Fritjof Capra



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Fritjof Capra

A TEIA DA VIDA

UMA NOVA COMPREENSÃO CIENTÍFICA DOS SISTEMAS VIVOS

Tradução


NEWTON ROBERVAL EíCHEMBERG

EDITORA CULTRíX

São Paulo

Título do original:

The Web ofLife

A New Scienh'frc Understanding of Living Systems

Copyright ® 1996 by Fritjof Capra.

Edição Mo

4-5-6-7-8-9-íO-íí-í2-13 99-OO-O1-O2-O3-O4

Direitos de tradução para o Brasil

adquiridos com exclusividade pela

EDíTORA CULTRíX LTDA.

RuaDr. Mário Vicente, 374-O4270-OOO-São Paulo, SP

Fone: 272-1399 - Fax 272-4770

E-mail: pensamento~snet.com.br

http://www.pensamento-cultrix.com.br

que se reserva a propriedade literária desta tradução.

lmpresso em nossas oficinas gráficas.

À memória de minha mãe,

íngeborg Teuffenbach,

que me deu o dom e a disciplina da escrita.

Sumário


Prefácio à Edição Brasileira 13

Prefácio 19

PARTE Uut / O CONTEXTO CULTURAL

cAPÍTULo 1 Ecologia Profunda - Um Novo Paradigma 23

PARTE Doís / A ASCENSÃO DO PENSAMENTO SíSTÊMíCO

cAPÍTULo 2 Das Partes para o Todo 33

CAPÍTULo 3 Teorias Sistêmicas 46

CAPíTULo 4 A Lógica da Mente 56

PARTs TRÊs / AS PEÇAS DO QUEBRA-CABEÇA

cAPÍTULo 5 Modelos de Auto-Organização 73

CAPÍTULo 6 A Matemática da Complexidade 99

PARTE QUATRo / A NATUREZA DA VíDA

CAPÍTULO 7 Uma Nova Síntese 133

CAPÍTULO 8 Estruturas Dissipativas 147

cAPíTuLo 9 Autocriação 159

CAPÍTULo 10 O Desdobramento da Vida 179

CAPíTULo 11 Criando um Mundo 209

CAPÍTULO 12 Saber que Sabemos 224

Epílogo: Alfabetização Ecológica 231

Apêndice: Bateson Revisitado 236

Notas 239

Bibliografia 251

7

ísto sabemos.



Todas as coisas estão ligadas

como o sangue

que une uma famlia....

Tudo o que acontece com a Terra,

acontece com os filhos e filhas da Terra.

O homem não tece a teia da vida;

ele é apenas um fio.

Tudo o que faz à teia,

ele faz a si mesmo.

TED PERRY, inspirado no Chefe Seattle

9

Agradecimentos



A síntese de concepções e de idéias apresentada neste livro demorou dez anos para ama-

durecer. Durante esse tempo, tive a fortuna de poder discutir a maior parte das teorias e

dos modelos científicos subjacentes com seus autores e com outros cientistas que traba-

lham nesses campos. Sou especialmente grato

. a ílya Prigogine, por duas conversas inspiradoras, mantidas no início da década de 80,

a respeito das estruturas dissipativas;

. a Francisco Varela, por explicar-me a teoria de Santiago da autopoiese e da cognição

em várias horas de discussões intensivas durante um período de retiro para esqui na

Suíça, e por numerosas conversas iluminadoras ao longo dos últimos dez anos, sobre

a ciência cognitiva e suas aplicações;

. a Humberto Maturana, por duas estimulantes conversas, em meados da década de 80,

sobre cognição e consciência;

. a Ralph Abraham, por esclarecer numerosas questões referentes à nova matemática da

complexidade;

. a Lynn Margulis, por um diálogo inspirador, em 1987, a respeito da hipótese de Gaia,

e por encorajar-me a publicar minha síntese, que estava então apenas emergindo;

. a James Lovelock, por uma recente discussão enriquecedora sobre um amplo espectro

de idéias científicas;

. a Heinz von Foerster, por várias conversas iluminadoras sobre a história da cibernética

e a origem da concepção de auto-organização;

. a Candace Pert, por muitas discussões estimulantes a respeito de suas pesquisas sobre

os peptídios;

. a Arne Naess, George Sessions, Warwick Fox e Harold Glasser, por discussões filo-

sóficas inspiradoras, e a Douglas Tompkins, por estimular-me a me aprofundar na

ecologia profunda;

. a Gail Fleischaker, por proveitosas correspondências e conversas telefônicas a respeito

de vários aspectos da autopoiese;

. e a Ernest Callenbach, Ed Clark, Raymond Dassman, Leonard Duhl, Alan Miller,

Stephanie Mills e John Ryan, por numerosas discussões e correspondência sobre os

princípios da ecologia.

11

Nestes últimos anos, enquanto trabalhava neste livro, tive várias oportunidades va-



liosas para apresentar minhas idéias a colegas e estudantes para discussão crítica. Sou

grato a Satish Kumar por convidar-me a oferecer cursos sobre ".A Teia da Vida" no

Schumacher College, na ínglaterra, durante três verões consecutivos, de 1992 a 1994; e

aos meus alunos, nesses três cursos, por incontáveis questões críticas e sugestões úteis.

Também sou grato a Stephan Harding pelos seus seminários sobre a teoria de Gaia,

proferídos durante meus cursos, e por sua generosa ajuda em numerosas questões a res-

peito de biologia e de ecologia. A assistência em pesquisas, oferecida por dois

dos meus


alunos do Schumacher, William Holloway e Morten Flatau, é tamzbém reconhecida com

gratidão.

No decorrer do meu trabalho no Center for Ecoliteracy, em Berkeley, tive ampla

oportunidade para discutir as características do pensamento sistêmico e os princípios da

ecologia com professores e educadores que me ajudaram muito a aprimorar minha apre-

sentação dessas concepções e idéias. Quero agradecer especialmente a Zenobia Barlow

por organizar uma série de diálogos sobre ecoalfabetização, durante os quais ocorreu a

maior parte dessas conversas.

Também tive a oportunidade única de apresentar várias partes do livro para discussões

críticas numa série regular de "reuniões sistêmicas" convocadas por Joanna Macy, de

1993 a 1995. Sou muito grato a Joanna, e aos meus colegas Tyrone Cashman e Brian

Swimme, por discussões em profundidade sobre numerosas idéias nessas reuniões íntimas.

Quero agradecer ao meu agente literárío, John Brockman, pelo seu encorajamento e

por ajudar-me a formular o esboço inicial do livro, que ele apresentou aos meus editores.

Sou muito grato ao meu irmão, Bernt Capra, e a Trena Cleland, a Stephan Harding

e a William Holloway por ler todo o manuscrito e me oferecer valiosa consultoria e

orientação. Quero também agradecer a John Todd e a Raffi pelos seus comentários sobre

vários capítulos.

Meus agradecimentos especiais vão para Julia Ponsonby pelos seus belos desenhos

de linhas e por sua paciência com meus repetidos pedidos de alterações.

Sou grato ao meu editor Charles Conrad, da Anchor Books, pelo seu entusiasmo e

por suas sugestões üteis.

Por ültimo, mas não menos importante, quero expressar minha profunda gratidão à

minha esposa, Elizabeth, e à minha filha, Juliette, pela sua compreensão e por sua pa-

ciência durante tantos anos, quando, repetidasvezes, deixei sua companhia para "subir

ao andar de cima" e passar longas horas escrevendo.

12

Prefácio à Edição Brasileira



Oscar Motomura~*~

No início dos anos 90, convidamos Fritjof Capra a vir ao Brasil. O objetivo era provocar

um diálogo entre ele e os executivos de empresas clientes sobre sua visão de mundo.

Desde meados dos anos 80, organizávamos diálogos semelhantes com renomados

"futuristas" internacionais buscando fazer as conexões possíveis entre estratégia

empresarial e a forma como o mundo estava "caminhando". Mais do que isso, a forma

como a vida no planeta tenderia a evoluir, uma vez que procurávamos ir muito alêm das

previsões econômicas, que ainda estavam muito associadas ao planejamento estratégico

tradicional.

Capra, para nós, representava uma fase importante dessa nossa abordagem à estratégia

e à gestão empresarial. Ele nos ajudaria a associar a busca de novas estratégias e o processo

de criação do futuro com o processo de pensar e, conseqüentemente, de perceber o mundo

em que vivemos - o todo, esse grande contexto em que a vida acontece.

Na realidade, descobrimos que a coisa ia até mais além, na medida em que consta-

távamos que não se tratava só de ver e perceber as coisas a partir de nossas premissas e

teorias (paradigmas...), mas também de como nos colocávamos no mundo...

Ficamos muito surpresos com a quantidade de executivos e executivas que vieram ao

evento com Capra. Acostumados a grupos menores - pois que estávamos sempre buscando

os pensadores mais inovadores do mundo, os pioneiros, em sua maioria, pessoas

desconhecidas do grande público - ficamos impressionados com a receptividade a Capra.

13

No auditório superlotado, Capra compartilhou suas idéias mais recentes. ínteressante



foi a reação do público presente.

De um lado, víamos pessoas maravilhadas pela possibilidade de conectar o que faziam

em gestão/liderança com os conceitos trazidos à luz pela "Nova Ciência". De outro, víamos

pessoas perplexas, imaginando se teriam vindo ao evento errado ou se Capra teria "errado

de tema"...

A expectativa dessas pessoas, ao que parece, era de ouvir coisas mais diretamente

ligadas à administração e, de preferência, muito práticas que pudessem ser aplicadas

imediatamente ao trabalho atual.

Uma parte desse grupo era constituída de pessoas capazes tão-somente de trabalhar o

concreto, a já manifesto em seus aspectos mais externos e, portanto, não preparadas para

um pensar mais sutil. Outra parte, porém, era de pessoas perfeitamente capazes de pensar

mais abstratamente, uma vez que isso é exigido no trabalho de qualquer executivo. Neste

grupo, o problema era outro.

O problema era de percepção. Exatamente a questão central trabalhada por Capra.

Os executivos em questão - por mais boa vontade que pudessem ter e por mais esforço que

viessem a fazer - não estavam com seus respectivos "modelos mentais" adequadamente

preparados para enxergar as conexões entre a vida empresarial e os conceitos da "Nova

Cíêncía".

Estamos, na realídade, ainda muito presos ao arcabouço de pensamento criado pela

ciência do início do século. A equação que temos de resolver, não só nas empresas mas

também na sociedade como um todo, parece simples: "como podemos atualizar nossa forma

de pensar e enxergar o mundo em que vivemos com base em novos arcabouços, em linha

com o que a ciência (no sentido lato) do limiar do século XXí está trazendo à tona?" Em

outras palavras, se quisermos considerar a administração como ciência (ou seria arte?) e

buscamos praticar a chamada "administração científica", não deveríamos pelo menos

atualizar nossos referenciais, alinhando-nos às descobertas da ciência deste final de século

(ao invés de continuarmos presos aos princípios científicos do começo do século)?

Em conversas recentes com Capra, uma de suas colocações que mais me impactou foi

sobre como nossas percepÇões são interrompidas pelo "reconhecimento". Muitas vezes,

quando estamos tentando perceber algo à nossa frente, o processo é interrompido por um

"enquadramento" daquilo em relação a alguma coisa que já está armazenada em nosso

atual arcabouço mental. Nesse momento, nosso processo "neutro" de percepção é ínter-

rompido e "rotulamos" a coísa como algo já conhecido, poupando-nos o trabalho de

desvendar o inédito...

E se esse algo que observamos não se encaixar? ínterrompemos também o processo

através dejulgamentos rápidos? "Estranho... , "Esquisito... , "Não faz sentido... , "Fora

da realidade... .

Neste exato momento em que escrevo este prefácio, o que me vem com mais força à

mente é esse intrigante fenômeno de julgar o que vemos ao nosso redor... Em nosso curso

14

de pós-graduação "lato sensu" (o APG), trabalhamos essa questão com uma simples reflexão:



"Nas várias formas de avaliação que fazemos na empresa - e obviamente na sociedade -

quem está avaliando o avaliador?" Com que "réguas" o avaliador estájulgando? Quais os

seus referenciais, suas "verdades"?

Podemos sempre presumir que o avaliador será invariavelmente neutro, imparcial?

Quanta perfeição isso exigiria? Não teríamos que ser conhecedores das verdades absolutas

para podermos julgar?

Em nossa vida diária, vemos uma enorme quantidade de avaliações que poderíamos,

no mínimo, classificar de "paradoxais". É o caso do "conservador" avaliando uma proposta

"liberal". É o crítico literário agnóstico criticando, agressiva e impiedosamente, um ro-

mance escrito por um autor espiritualista. É o executivo cínico classificando toda proposta

que visa ao bem comum como "romántica" e "fora da realidade".

Fora da realidade? A que realidade estamos nos referindo? À realidade percebida

pelos nossos cinco sentidos? Não é verdade que um mesmo fato testemunhado por um

grupo de pessoas pode ser percebido de forma diferente por diferentes pessoas?

E a realidade invisível, ínaudível, intocável, não passível de percepção pelos nossos

sentidos normais? E o íntangível que não conseguimos demonstrar em nossos "balanços" e

relatórios, quer se trate do país, da empresa ou mesmo de nossa vida pessoal?

Não sería a realidade visível um instantâneo do processo da vida? O que está ocorrendo

neste exato momento não seria conseqüência de algo que já está em processo? E esse processo

não irá continuar gerando ainda outras conseqüências, ou seja, uma sucessão de outros

instantes, encadeados e conectados entre si?

Como nos referirmos à realidade do momento sem entender ou perceber o processo

maior do qual aquele instante faz parte? De que "realidade" estamos falando quandojulgamos

a proposta ou ato de outrem como algo "fora da realidade"?

E se levarmos em conta a infinidade de processos que se interconectam na realidade

maior? Não seria esse conjunto uma realidade "sistêmica", altamente complexa, que está

fora da esfera de compreensão da maior parte de nós, humanos?

Onde situar o potencial do que nós, seres humanos, podemos criar, gerando um futuro

que, pelo menos em parte, seja reflexo do que criamos em nossas mentes a partir de um

número infinito de possibilidades existentes no universo?

De que realidade estamos falando em nosso dia-a-dia? A realidade do que já está

acontecendo? A realidade de um processo do qual o que já vemos no plano concreto é

parte? A realidade dos inúmeros processos que formam um todo sistemicamente

interdependente? A realidade do que ainda está latente, do que ainda é possível, do que

ainda podemos criar se quisermos?

Como executivos, profissionais das mais diferentes áreas, líderes governamentais,

servidores públicos, artesãos, trabalhadores, donas de casa, mães, pais, todos nós nos

posicionamos em relação à realidade à nossa volta. Na verdade, em relação à própria

vida.

15

Na medida em que nossa vida é vívida a partir de uma perspectíva "especíalízada"/



fragmentada (como os executivos que ouviram as idéias de Capra pela perspectiva do

"mundo empresarial tradicional", não conseguindo conectá-las com seu dia-a-dia) nos

fechamos num mundo próprio como num grande "videogame". Só que a diferença é que

todos os nossos atos gerados a partir dessa visão fragmentada têm conseqüências na reali-

dade maíor. Conseqüências que poderão afetar a vida de todo o planeta e até de futuras

gerações. ..

Neste sentido, quais devem ser nossas prioridades não só como profissionais, mas

também como seres humanos?

Será que existe outra prioridade que não seja a busca persistente de uma compreensão

maior da realidade, em seu sentído mais amplo? Em outras palavras, o que superaría como

prioridade a compreensão mais abrangente, refinada, da própria vida?

Como descobrir o sentido de nossas vidas sem compreender como a própria vida

funciona?

Este livro de Capra, que é - em sua visão - a continuação de O Ponto de lutaÇão, sua

obra mais conhecida, trata do todo. É uma grande reflexão sobre a vída usando os

conhecimentos não só da chamada "Nova Ciência" mas ainda de outros campos - sempre

numa tentativa de não sermos limitados por "muros artificiais" que impeçam nossa percepção

do todo maior.

Capra considera A Teia da Vida seu principal trabalho. Suas futuras obras visarão a

atualízar seu conteúdo, à medída que suas pesquisas conseguírem desvendar outros aspectos

da vida.

A Teia da Vida é um livro de excepcional relevância para todos nós - independen-

temente de nossa atual atividade. Sua maior contribuição está no desafio que ele nos

coloca na busca de uma compreensão maior da realidade em que vivemos. É um livro

provocatívo que nos desancora do fragmentário e do "mecânico". É um livro que nos

impele adiante, em busca de novos níveis de consciência, e assim nos ajuda a enxergar,

com mais clareza, o extraordinário potencial e o propósito da vida. E também a admitir

a inexorabilidade de certos processos da vida, convivendo lado a lado com as infinitas

possibilidades disponíveis, as quais encontram-se sempre à mercê de nossa competência

em acessâ-las.

Minha própria experiência ê que quanto mais entendemos a grande realidade na qual

vivemos, mais humildes nos tornamos. Adquirimos um respeito excepcional por todos os

seres vívos - sem qualquer exclusão. Passamos a ter um relacionamento melhor com todos.

Desenvolvemos uma nova ética, não nos deixando levar por falsos valores. Conseguimos

viver sem ansiedades, com mais flexíbilidade e tolerância.

Quanto melhor entendemos essa realidade, mais claramente enxergamos as formas

de dar significado às nossas vidas, principalmente através do nosso dia-a-dia. Cada ato

nosso, por mais simples que seja, passa a ser vivencíado com uma forte conscíência de que

ele está afetando a existência do todo em seus planos mais sutis.

16

Esta obra de Capra representa também um outro tipo de desafio para todos nós. Ela



exige uma grande abertura de nossa parte. Uma abertura que só é possível quando abrimos

mão de nossos arcabouços atuais de pensamento, nossas premissas, nossas teorias, nossa

forma de ver a própria realidade, e nos dispomos a considerar uma outra forma de entender

o mundo e a própria vida. O desafio maior está em mudar a nossa maneira de pensar...

Não é uma tarefa fácil. Não será algo rápido para muitos de nós. Mas se pensarmos

bem, existe desafio maior do que entender como funcionamos e como a vida funciona?

Na verdade, Capra está numa longajornada em busca das grandes verdades da vida.

Ele humildemente se coloca "em transição", num estado permanente de busca, de descoberta,

sempre procurando aprender, desaprender e reaprender.

Este livro é um grande convite para fazermos, juntos, essa jornada.

Umajornada de vida.

(*) Oscar Motomura é diretor geral do Grupo Amana-Key, um centro de excelência sediado em

São

Paulo, cujo propósito é formar, desenvolver, atualizar líderes de organizações públicas e privadas -



em linha com os novos paradigmas e valores e com formas inéditas de pensar

e fazer acontecer

estrategicamente.

Prefácio


Em 1944, o físico austríaco Erwin Schrõdinger escreveu um livrinho intitulado What ís

Life?, onde apresentou hipóteses lúcidas e irresistivelmente atraentes a respeito da estru-

tura molecular dos genes. Esse livro estimulou biólogos a pensar de uma nova maneira

a respeito da genética, e, assim fazendo, abriu uma nova fronteira da ciência: a biologia

molecular.

Nas décadas seguintes, esse novo campo gerou uma série de descobertas triunfantes,

que culminaram na elucidação do código genético. Entretanto, esses avanços espetaculares

não fizeram com que os biólogos estivessem mais perto de responder à pergunta formulada

no título do livro de Schrõdinger. Nem foram capazes de responder às muitas questões

associadas que confundiram cientistas e filósofos durante centenas de anos: Como as

estruturas complexas evoluem a partir de um conjunto aleatório de moléculas? Qual é a

relação entre mente e cérebro? O que é consciência?

Os biólogos moleculares descobriram os blocos de construção fundamentais da vida,

mas isso não os ajudou a entender as ações integrativas vitais dos organismos vivos. Há

25 anos, um dos principais biólogos moleculares, Sidney Brenner, fez os seguintes co-

mentários reflexivos:

Num certo sentido, vocês poderiam dizer que todos os trabalhos em engenharia genética

e molecular dos últimos sessenta anos poderiam ser considerados um longo interlúdio.

... Agora que o programa foi completado, demos uma volta completa - retornando aos

problemas que foram deixados para trás sem solução. Como um organismo machucado

se regenera até readquirir exatamente a mesma estrotura que tinha antes? Como

o ovo


forma o organismo? ... Penso que, nos vinte e cinco anos seguintes, teremos de ensinar

aos biólogos uma outra linguagem. ... Ainda não sei como ela é chamada, ninguém sabe...

Pode ser errado acreditar que toda a lógica está no nível molecular. É possível que pre-

cisemos ir além dos mecanismos de relojoaria.~

Realmente, desde a época em que Brenner fez esses comentários, tem emergido uma

nova linguagem voltada para o entendimento dos complexos e altamente integrativos

sistemas da vida. Cada cientista deu a ela um nome diferente - "teoria dos sistemas

dinâmicos", "teoria da complexidade", "dinâmica não-linear", "dinâmica de rede", e

assim por diante. Atratores caóticos, fractais, estruturas dissipativas, auto-organização e

redes autopoiéticas são algumas de suas concepções-chave.

19

Essa abordagem da compreensão da vida é seguida de perto por notáveis pesquisa-



dores e por suas equipes ao redor do mundo - ílya Prigogine, na Universidade de Bru-

xelas; Humberto Maturana, na Universidade do Chile, em Santiago; Francisco Varela, na

Êcole Polytechnique, em Paris; Lynn Margulis, na Universidade de Massachusetts; Beno?t

Mandelbrot, na Universidade de Yale; e Stuart Kauffman, no Santa Fe ínstitute, para citar

apenas alguns nomes. Várias descobertas-chave desses cientistas, publicadas em

livros e


em artigos técnicos, foram saudadas como revolucionárias.

Entretanto, até hoje ninguém propôs uma síntese global que integre as novas desco-

bertas num único contexto e, desse modo, permita aos leitores leigos compreendê-las de

uma maneira coerente. É este o desafio e a promessa de A Teia da Vida.

A nova compreensão da vida pode ser vista como a linha de frente científica da

mudança de paradigma de uma visão de mundo mecanicista para uma visão de mundo

ecológica, que discuti no meu livro anterior, O Ponto de Mutafão. O presente livro, num

certo sentido, é uma continuação e uma expansão do capítulo "A Concepção Sistêmica

da Vida", de O Ponto de Mutação.

A tradição intelectual do pensamento sistêmico, e os modelos e teorias sobre os

sistemas vivos desenvolvidos nas primeiras décadas deste século, formam as raízes con-



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