podar e não sei podar e estraguei a goiabeira, sabe? Mas ainda tiro daí goiabas grandes. Não tem um bicho. (est) Eu meti [a]- a mão (hes) na enxada outro dia (inint)- e acabei com o pé [de]- de abóbora que estava me ocupando o terreno todo. Porque ela dava dez centímetro de abóbora, morria. Dava dez centímetro - eu me invoquei, meti a mão [na]- na enxada e acabei com tudo. Ah! Tomate, [já]- já tirei tomate daqui. Outro dia eu subi para ver a abóbora, achei ovos. (risos e) No meio [do]- do- da abóbora, eu achei seis ovos (est) da galinha do centro. Pulou, (riso i)botou os ovos e eu, ó! (riso)(gesticula) . (risos) E eu com os ovos, está entendendo? (riso i) (batendo) Ué! Eu não mandei botar os ovos (f)no meu (rindo) quintal! (riso e) Fui caçar abóbora, achei ovos. Tu vai (rindo) entender isso! Mas é verdade, cara! [são coisas]- (riso i) São coisas mesmo que acontece, mesmo! Legal!

I- E você não se interessa em plantar, fazer uma horta, (inint)?

F- Não! Ih! Eu vou plantar [com]... [com]... [com]... com cachorro , filha?

I- Ah, é!

F- Os cachorro [me]- me estraga tudo, me destroi tudo. Deixar na frente, é- de manhã, eu tenho que sair assim: (gesticula) desviando, não é? Porque é um, dois, três, é um monte! E, tem que ficar aqui em cima do terraço, mesmo. Solto no terraço, e solto aqui. Quer dizer, eles ficam aqui em cima- os dois maiores, não é? Ficam sempre atrás. Na frente, eu largo aquela que você quando chegaram eu botei para dentro. (est) Porque aquela cachorra, ali fora, com a gente, ela é uma, mas ela dentro de casa, eu não aconselho ninguém a entrar. Se eu não chegar [na]- na porta, ou eu, ou a mulher, ou o garoto, e abrir o portão, eu não aconselho ninguém a entrar não, porque, com toda vira-lata que ela é, (rindo) ela é estranha. Eu, eu, se eu botar a comida para ela, eu não tiro mais a comida dela. A [minha]- (hes) minha esposa, não! Minha esposa chega lá e tira, e tira mesmo, e [não]- não tem bronca. Agora, eu não. Eu- se eu botar, eu não tiro mais a comida. Que ela me olha de lado! (est)

E- Então, vamos mudar um pouquinho, agora!

F- É. (expirando) (sorriso e)

E- Fala um pouco dos seus pais! Como era, assim, o seu relacionamento com eles?

F- Era, e ainda é.

E- É?

F- É! Meu pai mora muito longe de mim, sabe? Meu pai mora a quinhentos metros de mim. (riso e) Mas, se não fosse eu estar trabalhando com ele esse mês que eu estou sem carro, a gente se ver uma vez por mês. [Sabe?]



I- [Só?]

F- É, nos damos muito bem, muito bem, mesmo; eu, meu pai, minha mãe, meu- minhas duas irmãs. Mas é assim: eles lá, eu cá. (est) É gozado, não é? [meu pai-]

E- [O senhor falou, assim,] se sentia um pouco reprimido por causa dos cachorros que você-

F- É, ele chega aqui, eu tenho que prender os bicho todo- (fim lado e inicio )

F- Já está piscando aí. (riso i) Vamos começar o nosso bate-papo, aí, formal!

E- (rindo) Nada! Não é nada formal, não!

F- Tem até um bilhete aqui: "pilha nova."(riso e) Isso não é comigo.

E- Mas então, vamos falar um pouco sobre o futuro? Por exemplo, o futuro das crianças, por exemplo. Que que o senhor gostaria para eles?

F- Olha, eu só quero uma coisa: que eu possa bancar os estudo deles até onde for preciso. Porque eu fui muito moleque. Hoje em dia eu me arrependo. Eu estudava- consegui terminar o meu ginásio. Eu fiz, assim, um primário maravilhoso; admissão, dois ano. Primeiro ano, dois ano; segundo ano, dois ano; terceiro ano, dois anos; e quarto ano, três ano. Aí, terminei. Então, eu consegui terminar [no]- no Liceu de Artes Ofício na Praça Onze; tenho aí um papel que diz, aí, que eu terminei é mas, conforme eu disse anteriormente numa outra- na outra entrevista, eu me casei com vinte e três anos casei já (est) sabendo- conhecendo a vida de solteiro demais. Porque eu nunca fui reprovado por nota. Nunca fui reprovado por nota. Só fui reprovado por falta. (interrupção no gravação) (rindo) Ele enrolou o meio de campo todinho, ali. (riso i) Eu falei que eu fiz o primeiro- (hes) o admissão, dois anos, (voz ao fundo) o primeiro ano, dois ano; o segundo ano, dois ano; o terceiro (f) ano, dois ano; e o quarto ano, eu concluí em três anos. (est) Quer dizer, eu poderia [ter]- ter terminado, até, uma faculdade, não é? (est)Mas eu não. Por quê? Por causa de farra, de garota, apesar que de...no meu tempo era mais difícil, não é? Hoje em dia, está mole. Eu queria estar eu solteiro, hoje em dia, que eu não casava nunca mais. (est) Eu não casava nunca mais mesmo.

E- Mas que tal o casamento? Fala um pouco sobre o [casamento, então!]

F- [Muito bom!]

E- É?


F- Muito bom! Consegui ter o que eu tenho, depois [que]- que eu casei. E se eu tivesse ouvido a minha mãe, no meu tempo de solteiro, eu teria muito mais. Muito mais mesmo.

I- Como assim?

F- Em sessenta e nove, eu ganhava um salário de mil e quinhentos cruzeiros, quando o salário mínimo de um soldado [era]- era oitenta cruzeiro. (est) Eu dei cem cruzeiros a um soldado, que tinha acabado de sair do exército, para ele arrumar com um tenente amigo dele, ou melhor, [o]- o capitão [que]- que ele serviu eu dei cem cruzeiros a ele, na época, para - para mim não servir o (riso i) exército. Eu ganhava mil e quinhentos cruzeiros, pô! Ganhava dinheiro que nem um cão! (interveniente fala com a esposa do informante) Ganhava dinheiro que nem um cão, mesmo. Dinheiro que nem um cão. Sabe? Depois tive umas épocas mais fraca- quando casei- tu vê! Eu- em sessenta e nove eu ganhava mil e quinhentos; em oitenta- em setenta e quatro, quando eu me casei, eu ganhava oitocentas pratas (est) oitocentos cruzeiros. Fui pagar um aluguel de quinhentos e cinqüenta. Luz, água, gás, não sei o quê,
. (interveniente fala com a esposa do informante) E, assim, fomos, lutamos, estamos aí, casados, já vai fazer nove anos-

E- E para as crianças? O que que o senhor quer para as crianças, no futuro?

I- Senhor deseja, assim?

E- (expira) Ah, esse negócio de desejar, isso é muito vago, não é? (est)Eu desejo o melhor para eles. Sei lá! Eu gosto- [eu]- eu- foi o que eu disse: eu espero poder bancar os estudo dele: que eles [vão]- vão ser o que eles quiserem ser. Minha mãe queria que eu fosse doutor, meu pai queria que eu fosse não sei o quê, e eu sou o quê? Eu sou um vendedor. Não deixa de ser alguém. Também, [não me ]- não me - menosprezo na frente de colegas meu, que são engenheiros. Que eu tenho colega que é engenheiro não ganha a metade do que eu ganho. O cara é engenheiro formado, não ganha o que eu ganho. Agora, é lógico! Ele senta atrás de uma mesa, ele anda arrumadinho, ele tem aquele servicinho dele. Eu não! Eu tenho que sair para rua, botar o suor para fora e correr atrás. Porque, se não correr atrás, não arrumo nada, não! Agora, eu chego sexta-feira, eu paro num bar e bebo dez, doze cerveja, pago vinte cerveja, pago a minha, pago a dele que é engenheiro- (sorriso e) está entendendo! Porque: "não, ó! Vasco, hoje está ruim, eu não tenho- hoje eu não posso pagar." "Não tem problema, mas bebe! Ué! Você não pode pagar, mas bebe." Isso acontece muito! Conforme eu também já cheguei em bares (hes) muita vezes com um colega: "Ó, eu não tenho, mas estou a fim de beber." E eles já me responderam: "Ué! Não estou te perguntando- eu tenho, (inint) vamos beber!" Isso- sabe? Então, o que eu quero para o meus filhos, eu quero o melhor para eles. Sabe? Eu quero o melhor. Esse aqui, ó, começou a estudar o ano passado. Arrumamos aí um colégio público. Aqui, o Pereira Passos. Foi onde eu fiz o primário. Ele está lá. A garotinha que tem quatro anos- (toca a campainha e cachorro late) A garotinha que tem quatro anos já vai para o colégio pago. Aqui, o (muxoxo f) casa de Portugal. (est) Mas, a patroa já quer tirar ele [do]- [do]- do público, e botar junto com ela lá, porque aí fica os dois no mesmo lugar, mesma (hes)- é um trabalho só. "Mas não é chegar e botar, não! Vamos ver- espera, aí! Vamos... tem matrícula, que [é]- é xis, tem depois, por mês, que é mais xis." Está entendendo? Então [vamos]- vamos estudar esse final de semana, vamos ver. "Você vai lá, vê quanto e, certinho a matrícula, quanto vai ser por mês dele. Está? [se]- se tiver (hes) condições, ele vai para o colégio particular; se não tiver, ele vai continuar no público!" É lógico [que]- que um particular puxa muito mais! O que eu não acho... que, na minha época, colégio particular era pp: pagou, passou.

I- É? (rindo)

F- É. Era pp. Pagou, passou. Tu pagava a mensalidade ali legal, final do ano tu passava. Eu aprendi o que com isso? Nada! (est gesticulado) Não, eu (inint)- eu não tem vergonha de dizer, [eu]- eu não aprendi nada. Minhas notas em inglês eram oito, nove, oito, nove. Eu sei o que de inglês? , malandro . Sabe o que que é? Nada. É: "não have forget, I love forçou. "O que que eu sei de inglês? Nada, nada, (risos) nada, nada. Não manjo nada de inglês. Hoje em dia, me faz uma falta tremenda, porque todo material importado, que é [de]- de laboratório, está lá! Tudo em inglês. Eu olho: "É, eu vou levar para firma para traduzir." Sabe? Então, essa pergunta que você me fez é isso. Quero- [para-o]- para o meus filhos, eu quero o melhor. O que eu puder dar para eles, eu dou. Conforme meu pai me deu. Eu é que nunca quis! Sempre fui moleque, mesmo; sempre fui mulherengo,[e]- e saía de casa sexta-feira [de]- de manhã para trabalhar e aparecia segunda, [só para]- só para trocar de roupa. (ests) É, eu era brabo, mesmo. Eu era-

I- E a questão de ensino, assim? (hes)Atualmente você acha que está pior, porque-

F- Está. O ensino hoje em dia não vale nada. A verdade é essa.

I- Decaiu, mas-

F- O ensino hoje em dia não vale nada mesmo. Eu acho que o ensino hoje em dia não vale nada. Hoje em dia, a professora é tia. Onde é que já se viu? "Oh, tia!" "Ah! É a tia fulano!" Um troço. Meu filho tem problema [de]- de trocar a- o dê por vê, aquele- hoje em dia, existe terapia da palavra. Você acha que isso adianta? Terapia? Eu acho (inint)- (bate palmas) se não chegar em cima do moleque, ali. "Ó! É você, é você; é Dado, é Dado-" não! "Eva viu o ovo." (riso e) é: "macaca, mica-" não sei o quê! (hes)Nada! Não tem nada disso! [não]- não, sabe? Eu não sei- eu acho que o ensino hoje em dia está [muito]- muito mudado, não é?

E- Com esse ensino assim, que que o senhor acha que vai ser do nosso país, hein?

F- (expira) Isso, eu [não]- não posso nem te responder, que eu não estou à altura. Eu não posso (rindo) mesmo. Um cara que só tem um ginásio vai responder o quê? (est de i) Está entendendo? Agora, eu sou um cara vivido. Sou vivido. ("com") meus trinta e dois anos sou muito vivido. Sabe? O que eu vejo lá [na]- na faculdade, lá. Cara fazer greve- estudante [fazer]- fazer greve. [fazer]- [fazer]- fazer greve para quê? Para quê? Se o negócio (batendo palmas) dele é estudar! Interesse dele é estudar! Não, ele faz greve para não estudar! Você acha isso certo?

I- Quando os professores fazem greve [(inint)]?

F- [Estão errados!]- [Estão errados!]- Estão errados! Que eu acho que se a pessoa [tem]- tem amor à profissão.. Pô! Que seja um salário [de]- [de]- de porcaria, mas ele- poxa! (hes) Sabe? Pô! Ele se formou naquilo! (hes) Por quê? Então, [se]- se formasse [em]- em - em- -- como é que é? -- (inint)- (muxoxo) Um troço melhor, sei lá! Não- [num]- num avião aí qualquer, pô! Mas, não! O cara se formou: professor de química orgânica; então, ele vai ser professor de química orgânica. Mas, pô! Você vê cada professor hoje em dia, (rindo) que é uma comédia. Um garotão mais novo que eu, com uma barba desse tamanho, (gesticulando) uns cabelo tudo arrepiado- (riso i) é lógico que tem que estourar greve! Vai estourar greve toda hora! Toda hora! Toda hora estoura mesmo. Isso é- (est) sabe? Troço muito-

E- [E nesse] seu trabalho, assim? Daqui para frente, o senhor acha que vai ser como? Como é que vai continuar? (hes) Como vendedor, será que- vai ficar muito tempo com isso?

F- Olha, está cada vez pior! (est) Cada mês que passa, piora. Conforme vocês correm atrás da verba do FINEP de vocês, eu corro atrás da verba [do]- [do]- do meu FINEP, do meu CNPq, sabe? Que se o CNPq e o FINEP não liberar a verba, eu não vendo é nada. E... está? Instituto [de]- de Microbiologia, aí, ia botar no quadro uma relação [de]- de trezentos itens de vidraria, botou uma relação [de]- de dez itens. Agora você me explica como é que esses professores vai dar aula para alunos, se eles têm que comprar trezentas peças, trezentos itens de vidraria? O CNPq (hes) liberou uma verba para eles comprarem quinze, vinte itens. Há condições?

I- Mas está tudo um círculo vicioso, não é? Quer dizer, eles não podem comprar porque não têm dinheiro, vocês não podem [vender-]

F- [vender] [porque]- porque (hes) o CNPq não- o FINEP não liberou a verba; o professor que tinha verba própria também [está]- está restrito, (est) está entendendo? Que ele- (hes) [tinha]... [tinha]... (hes) tinha professores que tinha verba própria! O CNPq, o FINEP dava uma verba. O professor (hes) Aragão: ele tinha xis cruzeiro para gastar no que ele precisasse. Hoje em dia [o professor]- o professor Aragão não tem mais nada, e a seção de compras do departamento da escola do professor Aragão, que - que iria receber dois milhões para gastar, recebeu duzentos mil cruzeiro. (bate na mesa) Agora, o que que o cara [vai]- vai fazer com duzentos mil cruzeiro? (est) Você sabe o quanto custa um tubo de ensaio [com]- com tampa rosqueávelzinha, treze por cem? Preço de lista dele é [quatrocentos e oitenta]- (hes) quatrocentos e oitenta e oito cruzeiros. Você pega em cima desse tubo, você pode dar- eu, no caso, para ganhar uma comissão [de]-de cinco por cento, eu posso dar quinze por cento [de]- de desconto. (cachorro late) Então, são menos quarenta e oito, menos com mais vinte e quatro, são menos setenta e dois cruzeiro. Então, de quatrocentos e oitenta e oito, menos setenta e dois, esse tubo vai sair por quanto? Quatrocentos e dezesseis cruzeiros. Correto? (est) Duzentos mil cruzeiro quantos tubo ele vai comprar? (tosse) Cinqüenta, quinhentos tubos. Sabe? Quer dizer, é uma (hes)- o- cada estudante que pega um, que [vai]- vai trabalhar, ele tem que trabalhar com meia dúzia de tubo. Vem andando com aquele negócio, [vem]- vem para mesa trabalhar, dá um tropeço, cai um- cai uma estantezinha com os tubo, pronto! Lá se vão seis tubos embora. Então, tem que comprar... é isso! E cada dia que está, piora. Piora mesmo. (barulho)

I- E você acha-

F- E esse mês [de]- de fevereiro vai ser um mês horrível. Que além de ser só quinze dia de serviço, e de trabalho... e a verba que estava tudo para sair a partir do dia vinte de janeiro, não saiu nada de verba até hoje.

I- E você acha, assim, que a tendência é continuar piorando?

F- Ah, vai, vai!

I- Até o final do ano, ano que vem?

F- Deus é grande. Isso vai piorar, porque ficar melhor, não fica nunca mais, não!

I- Nem com o FMI [ou sem o FMI?]

F- [Não! Quê!] Nem com FMI, com-[sem]- sem FMI. Pessoal quer ouvir é o efeemizinho no rádio, e tudo bem. (risos)

E- E, se o senhor fosse o presidente da república, hein? [O que o senhor faria para esse povo?]

F- [Ah, eu (hes)-] está muito difícil, sabe?

E- Não! Uma hipótese.

F- Não, isso não...

E- Que que o senhor ia fazer, assim, de imediato?

F- Olha! Eu- se tivesse condições de eu fazer alguma coisa, [eu]- [eu]- eu, particularmente, colocaria gente nova para governar. Idéias novas, sabe? Não é botar garotão dezoito, dezenove anos, não! Que quer queimar um fumo, sair, se sentar numa moto


, não! Botava gente nova. Nova que eu quero dizer, [é]- é de trinta a quarenta anos que é ("uma já.") sabe? (hes) Eles já são mais vividos, e tem [uma]- [uma]- uma mentalidade mais nova. que, todo - [tu]... tu pode reparar, cara! Todo mundo que entra para o governo, o que que dá? (buzinam) Eles só arrumam o dele e ficam na dele. Sabe? Só arrumam! Eu [tive um amigo]- tive um amigo que só em se candidatar ficou mais rico do que já era.

I- Que é isso?!

F- É! Ele não foi nem eleito, não. Isso já tem tempo atrás. Ele não foi nem eleito. Ele só em se candidatar, ele já ficou mais rico do que ele já era.

I- Mas como?

F- Que apareceu o nome, fama, e não sei o quê- [ele tem um]- ele tem [um]- [um]- um- [o]- o negócio [que]-[que]- que ele tem é muito conhecido. Ele tem um curso. (bate palma) Tem um curso que era na rua México numa sala, duas salas, três sala hoje em dia está assim: (hes) Faculdades - Integradas Hélio Alonso. Correto? (est) É! Hoje em dia, não está quase assim? Faculdades (est) Integradas (est) Hélio Alonso. Era na rua México. Duas saletas, três saletas. Concordo! Ele batalhou daqui! Batalhou dali,
,
,
, professor Hélio Alonso
- mas só em se candidatar uma vez que ele se candidatou, ele arrumou o que , sabe? Está aí: bem, [("está sossegadão-")]

E- [Nunca mais se candidatou.] (riso i)

F- Nunca mais. Para quê? Então, é o que eu digo: qualquer um que entre [para o]- para o governo, olha, caiu um mosquitinho, aqui, na minha água. -- (sorrisos) qualquer um que entre, aí, [para o]- para o governo é... a verdade é essa, sabe? Eles arrumam o dele e tudo bem, os outros que fique e vai à luta. (inint)-

I- Seu pai lhe falou alguma coisa do tempo que ele pegava, não é? Gérson? Sei lá! Getúlio...

F- Meu pai fala que eu sou comunista.

I- Por quê? (riso i)

F- Porque eu sou um agitador (rindo) desgraçado. (risos) (f) "Ah! Tu é um comunista. Você-" que, eu, sinceramente, se eu ver um troço errado ali, [eu]- eu não aturo não. (est) Não aturo mesmo não! Eu não tenho tempo ruim comigo, graças a Deus. Nunca tive. Então, eu acho que o seguinte: você é um ser humano; então você tem o direito de falar o que você quiser. (est) Está? Você não paga o teus impostos? Você não paga o tu... teu colégio? Você não paga- [tudo]- tudo hoje em dia que você tem que fazer, você paga! Até para morrer hoje, tu tem que pagar, cara!

E- E bem caro!

F- E caro. Não está- um enterrozinho de nada, bota grana em cima. Então, pô! Eu acho o seguinte: se eu pago tudo, pago o meu INPS, pago o meu isso, pago não sei o quê, [pago]- pago minha luz, minha água,
, o cara vai chegar (hes) na minha porta e vai fazer um desaforo a mim? Não vai não! Não vai, não! (est) Chego aí num qualquer lugar- eu estou pagando, eu quero. [eu quero]- eu quero o que eu estou pagando. Então, eu, sabe? (hes) Meu pai diz que eu sou comunista, que eu sou agitador, que eu - quero (hes) . Aquelas coisa de coroa, sabe? Sesenta e um ano. "É, que no meu tempo-" "Seu tempo nada, rapaz! O negócio é hoje, viver (hes) o dia, hoje." Meu pai foi receber um pagamento, o cara deu cinco mil cruzeiros a mais a ele, ele: "não, está errado! É [menos cinco mil]- menos cinco mil e duzentos." (est) E ele tinha levado uma volta do mesmo cara, antes, de quase dez mil cruzeiro- de quase vinte mil cruzeiro. Que o cara tinha dado- tinha que dar quarenta, e só queria dar vinte. Ele precisou brigar com o cara para o cara dar os quarenta a ele certo. (passa veículo) O cara deu depois de muita briga. E agora o cara deu [cinco]- cinco mil e duzentos mole para ele, ele falou: "Não quero, não!" Ele (hes)- também é isso, sabe? [é filho]- é filho- meu pai é filho de português, mesmo. Ele é (hes)- ele só quer o direito. "Ó! Eu quero o que é meu. O meu é só sete mil e duzentos e não doze e duzentos- doze e quatrocentos." "Ah, mas não é xis mais xis?" "Não, não, é só xis. O outro xis, eu não dei nada para o cara, por que que tu vai me dar!" (est) Ele [é]- é durão para caramba. (risos)

E- (hes) O que que o senhor acha da Igreja Católica atual?

F- Não posso dizer muita coisa que eu não freqüento.

E- Mas, as pessoas estão se afastando cada vez mais da Igreja, [não é?]

F- [Cada vez] mais!

E- Como é que vai ser isso, hein?

F- Sei lá, cara! [eu]- eu- (hes) [tu]- [tu]- tu entrou aí [num]- num ponto que eu- (gesticula) eu sou um cara que dificilmente vou à igreja. A não ser para uma missa de um amigo, de ação de graça, que a- (inint) houve um bem, sei lá! Ou um outro colega que vai casar, eu ainda vou. Mas, fora isso, eu tenho aqui no Rio Comprido, uma, duas, três igrejas e (rindo) (palmas)não freqüento nenhuma, mesmo, e- (f)

I- Mas se casou na igreja?

F- Me casei no civil e religioso. (sorriso i)

E- Então, que que o senhor acha dos jovens, por exemplo!- De hoje em dia?

F- [Acha de quê?]

E- Dos jovens de hoje em dia. A cabeça (palmas) deles- como é que vai ser tudo isso com o pensamento [que]- que eles têm?(o falante expira) O futuro dessa geração!

F- É outra pergunta, também, meia, não é? Para gente entender a mente de um jovem hoje em dia, está meio brabo.

E- (sorriso) Senhor acha, é?

F- Eu acho.

I- Mas você se considera, assim, realmente de outra geração, bem-

F- Não, eu não me considero de outra [geração]- [geração]- geração não! Eu sou de uma geração que não é tão antiga, não é? Sou de cinqüenta é um. Mas...sabe? Eu se chegar perto do meu pai e chamar: "Aí, ó pai! Você-" já é motivo dele me olhar de- [meio]- meio atravessado. Você sabia disso? (est de i) É. E meu filho chega para mim e fala assim: - " baleia!" (risos) é, [meu]- meu filho me chama de baleia, barril de chopp- mas eu já crio meu filho na geração de hoje, sabe? Eu brinco de lutar [com meu]- com meu filho, o caramba- meu pai nunca me permitiu. Agora, (hes) sabe? É- sei lá! essa geração de hoje em dia está meio estranha. [muito]- muito, mesmo. Depois, então, que apareceu essa série [de]- de troços aí. Olha, eu sempre gostei de uma coisa- de duas coisas, desde que eu- [que]- que eu me conheço. Eu com dez anos de idade, eu conheci um cigarro, comecei a fumar de brincadeira, não sei o quê, estou aí até hoje com trinta e dois anos eu fumo.

E- E o senhor daria liberdade para o seu filho furar- fumar?

F- Dou! Ele- (hes) eu mando [ele acender]- ele acender o cigarro para mim, ele se engasga, sai tossindo. Eu dou, para ele ver o que que é! Se ele gostar, ele vai a luta! Sabe? Acender duas vezes, pergunta se ele quer acender mais! Meu filho, quando tinha dois, [três]- três anos, uns três anos mais ou menos, ele sentava atrás do carrinho de chá, onde eu tinha lá minhas cachaça, meus troço lá, meu- meus licores, ele abria e (inint) até o dia que se engasgou.(riso de i) Pergunta [se ele]- (hes) se ele quer sentir o cheiro- [se ele]- se ele está aqui do meu lado, eu estou fumando: "Pô, pai! Essa fumaça!" A única coisa que ele ainda gosta, até hoje, é botar a cerveja para mim porque faz espuma. aí, ele:



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