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Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Centro de Letras e Artes – CLA

Faculdade de Letras

Departamento de Lingüística e Filologia

Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - PEUL

Banco de Dados do PEUL/UFRJ


AMOSTRA CENSO/1980

Falante: 25 Jae

Idade: 30 anos

Escolaridade: Fundamental 2

Bairro: Costa Barros

Profissão: Mecânico

E- O senhor falou que trabalhava [n]!- Na oficina, não é? Como mecânico.

E- O senhor falou que trabalhava [n]!- Na oficina, não é? Como mecânico.

F- Hum, hum.

E- Vem cá! Aparece muitos... aparece [muito]- muito trabalho, muito conserto

F- Aparece.

E- Muita gente. (gesticulando com a cabeça) é? E qual é [o]- o- assim, a- o maior número de problemas, assim, que aparece, que as pessoas levam?

F- O maior número de problema mais é lanternagem, não é? Que nego está batendo mais do que coração assustado.

F- É, bate muito! Mecânica aparece ...sempre aparece. Problema de freio, motor ratiando- entendeu? Mas aparece muita lanternagem. Lanternagem é que tem muita.

E- Como é que é? Motor ratiando, assim, como é que é?

F- Motor ratiando (hes) pode ser problema de válvula, problema - pode ser problema de vela, do platinado, ou um condensador ruim, ou um carburador entupido- entendeu?

E- E às vezes tem que ficar muito tempo, não é? Lá, [o carro?]

F- [Não!] Muito tempo, não. Isso é problema rápido. Às vezes, ("quando") a pessoa quer descarbonizar o motor, aí que leva dias, não é? Leva uns dois dia, três. Quer reformar o motor, aí leva três, quatro dia- (est) fazer uma suspensão, também leva três, quatro dia.

E- Demora! E, assim, pintura, faz também?

F- Faz. E pintura é que demora mais, leva mais de uma semana. Porque o cara tem que preparar o carro todinho, lixar, preparar a tinta, dar a massa, tirar os defeito que tem no carro, lixar de novo, preparar, depois pintar, dar uma não primeiro, depois dar a segunda mão, depois ainda tem o polimento, depois ainda tem a montagem do carro todo- entendeu? Porque uma pintura geral tira tudo: tira vidro, tira tudo. Pára-lama, tira tudo. Porque tem que pintar ele todo, por baixo- tudo. Então tem a montagem! E a montagem é a pior. De... o finalzinho que é o pior de tudo.[Aí demora.]

E- [O finalzinho-] o acabamento-

F- Acabamento que demora mais.

E- E cor, assim, a cor é geralmente ("a") do carro, não é?

F- É, a cor- (hes) vamos dizer: O carro é verde, o cara tem que pintar de verde. Ou quer mudar de cor também. (est) Aí já é outro problema. Mudar de cor, o cara vai ter que ter mais trabalho para preparar ele por causa da cor. Porque ele meter uma cor em cima da outra, depois começa aparecer tudo de novo. Para não aparecer ele tem que preparar bem preparadinho para não- a outra tinta de baixo não subir. (est)

E- Vem cá! O senhor acha assim que [a]- a- as lataria de agora estão muito fraca, não é?

F- Demais.

E- Antigamente era-

F- A chapa era melhor. Antigamente era ... a chapa era dezoito. Essa chapa agora não é dezoito. Dizem que é dezoito, mas não é. (aspira)

E- Ah, não?

F- É uma chapa tão fina que-

I- O quê que é chapa dezoito?

F- Chapa dezoito é uma chapa mais resistente. É o número da chapa é uma chapa mais grossa. Como tinha aqueles carro antigo, aqueles carro velho, antigo? (est) Aqueles carro ("tinha") chapa dezoito. Só tu bater assim (batendo na mesa), nele assim, tu sente. Esse aí não. Tu mete o dedo assim, ele afunda. (est) É, tu mete (hes) a mão no capot do pára-lama [do]- do fusca ali, faz assim, (gesticulando) ele afunda. O outro não conseguia isso não, o outro tu dava uma batida, podia machucar o outro carro, mas o outro carro não se machucava. Esse aí não, esse aí qualquer coisinha está amassando. Parece até papel.

E- Será que [ninguém]- ninguém mais fabrica não? Carro forte.

F -Ah, muito difícil!

E- Qual é a melhor lataria, assim? De chevrolet-

F- Não! A chevrolet é boa. Não é porque eu gosto de chevrolet não, não é? Porque eu gosto de chevrolet- muito de chevrolet opala, mas- (riso e) mas é um carro bom, um carro forte; tem disposição. É um carro que você sente o carro na mão. Porque isso- volkswagem acima de oitenta, tu não sente mais. (est) Ele fica que nem uma pena na tua mão. Fica levinho mas o Opala não, o Opala tu sente. Tu sente o peso ali na tua mão, tu sente que o carro está na tua mão mesmo. Tu pode fazer o jogo (inint) que ele está seguro.

E- Mas eu acho ele tão macio, não é?

F- E, aquilo é macio mesmo! Tu passa num buraco ele é flexivel. É por causa da mola aspiral. Ele tem mala aspiral. Então a mola aspiral ajuda. O amortecedor, então ele ajuda para fazer- (criança chorando) para ele fazer o movimento dele. [("Desses")] carro aí, não tem. Esses pequenininho não têm isso.

E- [(inint.] Não têm, não é?

F- Mas também se tivesse, estava roubado. Só carro muito pesado mesmo.

E- Desses carros aí; agora, novos, (hes) qual é o melhor? Você (hes) acha (inint)-

E- Não, o melhor para mim no meu ponto de vista, eu gosto mais do Opala. (inint) Eu gosto mais do Opala. Mas tem o Monza também que é bonito, não é? É um carrão, não é? E tem esses carro novo (hes) o passat também é um carro bom! (falando baixo) O Passat. O carro que eu não gosto é Fiat. Esse, eu não gosto mesmo.

E- Por quê, (inint)?

F- (emitindo sons com a boca indicando negação) E digo uma coisa para você: eu, nem de graça, eu queria um carro daquele. Eu, no meu ponto de vista como mecânico, o material dele- mecânico dele é muito fraco. Se der uma batidinha na frente, já era! O carburador vai logo tudo embora. porque é na frente assim da grade. O carburador do carro é, assim, na frente. Se tu bater de frente, o carburador- primeira coisa que vai embora é o carburador. E é motor atravessado. (est) Ele é- motor dele é assim. (gesticulando) o estepe é dentro do motor, rapaz!

E- Dentro?

F- O estepe é dentro do motor.

E- E é muito fininha, não é? [acho.]

F- [Em cima] do motor. A suspensão dele, rapaz, a grossura é um dedo assim. Ó. (gesticula com os dedos) só tem um ferro só assim ó, (gesticula) indicando qualquer pedra que você passar, bater, aquilo vai empenar, rapaz! Aquilo empena mole! Eu digo já- o Volkswagem também ele é um carrinho- mas para pobre, carrinho bom é o Volkswagem mesmo. É carro para luta, não é?

E- E o senhor tem carro?

F- Não. Aquilo entra em tudo quanto. É buraco, Volkswagem entra em tudo quanto é buraco.

I- Qual é o carro, assim, mais perigoso para uma pessoa assim, em termos assim, de ser frágil, ["o motor"]?

F- [Não,] perigoso, todos eles são. (est) Carro, todos eles são perigoso. Isso depende muito da pessoa que está dirigindo, entendeu? Porque o carro tem uma coisa: a pessoa, quando entra dentro de um carro, ele tem que ser consciente, saber o que está fazendo. Correr, isso é o de menos. Mas correr sabendo que está correndo, sabendo o que vai fazer. Tem pessoa que corre aí, não sabe! Está pensando que (hes) andar muito é bonito. Chega na primeira esquina lá, ele se acaba. Então não adianta. então (inint)- está certo, vamos correr, mas sabendo como é que vai correr, sabendo o que vai fazer sem prejudicar ele, sem prejudicar os outros. Porque tu vê aí nego que nem maluco. Aí, cortando os outro para cima e para baixo; dando fechada nos outro. Para que isso? Ele mesmo está se prejudicando. Não adianta correr muito. Vai correr ali (inint) [tudo]- tudo devagarzinho, chega perto dele (inint) todo virado de perna para o alto e você passa tranquilamente- há chega perto dele (inint) todo virado tranquilamente- há ! O negócio é esse, p"! Carro, todos. Eles são perigoso.

I- Deve chegar cada carro na sua oficina, não é?

F- (riso f) Ali tem carro que diz assim: "o cara morreu!" Tu olha assim: "o cara está

morto." (muxoxo) O cara às vez não sofre um arranhão.

E- É mesmo?!

F- No estado do carro às vez não sofre um arranhão!. Às vez uma batidinha à toa pode botar o cara ("está morto").

E- É, tem muito disso, não é?

F- Não é fácil! Eu bati uma vez aí. Também bati uma vez só! Acabei com o carro. Acabei com o carro e quebrei a mandíbula. (est) Foi só! Bati- mas eu bati- na batida que houve, eu bati do lado da coluna. Bati do lado, aí quebrei a mandíbula. Mas o carro acabou todo.

E- E o senhor? Teve que ir para o hospital ou não?

F- Tive. Eu fiz operação. Tive que botar aparelho para não deixar- para [não]- não movimentar a boca; eu tive que botar- fiquei um mês, assim, paralisado, e cheio de grampo assim, na ("boca"). fiquei um mês assim. Para comer, só líquido. Tinha que ser que nem água, minha mãe que nem água, minha mãe tinha que passar tudo no liqüidificador para sair que nem água. E tomando de canudinho heim! (gesticula com os lábios) Não

era fácil, rapaz, passei o mês no maior sufoco!

E- Um mês? Foi quando isso?

F- Ih, rapaz, isso vai ter uma base de quê? Uns três ou quatro ano. Ou mais.

E- Até que está perto, [não é?]

F- [("Não"),] Rapaz, de acidente, eu já tive sete, (inint).

E- Sete?

F- Tudo em cima de carro.

E- Tudo com carro?

F- Sete. Eu fui o primeiro homem a fazer treze ponto na loteria esportiva sem existir, rapaz! (suspiro) Eu tenho treze ponto no rosto. (mostrando seus pontos) [Aqui]- aqui tu vê, não vê aqui? (est). Aqui tem três. Aqui eu tenho dez, rapaz. Aqui que não dá para aparecer muito, só se prestar muita atenção, aqui eu tenho dez. O (est) aparelho [de]- de oxigênio explodiu na minha cara. Eu fiz melhor do que o carequinha. O carequinha ainda bota a prancha para pular por cima do carro, não ("bota?") (sorriso) Eu não. Pulei do chão, voei direto, assim, por cima, de costa, daí lá do outro lado, estatelado. Ih! Passei cada sufoco, ("rapaz!") mas está bom! Eu estou inteiro até agora. (sorrindo) [Está bom, não é?] Não chegou minha hora de ir embora ainda. Zé Maria não está a fim de me chamar ainda!

I- [(inint) (riso)] Imagina! (riso i) Pára com isso!

F- Eu sou [cheio]- cheio de marca. Aqui ó! Isso tudo é carro! Hum!

E- Zé Maria, que você falou?

F- É, Zé Maria não me chamou ainda, então está bom! (riso e) Quando o Zé Maria

chama é que é ruim.

E- Vem cá! Você falou, assim, que gosta paca de carnaval, não é?

F- Demais.

E- É- e você também disse que não gosta das- quer dizer, você gosta da sua escola, mas-

F- Para ir a [ensaio]- ensaio, eu gosto de ir mais na escola dos outro. Na minha, eu não gosto de ir muito não.

E- E por que isso? Porque-

F- Não, porque cada um tem um- uma opinião. Às vezes você se sente num lugar melhor, certo? p", eu gosto muito da mangueira, a mangueira é um lugar tranqüilo para você ir,

brincar, se divertir, é uma boa! A portela também é bom, mas é mais tumultuado. O império também é mais tumultuado, certo? Então você se sente num lugar mais tranqüilo e você fica. É um lugar melhor para você. Eu acho que toda pessoa vai para um lugar - quando gosta e se sente tranqüilo. Para você ir para um lugar e [não]- não ficar tranqüilo, não adianta!

E- Assim [uma]- [uma]- uma emoção muito grande, assim, que o senhor lembre do arnaval-

de algum carnaval, de algum desfile, assim, uma coisa [que-]

F- [Não,] a emoção que eu tive foi a primeira vez que eu saí no bafo da onça. Quando você pisa na avenida você sente a emoção, não é? Assim, aquela emoção gostosa de você primeira vez está desfilando (inint). Pelo menos um bloco, mas um bloco falado, não é? O bafo da onça é bem falado. Então (inint) emoção boa, não é (inint)? Dá, até, vontade de chorar e tudo, ("rapaz") mas a cerveja não deixa, não é? Então, tu vai embora. (risos)

E- Ah, e no desfile assim como é? Vocês podem ficar comendo e bebendo, assim?

F- Não, não. O desfile- quando está desfilando não pode.

E- Ah, não?

F- Não. Quando tu entra no desfile, só pode depois de acabar.

E- É, mas demora muito tempo!

F- Não, demora muito não.

E- Não.

F- Porque passa rápido. Você sambando, passa rápido.



E- Passa rápido, não é? Mas é um barato, não é? E, assim, como é que você acha que vai ser o- os carnavais daqui para frente, assim? No futuro-

F- ("Eu agora") vou dizer uma coisa para você: carnaval, agora de rua, está ruim. Porque antigamente o carnaval na rua era melhor de que no clube. Mas de rua agora está muito tumultuado, muita fofoca tem muita gente que não sabe brincar, vai para a rua para estragar a felicidade dos outro. Certo? Então no clube agora está sendo melhor para você brincar. E ainda está perigoso, porque carnaval sempre foi perigoso. Ainda mais com esse negócio de andar com cara tapada, eu nunca gostei de cara tapada! Aí, com esse negócio de cara tapada, esse negócio agora de tal de bate-bola, o que tem mais agora (inint) é bate-bola. Então, nego se fantasia para querer matar o outro, querer prejudicar os outro. (inint) Carnaval está assim, e cada vez vai piorar mais. (hes) No jeito que nós estamos, o nosso país (rindo) está, vai piorar cada vez mais. (f)

E- E assim, eu digo assim, escola de samba, não é? Que a beija-flor está rica agora, não é? você acha que a sua escola, por exemplo, vai ficar um dia rica?

F- Não, a minha não fica rica não, porque a minha não tem banqueiro de bicho, não é? (sorrisos) Império serrano não tem banqueiro de bicho. Praticamente ele é feito dentro de Madureira. É o pessoal de Madureira mesmo, não tem banqueiro- o dia que existir um banqueiro de bicho, ela pode ficar, rica, não é? Mas ("que rica ela") ficar não vai não!

E- É?

F- Vai nada!



E- Precisa de um banqueiro de bicho?

F- (muxoxo) Um banqueiro de bicho- porque [a maioria]- a maioria das escola, tudo tem banqueiro de bicho. É o que faz o carnaval, é a escola de samba, são os banqueiro de bicho que faz o carnaval. Entendeu? Porque no beija flor tem o Anísio. É um banqueiro muito forte. certo? Agora o salgueiro já não tem mais [o]- o banqueiro de bicho. Era o- como é o nome dele? (hes) Como é que era o nome do cara? Agora não estou me lembrando o nome dele, mas também tinha um banqueiro de bicho. Agora não é mais banqueiro de bicho, mas o cara também tem dinheiro! Certo? Tem dinheiro para segurar. Na Mangueira, também é banqueiro de bicho, portela é o Carlinho. Aracan Carlinho. Aracan ! É banqueiro de bicho, é dono quase de Madureira todo! Certo? Então, são uns cara que tem está a mesma coisa, o Bangu agora: o Castor de Andrade tomou conta. O que - o que o Castor de Andrade é? Banqueiro de bicho! É, o que está botando o Bangu para frente. Está pagando todo mundo bem! Compensação também está ganhando dinheiro. E para ele é uma vantagem, não é? (hes) Tomando conta [do]- do Bangu é maior vantagem, sendo presidente do Bangu é vantagem! Porque o nome dele já não fica sujo! (est) Nego já não começa a perseguir tanto ele como é que persegue os outro. entendeu? Porque ele agora é de sociedade! (est) (hes) Presidente do Bangu! Então ninguém vai correr atrás do homem, não é? (est) Tem esses problema, não é?

E- Vem cá! Assim, no desfile, eles dão a roupa-

F- Não!


E- Para todo mundo?

F- Muito difícil! (est) Você mesmo que tem que fazer sua roupa. Fazer não, que você paga a sua roupa. Porque, quando dá assim é quando- porque a escola de samba tem muita coisa, rapaz! Às vezes um cara é bom, um cara bate pandeiro bem, um passista é bom, o cara paga. A própria escola paga o cara para sair, e dá roupa- dá a fantasia para ele. Ele está - aquilo praticamente é uma profissão ("meu amor"). Ele está recebendo para sair, entendeu? Como o porta bandeira. Eles pagam o porta bandeira!

I- Ah, é?

E- Pagam. Paga. (est) Mas o resto dos componente, eles não vão fazer isso, porque eles não vai ter condição (rindo) de dar fantasia para todo mundo. Certo? E o (f) cara tem que gastar do bolso mesmo. Não tem outro jeito? Guardar até o carnaval e- se gosta, gosta, não é?

E- É. Mas que é bonito; é, não é?

F- Coisa mais linda.

E- E o senhor vai sair (hes) esse ano agora?

F- Não sei.

E- [É?]

F- [Dependendo]. Dependendo do dinheiro. O negócio é depender do dinheiro.



E- Sai muito caro uma fantasia dessa?

F- Sai, rapaz! Te, fantasia, aí que é uma nota, rapaz. Ainda mais fantasia de destaque, uns duzentos mil. (est) É, não é fácil! É, esse ano, a fantasia mais barata do império foi quatorze mil. A mais barata, quartoze! Já nossa!

E- E a ala que eu saiu, na ala do coringa do bafo da onça, também ("saí") no império. Ele agora- a nossa ala também está saindo no império serrano agora. Que o presidente- o diretor- o nosso diretor, ele tem convênio lá no império, não é? Então a nossa ala foi incluída para sair no império serrano. Esse ano foi barata! Foi oito mil cruzeiro, a fantasia do bafo. Oito mil. Então, eu saio no bafo, e saio no império. (est) A fantasia- a mesma fantasia pode sair no bafo, pode sair no império. Entendeu?

I- Qual era? Como era?

F- Esse ano, [esse]- esse ano eu não gostei muito da fantasia, não. A!- a nossa fantasia sempre foi bonita; sabe? (hes) [n gostei muito da fantasia, não. ]A!- Sabe? (hes) [não é]- não é para dizer que é a ala que eu saio, não, mas a nossa ala sempre saiu bonita, e sempre gostamos de sair diferente dos outro. Nada de rouba- nada de fantasia igual? porque o bafo tem uma coisa: cada um tem sua ala. Não é igual o cacique, o. Cacique é tudo um troço só: é índio, é [índio]- índio direto. É tudo índio, é índio mesmo. E tudo o mesmo pano, tudo a mesma coisa. Se é napa, é tudo napa. Mas a gente, não. A gente escolhe [o]- o feitio e faz o figurino, escolhe o feitio e bota. Se vai botar uma bermuda de veludo, bota uma bermuda de veludo, sempre diferindo- modificando dos outro. Nunca igual, certo? Esse ano foi tipo- como é que foi? Foi até uma fantasia bonita, rapaz. O nome, esqueço até do nome da fantasia. (inint) ver!

E- Por que, assim, ala dos coringas?

F- Não, porque botamos o nome. [O cara]- o cara que botou o nome. Ele botou ala dos coringa, porque essa ala foi fundada por tr colega meu. (hes) Eles são do Acarí. Era o Zé Carlos, cerzinha, (aspina) e tinha outro menino. Então eles [sempre]- sempre andava junto. Então tem um colega nosso, que o nome dele é corinquinha. (hes) Aí apelidamos ele de corinquinha. Ceto? Corinquinha. Aí ele entrou também na ala para tomar ("conta"). "Ah, vão botar o nome da ala, não sei o que. (inint) ("Botar") o nome"" aí começou aquele tumulto todo, não é? "Vamos embora!" Aí, um dá opinião daqui, outro dá opinião dali, (muxoxo) "ah, vão botar coringuinha mesmo?" (est) Mas encarnando no cara. (inint):

"não, coringa é uma boa." Então vão botar ala dos coringa!" Então [no]- no emblema que nós temos, tem um coringa mesmo (inint). Dentro do emblema tem um coringa. (est) tem um coringa. Aí botamos o nome (rindo) da ala do coringa.

E- É, ficou bom, não é? (fungando)

I- Diferente.

F- E a maioria das ala, aí, é tudo diferente. [Tudo]- [tudo]- tudo tem nome diferente. Eles botam (inint). Agora, então o bafo está cheio de ala. Tem tanta gente [no]- no bafo que

nossa senhora! [Tem para mais]- tem para mais de cinco mil pessoa, rapaz! No bafo da onça. Sai para mais ("com") cinco mil pessoa. Muita gente, rapaz! Em cada lugar tem uma ala. Na Penha tem uma ala, no Méier tem uma ala, Rocha Miranda tem outra ala, até na

cidade tem ala, rapaz! Do bafo da onça. Porque o bafo da onça é lá de baixo. (gesticula) Bafo da onça é ali da Marquês de Sapucaí.

E- Então pode ter ala de vários bairros, assim?

F- Pode. Pode. isso você mesmo se quiser fazer uma ala, tu pode chegar, fala com o diretor, se inscreve, você faz a tua ala.

E- Certo. Agora, na império, eles dizem qual é, não é?

F- [Não]- não.

E- A roupa.

F- Não. Também tem a ala também diferente.

E- Ah, também?

F- Tem. (est) E cada um sai no estilo da sua ala. No estilo da sua ala, não. No estilo do enredo da escola de samba. (est) Então cada ala tem uma parte do enredo, entendeu? Aí as fantasia são ("totalmente") diferente. (alguém falando) certo?

I- Você não tem vontade de passar carnaval, assim, na Bahia, em outro lugar [(inint)]?

F- [Vontade], eu tenho! Você falou num lugar ("que") (inint). Sinceramente: se eu apanhar um dinheiro fora, (fala) [primeiro]- o primeiro lugar que eu vou, vai ser a Bahia. eu tenho o maior desejo de ir à Bahia! Nunca fui, mas tenho maior desejo de ir à Bahia. É meu sonho! ir à Bahia. Vou ver o que a baiana tem, assim, de (inint). Vamos ver o que a baiana tem. (risos) não, mas carnaval fora deve ser bom.

I- Ir atrás de um trio elétrico, não é?

F- Deve ser bom! (pausa prolongada)

E- E, assim- quer dizer que para o futuro, assim, não é? É (hes) o senhor está dizendo que o carnaval ("aí") cada vez está pior, não é?

F- Vai piorar mais!

E- Mas eu acho que essas escolas de samba, elas estão cada vez melhores.

F- Não! Cada vez vai evoluindo mais. A escola de samba nunca cai, não é? [É]- é um - é a mesma coisa: pode existir um montão de música, mas o samba nunca cai! (est) Tu vê que o samba nunca cai. O samba está sempre no auge. E carnaval também- carnaval é o ano todo, rapaz! O carioca, qualquer coisinha, é ("motivo") para carnaval. Qualquer coisinha, eles estão fazendo carnaval no meio da rua! É mesmo, rapaz! (est) ("Fique certa?) (hes) ("carnaval") [já]- já passou um montão de tempo. (cai alguma coisa) Tu pode contar que tem nego brincando adoidado aí. Qualquer coisinha que tem, uma fofoquinha, não é carnaval, nego já sai ("pulando") pelo meio da rua fantasiado. (estímulo com gestos) É! É carnaval, rapaz! Carnaval é o ano todo, rapaz!

E- E esses ingressos aí, não é? Que venderam para os estrangeiros, não é? E [não]- não- chegaram aí não tinha mais lugar para ficar, não é?

F- Isso é, rapaz, [isso aí]- isso aí é um- é uma <"breganha"> que nego faz, fora de série. Isso é para nego arrumar dinheiro. Então, o carioca é muito esperto nesse ponto, não é? Esperto no modo dizer. É muito sabido, não é? Pensa que os outro também é bobo, não é? (riso) Então eles arma, não é? Ele vai vendendo um montão de ingresso. Às vez não tem- já está tudo lotado, eles estão vendendo. Não querem nem saber! Se tem vaga, se não tem, depois que está vendido, você não vai apanhar o dinheiro de volta. Vai apanhar? Não vai! então, dá essas zebra toda. Enquanto não pegar ninguém, está bom! Nego vai só arrumar dinheiro. Mas depois que pegar-

E- E o futebol? Vamos passar para o futebol. Que você também se amarra num futebol.

F- Eu não gostei muito ontem, não, que o Botafogo deu no Bangu - (est) furou meu

ponto na loteria esportiva. Eu botei Bangu batendo, e bang perdeu para o Botafogo, rapaz! Perdeu de um a zero! Ah, não. Ainda bem que meu sogro ficou contente! Meu sogro ("é")

botafogo, não é? (riso e)

E- Seu sogro, ele gosta de futebol também?

F- Gosta.

E- O senhor se dá bem com ele? Ele é legal?

F- Gente boa. meu sogro, minha sogra. Todo mundo na família é gente boa. (est) Todo mundo é legal!

E- Vocês, assim, passam o natal juntos? Ano novo?

F- Natal, carnaval! A gente parece até- parece até filho, não é? Nem genro?

é filho.


E- (riso) Que barato! Além, assim, do carnaval, qual é a festa que o senhor

mais gosta?

F- Depois do carnaval, que que tem é natal mesmo, não é? Natal e Ano Novo.

(riso) [(inint)]

E- [São João].

F- Ah, são- não gosto muito de São João não. São João, quando eu era criança que eu gostava de brincar caipira, mas agora- (muxoxo) depois de velho, vou brincar caipira, vou dançar caipira? [Pelo amor de Deus!]



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