Herculano Pires Parapsicologia Hoje e Amanhã



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5.
Razão da dialética palingenésica


A proposição da tese da dialética-palingenésica pareceu precipitada a alguns estudiosos, que nos advertiram quanto aos resultados ainda precários da investigação parapsicológica. Podemos resumir assim os principais argumentos contrários: se a Parapsicologia ainda não saiu da simples verificação de alguns fenômenos mentais, não superou o campo da mente, não podemos avançar, apoiados nos seus dados rudimentares e imprecisos, no campo das vastas ilações históricas. Outros, ironicamente, perguntaram-nos: “Pode o jogo de dados do Professor Rhine mudar a nossa concepção do mundo?”.

A resposta não nos parece difícil. Basta formularmos outras perguntas, como estas, por exemplo: o jogo de objetos de Galileu, na torre de Pisa, não mudou a antiga concepção? A dança das rãs, de Galvani, não abriu novas perspectivas às Ciências? A chaleira de Fulton não modificou a navegação mundial e os transportes terrestres? Porque não poderiam o jogo de dados e mesmo o baralho do Professor Rhine produzir efeitos semelhantes? Tanto mais que essas duas formas de jogo, os dados e o baralho, têm o seu lugar de honra na história das grandes concepções humanas.

Mas não nos percamos em divagações e procuremos analisar essas objeções. O Professor Rhine partiu das observações mais simples, utilizando-se de objetos comuns em respeito às exigências de objetividade e clareza da metodologia científica. Para verificar a existência ou não dos fenômenos de telepatia e submeter as ocorrências ao controle estatístico recorreu às cartas de baralho. No início as do baralho comum. Foi o seu colaborador, o Professor Karl Zener, quem idealizou as cartas parapsicológicas que têm hoje o seu nome: cartas Zener.

Tratando-se de apenas cinco figuras, cada maço de baralhos com 25 cartas, uma vez embaralhado, apresenta com absoluta segurança a margem de acaso ou azar na realização das experiências. O Professor Soal, como já vimos, substituiu essas figuras por animais: o elefante, a girafa, o leão, o pelicano e a zebra. Cada uma dessas figuras tem a sua marca dramática e as letras iniciais dos nomes são diversas, não permitindo confusões ou ambigüidades na verificação experimental. Poderíamos também falar ironicamente no jogo do bicho do Professor Soal. Mas esse jogo produziu os mais belos resultados, provando cientificamente a existência da telepatia.

Quanto aos dados do Professor Rhine vimos que eram a princípio os dados comuns de jogo. Posteriormente foram aperfeiçoados com a finalidade de assegurar-se maior garantia na sua livre queda. Também a maneira de atirá-los sobre a mesa evoluiu, fabricando-se aparelhos especiais para evitar o contato das mãos. No caso dos dados as cautelas deviam ser as mais rigorosas, pois tratava-se de verificar a ação da mente sobre a matéria de maneira direta. Uma função mental considerada absurda, e até mesmo intrinsecamente impossível, não obstante a nossa própria existência nada mais seja do que essa mesma ação mental sobre a matéria.

Rhine teve de partir de coisas simples e concretas, seguindo as exigências de clareza e distinção do método cartesiano, ainda imperantes na metodologia científica. E se a Parapsicologia não conseguiu até o momento elevar-se das experiências humildes até às grandes investigações da antiga Ciência psíquica inglesa ou da Metapsíquica francesa, isso ainda se deve a esse mesmo respeito pelas exigências das Ciências. Mas apesar de todas essas limitações físicas impostas à investigação de fenômenos extrafísicos, a verdade é que a Parapsicologia já avançou o suficiente para provar a existência, como sustenta Rhine, de um universo não-físico. Embora obrigada a rastejar na mesa de jogo, ela conseguiu arrancar a mente das limitações sensoriais. Não é isso admirável?

Hoje, nos grandes centros universitários da Europa, da Ásia e da América a Parapsicologia ê uma ciência que tem o seu campo objetivo bem definido e permite o doutoramento na defesa de suas teses. A telepatia, a clarividência e a precognição estão provadas e comprovadas através de milhares de experiências e investigações. E a psicocinesia ou ação direta da mente sobre objetos do mundo exterior é também considerada como demonstrada, por cientistas da envergadura de Rhine, de Soal e de Price, além de outros cuja citação exigiria uma longa lista. E isso apesar de ser a psicocinesia o grupo fenomênico menos estudado e investigado, em virtude da intensidade dos preconceitos científicos referentes à possibilidade dos fenômenos incluídos na sua denominação.

Assim, embora a Parapsicologia esteja ainda na fase de descoberta de um novo mundo, as provas que já conseguiu efetivar são suficientes para abalar a rigidez da concepção física ou materialista que até agora imperou na Ciência moderna. Se juntarmos a essas provas do campo psicológico as que nos são oferecidas no próprio campo físico pelas descobertas da Física Nuclear – que assume dia a dia as proporções de uma verdadeira parafísica – veremos que Pitirim Sorokin, da Universidade de Harvard, tem razão ao acreditar que nos encontramos numa fase de transição para nova forma de cultura.

Se até agora a nossa cultura se limitou aos dados do campo sensorial – apesar das dúvidas de Descartes e das experiências psicofísicas de Webber e Fechner sobre os limites das sensações – é evidente que não podíamos conceber a dialética histórica senão nas suas possibilidades concretas. Mas no momento em que rompemos o arcabouço físico da nossa formação cultural, abrindo perspectivas novas dentro da própria investigação científica da Natureza, seja no plano subjetivo ou no objetivo, é evidente que a dialética histórica do Marxismo se projeta de volta no rejeitado espiritualismo hegeliano. Queiram ou não queiram os que, como Bertrand Russel, insistem na sustentação da concepção materialista, a verdade é que a natureza não-física do Universo se abre diante dos nossos sentidos atônitos como uma vasta perspectiva.

Dessa maneira, não há nenhuma precipitação na formulação de uma hipótese da dialética-palingenésica. Hipótese, aliás, que não se apóia apenas nas investigações parapsicológicas e no desenvolvimento extrafísico da própria Física, mas num poderoso, vasto e profundo substrato histórico que desde a era tribal vem marcando a presença do espírito nos acontecimentos humanos. Outra conseqüência natural da Parapsicologia é esse descondicionar do pensamento que representa a reintegração do homem na realidade natural. Rompendo o condicionamento artificial da evolução científica, feita nos limites estreitos do raciocínio fisicista, a Parapsicologia nos liga novamente às raízes espirituais da espécie.

Dois fatos científicos de maior importância apóiam a tese da dialética palingenésica: a descoberta da antimatéria (que mostra a possibilidade de um antiuniverso) e a teoria do Universo oscilante de Ernst Õpik, que restabelece a hipótese grega do desaparecimento periódico do Universo e sua reconstrução cada trinta milhões de anos. Hipótese, dirão. Sim, mas hipótese baseada em dados rigorosos da investigação científica e aceita pelo mundo científico. O Universo que se destrói e reconstrói é um Universo palingenésico.



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