Francisco cândido xavier



Baixar 0.83 Mb.
Página1/14
Encontro27.04.2018
Tamanho0.83 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14




FONTE VIVA

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

ÍNDICE

COM JESUS E POR JESUS


CAPÍTULO 1 = ANTE A LIÇÃO

CAPÍTULO 2 = MODO DE FAZER

CAPÍTULO 3 = NA GRANDE ROMAGEM

CAPÍTULO 4 = CADA QUAL

CAPÍTULO 5 = CONSEGUES IR?

CAPÍTULO 6 = ACEITA A CORREÇÃO

CAPÍTULO 7 = PELOS FRUTOS

CAPÍTULO 8 = OBREIROS ATENTOS

CAPÍTULO 9 = ESTEJAMOS CONTENTES

CAPÍTULO 10 = CERTAMENTE

CAPÍTULO 11 = GLORIFIQUEMOS

CAPÍTULO 12 = IMPEDIMENTOS

CAPÍTULO 13 = ERGAMO-NOS

CAPÍTULO 14 = INDAGAÇÃO OPORTUNA

CAPÍTULO 15 = FRATERNIDADE

CAPÍTULO 16 = NÃO TE PERTURBES

CAPÍTULO 17 = CRISTO E NÓS

CAPÍTULO 18 = NÃO SOMENTE

CAPÍTULO 19 = APASCENTA

CAPÍTULO 20 = DIFERENÇA

CAPÍTULO 21 = MAIORIDADE

CAPÍTULO 22 = A RETRIBUIÇÃO

CAPÍTULO 23 = ANTE O SUBLIME

CAPÍTULO 24 = PELAS OBRAS

CAPÍTULO 25 = NOS DONS DO CRISTO

CAPÍTULO 26 = OBREIRO SEM FÉ

CAPÍTULO 27 = DESTRUIÇÃO E MISÉRIA

CAPÍTULO 28 = ALGUMA COISA

CAPÍTULO 29 = SIRVAMOS

CAPÍTULO 30 = EDUCA

CAPÍTULO 31 = LAVRADORES

CAPÍTULO 32 = A BOA PARTE

CAPÍTULO 33 = ERGUER E AJUDAR

CAPÍTULO 34 = GUARDEMOS O CUIDADO

CAPÍTULO 35 = ESTENDAMOS O BEM

CAPÍTULO 36 = AFIRMAÇÃO ESCLARECEDORA

CAPÍTULO 37 = NA OBRA REGENERATIVA

CAPÍTULO 38 = SE SOUBÉSSEMOS

CAPÍTULO 39 = FÉ INOPERANTE

CAPÍTULO 40 = ANTE O OBJETIVO

CAPÍTULO 41 = NA SENDA ESCABROSA

CAPÍTULO 42 = POR UM POUCO

CAPÍTULO 43 = LINGUAGEM

CAPÍTULO 44 = TENHAMOS FÉ

CAPÍTULO 45 = SOMENTE ASSIM

CAPÍTULO 46 = NA CRUZ

CAPÍTULO 47 = AUTOLIBERTAÇÃO

CAPÍTULO 48 = DIANTE DO SENHOR

CAPÍTULO 49 = UNIÃO FRATERNAL

CAPÍTULO 50 = AVANCEMOS

CAPÍTULO 51 = SEPULCROS ABERTOS

CAPÍTULO 52 = SERVIR E MARCHAR

CAPÍTULO 53 = NA PREGAÇÃO

CAPÍTULO 54 = PROCUREMOS COM ZELO

CAPÍTULO 55 = ELUCIDAÇÕES

CAPÍTULO 56 = RENASCE AGORA

CAPÍTULO 57 = APÓSTOLOS

CAPÍTULO 58 = DISCÍPULOS

CAPÍTULO 59 = PALAVRAS DA VIDA ETERNA

CAPÍTULO 60 = ESMOLA

CAPÍTULO 61 = NUNCA DESFALECER

CAPÍTULO 62 = DEVAGAR, MAS SEMPRE

CAPÍTULO 63 = DIFERENÇAS

CAPÍTULO 64 = SEMEADORES

CAPÍTULO 65 = NÃO TE ENGANES

CAPÍTULO 66 = ACORDAR E ERGUER-SE

CAPÍTULO 67 = MODO DE SENTIR

CAPÍTULO 68 = SEMENTEIRA E CONSTRUÇÃO

CAPÍTULO 69 = FIRMEZA E CONSTÂNCIA

CAPÍTULO 70 = SOLIDÃO

CAPÍTULO 71 = APROVEITA

CAPÍTULO 72 = INCOMPREENSÃO

CAPÍTULO 73 = ESTÍMULO FRATERNAL

CAPÍTULO 74 = QUANDO HÁ LUZ

CAPÍTULO 75 = ADMINISTRAÇÃO

CAPÍTULO 76 = FERMENTO ESPIRITUAL

CAPÍTULO 77 = PAI NOSSO

CAPÍTULO 78 = ENXERTIA DIVINA

CAPÍTULO 79 = SIGAMOS A PAZ

CAPÍTULO 80 = CORAÇÕES CEVADOS

CAPÍTULO 81 = A CANDEIA VIVA

CAPÍTULO 82 = QUEM SERVE, PROSSEGUE

CAPÍTULO 83 = AVANCEMOS ALÉM

CAPÍTULO 84 = NA INSTRUMENTALIDADE

CAPÍTULO 85 = IMPEDIMENTOS

CAPÍTULO 86 = ESTÁS DOENTE?

CAPÍTULO 87 = RECEBESTE A LUZ?

CAPÍTULO 88 = CAINDO EM SI

CAPÍTULO 89 = EM NOSSA MARCHA

CAPÍTULO 90 = VARONILMENTE

CAPÍTULO 91 = PROBLEMAS DO AMOR

CAPÍTULO 92 = DEMONSTRAÇÕES DO CÉU

CAPÍTULO 93 = ALTAR ÍNTIMO

CAPÍTULO 94 = CAPACETE DA ESPERANÇA

CAPÍTULO 95 = VÊ E SEGUE

CAPÍTULO 96 = ALÉM DOS OUTROS

CAPÍTULO 97 = A PALAVRA DA CRUZ

CAPÍTULO 98 = COURAÇA DA CARIDADE

CAPÍTULO 99 = PERSISTE E SEGUE

CAPÍTULO 100 = AUSENTES

CAPÍTULO 101 = A CORTINA DO “EU”

CAPÍTULO 102 = REGOZIJEMO-NOS SEMPRE

CAPÍTULO 103 = ESPERAR E ALCANÇAR

CAPÍTULO 104 = DIANTE DA MULTIDÃO

CAPÍTULO 105 = SOIS A LUZ

CAPÍTULO 106 = SIRVAMOS AO BEM

CAPÍTULO 107 = RENOVEMO-NOS DIA A DIA

CAPÍTULO 108 = UM POUCO DE FERMENTO

CAPÍTULO 109 = A EXEMPLO DO CRISTO

CAPÍTULO 110 = VIGIEMOS E OREMOS

CAPÍTULO 111 = FORTALEÇAMO-NOS

CAPÍTULO 112 = QUE FAREI?

CAPÍTULO 113 = BUSQUEMOS O MELHOR

CAPÍTULO 114 = EMBAINHA TUA ESPADA

CAPÍTULO 115 = GUARDEMOS LEALDADE

CAPÍTULO 116 = IR E ENSINAR

CAPÍTULO 117 = POSSUIMOS O QUE DAMOS

CAPÍTULO 118 = EM NOSSAS TAREFAS

CAPÍTULO 119 = EIS AGORA

CAPÍTULO 120 = ASSIM SERÁ

CAPÍTULO 121 = BUSQUEMOS A LUZ

CAPÍTULO 122 = ENTENDAMO-NOS

CAPÍTULO 123 = VIVER EM PAZ

CAPÍTULO 124 = NÃO TE CANSES

CAPÍTULO 125 = RICAMENTE

CAPÍTULO 126 = AJUDEMOS SEMPRE

CAPÍTULO 127 = HUMANIDADE REAL

CAPÍTULO 128 = NÃO REJEITES A CONFIANÇA

CAPÍTULO 129 = GUARDA A PACIÊNCIA

CAPÍTULO 130 = NA ESFERA ÍNTIMA

CAPÍTULO 131 = NO CAMPO SOCIAL

CAPÍTULO 132 = TENDO MEDO

CAPÍTULO 133 = QUE TENDES?

CAPÍTULO 134 = BUSQUEMOS O EQUILÍBRIO

CAPÍTULO 135 = DESCULPA SEMPRE

CAPÍTULO 136 = VIVAMOS CALMAMENTE

CAPÍTULO 137 = ATENDAMOS AO BEM

CAPÍTULO 138 = O JUSTO REMÉDIO

CAPÍTULO 139 = NA OBRA DE SALVAÇÃO

CAPÍTULO 140 = APÓS JESUS

CAPÍTULO 141 = RENOVA-TE SEMPRE

CAPÍTULO 142 = NÃO FURTES

CAPÍTULO 143 = ACORDA E AJUDA

CAPÍTULO 144 = AJUDEMOS A VIDA MENTAL

CAPÍTULO 145 = GUARDAI-VOS DOS CÃES

CAPÍTULO 146 = SAIBAMOS COOPERAR

CAPÍTULO 147 = REFUJÍA-TE EM PAZ

CAPÍTULO 148 = O HERDEIRO DO PAI

CAPÍTULO 149 = NO CULTO À PRECE

CAPÍTULO 150 = A ORAÇÃO DO JUSTO

CAPÍTULO 151 = MALEDICÊNCIA

CAPÍTULO 152 = VEM!

CAPÍTULO 153 = OUÇAMOS

CAPÍTULO 154 = NINGUÉM VIVE PARA SI

CAPÍTULO 155 = APRENDAMOS A AGRADECER

CAPÍTULO 156 = PARENTES

CAPÍTULO 157 = CRIANÇAS

CAPÍTULO 158 = NA AUSÊNCIA DO AMOR

CAPÍTULO 159 = NA PRESENÇA DO AMOR

CAPÍTULO 160 = NA LUTA VULGAR

CAPÍTULO 161 = NO ESFORÇO COMUM

CAPÍTULO 162 = DENTRO DA LUTA

CAPÍTULO 163 = APRENDAMOS COM JESUS

CAPÍTULO 164 = DIANTE DE DEUS

CAPÍTULO 165 = NÃO DUVIDES

CAPÍTULO 166 = SIGAMO-LO

CAPÍTULO 167 = OBSERVEMO-NOS

CAPÍTULO 168 = ENTRE O BERÇO E O TÚMULO

CAPÍTULO 169 = BUSQUEMOS A ETERNIDADE

CAPÍTULO 170 = ROTULAGEM

CAPÍTULO 171 = TESTEMUNHO

CAPÍTULO 172 = ANTE O CRISTO LIBERTADOR

CAPÍTULO 173 = ANTE A LUZ DA VERDADE

CAPÍTULO 174 = MÃOS ESTENDIDAS

CAPÍTULO 175 = MUDANÇA

CAPÍTULO 176 = NECESSIDADE DO BEM

CAPÍTULO 177 = RIQUEZA PARA O CÉU

CAPÍTULO 178 = REVERÊNCIA E PIEDADE

CAPÍTULO 179 = REPAREMOS NOSSAS MÃOS

CAPÍTULO 180 = NATAL



COM JESUS E POR JESUS
Na introdução de “O Livro dos Espíritos” (1), recolhe­mos de Allan Kardec esta afirmação expressiva:

“As comunicações entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acluim vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.”

No item 8º (2) das páginas de conclusão do mesmo livro, o Codificador assevera com segurança:

“Jesus veio mostrar aos homens o caminho do verdadei­ro bem. Por que, tendo-o enviado para fazer lembrar sua lei que estava esquecida, não havia Deus de enviar hoje os Espíritos, a fim de a lembrarem novamente aos homens, e com maior precisão, quando eles a olvidam para tudo sacri­ficar ao orgulho e à cobiça ?“


(1) Prolegômenos. Página 45, 23; edição da Federação Espírita Brasileira.

(2) “O Livro dos Espíritos”, página 475, 2ª edição da Federação Espírita Brasileira.
E sabemos que, de permeio, o grande livro que lançou os fundamentos do Espiritismo trata, dentre valiosos assun­tos, das leis de adoração, trabalho, sociedade, progresso, igualdade, liberdade, justiça, amor, caridade e perfeição mo­ral, bem como das esperanças e das consolações.

Reportamo-nos a tais referências para recordar que o fenômeno espírita sempre esteve presente no mundo, em todos os lances evolutivos da Humanidade, e que Allan Kardec, desde o início do ministério a que se consagrou, im­primiu à sua obra o cariz religioso de que não podia ela ausentar-se, tendo até acentuado que o Espiritismo é forte porque assenta sobre os fundamentos mesmos da Religião:

Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras.

Aceitamos, perfeitamente, as bases científicas e filosó­ficas em que repousa a Doutrina Espírita, as quais nos ense­jam adquirir a “fé raciocinada capaz de encarar a razão face a face”, contudo, sobre semelhantes alicerces, vemo-la, ainda e sempre, em sua condição de Cristianismo restaurado, aper­feiçoando almas e renovando a vida na Terra, para a vitória do Infinito Bem, sob a égide do Cristo, nosso Divino Mestre e Senhor.

O apóstolo da Codificação não desconhecia o elevado mandato relativamente aos princípios que compilava, e, por isso mesmo, desde a primeira hora, preocupou-se com os impositivos morais de que a Nova Revelação se reveste, tendo salientado que as conseqüências do Espiritismo se resumem em melhorar o homem e, por conseguinte, torná-lo menos infeliz, pela prática da mais pura moral evangélica.

Sabemos que a retorta não sublima o caráter e que a discussão filosófica nada tem que ver com caridade e justiça. Com todo o nosso respeito, pois, pela filosofia que indaga e pela ciência que esclarece, reconheceremos sempre no Espiritismo o Evangelho do Senhor, redivivo e atuante, para instalar com Jesus a Religião Cósmica do Amor Universal e da Divina Sabedoria sobre a Terra.

Espíritos desencarnados aos milhões e em todos os graus de inteligência enxameiam o mundo, requisitando, tanto quan­to os encarnados, o concurso da educação.

Não podemos, por isso, acompanhar os que fazem de nossa Redentora Doutrina mera tribuna discutidora ou sim­ples caçada a demonstrações de sobrevivência, apenas para a realização de torneios literários ou para longos cavacos de gabinete e anedotas de salão, sem qualquer conseqüência espiritual para o caminho que lhes é próprio.

Estudemos, assim, as lições do Divino Mestre e apren­damo-las na prática de cada dia.

A morte a todos nos reunirá para a compreensão da verdadeira vida... E, sabendo que a justiça definir-nos-á segundo as nossas obras, abracemos a Codificação Kardequia­na, prosseguindo para a frente, com Jesus e por Jesus.


EMMANUEL

Pedro Leopoldo, 11 de fevereiro de 1956.



1

ANTE A LIÇÃO
Considera o que te digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo.” — Paulo. (2ª EPÍSTOLA A TIMÓTEO, capítulo 2, versículo 7.)
Ante a exposição da verdade, não te esquives à meditação sobre as luzes que recebes.

Quem fita o céu, de relance, sem contemplá-lo, não enxerga as estrelas; e quem ouve uma sinfonia, sem abrir-lhe a acústica da alma, não lhe percebe as notas divinas.

Debalde escutarás a palavra inspirada de pre­gadores ardentes, se não descerrares o coração para que o teu sentimento mergulhe na claridade bendita daquela.

Inúmeros seguidores do Evangelho se queixam da incapacidade de retenção dos ensinos da Boa Nova, afirmando-se ineptos à frente das novas revelações, e isto porque não dispensam maior trato à lição ouvida, demorando-se longo tempo na provin­cia da distração e da leviandade.

Quando a câmara permanece sombria, somos nós quem desata o ferrolho à janela para que o sol nos visite.

Dediquemos algum esforço à graça da lição e a lição nos responderá com as suas graças.

O apóstolo dos gentios é claro na observação.

“Considera o que te digo, porque, então, o Senhor te dará entendimento em tudo.”

Considerar significa examinar, atender, refletir e apreciar.

Estejamos, pois, convencidos de que, prestando atenção aos apontamentos do Código da Vida Eterna, o Senhor, em retribuição à nossa boa-vontade, dar-nos-á entendimento em tudo.



2

MODO DE FAZER
De sorte que haja em vós o mes­mo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” — Paulo. (FILIPENSES, capítulo 2, versículo 5.)
Todos fazem alguma coisa na vida humana, mas raros não voltam à carne para desfazer quanto fi­zeram.

Ainda mesmo a criatura ociosa, que passou o tempo entre a inutilidade e a preguiça, é constran­gida a tornar à luta, a fim de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma.

Somente constrói, sem necessidade de repara­ção ou corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.

Fazer algo em Cristo é fazer sempre o melhor para todos:

Sem expectativa de remuneração.

Sem exigências.

Sem mostrar-se.

Sem exibir superioridade.

Sem tributos de reconhecimento.

Sem perturbações.

Em todos os passos do Divino Mestre, vemo-lo na ação incessante, em favor do indivíduo e da cole­tividade, sem prender-se.

Da carpintaria de Nazaré à cruz de Jerusalém, passa fazendo o bem, sem outra paga além da ale­gria de estar executando a Vontade do Pai.

Exalta o vintém da viúva e louva a fortuna de Zaqueu, com a mesma serenidade.

Conversa amorosamente com algumas crianci­nhas e multiplica o pão para milhares de pessoas, sem alterar-se.

Reergue Lázaro do sepulcro e caminha para o cárcere, com a atenção centralizada nos Desígnios Celestes.

Não te esqueças de agir para a felicidade co­mum, na linha infinita dos teus dias e das tuas horas. Todavia, para que a ilusão te não imponha o fel do desencanto ou da soledade, ajuda a todos, indistin­tamente, conservando, acima de tudo, a glória de ser útil, “de modo que haja em nós o mesmo sentimento que vive em Jesus-Cristo”.



3

NA GRANDE ROMAGEM
Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.” — Paulo. (HEBREUS, capítulo 11, versículo 8.)
Pela fé, o aprendiz do Evangelho é chamado, como Abraão, à sublime herança que lhe é desti­nada.

A conscrição atinge a todos.

O grande patriarca hebreu saiu sem saber para onde ia ...

E nós, por nossa vez, devemos erguer o cora­ção e partir igualmente.

Ignoramos as estações de contacto na romagem enorme, mas estamos informados de que o nosso objetivo é Cristo Jesus.

Quantas vezes seremos constrangidos a pisar sobre espinheiros da calúnia? quantas vezes transitaremos pelo trilho escabroso da incompreensão? quantos aguaceiros de lágrimas nos alcançarão o espírito? quantas nuvens estarão interpostas, entre o nosso pensamento e o Céu, em largos trechos da senda?

Insolúvel a resposta.

Importa, contudo, marchar sempre, no caminho interior da própria redenção, sem esmorecimento.

Hoje, é o suor intensivo; amanhã, é a responsa­bilidade; depois, é o sofrimento e, em seguida, é a solidão...

Ainda assim, é indispensável seguir sem desâ­nimo.

Quando não seja possível avançar dois passos por dia, desloquemo-nos para diante, pelo menos, alguns milímetros.

Abre-se a vanguarda em horizontes novos de entendimento e bondade, iluminação espiritual e progresso na virtude.

Subamos, sem repouso, pela montanha escar­pada:

Vencendo desertos..

Superando dificuldades.

Varando nevoeiros...

Eliminando obstáculos...

Abraão obedeceu, sem saber para onde ia, e encontrou a realização da sua felicidade.

Obedeçamos, por nossa vez, conscientes de nossa destinação e convictos de que o Senhor nos espera, além da nossa cruz, nos cimos resplande­centes da eterna ressurreição.

4

CADA QUAL
Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 12, versículo 4.)
Em todos os lugares e posições, cada qual pode revelar qualidades divinas para a edificação de quantos com ele convivem.

Aprender e ensinar constituem tarefas de cada hora, para que colaboremos no engrandecimento do tesouro comum de sabedoria e de amor.

Quem administra, mais freqüentemente pode expressar a justiça e a magnanimidade.

Quem obedece, dispõe de recursos mais amplos para demonstrar o dever bem cumprido.

O rico, mais que os outros, pode multiplicar o trabalho e dividir as bênçãos.

O pobre, com mais largueza, pode amealhar a fortuna da esperança e da dignidade.

O forte, mais facilmente, pode ser generoso, a todo instante.

O fraco, sem maiores embaraços, pode mostrar-se humilde, em quaisquer ocasiões.

O sábio, com dilatados cabedais, pode ajudar a todos, renovando o pensamento geral para o bem.

O aprendiz, com oportunidades multiplicadas, pode distribuir sempre a riqueza da boa-vontade.

O são, comumente, pode projetar a caridade em todas as direções.

O doente, com mais segurança, pode plasmar as lições da paciência no ânimo geral.

Os dons diferem, a inteligência se caracteriza por diversos graus, o merecimento apresenta valores múltiplos, a capacidade é fruto do esforço de cada um, mas o Espírito Divino que sustenta as criaturas é substancialmente o mesmo.

Todos somos suscetíveis de realizar muito, na esfera de trabalho em que nos encontramos.

Repara a posição em que te situas e atende aos imperativos do Infinito Bem. Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos, e a Vontade Divina te apro­veitará.

5

CONSEGUES IR?
Vinde a mim — Jesus. (MATEUS, capítulo 11, versículo 28.)
O crente escuta o apelo do Mestre, anotando abençoadas consolações. O doutrinador repete-o para comunicar vibrações de conforto espiritual aos ouvintes.

Todos ouvem as palavras do Cristo, as quais insistem para que a mente inquieta e o coração atormentado lhe procurem o regaço refrigerante...

Contudo, se é fácil ouvir e repetir o “vinde a mim” do Senhor, quão difícil é “ir para Ele”!

Aqui, as palavras do Mestre se derramam por vitalizante bálsamo, entretanto, os laços da conve­niência imediatista são demasiado fortes; além, assi­nala-se o convite divino, entre promessas de renova­ção para a jornada redentora, todavia, o cárcere do desânimo isola o espírito, através de grades resis­tentes; acolá, o chamamento do Alto ameniza as penas da alma desiludida, mas é quase impraticável a libertação dos impedimentos constituídos por pes­soas e coisas, situações e interesses individuais, aparentemente inadiáveis.

Jesus, o nosso Salvador, estende-nos os braços amoráveis e compassivos. Com ele, a vida enrique­cer-se-á de valores imperecíveis e à sombra dos seus ensinamentos celestes seguiremos, pelo trabalho santificante, na direção da Pátria Universal ...

Todos os crentes registram-lhe o apelo conso­lador, mas raros se revelam suficientemente valoro­sos na fé para lhe buscarem a companhia.

Em suma, é muito doce escutar o “vinde a mim...

Entretanto, para falar com verdade, já conse­gues ir?



6

ACEITA A CORREÇÃO
E, na verdade, toda correção, no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, pro­duz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” Paulo. (HEBREUS, capítulo 12, versículo 11.)
A terra, sob a pressão do arado, rasga-se e dila­cera-se, no entanto, a breve tempo, de suas leiras retificadas brotam flores e frutos deliciosos.

A árvore, em regime de poda, perde vastas re­servas de seiva, desnutrindo-se e afeando-se, toda­via, em semanas rápidas, cobre-se de nova robustez, habilitando-se à beleza e à fartura.

A água humilde abandona o aconchego da fonte, sofre os impositivos do movimento, alcança o grande rio e, depois, partilha a grandeza do mar.

Qual ocorre na esfera simples da Natureza, acontece no reino complexo da alma.

A corrigenda é sempre rude, desagradável, amargurosa; mas, naqueles que lhe aceitam a luz, resulta sempre em frutos abençoados de experiên­cia, conhecimento, compreensão e justiça.

A terra, a árvore e a água suportam-na, através de constrangimento, mas o Homem, campeão da inteligência no Planeta, é livre para recebê-la e am­bientá-la no próprio coração.

O problema da felicidade pessoal, por isso mesmo, nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador.

Exterioriza-se a correção celeste em todos os ângulos da Terra.

Raros, contudo, lhe aceitam a bênção, porque semelhante dádiva, na maior parte das vezes, não chega envolvida em arminho, e, quando levada aos lábios, não se assemelha a saboroso confeito. Surge, revestida de acúleos ou misturada de fel, à guisa de remédio curativo e salutar.

Não percas, portanto, a tua preciosa oportuni­dade de aperfeiçoamento.

A dor e o obstáculo, o trabalho e a luta são recursos de sublimação que nos compete aproveitar.

7

PELOS FRUTOS
Por seus frutos os conhecereis.” — Jesus. (MATEUS, capítulo 7, versículo 16.)
Nem pelo tamanho.

Nem pela configuração.

Nem pelas ramagens.

Nem pela imponência da copa.

Nem pelos rebentos verdes.

Nem pelas pontas ressequidas.

Nem pelo aspecto brilhante.

Nem pela apresentação desagradável.

Nem pela vetustez do tronco.

Nem pela fragilidade das folhas.

Nem pela casca rústica ou delicada.

Nem pelas flores perfumadas ou inodoras.

Nem pelo aroma atraente.

Nem pelas emanações repulsivas.

Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, pela utilidade, pela produção.

Assim também nosso espírito em plena jornada...

Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substân­cia de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem jeral.

— Pelos frutos os conhecereis” — disse o Mestre.

— “Pelas nossas ações seremos conhecidos” — repetiremos nós.

8

OBREIROS ATENTOS
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, esse tal será bem-aventurado em seus fei­tos.” — (TIAGO, capítulo 1, versículo 25.)
O discípulo da Boa Nova, que realmente co­munga com o Mestre, antes de tudo compreende as obrigações que lhe estão afetas e rende sincero culto à lei de liberdade, ciente de que ele mesmo recolherá nas leiras do mundo o que houver se­meado. Sabe que o juiz dará conta do tribunal, que o administrador responderá pela mordomia e que o servo se fará responsabilizado pelo trabalho que lhe foi conferido. E, respeitando cada tarefeiro do progresso e da ordem, da luz e do bem, no lugar que lhe é próprio, persevera no aproveitamento das possibilidades que recebeu da Providência Divina, aten­cioso para com as lições da verdade e aplicado às boas obras de que se sente encarregado pelos Po­deres Superiores da Terra.

Caracterizando-se por semelhante atitude, o co­laborador do Cristo, seja estadista ou varredor, está integrado com o dever que lhe cabe, na posição de agir e servir, tão naturalmente quanto comunga com o oxigênio no ato de respirar.

Se dirige, não espera que outros lhe recordem os empreendimentos que lhe competem.

Se obede­ce, não reclama instruções reiteradas, quanto às atribuições que lhe são deferidas na disposição re­gimental dos trabalhos de qualquer natureza. Não exige que o governo do seu distrito lhe mande adu­bar a horta, nem aguarda decretos para instruir-se ou melhorar-se.

Fortalecendo a sua própria liberdade de apren­der, aprimorar-se e ajudar a todos, através da inteira consagração aos nobres deveres que o mundo lhe confere, faz-se bem-aventurado em todas as suas ações, que passam a produzir vantagens substan­ciais na prosperidade e elevação da vida comum.

Semelhante seguidor do Evangelho, de aprendiz do Mestre passa à categoria dos obreiros atentos, penetrando em glorioso silêncio nas reservas subli­mes do Celeste Apostolado.




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal