Francis Thompson



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Francis Thompson, por Richard Patterson
“Toda oportunidade, pelo uso imoderado, tende a se restringir”

O mote de Frandis Thompson


“Eu não vou parar de estripá-las até ser pego”.

O mote de Jack, o Estripador.


O poeta Francis Thompson nasceu em 18 de dezembro de 1859, em Preston Lancashire. Morreu em 1907, aos 48 anos, em Londres. Nos anos de 1890, ele se envolveu com o movimento artístico Estético, com rápido entusiasmo, seu poema mais famoso, “O cão do Paraíso” descrevia a perseguição da alma de um homem por Deus.

Em 1888, a publicação de dois de seus poemas no periódico católico romano “a Feliz Inglaterra”, de Wilfrid Meynell, fazem elegios ao renomado poeta Robert Brownin. Meynell e sua esposa Alice se tornaram amigos de Francis Thompson e dizem que o convenceram a entra em um hospital para convalescentes. Em 1893, os Meynells organizaram a publicação de uma coleção de seus trabalhos intitulada simplesmete “Poemas”. Essa coleção foi muito elogiada por outros escritores como William Butler Yeats e G. K. Chersterton. Thompson morreu de uma doença decorrente da tuberculose em 1907.

O assassino em série, destinado a ser conhecido como Jack, o Estripador, acredita-se que tenha começado a matar nas primeiras horas de 31 de agosto de 1888 com o assassinato de Mary Ann Nichols no distrito de Whitechapel, no East End. Em 9 de novembro de 1888, Jack, o Estripador tinha matado cinco mulheres, e sua última vítima foi Mary Kelly.

Todos esses cinco assassinatos ocorreram na área próxima a Igreja Cristã de Whitechapel. Ela foi construída em 1714 e finalizada em 1729. A igreja ainda hoje domina os becos adjacentes com seu pórtico e seu pináculo.

Na Idade Média, quando a Igreja Católica Romana dominava a Inglaterra, havia áreas de terra, normalmente nas cercanias do solo sagrado de uma igreja, conhecidas como santuários. Um santuário era um porto seguro para alguém acusado de crime.

Naquela época, se alguém cometia uma assassinato mas alcançava um santuário, então ninguém podia prendê-lo. Era tácito que se um suspeito fosse realmente culpado seu destino estava sobre a jurisdição não do delegado, mas de Deus. Se um suspeito pudesse entrar em solo sagrado sem sofrer nenhuma punição dos céus, então isso indicava que ele devia ser inocente.

Apenas alguns santuários estavam em Londres. Todos os cinco assassinatos feitos pelas mãos de Jack, o Estripador, ocorreram dentro de um desses santuários. Em 1888, a maioria das pessoas que viviam na área não tinha conhecimento disso.

O primeiro assassinato, o de Ann Nichols, ocorreu em 31 de agosto. No calendário católico dos santos, essa data cai no dia do banquete de St. Raymond (São Raimundo). Ele é o santo padroeiro da inocência.

Esse cardeal do século XIII também era o santo padroeiro das esposas, dos nascimentos, das crianças e das mulheres grávidas. St. Raymund foi um missionário que foi preso pelos muçulmanos na Argélia por tentar converter os pobres. Seus lábios foram perfurados e sua boca selada com um cadeado. A fechadura só era aberta quando ele comia. Depois de libertado, St. Raymund insistia em viajar como andarilho, e dessa forma ele morreu, caminhando para visitar o Papa.

O segundo assassinato, de Annie Chapman, ocorreu em 8 de setembro. Essa data cai no dia de Saint Adrian (São Adriano). Esse santo foi um oficial imperial que se fez cristão antes mesmo de ser batizado. Ele foi preso por isso e martirizado, sendo jogado em forno. Sua esposa preservou sua mão. São Adriano é o santo padroeiro dos soldados e dos açougueiros. Ele viveu no leste.

A noite do duplo assassinato, na qual Elizabeth Stride e Catharine Eddowes foram mortas, ocorreu em 30 de setembro. O dia de São Jerônimo cai nessa data. Esse santo foi um estudante que se estabeleceu na cidade de Belém e ficou conhecido por seu temperamento explosivo. Ele é o santo padroeiro dos médicos e dos estudantes. São Jerônimo traduziu a bíblia para uma obra latina conhecida como “Vulgata”. Thompson escreveria sobre a influência que teve dessa obra em um ensaio sobre São Jerônimo. Thompson algumas vezes assinava seu nome como Francis Tancred. Esse é o nome de um cavaleiro cruzado que conquistou a Galileia em 1099 e se estabeleceu como príncipe de Nazareth.

O último assassinato, o de Mary Kelly, ocorreu em 9 de novembro. Essa é a data de São Teodoro. Ele foi um soldado romano que, após incendiar um templo, foi torturado. Na prisão, São Teodoro teve visões e sofreu o martírio sendo jogado dentro de um forno. Ele ficou conhecido como um dos três grandes “santos soldados” do Leste. Tendo também lutado contra um dragão, São Teodoro é o santo padroeiro dos soldados.

Um possível motivo para o estripador ter matado essas cinco mulheres, e ter enviado cartas para a imprensa, é que ele pensava que havia sido escolhido por Deus, e que ele também pensava ser a voz de Deus. Talvez assassinando essas cinco mulheres ele estivesse infligindo cinco chagas na sociedade: a igreja, o governo, a ciência, a literatura e o povo.

Talvez Jack o Estripador se considerava como um “messias”, que, matando em locais sagrados do leste de Londres em dias de santos martirizados, pudesse pecar e ser perdoado. Esses santos foram cruzados do Leste, e os santos padroeiros da inocência, dos açougueiros, dos soldados, dos médicos e dos estudantes. O estripador pode ter tentado simular o conceito chave da crucificação original. Talvez matando cinco notórios “pecadores”, Jack, o Estripador tentava projetar as cinco chagas de Cristo como um stimaga social de impacto imediato. E assim, como um cavaleiro cruzado, Jack, o Estripador podia se eleger um orador central de um apocalypse e ser perdoado por seus pecados.

Francis Thompson foi batizado como o nome de São Francisco de Assis, que em 1219 viajou em uma expedição para o Leste. Em 1224, São Francisco foi a primeira pessoa a manifestar os sintomas do stigmata, sangrando em locai que correspondiam com as chagas de Cristo crucificado. São Francisco, que fora um mendigo, foi, por sua vontade, enterrado em um cemitério para criminosos. O constante sangramento de seu stigmata levou dois anos para matá-lo.

O pai de Thompson era o Dr. Charles Thompson, e sua mãe Mary Morton Thompson, ambos eram católicos convertidos. Sua mãe havia recentemente se convertido ao catolicismo. Isso fez com que sua família protestante a deserdasse.

Em dezembro de 1868, quando Thompson tinha nove anos, ocorreram distúrbios entre católicos e protestantes em Ashton-under-Lyne, onde ele vivia. Os distúrbios duraram três dias de brigas contínuas, nos quais o exército foi chamado a intervir. Ao final, 111 casas católicas havia sido queimadas, e o interior da igreja de Santa Ana destruído. A turba tentou destruir a igreja de Santa Maria, mas uma guarnição inteira foi colocada lá dentro. Por um mês todo o clero foi obrigado a deixar a cidade. É muito provável que o pai de Thompson tivesse sido obrigado a prestar serviços tratando dos feridos em sua própria casa. Foi nesse ano que Francis Thompson leu pela primeira vez o “Apocalypse”.

Em 1870, quando Thompson tinha onze anos, ele entrou na escola católica de São Cuthberts, Ushaw Colledge, em Durnham. Como era prática comum nessas escolas, seus professores o “batizaram” infligindo-lhe chicotadas. Em 1871, enquanto ainda estava no Ushaw Colledge, Thompson, então um coroinha estudando para ser padre, inexplicavelmente se apoderou do turíbulo de outro menino. O turíbulo era o aparelho usado para colocar o incenso ardente. Thompson rodou o turíbulo sobre a cabeça do menino, fazendo com que os carvões incandescentes se espalhassem, já que ele havia previamente aberto a tampa do aparelho.

Em 1877, Thompson deixou o seminário. No outono de 1878, ele colocou seu nome no registro da Enfermaria Real de Manchester. A enfermaria, na ele estudou pelos seis anos seguintes como cirurgião, exigia que seus estudantes tivessem uma mente forte por causa da pesada carga de trabalho. O estudo de anatomia, com as aulas de dissecação, tomava a maior parte do primeiro semestre.

Em 1879, Francis Thompson caiu doente com uma infecção pulmonar. Ele foi medicado com láudano. Sua mão lhe deu “As confissões de um usuário de ópio”, de De’Quincey. Thompson foi cativado pelo autor, que também era de Manchester, e havia morrido no anos que Thompson havia nascido. De’Quincey publicou, em 1827, a obra intitulada “O assassinato como uma das belas artes”. Tratava-se de uma obra que instruía como o poeta poderia cometer um assassinato.

Em 1880, após uma doença hepática, a mãe de Thompson morre, com 58 anos, no dia seguinte ao 21º aniversário do filho.

Em 1882, Thompson, agora viciado em opico, sofreu um colapso após ser reprovado em três exames médicos. Toda a sua poesia enviada em segredo para os editores é rejeitada. Por volta de 1885, Francis Thompson fracassa nos exames médicos mais uma vez e, após uma discussão acalorada com seu pai, sobre o efeito do ópio, e possivelmente, sobre os planos de seu pai de casar-se novamente com Anne Richardson. Em 8 de novembro daquele ano, a noite da discussão com seu pai, Francis Thompson vai para Londres.

Entre 1885 e 1888, Francis Thompson gasta a maior parte de seu tempo como um vagabundo sem-teto, vagando na área das docas ao sul de Whitechapel. Thompson tentou várias ocupações. Assim como médico e padre, Thompson tentou ser um soldado, mas foi dispensado nos exercícios militares. Ele também trabalho em uma farmácia. Pode ter sido onde, além dos seus anos como cirurgião, Thompson pode ter obtido o escalpo de dissecação, o qual ele afirmava ter possuído quando escreveu para o editor da Merry England, em janeiro de 1889, sobre sua necessidade de uma lâmina para barbear.

Os primeiros relatos sobre um suspeito dos crimes de Whitechapel o descrevem como alguém que usava um avental de couro. Francis Thompson alegou, depois disso, que possuía um avental de couro durante suas andanças errantes em 1888. Thompson alegava, além de uma tentativa de suicídio que envolvia um fantasma, que havia se apaixonado por uma prostituta. Embora o nome dela permaneça desconhecido. Foi na mesma época dos crimes do estripador que dizem que Thompson vagava pelas ruas à procura dela. Antes disso, Thompson recebeu notícias sobre a publicação de seu poema “A paixão de Maria” na “Merry England”.

Thompson, ainda viciado em ópio, o qual se sabe produzir alucinações, enviou entre seus escritos paa Alice e Wilfrid Meynell, um poema intitulado “A balada dos bebês das bruxas”, que nunca foi publicado, e que falava sobre um luxurioso e jovem cavaleiro que vaga por profundas trevas, caçando e eviscerando mulheres.
Thompson, que era quase sempre canhoto, escreveu um único conto, em 1889. o título era “Finis Coronat Opus”, que em latim significa “O trabalho acabado e coroado”. A história trata de um jovem poeta que sacrifica mulheres em um templo pagão. Seu motivo é conseguir inspiração para escrever sua poesia dos portões do inferno e assim alcançar fama. Na história, a atenção de Thompson para os pensamentos de um homem em um frenezi assassino com uma faca é descrito pelo autor com elevado requinte. A história continua com o suposto “herói” esmagando um crucifixo sobre um altar depois de ele ficar sabendo que a entidade que ele havia invocado distorce a realidade e o força ao suicídio. O poema mais famoso de Thompson, “Canções de irmã” fala sobre a realização de um poeta com o nascimento de uma entidade feminina em um transe visionário.

No início de 1889, Francis Thompson foi levado para o priorado franciscano da Nossa Senhora da Inglaterra. Lá, a entrada de mulheres não era permitida pelo cão de guarda, que chegou a atacar Thompson enquanto patrulhava a área. Os monges franciscanos ainda hoje são conhecidos por seu juramento ao voto de silêncio.

Francis Thompson era normalmente desprezado pelos filhos dos Meynell. Seu pai tirou de seu testamento o valor de 1.500 libras. Sua irmã, Margaret Thompson mudou seu nome, se mudou para o Canadá e não quis mais saber do irmão. Toda carta que ele lhe enviava, ela queimava. A filha de Margaret, que era freira em 1949, quando sua mãe morreu, disse que ela achava Thompson uma fracassado e um desgraçado.

Mary Thompson, a outra irmã de Francis, descreveu seu irmão quando era freira conhecida como Mãe Austin. Quando foi perguntada sobre isso em 1937, a Mãe Austin dise que os olhos do irmão era cinza com uma sombra de azul/tristeza, cheios de inteligência e luz. Seu cabelo era de um marrom bem escuro, tão escuro que parecia preto à primeira vista. Sua pele era mais amarelada do que pálida.



Uma amiga de Francis Thompson por dois anos, Sarath Kumar Ghosh, disse que ele tinha estatura média, mas um perfil bastante esguio, o que o fazia maior. Suas bochechas eram profundas, o que dava proeminência a uma pequena barba cinza que terminava em ponta. Suas roupas eram esfarrapadas e ele frequentemente usava um grande casaco irlandês. Thompson também era conhecido por seu hábito de usar gravata, que ele achava que se ajustava melhor a sua expressão. Muitos teóricos afirmam que a arma usada para estrangular as mulheres de Whitechapel era uma gravata.

Thompson morreu em 1907, pesando apenas 32 kilos. Muitos biógrafos seus têm questionado as circunstâncias de sua morte e apontam para uma autópsia inconclusa. Quando Thompson foi enterrado no cemitério Kensal Green, em Londres, não havia nenhum parente, apenas uma dúzia de monges. Ele morreu quando sua reputação como poeta parecia estar em seu ápice. Depois de três anos, um único poema, “O Cão do Paraíso”, vendeu mais de 50.000 cópias. Os Meynells, que possuíam os seus direitos autorais, receberam uma pequena fortuna. Thompson, que também se considerava um profeta, se descreveu como uma profecia em seu poema “Canções de irmã”. Em sua lápide estão as palavras “procure por mim nas creches do Paraíso”.

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