Herculano Pires Parapsicologia Hoje e Amanhã



Baixar 498.76 Kb.
Página26/28
Encontro29.11.2017
Tamanho498.76 Kb.
1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   28

14.
Psi na medicina


Interessam os fenômenos psi, e mais particularmente as funções psi, ao estudo da Medicina e ao preparo dos médicos? Jan Ehrenwald, em artigos publicados na revista American Journal for Psychoterapy, em outras publicações especializadas e por último no seu livro New Dimensions of Deep Analysis, acentua o seguinte: “As implicações de psi, como revelação de um novo aspecto da mente humana, têm tamanho alcance que reclamam a revisão e a recolocação de numerosos pressupostos teóricos relativos à estrutura da personalidade, às relações psicossoma, à localização cerebral e à natureza do nosso mundo perceptivo em geral”.

Nesse curioso livro Novas Dimensões da Análise Profunda, Ehrenwald coloca os problemas de psi no quadro de suas observações e experiências da clínica psiquiátrica, relatando casos e revelando as relações de psi com as estâncias psicanalíticas da personalidade. Esses estudos são revalidados pelas experiências e pesquisas de Eisenbud, Paderson-Krag, Ullman, Fodor, Joost Merlok, Gillespie e outros. O Professor Rhine, em O Novo Mundo da Mente, dedica um capítulo ao estudo das relações entre a Biologia e a Parapsicologia, advertindo: “Seria difícil medir a importância das conseqüências de psi num campo tão vasto como o da Biologia”. Noutro trecho, Rhine acentua: “As investigações parapsicológicas, através de seus métodos experimentais, penetrou no nível inconsciente da personalidade, muito além da profundidade atingida pelas explorações clínicas da Psiquiatria”.

As investigações de psi no mundo animal e as relações de psi com o estado e as funções fisiológicas de organismos animais e humanos são outros campos de investigação que, devidamente aprofundados, desembocam no delta das Ciências Médicas. Robert Amadou, em seu livro La Parapsychologie, ensaio histórico e crítico sobre as investigações de psi, declara: “A tendência contemporânea da Medicina de considerar o homem em sua totalidade e não descuidar, nem no diagnóstico nem na terapêutica, nenhum de seus elementos constitutivos, não lhe permite descartar-se dos fenômenos psi. A Medicina psicossomática ou córtico-visceral terá de utilizar o conhecimento dos fenômenos parapsicológicos tanto na etiologia das enfermidades como nas relações entre o médico e o enfermo”.

Os dados mais recentes da investigação de psi nos Estados Unidos, na Europa, na Rússia e mesmo na Argentina mostram cada vez mais a importância da Parapsicologia como vigorosa contribuição científica ao esclarecimento dos problemas médicos. As experiências de Vassiliev em Leningrado, em posição contrária à de Rhine na Duke University quanto à interpretação ideológica, não obstante confirmam e ampliam as perspectivas de psi no campo das relações psicossomáticas. A afirmação corajosa de Rhine de que psi demonstra a existência de um elemento não-físico no ser vivo serviu em parte para afastar da Parapsicologia os materialistas, mas as conseqüências de seus trabalhos práticos fizeram o contrário. As investigações da telepatia à distância, que obtiveram êxito, levaram os cientistas americanos e russos, empenhados na conquista do Espaço, a se interessarem seriamente pelas possibilidades cósmicas de psi, por suas possíveis aplicações na aludida conquista.

A própria Medicina espacial está hoje vivamente interessada nas investigações parapsicológicas. Diante dessa situação geral assume a importância de uma atualização do ensino médico no Brasil o projeto de lei encaminhado pelo deputado Campos Vergal, na Câmara Federal, instituindo cátedras de Parapsicologia em nossas Faculdades de Medicina. Consideramos que o projeto necessita de várias adaptações e correções, mas não há dúvida que representa um passo concreto no sentido de fazer-se alguma coisa de prático nessa direção. Ao que parece a proposição foi encarada como de segunda importância e até mesmo como simples tentativa de interferência de um mundo estranho – o mundo das crenças espiritualistas – no campo fechado das Ciências positivas. Nada mais justifica essa posição retrógrada diante de um problema científico que se encontra na maior evidência em todo o mundo civilizado. Os grandes centros universitários mundiais estão hoje empenhados no estudo e na investigação dos fenômenos psi, e isso nas duas áreas em que se divide o nosso mundo em conflito, a capitalista e a socialista.

Tivemos ocasião de abordar o problema das implicações de psi na Medicina em palestras pronunciadas em centros acadêmicos de nossas Faculdades de Medicina. Os debates que seguiram às palestras revelaram, ao mesmo tempo, o inteiro desconhecimento do problema pela maioria dos estudantes e a hostilidade da maioria dos médicos presentes à interpretação parapsicológica de fenômenos paranormais indiscutivelmente entranhados no campo da Medicina, como os do caso Arigó. A posição geral de médicos e estudantes não revelava uma atitude científica, mas uma atitude determinada por velhos preconceitos e conseqüentemente defensiva, como se a Parapsicologia constituísse uma espécie de ameaça à integridade das Ciências Médicas da atualidade.

Não obstante, o simples fato de ter havido convites para as palestras, a manifestação interessada de numerosos estudantes e de alguns médicos presentes revelam que nem mesmo a citação enfática do caso Arigó consegue criar uma barreira intransponível. Isso demonstra que há uma área favorável ao exame do problema. Aliás, após a publicação da primeira edição deste livro três cursos de Introdução à Parapsicologia foram dados pelo Instituto Paulista de Parapsicologia nas três Faculdades de Medicina existentes em São Paulo (capital), por iniciativa dos respectivos Centros Acadêmicos.

Nunca será bastante insistir neste assunto. Porque é evidente que estamos num momento decisivo da História em que a mente humana, através das concepções científicas inclusive no campo até há pouco irredutível da própria Física, depara com novas perspectivas para a compreensão do mundo e do homem. Não devemos permitir que num terreno da mais alta importância como o da Medicina essas perspectivas sejam afastadas, com inegáveis prejuízos para o nosso avanço cultural e a nossa atualização científica. Psi, como afirmou Amadou, não pode mais ser ignorada ou subestimada pelas Faculdades de Medicina.

O campo da Psicoterapia, em todas as suas variantes, é amplamente iluminado pelas pesquisas parapsicológicas. Não se pode mais admitir, como afirmam Rhine e Pratt (Parapsychology, 1962) qualquer confusão entre estados psicopatológicos e manifestações paranormais. O médico de hoje deve saber distinguir com precisão entre uma coisa e outra ou estará irrevogavelmente atrasado no campo de sua profissão.

Além da importância já proclamada dos fenômenos psigama na Psicoterapia em geral, Rhine e Pratt acentuam, face às últimas observações de médicos-parapsicólogos, a significação de psikapa (fenômenos físicos) na Biologia e na Medicina. Os casos de Medicina popular paranormal, como o de Arigó, encarados sumária e preconceituosamente pela maioria dos médicos, revelam, em nosso país e nos demais (Veja-se o caso Edgard Cayce nos Estados Unidos) a necessidade urgente do ensino da Parapsicologia em Medicina.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   28


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal