Genética e bem-estar animal



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GENÉTICA E BEM-ESTAR ANIMAL

TEMPLE GRANDIN E MARK J. DEESING



INTRODUÇÃO:

A produtividade dos animais domésticos e na avicultura, quase tem triplicado nos últimos 100 anos através do uso de métodos de alimentação e melhoria da seleção genética. Freeman e Lindberg (1993) afirmaram que a melhoria da seleção genética na indústria de lacticínios mais tem contribuído para aumentar a produção de leite do que melhorias no manejo. Além disso, a Federação Nacional de Produtores de Leite (1996) relata que, durante um período de 30 anos a produção de leite em vacas Holandesas mais do que duplicou. Similar ganho tinha sido feito na avicultura (Gordy, 1974; Maudlin, 1995). Devido à seleção genética, a capacidade de uma galinha de ganhar peso tem aumentado fenomenalmente. Em 1923, levava 16 semanas para produzir um frango. Em 1993, apenas 6 1/2 semanas foram exigidas. Ambos os autores estão preocupados que, no futuro, os problemas mais graves de bem-estar animal podem ser causados por superseleção nas características como: produção de rápido crescimento, baixo teor de gordura e alta produção de leite.


Vários estudos de longo prazo usando uma variedade de pequenos animais têm mostrado claramente que a superseleção para uma única característica pode ter efeito adverso ou inesperado em outras características (Lerner, 1954; Dobzhansky, 1970; Wright, 1978; Belyaev, 1979). Belyaev (1979) e Belyaev e Borodin (1982) demonstraram os efeitos da superseleção para uma única característica em longo prazo na seleção de experiências com raposas. A seleção de raposas para uma única característica comportamental (domesticada) causou alterações inesperadas na cor da capa, ciclos da raça, perfis hormonais, e alterações posteriores nas características corporais.
Em suínos domésticos, a seleção de características para a produção de carne resultou em animais com baixa capacidade reprodutiva (Dickerson, 1973). Para compensar, os produtores de suíno moderno utilizam frequentemente as linhas maternas que foram selecionadas para alta capacidade reprodutiva. Eles são gerados de linha selecionada para alta produção de carne. Os filhotes são resultantes do cruzamento terminal dos animais que são engordados para o mercado. Buchanan (1987) afirmou que o uso de cruzamento na indústria suína tem aumentado nos últimos 60 anos. Na década de 1990, quase todos os suínos eram mestiços para o mercado comercial.
EFEITOS DA SUPERSELEÇÃO EM BOVINOS E SUÍNOS
Desde 1971, o primeiro autor tem observado centenas de milhares de animais no frigorífico, fazendas, e confinamentos nos Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália e Nova Zelândia. No início da década de 1990 ela começou a observar um aumento do número de suínos e bovinos excitáveis e nervosos. Estes animais são mais difíceis de tratar e eles são mais susceptíveis ao pânico e tornam-se extremamente agitados quando submetidos à súbita novidade como experiência. Por exemplo, um leve toque na parte traseira causa grito em Suínos com um temperamento excitável, mas tem pouco efeito sobre os suínos com um temperamento sereno. O surgimento de animais altamente excitáveis e difíceis de tratar apareceu por coincidir com a seleção genética para crescimento rápido e elevado, e rendimento para carne magra (Grandin, 1994). A maior parte dos excitáveis altamente reativos são principalmente os bovinos mestiços de raças do continente Europeu. Nos Estados Unidos, estes animais se tornaram populares quando os produtores iniciaram a seleção para carne magra (Grandin, 1994). O estresse causado por animais medrosos e com pânico aumentou os problemas na qualidade da carne. Bovinos excitáveis que se tornam extremamente agitados durante o manejo também são mais propensos a ter carne dura e carne mais escura (Voisinet et al., 1997). Suínos que se tornam rapidamente excitados antes do abate tem mais PSE e menor qualidade da carne (Sayre et al., 1964; Barton-GADE, 1984).
Nos Estados Unidos e na Austrália, os bovinos são alimentados com grãos em grandes confinamentos. Na década de 1970, o primeiro autor nunca tinha observado o enrolamento de língua ou outros comportamentos anormais em bovinos alimentados com grãos. No entanto, em 1996, ela visitou vários confinamentos que alimentava milhares de bovinos Holandeses e observou enrolamento da língua "estereotípico" (anormais). Alguns bovinos Holandeses lambiam excessivamente cada superfície no confinamento, tais como cercas e portões. Eles faziam isso mesmo que fossem alimentados á vontade com grãos e milho. Lamber era tão excessivo que eles aprenderam a abrir o fecho do portão que raças de bovinos de corte que nunca tinham aberto. Nenhum dos bovinos das raças de corte desses mesmos confinamentos empenhou-se em lamber constantemente ou enrolar a língua.

Ambos os autores especulam que a seleção contínua para a alta produção de leite pode explicar o grande aumento de lamber. Para que uma vaca Holandesa produza uma grande quantidade de leite, ela tem de comer uma grande quantidade de alimento. A seleção para o aumento na produção de leite também exigiu a seleção para aumento no consumo alimentar. Nós ainda hipotetizamos que o lamber de cercas e portões poderá ser um precursor para problemas mais graves se a seleção genética para a produção mais elevada continuar. A incidência aumentada da condição "ziguezaguear" em vacas Holandesas está possivelmente relacionada ao aumento da seleção para a alta produção de leite. Ziguezaguear é uma microencefalopatia hereditária degenerativa (Freeman e Lindberg, 1993).


Do ponto de vista comportamental, o bem-estar dos bovinos Holandeses alimentados com grãos provavelmente não é comprometido, mas a partir de certo ponto, já existem problemas. O primeiro autor tem observado que bovinos Holandeses com alto grão na ração têm mais inchaço do que raças de corte com semelhante ração. Além de inchaço, os Holandeses alimentados com grãos têm morte súbita mais do que bovinos de corte. Às vezes Holandeses aparentemente normais e saudáveis, morrem repentinamente em pé, enquanto estão no comedouro.
Raças bovinas de corte que morre em um curral, normalmente se afastam do comedouro quando ficam doentes. Holandeses criados durante os meados da década de 1990 podem ser manejados com sucesso, mas se os produtores continuarem estabelecer as vias genéticas que possuem agora pode haver graves problemas de bem-estar.
CRESCIMENTO MUSCULAR E BEM-ESTAR
O bem-estar das aves já foi comprometido pela seleção genética para um crescimento rápido e alta produção de carne. A massa muscular em frangos de corte foi selecionada para crescer muito rapidamente, mas o crescimento do esqueleto e dos órgãos internos não tem acompanhado. Os frangos de corte tem reduzida capacidade cardiopulmonar em relação à sua massa muscular, e não pode resistir a muito esforço físico (Broom, 1987, 1993a; Julian, 1993; Julian et al., 1986).

O autor tem observado que os produtores têm criados frangos de corte com pernas mais fortes. No entanto surgiu um problema inesperado. Frangos híbridos com músculos mais pesados e pernas fortes são excessivamente agressivos e podem ferir as galinhas durante a cobertura. Ian Duncan, da Universidade de Guelph, especula que esse problema é causado pela supressão da carne padrão do galo normal. As características estão ligadas de formas inesperadas.



A eficiência reprodutiva também reduziu a seleção extensa de crescimento muscular. Por exemplo, o crescimento muscular extensivo pode tornar o acasalamento difícil, ou pode reduzir a fertilidade. Perus selecionados para grandes peitos são incapazes de se reproduzir naturalmente (Dinnington et al., 1990). Outro exemplo são os bovinos Bélgium Blue que são tão fortemente musculosos que devem ter uma alta percentagem dos seus bezerros nascidos por cesárea (Broom, 1987,1993).
Problemas de bem-estar causados pela seleção genética também têm ocorrido em suínos. Alguns produtores de suíno deliberadamente usam cachaços que são positivos para o gene PSS (Síndrome de Estresse Suína). Os mestiços descendentes destes cachaços têm uma maior percentagem de carne magra e área de olho de lombo (Aalhus et al., 1991). O gene PSS é herdado em uma forma clássica Mendeliana. Suínos que são considerados homozigotos ou heterozigotos negativos com um gene PSS (portador estatal) não irão mostrar os sintomas do PSS quando eles se tornam excitados. Suínos, que contêm um gene PSS, tanto do cachaço e da porca (homozigoto positivo), muitas vezes, tem um ataque cardíaco e morrem quando são excitados. Quando um cachaço homozigoto positivo para PSS é cruzado com uma porca que é livre do gene PSS, nenhum dos descendentes será positivo homozigoto para PSS. Para maximizar o quilograma de carne magra, empresas de suínos reprodutores vendem cachaços homozigotos positivos para PSS destinados à reprodução com porcas homozigota negativa para PSS. Um problema de bem-estar é criado se um produtor cruza porcas heterozigóticas para PSS (portador estatal) com um cachaço homizogoto para PSS. Infelizmente, essa prática é bastante comum devido ao fato de um produtor poder cruzar raça terminal de seu próprio rebanho, em vez de comprar novas marrãs que são homozigotas negativas e completamente livres do gene PSS.
O primeiro autor tem observado comparativamente que as linhas mais velhas de suínos com mais gordura, que as linhas de suínos magros desenvolvidos na década de 1990 têm, muitas vezes, cinco vezes mais prejuízos com morte. Caminhoneiros que transportam suínos têm relatado que eles têm, muitas vezes, um ou dois animais mortos em um carregamento de animais híbridos para o mercado. Estas mortes podem ocorrer mesmo quando os suínos são transportados em boas condições. Antigas linhas genéticas muitas vezes não têm mortes em um caminhão. Muitos dos caminhões com altas perdas por morte contem suínos sired por cachaço positivo para PSS. Estudos publicados indicam que a perda de suínos com genética Pietrain tem quase o dobro da perda por mortes. Broom (1993b) relata que a perda por morte de suínos Pietrain x Landrace nos Países Baixos é de 0,7%. Inquéritos realizados sobre suíno tipo banham mais velhos tinham perdas por morte significativas variando de 0,1 a 0,4% (Hails, 1978; Holloway, 1980; Grandin, 1981; Lambooij et al., 1985). Problemas com elevadas perdas por morte em híbridos ultramagros é um problema mais grave nos Estados Unidos do que na Europa. As perdas por morte na Europa são muito mais baixas para os suínos da mesma linha híbrida a partir da mesma empresa comercial de reprodutores A razão para isto pode ser que os suínos criados para abate na Europa, são alimentados com uma ração limitada de grãos e crescem mais lentamente. Crescimento mais lento resulta em suínos pesados para o mercado resultando em animais mais velhos e mais maduros. Nos Estados Unidos, suínos para mercado são alimentados á vontade com grãos e atingem um peso em idades precoces. Outro fator que pode aumentar os prejuízos por morte nos Estados Unidos é o peso de abate maior comparativamente aos suínos na Europa. O primeiro autor tem observado que os animais mais pesados são mais susceptíveis de morrer durante o transporte ou terem colapso durante o esforço físico.
A utilização do gene PSS proporciona uma elevada quantidade de carne de suíno magro em detrimento da qualidade. Felizmente, o setor de suínos pode reduzir a utilização deste gene, pois os suínos que carregam o gene têm pior qualidade de carne (Serge e Houde, 1993). Apesar de suínos heterozigotos que carregam um gene não expressarem sintomas PSS, suas características para produção de carne são intermediárias em qualidade e quantidade entre animais homozigotos PSS positivos e suínos que são isentos do gene PSS. Muitos líderes da indústria suinícola dos E.U. concordam que o gene PSS não deve ser utilizado na produção de suínos para terminação (Miller, 1996). O gene do estresse se tornou popular porque alguns frigoríficos nos Estados Unidos pagam os produtores de suínos em função da quantidade de carne de suíno magro em vez da qualidade. Um inquérito sobre a qualidade dos suínos nos E.U., em 1991, indicou que o nível de suínos com PSE (Pálida Mole Exudativa) era de 16% (Kauffman et al., 1992). Em contrapartida, os níveis de PSE são menores de 5% na Dinamarca (Barton-Gade, 1984). Os produtores Dinamarqueses têm trabalhado no sentido de eliminar a genética PSS de seus rebanhos, devido a exportação de suínos de alta qualidade.
A eliminação do gene PSS não vai resolver todos os problemas do bem-estar que podem ser associados com reprodutores suínos de extrema magreza ou rápido crescimento muscular. Mesmo que o gene PSS seja eliminado, é provável que a seleção indiscriminada para a característica de elevada produção ainda possa causar problemas com a perda por morte devido à insuficiência cardíaca ou a capacidade de excitabilidade e nervosismo. Suínos que se tornam isentos do gene PSS podem produzir suínos de baixa qualidade, caso se torne excitáveis nos frigoríficos.
SELEÇÃO GENÉTICA PARA CONSUMO
Os animais geneticamente selecionados para rápido ganho de peso ou produção de grandes quantidades de leite, ovos, carne, exigem um enorme consumo e manejo alimentar, a fim de gerar grandes quantidades desses produtos. A seleção para rápido aumento de massa muscular está fortemente correlacionada com a seleção para o aumento do consumo. A investigação mostra que frangas selecionadas destinadas à produção de ovos param de comer quando suas necessidades metabólicas estão cumpridas, mas frangos selecionados para produção de carne não param de comer até sua flora intestinal estar completamente cheia (Nir et al., 1978).
O bem-estar dos frangos de corte e suínos para abate é muito bom porque eles estão autorizados a comer até a saciedade. No entanto, um problema de bem-estar pode ocorrer em matrizes de galinhas e porcas reprodutoras que produzem descendentes para ganhar gordura porque devem ser mantidos em uma dieta restrita em calorias (Close, 1996). Linhagens de frangas com uma dieta restrita produzem mais ovos (Robinson et al., 1991), mas, se forem permitidas comer até a saciedade, elas desenvolvem problemas reprodutivos (Yu et al., 1992a). Além disso, se as porcas quando alimentadas podem comer à vontade podem se tornar obesas, resultando em problemas de pernas e dificuldades de parição. O problema é que o apetite do animal é muito maior que as suas necessidades metabólicas.
Para impedir que as frangas criadas e usadas para produção de ovos se tornem muito pesadas, elas são alimentadas de 60 a 80% menos do que teriam se fossem alimentadas á vontade (Karunajeewa, 1987; Yu et al., 1992a,b; Hocking, 1993; Hocking et al ., 1993; Zuidhoff et al., 1995). Mesmo quando as galinhas vão para a produção de ovos para produzir pintinhos, elas ainda estão limitadas de 25 a 50% do que seria necessário comer até estarem satisfeitas. A restrição alimentar em porcas é um pouco menos extrema, em comparação com frangos de corte. Porcas gestantes são alimentadas com cerca de 60% do seu consumo à vontade de uma dieta padrão concentrada de grãos (Lawrence et al., 1988). Uma porca criando leitões é permitida comer tudo que deseja, mas durante a gestação, ela é mantida com uma dieta restrita em calorias para evitar que se torne demasiadamente obesa.
Uma revisão de uma série de estudos mostra que a restrição alimentar em porcas reprodutoras e frangos resulta, em muitos comportamentos anormais, tais como estereotipias (Lawrence e Terlouw; 1993). Appleby e Lawrence (1987) constataram que as estereotipias eram desenvolvidas em porcas apenas quando o seu consumo alimentar foi restringido. Em um experimento posterior, os mesmos pesquisadores concluíram que a quantidade de alimentos que as porcas da fazenda são alimentadas não é alta o suficiente para satisfazer a sua motivação para a alimentação (Lawrence et al., 1988). Eles concluíram ainda que a fome decorrente de uma dieta restritiva pode ser uma das principais causas de estresse em sistemas confinados. Bergeron e Gonyou (1997) constataram que as estereotipias eram desenvolvidas quando a dieta não tinha energia suficiente para evitar a fome. Resultados semelhantes foram encontrados em outros animais. Savory et al. (1992) constataram que restrição alimentar em galinhas matrizeiras resultava em estereotipias.
IMPORTÂNCIA DO ALIMENTO VOLUMOSO
É uma prática comum no setor de produção alimentar de frangos de corte e suínos com dietas altamente concentradas constituídas por grãos. Isto não compromete o bem-estar dos animais que são alimentados á vontade para o mercado, mas pode aumentar os problemas de bem-estar para animais reprodutores quando restrito em calorias. Os estudos com aves, suínos, e bovinos mostram que a incidência de comportamento anormal pode ser reduzida através do fornecimento de volumosos na dieta (Zuidhoff et al., 1995; Lawrence et al., 1989; Robert et al., 1993; Redbo e Nordblad, 1997). O volumoso contribui para reduzir as estereotipias e outros comportamentos anormais, porque altas dietas em volumosos podem ser restringidas em calorias e preencher a flora intestinal dos animais. Dietas com volumosos também necessitam de mais tempo para ser ingerida e satisfaz a motivação do animal para atividade da boca. No entanto, aumentar artificialmente o tempo de manejo alimentar, colocando correntes penduradas no comedouro não conseguiu reduzir o desenvolvimento de estereotipias (Bergeron e Gonyou, 1997). Os antepassados selvagens de frango e de suínos passam muitas horas bicando e fuçando para obter seus alimentos. Stolba e Wood-Gush (1989) relatam que os suínos domésticos criados em pastos e bosques exibem a maior parte dos mesmos comportamentos que os seus antecessores, o javali europeu. Os comportamentos utilizados para a obtenção de alimentos, tais como pastejo e fuçar ocuparam grande parte de cada dia. Mesmo que as porcas domésticas adultas utilizadas neste estudo saindo de um sistema intensivo de criação elas reverteram rapidamente os padrões de comportamento para forrageamento.
É importante fornecer alimento volumoso para suínos, pois permite o enchimento tanto do tubo digestivo e mantêm a boca em atividade. Alimentos grosseiros, como a palha, polpa de beterraba ou de casca de aveia pode melhorar o bem-estar dos animais reprodutores que devem ser mantidos com uma dieta restrita em calorias (Close et al., 1985). Zuidhoff et al. (1995) constataram que alimento concentrado misturado com 15% de casca de aveia aumentou o tempo necessário para consumir os alimentos pelos animais e reduziu o estresse. O estresse foi medido com um teste heterófilo/linfócitos. Dieta de grão por si só não é suficiente para reduzir a motivação à alimentação (Lawrence et al., 1989). Palha picada foi adicionada à ração e a fome foi medida pela contagem de quantas vezes o cachaço pressionava um painel para obter o alimento. A palha fornecida inteira aos suínos foi mais eficaz na redução do comportamento anormal do que a palha triturada. Estereotipias em porcas alojadas em celas individuais podem ser impedidas pela alimentação de pequenas quantidades de palha (Fraser, 1975). Granulados ou wafering de alimento volumoso diminui o banking/volume, em comparação com baled feno em cerca de 75% (Haenlein et al., 1966). Cavalos alimentados com rações peletizadas gastaram mais tempo mastigando a madeira e comendo estrume, em comparação com cavalos alimentados com feno (Willard et al., 1977).
A modificação da dieta através do fornecimento de volumosos que satisfaça a motivação para manipular e fornecer enchimento no intestino irá melhorar o bem-estar dos animais reprodutores que tenham sido geneticamente selecionados para ganhar grandes quantias de peso em um curto período de tempo. No entanto, alguns setores da indústria têm sido relutante em alimentar os animais com volumoso porque os volumosos são alimentos demasiadamente grosseiros para serem movidos através de alguns tipos de sistemas de alimentação automática. Eles também são mais caros para o transporte. Adicionando volumoso na dieta podem melhorar a produtividade. Galinhas matrizeiras alimentadas com uma dieta volumosa de 15% de caca de aveia tiveram maior produção de ovos do que galinhas alimentadas com grãos concentrados (Zuidhoff et al., 1995). Em Utah, produtores de suínos informaram que foi benéfico o fornecimento de cubos de alfafa, pois este aumentou o consumo de porcas alojadas em baias. Em muitas partes dos Estados Unidos a disponibilidade de volumoso está disponível localmente. Ensaios de alimento em quatro diferentes estações de pesquisas têm demonstrado que o alimento volumoso aumentou o número de leitões nascidos.
Embora a alimentação com volumoso possa reduzir a motivação da fome em alguns animais reprodutores altamente produtivos, pode não ser suficiente para manter o bem-estar. Tina Widowski, um especialista em bem-estar de animais da Universidade de Guelph, no Canadá, tem uma vasta experiência tanto com porcas reprodutoras e broiler breeder chickens / frangos criador frangos. Ela disse que os frangos são então altamente selecionados para apetite que eles não funcionam comportamentalmente como animais. “Há também alguns indícios de que porcas que produzem grandes ninhadas têm mais comportamentos estereotípicos (von Borell e Hurnick, 1990).
Há um ponto em que deveria haver um limite no cruzamento e na seleção de animais para o aumento da massa muscular, ovo, ou a produção de leite. Os autores temem que os animais possam se tornar altamente selecionados para um enorme apetite e que o seu bem-estar pode ficar pobre, mesmo quando são instalados e alimentados em condições ideais. É provável que a seleção indiscriminada para o aumento do apetite pode resultar em graves problemas de bem-estar animal para os animais de criação.
RESTRIÇÃO DE MOVIMENTO VERSUS RESTRIÇÃO ALIMENTAR
Quando o bem-estar animal está sendo discutido, o público em geral está muitas vezes mais preocupado com a restrição do movimento. Por exemplo, galinhas de postura estão alojadas em gaiolas, vitelos vivendo em baias, e vacas gestantes são mantidas em baias onde elas são incapazes de virar. As pesquisas mostram claramente que os animais estão motivados para a circulação (McFarlane et., 1988; Dellmeier em et., 1985); no entanto, as restrições de deslocamento pode ser menos estressante para os animais do que a restrição alimentar (Rushen, 1993; em Rushen et., 1993). Isto seria especialmente verdadeiro para animais geneticamente selecionados para elevado apetite. Isto não significa que a restrição de movimento não seja importante. Em um experimento, foram alojadas marrãs em gaiolas com dificuldade de poderem girar. No primeiro tratamento, os alimentos e a água foram posicionados no lado oposto da gaiola de modo que as marrãs teriam de virar-se, a fim de comer e beber. No segundo tratamento, a água e o comedouro foram colocados no mesmo final da gaiola. As marrãs que não tinham de virar-se realizaram este comportamento muitas vezes como as marrãs que tinham de virar-se, com a finalidade de comer ou beber (McFarlane et at., 1988).
Em outro experimento Dellmeier et al. (1985) constataram que vitelos alojados individualmente em pequenas baias por 6,5 semanas responderam com uma maior atividade quando foram testados em um campo aberto, em comparação com os vitelos alojados em grupos em um estaleiro. Os vitelos alojados em baias pequenas corriam em torno e chutavam os calcanhares quando foram soltos no teste na arena. Bezerros criados em baias em grande grupo não fazem isso. Devido ao fato de o campo aberto ser uma novidade a mais para os vitelos alojados em baias, Pasille et al. (1995) questionaram os resultados de Dellmeier et al. (1985). Eles declararam que Dellmeier et al. (1985) não tinha controlado o fator novidade na prova de arena. O primeiro autor tem observado que os bovinos mantidos em confinamento com amplo espaço e bovinos alojados individualmente em pequenas baias "dog run" apresentavam comportamentos diferentes quando soltos. Bovinos muito gordos criados em pequenos "dog run" de 3,5 metros de largura correram para cima e para baixo quando foram liberados. O aumento da atividade não pode ser explicado pelos efeitos da novidade. Ambos os grupos foram colocadas na mesma fazenda e o corredor estreito era visível a partir de suas baias. Nossas observações informais apóiam as conclusões de Dellmeier et al. (1985).

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