Homenagem aos 170 anos do poeta castro alves



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SESSÃO SOLENE EM HOMENAGEM AOS 170 ANOS DO POETA CASTRO ALVES REALIZADA NA CAMARA MUNICIPAL DE SALVADOR NO DIA 14 DE MARÇO DE 2017

SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Declaro aberta a Sessão Solene Regimental em Homenagem a Castro Alves, 170 anos, com o tema: O Poeta da Liberdade e Justiça Social.

Convidamos para compor a Mesa o Exmo. Sr. Prof. Dr. Roberto Lima Figueiredo, procurador e presidente da Associação de Procuradores do Estado da Bahia; convidamos para compor a Mesa o Exmo. Prof. Dr. Germano Machado; solicitamos para compor a Mesa o Exmo. Sr. Perieldo Barros, diretor da Escola Estadual Helena Celestino Magalhães; solicitamos para compor a Mesa, o Exmo. Sr. Ivan de Almeida, escritor, jornalista e da Editora Cogito; solicitamos para compor a Mesa a Sra. Ivana Dórea, da Academia de Letras e Artes da Bahia; convidamos a Ilma. Sra. Regina Caciquinho, escritora holística, que recentemente, inclusive, recebeu uma homenagem desta Casa, abrilhantada com o berimbau.

Antes de registrarmos a presença dos vereadores, solicitamos a todos a ficarem de pé para ouvirmos a execução do Hino ao 2 de Julho.
(EXECUÇÃO DO HINO AO 2 DE JULHO)
SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Queremos registrar a presença do vereador Alexandre Aleluia, do vereador Cézar Leite, do vereador Igor Kannário, do vereador Maurício Trindade, do vereador Ricardo Almeida e da vereadora Rogéria Santos.

Para que eu possa fazer uso da palavra, convido a vereadora Rogéria Santos para assumir aqui a Presidência dos trabalhos enquanto faço uso da tribuna. Por favor, vereadora.

Antes, quero convidar o padre Oséias para fazer parte da Mesa, por favor.

SRA. PRESIDENTE VEREADORA ROGÉRIA SANTOS: - Passo a palavra ao vereador Odiosvaldo Vigas.

SR. VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Boa tarde a todos os senhores. Primeiramente, quero saudar a Mesa na pessoa da vereadora Rogéria Santos, pelo Dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Saudar o padre Oséias, Ivan de Almeida, o professor Germano Machado, o dr. Ricardo Lima, o professor Perialdo, a Ivan Doria e a nossa escritora Regina Caciquinho. Saudar também os meus pares, vereadores aqui presentes, e a todos os senhores e poetas presentes neste evento.

Já fazemos esta sessão solene, regimental, nesta Casa, já há bastante tempo. Eu tenho 7 mandatos e tenho dito que enquanto estiver nesta Casa, esta sessão será sempre realizada. Porque um país como o nosso, o Brasil, com um ranço escravocrata, um país ainda preconceituoso, com intolerância em várias direções, um país com falta de liberdade de opções, quer seja sexual ou outra qualquer, de qualquer cidadão, de intolerância religiosa, então, terá sempre que comemorar Castro Alves. E por que isso? Porque a sua poesia, a sua obra é bastante atual.

E o nosso tema de hoje, é que Castro Alves, o poeta da liberdade e da justiça social, vem justamente expressar isso. A Bahia é Castro Alves, Salvador é de Castro Alves, ele viveu nesta cidade e aqui fez sua obra contemporânea, quando fez a poesia Navio Negreiros, quando fez o livro A América e tantas outras obras.

E quando falamos em justiça social, ela é bastante contemporânea, quando assistimos esses jovens que estão aqui, ficamos diante de uma grande interrogação. O governo federal encaminhou algumas medidas de reformas: Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, Reforma Tributária, que estamos vivenciando um presente, mas que, no passado, esses jovens se estão aí, certamente não irão gozar de seus benefícios previdenciários, aqueles conquistados a partir da Constituição de 1988. E, além disso, a questão da Reforma Trabalhista, feita lá nos idos de Getúlio Vargas, em que a CLT faz algumas garantias de direitos.

Então, companheiros, essa obra desse poeta é muito presente, é muito viva, quando a própria imprensa coloca e diz: “Reforma da Previdência sob suspeição”. Não sou eu quem digo, diz o Sr. Nilton Paixão, que é, inclusive, o presidente da Central de Salvador e da Câmara de Deputados da Universidade Federal de Pernambuco, em que ele coloca a urgente necessidade do governo dialogar com a sociedade civil organizada.

E quando falamos na justiça social, tem o grande artigo do Dr. Roberto Lima Figueiredo, que escreveu: o Dia Mundial da Justiça Social devemos celebrar. E ali está o acesso do cidadão aos direitos sociais de saúde, educação, escola e tantos outros mais.

Então, jovens que estão aí presentes, é bom nos remetermos e entendermos a grande obra desse poeta das Américas, que atravessou o tempo e a época.

E, mais adiante, a própria imprensa diz: ministra do Tribunal Superior do Trabalho diz que reformas violam os direitos do cidadão brasileiro.

Então, companheiros, nada mais justo do que estarmos aqui a comemorar essa data em homenagem a esse grande poeta. E teremos que sair desta sessão de hoje convictos de que é preciso que o governo do Estado dê um destino final, recuperando aquele Parque Solar do Boa Vista - a casa do Solar Boa Vista -, onde Castro Alves escreveu o seu poema Espumas Flutuantes, em Brotas, que pegou fogo e está lá abandonado.

Então, se faz urgente e mister que a Cidade do Salvador se una em torno da recuperação desse espaço e ali seja transformado no Centro de Cultura Popular para que a Cidade do Salvador e os seus cidadãos possam dispor desse espaço.

E, mais adiante, temos que cobrar dos nossos representantes em nível do Congresso Nacional, para que aprendamos na escola que o Dia Nacional da Poesia é 14 de março. Infelizmente, no ano de 2015, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma lei decretando o Dia Nacional da Poesia como sendo 31 de outubro. Então, é necessário nos movimentarmos para que seja revogada a lei e volte o 14 de março como sendo o Dia Nacional da Poesia.

Depositamos, há pouco instante, lá no Memorial do poeta, onde estão seus restos mortais, na Praça Castro Alves, uma coroa de flores, que ali deveria ter uma pira ardente ao maior poeta das Américas, só se igualando a Victor Hugo.

Viva Castro Alves e muito obrigado a todos os senhores.

SRA. VEREADORA ROGÉRIA SANTOS: - Convido o vereador Odiosvaldo Vigas a assumir os trabalhos.

SR. VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Queremos registrar a presença também do nosso coordenador, Edgar Velame; a poetisa Marli, que está ali presente; o companheiro, parceiro de Edgar, presente; o mestre Máximo, esse também presente aí; os alunos do Colégio Ypiranga, do Colégio Helena Celestino; Abadá, aqui presente.

Após a apresentação que Jussara está trazendo, o nosso grande cantor irá fazer o uso da música: Levante, Lute e Resista.

Com você, Jussara, para fazer a apresentação.

Relembrando Bob Marley, também, um outro lutador da luta social.



SRA. JUSSARA SANTANA: - Bem, quero saudar a todos, desejando muitas vibrações positivas, e estamos honrados com esse convite, nós que fazemos reggae e temos o nosso grande poeta de todos os tempos, que foi Bob Marley, inesquecível. Por isso que estamos aqui hoje com Kamapheu Tawa e Jô Kalado passando essa música de resistência, que diz: levante e lute, lute pelos seus direitos, e também Africa Unite, africanos unidos para a gente vencer.

Então, com vocês, Kamapheu Tawa e Jô Kalado.


(APRESENTAÇÃO DE MÚSICA)
SRA. JÔ KALADO: - Foi isso que Bob Marley disse: Africanos unidos.

E a música, ela faz parte da transformação e revolução. E a poesia está na música.

Nós temos aqui o vereador Igor Kannário que, em breve, estará fazendo a sessão também com música.

SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Obrigado, Jussara.

SRA. JUSSARA SANTANA: - Muito obrigada, vereador Odiosvaldo. É um prazer toda vez que o senhor nos convoca a estar aqui. Sinta-se à vontade para estender o convite e sempre que precisar, estaremos aqui.

Obrigada.



SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Obrigado.

Obrigado ao compositor Kamapheu Tawa pela sua brilhante apresentação.

Convidamos agora os alunos do Colégio Estadual Ipiranga que vão fazer uma apresentação.

E registrando a presença do vereador Téo Senna, professor da área de Educação, abrilhantando com sua presença o nosso evento.

Por favor, microfone sem fio aqui, Luciene. Pegue aí, por favor. Analice, dê um apoio no microfone sem fio aqui para os meninos do Colégio Ipiranga.

SRA. SIMONE: - Boa tarde. Meu nome é Simone. Tenho o prazer de ser professora. Essas crianças aqui, que não são tão crianças, fazem parte do Colégio Ypiranga, a última morada de Castro Alves, aqui, na Rua do Sodré, e o vínculo é muito forte com o poeta. Então, temos realmente que participar de tudo que diz respeito a Castro Alves por conta de várias coisas, inclusive porque sabemos que é o poeta maior!

Com vocês!
(APRESENTAÇÃO DE POESIA PELOS ALUNOS DO COLÉGIO IPIRANGA)

O GONDOLEIRO DO AMOR

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;
 

Sobre o barco dos amores,


Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
do Gondoleiro do amor.
 

Tua voz é a cavatina


Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;
 

E como em noites de Itália,


Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.
 

Teu sorriso é uma aurora,


Que o horizonte enrubesceu,
-Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu.
 

Nas tempestades da vida


Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.
 

Teu seio é vaga dourada


Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;
 

Como é doce, em pensamento,


Do teu colo no languor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?...
 

Teu amor na treva é - um astro,


No silêncio uma canção,
É brisa - nas calmarias,
É abrigo - no tufão;
 

Por isso eu te amo querida,


Quer no prazer, quer na dor...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.
 
SR. VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Obrigado, professora. Passamos agora ao Dr. Roberto Lima, que irá falar 10 minutos sobre a justiça social dentro dessa obra do poeta Castro Alves.

SR. ROBERTO LIMA: - Boa tarde a todos. Saúdo a Mesa na pessoa do Sr. vereador Odiosvaldo Vigas, em nome de quem agradeço ao convite recebido para estar aqui. E digo que é motivo de orgulho muito grande para mim, que sou soteropolitano, sou baiano, falar de Castro Alves.

Serei muito breve, mas eu gostaria de dividir um pouco com os colegas que aqui estão presentes, principalmente com os alunos, a quem eu gostaria de me dirigir, ao futuro do nosso país, ao futuro da nossa terra, ao futuro de Salvador, e eu, como professor, tenho um carinho muito grande por vocês, alunos. Gostaria de falar um pouco sobre o legado que Castro Alves nos deixou.

Castro Alves, o poeta dos escravos, nos deixou um legado muito importante, e o dia de hoje ele deve ser marcado por esse tipo de lembrança. Dias assim servem para que a gente possa realizar algum tipo de reflexão sobre como está o nosso país, sobre como está a nossa cidade, sobre como está o nosso Estado e sobre como as ideias de Castro Alves podem mudar a gente e como as ideias de Castro Alves podem mudar a nossa cidade querida de São Salvador.

Castro Alves era um como qualquer um de nós desta sala. Castro Alves era um como qualquer um de nós desta sala e Castro Alves nos ensinou que nada resiste ao trabalho, nada resiste à luta, que tem poder quem age, que tem poder quem estuda.

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na Fazenda Cabeceiras, a 7 léguas, 42 km da Vila Nossa Senhora da Conceição, Curralinho. Hoje, de tanto trabalhar, de tanto estudar, de tanto se dedicar à poesia, hoje, a cidade tem o nome dele. A cidade se chama Castro Alves.

Era um como qualquer um de nós, mas a sua energia, a sua força, a sua vitalidade mudou a própria vida e mudou a vida do nosso país, como qualquer um de nós que estamos aqui podemos mudar a nossa Cidade do Salvador, como qualquer um de nós que estamos aqui podemos mudar a nossa vida.

Castro Alves se destacou, na época dele, por escrever de maneira diferente como as pessoas escreviam. Ele introduziu no Brasil algo que na literatura viria a se chamar de condoreirismo. Enquanto os românticos da época sofriam por amores perdidos, enquanto poetas da época sofriam por amor, Castro Alves introduz a temática social, a ideia, os ideais de igualdade entre as pessoas. Castro Alves introduz o abolicionismo, combate à escravidão. Castro Alves introduz a ideia da República.

Tem duas passagens de Castro Alves que são espetaculares, duas frases que gosto muito, e levo muito comigo. A primeira: “Bendito aquele que semeia livro e faz o povo pensar”. Eu fiquei muito feliz em ver um estudante falar aqui, um estudante de escola pública falar a respeito disso, falar da importância dos livros. “Bendito aquele que semeia livro e faz o povo pensar”.

Outra frase que todos nós já ouvimos de alguma maneira alguma vez na vida, e essa frase é de Castro Alves: “A praça é do povo como o céu é do condor”. E hoje, a praça, que antes era do povo e o céu que era do condor, hoje, a gente canta: a Praça Castro Alves é do povo como o céu é do avião. Não é verdade? Castro Alves, então, traz essa ideia de interesse público, essa ideia de coletividade, essa ideia de viver em um momento coletivo e social. E o dia dele é importante para todos nós para que a gente resgaste o sentimento de consciência.

Não podemos deixar que esse dia seja como um dia qualquer jamais. Precisamos resgatar sempre a nossa consciência, reativar a importância de Castro Alves, repensar o nosso dia a dia, a nossa vida a partir das lições de Castro Alves e tentar ajustar um dos maiores desafios da Cidade do Salvador, um dos maiores desafios do nosso cotidiano, que é ajustar o socialmente desejável ao economicamente possível.

Ajustar o sociavelmente desejável aquilo que é economicamente possível, ou seja, essa travessia das ideias e da teoria social de Castro Alves para a prática social, a gente olhar para nós e nos perguntar como transformar essa teoria social à prática social? Não é tarefa fácil, mas é uma tarefa que muita gente já conseguiu superar.

Lembro-me que a Europa, meus amigos, de 1945 a 1990, passou por essa reflexão e hoje, a Europa conseguiu conquistar, em muitos lugares, saúde, educação e acesso econômico razoável a um bom número de pessoas. Por que não fazer isso aqui também? Por que não realizarmos também isso aqui na nossa terra?

Esse é o convite que Castro Alves nos faz, um convite de reflexão. E a existência do seu dia resgata em nós a necessidade dessa reflexão, de reafirmar os direitos sociais em um momento, Sr. vereador, em que se fala da extinção da Justiça do Trabalho, em um momento em que se fala na eliminação da aposentadoria ou na Reforma da Previdência, em um momento em que se fala em eliminação de conquistas sociais. Muitas vezes nós não temos consciência da importância do momento em que nós estamos vivendo.

A crise econômica que o Brasil passa não tem precedentes há 68 anos. E é neste momento de crise que nós corremos o risco de perdermos conquistas sociais, é neste momento de risco que se fala em extinção de Justiça do Trabalho, eliminação de aposentadoria, que o vil metal impera. E Castro Alves nos dizia há tempos atrás algo que Lulu Santos nos diz com muito mais maestria nos dias de hoje, quando ele nos convida a pensar em um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera, com habilidade de dizer mais sim do que não.

Meus caros, Castro Alves se destacou em uma época em que se escrevia com ele Rui Barbosa, Seabra, Fagundes, Machado de Assis. Castro Alves se destacou em uma época em que estavam com ele escrevendo Joaquim Nabuco, Afonso Pena. Castro Alves era amigo íntimo de Rui Barbosa. Rui Barbosa respeitava Castro Alves. Rui Barbosa fez um discurso na Academia Brasileira de Letras reconhecendo a autoridade de Castro Alves. Machado de Assis visitou Castro Alves quando Castro Alves chegou no Rio de Janeiro. Pablo Neruda escreve sobre Castro Alves, e é preciso que nós reconheçamos isso, é preciso que a gente agradeça a Deus por termos na nossa terra um expoente que é e que foi Castro Alves.

Castro Alves não morreu porque nós não o deixaremos morrer. Nós não deixaremos que a casa de Castro Alves fique abandonada. Nós faremos de tudo que estiver ao nosso alcance para reativar a memória de Castro Alves; e com a memória de Castro Alves, a sua poesia; e com a poesia de Castro Alves, a sua história; e com a história de Castro Alves, uma reflexão sobre a necessidade da nossa Justiça social, porque também, como dizia o poeta, “hoje, o tempo corre, amor, e escorre pelas mãos”, não é verdade? “O tempo escorre pelas mãos, e não há tempo que volte, vamos viver tudo o que há para viver. Vamos nos permitir!”.

E a ideia de Castro Alves era que a gente se permitisse, é que nós reconhecêssemos que todos eram iguais e que todos são iguais perante a lei, que a lei não olha para cor de pele, que a lei não olha para orientação sexual, que a lei não olha para a idade, que a lei não olha para a origem econômica, que a lei não olha, senão, para a justiça, senão, para dar a cada um o que é seu, tratar os desiguais na medida da sua desigualdade e construir um futuro melhor. Esse futuro melhor, para ser construído, não depende mais de Castro Alves. Castro Alves fez a parte dele e agora nós precisaremos fazer a nossa parte.

Certa feita, um baiano porreta, chamado Caetano Veloso, visitou um poeta piauiense, Torquato Neto, que havia praticado suicídio. Caetano Veloso estava muito triste por conta da perda do amigo Torquato Neto, e ao visitar o pai de Torquato, no Piauí, Caetano Veloso, então, foi recebido com muito carinho, em Teresina.

E lá chegando, em Teresina, Caetano Veloso conversava com o pai de Torquato Neto sobre as músicas e a poesia de Torquato Neto. Torquato Neto tem uma música que é espetacular, e foi cunhada no Repositório Nacional Brasileiro pelo Titãs. A música chama-se “Go Back”, e ela tem um refrão que é espetacular e que diz muito sobre Castro Alves. O refrão da música diz: “Eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”. A ideia de Castro Alves de justiça social era muito a respeito disso. Não vamos perder tempo com a escravidão, vamos abolir a escravidão. Não vamos perder tempo com o abuso de poder econômico, vamos implementar a justiça social.

E eu me lembro muito de Torquato Neto, quando eu penso em Caetano Veloso, e quando eu penso em Castro Alves, eu me lembro muito desse refrão, porque ele nos instiga a refletir sobre o dia de hoje. Lembro-me que quando Castro Alves visitou o pai de Torquato Neto, no Piauí, ele foi recebido em Teresina com a chamada cajuína, “...a cajuína, cristalina, em Teresina”. E para quem não conhece a história dessa canção, essa canção é de uma reflexão estrondosa, do tamanho da luz de Castro Alves.

Castro Alves, como diria Ruy Barbosa, era uma luz na alvorada. E Caetano Veloso, lembrando do velho amigo Torquato Neto, ao ser servido da cajuína, fez uma pergunta que eu repercuto para você, que é estudante de escola pública, para você, que é servidor público municipal, que está aqui, para você, que está na Mesa, que eu repercuto para mim. Caetano Veloso, ao pensar a morte do querido amigo que o deixou, como nós estamos aqui a pensar a morte do Castro Alves, Caetano Veloso se perguntava: existimos, a que será que se destina? A que será que se destina a nossa existência? “A cajuína, cristalina, em Teresina” era o suco de caju, era a cajuína que ele estava recebendo, e ali pensando no amigo perdido, no amigo morto, como nós estamos pensando no nosso poeta dos escravos morto, Caetano, se perguntava: “a que será que se destina a nossa vida”?

Castro Alves não foi porque manteremos viva a memória de Castro Alves, mas Castro Alves deixou o bastão para a gente, e compete a gente agora dar sequência ao belo trabalho e à bela história de Castro Alves. Mas eu não tenho a capacidade, jamais terei a pretensão de tentar responder “a que será que se destina”. O padre Oseias talvez tenha aqui uma forma própria de dizer a que será que se destina a nossa vida, o vereador Odiosvaldo também deve ter a forma dele, a maneira de pensar. Cada um de nós compõe a sua própria história, cada um de nós é capaz e tem o dom de ser feliz e de construir.

Então, eu não vou responder. Essa resposta, nós nos daremos, você se dará pensando no legado de Castro Alves. Mas uma coisa eu tenho certeza, eu não sei a que será que se destina. “Existimos, a que será que se destina?” Isso, realmente, eu não sei, mas de uma coisa eu estou certo: “eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”. E vocês? Vocês têm tempo a perder?

Então, daqui para a frente é hora de repensarmos Castro Alves, não mais olhando Castro Alves pelo retrovisor. Vamos olhá-lo, agora, pelo para-brisa e verificarmos como podemos fazer para tornar a casa de Castro Alves uma casa digna do nosso poeta e para que a memória de Castro Alves esteja viva e acesa na memória de nossos filhos, de nossos amigos, na história de Salvador e na história de nosso país.

Se eu puder, na idade do nosso próximo palestrante, voltar aqui, aos meus 90 anos de idade, e verificar o meu querido amigo que falará agora, que tem todo o meu respeito, professor Germano Machado, olhar para trás e dizer: de lá para cá construímos um mundo melhor, e essa construção do mundo melhor foi feita também através das lições de Castro Alves. Então, eu vou poder sentir que assim como Castro Alves fez, no limite das forças dele, o bem, eu, de certa maneira fiz, do limite das minhas forças, o bem.

No mais, é desejar a todos que continuem a celebrar Castro Alves no coração de vocês não apenas em um dia só, mas que sempre que possível abram uma poesia do nosso poeta maior dos escravos. E sempre que possível, transmitam essas lições espetaculares do nosso poeta a todos aqueles que possam e queiram ouvir o nosso Castro Alves.

Muito obrigado a todos. E viva o poeta dos escravos!

SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Obrigado. Roberto Lima, brilhante a sua fala. Já esperávamos essa sua participação.

Convidamos o professor Dr. Germano Machado, fundador e presidente do CEPA, para usar da palavra por um período de 10 minutos. Senão, o professor vai se alongar muito.



PROFESSOR GERMANO MACHADO: - Dirijo-me ao vereador Odiosvaldo Vigas, dirijo-me a muitos que aqui estão e que são de CEPA – Círculo de Estudos do Pensamento e Ação. Esta homenagem a Castro Alves, o vereador sabe, foi organizada por ele, em consonância com esse movimento.

Aqui está presente também um jovem, Ivan De Almeida, também, poeta, na linha de Castro Alves.

Hoje, aqui, nós tivemos e estamos tendo uma aula monumental, uma aula de poesia, de civismo, uma aula de grandeza dessa terra.

Reparem bem, eu nem estou falando, estou apenas comentando sobre esses rapazes e mocinhas das escolas públicas aprendendo civismo ao vivo.

A mesma coisa, o procurador do Estado, que falou maravilhosamente. Isso merecia um trabalho escrito, publicado por esta Casa, não digo só do vereador Odiosvaldo Vigas, mas da Casa, da própria Presidência, como uma determinação. Há anos e anos fazemos essa festa aqui.

Lembrando também que neste dia, Glauber Rocha, sem o qual o CEPA não tem toda a sua glória, e ele teve a sua glória no cinema através daquele grupo de cinema, em 1951/1952, com Luiz Paulino dos Santos, José Teles de Magalhães e outros mais, todos eles que abriram a porta do cinema para Glauber. Também é um dia de glória.

Vou ler rapidamente e não me demorar. A coisa que mais aplaudo aqui é todo o conjunto, os cantores que iniciaram, essa beleza que eles fizeram. É uma coisa que deve ser explicada como uma aula pública. Tema com grandeza, reparem bem, Castro Alves, o poeta da liberdade e da justiça social, esse é o tema.

Tema com grandeza de alma voltado para o futuro humano brasileiro e baiano que está se abrindo nos horizontes fisicos e nos horizontes da alma, da sensibilidade do nosso dileto amigo, cepista, Dr. Odiosvaldo Vigas, ilustre membro da Câmara Municipal de Salvador, médico e homem que olha a pobreza, que olha a raça negra porque é 80% da Cidade do Salvador é da raça negra

Esses 80% não tiveram capacidade ou indução para eleger o prefeito de Salvador. A Bahia não é uma cidade branca, é uma cidade negra. É preciso dizer “sem racismo”.

Todos os anos, portanto, no dia 14, o CEPA e seus amigos e companheiros, e hoje, (inaudível) a data natalícia do poeta da liberdade, na evolução pela elevada montanha do bem, os Andes que Castro Alves fitava, embora pequeno de tamanho.

Igualmente como Glauber Rocha, como falei, por destinação nasceu igualmente nesta data.

Nesse 14 de março de 2017, tentarei dizer o grande poeta (inaudível) também de um jovem poeta distinguido nessa arte, que é Ivan de Almeida, um grande poeta jovem, e veio da pobreza, veio de baixo, não veio dos palacetes. Cepiano com 15 anos entrou no CEPA, em face de problema, vem segurando e essa demonstração, há varios anos, é ele quem fala e determina. Hoje ele marcou que seria eu.

Castro Alves romântico, sim, mas sobretudo, social, político. Nós devemos ser políticos, não temos um partido negro? Que negocio é esse? Pela liberdade combateu mais do que todos pela libertação dos escravos, pois a escravização desonra a natureza humana que é muito mais do que animal, é espiritual, pois assim viram no passado e hoje em condições terríveis se processa ainda uma múltipla escravidão. Temos de lutar, temos de avançar e permanecer no espírito castroalvino.

Para não cansar, vamos ver os grandes temas de Castro Alves. Temos, por exemplo, o problema de todas as raças, particularmente pelas injustiças à raça negra, dona do futuro do Brasil e nesta Bahia tão negra e de África certamente do futuro.

Prognostico, professo a realidade que a decandência do Ocidente europeu está evidenciando a juventude baiana, de hoje, nas escolas, nas universidades, nas instituições culturais e aqui, como ouvimos hoje, deve entender o valor e a grandeza. Não ficar nesse dia, como disse o procurador, ler, decorar e compreender Navio Negreiro, Vozes d'África, Tirana, Pelas Sombras e Improviso, Cachoeira de Paulo Afonso que viu terminar em O Gondoleiro de Amor e aos Estudantes Voluntários um dos gritos do passado ao futuro, enfim, quem empresta aos pobres, empresta a Deus.

Ave de Alto Voo possui Remígios de Águia, Condor, Fitava os Andes, Perfil, não contorno para mostrar uma visão do gênio.

Rui Barbosa afirmou de Castro Alves: “Quem não cantou Castro Alves e quem não cantou como o poeta desde os primeiros ensaios do seu gênio? Dir-se-ia que a sua musa roçara os lábios de mel de todas as docuras e na essencia amarga de tantas agonias do nosso destino”.

Castro Alves poetizou cantando as tragédias da vida humana e social de então pela libertação dos escravos, bradando em estrofes, o social e humano, o rácico do seu tempo brasileiro.

No povo, na raça e na praça levando seu coração a descobrir a realidade da libertação, como poeta dos escravos.

A lei que redimiu a maternidade aos descendentes de África são antevistos como um relâmpago na súplica encantadora do poeta:


“Senhor Deus, dá que a bica da inocência

Possa ao menos sorrir

Como a flor de Granada abrindo as pétalas

Da alvorada ao surgir”

Ruy Barbosa mostra Castro Alves como o poeta da liberdade para que, Cantos pela Liberdade, “O passado purga o presente e triunfa o porvir. ”

Terminando nos seu Vozes D’África, Castro Alves canta:


"Hoje em meu sangue a América se nutre

Condor que se transformara em abutre,

Ave da escravidão

Ela juntou-se às más, irmã traidora.

Qual de José os vis irmãos outrora venderam seu irmão.

Basta, Senhor!

De Teu potente braço role através dos astros e do espaço

Perdão para os crimes meus!

Há dois mil anos eu soluço um grito

Escuta o brado meu lá no infinito

Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...”
SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Parabéns, professor Germano.

Iremos ouvir agora o nosso jornalista, escritor e também poeta, Ivan de Almeida, que irá falar sobre a obra do livro que estamos lançando no nosso sarau de poesia junto com Edgar Velame.



SR. IVAN DE ALMEIDA: - Boa tarde a todos e a todas.

Quero saudar esta Mesa seleta, que eu tenho a honra de fazer parte dela, e em especial ao mestre, ao meu mestre, ao mestre de inúmeras gerações, o professor Germano Machado, e também ao nosso vereador Odiosvaldo Vigas a quem eu peço humildemente uma salva de palmas para o nosso amigo pela sua grande contribuição à cultura, à literatura de Salvador.

Eu sou um profundo admirador do trabalho de Odiosvaldo pelo empenho, pela força, pela vitalidade que ele tem gerido o Centro de Cultura da Câmara e tem mantido com empenho o sarau de poesia da Câmara Municipal que, inclusive, temos a presença do coordenador o poeta Edgar Velame a quem eu gostaria também que déssemos uma salva de palmas.

Edgar Velame, ele representa muito bem essa vitalidade que Salvador tem para fazer uma poesia de resistência, haja vista os Poetas da Praça, haja vista os outros movimentos culturais, poéticos que existiram na cidade e que hoje existem, resistem e persistem.

Temos aqui a presença de inúmeros poetas que não me deixam mentir, como Josué Ramiro, o nosso amigo poeta Jorge Carrano, temos a presença aqui de Helder Santos, de Lucas, Magali, Conceição.

Então, é uma atividade, vereador, muito representativa e que está sendo bem representada pelos poetas.

Quero também mencionar aqui a participação em peso dos cepistas, enfim.

Para ser breve, eu quero falar sobre o projeto que iniciamos o ano passado e que temos a satisfação de divulgar o lançamento, no próximo mês, no mês de abril, onde faremos, vereador, um sarau, a retomada do sarau.

Sarau este que vai entrar para o quinto ano com muita determinação, empenho e resiliência. Esse sarau que tem reunido grandes nomes, eu acho que melhor pessoa para falar do sarau é o próprio coordenador, Edgar Velame, que acredito que quando ele for fazer a sua performance, ele possa falar um pouco desse projeto maravilhoso, mas eu vou me ater a falar do livro. É um trabalho que estamos desenvolvendo, que contará com a participação de 100 poetas de Salvador. Será um livro de 200 páginas e que com este livro, de fato, marcará esse lindo projeto que há cinco anos vem encantando a cidade e que vem mantendo Salvador como a cidade da poesia.

Enfim, esse é o meu recado. Agradeço a participação de todos. E deixar o recado, que o CEPA, eu também estou aqui representando o CEPA, ele está vivo, ele reside no Barbalho, todos os sábados. E quem gostou da palestra do professor Germano, pode ter certeza que aos sábados, no CEPA, não só essa palestra, como inúmeras outras.

Bem, e o CEPA estará agora voltando para a Faculdade 2 de Julho, ficou lá um tempo, então, serão divulgadas as novas ações do CEPA.

Enfim, viva a poesia, viva a iniciativa do vereador Odiosvaldo, viva Castro Alves, viva o Dia Internacional da Poesia!

Parabéns a todos. Muito obrigado.

SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Convidamos agora o Sr. Ivan Dórea para usar a palavra, da Academia de Letras da Bahia, em um período de 5 minutos.

SR. IVAN DÓREA: - Boa tarde a todos. Eu estou um bocado rouco, por isso vou falar muito pouco.

Homenagear Castro Alves é uma das maiores realizações que se pode fazer no Estado da Bahia. Castro Alves é o nosso principal poeta e eu, particularmente, o considero o maior poeta da língua portuguesa, que ultrapassa, inclusive, Fernando Pessoa e qualquer outro.

E quero dar os parabéns, e não vou falar muito mais, porque eu não estou conseguindo, minha voz está muito rouca. Eu quero dar os parabéns à Câmara de Vereadores, ao vereador Odiosvaldo Vigas e ao meu mestre, o professor Germano Machado, por essa iniciativa brilhante. E que se repitam várias outras, porque a Bahia precisa resgatar os seus valores, precisa resgatar a sua história, precisa resgatar a sua cultura, que sempre foi extraordinária, sempre foi o grande expoente da cultura brasileira.

Então, nós precisamos, realmente, resgatar os nossos principais valores, e, evidentemente, a nossa principal cultura.

Muito obrigado.

SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Obrigado, Ivan Dórea, da Academia de Letras da Bahia. Convidamos agora a Sra. Regina Caciquinho, escritora holística.

SRA. REGINA CACIQUINHO: - Boa tarde a todos aqui presentes. Gostaria de agradecer ao vereador Dr. Odiosvaldo Vigas pelo convite, ao diretor da Editora Cogito por também ter me convidado a vir, a estar presente aqui hoje nesta sessão em homenagem a Castro Alves.

O meu direcionamento a todos vocês aqui presentes, vendo essa energia, essa egrégora formada por Castro Alves, onde nós estamos ramificados, hoje, falando depois de tantos anos. O pouco tempo que ele ficou aqui, ele plantou uma linda raiz. Essa sementinha que hoje nasceu, que somos todos nós, que nós temos o grande ator, artista, escritor Velame, Marly, Lucas, o próprio Dr. Germano, todos maravilhosamente ramificados, energizados por essa boa energia que ele deixou, com poemas que devemos juntar, formar e para serem únicos, independentemente de cor, de beleza, de situação.

E para vocês, alunos aqui presentes, que estão ainda em formação, o que vou aconselhar é que vocês procurem fazer essa viagem dentro de vocês, procurem escrever, deixar sair, colocar para fora muitas vezes uma pequena poesia, uma rima, porque tudo isso vai nascer do coração.

Quando vocês passarem a sentir, porque a viagem é um pouco difícil, mas devagarzinho todo mundo consegue, buscar dentro de si mesmo uma boa energia. E essa energia, essa força interior, essa força vital vem dentro de nós. E um exemplo é de que pelo pouco tempo que viveu Castro Alves, ele deixou uma semente para o mundo, que deveria ganhar até o Oscar da paz em memória. Porque nós todos, da Bahia, temos no sangue já maravilhosamente bem preparado pelo nosso Deus, o nosso Universo, tanta coisa maravilhosa. Aqui nascem não só escritores, mas nascem cantores, tudo. Os próprios funcionários da Câmara, cada um fazendo seu papel, cada um sendo distribuído para uma meta, aqui em nosso Universo, aqui em nosso Planeta.

Portanto, essa viagem, comecem a fazer, comecem a refletir, pensem positivo, não deixem que o pensamento seja alienado por um negativo em nenhum segundo. Procurem sempre estar fazendo alguma coisa, mas não deixem o negativo entrar e sim, sempre pensando positivo é que vocês conseguirão prosperar. O prosperar não significa só financeiramente, mas no crescimento físico, emocional e espiritual.

Namastê!


SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Obrigado à escritora holística, Regina Caciquinho.

Convidamos agora o diretor da Escola Estadual Helena Celestino Magalhães, o professor Perieldo Barros, que irá usar da palavra por cinco minutos. Em seguida, convidar a escola para uma apresentação.



SR. PERIELDO BARROS: - Boa tarde a todos e a todas. Boa tarde aos estudantes do Colégio Ipiranga, e em especial ao Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães, no IAPI. Boa tarde à Mesa, essa ilustre e notável Mesa. Para mim é uma honra fazer parte de uma Mesa com pessoas de uma sabedoria infinita.

Praticamente, os senhores já falaram quase tudo. O professor e procurador Roberto Lima, ele foi quase na nossa linha de pensamento, porque é um professor, e professor vai por esse caminho mesmo.

Hoje, estamos comemorando o dia de nascimento de Antônio Frederico de Castro Alves, 170 anos de seu nascimento. Castro Alves, como vocês já sabem, nasceu em 14 de março de 1847. É considerado o maior poeta do Romantismo, da terceira geração, um poeta que pensa diferente em relação aos demais poetas do Romantismo. Nós tivemos a primeira geração, que foi a geração da exaltação à pátria, Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães. A segunda, tivemos a exaltação à morte, ao amor, a idealização do amor e da mulher. E Castro Alves já pensa diferente, é diferente em relação a seus contemporâneos, e quase atual ao agora.

Nós falamos aqui dessa poesia libertária. Castro Alves era abolicionista e, de fato, o que estamos hoje tentando é nos libertar de certas situações que hoje o nosso país vive.

Vemos a questão da Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, como é que nós vamos ficar caso sejam aprovadas. Mas estamos na luta, como o grupo falou “lute”, e vamos continuar essa luta.

Eu agradeço, imensamente, ao Exmo. vereador Odiosvaldo Vigas, pelo convite.

E vocês alunos, acordem e lutem. Viva a poesia, viva Castro Alves e muito obrigado.

SR. VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Obrigado, Sr. Perieldo.

SR. PERIELDO BARROS: - Agora, eu gostaria de convidar os meninos, o casal do Helena Celestino Magalhães, para apresentação.
APRESENTAÇÃO DA ESCOLA HELENA CELESTINO MAGALHÃES
SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Obrigado aos alunos da Escola Helena Celestino.

Ainda tem uma apresentação.



SR. ÍTALO FERREIRA: - Boa tarde.

Eu sou representante da Escola Helena Celestino Magalhães, chamo-me Ítalo Ferreira, e irei declamar um poema de Castro Alves que se chama: Quem dá aos pobres, empresta a Deus.

“Eu, que a pobreza de meus pobres cantos

Dei aos heróis — aos miseráveis grandes —,

Eu, que sou cego, — mas só peço luzes...

Que sou pequeno, — mas só fito os Andes...,

Canto nest'hora, como o bardo antigo

Das priscas eras, que bem longe vão,

O grande NADA dos heróis, que dormem

Do vasto pampa no funéreo chão ...


Duas grandezas neste instante cruzam-sel

Duas realezas hoje aqui se abraçam!

Uma — é um livro laureado em luzes

Outra — uma espada, onde os lauréis se enlaçam

Nem cora o livro de ombrear co'o sabre

Nem cora o sabre de chamá-lo irmão

Quando em loureiros se biparte o gládio

Do vasto pampa no funéreo chão.


E foram grandes teus heróis, ó pátria,

— Mulher fecunda, que não cria escravos —,

Que ao trom da guerra soluçaste aos filhos:

"Parti — soldados, mas voltai-me — bravosl"

E qual Moema desgrenhada, altiva,

Eis tua prole, que se arroja então,

De um mar de glórias apartando as vagas

Do vasto pampa no funéreo chão.


E esses Leandros do Helesponto novo

Se resvalaram — foi no chão da história

Se tropeçaram — foi na eternidade

Se naufragaram — foi no mar da glória

E hoje o que resta dos heróis gigantes?

Aqui — os filhos que vos pedem pão

Além — a ossada, que branqueia a lua,

Do vasto pampa no funéreo chão.


Ai! quantas vezes a criança loura

Seu pai procura pequenina e nua,

E vai, brincando co'o vetusto sabre,

Sentar-se à espera no portal da rua...

Mísera mãe, sobre teu peito aquece

Esta avezinha, que não tem mais pão!...

Seu pai descansa — fulminado cedro —

Do vasto pampa no funéreo chão.


Mas, já que as águias lá no sul tombaram

E os filhos d'águias o Poder esquece

É grande, é nobre, é gigantesco, é santo!...

Lançai — a esmola, e colhereis — a prece!...

Oh! dai a esmola... que do infante lindo

Por entre os dedos da pequena mão,

Ela transborda... e vai cair nas tumbas

Do vasto pampa no funéreo chão.


Há duas cousas neste mundo santas:

— O rir do infante, — o descansar do morto...

O berço — é a barca, que encalhou na vida,

A cova — é a barca do sidéreo porto...

E vós dissesses para o berço — Avante! —

Enquanto os nautas, que ao Eterno vão,

Os ossos deixam, qual na praia as âncoras,

Do vasto pampa no funéreo chão.


É santo o laço, em qu'hoje aqui s'estreitam

De heróicos troncos — os rebentos novos —!

É que são gêmeos dos heróis os filhos,

Inda que filhos de diversos povos!

Sim! me parece que nest'hora augusta

Os mortos saltam da feral mansão...

E um "bravo!" altivo de além-mar partindo

Rola do pampa no funéreo chão! ...”


S. Salvador, 31 de Outubro de 1867.
SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Queremos registrar a presença do Dr. Idenilton Santos. Registramos aqui a presença do deputado Roberto Carlos, do nosso partido PDT.

Convidamos, agora, Edgar Velame e Marli para fazerem uma performance, antes de encerrarmos, para irmos para um recital de poesia. Uma performance de mais ou menos uns cinco a dez minutos, Edgar, para irmos para o pátio daqui.



SR. EDGAR VELAME: - Boa tarde a todas e a todos.

Mais uma vez estamos aqui, é um momento espetacular falar de Castro Alves, do grande poeta das Américas. É um privilégio!

Mas eu quero também parabenizar a iniciativa do vereador Odiosvaldo Vigas, que vem persistindo, resistindo e fazendo com que este momento aconteça. Quero também parabenizar o CEPA, em nome do professor Germano Machado, Ivan e dizer: bendito o que semeia livros!

Então, é muito bonita a ação de quem divulga, propaga e semeia o livro.

E ao meu lado, a poetisa e atriz Marly Ramos, que vai me dar o privilégio de interpretar o poema Navio negreiro, e Lucas Ferreira, esse jovem promissor que vem fazendo um trabalho muito bonito. Marly foi homenageada pelo Berimbau de Ouro, Lucas Ferreira esteve comigo fazendo um grande trabalho no médio sudoeste. Fizemos Nova Canaã, fizemos a jornada pedagógica de Nova Canaã, com o jovem Lucas, fizemos também Iguaí, Poções e Jequié.

Ou seja, que a nossa poesia também está chegando no médio sudoeste, por isso, é preciso resistir, persistir para existir.



SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Vamos lá Edgar.
APRESENTAÇÃO DE POESIA
O Navio Negreiro
“’Stamos em pleno mar… Doudo no espaço

Brinca o luar – dourada borboleta;

E as vagas após ele correm… cansam

Como turba de infantes inquieta.


‘Stamos em pleno mar… Do firmamento

Os astros saltam como espumas de ouro…

O mar em troca acende as ardentias,

– Constelações do líquido tesouro…


‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos

Ali se estreitam num abraço insano,

Azuis, dourados, plácidos, sublimes…

Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…


‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas

Ao quente arfar das virações marinhas,

Veleiro brigue corre à flor dos mares,

Como roçam na vaga as andorinhas…


Era um sonho dantesco… o tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho.

Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar…
Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente…

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais …

Se o velho arqueja, se no chão resvala,

Ouvem-se gritos… o chicote estala.

E voam mais e mais…


Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!


Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!…

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?


Silêncio. Musa… chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto!…

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança…


Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!…


Fatalidade atroz que a mente esmaga!

Extingue nesta hora o brigue imundo

O trilho que Colombo abriu nas vagas,

Como um íris no pélago profundo!


Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga

Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!

Andrada! arranca esse pendão dos ares!

Colombo! fecha a porta dos teus mares!

APRESENTAÇÃO TEATRAL
SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Obrigado, Edgar Velame, pela brilhante performance. E iremos continuar, daqui a pouco instante, no pátio daqui da Casa, o nosso Recital de Poesia.

Convidamos agora, para encerrarmos, e posteriormente padre Ozéas vai fazer o fechamento, a Escola Castro Alves para uma breve apresentação, de sete a dez minutos.

Escola Castro Alves.
(APRESENTAÇÃO DA ESCOLA CASTRO ALVES)

SR. PRESIDENTE VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: -Obrigado aos alunos da Escola Castro Alves.

Convidamos agora o padre Ozeas. O senhor dispõe de cinco minutos para falar e fazer uma oração ecumênica, nesse pequeno tempo.



PADRE OZÉAS NASCIMENTO: - Quero desejar a todos uma boa tarde. Pedir que a paz esteja com todos. Quero saudar à Mesa, ao seu presidente e proponente, Exmo. Sr. vereador Odiosvaldo Vigas, a quem agradeço o convite. Quero saudar à Mesa, na presença do professor que tive a honra de conhecer, professor Germano Machado. Semana passada também, tive a honra de conhecer o professor Dr. Roberto Lima, por coincidência, em um casamento e hoje estamos dividindo esta Mesa. Saudar a Sra. Regina e a todos os demais componentes desta Mesa.

É muito importante, meus irmãos e minhas irmãs, que estejamos presenciando um evento multicultural da diversidade, na Câmara Municipal de Salvador. É muito importante que a Casa do Povo se abra para as diversas manifestações culturais e que o seu proponente preste um serviço à sociedade soteropolitana, baiana e brasileira, ao dar ao poeta Castro Alves o seu lugar merecido de honra na história como o maior poeta de língua portuguesa da História do Brasil, que pouco foi reconhecido, por ser o poeta dos escravos. Mas que, mesmo in memoriam, hoje reconhecemos o seu valor e a sua importância para a história de libertação do povo brasileiro.

É importante também, ressaltar que o que fazemos aqui, é, mais uma vez, semear e fazer, assim como Castro Alves, uma denúncia da escravização que apenas mudou de forma, mas que se perpetua no genocídio da juventude pobre e negra do Brasil e em especial em São Salvador, na Bahia.

Eu não vou me alongar, mas é impossível conceber que na cidade mais negra, fora da África, no mundo, ainda haja tanta desigualdade, tanta escravização e tanta negação de direitos básicos à saúde, à vida, tanto abandono em nossa sociedade. E, infelizmente, uma minoria ainda comanda os navios negreiros, em pleno século 21, mudando apenas os seus capitães.

Por isso, quero dizer a cada um de vocês, e dirijo-me aos professores e alunos: vocês são os baluartes da transformação e da mudança da sociedade quando vocês ajudam a incutir nas crianças do Brasil, da Bahia e em Salvador, em particular, essa denúncia tão importante, quando eu percebo que crianças e pré-adolescentes já têm um pleno contato com as poesias e a história de Castro Alves.

Mas é bom dizer, eu que também sou professor, sou pedagogo de formação pela Universidade Estadual da Bahia, digo para vocês: infelizmente, essa não é a realidade da escola pública não. Castro Alves e toda a história afro são negados na escola, coloca-se um parêntese, um pontinho aqui e outro ali, mas, infelizmente, isso ainda não é política pública de atuação em nossas escolas. E isso já deveria e precisa ser mudado com urgência.

É importante dizer também, e dirijo-me a vocês todos, que o que fazemos aqui nada mais é do que nossa obrigação. Mas tenho esperança de que essa realidade que acabamos de dizer possa ser mudada através dos valores da sociedade.

E eu percebo, vereador, que quando chego na minha comunidade de Boa Vista de São Caetano para celebrar, percebo aquilo que os poetas disseram aí: às vezes dá tanta tristeza quando olhamos o azul e não conseguimos decifrar se é o azul do mar ou o azul do céu, porque, infelizmente, muitos ainda estão presos na ignorância e na falta de oportunidade.

É importante deixar aqui, acima de tudo, porque a poesia de Castro Alves era uma denúncia. Ele não apenas declamava, a sua poesia era um grito, um grito de socorro, um grito de liberdade e por isso peço a Deus que ilumine cada um de vocês. E só posso encerrar dizendo: liberdade, liberdade, liberdade!
SR. VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Obrigado, Padre Ozéas.
(DECLAMAÇÃO DA PLATEIA)
SR. VEREADOR ODIOSVALDO VIGAS: - Obrigado, Jorge Melo.

Quero registrar a presença da vereadora Marta Rodrigues, uma salva de palmas, aqui conosco, vereadora combatente, nesta Casa.

Bem, antes de encerrarmos, companheiros, eu gostaria de ler aqui um pensamento de Ruy Barbosa referente a Castro Alves:

“Eis o que eleva Castro Alves à altura de um poeta nacional e bastante eminente para representar uma grande manifestação da pátria: é que a alma da sua poesia é a aspiração culminante do país.

Nos seus cantos, geme pela liberdade o passado, pugna o presente e triunfa o porvir”.

Então Ruy Barbosa, hoje...


(MANIFESTAÇÃO DA PLATEIA)
Obrigado, José Carlos.

Esta Casa é a Casa do povo. Eu acho que está aberta para fazermos esse processo de formação desses jovens, esses que chegaram aqui, vindo das escolas, formando e iniciando a sua cidadania e complementamos com os seguimentos de Dr. Roberto Lima, esse grande procurador na sua associação, que fez uma brilhante palestra. Professor Germano, Ivan de Almeida, com o lançamento do livro Duzentas Poesias do nosso Sarau, que será no mês de abril.

E mais uma vez cumprimos nosso papel nesta Casa ao trazermos a poesia, ao trazermos a denúncia, o grito de liberdade e de justiça social de Castro Alves.

Muito obrigado a todos os senhores e nos dirigiremos agora ao pátio onde haverá um recital de poesias acompanhado de uma iguaria nossa, de nossa marca, que é o acarajé.

Muito obrigado a todos vocês.


Praça Thomé de Souza, s/nº, Centro – Salvador – Bahia



CEP: 40.20-010 / Tel:. 3320-0100 / www.cms.ba.gov.br




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