Herculano Pires Parapsicologia Hoje e Amanhã



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4.
TpA linguagem da mente


Há uma tendência parapsicológica para o mentalismo que decorre das dificuldades da aceitação científica dos fenômenos e do perigo das implicações psicológicas. Quanto às dificuldades, resultam, como já vimos, dos preconceitos científicos que impedem os parapsicólogos de usarem uma terminologia de ordem mais ampla. No tocante à Psicologia, as referências ao psiquismo integral poderiam estabelecer confusões. Viram-se assim os parapsicólogos limitados a uma estreita faixa do continente psíquico e fizeram o seu acampamento na zona mental.

A impressão que se tem, aos primeiros contatos com os estudos parapsicológicos, é a de que o homem está sendo reduzido às suas faculdades mentais. Esse exagero deverá ser contido se não quisermos ver o triunfo, mais hoje, mais amanhã, daquelas correntes menos expressivas da Parapsicologia que cortam as próprias asas com medo de se perderem no infinito e acabam por se perder na poeira da estrada. O homem não é apenas uma estrutura mental. É um ser espiritual, um organismo psíquico. A mente é a sua cabina de comando. Por isso mesmo recebe ordens e expede comunicações do psiquismo em que a afetividade e a volição, ou seja, as regiões profundas do sentimento e da vontade se fazem traduzir em signos dinâmicos, que são os pensamentos.

Quando tratamos a telepatia como a linguagem da mente não queremos cair no mentalismo, mas apenas dar a essa função psi o seu devido lugar nas relações psíquicas em que se resolve toda a vivência humana. Assim como temos a linguagem do cérebro na palavra, temos a linguagem da mente no conceito. E assim como a palavra não tem apenas o sentido convencional do signo, mas também a sua carga emotiva e o seu impulso volitivo, o conceito está sempre carregado pelo poder do espírito. Um pensamento é um vetor poderoso que deflagra um acúmulo de energias psíquicas.

A telepatia, segundo a própria etimologia da palavra, não quer dizer apenas a transmissão de um sinal, mas de um estado psíquico. Aliás, a expressão usual de transmissão não está bem aplicada. Frederic Myers foi muito feliz ao cunhar a palavra telepatia que exprime perfeita e integralmente o fato a que corresponde: o pathos individual comunica-se à distância. É assim que a mente consegue estabelecer a sintonia emotiva com outra ou com outras mentes. Transmissão e captação telepáticas são expressões hipotéticas e impróprias que a Parapsicologia moderna deverá superar, na progressiva compreensão da profunda complexidade do fenômeno.

As relações mentais não se processam da mesma maneira que as relações orais, porque estas se passam no plano físico e aquelas no extrafísico. A teoria da sincronicidade, pela qual o psicólogo Karl Jung pretendeu explicar as relações não causais dos fenômenos paranormais tem a sua correspondência na teoria da associação, com a qual Whately Carington tentou explicar as relações não físicas entre as mentes. A primeira estabelece a relação emocional das ocorrências parapsíquicas; a segunda, a relação analógica das estruturas conceptuais. Para Jung o mundo psíquico, regido pelos arquétipos fundamentais, tem por lei de relação a sincronicidade, pois a causalidade é lei do mundo físico. Para Carington, as mentes não são emissoras nem receptoras, no sentido de uma ligação do tipo telegráfico ou radiofônico, mas apenas perceptivas e analógicas. As idéias ou imagens, que ele denomina psícons, formam as estruturas mentais que se relacionam entre si, segundo a lei da associação por semelhança.

Essas duas teorias foram intensamente criticadas pelos parapsicólogos das várias escolas e geralmente rejeitadas, por não favorecerem a continuidade da experiência de tipo físico em Parapsicologia. É claro que elas apresentam inconvenientes e são dificilmente compreensíveis. Mas é também evidente que abrem perspectivas para uma compreensão mais profunda de psi. Na proporção em que as pesquisas forem revelando, como acentua Rhine, a especificidade do psíquico, as suas leis próprias irão se impondo acima das leis físicas que lhe pretendem aplicar. As teorias de Jung e Carington representam precognições (e é curioso que Carington tenha formulado a sua teoria com base na telepatia precognitiva) talvez em linguagem onírica, simbólica, da futura colocação extrafísica do problema de psi. No momento, servem para lembrar que as hipóteses físicas não se aplicam ao esclarecimento dos casos paranormais.

Assim, o possível mecanismo da telepatia exige maior compreensão da própria natureza de psi. As mentes se comunicam por uma linguagem não articulada, mas de sintonia, não simbólica, mas analógica. Enquanto conversamos oralmente com uma pessoa podemos estar ou não mentalmente sintonizados com ela. Se estivermos, a conversação será agradável e produtiva, porque as frases orais são acompanhadas pela permuta de imagens mentais. Podemos dizer mais do que as palavras exprimem, e perceber mais. Esse é um fato já conhecido em Psicologia, mas que somente a Parapsicologia vem esclarecer.

Os estados afetivos, como já se comprovou experimentalmente, facilitam as comunicações telepáticas. Isso prova que a sintonia mental se estabelece com mais facilidade através da reciprocidade emotiva. Daí a importância da simpatia e da disponibilidade, que Soal verificou e aplicou em suas experiências. Daí também a importância das drogas, da hipnose, do álcool e da cafeína (ambos em pequenas doses), e o resultado favorável das experiências de Urban com indivíduos tratados com eletrochoques e narcoanálise, pois todos esses elementos, de acordo com as condições peculiares de cada sujet, ajudam a torná-los mais disponíveis. Não que esses elementos exógenos despertem as funções psi, mas apenas porque predispõem o indivíduo ao exercício dessas funções, conduzindo-o a um estado psicofisiológico adequado.

Estes fatos corroboram a tese do dualismo-relativo de Rhine, tão combatido e criticado pelos parapsicólogos materialistas e até mesmo pelos espiritualistas do tipo de Amadou. Porque reafirmam a necessidade ou pelo menos a conveniência de um certo alheamento do sujet, de um certo desprendimento das suas tensões físicas para que ele mergulhe mais facilmente no extrafísico, liberando as funções psi da pressão orgânica do cérebro e do peso da rotina. O estado de aceitação dos fenômenos tem também o mesmo efeito, porque predispõe o sujet, favorece a sua entrega. Não é o fato, em si, de aceitar ou acreditar que é importante, mas as conseqüências psicofisiológicas dessa atitude mental. Porque Soal e Goldney confiam mais nas mulheres e nas crianças para as experiências de psi? Precisamente porque são em geral menos alienadas aos interesses e às tensões do ambiente rotineiro, e por isso mesmo mais acessíveis ao desprendimento necessário.

Amadou não admite a tese de Rhine sobre a natureza extrafísica de psi. Não obstante aceita a existência do sobrenatural e estabelece uma dicotomia teológica da natureza humana. Sua posição é a mesma dos sacerdotes que acusam os espíritas de confundirem ocorrências paranormais com a comunicação de entidades espirituais, mas sustentam a validade dos milagres de suas igrejas. Para Amadou as funções psi pertencem ao corpo e ao psiquismo fisiológico. São, portanto, materiais. O espiritual nada tem a ver com esses fenômenos, tanto assim que os animais possuem funções psi.

Com esse golpe interpretativo ele devolve a Parapsicologia ao Pavlovismo, a Betcherev, a Watson, a toda a escola russo-norte-americana da psicologia sem alma. E tira à Parapsicologia o seu papel mais importante, assinalado por Rhine, que é o de realizar a primeira incursão das Ciências além da concepção materialista do universo e do homem. E isso no momento preciso em que a própria Física rompe o seu arcabouço material, avançando no campo energético em direção a dimensões conceptuais claramente espiritualistas. Um duplo peso parece esmagar o raciocínio de Amadou: o da teologia católica e o da filosofia tomista. Daí a sua predisposição para aceitar a telepatia como a única realidade psi, endossando a tese ingênua de Murphy de que os fenômenos de clarividência, estando sempre ligados a criaturas humanas, só podem ser telepáticos.

Lamentando que o problema da telepatia ainda não tivesse encontrado a solução necessária, Rhine comentava em seu livro New World of the Mind (O Novo Mundo da Mente) que talvez fosse necessária uma conceituação melhor da mente para aprofundar-se a questão. Essa nova conceituação decorre do próprio desenvolvimento das experiências de psi, em quase todo o mundo. O trabalho paciente e persistente de Rhine e os amplos resultados por ele colhidos, com sua admirável equipe de pesquisadores, entre os quais figura a sua própria esposa, o autorizam a fazer afirmações como as referentes ao caso da clarividência e da telepatia. Por outro lado, Rhine, acusado de idealista, não tem parti-pris. Sua posição é a do cientista leal que se dedica à investigação na busca da verdade, mas não esquece também o seu dever de sinceridade e coragem interpretativa.

As experiências realizadas pela Duke University comprovaram suficientemente a realidade de ESP e de Pk. A telepatia faz parte integrante do primeiro grupo. O que Rhine entende que deve ser esclarecido não se refere à existência ou não da telepatia, mas à sua natureza, ao seu processo. O que sabemos até agora não nos autoriza a aceitar o velho conceito de telepatia telegráfica. A teoria de Carington, a que já nos referimos, justifica essa posição prudente de Rhine. Enquanto isso, as investigações prosseguem e os resultados são de tal maneira animadores que a telepatia é hoje objeto de uma verdadeira corrida, semelhante à atômica e à espacial, entre os Estados Unidos e a Rússia.

Já são bastante conhecidos os trabalhos de Vassiliev, professor de fisiologia da Universidade de Leningrado e diretor do seu Laboratório de Parapsicologia. Bastante conhecidos no sentido de saber-se de intensas atividades ali desenvolvidas, particularmente no tocante à telepatia, mas pouquíssimo conhecidos quanto aos processos e aos resultados. Sabe-se, por exemplo, que à semelhança do que ocorre em Duke, onde Pratt se dedica à Parapsicologia Animal, em Leningrado quem o faz é o entomologista A. Fabry. Em entrevista concedida a uma revista russa e reproduzida na França, Vassiliev fez referência ao trabalho de Fabry e às experiências realizadas por ele sobre as comunicações de animais à distância.

A teoria telepática de Vassiliev, na linha fisiológica do pavlovismo, é a da transmissão energética por ele chamada de “meio de ligação rádio-biológica”. A maneira de Amadou – curiosa coincidência de posições do espiritualismo dogmático e do materialismo marxista – Vassiliev considera psi como sendo apenas “uma sobrevivência de aptidões rudimentares, herdadas pelo homem de seus ascendentes animais”. Pergunta o que faria o homem de hoje com poder de “sugestão mental à distância”. considera ainda – em contradição com os parapsicólogos ocidentais e com as experiências feitas a respeito – que psi se manifesta entre os doentes psíquicos ou nervosos, “como uma espécie de atavismo”. E acentua a importância das pesquisas a respeito, por interessarem ao melhor conhecimento dos processos vitais. Informa que milhares e milhares de experiências serão feitas na Rússia. Em 1963, Vassiliev publicou um livro com uma tiragem de 120 mil exemplares, intitulado: Sugestão à Distância. Em 1959 já havia publicado Fenômenos Misteriosos do Psiquismo Humano, e anteriormente outros livros, inclusive sobre hipnotismo.

Em 1919, Betcherev publicou Telepatia com os Animais, seguido de mais alguns trabalhos, anos depois, sobre “reflexos coletivos” e “atividades cerebrais”. Kajinsk lançou, em 1923, um trabalho sobre telepatia, intitulado Transmissão do Pensamento. Sobre o mesmo assunto, Arkadiev publicou um estudo intitulado: Hipótese Eletromagnética da Transmissão do Pensamento. Mais recentemente, notícias russas divulgadas na França e na Inglaterra deram conta de experiências de Vassiliev com barreiras eletromagnéticas e eletrônicas para impedir o processo telepático, sem o conseguir. Outras experiências foram feitas, com diversas formas energéticas, sem nenhum resultado, o que levou o sábio russo a informar que o pensamento é um tipo de energia desconhecida. Essas experiências soviéticas confirmam as de Rhine, demonstrando a inexistência de barreiras físicas para a telepatia.

A posição da Parapsicologia soviética, como se vê, é a mesma da corrente telepática ocidental. Não aceitando a natureza extrafísica de psi, que seria contrária à filosofia oficial marxista, Vassiliev e depois dele Koogan empenharam-se no estudo de um processo rádio-emissor para o fenômeno telepático. Nesse ponto há evidente atraso em relação aos novos conceitos do processo telepático que se desenvolvem nos meios ocidentais e que têm, na posição de Rhine em face das questões de clarividência e telepatia, uma demonstração prática. O reconhecimento da natureza não-física de psi permite à escola de Rhine investigar a estrutura superior do processo, sem nenhuma sujeição aos princípios e às leis da Física. Essa possibilidade representa a abertura de uma brecha na concepção materialista do Universo e ameaça restabelecer a legitimidade da Psicologia como ciência da alma, ou seja, do psiquismo autônomo. Leonid Koogan, que hoje substitui Vassiliev e se interessa especialmente por investigações para a aplicação da telepatia na Astronáutica, segue a mesma linha pavloviana daquele, contrária à natureza extrafísica de psi.

A mais insistente acusação que se faz atualmente a Rhine é a de filosofar sobre os resultados da sua pesquisa científica. Pierre Duval, ainda há pouco, acusou-o, na França, de autor “demasiado americano” de uma filosofia simplista da eficiência. E acrescentava que a tarefa da Parapsicologia não é a de provar se o homem é espírito ou não. Rhine poderia responder que a sua rejeição ao esquema simplista da telepatia-telegráfica jamais seria possível, se ele permanecesse na linha materialista ou na espiritualista dogmática. É a sua capacidade de pensar, de analisar, de tirar ilações e pesquisar, não só no campo objetivo, mas também no subjetivo, que lhe permite enfrentar com independência o problema telepático. A concepção do cientista como uma espécie de robô, cuja função é apenas a de fornecer dados ao pensamento alheio, é muito mais simplista que qualquer filosofia da eficiência.

Por todas essas razões, demos, neste capítulo, o título de Tp - A linguagem da mente. É com essa linguagem que a Ciência renovada poderá transformar o mundo. Rhine compreendeu isso e recusou-se, por intuição e por compreensão posterior do problema, a enquadrar a linguagem universal do espírito nos esquemas frios da cibernética. A telepatia não é um processo mecânico, de natureza física. É uma função mental, não isolada, mas ligada ao conjunto psigama e estreitamente relacionada com a clarividência. Com ela falamos a linguagem do espírito, entramos em novo tipo de relações, abrimos as perspectivas de um futuro imprevisível para a Humanidade. Não se pode tratar desse assunto com a frieza e a isenção empregadas no estudo da estrutura atômica. Como assinalou Richet: “Estamos diante de problemas que não se relacionam apenas com o nosso bem-estar físico, mas com a nossa evolução moral e espiritual, com a destinação do homem no Cosmos”.

Um exemplo disso – e no campo da prática, tão ao gosto dos que censuram o pragmatismo de Rhine – nos é dado pelo grupo de jovens astrônomos norte-americanos que, junto ao Monte Palomar, desenvolveram o Projeto Ozma, captando sinais de duas estrelas indicadas pelo astrônomo chinês Su Schu Huang, em 1961, nas constelações da Baleia e de Eridan. Essas estrelas, segundo aquele astrônomo, devem ser habitadas e possuir civilizações superiores. Mas o grupo de jovens observadores não se contenta com os meios físicos de pesquisa e incluiu no projeto uma equipe de telepatas. Podem os espíritos práticos rir à vontade desses jovens pesquisadores. A verdade ê que eles representaram nas encostas do Monte Palomar os verdadeiros anseios de uma humanidade que se liberta do “aqui” e do “agora”, para alcançar o “amanhã” e o “depois”. A telepatia é a única linguagem de que podem servir-se para dialogar com as estrelas.

Seria loucura o que eles fizeram? Não, porque as experiências de Rhine já provaram que, para a telepatia, as distâncias não existem e o tempo não oferece empecilhos. As mentes se comunicam num plano superior ao do condicionamento físico de espaço e tempo. A série de experiências realizadas entre Durham e Duke, nos Estados Unidos, e Zagreb, na Iugoslávia, provou suficientemente que ESP – como Rhine prefere dizer – independe do espaço. O sujet era o próprio Professor Carlo Marchesi, que procurava identificar, em Zagreb, as cartas escolhidas pela equipe da Duke University, do outro lado do oceano, numa distância de mais de quatro mil milhas. Os resultados foram positivos, tendo-se realizado novas experiências, também positivas, entre os mesmos experimentadores.

Outra prova curiosa da natureza puramente psíquica das funções psi resultou desses contatos de Duke com Zagreb. O Dr. Marchesi visitou o Laboratório de Duke depois das experiências à distância e submeteu-se a experiências de proximidade, que deram resultados muito inferiores. A sua percepção, a quatro mil milhas, era mais precisa. Rhine lembra que as condições psicológicas do visitante eram desfavoráveis, o que vem confirmar as observações já feitas em Duke de que são essas condições, e não as de ordem física, “as que determinam a proporção de acertos do sujeito”. Outras observações de Rhine a respeito são as seguintes: Marchesi captava em Zagreb os símbolos das cartas Zener dispostas numa mesa em Duke, formando um conjunto tão diminuto que fisicamente seria impossível diferenciá-las na distância; entre o percipiente e o objeto havia numerosas barreiras físicas, além das milhas oceânicas, e que eram as cadeias de montanhas e a densidade atmosférica, fatores incidentais inevitáveis, e os próprios edifícios em que se abrigavam os experimentadores e o percipiente. Qual a energia física suficiente para realizar essa façanha, vencendo tranqüilamente todas as barreiras e comunicando ao percipiente as impressões sutis do experimento?

O Professor Wathely Carington realizou também um curioso experimento na Inglaterra, utilizando-se de desenhos em lugar das cartas Zener. Os percipientes estavam na Holanda, na Escócia e em Duke, Estados Unidos. Carington emitia do seu gabinete na Universidade de Cambridge. Os resultados foram altamente significativos e as contagens melhores foram obtidas pelos percipientes que, em número de doze, captavam em Duke, na maior distância através do oceano. Essas experiências mostram que psi não é também afetado pela gravidade e pelas variações atmosféricas.

Não são loucos os jovens astrônomos do Monte Palomar. Podemos mesmo dizer que há mais facilidade no contato da sua equipe telepática com as estrelas distantes do que dos seus instrumentos de energia física. No famoso experimento Wilkins-Sherman, controlado por Gardner Murphy, entre as regiões do Pólo Norte, em que aviadores russos se haviam perdido e New York, onde Sherman aguardava comunicações do explorador Wilkins, os resultados foram notáveis. O rádio-operador do New York Times, Reginaldo Iversen, declarou que Sherman tinha um conhecimento telepático mais exato da situação de Wilkins do que ele podia obter através das suas “ineficazes tentativas para manter contato por meio da rádio-comunicação de ondas curtas”.

Seria preciso dizer mais? A natureza extrafísica do processo telepático se comprova através de experiências extensas e intensas. As comunicações entre Wilkins e Sherman duraram cinco meses, entre dezembro de 1937 e abril de 1938. Nesse longo período Sherman recebia, três vezes por semana, as comunicações telepáticas de Wilkins, e as enviava a Murphy e a outro controlador. As comunicações radiotelegráficas por ondas curtas foram constantemente interrompidas. Murphy podia controlar, apesar disso, o noticiário do jornal com as informações recebidas de Sherman. Todo o registro dessa experiência foi publicado num livro: Thoughts Trough Space (Pensamentos Através do Espaço) sob os nomes de Hubert Wilkins, o explorador polar, e Harold M. Sherman, o pesquisador telepata. Em 1944 foi publicada uma tradução na Argentina.

Harold Sherman publicou recentemente, nos Estados Unidos, um curioso livro que se tornou best-seller, intitulado: How to make ESP work for you (Como pôr ESP a seu serviço) , tratando precisamente das aplicações práticas da percepção extra-sensorial. Não se pode negar que ele tem experiência suficiente para isso. Resta saber, entretanto, se em todos os casos de telepatia se poderiam obter os resultados seguros do seu caso pessoal com Wilkins.

Enquanto isso, chegam da Rússia novas informações auspiciosas. A revista moscovita Saber e Força, segundo comunicado da France Press, enviado de Moscou a 2 de fevereiro de 1966, publicou importante reportagem sobre experiências telepáticas realizadas com a presença de cientistas até há pouco infensos à pesquisa parapsicológica. Os resultados foram de tal ordem que o Professor Smilga, famoso físico, declarou peremptoriamente: “A telepatia existe, não há mais possibilidade de dúvidas a respeito.” Outros cientistas, entre os quais o Professor Kitaigorodsky, que numerosas vezes haviam manifestado o mais completo ceticismo no tocante às experiências parapsicológicas, declararam-se satisfeitos com as demonstrações realizadas. Kitaigorodsky afirmou, ao terminar uma das sessões experimentais: “Do ponto de vista da ciência contemporânea os fenômenos parapsicológicos são inexplicáveis.”. Outro famoso físico soviético, o Professor I. E. Koogan declarou: “Já está superada a fase de sensacionalismo em torno da telepatia. Já não nos cabe discutir se ela existe ou não, mas tratar de descobrir as suas origens”.

A revista soviética informa ainda que foi criada uma secção especial para fenômenos telepáticos, integrando a série de pesquisas em desenvolvimento, na Universidade de Moscou, sobre radiotécnica e comunicações elétricas. A nova secção pertence ao campo de investigações biológicas e tem por fim aprofundar os estudos sobre a utilização das transmissões telepáticas. Como se vê, essas notícias confirmam plenamente o interesse dos cientistas russos pela telepatia, como nova forma provável de comunicação à distância, e comprovam o pleno reconhecimento científico da telepatia pelos meios soviéticos.

O que opõem a tudo isso os nossos céticos, que vêem a Parapsicologia pelo espelho côncavo do Padre Quevedo e seus companheiros de espetáculo? O mesmo sorriso de desdém dos sábios que tripudiaram sobre Pasteur? Parece que já é tempo de nossas Universidades encararem a sério essa nova dimensão das Ciências, estabelecendo centros de pesquisa a cargo de investigadores competentes. Até quando continuarão acalentando a sua ignorância do assunto?



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