Havia uma escola no meio do caminho



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HAVIA UMA ESCOLA NO MEIO DO CAMINHO

Flávio José de Oliveira Silva - Mestrando do PPGED/UFRN



flaviojose@rn.gov.br

Profª Drª . Marlúcia Menezes de Paiva – Orientadora - PPGED/UFRN

marlup@ufrnet.br

Palavras – Chave: Escola. Etnia. Diversidade. Interculturalidade.

O presente artigo propõe evidenciar resultados de um trabalho investigativo referente ao encontro de um grupo de Ciganos denominados Calon, com a instituição de ensino - Escola Municipal Domingas Francelina das Neves, na cidade de Florânia, interior do estado do Rio Grande do Norte, no território do Seridó, ocorrido na década de 1980.

A pesquisa traduz um trabalho de investigação resultante de intensas buscas de fontes documentais, tendo sido constituído um corpo empírico, com materiais de leituras no Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Florânia, como as atas de registro de imóveis e licença para construção; arquivo da escola, livros de atas de reuniões, diários de classe, atas de resultados finais, fotografias, filmagens, cadernos de anotações, jornais e documentos pessoais.

A fundamentação teórica do trabalho partiu do pensamento de Martinez (1989) que, em sua obra Os ciganos propõe uma nova abordagem sobre esse povo e sua história, entrecruzando as teorias que explicitam a origem, o percurso e a dispersão dos ciganos pelo mundo. Relata ainda em sua obra, os comportamentos culturais, como os traços materiais artísticos, espirituais, comuns, transmissíveis e os traços que as mudanças sociais das culturas vizinhas e a mobilidade social ascendente não conseguiram fazer desaparecer. A pesquisadora ainda lança mão de uma nova discussão sobre a situação dos ciganos no mundo atual quando expressa

Será que esses grupos que antes, nos campos erravam da fazenda para o vilarejo e de cidade em cidade, e nas favelas dos centros urbanos, formam uma ilha social ou uma minoria étnica? (MARTINEZ, 1998, p. 28).

Na sua contribuição, a autora aponta para as pesquisas acadêmicas ainda insipientes nesta temática, postulações sobre os autores e trabalhos científicos que contribuíram para a compreensão dos povos nômades e populações flutuantes no mundo moderno. De outro modo, no ano de 1999, a pesquisadora Márcia Ondina Vieira Ferreira, publica na Revista Brasileira de Educação, um trabalho de investigação denominado “Identidade Étnica: condição marginal e o papel da educação escolar na perspectiva dos ciganos espanhóis”, onde introduz um debate sobre a influência da educação escolar na vida dos ciganos da Espanha, fazendo um estudo comparativo com o sistema de ensino da região sul do Brasil que assiste aos ciganos do grupo Kalderash e evidencia seus diversos conflitos no campo da educação. Conclui seu trabalho com uma afirmação consistente, afirmando que

Só uma educação intercultural, voltada a valorização da convivência e dos valores culturais das pessoas das diferentes etnias, pode garantir êxito das crianças das camadas populares na instituição escolar. (FERREIRA, 1999. p. 59).

Propõe também, aspectos de uma nova posição da cultura escolar, que implica na possibilidade de que a instituição de ensino pudesse avançar de um viés monocultural para uma possibilidade de interculturalidade social.

A escola no meio do caminho...

Na cidade de Florânia, estado do Rio Grande do Norte, a década de 1980 foi marcada decisivamente pelo crescimento urbano, resultado do movimento migratório ocasionado pelo êxodo rural. As famílias de agricultores buscavam na cidade alternativas para sobrevivência e passavam a residir em condições precárias nas áreas de entorno e construíam pequenos bairros. O município contava com uma população estimada em 11.621 habitantes (IBGE 1980), e uma economia baseada na agricultura de subsistência e na pecuária. Portanto, a cidade ainda caracterizava um perfil de atraso social, pela ausência de estruturas necessárias a uma municipalidade. A criação da Escola Municipal Domingas Francelina das Neves e seu funcionamento ocorreram neste contexto e a ausência de um planejamento urbanístico, agravou a qualidade de vida desses agricultores que chegavam encantados com o mundo urbano. O Decreto Municipal nº 003 do dia 17 de janeiro de 1986, assinado pelo então prefeito municipal Sr. Nicomar Ramos de Oliveira, cria a referida escola, possibilitando o ingresso de crianças filhas de agricultores e alguns ciganos que costumeiramente, passavam no lugar, já conhecido como Bairro Rainha do Prado.

Os primeiros ciganos que conseguiram construir suas casas na localidade foram respectivamente os senhores Francisco Carnaúba Filho, Luiz Gonzaga Soares da Costa e Francisco Soares da Costa. Os requerimentos de aforamento terrenos – documentos de certidão que dá o direito de posse ao terreno foram assinados a rogo pela servidora Maria Luciene de Medeiros, secretária do Prefeito; José Laurentino de Medeiros – Fiscal Municipal e Inácio Carolino Ribeiro – Funcionário da Prefeitura. Isso ainda, na gestão anterior a fundação da Escola em referência.

Os ciganos construíram suas casas com a ajuda financeira da Prefeitura Municipal e combinaram em denominar a área como Praça Calon – etnômio do grupo de ciganos. Com o passar dos anos, o grupo foi crescendo com a chegada de novos familiares e assim, o espaço foi sendo ocupado e formando um quadrilátero em torno da Praça Calon.

A Escola Municipal Domingas Francelina das Neves ganhou a denominação em homenagem a uma senhora, avó do prefeito, que segundo informações prestadas por Francisca Costa

era uma senhora religiosa, católica, casada com um rico fazendeiro, de nome Higino Gomes da Silva, e que promovia em sua fazenda Marias Pretas, missas e batizados, recebendo até por algumas vezes, o Bispo da Diocese. Era uma mulher letrada, assinante do Jornal A República, o que a diferenciava das outras mulheres da região. Ela até catequizava as crianças da região. (COSTA, 2000.)

Ao longo de sua existência, a Escola Municipal apresentava problemas de evasão e repetência em alto número, o que nos chamou a atenção para um estudo investigativo e percebemos que desde o primeiro ano de seu funcionamento, a instituição recebia alunos oriundos de dois grupos sociais distintos: ciganos e não ciganos. As primeiras professoras foram as senhoras Edith Florentino e Terezinha Dantas. As orientações para sua estruturação vieram do Órgão Municipal de Educação, composta de dois técnicos e de uma diretora geral que traçou e definiu as linhas de ações da Escola, bem como o planejamento pedagógico, as aulas e a normatização da instituição.

Por se tratar de um trabalho que incluía um grupo étnico cigano na prática pedagógica, as professoras tiveram muitas dificuldades no processo de alfabetização. Segundo a professora Terezinha Dantas

[...]eles eram muito carentes, pobres e trabalhosos. [...] Haviam muitas brigas entre eles, que não se afinavam com os outros. Quando a gente alfabetizava eles, ganhava a simpatia deles [...] Eles viviam saindo da escola, viajavam e quando voltavam estavam mais atrasados dos que quando vieram. Quase nenhum passava de ano. [...] Era muito grande a evasão. Em todas as séries. No primeiro ano tinha 25 alunos e na primeira série, e na segunda série, tinham 22 matriculados. Era misturado cigano e não cigano. (DANTAS, 1999).

O relato da professora nos remete a uma reflexão sobre a problemática vivenciada por todos os sujeitos envolvidos na instituição de ensino. Se de um lado havia dificuldades na condução do processo e ensino, por outro, conflitos de identidade étnica e cultural que afetada decisivamente a aprendizagem das crianças ciganas na escola.



E esses ciganos afinal?

Investigar os ciganos, sua cultura, sua educação, significa ao pesquisador adentrar num universo de mistérios e de surpresas recorrentes, pois desde nossa infância, o mundo dos errantes preenche nossas mentes com imagens do desconhecido, abismos do inconsciente, sonhos e fantasias que estão envoltos de possibilidades de reflexões.

Quando imaginamos ou nos deparamos com ciganos, aspectos do belo, do festivo e também do temor ascende em nossas mentes. São sentimentos e lembranças que nos retornam à infância nos lugarejos, nas fazendas, nas férias escolares, lembranças que nos remetem a saudades dos nossos familiares.

Nossos avós, nossos pais, viveram fortemente estes sentimentos carregados de alusões ao significado do ser e do existir do cigano. Por isso, nos vem a mente os nossos antepassados que contavam as aventuras do desconhecido. E nesse desconhecido estavam presentes os ciganos que preenchiam seus imaginários com os medos dos perigos, com suas pragas e com seus castigos. Quem não temeu o cigano que advinha a vida das pessoas? O cigano que lê o futuro na palma da nossa mão?

Muitos desses universos, os ciganos escondem muitos segredos, temores e sofrimentos. Condenados a viverem à margem das sociedades, são frequentemente vitimados pela ausência de direitos sociais e se tornaram invisibilizados, famintos, mendigos, sábios, diversos, guerreiros da vida, e até estudantes.

A diversidade de vida que circunda o mundo cigano nos leva a confundi-los com outros tipos de nômades: estão em vários lugares, e muitas vezes nem percebemos. Encontramos ciganos em circos, em teatros, parques de diversões. São músicos, artistas, artesãos, poetas, operários, professores, profissionais liberais, funcionários públicos, atores e atrizes da televisão, e até mesmo empresários. Costumeiramente, as mídias somente exibem realidades de vida de alguns grupos opulentos de riquezas materiais. Por outro lado, há uma tendência generalista que busca uniformizar o termo cigano. Os dicionários elencam muitos significados para essa gente. São muitas as denominações dos grupos ou clãs. Para alguns estudiosos, a denominação mais correta desse povo seria Rom ou Roma, Sinti ou Manouch, mas outros pesquisadores os trata e os subdivide em grupos como Kalderash, Moldowaia, Sibiaia, Roraranê, Hitalihiá, Mathiwia, Kalê, Caló ou Calon.

Neste trabalho, nos reportamos somente a um grupo étnico que se denomina Calon. Os Calon que por dias a fio foram observados, entrevistados, fotografados, filmados, incomodados e tiveram suas histórias de vidas invadidas pela nossa curiosidade no nosso percurso investigativo. São aos Ciganos Calon descendentes das famílias Carnaúba, Targino, Soares, que aportaram na cidade de Florânia – Rio Grande do Norte/RN, nos anos 1980 do século XX, a quem nos referimos o tempo inteiro no nosso trabalho. Os ciganos da Praça Calon.

Chapéus, Roupas coloridas, jóias, lenços, pés em botas ou descalços. Esse povo “errante” que possui as estradas como morada, as cidades como passagens e a imagem de si na vida, nos leva a navegar em mares de ansiedades, de outras descobertas e de novas construções historiográficas.

A história da história do povo cigano no mundo ainda é uma incógnita. Muitos pesquisadores considerados “ciganólogos” se ocuparam deste estudo somente em fins do século XIX, e a história dos grupos errantes ou populações flutuantes passa a ser narrada de forma contraditória e muitas vezes enganosa. Examinavam-se os fenômenos ligados ao imaginário como sendo objeto de medo, ódio, objeto de amor, desejo do inconsciente ocultando suas realidades. Embora não tendo a pretensão de tornar explicito neste trabalho a discussão sobre a origem, migrações, dispersões, demografia e a presença de grupos e subgrupos dos ciganos e suas diversas representações, propomos então o debate de um recorte que tem como objeto, estabelecer s relações entre o processo de educação escolar e as práticas culturais dos ciganos.

Os ciganos da Praça Calon da cidade de Florânia, não muito deferentes de outros ciganos do nosso país, se caracterizam como sendo seminômades, com traços culturais diferenciados, com costumes e tradições próprios de um grupo subordinado socialmente, são oriundos de povos antigos, nômades e possuidores de subculturas, das sociedades globais. Na maioria são eles moradores de áreas demarcadas pela linha de pobreza e conseqüentemente marginalizada, apresentam geralmente, índices de baixa escolaridade, escassez de documentação, multiplicidades de situações de vida precária, ausência de vínculo empregatício, péssimas condições de habitação e saneamento básico, retratos vivos das populações excluídas.

No ano de 1993, o antropólogo Franz Moonem realizou um trabalho de estudo sobre os ciganos da Paraíba, e escreveu um ensaio apontando que, aquele estado da federação, tem sua maior concentração de ciganos na cidade de Souza, no sertão do Alto Piranhas, a 420 km da capital João Pessoa. Sua intenção no momento era obter informações para um inquérito civil sobre as violações dos direitos dos ciganos naquela cidade. Confirmou em sua investigação que

Os ciganos de Souza pertencem ao grupo Calon, ou seja, são descendentes de ciganos portugueses que, em séculos passados, migraram voluntaria ou compulsoriamente para o Brasil. Os sobrenomes mais comuns são Pereira, Ferreira, Lopes, Costa, Carvalho, Torquato, Figueiredo e Alves, prova mais do que suficiente de sua origem portuguesa. (MOONEM, 2008, p. 02.)

Observando o percurso da história da vida nômade dos ciganos, percebe-se que poucos se interessaram pela educação escolar dos seus filhos. A escola enquanto instituição de ensino, pouco representou para estes indivíduos que utilizam como canal de aprendizagens, a cultura construída no seio do grupo repassada de geração em geração. Sabe-se que os ciganos do Grupo Calon não possuem sua história escrita nem tampouco suas memórias esboçadas em grafias, como outros grupos sociais e observa-se que eles guardam na memória/mente os seus segredos, suas histórias e parte de sua identidade. Le Goff (1994), em sua obra História e Memória, alude a vários estudiosos e coloca em xeque a distinção entre memória específica, memória étnica e memória artificial, situando-as no campo específico da história da humanidade. Para ele

[...] a memória é um elemento essencial do que se costuma chamar de identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, [...] não é somente uma conquista, mas um instrumento de poder. (LE GOFF, 1994, p. 476).

Assim, faz uma relação entre o pensamento de Leroi-Gourhan que forja a expressão "memória étnica" como sendo a memória dos grupos sem escrita, e Goody que sustenta: [...] na maior parte das culturas sem escrita, e em numerosos setores da nossa, a acumulação de elementos na memória faz parte da vida cotidiana" (GOODY, apud LE GOFF, 1994, p. 427).

As narrativas orais são as fontes documentais que auxiliam ao pesquisador tornar viva a história desse povo, juntamente com seus cultos, seus gestos, suas palavras diferentes da nossa maneira de falar, as crenças, o vocabulário, os rituais que se tornaram freqüentes no grupo. A interpretação de tais “falas” é o que ilumina a história desse povo.

Reis (1998, p 38.) considera que: "O historiador tem como tarefa vencer o esquecimento, preencher os silêncios, recuperar as palavras, a expressão vencida pelo tempo”. Assim, ao utilizar a memória do grupo, o pesquisador lança mão de uma fonte histórica legitimada pelo conjunto das tradições desse povo, que por muito tempo deixou que somente o silêncio fosse uma manifestação de seus sentimentos. No trabalho de entrevista, quando perguntamos como os ciganos aprendem, e o que pensam sobre a escola, as respostas fluem em consideração a um saber construído com a participação de outro elemento que é o mais velho. Para Francisco das Chagas, conhecido como Chaguinha

Nós aprende com os mais véi. Eles contam as coisas para a gente aprender. Outras coisas, nós já nasce sabendo. Trocar, comprar, vender. Tudo isso a gente aprende com os mais véi. Eles sabe de tudo. Sabe até se vai dar certo a viagem que vamo fazer. Eu acho que nós aprende mais que os brasileiro. Nosso povo tem algum na escola, mas eu acho que em casa aprende muito mais. (CHAGAS, 1999)

A tarefa de narrar as histórias do grupo para alguns curiosos que se arriscam a uma entrevista é um ato especial de um líder de referência reconhecido no meio deles. Na comunidade, os ciganos Memeu, Maria Carnaúba e Chaguinha, são sempre indicados para tal fim. Le Goff (1994) afirma que existem nas sociedades sem escritas os especialistas da memória, os guardiões dos códices, os representantes da memória do grupo. São eles chefes de famílias, os mais idosos e responsáveis pela manutenção da coesão do grupo. Os relatos são sempre ilustrados com a emoção dos ciganos que mesmo sem revelar muito dos seus "segredos", se empolgam ao narrar fatos, ou seja, as suas memórias. Para a pesquisadora Kenski (1994), os estudos que tomam por base as memórias dos sujeitos tornam evidente que estes apresentam diferentes falas, dependendo das situações em que ocorram as recuperações das memórias. Acrescenta ainda

[...] a memória é histórica na medida em que a recuperação das vivências não é feita de forma cronológica, linear, e sim, mediante a mistura dos acontecimentos que ocorreram em diferentes momentos do passado. A lógica das lembranças é a da emoção. (KENSKI, 1994, p. 48.).

O teor do que sempre é narrado, é constituído de relações intrafamiliares, do próprio grupo, de fatos culturais e os seus próprios silêncios. A pesquisadora assinala que, “É nesse momento, o da narrativa de uma “versão” do passado, que as lembranças deixam de ser memórias para se tornarem histórias.” (KENSKI, 1994, p. 48). Em seu entender, as pesquisas na área da memória não se dão apenas mediante o levantamento da vida de pessoas isoladas, e sim, em memórias coletivas ou bibliografias socializadas.

Halbwachs (1994) também chama a atenção para a função da memória coletiva de reforçar ou construir o sentimento de pertinência a um grupo, classe ou categoria que participa de um passado comum, pois a memória cria um imaginário histórico definido pela apropriação pessoal e pela adoção de um sentido peculiar a uma determinada trajetória de reconstrução e de acesso a um patrimônio cultural. Assim, valoriza-se atualmente trabalhos voltados para uma possível reconstrução do passado, no esclarecimento de algumas situações vividas, mudanças, rupturas, crises e experiências que podem influenciar no presente. (HALBWACHS apud BOSI, 1994)

A identidade de resistência é construída por atores que se encontram em condições desvalorizadas e/ou estigmatizadas pela lógica da dominação. Leva à formação de comunas ou comunidades e dá origem a formas de resistência coletiva diante de uma opressão social. Neste contexto, situa-se os ciganos do grupo Calon, que coletivamente constroem sua identidade de resistência e formatam a possibilidade de criação de um novo movimento social. Para Castells, toda e qualquer identidade é um produto de uma construção e afirma que

A construção de identidades vale-se da matéria prima fornecida pela história, geografia, biologia, instituições produtivas e reprodutivas, pela memória coletiva e por fantasias pessoais, pelos aparatos de poder e revelações de cunho religioso. Porém, todos esses materiais são processados pelos indivíduos, grupos sociais e sociedade, que organizam seu significado em função de tendências sociais e projetos culturais enraizados em sua estrutura social, bem como em sua visão de tempo/espaço. (CASTELLS, 1999, p. 23).

Castells classifica ainda os tipos de identidade como sendo identidade legitimadora, que é introduzida pelas instituições dominantes no intuito de expandir e racionalizar sua dominação em relação aos atores sociais; identidade de resistência que é uma criação dos próprios atores sociais que constroem trincheiras de resistências na sociedade e identidade de projeto que ocorre quando os atores sociais utilizando-se de qualquer material cultural ao seu alcance constroem uma nova identidade para redefinir sua posição na sociedade.

No decorrer do tempo, os ciganos construíram um repertório cultural para a sua sobrevivência enquanto grupo. São identificados nos lugares onde passam por suas características próprias. Cor da pele, roupas, costumes e linguagem ajudam a definir até mesmo por estereótipos quem são os errantes que seja em estradas, aglomerados urbanos ou terrenos baldios, armam suas tendas ou constroem suas formas de proteção. Quando entrevistamos um fazendeiro que costumava receber em suas terras, grupos de ciganos ele busca na lembrança as primeiras andanças dos ciganos em Flores, município de Florânia, o Senhor Severino Manoel de Oliveira afirmou:

[...] por muitas vezes recebi os ciganos. Eram ciganos que vinham de longe e traziam muitas novidades. Os ciganos davam notícias sobre os invernos por onde passavam. Curiosidades do seridoense que esperava pelos sinais do tempo. Eles diziam onde estava chovendo, nas bandas do Piauí. [...] Eram negociantes, trocadores. Vendiam tecidos, jóias. Abriam mesas e cortavam baralhos para quem tinha interesse. Liam a mão dos trabalhadores. Alguns moradores nem iam lá, nem deixavam suas filhas se aproximarem dos ciganos. Tinham medo da influência. Mas era o preconceito. [...] Sim, e cada vez mais os ciganos ficavam conhecidos do lugar. Armavam suas barracas perto do açude. Alguns deles eram protegidos de alguns coronéis ou fazendeiros. Mas, para alguns era sinal de mau agouro.( OLIVEIRA, 1999).

Essa forma conceitual é o que mais identifica o cigano nas passagens pelas regiões. Ligam-se as crendices, a religiosidade, as tradições e a memória da comunidade está marcada pela presença destes homens e mulheres de peles queimadas pelo sol, andarilhos pelos sertões potiguares.

As questões étnico-raciais estão presentes no sistema educacional de várias maneiras, seja através dos livros textos das áreas de ensino, nos acontecimentos históricos, comemorações, eventos cívicos e culturais, seja também presentes nos discursos dos professores. Os povos que formam as minorias sem poder são esquecidos e o silêncio sobre estes povos não permitem que manifestem suas relações de direito e cidadania. Para Santomé (1998) existem as vozes ausentes no currículo escolar e que constitui em sua maioria as etnias minoritárias ou sem poder, os ribeirinhos, os homossexuais, as mulheres, negros, índios bem como os sujeitos do campo e os ciganos. Fonseca (2009) afirma que as políticas de ações afirmativas estão em voga no nosso país desde meados da década de 90 e continua sendo apenas um debate midiático na sociedade brasileira e uma vitrine para governantes, militantes de movimentos sociais e partidos políticos. Observa-se pela irrisória quantidade de políticas públicas empreendidas, a ausência de ações para as etnias ciganas, que só conta atualmente, com o apoio de ONGs, tendo como protagonistas as lideranças dos Ciganos Calon e Kalderash; a Pastoral dos Nômades do Brasil, que através da igreja Católica e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que tem desenvolvido ações pontuais que envolvem a temática da inclusão e da cidadania entre os diversos grupos ciganos do país. A discussão posta pelos teóricos de Educação em Direitos Humanos, tem se projetado como uma importante ferramenta de inclusão social dos sujeitos de direitos no nosso meio – educação esta que surgiu no contexto das lutas sociais populares como estratégia de resistência cultural às violações aos direitos humanos e como fundamentos para o processo emancipador de conquistas e criação de direitos.

Estudar grupos humanos é realizar a etnopesquisa. Para Macedo (2006, p. 9), [...] ”a etnopesquisa direciona seu interesse para compreender as ordens socioculturais, e preocupa-se primordialmente com os processos que constituem o ser humano em sociedade e em cultura”. Segundo Nunes (1993), os estudos históricos são geralmente formulações baseadas em matizes teóricas e da empiria, recolhidos em fontes expressas e arquivísticas, geralmente lacunares, irregulares e residuais. No nosso caso, cabe ao pesquisador construir suas fontes e eleger prioridades, uma vez que o grupo Calon não dispõe de documentos arquivísticos, leis ou decretos. Dessa forma, recorreremos ao registro de fatos vividos, memórias, falas, olhares e fotografias.

Nas nossas conversas realizadas com o grupo de ciganos, a todo tempo expressavam a importância da escola para a comunidade e a necessidade que as crianças têm de aprender a ler e a escrever. Ao mesmo tempo, afirmavam que nas experiências dos mais velhos reside a condição essencial para a educação no sentido amplo dos mais novos. Os ensinamentos dos mais velhos servem a manutenção da cultura entre os membros do grupo. Deles, os mais velhos dependem-se de todo o conjunto de informações necessárias para a vida do cigano. O respeito para com o idoso foi observado desde nosso primeiro contato com grupo, que sempre estiveram presentes em todas as conversas omitindo opiniões e sempre ouvidos por todos no círculo de conversas.

Com os mais velhos, aprende-se a língua romaní, dialeto de origem romena com sotaques herdados das variações lingüísticas latinas, os costumes, as tradições, os hábitos, os manejos necessários para o comercio e os negócios da família. Percebe-se também que a educação do povo cigano ocorre das interações vivenciadas no seio do próprio grupo e é transmitida de geração a geração, considerando a inexistência de códigos escritos, nenhuma grafia, riscos, sinais, para facilitar a troca de informações entre eles. Os ensinamentos e as aprendizagens são os alicerces para a vida futura do povo Calon. Ao observar este fenômeno, considera-se que “A cultura tradicional do cigano não necessita de escola; ao contrário, ela pode muitas vezes ser considerada uma imposição ou uma interferência de vida.” (LIEGEOIS, apud FERREIRA, 1998).

Nas falas de alguns ciganos entrevistados confirmamos a expressão que dá conta do que o cigano pensa da escola e o que a escola representa. O Cigano Memeu fora alfabetizado ainda criança por sua avó, uma ex-professora e matriculou seus filhos na escola, mas, no entanto afirmou quando o interrogamos se ele desejava ir à escola:

Nem fui nem quero. Aprendi a ler e escrever com minha avó que era brasileira. Uma professora que fugiu com meu avô. Ela ensinou a mim e a meu pai. Matriculei meus filhos Aninha, Delene, Maria de Jesus, Beguinho e o outro que mora com a mãe em Cruzeta, o Reginaldo Soares. (MEMEU, 1999).

Ao perguntar sobre como eles, os ciganos aprendem as coisas do dia a dia, o que seria importante para viver como povo cigano, Memeu expressa:

Os ciganos tem muitos segredos. Mas olhe. (risos) Nós aprende com os mais velho. Eles contam as coisas para a gente aprender. Outras coisas, nós já nasce sabendo. Trocar, comprar, vender. Tudo isso a gente aprende com os mais véi. Eles sabe de tudo. Sabe até se vai dar certo a viagem que vamo fazer. Eu acho que nós aprende mais que os brasileiro. Nosso povo tem algum na escola, mas eu acho que em casa aprende muito mais.[...] A escola é boa, mas só ensina as coisa do povo que não é cigano. Já entre nós, é diferente. A gente fala nossa língua e você nem sabe o que tamo dizendo. (MEMEU, 1999).

Em seguida, perguntamos sobre a língua. Chaguinha relutou em responder, e contou-se também a fala do Cigano Memeu que afirmaram:

É segredo. Nóis não ensina a ninguém. Nós aprende com os velho. [...] Sobrevive assim. Nós aprende tudo e ensina a criança. Acrescentou Memeu: Falamos o Romaní, a língua dos Calon. Mas é proibido ensinar a quem não é cigano. A gente nasce aprendendo o Romani. (CHAGAS, 1999).

Nas respostas, os ciganos da Praça Calon esclarecem como aprendem os ensinamentos dos mais velhos. A língua conhecida como Romaní é um aspecto muito forte entre eles. Mas em que lugar ocorre esses encontros com os conhecimentos? Interrogamos sobre o lugar da aprendizagem. Formulamos a pergunta: Mas na lembrança de vocês, qual o lugar, o local, o momento em que estes ensinamentos aconteceram ou acontecem até hoje? Observamos certa demora para responder. Chaguinha menciona:

Em todo instante, quando a gente vai dormir no rancho e os outros ciganos ficam conversando, contando histórias. Quando eu era menino, nas viagens meus pais contavam muitas histórias e ensinava a fazer as coisas. O racho, a fogueira, a posição das estrelas, a lua, o céu. Memeu acrescenta: Nas viagem, em casa, nas barracas, de tardezinha quando a gente senta como agora. (referindo ao momento em que estávamos sentados em círculo para a conversa). (CHAGAS, 1999)

Para os Ciganos da Praça Calon, a forma como a escola está organizada não os interessa em quase nada. Gostam da merenda que é servida, de alguns professores e das aulas. A aluna Cheirosa, de nome Rita Targino, comenta que “o professor era para morar perto da gente e a gente conhecer melhor”. Ela faz referência ao distanciamento que existe entre o professor que reside em outro município e todos os dias se desloca para sua casa, desconhece a sua cultura, seu modo de vida. Por outro lado, muitos professores reclamam do baixo rendimento dos ciganos na escola, suas ausências nas aulas e até mesmo das desistências. Apontam que os ciganos são preguiçosos para realizar as tarefas cotidianas na sala de aula.

Contudo, é necessário compreender a forma como os ciganos apreendem /aprendem os conhecimentos gestados de sua cultura em suas casas, nos acampamentos, no meio de sua gente, e a forma como os conhecimentos escolares são repassados sob forma de conteúdos curriculares por professores que não tem conhecimentos da realidade cultural e social desse povo. Os ciganos, como pudemos observar, deixam suas crianças a vontade e tudo que ensinam, parte da forma de vivência do grupo, com ausência de regras fechadas e impostas, diferentes do que a escola sistematizada exige que é a disciplina, a rigorosidade, o método de ensino praticado nas salas de aula. O ato de sentar em carteiras enfileiradas representa um obstáculo para o cigano, uma vez que é no círculo que o grupo troca suas experiências e o chão da sala é o lugar ideal para ouvir os mais velhos narrarem suas histórias e lições de ensinamentos.

Os conhecimentos, as brincadeiras e todas as atividades que a escola considera de importância para o cigano, se configura como algo desvinculado de sua vida, do seu modo de fazer no cotidiano. Portanto, não representa algo de significância, porém algumas vezes tolerável, nem permite que o cigano conteste essa situação, pois a escola é algo mais forte que os seus desejos. Ela encontra-se organizada de forma tão rígida que impede uma mudança de prática em benefício desses sujeitos do ensino. Assim, torna-se desinteressante.

O Cigano Rogério Calon, líder de um grupo de Ciganos no estado de Santa Catarina, nos concedeu um depoimento que merece ser citado:

Quando eu saio de casa para o mato, levo meus menino. Cada um pega sua faca, suas coisas e eu vou mostrando que esse pé de planta serve para tal doença, essa ali cura isso, essa tem veneno, e eles aprendem só vendo o pai falar. Aprendem e nunca mais esquece e quando eu digo, preciso de tal remédio, eles vão buscar ligeirinho. [...] Tô trabalhando num projeto de criação da escola itinerante para os calon do Sul. Já tem dinheiro garantido pelo estado. A escola vai acontecer dentro de uma pirua ou Kombi, com professor treinado, que conheça o nosso povo. Lá na escola, vai ter até computador com internet. [...] Muitas meninas nossas sai da escola, porque elas gostam de vestir saias compridas e a escola obriga usar as farda com calça e tênis. Cigano num gosta disso não. (CALON, 2010).

A pedagoga Ignez Edite Carneiro, em Cataguazes, Minas Gerais, desenvolve trabalhos como voluntária em diversos acampamentos de ciganos, que se estende até o estado de São Paulo. Realiza traduções de cartilhas, revistas e faz ilustrações em histórias infantis de crianças ciganas Calon. Possui uma larga experiência com trabalhos de alfabetização com os povos nômades e relata que:

Não é ideal uma escola com tempo marcado para cigano. Ele tem o tempo dele para aprender a ler e a escrever. Às vezes a gente tá dando aula, de preferência individualizado, e chega uma pessoa para o cigano negociar ou resolver algo e ali a aula se acaba. Todo processo de ensino para cigano é baseado na intinerância. Sempre gosto de saber o que eles já sabem, o que precisam aprender e depois, faço a minha parte. Muitas vezes eles me pedem para assinar o nome porque querem tirar a carteira de motorista e precisa compreender os sinais de trânsito. (CARNEIRO, 2010).

Renato Rosso, padre católico italiano foi um dos maiores articuladores da Pastoral dos Nômades do Brasil, quando aqui residiu entre 1984 a 1992. Atualmente reside em Blangadesh, país do Centro Sul da Ásia, e realiza trabalhos em vários continentes trazendo uma experiência múltipla de escola itinerante para nômades. Afirma que no norte da índia, existem ainda ciganos que nunca ouviram falar de escola. Outros ainda não conseguiram sair do mar, onde residem em embarcações precárias, vivem de pesca, em estágios primitivos, e poucas vezes vêm no continente. Esses, nem conseguem assimilar o sentido da escola. Segundo o Rosso:

Os ciganos abominam a escola. Não é nada ideal para eles. Mas nós é que achamos que eles precisam. E precisam mesmo. A escola tem a função de instruir, de levar ao cigano o alfabeto, a leitura que atualmente é fundamental para todos os homens e mulheres. Mas eles fazem pouco caso disso tudo. Fizemos muitas experiências pelo mundo afora. As realidades são múltiplas. Não se pode generalizar nada quando falamos de ciganos, pois num grupo há diversas situações, múltiplas singularidades. Em alguns lugares, montamos equipes treinadas para o ensino. Eles vêem aos acampamentos e reúnem ali em círculo, no chão ou na casa de algum, um pequeno grupo para iniciar o ensino. Muitas vezes dá certo, mas outras eles saem, deixam tudo e só voltam quando sentem desejo, necessidade de aprender algo. (ROSSO, 2010).

Os conteúdos vinculados pela escola são proposições elaboradas por outros indivíduos que não fazem uso dela, não tem nenhuma correlação com os profissionais que nela ensina e muito menos com o grupo que nela aprende. Quando indagamos as crianças ciganas sobre o que mais elas gostam na escola, respondem: estudar, brincar, correr, cantar. Segundo professores, nas atividades lúdicas as crianças ciganas participam mais atentamente e com mais satisfação. Elas gostam de passar um tempo fora de casa, da merenda que é servida para amenizar a fome, correr e brincar. Evidencia-se assim que o saber que é trabalhado na escola sistematizada, da forma como ela está organizada e como este conhecimento é repassado, constitui obstáculos para uma clientela que busca na escola a diminuição das desigualdades e a inclusão no mundo que considera como sendo dos diferentes.

Percebemos em nosso trabalho que há um processo crescente de mudanças de condições vida por parte dos ciganos Calon. A presença em quase todas as casas de aparelhos Televisores e Rádio e DVD, contribuem para a aquisição de novos comportamentos. É comum perceber as crianças brincarem de capoeira que é uma manifestação dos grupos afros descendentes. Os ciganos absorvem muito da cultura de consumo e aderem cada vez mais aos novos padrões e costumes que são postos no dia a dia. A escola exerce forte influência nesse sentido, quando utiliza uma prática curricular pautada em estratégias e conteúdos estranhos a sua realidade e de outra forma, trata como igual o elemento que tem suas bases culturais diferenciadas do restante do grupo que residem no bairro. A aculturação é um processo tão presente no grupo que

Quando a aculturação não existe, a marginalização é radical, e quando encontramos ciganos integrados, perderam-se as características primordiais da identidade tradicional cigana. [...] A marginalização é um caminho bastante trilhado pelos ciganos [...] Por meio da marginalização os ciganos abandonam a competição e buscam nichos para poder sobreviver, aos quais se somam o abandono de características não funcionais de sua cultura e a incorporação de elementos da cultura majoritária. (SAN ROMAN apud FERREIRA, 1998, p. 49).

Para alguns ciganos, os novos costumes gerados no convívio com os não ciganos têm algo de proveitoso para a vida do seu povo e para o enfrentamento dos problemas do cotidiano. O cigano Carrim afirma que

Tudo hoje é muito diferente. Antes nós andava em burros ou a cavalo. Saía tangendo cargas de jumento. Hoje pra se chegar a um lugar, nós já usa o carro próprio. Já tem moto, carro. O cigano já usa também o aparelho celular. (CARRIM, 2000)

O relato de Carrim sinaliza indícios de um movimento de ruptura ocorrido pelo processo de acumulação e do próprio movimento tecnológico presente nos dias atuais. Assim, por uma via de mão dupla, percebe-se que os ciganos cada vez mais se aproximam dos costumes próprios de uma sociedade que os marginaliza, e que a busca da inclusão social cada vez mais presente, tem em vista que o isolamento social está associado à marginalização e os ciganos só têm a perder com o isolamento.

Observamos também que as crianças aprendem, desde pequenas, a negociar com as pessoas da comunidade. Na feira livre, é comum perceber algum cigano vendendo relógios, pulseiras e anéis. Andam sempre em pequenos grupos e alguns chegam a cantar músicas para chamar atenção dos clientes. Outros pedem esmolas para levar dinheiro para casa. As mulheres fazem leitura de mão, pequenos serviços nas casas de famílias e também pedem nas feiras e comércio. Os adultos mais experientes preferem as trocas que vão de animais a motos ou carros. Para eles, o radém (dinheiro) é muito importante para a vida e a sobrevivência do grupo. Muitas vezes, adquirem bens e eletrodomésticos como liquidificador, geladeira e fogão a gás, mas utilizam o fogão a lenha de preferência fora de casa, no quintal, ou mesmo em frente a casa onde fazem fogueiras improvisadas e cozinham em trempes.

Para os ciganos da Praça Calon em Florânia bem como para os ciganos de outros lugares distintos do país, entrevistados neste trabalho, a educação da criança cigana ocorre em momentos de formações espontâneas, aleatórias, portanto em ambiente de liberdade. A criança cigana é livre para brincar e aprender com os mais velhos, com os adultos e entre os seus.

Referências

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Entrevistas

CALON, Rogério. Entrevista concedida ao pesquisador em julho de 2010.

CARNEIRO, Ignez Edite. Entrevista concedida ao pesquisador em julho de 2010.

CARRIM. Entrevista concedida ao pesquisador em dezembro de 1999.

COSTA, Francisca. Entrevista concedida ao pesquisador em agosto de 1999.

CHAGAS, Francisco das. Entrevista concedida ao pesquisador em dezembro de 1999.

DANTAS, Maria de Lourdes. Entrevista concedida ao pesquisador em outubro de 1999.

OLIVEIRA, Severino Manoel de. Entrevista concedida ao pesquisador em agosto de 1999.

ROSSO, Pe. Renato. Entrevista concedida ao pesquisador em julho de 2010.

TARGINO, Rita. Entrevista concedida ao pesquisador em agosto de 1999.





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