Giovanni reale



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“Doutrinas não-escritas”


1. Importância da componente místico-religioso-ascética do platonismo

II. A imortalidade da alma, os seus destinos ultraterrenos e a sua reencarnação

1. As provas da imortalidade da alma - 2. Os destinos escatológicos da alma - 3. A metempsicose

III. A nova moral ascética


1. O dualismo antropológico e a significação dos paradoxos

com ele conexos - 2. A sistematização e fundamentação da

nova tábua de valores - 3. O anti-hedonismo platônico - 4.

A purificação da alma, a virtude e o conhecimento

IV. A mística de philía e eros

1. A amizade (philía) e o “Primeiro Amigo” - 2. O “amor

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platônico”

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V. Platão profeta?



VI. A componente ético-religiosa do pensamento platônico e suas

relações com a protologia das “Doutrinas não-escritas”

Quarta seção / A componente política do platonismo e seus nexos com a protologia das “Doutrinas não-escritas”

1. Importância e significação da componente política do platonismo

1. As afirmações da Carta VII - 2. Diferença entre a concep ção platônica e a concepção moderna da política

II. A “República” ou a construção do Estado ideal

1. Perspectivas de leitura da República - 2. O Estado perfei to e o tipo de homem que a ele corresponde - 3. O sistema de comunidade de vida dos guerreiros e a educação da mulher no Estado ideal - 4. O filósofo e o Estado ideal - 5. A educação dos filósofos no Estado ideal e o “conhecimento máximo” - 6. Os Estados corrompidos e os tipos humanos que lhes correspondem - 7. O Estado, a felicidade terrena e a supra-terrena - 8. O Estado no interior do homem

III. O homem de Estado, a lei escrita e as constituições

1. O problema do Político - 2. As formas possíveis de cons tituição - 3. O “justo meio” e a arte política

IV. O “segundo Estado” das LEIS

1. A finalidade das Leis e sua relação com a República - 2. Alguns conceitos fundamentais das Leis

V. A componente política do pensamento platônico e suas rela ções com a protologia das “Doutrinas não-escritas”

Quinta seção / Conclusões sobre o pensamento platônico

1. O “mito da caverna” como símbolo do pensamento platônico em todas as suas dimensões fundamentais

II. Vértices do pensamento de Pia tão, pontos de referência na história do pensamento ocidental

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Segunda parte

ARISTÓTELES E A SISTEMATIZAÇÃO DO SABER

FILOSÓFICO

Primeira seção / Relações entre Aristóteles e Platão.

Prosseguimento da “segunda navegação”

1. Premissa crítica: o método histórico-genético e a moderna interpretação do pensamento aristotélico

II. Tangências entre Aristóteles e Piarão: a verificação da “se gunda navegação”

III. As diferenças entre Piatão e Aristóteles Segunda seção / A metafisica e as ciências teoréticas

1. A metafTsica

1. Conceito e características da metafísica - 2. As quatro

causas - 3. O ser e os seus significados e o sentido da

fórmula “ser enquanto ser” - 4. A tábua aristotélica dos

significados do ser e a sua estrutura - 5. Especificações

sobre os significados de ser - 6. A questão da substância -

7. A questão da “ousía” em geral: a forma, a matéria, o sínolo

e as notas definidoras do conceito de substância - 8. A “for ma” aristotélica não é o universal - 9. O ato e a potência -

10. Demonstração da existência da substância supra-sensível

- 11. Natureza do Motor Imóvel - 12. Unidade e multipli cidade do Divino - 13. Deus e o mundo

II. A física

1. Caracterização da física aristotélica - 2. A mudança e o

movimento - 3. O espaço e o vazio - 4. O tempo - 5. O

infinito - 6. A “quintessência” e a divisão do mundo sublunar

e celeste

III. A psicologia

1. O conceito aristotélico de alma - 2. A tripartição da alma

- 3. A alma vegetativa - 4. A alma sensitiva - 5. A alma

racional


IV. A matemática

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Terceira seção / As ciências práticas: ética e política

1. A ética 405 1. O destino da filosofia aristotélica 495

1. Relações entre ética e política - 2. O bem supremo do II. Vértices e aporias da filosofia aristotélica 498

homem: a felicidade - 3. Dedução das “virtudes” a partir das

“partes da alma” - 4. As virtudes éticas - 5. As virtudes

“dianoéticas” - 6. A perfeita felicidade - 7. A amizade e a

felicidade - 8. O prazer e a felicidade 9. Psicologia do

ato moral

II. A política 432

1. Conceito de Estado -2. A administração da família -3.

O cidadão - 4. O Estado e suas formas possíveis - 5. O

Estado ideal

Quarta seção / A fundação da lógica, a retórica e a poética

1. A fundação da lógica 449

1. Conceito de lógica ou “analítica” - 2. O quadro geral dos

escritos lógicos e a gênese da lógica aristotélica - 3. As categorias, os termos, a definição - 4. As proposições (o Sobre a interpretação) - 5. O silogismo - 6. O silogismo científico ou demonstração - 7. O conhecimento imediato

- 8. Os princípios da demonstração - 9. O silogismo dia- lético, os silogismos erísticos e os paralogismos - lO. A lógica e a realidade

II. A retórica 471

1. A gênese platônica da retórica aristotélica - 2. A defini ção da retórica e suas relações com a dialética, com a ética e com a política - 3. Os diferentes argumentos de persuasão

- 4. O entimema, o exemplo e as premissas do silogismo retórico - 5. Os três gêneros de retórica - 6. A tópica da retórica - 7. Conclusões sobre a Retórica

III. A poética 484

1. O conceito de ciências produtivas - 2. A mimese poética

- 3. O belo - 4. A catarse

Quinta seção / Conclusões sobre a filosofia aristotélica

ADVERTÊNCIA

Este segundo volume da História da filosofia antiga trata de Platão e de Aristóteles e, portanto, das mais notáveis altitudes alcan çadas pelo pensamento dos gregos.

A estes dois aufores sempre dedicamos numerosas e amplas pesquisas, mas só nos anos oitenta conseguimos obter uma visão global de Platão que nos satisfaz plenamente, em particular com o volume Per una nuova interpretazione di Platone. Rilettura deila metafisica dei graridi diaioghi alia luce deile “Dottrine non scritte”, do qual publicamos na editora Vita e Pensiero, em 1991, a décima edição em redação definitiva (edição parcial 1984; edição inteira mente refundido e ampliada /986, e entre /986 e 1991, outras oito edições)

Che gamos a essa visão global não só por meio de uma série de trabalhos feitos no passado, mas sobretudo em seguida ao volume que H. Krãmer redigiu atendendo ao nosso convite: Platone e i fondamenti della metafisica, e que traduzimos e publicamos na edi tora Vita e Pensiero era 1982 (19872). Para completar este volume tivemos de traduzir também todos os principais testemunhos sobre as “Doutrinas não-escritas” platônicas que nos foram transmitidos pela tradição indireta (alguns pela primeira vez em italiano) e, por con seguinte, fomos levados a reestudar essa problemática, com a reavaliação sistemática dessa tradição e com uma série de exames analíticos e de pormenor. Lembramos que Kriimer voltou depois a essa temática no volume La nuova immagine di Platone, Bibliopolis, Nápoles, 1986. Além disso, examinou minuciosamente o nosso volu me sobre Platão, exprimindo sobre ele o juízo da escola de Tübingen no artigo: “Mutamento di paradigma neile ricerche su Platone. Riflessioni intorno ai nuovo libro su Platone di Giovanni Reale”, na Rivista di Filosofia neoscolastica, 78 (1986), pp. 341-352, agora republicado como Apêndice a nosso volume.

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ADVER1ENC ADVER

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Ademais, em 1985, Th. Szlezák publicou o volume Piaton und die Schriftlichkeit der Philosophie (De Gruyter, Berlim), que inverte o modelo tradicional da leitura de Pla tão e, embora partindo de um ponto de vista diferente, chega a conclusões hermenêuticas perfeita mente convergentes com as conclusões fundamentais da Escola de Tiibingen, ou seja, com as investigações de H. Kriimer e de K. Gaiser. Szlezák parte das grandes páginas finais do Fedro, nas quais Platão faz uma crítica sistemática de toda espécie de escritura (e, portanto, também da forma dialógica dos próprios escritos) e mostra como essas páginas contêm os cânones basilares segundo os quais reler tudo quanto Platão nos deixou por escrito. Todo diálogo de Platão tem necessidade de um “socorro” que tem em vista um plano mais elevado, em função de “coisas de maior valor”. E não só a parte de um diálogo tem necessidade do socorro de outra parte do mesmo diálogo que recorre exatamente a “coisas de maior valor”, mas muitas vezes um diálogo tem necessidade do socorro de coisas de maior valor ditas em outro diálogo e todos os diálogos, em se tratando dos fundamentos supremos, remetem à ora lidade dialética. Platão pôde conceber, estruturar e compor os seus diálogos dessa maneira, e pôde tomar em face deles a atitude que tomou, justamente sobre o fundamento das verdades últimas, adquiridas na dimensão da oralidade. Nesse sentido compreende-se perfeitamente o que nos diz Platão, justamente no Fedro, a saber, que só é filósofo aquele que não consigna nos seus escritos as coisas supremas de maior valor. Já traduzimos e publicamos o volume na editora Vita e Pensiero (1988) com o título Piatone e la scrittura deila filosofia. Analisi di struttura dei dialoghi delia giovinezza e deita maturità alia luce di un nuovo paradigma ermeneutico, com uma Introdução nossa na qual discuti mos amplamente os fundamentos hermenêuticos da obra (19892).

O já mencionado Gaiser publicou, em 1984, o volume Platone come scrittore filosofico. Saggi suil’ermeneutiCa dei diaioghi piatonici (Bibliopolis, Nápoles) e entregou-nos, em 1986, o volume La metafisica delia storia in Piatone (que lhe havíamos solicitado em nome do “Centro di Ricerche di Metafisica”) e que apresenta, com numerosos retoques e atualizações, as importantes análises feitas anteriormente por ele sobre esse tema, em função do novo modelo de interpretação de Platão, isto é, com a releitura dos diálogos à luz das “Doutrinas

não-escritas”. Traduzimos e publicamos esta obra com uma ampla introdução na editora Vita e Pensiero em 1988 (J99J2)•

Lembramos também o notável volume de V. Hõsle, Wahrheit und Geschichte. Studien zur Struktur der Philosophiegeschichte unter paradigmatischer Analyse der Entwickiung von Parmenides bis Piaton, Stuttgart, Bad Canstatt 1984, que aceita em larga medida e utiliza com fruto o novo tipo de leitura de Platão.

Ainda na Alemanha, em 1987, M. Erler publicou o volume Der Sinn der Aporien in den Dialogen Platons (do qual patrocinamos a tradução italiana e respectiva publicação com nossa introdução II senso deile aporie nei diaioghi di Platone, Vita e Pensiero, Milão, 1991) e K. Albert publicou, em 1989, um belo ensaio Uber Platons Begriff der Philosophie (do qual igualmente patrocinamos a tradução italiana e publicação com introdução nossa: Sul concetto di filosofia in Platone, Vita e Pensiero, Milão, 1991). Ambos movem-se no âm bito do novo modelo interpretativo de Platão.

Na Itália devem-se assinalar em particular: M. Migliori, Dialettica e Veritá. Commentario filosofico ai “Parmenide” di Platone, Vita e Pensiero, Milão, 1990, e G. Movia, Apparenze, Essere e Veritã. Commentano storico-filosofico ai “Sofista” di Platone, Vita e Pensiero, Milão, 1991, que proporcionam notáveis releituras destes diálogos à luz do novo modelo hermenêutico.

Por fim, recordamos que também na França se difunde o novo paradigma hermenêutico. Uma pesquisadora ligada à escola de P. Hadot, M. D. Richard, publicou um bem documentado volume intitu lado L’enseignement oral de Platon. Une nouvelle interprétation du platonisme, Paris, 1986, com a primeira tradução francesa dos tes temunhos da tradição indireta sobre as doutrinas não-escritas de Platão (e justamente na França - lembremos - no início deste século L. Robin vislumbrara o novo paradigma na obra La théorie platonicienne des Idées et des Nombres d’aprês Aristote, 1908, que permaneceu então sem ulteriores desenvolvimentos).

Os anos oitenta assinalam, portanto, um progressivo ampliar-se e impor-se de um novo modelo de leitura de Platão, e pareceu-nos ser já tempo de integrar e apresentar também no nível da síntese o novo modelo de interpretação em razão de motivos que teremos ocasião de explicar e dos quais, em todo o caso, o leitor poderá

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ADVERTENCIA ADVERTÊNCIA



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encontrar no nosso volume Per una nuova interpretazione di Platone todos os aprofundamentos específicos e analíticos.

De outra parte, já no final dos anos cinqüenta, Albin Lesky, na sua bela Storia delia letteratura greca escrevia sem meias palavras que, não obstante ter Platão criado com os seus diálogos algo inigualável na literatura grega, julgou-os, enquanto palavra escrita, inferiores ao logos vivo do docente que fecunda a alma do discente, e na Carta VI diz-nos expressamente que sobre o fim supremo da própria filosofia nunca escreveria nada. Por conseguinte, afirma Lesky, “é necessário manter firmemente que estes diálogos, cheios de pro funda gravidade nwral e do autêntico eros do pesquisador, sob outro aspecto envolvem a parte essencial da filosofia platônica como uma simples superestrutura” (p. 663 da edição italiana). E explica mais exatamente: “Platão afirmava que seus escritos não continham toda a sua doutrina. O que ele escreveu depois do seu primeiro retorno da Sicília deve ser visto tendo como pano de fundo o trabalho da Academia” (p. 686). Como veremos, Nietzsche já intuíra essa tese, mas somente nos nossos dias ela está se impondo sistematicamente e nós a demonstraremos concretamente.

O fulcro da descoberta metafísica do supra-sensível (que Pla tão apresentou como fruto da sua “segunda navegação”) permanece para nós, como nas primeiras edições, o ponto a ser aprofundado para se entender Platão; mas, com o novo modelo interpretativo que apre sentamos, essa descoberta se torna mais clara nos moldes que expli caremos amplamente.

Essa conquista do supra-sensível constitui, segunda o nosso pa recer, não somente o estágio fundamental do pensamento antigo - o qual se caracterizará justamente, como veremos, segundo a manei ra com a qual aceitará, depois perderá e finalmente tornará a reaver o sentido daquele estágio -; mas, mais geralmente, constitui uma pedra miliar no curso da filosofia ocidental pelos motivos que tere mos ocasião de expor com exatidão no curso da nossa explanação:

essa a razão pela qual, ao expor a ontologia platônica, aprofundamos uma série de temas e problemas que normalmente, em trabalhos de síntese conw o nosso, não são considerados. Com efeito, apresenta mos um Platão, por assim dizer, tridimensional, porque pareceu-nos que as três interpretações fundamentais propostas no decorrer dos

séculos revelam três faces reais do nosso filósofo, três componentes essenciais do seu pensamento: teorética, místico-religiosa, política; e cada uma dessas componentes assume o significado peculiar e genui namente platônico exatamente tendo como fundamento a “segunda na vegação”. Mostramos, porém, como somente à luz das “Doutrinas não- escritas” que nos são transmitidas pela tradição indireta, essas três componentes (e, em particular, a própria “segunda navegação”) adqui rem um sentida acabado e como somente dessa forma se chega à ima gem unitária do pensamento de Platão, tão arduamente buscada.

A interpretação de Aristóteles aqui proposta depende, em larga medida, da interpretação de Platão. Aristóteles, segundo nos parece, desde que seja lido sem preconceitos, apresenta-se nos núcleos es senciais do seu pensamento, não como antítese mas, antes, como realização da verdade de Platão. A imagem da antítese, tão bem representada por Rafael na sua “Escola de Atenas” (que reproduzi mos na capa com o respectivo “esboço” na contracapa) que repre senta Platão apontando o céu (ou seja, a metafísica transcendente) com a mão, e Aristóteles com a mão voltada para a terra (ou seja, para os fenômenos do mundo empfrico) é, na realidade, a imagem da interpretação que o Humanismo e o Renascimento formaram dos dois filósofos, a saber, a imagem do conflito entre o espiritualismo das humanae Iitterae (do qual Platão foi feito emblema) e o natura lismo da ciência (do qual Aristóteles foi feito símbolo). Haveremos de ver, ao contrário, que Aristóteles foi o único dos pensadores próxi mos a PIa tão que desenvolveu - ao menos em parte - a sua “se gunda navegação”, levando-a adiante por certo trajeto. Naturalmen te a nova interpretação de Platão implicaria desenvolvimentos ulte riores e aprofundamentos das relações entre o sistema aristotélico e o sistema platônico, que não podem, no entanto, ser levados a cabo numa síntese como a nossa, porquanto teriam de levar em conta a compreensão das polêmicas de Aristóteles contra Platão e as raízes exatas das doutrinas aristotélicas nas “Doutrinas não-escritas” de Platão. Doutra parte, a interpretação sistemático-unitária de Aristó teles que sempre sustentamos converge de modo paradigmático para a nova interpretação sistemático-unitária de Platão, e por isso julga mos inúteis ulteriores modificações e acréscimos.

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ADVERTÊNCIA -



ADVERTENCIA

A leitura sistemático-unitária das obras esotéricas de Aristóteles (as únicas que chegaram até nós), depois de ter sido contestada a partir de 1923, tornou a impor-se não somente como lícita, mas ainda como a única possível por razões sobre as quais insistiremos. Iremos, pois, reler Aristóteles segundo uma chave sistemático-unitá ria, e desceremos mesmo à análise de alguns pontos doutrinários particulares que habitualmente são reservados às exposições monográficas, porque somente desse modo podem vir à luz os dois sinais distintivos do seu pensamento, quais sejam o modo segundo o qual ele busca superar e realizar a verdade das instâncias socrático pia tônicas e o modo segundo o qual cria formalmente o sistema do saber filosófico.

Lembramos, finalmente, que para o amadurecimento das teses sobre Aristóteles defendidas neste volume foi decisivo para nós o livro Ii concetto di filosofia prima e l’unità delia Metafisica di Aristotele, Vita e Pensiero, Milão, 1961 (1984w; tradução inglesa de

J. Catan, State University of New York Press, Albany, 1980) e o trabalho de tradução e comentário da Metafisica de Aristóteles (2 vols., Loffredo, Nápoles, 1968, 19782).

Ao leitor interessado indicamos igualmente duas obras sobre o pensamento do Esta girita por nós publicadas e que podem servir de complemento à presente síntese. Para a coleção ‘1 Filosofi” do edi tor Laterza publicamos uma Introduzione ad Aristotele (Bari, 1974; J99j6; tradução espanhola de V. Bazterrica, Editorial Herder, Bar celona, 1985) que, embora retomando (quase sempre de maneira resumida) partes desta História, oferece uma série de complementos sobre a formação de Aristóteles, sobre os escritos exotéricos, sobre o destino de Aristóteles, bem como uma ampla bibliografia. Para a coleção “Filosofi antichi” do editor Loffredo publicamos a primeira versão italiana (edição bilíngüe, monografia introdutória, comentá rio crítico, bibliografia explicativa completa e o primeiro índice in tegral do texto grego) do Trattato sul Cosmo per Alessandro (Nápo les, 1974) cuja autoria (embora na forma de hipótese de trabalho, mas já acuradamente verificada mesmo nos pormenores) atribuímos a Aristóteles como obra escrita em estilo exotérico em vista das aulas que ele ministrou a Alexandre, quando chamado à corte macedônia como preceptor do príncipe.

xx’


Remetemos o leitor que deseje ulteriores justificativas das inter pretações de Aristóteles que aqui apresentamos a todos esses traba lhos, assim como remetemos, para os aprofirndamentos da interpre tação que propomos de Platão, ao volume Per una nuova interpretazione di Platone, essencial para o entendimento de todas as inovações que, a partir da quinta edição, introduzimos nessa nossa História da filosofia antiga.

GIOVANNI REALE

PRIMEIRA PARTE

PLATÃO E A DESCOBERTA DA CAUSA

SUPRA-SENSÍVEL

A “SEGUNDA NAVEGAÇÃO”

E... TÓV SEt TTXOOV hri T TfiÇ aiTtaç

TT1GLV T -rrElTpayI.iáTEUIlcXI OúÀEt oot.

ii1i iron L

“ queres que te exponha, ó Cebes, disse, a segun-. da navegação que empreendi em busca dessa cau sa?”

Platão, Fédon, 99 c-d

Herma de platão com inscrição do nome, conservada nos Museus do Estado de Berlim N.B. - O modelo originário do retrato de Platão foi obra do escultor Silanion, colo cado na Academia pouco depois da morte do filósofo (cf. Diógenes Laércio, III, 25). As cabeças de Aristóteles apresentadas nesta obra são consideradas pelos estudiosos reproduções de um modelo originário, obra de Lisipo ou da sua escola, feito enquanto o filósofo ainda era vivo.

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1. A MEDIAÇÃO TENTADA POR PLATÃO ENTRE “ESCRITURA” E “ORALIDADE” E A RElAÇÃO ESTRUTURAL ENTRE “ESCRiTO” E

“NÃO-ESCRiTO”

1. Por que é necessário superar o critério tradicional e adquirir um novo critério para compreender o pensamento

de Platão

É hoje convicção universal que Platão’ Constitui o vértice mais alto atingido pelo pensamento antigo. Mais ainda, permanecendo no

Platão nasceu em Atenas, em 427 a.C. O seu verdadeiro nome era Aristocles (nome do seu avô), e Platão era um apelido. Diógenes Laércio, III, 4, refere-nos:

Aristo, lutador proveniente de Argos, foi seu mestre de ginástica, do qual recebeu o nome de Platão, pelo seu vigor físico; antes chamava-se Aristocles, nome do seu avô, como diz Alexandre, na Sucessão dos filósofos. Outros sustentam que ele tomou o nome de Platão pela amplidão do seu estilo; ou porque era larga a sua fronte, como diz Neanto”. (Recorde-se que, em grego, rrXáro significa amplidão, largura, extensão, e desse termo deriva Platão.) O pai orgulhava-se de contar entre os seus ancestrais o rei Crodo, a mãe, de um parentesco com Sólon. Era, portanto, óbvio que Platão, desde a juventude, visse na vida política o seu ideal: a família, a inteligência e as atitudes pessoais, tudo o movia naquela direção. Este é um dado biográfico, melhor, existencial, absolutamente essencial, que incidirá, de maneira profunda, na própria substância do seu pensamento.

Aristóteles (Metafísica, A 6) refere-nos que Platão foi primeiro discípulo do heraclitiano Crátilo e, depois, de Sócrates (o encontro de Platão com Sócrates deu-se provavelmente em tomo dos vinte anos). E certo, porém, que Platão freqüentou Sócrates, num primeiro momento, com a mesma intenção da maioria dos outros jovens, isto é, não para fazer da filosofia o escopo da própria vida, mas para preparar-se melhor, através da filosofia, para a vida política. Posteriormente os acontecimentos deram outro rumo à vida de Platão.

Platão deve ter tido um primeiro contato direto com a vida política em 404-403, quando a aristocracia tomou o poder e dois dos seus parentes, Cármides e Crítias, parti ciparam como personagens de destaque do govemo oligárquico: mas deve ter sido, indubitavelmente, uma experiência amarga e decepeionante, por conta dos métodos faceiosos e violentos que Platão viu serem postos em ação, justamente por aqueles nos quais confiara.

Mas o desgosto com os métodos da política praticada em Atenas deve ter chegado ao cume em 399, quando Sócrates foi condenado à morte. E pela condenação de Sócrates foram responsáveis os democratas (que tinham retomado o poder). E assim Platão convenceu-se de que, naquele momento, era melhor manter-se longe da militância política.

8 PLATÃO E A DESCOBERTA DO SUPRA-SENSÍVEL

“ESCRITURA” E “ORALIDADE” SEGUNDO PLATÃO 9



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