História, literatura e educaçÃO: diálogos possíveis



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HISTÓRIA, LITERATURA E EDUCAÇÃO: DIÁLOGOS POSSÍVEIS
Letícia Souto Pantoja.

Universidade Federal do Pará.



lspantoja@ufpa.br

Resumo:

A partir da análise das obras “Belém do Grão Pará” e “Passagem dos Inocentes” do escritor paraense Dalcidio Jurandir se procura inventariar as representações culturais que esse literato construiu acerca da educação formal e dos saberes não formais na Amazônia durante as décadas de 1920 e 1930. Ao considerar-se o discurso literário articulador de percepções da realidade histórica que ultrapassam a esfera da simples narrativa ficcional, este artigo pretende explicitar a viabilidade acadêmica das pesquisas que atuam de modo interdisciplinar envolvendo os conhecimentos da História, da Literatura e da Educação. Nesse sentido, o texto literário interpretado a partir de seu contexto histórico-social permite compreender certos aspectos de práticas cotidianas amazônidas que dialogavam com modelos educativos vigentes no Brasil na época em os romances foram elaborados e também, no período em que se passam as tramas narrativas.



Palavras chave: Dalcídio Jurandir; educação formal; representação; discurso literário.
O romance Belém do Grão Pará é o quarto título publicado por Dalcidio Jurandir dentre as dez obras que compõem o chamado Ciclo do extremo Norte. Nele o autor acompanha a transferência do menino Alfredo da ilha do Marajó, região interiorana do estado do Pará, para a cidade de Belém, capital da região.

Por desejo dos pais, Alfredo é obrigado a continuar os estudos que iniciara de forma rudimentar na Vila de Cachoeirai, transferindo-se para escolas belemitas consideradas mais aparelhadas e providas de um corpo de profissionais qualificados; leia-se, professores que freqüentaram a conhecida “Escola Normal”.

Diante da impossibilidade financeira da família mudar-se para a capital, sua mãe se sujeita a hospedá-lo com uma família aparentada e pertencente à pequena classe média decadente, os Alcântaraii. Acredita-se que toda a ação do romance se desenvolva na década de vinte, mais precisamente a partir do ano de 1922, em virtude das esparsas, mas incisivas alusões que o texto faz a fatos históricos regionais e acontecimentos políticos nacionais.

O enredo começa com a chegada de Alfredo à Belém, ainda desconfiado e com traços de matutice ou como diria o próprio personagem, “de Tio Bimba” iii. A partir daí, a história transcorre nessa cidade, fundada nas descrições e narrativas do autor acerca das vivencias que o menino constrói nos múltiplos espaços citadinos e em face de sua interlocução com diferentes sujeitos e contextos sociais.

Em “Passagem dos Inocentes” o menino vivencia seu segundo ano na capital do estado, passando então a residir com uma sobrinha de seu pai, D. Celeste ou simplesmente Cecé, moradora de uma palhoça na Passagem Mac-Donald localizada em área suburbana de Belém.

Neste novo romance amplia-se o número de personagens dalcidianos que oscilam entre a vida urbanizada e as memórias de suas vivências no Marajó, surgindo figuras como Belerofonte, filho único de D. Cecé, malcriado e abobalhado; seu Antonino Emiliano, marido de dona Celeste, que a desposou depois de um escândalo que manchara a reputação na moça no Muaná; o velho “espantalho” da esquina do beco, sempre observando; a jovem normalista que morava próximo a barraca de Celeste e que simbolizava todas as pretensões e contradições que Alfredo identificava nas professoras do grupo escolar.

Paralelamente, Alfredo intensifica suas perambulações pelas ruas da cidade, especialmente porque o trajeto entre a Passagem dos Inocentes e o Grupo Escolar Barão do Rio Branco era feito a pé, percorrendo as ruas dos bairros do Umarizal e Nazaré, atravessando a cidade de leste a oeste.

A escola apresentada ao leitor de “Passagem dos Inocentes” oscila entre o lugar da descoberta da primeira paixão platônica da juventude e o espaço de alienação dos sujeitos de sua realidade social, posto que corresponde a uma instituição imersa em conteúdos didáticos, técnicas de ensino e métodos de aprendizagem que pouca –ou nenhuma- relação mantém com o contexto cultural de seus alunos.

Assim, o confronto implícito entre o compromisso moral-familiar de obter uma educação escolar e o desejo íntimo de aventurar-se pela urbe, desvendando seus signos e obtendo conhecimentos pragmáticos que apenas o espaço das ruas e o contato com as gentes do povo possibilitam, revela-se constante ao longo de ambos os romances.

Nesse sentido, é precisamente essa tensão entre representações de uma educação formal, circunspecta aos bancos escolares, teórica, autoritária e distanciada da realidade cultural do aluno em oposição a uma educação não formal, considerada utilitária, afetiva e fundamentada nas experiências culturais locais, que este ensaio procura discutir.


Entre o desejo de educar-se e o enfado com a Escola.

Em grande parte da obra Belém do Grão Pará, Dalcídio procura mostrar o processo de transformação das representações do menino Alfredo sobre a importância da escolarização. Nesse sentido, transita pelos sentimentos de medo, deslumbre e desejo de aprender os conteúdos escolares até a repulsa pelas mínimas coisas inerentes a rotina do grupo escolar Barão do Rio Branco. Vejamos:


“Na sala, contemplando o piano, Alfredo fingia estudar. Folheava a gramática de Paulino de Brito, trazida de Cachoeira. Os verbos, não decorava. As janelas fechadas, por que? O piano pesava, os postais nas colunas desbotavam-se e por que aquela moça na fotografia antiga se era agora D. Inácia? Encaixilhados na parede os dois retratos, bonitos demais para serem o seu Virgilio e a D. Inácia. Bonitos? Não. Nem bonitos nem parecidos. Faziam de conta. E ali em cima do joelho aberto, o ver “ter” sem o “r”, “tê”, dito nos lábios apenas, tão breve, muitas vezes quase num sopro. E aqui na gramática esse “ter” eram três letras, numa conjugação, e um pretérito e um conjuntivo... Com aquele fastio da gramática e da aritmética do Trajano, envergonhava-se e ao mesmo tempo ouvindo Andreza lhe dizer “tê, três e um é cinco, que o peixe tivesse língua?” O labirinto das frações o enchia de insegurança, de súbitas covardias. Tinha de prestar exame para o terceiro ano elementar do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.”iv
O trecho transcrito registra o encontro simbólico de Alfredo com as obrigações trazidas pela tarefa de estudar na capital. Sob este enfoque, o menino vindo do interior e que aprendera as primeiras letras com um professor particular antes mesmo de ir à escola sente-se inseguro em face dos conhecimentos formais que precisa adquirir.

Temor e enfado se misturam denotando o distanciamento afetivo entre o ser e o saber, num processo em que a apropriação da educação escolar corresponderia a perda de um conjunto de sensibilidades pessoais e afetivas que o ligavam às suas origens marajoaras e as pessoas que faziam parte desse universo, representadas na obra pela menina Andreza.

Nessa narrativa, o Grupo Escolar Barão do Rio Branco torna-se uma espécie de simulacro daquilo que a educação formal significava e se constituía para o menino: ritualismo, instrumento de ascensão social e construção de identidade. Para Alfredo, a educação da gramática e da aritmética, das letras padronizadas e formalizadas em regras, das soletrações e raciocínios permitiria que superasse a origem mestiça e pobre.

O exame de admissão, por sua vez, assume a conotação de um rito de passagem em que ser aprovado no teste é receber a permissão para ingressar num mundo de inúmeras novidades. A vida em Cachoeira, as brincadeiras ao ar livre e as piadas divididas com os amigos passam a ser lembranças cultivadas com saudosismo pelo jovem parauara.


“Tudo era por não ser mesmo o “Colégio”? Aquele colégio de faz de conta, visto através do carocinho de tucumã, ao pé da montanha? Para Alfredo, estudo era então algo exclusivo do Colégio, em que os verbos e os números entrassem em sua cabeça, como passarinhos na “Folha Miúda”, aquela árvore da beira do rio, defronte do chalé.

Saber era como viajar e ali, no 160, não havia viagem, nem no Grupo, montanha ou jogos em pleno jardim onde viessem dar aulas os professores.

Vendo-o com a gramática fechada, pés cruzados, esquecido a olhar o piano, Emilinha advertiu:

__Meu anjo, meu anjo, você vai fazer o feio? Assim não passa no exame. Está pensando que é Cachoeira? Tem mesmo vontade de estudar? Olhe os sacrifícios que sua mãe anda fazendo.”v


Não obstante as apreensões pessoais de Alfredo, o autor da narrativa procura enunciar a existência de outros olhares e representações discursivas acerca da educação escolar. Nesse sentido, Emília Alcântara adverte o jovem estudante sobre a responsabilidade que lhe recaía nos ombros, de fazer jus às expectativas da família e passar no exame de admissão. Ao mesmo tempo, ao perguntar quase em tom afirmativo: __“Esta pensando que é Cachoeira?”; a personagem filha dos Alcântara reforça a idéia do distanciamento que existia entre os saberes adquiridos pelo garoto durante sua vida interiorana e a educação que passaria a receber na cidade, no grupo escolar, por meio de professoras formadas que ensinavam um conjunto de conteúdos técnicos e pretensamente científicos.

Essa percepção da escola como um espaço particular de aquisição de saberes que mesmo voltados para formar o indivíduo para o mundo, não dialogam com aqueles conhecimentos que o sujeito traz de outras vivências fora do lócus escolar, está presente de forma constante na obra Belém dó Grão-Pará.

Várias falas de Alfredo, como por exemplo, “...saber era como viajar e ali, no 160, não havia viagem, nem no Grupo...”, em conjunto com os discursos de outros personagens do romance reforçam a idéia que a escola pública já oferecia naquele tempo, apenas uma educação classificada posteriormente por Paulo Freire como bancária. E essa educação não dialogava com os saberes que a vida prática dos escolares proporcionava em outros espaços e ocasiões que extrapolavam à esfera do Colégio e da sala de aula.

De forma semelhante, em “Passagem dos Inocentes” Alfredo comenta sobre os conhecimentos ensinados pelas professoras normalistas na seguinte perspectiva:


“Por certo, a professora nunca viu um laranjal e dele falava na forma de números, riscos, fração... Algum de vocês já chupou uma laranja da Bahia, onde é a Bahia Lamarão? Nem isso indagava a professora. Faltava laranja na aula. Uma boa aula de maracujá faltava. Em vez que laranja ou do maracujá, era: Quem em mil quinhentos e quarenta e nove chegou na Bahia? E isto dos séculos? Tempo contado em cem anos? Era, de verdade, um tempo? Mil quinhentos, mil seiscentos, mil setecentos, mil oitocentos, em MCLVX existam, houve? No desfilar sem conta das regras definições datas e nomes, não era melhor a aula que davam os olhos da professora Maria Loureiro de Miranda? Tudo nos livros e na boca das professoras fazia lembrar a palavra Maternidade na cabeça das velhas parideiras do Ararí. Ensinar era palavrear? Aprender engolir palha? Alfredo não via os objetos de que falavam as lições.”vi
O distanciamento do saber escolar das experiências cotidianas entretecidas pelos educandos em sua relação com o mundo e com as necessidades mais prementes de sobrevivência se encontra manifesto nas variadas vozes construídas pelo escritor; e nesse sentido, o questionamento do valor e da utilidade desses conteúdos escolares para a vida prática dos estudantes é reiterado constantemente.

São esses aspectos que estando perceptíveis ao pesquisador permitem considerar o conteúdo não ficcional implícito no texto através das representações discursivas que ele enuncia (CHARTIER, 1989). Nesse sentido, ao inserir Belém do Grão-Pará e Passagem dos Inocentes em seus contextos históricos é imprescindível esclarecer que foram obras produzidas em meados da década de 1950, mas reportando-se a uma realidade social e pedagógica vivenciada por Dalcidio Jurandir durante os anos 1920 e 1930.

Sob este enfoque, é sabido que a década de 1920 assinala no Brasil e também na Amazônia uma série de movimentos intelectuais, culturais e políticos nos quais sobressai a tensão entre a realidade agro-exportadora brasileira e as novas demandas de um capitalismo urbano-industrial que se consolidava. Essas emergentes questões político-econômicas colocam em cheque certos aspectos da estrutura educacional brasileira, destacando-se o número insuficiente de escolas nas regiões rurais, os métodos de ensino baseados no enciclopedismo e na universalidade dos conteúdos, a desarticulação entre os saberes difundidos e as necessidades do mundo do trabalho. (ROMANELLI, 1998, p. 94)

Nas artes, vários pintores e literatos procuram achar os contornos do que seria uma brasilidade genuína e por isso, produzem obras que consideram eminentemente autóctones, cujas temáticas destacam certa característica que postulam estar entre as mais singulares do brasileiro: a mestiçagem. Esse traço podia ser amplamente encontrado nas camadas pobres e trabalhadoras do Brasil e particularmente, da Amazônia, que se tornam os personagens privilegiados dos romances escritos nesse período (FIGUEIREDO, 2001).

Impõe ainda esclarecer que Dalcídio possuía militância no Partido Comunista e voz ativa dentre a intelectualidade considerada de esquerda na região, dialogando com nomes como Bruno de Menezes, Jacques Flores, Jorge Amado, Zélia Gatai, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, dentre outros. (FURTADO, 2002)

Esse trânsito entre a “vanguarda” artística nacional aliada a sua posição político-partidária e ainda, conjugada a uma atuação significativa na área educacional paraense, como inspetor de ensino e secretário da Revista Escola, órgão do professorado estadual explicam várias de suas opções narrativas, destacando-se as constantes menções que faz à condição cabocla, mestiça, interiorana e à origem proletária de Alfredo, para quem a aquisição da educação escolar tornava-se sinônimo de ascenção social,vii como se vê no trecho seguinte:


“Fim do mês, entrava em casa com um distintivo de metal preso a uma fita verde-amarela.

__Mas que é isso no peito? Condecorado? Quadro de Honra? E chegado ontensinho do mato, esse tio-bimba, meu Deus! Ó Emília! Mas já se viu? Assim acaba general.”viii


Observe-se que no romance, a freqüência ao Grupo Escolar -porta de entrada das camadas pobres na educação primária estatal- correspondia a uma etapa de um percurso mais amplo de escolarização almejado por Alfredo, cujo patamar final era o ingresso no Colégio, ou seja, na educação secundária, humanista e científica que possibilitava afastar-se dos cursos profissionais, costumeiramente freqüentados pelos filhos dos segmentos mais pobres, nas décadas de 1920 e 1930 (RIBEIRO, 1998).
“Aqueles dias entre a chegada e o exame de admissão ao Grupo escolar foram difíceis e lentos para Alfredo: solidão na casa alheia, saudade, cabelo crescendo, o medo do exame – cadê estudo? – aquela preocupação pela mãe. (...)

Queria era Belém só, para tornar-se menino de cidade, entregue unicamente ao Barão.



Escorria da montanha o Colégio sonhado. Este sonho era o que diferençava dos moleques de Cachoeira, o separava dele. Agora despojado do Colégio, sentia-se igual aos moleques, qualquer menino de Grupo Escolar. A família Alcântara não acolhia um menino especial e sim este caboclinho que sou euzinho, cabeça rapada, sobrinho de Isaura, a costureira, e esta, filha da tacacazeira do canto da Quintino.

Entre a paixão de estudar e o estudar mesmo atravessava a viagem, os seus novos sentimentos, a perda do carocinho, ou a morte súbita de sua infância?ix (grifo nosso)
Importante destacar que não é sem incômodo que Dalcídio Jurandir dá voz a Alfredo e o seu desejo por escolarizar-se num Colégio da capital do estado. A escola (pública) é apresentada como um espaço da ordem e da disciplina, essencialmente burguês e de formação de valores burgueses; muito embora, na comunidade escolar composta não apenas por alunos e professores, possam ser encontrados sujeitos das mais diversas origens e condições sócio-econômicas.
“Na Generalíssimo Deodoro, estava o prédio que Alfredo julgou digno dum colégio, com gradil e portão, no meio de uma larga área de recreio. Um homem escuro, maneta, manga inútil no bolso do paletó de casimira, esbravejava contra os moleques que haviam trepado nas grades do jardim, para retirar um papagaio. Era o Grupo Escolar Barão do Rio Branco. A entrada o busto do Barão. O maneta era o porteiro, veterano de Canudos, como informou D. Emília, recebeu os dois com voz encatarrada e impaciente. Logo assomou, alta, cinzenta, da cabeça aos pés, cabelo, rosto, vestido, sapato e a própria voz, a espartilhada Senhora Diretora. Da porta defronte, uma menina, num relâmpago espiou. Outra arrisca um rabinho do olho certeiro no coquinho pelado de Alfredo. E aquele zumbido das aulas, embaixo e em cima, inundou Alfredo de uma súbita decisão de passar no exame, arrepednido de não ter estudado mais. Receou que as questões de aritmética fossem além das que lhe dava o professor Chiquinho.” x (grifo nosso)
Mais uma vez o temor de que os estudos e conhecimentos pregressos não fossem suficientes para lhe assegurar a aprovação no exame de admissão se mostra uma das principais preocupações de Alfredo em quase metade da obra. O fato de sua experiência escolar anterior compreender saberes adquiridos num contato maior com a terra, o meio ambiente e o espaço aberto do campo, dizendo respeito a uma realidade de escola encravada no meio rural amazônico, em região de beira de rio, de salas de aula com pouca infra-estrutura, de professores que fazem parte da comunidade afetiva mais próxima do educando, é tratado no romance de forma ambígua, oscilando entre o saudosismo e a denúncia política.

Por outro lado, a cultura material da escola, os objetos, o espaço-arquitetura, os recursos didático-pedagógicos são questões importantes na construção das imagens simbólicas sobre o estudar e os saberes escolares. Assim, estar instalada num prédio imponente com gradil e portão concede status e respeitabilidade à escola da capital, diferentemente da escolinha de Cachoeira onde ministrava aulas o professor Chiquinho. Percepção reiterada no trecho de “Passagem dos Inocentes” em que Alfredo compara sua condição de estudante do Barão do Rio Branco com o de outros alunos de escola pública, especialmente do Grupo Escolar Doutor Freitas, que se localizava em área suburbana da cidade.


“No seu caminho para o Barão, passava pelo grupo escolar do largo de Santa Luzia, o Doutor Freitas, e espichava o beiço: esse um aí? Coitado. Não tinha a boa presença do Barão, este sim, recostado nas mangueiras do fundo; nem a escadaria de pedra branca nem na entrada, de pedra branca, o busto do Barão.”xi
O busto do Barão que dava nome ao grupo escolar também é referido com ênfase em “Belém do Grão Pará”; o globo, a mesa da professora e o quadro negro são outros objetos importantes e que tem o porquê de serem mencionados nos textos, na medida em que auxiliam a compor o ideário da época a respeito do que seria uma boa e respeitável escola.
“Entrou na Sala do terceiro ano, um pouco surdo, sem ver ninguém, embora sentindo à sua volta aquele numeroso e miúdo olhar da meninada. O quadro negro pareceu-lhe daqueles panos que lhe encobriam o rosto quando adoecia dos olhos. E o globo, na mesa, intimidou-o, fazia-o mais menorzinho que a formiguinha ali na bainha do vestido de d. Emília. Abaixou-se, tirou a formiguinha. Uma voz de mulher assumia proporções de um brado ecoando na sala, no edifício, no coração do menino, como se avisasse: “não passarás, não passarás!”. (...) Prestou exame no meio do zumbido geral. E para espanto de Emília Alcantara, pois não passou?”xii
Além dos aspectos físicos do ambiente escolar, as características da relação entre professor-aluno são evidenciadas na escrita dalcidiana como pautadas no distanciamento afetivo e na valorização da cultura letrada enquanto elemento de afirmação da autoridade do Mestre sobre o educando.

Paralelamente, a preocupação com a autodisciplina docente e com a disciplina escolar, o cuidado com a apresentação pessoal por parte das professoras e o apego às formalidades, somados a excessiva ritualística presente no cotidiano escolar, a repetividade dos exercícios e a previsibilidade das ações pedagógicas levam ao desapontamento do menino Alfredo com estudos. Fato que na verdade representa o próprio desencantamento do autor com a educação escolar estatal, fundada em métodos que ele reconhecia como superados.


“Alfredo, no Grupo, habituava-se ao desapontamento daquele estudo. Muitas vezes, esquecidamente, ficava a olhar a espartilhada diretora, as professoras, a captar aquele perfume delas, o esquivo e proibido encanto em quase todas. As notas que elas anunciavam alto, os ralhos, o começo de raiva, a impaciência de uma, o sorriso disfarçado atrás da mão, vestidos, flores na mesa, bolsas, leques, o espelho de repente em que esta professora se mirava e aquela dava uma lição de vaidade, levaram-no a estimar as aulas. Ao seu lado, lamarão, muito educadinho, muito prestativo. Quando a campa batia, saíam de um só vôo, encontrando-se no portão com as meninas. Diante delas, Alfredo se tornava tímido, quase assustado, até mesmo perante a que colecionava santinhos. Hinos que cantavam, campa das horas, leitura em voz alta, o soldado de Canudos, maneta, agora um general, como porteiro, tudo já fazia parte de uma vida velha, quase sem surpresas, por momentos, aborrecida. E nele jaziam restos do Colégio perdido, com Andreza também no meio, com suas cartas.”xiii
O desapontamento do personagem corresponde em grande medida às inquietações que Dalcidio Jurandir nutria em relação ao modelo escolar vigente na época em que começou atuar na área da educação. Esse ponto de vista é reforçado ao examinar-se o teor de um artigo que escreveu para a Revista Escola, em 1935:
“A primeira coisa que se ensina á creança é o dever com a lettra grande. Mas dever? Sim, um dever que é a ferrugem deprimindo, corroendo e destruindo o vigor, a alegria e a saúde das creanças e dos adolescentes. O que se deve fazer da creança é uma criatura humana. A educação não tem sido mais do que um processo policial. Policiar é sempre mais fácil do que educar. Por que educar é exigir a pensar e Anatole France dizia que muita gente não gostava do Hamleto porque o merencoreo príncipe obrigava a pensar...Educar é construir e hoje o processo é destruir e conservar em poeira, as raridades inúteis ou ferozes como o Dogma, o Preconceito, o ensino religioso e o collarinho de pontas viradas...xiv
Entre o discurso real e o ficcional sobressai a angustia por mudanças que alterem o âmbito da escola pública e os saberes por ela ensinados. Nos romances aqui analisados, o enfado e o cansaço diante da rotina escolar passam a integrar as falas de Alfredo e assim o micro-cosmos social que constitui o grupo escolar torna-se uma realidade a ser criticada.

O desinteresse com as aulas, a perda da admiração pelas professoras e seus trejeitos, a insatisfação com os exames e até mesmo a diminuição da empolgação com as condecorações recebidas permitem pensar algumas problemáticas relativas às práticas pedagógicas desenvolvidas nesse período.

Ao traçar paralelos entre os discursos dalcidianos sobre educação e as propostas pedagógicas da chamada Escola Ativa, circulantes no Brasil a partir dos intercâmbios efetuados entre educadores locais e norte americanos, pode-se situar teoricamente boa parte das proposições do autor de Belém do Grão-Pará e Passagem dos Inocentes a favor de uma escola estatal e laica com os ideais defendidos pelos escolanovistas.

As críticas dalcidianas sobre os programas de ensino e metodologias adotadas pela escola do período articulam-se aos inumeros debates em torno da necessidade de abolir-se definitivamente uma educação republicana instituída sob a influência positivista e baseada na repetição e memorização dos conteúdos.

Regionalmente, ao se analisar os programas das disciplinas escolares do curso primário notamos os resquícios dessa pedagogia positivista. Leia-se o conteúdo do programa de Português para o terceiro ano primário, a ser ministrado nos Grupos Escolares belemitas:
“3º anno – Leitura corrente de prosa e verso.

Execícios Oraes - Exercícios de invenção.

Composição suggerida por um quadro ou estampa e desenvolvida mediante orientação do professor, primeiro oralmente e, depois de muitos exercícios, por escripto.

Estudo mais desenvolvido do substantivo e do adjetivo. Genero, numero e grau.

Noções do pronome e do verbo.

Conjugação dos tempos simples dos verbos TER e HAVER, SER e ESTAR, bem assim dos tempos simples dos verbos regurales dos três paradigmas.

Estudo succinto das palavras invariáveis

Estudo prático da alteração morphica das palavras pela mudança do gênero e do numero.

Exercícios escriptos – Dictado de trechos progressivamente mais difficeis que os do anno anterior.

Redacção de bilhetes. Exercícios de memória – Recitação de monólogos, diálogos, fabulas e outros trechos em prosa e verso.”xv


Exercícios orais, exercícios escritos e exercícios de memória se voltam basicamente para a fixação de um conteúdo previamente fornecido e não para a reflexão ou crítica sobre o mesmo. O desenvolvimento das duas competências básicas do educando (falar e escrever) deve ser dirigida pelo professor para a formação de sujeitos capazes de expressar-se escorreitamente na língua materna, aplicando as regras gramaticais e ortográficas.

É a partir do momento que o menino Alfredo passa a enfadar-se com essa educação que lhe é concedida no grupo Barão do Rio Branco que surgem outras vozes no romance que anunciam saberes e conhecimentos produzidos fora do ambiente escolar; como por exemplo, o Cara Longe, taberneiro da Passagem dos Inocentes, conhecedor da vida alheia e dos segredos etílicos capazes de curar os mais diversos males.

Sobre a relação entre esses dois espaços de transmissão de saberes podemos perceber como a vida além dos muros da escola permite trocas culturais e o aprendizado de lições que extrapolam a esfera das teorizações feitas nas salas de aula dos grupos escolares. Senão vejamos:
“Aquele balcão ali na Bôca, com o Cara-Longe, esguinchava a peçonha, a légua e meia. Todos fossavam a vida do próximo; do mundo só viam o imundo, em meio de suas risadas e de jacurututu.

Alfredo balançava a garrafa, oh! Que nojo da metade desta Inocentes. Ali na taberna, bastava meia hora, crescia um ano. Em que se acabava o colégio ao pé da montanha.xvi (grifo nosso)



Dos bancos escolares às ruas da cidade.

Nesse processo de afastamento da escola emerge a cidade e seus espaços de trocas culturais como possíveis lócus educativos.


“Belém tomava conta dele, envolvia-o com as suas saias que eram aquelas mangueiras-mães, carregadas. O estudinho marchava, desigual, lento, entre impaciências e olhares nos ginasianos que passavam pelo Grupo. Estes nem ao menos reparavam naqueles pobrezinhos do primário.

Ao descer o Boulevard, pelos sobrados escuros que ainda cheiravam a borracha, pensava no padrinho Barbosa. No Ver-o-Peso, com as velas recolhidas, a doca perdia o seu ar de feira fluvial. Sem água, maré seca, com aquela mastreação nua, como cruzes, o Ver-o-Peso ficava um cemitério de barcos.

O quadro de honra continuava no peito. Por isso resolveu mandá-lo para Andreza. Pão, não mandava. O quadro foi sem bilhete com um recado na carta da mãe. Explicou no Grupo que perdera o distintivo. As Alcântaras censuraram-lhe o descuido.”xvii
O caminhar pelas ruas observando suas gentes e vivenciando outras experiências que ultrapassavam o aprendizado da escrita e da retórica escolar, proporciona ocasiões para que Alfredo conheça diferentes saberes e formas de aprender.

Sob esta ótica, emergem no romance as representações acerca da educação dita “não formal”, que constitui um conjunto de práticas e saberes não ensinados ou transmitidos no ambiente escolar e que circulam em espaços sociais cuja pluralidade dos sujeitos é a principal característica. Esses saberes não curriculares permeiam a narrativa dalcidana sendo apresentados como constitutivos da própria identidade do “ser amazônida” e ser paraense.


“O jogo ia começar. Perto, um velho, o corpo dobrado, riscava o chão com a ponta da taboca e dizia: aqui já foi o mastro de São Sebastião, palanque de festa de São Francisco das Chagas. Debaixo da mangueira, estendemos o corpo do Sandoval morto num encontro de boi-bumbá no Umarizal. E uma pessoa tirando o punhal do morto: Sossega, meu camarada, que este teu punhal de vinga. Essa pessoa fui eu. Foi só nove anos na São José que curti. O velho escrevia o chão na companhia de outras pessoas que cismavam, olhando aquele escrito garranchado. Alfredo tentava ler. O velho alegava que o largo teve mastro de santo, foi terreiro de boi bumbá, velório do Sandoval, de bichos, de pastorinhas, muitos que ali estavam quanta vez não apreciaram o luar ao pé da árvore, outros fincaram bancos, e o tempo em que a falecida Fortunata ali colocava a panela e a vasilhame do seu tacacá, assim de freguesia, e bem embaixo da mangueira?”xviii
São conhecimentos adquiridos nas vivências familiares, nas conversas com tipos populares, através do perambular pelas ruas e logradouros, na observação das gentes espalhadas nos espaços citadinos e inseridas em variadas práticas culturais.
“Tempo de tão singulares mudanças em Alfredo.

Do 160 ao Grupo Escolar era em três minutos, mas levava quinze u mais. Saía cedo, olhando para as cestas de pão, as tresnoitadas postas de peixe frito no balcão do botequim. O botequineiro, um sírio taciturno, partia gostoso os pães cacetes, muito compridos, em pedaços iguais, com rápida e secular exatidão. Eram servidos a trabalhadores, bicheiros e ao mendigo de olhar sempre cordial para Alfredo, como se o convidasse para a mesa, lhe quisesse contar de suas fabulosas fortunas alegremente esbanjadas e das que não pode ter para esbanjar melhor. Algumas vezes apontava o dedo para os livros de Alfredo, balançava a cabeça, a dar a impressão de que, por falta deles, estava ali pedinte, á porta daquele sírio amarelo e barbudo.”xix


Tais conhecimentos têm grande articulação com práticas da medicina popular, da culinária, das danças, cantos e outras práticas de sociabilidade correntes entre a população mais pobre da capital do estado do Pará. Dessa feita, a educação não formal adquire sentido e significação social em comparação com a educação escolar, na medida em que a primeira é construída no cotidiano de forma útil, pragmática e espontânea, enquanto o saber escolar é instituído a partir de experiências que são impostas ao indivíduo e que nascem de situações controladas e mediadas pelas vozes de outros agentes, tais como os especialistas, os Cátedra, os professores e os diretores.

E enquanto essa educação institucionalizada é por si mesma excludente; a educação não formal e os saberes veiculados fora do espaço escolar são inclusivos, construindo-se a partir da ação de vários os sujeitos sociais. Assim, operários, vendedores ambulantes, desocupados, botequineiros, crianças pobres ou mulheres das camadas populares, indivíduos que costumeiramente encontram-se afastados dos espaços formais de aquisição de saber, passam a ocupar posição de destaque e ter seus discursos validados como significativos em um contexto educativo que prescinde do universo escolar.

Em outras palavras, ao saber formal recai a caracterização de espaço onde impera a valorização de uma cultura geral, afastada das vivências cotidianas de seus alunos, elitista e de difícil acesso para o segmentos mais pobres. Veja-se o exemplo da menina XXXXX, nascida e criada em Cachoeira , cujo sonho era tornar-se professora normalista, mas que contenta-se em permanecer no Marajó por entender que não preenchia os requisitos econômicos e sociais para aventurar num estudo na capital do estado.
“__Estudou muito? Fração conhece? Viu lá em Belém, o Gentil, o colégio? As moças de uniforme? A Escola Normal?

A menina perguntava muito desembaraçada.

__Sim, que era, era de mea escolha a Escola Normal, isso há cinco anos. Mas ah, aqui na Areinha, mamãe pode? Eu uma professora mas quando...Ah meu balão! Vento não me assopre! Eu quem sou eu.”xx
Ao questionar “Eu quem sou”, a personagem deixa entrever as dificuldades que as camadas populares enfrentavam para assegurar os estudos formais dos filhos. Desde a insuficiência de estabelecimentos de ensino no interior até mesmo o custo orçamentário que ter um(a) filho(a) “exclusivamente” estudando.

Não obstante esses aspectos, a mediação dos discursos educativos por outros sujeitos que não o próprio educando é outra característica da pedagogia do período estudado, muito criticada por Dalcidio tanto em “Belém do Grão Pará” quanto em “Passagem dos Inocentes”.

Tal aspecto é problematizado nas falas que se entrepõe durante certo debate caloroso travado por dois personagens que surgem nas últimas páginas de “Belém do Grão Pará”: seu Lício, um amigo próximo da família Alcântara é um gráfico aposentado, pardo e de origem operária, que de forma auto-didata por meio da militância política tem acesso a discussões de cunho filosófico. Já Viriato ou viriatinho, como era chamado por Emília Alcântara, é um advogado de porta de cadeia, vindo fugido das secas do Maranhão que se torna noivo de Emília. Entre eles a distância trazida pelo acesso ao saber formal, legitimado pelo discurso competente, mostra-se intransponível.
“Cortando a palavra de seu Lício, o advogado, afinal, cessou um instante de levar o garfo à boca, a fim de usá-lo, um minuto, para uma opinião. Isaura instigou o duelo.

__Conhece o socialismo de Cátedra?

Entalou o garfo nos dedos num desafio de espadachin: as idéias de seu Lício não eram mais novidade, conhecia de suas aulas de direito, vinham de Platão, ou ainda não sabiam? Certo de ter ganho a primeira estocada, pousou, generoso, a espada no prato:

__E revoluções, destesto. Basta a francesa. O vodka, já provei. Queimou-me o estômago. Uma reforma social, feita em doses, por homens capazes, ainda vá lá... Mas cadê a capacidade? No Brasil? Mas quando que o Brasil deixou, deixará de ser o país das Arábias?

Seu Lício roçando o cabo do garfo no peito, aparou a cutilada:

__ Somos irreconciliáveis, irreconciliáveis, doutor, a sua faculdade de direito e a minha oficina de encadernação, Doutor.xxi (grifo nosso)
Nesse processo de embate permeado por representações, os personagens dalcidianos oscilam entre o desejo de adquirir uma educação letrada-burguesa e o compartilhamento de crenças, hábitos e valores que lhes denunciam a condição de amazônidas e principalmente, de sujeitos advindos das camadas populares. A prevalência da transmissão oral de saberes e os estreitos laços com cultura indígena são apenas alguns dos elementos que denunciam essa condição.
“__Eu se pudesse, organizava uma porta para Mãe Ciana vender os cheiros...Este serviço de levar à domicílio, a pé, pois não gosta de andar a bonde, não está mais pra idade dela. Eu também sou a favor que ela prepare remédios, isto é, plantas. Não que seja uma curadeira, mas porque ela conhece a flora, a nossa rica flora. Ah, um suco de amor-crescido na mão dela, para as queimaduras...Uma operária da Aliança, doente do peito, passou hemoptisis com o suco de amor-crescido feito por Mãe Ciana.

__ Ah, isso é, atalhou a costureira, quem me ensinou pro meu fígado o chá de súcuba?



__Eu, d. Inácia, fosse médico, não deixaria de ter uma Mãe Ciana perto de mim. É um manancial de remédios. Os chás que ela sabe! Para os vasos seminais das mulheres, por exemplo, o chá da sensitiva...E a solidônia, a vassourinha, o pega-pinto?”xxii (grifo nosso)
Considerações Finais

Assim, considerando-se o contexto histórico em que se passam as narrativas e também as próprias particularidades de formação política do subscritor dos romances, conclui-se que a grande questão presente em Belém do Grão Pará diz respeito ao fato que a educação pública escolar na época era apreendida como ferramenta privilegiada para assegurar o posterior ingresso do educando numa sociedade de lógica burguesa, diferindo pouco de alguns debates que são colocados até mesmo no tempo presente.

Os métodos utilizados, o formato dos currículos e os discursos oficiais acerca da educação afastavam-na da possibilidade de ser um meio de libertação pessoal do escolar ou de aquisição de saberes dialogassem com as identidades culturais próprias dos alunos. Aspectos muito bem trabalhados por Dalcídio Jurandir na obra.

Por outro lado, em Passagem dos Inocentes o escritor paraense enfatiza os conflitos subjetivos do menino Alfredo em relação a necessidade de continuar freqüentando os bancos escolares. Daí que aprendizado do mundo e das pessoas, expresso nas trocas culturais que o menino entretece com os moradores da Passagem Macdonald, é evidenciado no texto a partir do instante em que Alfredo descobre que aprendia muito mais nas ruas, no balcão do boteco da esquina, no campinho de futebol ou ouvindo as estórias de seu Antonino Emiliano, do que propriamente nos bancos da escola pública que freqüentava.

Isto posto, identificar e analisar as representações sobre a educação formal e os saberes locais não formais elaboradas por Dalcídio Jurandir considerando-as em seu contexto pedagógico e social, permite ao pesquisador compreender em sua complexidade a trajetória de um modelo educativo que durante várias décadas foi hegemônico no Brasil.
REFERÊNCIAS

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i Cachoeira do Arari, município da Ilha do Marajó localizado na margem esquerda do Rio Arari.

ii Compunham o núcleo familiar dos Alcântara: D. Inácia, a matriarca que no passado pertenceu a Liga Feminina Lemista; Virgílio Alcântara, ex-administrador do Mercado Municipal e funcionário da Alfândega; Emília, a filha única, balzaquiana e que não conseguia arrumar um bom partido para casar-se; e Libânia, menina vinda do interior para servir de empregada da família.

iii Essa expressão era usada para designar exatamente os migrantes interioranos que aportavam em Belém e desconheciam os códigos de comportamento nutridos pelas gentes do lócus urbano.

iv Jurandir, Dalcidio. Belém do Grão Pará. Belém: EDUFPA; Rio de Janeiro: Casa Rui Barbosa, 2004. (Coleção Ciclo do Extremo Norte). p. 109.

v JURANDIR, Dalcídio. Op. Cit. p. 109-110.

vi JURANDIR, Dalcidio. Passagem dos Inocentes. São Paulo: Livraria Martins, 1953. P.115-116.

vii Conforme Farias (2009, p.85) “diante das vivências que tem, principalmente as relacionadas a uma educação das classes populares, Dalcídio sente-se na ‘responsabilidade’ de representar, amargamente, grande parte do povo amazônida que sofre e luta para sobreviver, ‘famintos por saber’, como é o caso do marajoara Alfredo.”

viii JURANDIR, Dalcídio. Belém do Grão Pará. Belém: EDUFPA; Rio de Janeiro: Casa Rui Barbosa, 2004. (Coleção Ciclo do Extremo Norte). p. 125.

ix JURANDIR, Dalcidio. Idem. p. 113.

x JURANDIR, Dalcidio. Idem. p. 122

xi JURANDIR, Dalcidio. Passagem dos Inocentes. São Paulo: Livraria Martins, 1953. P. 117

xii JURANDIR, Dalcídio. Belém do Grão Pará. Belém: EDUFPA; Rio de Janeiro: Casa Rui Barbosa, 2004. (Coleção Ciclo do Extremo Norte). p.123.

xiii JURANDIR, Dalcidio. Idem. p. 400

xiv JURANDIR, Dalcidio. Educação. In: ESCOLA – Revista do professorado do Pará. Directoria Geral da Educação e Ensino Público. Anno I Setembro de 1935 Num.5. P. 43-45.

xv Programmas de ensino. Organizados e mandados adoptar pelo Conselho Superior do Ensino Primário, em 1919. Matéria Portuguez. In: O Ensino. Revista Mensal de Pedagogia e Literatura. Nº 11. Maio. 1919. Ano II. Pará Brasil. 2ª Phase. Officinas e redacção Instituto Lauro Sodré.

xvi JURANDIR, Dalcidio. Passagem dos Inocentes. São Paulo: Livraria Martins, 1953. P. 180.

xvii JURANDIR, Dalcídio. Belém do Grão Pará. Belém: EDUFPA; Rio de Janeiro: Casa Rui Barbosa, 2004. (Coleção Ciclo do Extremo Norte). p. 152

xviii JURANDIR, Dalcidio. Passagem dos Inocentes. São Paulo: Livraria Martins, 1953. P.226

xix JURANDIR, Dalcidio. Belém do Grão Pará. Belém: EDUFPA; Rio de Janeiro: Casa Rui Barbosa, 2004. (Coleção Ciclo do Extremo Norte). p. 143.

xx JURANDIR, Dalcidio. Passagem dos Inocentes. São Paulo: Livraria Martins, 1953. P.28.

xxi JURANDIR, Dalcidio. Belém do Grão Pará. Belém: EDUFPA; Rio de Janeiro: Casa Rui Barbosa, 2004. (Coleção Ciclo do Extremo Norte). p. 502

xxii JURANDIR, Dalcidio. Idem. p. 504.



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