Histórico da missão do verbo divino em angola



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Encontro16.05.2018
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HISTÓRIA DA MISSÃO DO VERBO DIVINO EM ANGOLA.

O primeiro missionário para Angola. Ainda hoje me pergunto: Porque eu Padre Lírio José Dal Piva? Sendo que havia Padres brasileiros em Portugal, bem ambientados. Padres Ângelo Bortolini, José Garibaldi, Haroldo Mendes, Sebastião Marques, Lucio Brandão, Marcos Frota. São os que me lembro. Além destes havia Missionários em Gana e na Índia.

Em certa ocasião compareceu em Kalonda o Padre Adolfo von Spretti, Vice-geral da Congregação. Para lá fomos almoçar, para nos encontrar com o vice-geral nós Padre Ferdinand Waltz e eu, de Massamuna, que dista uns dez quilômetros de Kalonda. Ao entrar no refeitório deu certo de me encontrar com o Padre Adolfo von Spretti. Só me perguntou se era eu o Padre Dal Piva, não podia responder senão afirmativamente. Nem mais palavra da parte dele.

Terminado o almoço, de volta para Massamuna comentei com o meu superior Padre Ferdinand Waltz que certamente não seria eu o escolhido para ir a Angola, pois, pelo visto não causei boa impressão. Por isso eu podia ficar tranqüilo. Ele afirmou: com certeza será você. De Kalonda Padre Spretti foi com o avião da missão para Bandundu, deduzi que se encontraria com meu colega brasileiro Padre José Glicério Rezende. Não me consta que fosse outro o objetivo de o Padre Spretti ir a Bandundu.

Semanas depois veio o Superior Regional Padre Mateus Suntjens falar comigo em Massamuna e sem maiores preâmbulos falou-me que eu fui escolhido para aquela missão. Eu resisti dizendo que já tinha feito grande esforço por aprender várias línguas africanas e falava regularmente o francês e que achava que havia outros que poderiam melhor do que eu desempenhar aquela missão. Mas, ele insistia que devia ser eu. Em todo o caso, dizia ele, você vai e depois de um ano ou um ano e meio você pode voltar para o Congo.

Foi com esta condição que eu aceitei. Propus de fazer umas férias antes de ir para Angola, mas que antes iria ver em Luanda qual seria a paróquia que nos atribuiriam. Procurei fazer minhas malas em segredo, porque não queria de forma nenhuma cerimônias de despedida. Porque despedida, se minha ausência seria apenas temporária?

Passados poucos dias rumei para Kinshasa, levando como bagagem, no Jeep Austin que me servia na missão, pouco mais do que a roupa. Um Irmão de Kalonda me acompanhou, para levar a condução de volta para a Missão de Massamuna. Lembro-me que o Jeep estava fraco de freios, o que me fazia tomar ainda mais cuidado sobre tudo nos cruzamentos e nos semáforos.

No dia seguinte, embarquei de avião, para Luanda. Devia ser pelos meados de setembro de 1965.

Do aeroporto de Luanda fui de taxi até o Paço Arquiepiscopal. Lembro-me que o taxista, um português, referindo-se à situação social em Angola sobre a qual eu perguntei, deixou externar todo seu extremado racismo.

No Paço Arquiepiscopal quem me recebeu foi o Vigário Geral, do qual não recordo o nome. Apresentando-me disse para o que viera e que tinha o desejo de ver a paróquia que a Arquidiocese pretendia entregar à Congregação do Verbo Divino. Pois bem, disse ele, vamos lá. Fomos em direção do Bairro Terra Nova.

Lá chegados mostrou-me um vasto terreno, dizendo-me: é aqui, e neste lugar que será a paróquia. Só tem um problema: o terreno está sendo ocupado pelo Clube como um campo de futebol e não tem a intenção de desocupá-lo. Mas, voltei a insistir: a igreja está em outra quadra? Não, respondeu ele, igreja não há, igreja você vai construir.

Ai eu vi que as coisas não me foram bem contadas; eu devia começar de zero. Deste lugar fomos ver outro terreno no bairro Kazenga, destinado para construir lá também uma igreja. E desta eu devia cuidar também. Depois disto, deixou-me no Seminário Diocesano onde pernoitei e no dia seguinte rumei para Lisboa e daí para Fátima, nossa casa Central.

Passei alguns meses em Portugal a fim de refazer as forças bastante gastas nos anos que tive em Massamuna, na diocese de Kengue. Fiz umas consultas médicas, constatou-se apenas necessidade de repouso.

Durante estes meses, viajando às vezes com o Padre Lúcio, outras com o Padre Kondor, ou o Padre Eugênio Selbach tive oportunidade de rever as nossas casas de formação Tortozendo, Guimarães e várias cidades importantes e lugares históricos de Portugal.

Muitas vezes fui a Leiria, a pedido do Padre Paulo, buscar provisões para o seminário de Fátima. Não poucos dias de domingo fui celebrar numa paróquia de Nazaré, não me lembro bem em que direção em relação a Fátima. Sempre que me foi possível celebrei na capelinha das aparições, recomendando à Nossa Senhora a futura missão, compromisso da Congregação em Angola.

O Padre Provincial Willi Naumann fez questão de dar uma notoriedade especial ao fato de a Congregação assumir uma missão em Angola, pois convidou o Cardeal de Lisboa a vir nos entregar a cruz missionária em Fátima a mim e ao Padre Vilson Alves, também nomeado para Angola. Não me recordo a data desta solenidade realizada na capela do Seminário de Fátima; guardo apenas algumas fotografias. Possivelmente nos arquivos de Fátima haja mais.



Dia da entrega da Cruz Missionária, na capela do Seminário de Fátima. Oficiante o senhor cardeal de Lisboa, com a presença do senhor Bispo de Leiria, o qual está de costas e no fundo Dom Manuel Koenner SVD, Bispo emérito de Foz do Iguaçu, Brasil.

Na escadaria do Seminário a comunidade inteira de Fátima comemora e testemunha o evento.


Os missionários do Verbo divino destacados para Angola, Padre Vilson Alves e Padre Lírio José Dal Piva junto com o Padre Netter, no jardim do Seminário.


Numa certa oportunidade o senhor Arcebispo de Luanda veio a Fátima nos visitar juntamente com o seu Vigário Geral; desta visita tenho uma foto tirada no portal do seminário. Procure-se nas crônicas de seminário, pois, ali devem constar as datas tanto da entrega da cruz missionária quanto desta visita do senhor Arcebispo. Da minha partida para Luanda não recordo a data, lembro-me que foi antes da Páscoa de 1966, pois recordo-me de ter participado das celebrações da semana santa na catedral de Luanda. Sei que eu fui só, e depois de algum tempo o Padre Vilson Alves veio também.

Nas primeiras semanas de minha estadia em Luanda morei no seminário diocesano. Só depois de algumas semanas aluguei uma casa, perto do terreno da igreja.
Antes de morar ali, eu ia cada dia a pé do seminário ao Centro IASA, para ali contactar algumas pessoas e com elas rever a catequese e a liturgia que os Padres Capuchinhos da vizinha Paróquia Nossa Senhora de Fátima já tinham iniciado a organizar; também foram eles que iniciaram o atendimento religioso, no Bairro Terra Nova, celebravam cada domingo a Eucaristia no Centro de Assistência.

Também foram eles que iniciaram o mesmo atendimento no bairro Kazenga. Ali a celebração de dava na pequena praça, não muito longe do terreno reservado para a igreja. Tanto num bairro como noutro tinham prometido que seriam paróquia ou paróquias.

No alpendre deste Centro realizavam-se as celebrações dominicais deste então até termos a igreja Cristo Rei devidamente construída.

Conversando em certa oportunidade com Dom Moisés, Arcebispo resignatário, ele me afirmou que era seu desejo que o bairro Kazenga fosse sede da nova paróquia, não Terra Nova. Mas ouvindo a opinião dos Padres capuchinhos que davam atendimento a ambos os bairros, sem mais conversar com o senhor Arcebispo estabeleci residência em Terra Nova, em uma casa da rua contígua ao Centro Social IASA, pois este bairro tinha muito mais condições, segundo o parecer deles.



Condução para nosso deslocamento Foi nesta oportunidade que o Senhor Arcebispo emprestou-nos um Volkswagen, bem usado de cor verde que servia para nosso deslocamento. Só mais tarde a província SVD de Portugal nos mandou um carro novo, Volkswagen, 1500, o primeiro com esta potência a entrar em Angola. Recebeu a placa AAM 46-78.


Quando, em certa oportunidade o senhor Arcebispo Dom Manuel, veio ver a igreja de Terra Nova, quase pronta, para marcar a data da bênção inaugural, ao entrar em nossa modesta residência disse-me: É, você quer ser independente.



Construção da igreja provisória.

Logo que fixamos residência, reuni uns leigos interessados para formar a Diretoria, para tratar da construção da igreja. Fizemos várias reuniões para definir que tipo de igreja construiríamos. Alguns queriam uma igreja de tamanho descomunal. Procurei fazê-los entender que nossas condições deviam nos convencer de aceitar um plano mais modesto. Recorremos ao senhor Danilo, cursilhista, engenheiro, dono de uma marcenaria de elaborar um projeto de planta, sob minha orientação que fosse consentâneo com nossa realidade, deixando para mais tarde a construção de uma igreja grande, imponente, definitiva.

Elaboramos e executamos a igreja modesta que temos ainda hoje.

Sempre contamos e tivemos o apoio generoso financeiro da Província SVD de Portugal, sem o qual os recursos do nosso povo não alcançariam o objetivo.




O Provincial Padre Willy Naumann nos visitou duas vezes enquanto conduzia a província de Portugal.

Havia os portugueses que afirmavam que competia ao Governo de Angola construir a nossa igreja; portanto que eu recorresse ao Governador. Tirei a dúvida a respeito junto ao senhor Arcebispo Dom Manuel o qual desfez o equivoco.

Cada sábado de tarde eu ia com um grupo de jovens a fazer o peditório de porta em porta para a construção da nossa igreja; o resultado era verdadeiramente parco. Muitas vezes me surgia a dúvida se valia a pena tanto esforço; mas, era o que me tinha sugerido a minha diretoria



O Cursilho: Não posso deixar de lembrar o movimento do Cursilho, o qual naqueles tempos estava na crista da onda como mentalização do leigo para estruturar a sociedade segundo o Evangelho. Uma família devotada à causa da Paróquia.

O senhor Abel, dona Rosa, Fernando e Dadá, junto com o Pároco. Abel era comerciante e alfaiate que tinha loja no centro de Luanda, mas, morava no bairro Terra Nova.

Em Luanda muitos homens da alta sociedade, mesmo dos escalões do governo e entre os graduados militares, gente influente faziam parte deste movimento. Também leigos dos nossos dois bairros foram convidados a participar, e, conseqüentemente os Padres da futura paróquia. Participei do 15º. Cursilho da Cristandade de Luanda.

Depois deste, tomei parte em vários deles tanto de homens como de mulheres. Participaram e foram leigos ativos os senhores Abel Barreira Mello, o Jorge, Simão, o Caramelo, o Pedro Pinto, e suas esposas, e ainda outros cujos nomes não recordo, e como conseqüência, seus filhos acompanharam nos grupos de jovens, na liturgia, na catequese. O fervor que o Cursilho lhes incutia, pois havia reunião semanal do grupo, além da reunião mensal de todos os da cidade, num salão perto da rádio Ecclésia, fazia-os assumir os trabalhos da paróquia com verdadeiro zelo. Estes leigos e leigas foram um real apoio para mim e grande ajuda na caminhada que empreendemos. Recebi deles sempre o melhor incentivo, mesmo em meio das maiores dificuldades.



Reconquista do terreno. Já estávamos de posse da planta da futura igreja, mas o terreno continuava ocupado com o campo de futebol do Clube Terra Nova. Com minha equipe fiz várias visitas à diretoria do Clube insistindo que cedesse a área que era da Mitra Arquidiocesana, pois o Clube era possuidor de terreno de sobra para o esporte, sem precisar ocupar a propriedade da Igreja. O máximo que me autorizaram era de ocupar o que sobrava fora do âmbito do campo de futebol, argumentando que aquilo era suficiente para a igreja.

Eu não podia me conformar com tal proposta, pois eu construiria sobre um espaço do qual não tinha domínio; o clube continuaria proprietário. Depois de tantas tentativas, resolvi recorrer à influência do senhor Arcebispo Dom Manuel; pedi que me acompanhasse na visita que faríamos às mais importantes autoridades de Luanda. Arranjamos visita junto ao Governador, ao General do Exército, ao Prefeito de Luanda, e, não sei mais quem. Visitamos nós dois, cada uma destas autoridades expondo o caso e que usassem sua autoridade junto à direção do Clube Terra Nova, para nos liberar o terreno que era propriedade da Mitra, visto que o dito Clube não tinha verdadeira necessidade de tal espaço. Para decepção minha e desapontamento do senhor Arcebispo o sucesso foi nulo.

Eu esperava que da prefeitura, na sétima repartição, que tratava dos terrenos, poderia receber um parecer favorável. Eu já tinha cansado de comparecer àquela secção esperando achar um dia a solução desejada. Em vez de ir eu, pedi que o secretário da diretoria da igreja fosse à prefeitura a ver se já tinha havido alguma ordem das autoridades visitadas por nós no sentido de o Clube nos liberar o terreno.

Também nesta oportunidade o senhor Andrade, se não me engano era seu nome, voltou com resposta negativa, referindo que tinha recebido, naquela repartição, a sugestão de que nós e o Clube chegássemos a um acordo. Como chegar a um acordo, se até o presente nenhuma proposta nossa foi aceita pela direção do Clube?

Ouvindo esta sugestão, no primeiro instante fiquei revoltado, devido a tantas tentativas empreendidas por mim, sem resultado algum. Mas, esta minha revolta foi só instantânea. Veio-me a inspiração de eu mesmo escrever as cartas de conciliação. Eu escreveria a minha carta, de como eu via a solução do caso, em termos elogiosos a respeito do esporte e da importância do Clube, e escreveria a carta deles, pois pensei: a eles não interessa escrevê-la, e se a escreverem vão demorar, ou a escreverão de forma a não me favorecer. Por isso, eu escreverei a carta deles em termos a reconhecerem a importância da missão da Igreja, sobretudo na formação da juventude, e que ela merece o seu devido espaço, sem prejudicar o setor esporte do Clube, de forma a não suspeitarem de estarem a me ceder o terreno de volta. Foi o que eu fiz naquela mesma tarde, iniciei a redigir as cartas, alinhavando com cuidado os termos e as frases. Deixei a redação final para o dia seguinte.

Com as cartas devidamente redigidas, tendo conhecimento de que a diretoria do Clube estava reunida, fui até lá e expus-lhes a solicitação da Prefeitura de que fizéssemos uma declaração de haver plena compreensão e harmonia entre a Igreja e o Clube. Apresentei-lhes a carta de minha parte, a qual eles podiam ler a apreciar, e para que eles não tivessem o trabalho de redigir a declaração por parte do Clube, eu apresentei uma proposta de declaração em várias cópias, para que eles a analisassem e se achassem aceitável que as assinassem, em nome do Clube, e mas devolvessem. Com isso, retirei-me da sala aguardando do lado de fora, enquanto eles lá dentro confabulavam.

Não é possível imaginar minha alegria, pois depois que quinze minutos de ansiosa espera vieram me entregar as cartas devidamente assinadas, ao que agradeci, dizendo que na manhã seguinte eu iria entregá-las na Prefeitura. Foi o que fiz através do senhor Andrade, o qual, mais uma vez se prestou para este encargo de entregar as cartas na sétima repartição.

Demarcação do terreno. Minha surpresa foi ainda maior, quando depois de alguns dias o topógrafo da Prefeitura, um cursilhista, com sua equipe e o seu instrumental se apresentou na minha residência, com ordem de demarcar o terreno conforme constava na escritura.

Tendo demarcado o terreno na sua totalidade, pedi que demarcasse o local e as dimensões da igreja que iríamos construir. Escolhi de edificá-la no lugar que o campo ocupava, pois se o fizesse em outro lugar, continuariam a usar o campo como se nada tivesse acontecido. Reservei assim a melhor porção do terreno, a esquina da Avenida Brasil com a Rua Ilha da Madeira, para uma futura igreja suntuosa e ampla.

O topógrafo estava ainda ultimando seu trabalho, quando chega um senhor que fazia parte da diretoria do Clube, o qual não tinha estado na reunião em que assinaram as cartas, e me pergunta o que está acontecendo. Eu pedi que fosse falar com o topógrafo, ele explicaria. O topógrafo apenas mostrou-lhe a carta assinada por membros da diretoria do clube. Trocarem entre eles algumas palavras e aquele senhor se retirou nada satisfeito. Enfim, a causa estava ganha. Por aqueles dias já fazia quatorze meses que estávamos em Angola lutando por esta causa! Fiquei sabendo depois que houve grande discussão entre os membros da diretoria do Clube, por causa desta carta e suas assinaturas.

Com a presença do senhor Arcebispo de Luanda, Dom Manuel celebramos a cerimônia da bênção e inauguração da igreja, na solenidade de Cristo Rei no ano de 1969 e dia da instituição da Paróquia e posse do primeiro pároco.




O novo campo de futebol. Para que a juventude do Clube não guardasse mágoa deste episódio resolvi pedir mais uma vez as máquinas do Exército, a fim de nivelar o terreno que restou do clube para traçar um novo campo, mas desta vez em tamanho oficial. Para as balizas recorri àquele senhor que reclamara no dia da demarcação. Ele era possuidor de uma serraria, logo ali em frente do terreno da igreja. Entre as madeiras que possuía havia uma tora com o comprimento necessário para aquele fim. Procurei-o e lhe falei que os jovens precisavam de um melhor campo de futebol e que eu já tinha nivelado o terreno e que ele como membro da diretoria do clube e dono da serraria, poderia fornecer as balizas. Propus que colocasse no terreno do novo campo duas longarinas de 7 metros e quarenta centímetros e quatro de três metros e quarenta de comprimento. Ele não recusou a minha proposta.

Dias depois, lá estava o material conforme meu pedido. O Padre Vilson e eu compusemos as balizas e as colocamos nas devidas dimensões do campo: de 90 por 60 metros. Depois disto, fui à uma casa de esportes que havia em Luanda e comprei a melhor bola de futebol que lá havia juntamente com a bomba para encher-la e numa noite em que os jovens estavam reunidos no clube me apresentei a eles entreguei-lhes a bola com a bomba assegurando-lhes a minha amizade e solidariedade.

Por este tempo veio fazer um estágio entre nós o seminarista Manuel Felgueiras que tinha terminado o estudo da teologia em Santo Agostinho. Ele organizou um bom grupo de jovens com boas atividades esportivas, além da formação espiritual. Ele mesmo, como também o Padre Vilson apreciavam uma boa partida de futebol.

Ensaio de Cânticos: Desde o início não poupamos esforços para incentivar o canto em nossas celebrações. Para isso realizamos os ensaios na casa paroquial. À noite íamos buscar em casa os jovens cantores e cantoras e depois do ensaio levá-los para casa, devido à insegurança naqueles tempos conturbados da guerrilha, não muito longe de Luanda. Isto enquanto a nossa igreja não estava construída.


O grupo de cantores e cantoras, vários dos quais eram também catequistas, em frente ao IASA, onde aconteciam as celebrações antes da construção da igreja.

Depois, passamos a realizar os ensaios na própria igreja, com a presença também de cursilhistas. Nossas celebrações, sobretudo, aos domingos à noite contavam com muitos participantes que vinham das paróquias do centro da cidade. O que os atraía eram os cânticos da missa missionária composta pelo então Padre Ivo Joel Catapan: “Povos todos batei palmas, aclamai a Deus com vozes e com cantos de alegria”, como canto inicial e os outros que seguiam as partes da missa. Treinamos bem os coroinhas os quais portavam uma túnica branca com uma faixa da cor litúrgica. Não sei se estas pessoas do centro vinham para dar apoio ou por admiração pela nossa liturgia. O certo é que uma senhora portuguesa, muito freqüentadora, depois da primeira semana santa que celebramos na paróquia de Cristo Rei, me veio dizer que nunca tinha participado de uma semana santa tão bonita e tão bem celebrada. Outros diziam que gostavam de ouvir nosso sotaque brasileiro, sobretudo do Padre Vilson Alves.

Catequese: Com a vinda das Irmãs Escravas da Eucaristia, a fazer sua primeira experiência pastoral em nossa paróquia, a catequese teve um incremento muito grande, pela atividade da irmã Lourdes, a qual assumiu coordenação. Ela conquistou outras catequistas, deu-lhes melhor formação.

Era bonito de ver aquelas turminhas de pretinhos e brancos lado a lado, sob a orientação da catequista. Quando se tratava de cantar, então, a animação era total.

A Irmã Lourdes não deixou de atender e orientar, nos dias de semana, também a catequese nas escolas do bairro Kazenga e também no de Terra Nova.

Juventude: Tendo vindo o Frater Manuel Felgueiras, na foto, fazer seu estágio em nossa comunidade, animou-se de reunir os jovens e dar-lhes melhor formação cristã, com reuniões periódicas.

Não deixou de incentivar o setor esporte. Tanto que providenciamos o equipamento necessário para dois times de futebol: camisetas, calções chuteiras, meias, e, não em último lugar uma boa bola, já que tínhamos um belo campo nas imediações da igreja. Estes jovens chegaram a competir com grupos de outras paróquias, e com sucesso.

Algumas fisionomias de adolescentes da nossa catequese assíduos freqüentadores de nossas celebrações.





A Igreja do Bairro Kazenga.

Enquanto se construía a igreja no bairro Terra Nova, não deixamos de cuidar para que o outro bairro, o Kazenga também tivesse a sua igreja; ainda que bem mais modesta, mas digna e confortável. Não deixamos de solicitar a contribuição da população, tanto num bairro quanto noutro para que para que considerasse a igreja como obra sua. Contudo, sem a contribuição generosa da Província de Portugal, não teríamos conseguido completar a obra.




Sempre trabalhamos intensamente com a população, tanto autóctone quanto a oriunda de Portugal, radicada em Angola para que se empenhasse generosamente em se organizar como comunidade viva e atuante. Não faltaram os agentes de liturgia, os comprometidos na catequese e mesmo na comissão da administração.


As celebrações de sábado e de domingo eram sempre bem concorridas. E esmerávamos nos ensaios de cânticos adaptados para a liturgia, a fim de que se cantasse, enquanto possível, a missa e não na missa.


No dia da bênção da igreja, com a vinda do senhor Arcebispo, Dom Manuel, comunidade esmerou nos enfeites e na recepção de sua Excelência, que demonstrou muita alegria de estar no meio do seu povo, que tinha se esforçado por ter sua própria igreja, no centro do seu


bairro Kazenga. Logo se averiguou que ela seria pequena, mas no momento era tudo o que podíamos realizar, as ampliações viriam com o tempo, na medida do possível e da disposição dos fiéis devotados.

Ai está um grupo de leigos e leigas atuantes que fazem a comunidade ser viva e vibrante. Estes animam a liturgia, a catequese, e mesmo a administração da comunidade e organizam as promoções que não podem parar.


Notas: - Mais informações, com datas e detalhes, podem estar nos arquivos da Província de Portugal referentes aos anos que passei em Angola.

- Meu princípio era de cada mês enviar uma carta informando o Provincial Padre Willy Naumann, sobre o que estava acontecendo naqueles primeiros anos em Luanda.



- Também os informes de contabilidade eram enviados ao então ecônomo provincial, Padre Otto Popp.





O fundador da Missão do Verbo divino em Angola no ano de 1966, diante da primeira residência.

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