Humor e diferensa: Millôr Fernandes sob lentes derridianas



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HUMOR E DIFERENSA: FÁBULAS FABULOSAS SOB LENTES DERRIDIANAS

Lázaro Barbosa1

(Filosofia - UFRN)
Resumo:
Um dos mais importantes humoristas brasileiros da atualidade, Millôr Fernandes versa sobre temas variados, embora de uma maneira geral sempre aborde o ser humano. Pretendo aqui esboçar uma leitura derridiana de alguns textos presentes no livro Fábulas Fabulosas a partir da noção de diferensa com s (tradução do neografismo francês différance), explorando o modo como o escritor se apropria e desconstrói a fábula enquanto gênero textual e literário. A título de conclusão, chamo a atenção para o fato de que, assim como Jacques Derrida tratou a linguagem de forma radicalmente diversa da tradicional, também Millôr se serve dela para repensar os valores morais da sociedade contemporânea.
Palavras-chave: diferensa, humor, fábula, literatura comparada
"Muitas das fábulas aqui presentes já eram velhas no banquete de Baltazar e ainda serão novas quando o Brasil for uma democracia. Não pretendem ensinar nada senão que a paz na terra independe de nossa boa vontade, que a vitória na vida vem mais de nossos defeitos do que de nossas qualidades, e que só no dia em que um industrial espirituoso chamar de FÉ às suas escavadeiras, a FÉ removerá montanhas. Este é, em suma, um livro como todos os outros - perfeitamente dispensável. Mas seja tudo pela vontade de Alá - que é Deus - e de Maomé que, felizmente, não é o seu único profeta."

(Millôr Fernandes – Fábulas Fabulosas)

Millôr Fernandes é um sujeito de atividades variadas: dramaturgo, tradutor, artista visual, jornalista, poeta... Mas o eixo maior de seu trabalho é o humor. Através dele, num tom invariavelmente ácido, escreve sobre um leque vastíssimo de assuntos, desde política, guerras e economia até aspectos aparentemente banais da vida cotidiana. Em todos eles, no entanto, procura analisar e esmiuçar as desventuras do ser humano, sua mesquinhez, sua idiotice, sua petulância, com o objetivo de criticá-las e alertar o leitor dos rumos perigosos que tais problemas tomam. Nas Fábulas Fabulosas (FERNANDES, 1974), essa crítica é acompanhada de um emprego inovador e inusitado do gênero fábula, nos aspectos textual e literário. Aqui, após (1) resumir os traços tradicionais da fábula e (2) apresentar a noção de diferensa­­­­­­­­­­­2 elaborada pelo filósofo francês Jacques Derrida (DERRIDA, 1991), (3) esboçarei uma leitura de alguns textos presentes na referida obra do humorista brasileiro.

1. A fábula3
A fábula é um gênero literário bastante antigo e muito popular; era cultivada por indianos, chineses, sumérios e acadianos, entre outros povos. Inicialmente difundida na oralidade, pouco a pouco foi compilada por indivíduos como Esopo (cuja existência, bem entendido, ainda é fonte de controvérsias), tendo experimentado grande desenvolvimento ainda no barroco europeu, através de escritores como Jean de La Fontaine. Outros escritores mais recentes, como Franz Kafka e George Orwell, também cultivaram a fábula.

A estrutura básica da fábula possui duas partes maiores: a narrativa, no qual a história é redigida, e a moral, que tem a função de sintetizar e reformular a narrativa, bem como orientar o modo como esta deve ser entendida. É comum aparecer o título sob a forma x e y, em que x e y representam os personagens da fábula, geralmente em relação de opostos, relação esta que, iniciando de uma forma assume o reverso ao final da história. Em geral, a descrição do espaço onde os eventos se sucedem é mínima, sendo privilegiada as ações dos personagens. Estes, por sua vez, são geralmente animais, plantas e forças da natureza, embora as mais conhecidas são aquelas com personagens animais. Eles simbolizam os seres humanos e suas atitudes, qualidades e vícios: a raposa, por exemplo, é tida como astuta e esperta; o lobo representa o autoritarismo, assim como o leão, que também simboliza coragem e nobreza; a formiga é associada à disciplina e trabalho, e assim por diante.

Por último, um traço recorrente nas fábulas é o moral. Nelas existe sempre a intenção de transmitir ensinamentos sobre a vida prática, e freqüentemente possuem caráter atemporal. Não é à toa que, apesar da simplicidade aparente da estrutura textual, a fábula permeia o imaginário popular, condensando valores de toda uma época, podendo mesmo ser aproveitadas pelas gerações futuras. É com razão que Millôr Fernandes escreveu na epígrafe-prefácio de seu livro: “Muitas das fábulas aqui presentes já eram velhas no banquete de Baltazar e ainda serão novas quando o Brasil for uma democracia” (FERNANDES, 1974). Mas será o tratamento oferecido similar ao tradicional? E até que ponto?

2. A diferensa
Jacques Derrida empreendeu uma crítica severa ao pensamento filosófico tradicional, fundado em dicotomias insolúveis. Na filosofia do Ocidente, ele denunciou três grandes sintomas: o logocentrismo, o fonocentrismo e o falocentrismo. Logocentrismo é a tendência de centrar a atividade num logos soberano, num sistema de conceitos que se opõem e excluem mutuamente; fonocentrismo é o privilégio do logos enquanto voz, voz presente a si mesma, em oposição à escrita que, no Ocidente, tem sido associada à ausência; falocentrismo é a tendência de pôr o homem, o falo, enquanto portador da verdade. Para atingir seu objetivo – que não é apenas a crítica da tradição filosófica ocidental, mas também sua superação –, Derrida se serviu de um conjunto de palavras que, via de regra, remetem umas às outras: suplemento, disseminação, phármakon e diferensa. No entanto, o leitor de primeira viagem certamente terá um choque, não apenas com o aspecto estilístico – uma vez que a escrita derridiana é algo hermética – mas principalmente com o modo como essa crítica-superação da filosofia é realizada. Ele escreveu, acerca da diferensa:

(...) a diferança, que não é uma palavra nem um conceito, me pareceu ser, estrategicamente, o mais próprio a ser pensado, se não a dominar – sendo talvez aqui o pensamento aquilo que se mantém num certo nexo necessário com os limites estruturais do domínio – o mais irredutível da nossa ‘época’. Parto, pois, estrategicamente, do lugar e do tempo em que “nós” estamos, ainda que a minha abertura não seja justificável e seja sempre a partir da diferança e da sua “história” que nós podemos pretender saber quem “nós” somos e onde estamos e o que poderiam ser os limites de uma “época” (DERRIDA, 1991:38).

Além de romper com qualquer identificação com o legado filosófico, que trataria de inscrever a diferensa nos limites de uma ontoteologia, Derrida também não pretende partir diretamente da época atual, ancorando-se nela, para realizar sua tarefa. É que a diferensa é um projeto “estratégico e aventuroso”, isto é, não pode encontrar correspondentes no pensamento tradicional nem tem uma finalidade (télos) da forma comumente aceita. É assim, portanto, que diferensa não pode ser uma palavra ou conceito porque ela própria “deverá um dia ser superada” (DERRIDA, 1991:38). Mas Derrida ainda espera que haja um entendimento mínimo da diferensa, bem como do que ela almeja superar. Qual seja: a alcunha diferensa designa um certo movimento de espaçamento, temporização e diferenciação presente na linguagem; em outras palavras, um movimento a partir do qual os termos, as sentenças de uma língua não apenas se tornem diferentes umas em relação às outras, mas um afastamento no tempo e no espaço, “devir-tempo do espaço e devir-espaço do tempo” (DERRIDA, 1991:38). “A diferança é a ‘origem’ não-plena, não-simples, a origem estruturada e diferante das diferenças” (DERRIDA, 1991:43).

Uma outra forma de compreender a diferensa, aparentemente banal mas importantíssima para se entender outro aspecto do projeto derridiano – a escritura –, é recapitular um ensaio intitulado A farmácia de Platão (DERRIDA, 2005). Aqui ele esmiúça e destrincha o vocábulo grego phármakon nas obras de Platão, no Fedro em particular. Palavra originalmente ambígua e significando ao mesmo tempo veneno e remédio, Platão reserva este último sentido à escrita (ou escritura, em termos derridianos). No Fedro, Sócrates narra brevemente um mito no qual Theuth, o deus egípcio inventor da escrita, a oferece ao rei Thamous como remédio (phármakon) para a memória e o ensino; o rei, no entanto, recusa a oferta do portador da escrita por julgar que ela não resolve o problema da memória (mnéme), mas da rememoração (hypomnéme); mais ainda, as pessoas tenderiam a esquecer o que lhes foi ensinado, caso confiassem na escrita, esta sendo, portanto, um veneno (phármakon). E não apenas isso: a escrita não capta totalmente a fala, de forma que, a rigor, uma escrita fonética não existe. Mas Derrida desmancha os termos de tal oposição recorrendo aos sofistas, que entendem a fala (logos) como “um phármakon mais eficaz” (DERRIDA, 2005:61). Sendo assim, o lógos enquanto phármakon também apresenta os mesmos problemas imputados à escritura. Assim, diferensa é este inapreensível-pela-fala, impotente em distingui-la da palavra “diferença”, sintetizando pois a rejeição ao fonocentrismo. Rejeição esta que também concerne a qualquer desejo de purificação no uso da linguagem, isolando o nocivo do benéfico; o phármakon é “o meio no qual se opõem os opostos, o movimento e o jogo que os relaciona mutuamente, os reverte e os faz passar um no outro (alma/corpo, bem/mal, dentro/fora, memória/esquecimento, fala/escritura etc.)” (DERRIDA, 2005:74).

Essa postura diante da linguagem motivou a elaboração de muitos estudos literários nas últimas décadas, apesar de certas acusações alegarem que Derrida teria nivelado a filosofia à literatura4. Não se trata apenas de rastrear inconsistências e ambivalências nas obras literárias, mas sobretudo sua conseqüência. No entanto, é enganoso pensar que se trata de um método5, o que não diminui sua relevância. Mas parece que, em certo sentido, a literatura apresenta um viés transgressivo, o que justifica em parte o interesse de Derrida por ela: “A literatura é uma instituição pública de invenção recente, com uma história comparativamente curta, governada por toda a espécie de convenções ligadas à evolução da lei, que em princípio permite tudo dizer” (DERRIDA apud NUNES, 2008). Assim também na via inversa, devido ao caráter plurissignificativo que apresenta o texto literário. Em outras palavras, a leitura e escrita de textos literários (bem como de outros textos em geral) lhes acrescenta algo de diferente, de outro; há, portanto, um movimento de iteração6. Nesse sentido, é compreensível a inversão que Millôr Fernandes faz do papel tradicional da fábula: “Não pretendem ensinar nada senão que a paz na terra independe de nossa boa vontade, que a vitória na vida vem mais de nossos defeitos do que de nossas qualidades, e que só no dia em que um industrial espirituoso chamar de FÉ às suas escavadeiras, a FÉ removerá montanhas” (FERNANDES, 1974). Esse movimento transgressor e – por que não arriscar dizer? – diferensial presente na literatura permite ao humorista carioca veicular sua inversão da fábula, tanto na estrutura quanto no que se propõe dizer.

3. Fábula e diferensa
Vimos, ao fim da seção anterior, um trecho da epígrafe das Fábulas Fabulosas que resume a intenção de seu autor. Essa intenção é, certamente, heterodoxa, e assume diversas estratégias. Essas estratégias podem ser lidas como sintomas de diferensa, o que não significa que a obra aqui tratada tenha algo como uma incoerência ou auto-contradição latentes. Em todo caso, o que verifico nelas é que há uma tendência similar em ambos os pensadores: a diferensa derridiana, cujo nome é tragado por esse movimento de espaçamento-temporização-diferenciação que denomina, e a fábula que é também tragada nesse repensar de seu papel moralizador. Se Derrida propõe uma outra via de pensar a linguagem, Millôr propõe uma outra via de pensar a moral humana, seus desacertos, sua inconsistência e inviabilidade. O papel do indivíduo aqui é fundamental, pois ele ditará os limites de sua leitura/escrita ou resolverá como agir. Devo lembrar, entretanto, que aí é o limite da semelhança entre eles: Derrida, com sua transgressão e crítica do pensamento filosófico, não é pessimista como já foi acusado diversas vezes, ao passo que Millôr procura deixar seu pessimismo o mais explícito possível.

Passemos, então, às fábulas. De início, o universo de personagens é ampliado, já que não se trata apenas de animais com atitudes humanas; o próprio ser humano é nelas esboçado. Nem sempre a estrutura narrativa-moral é existente – Aonde vai o homem novo?, por exemplo, não possui uma moral para sintetizar e fechar a narrativa. O tema da oposição entre os personagens também desaparece: O aldeão e o demônio, longe de se oporem, se revelam semelhantes, um tão falho quanto o outro; pensando ser um homem íntegro e poder solucionar, sem grandes problemas, o trilema que este apresentou para evitar a morte – “bate em teu criado, mata tua mulher ou bebe deste vinho” (FERNANDES, 1974:47) –, o aldeão apenas o agravou, na medida em que, após beber o vinho e se embebedar, bateu no criado, matou a mulher e “abandonou o campo e vive nos bares da cidade, conhecido como um dos mais prestigiosos ‘play-boys’ de nossa sociedade” (FERNANDES, 1974:47). Donde o autor conclui: “O diabo não é tão feio quanto ele próprio se pinta” (FERNANDES, 1974:47). Em A baposa e o rode, Millôr sintetiza a fábula A raposa e o bode de forma jocosa – “uma tentativa B.N. (Bossa Nova) de escrever as fábulas de Esopo na linguagem do tempo em que os homens falavam” (FERNANDES, 1974:101) –, fazendo um jogo de palavras conhecido por spoonerismo, que consiste em trocar sons entre duas palavras.

Um outro aspecto se refere ao conteúdo deontológico da fábula, isto é, de seu aspecto moral. Basicamente, é o que Millôr se propõe no livro. Examino a seguir alguns textos mais enfáticos a respeito. Além de inverter morais de algumas fábulas consagradas7, o escritor conclui as suas com morais de conteúdo diverso ao tradicional. Assim, por exemplo, o escoteiro que, soltando o cachorro policial atrás de um velho que perdeu o ônibus em movimento, forçando-o a correr e pegá-lo, voltando “para casa, feliz, tendo praticado sua boa ação do dia” (FERNANDES, 1974:95; grifo meu) cuja moral é: “No cerne da violência nem sempre há violência” (FERNANDES, 1974:95); a história da mulher que, após tentar reaver o marido seqüestrado (que perdia uma parte do corpo caso os prazos determinados pelos seqüestradores não fossem cumpridos), decide empregar o dinheiro do resgate em “ações do Banco do Brasil preferenciais ao portador, entrar prum desses Movimentos de Libertação da Mulher e arranjar um outro marido inteirinho” (FERNANDES, 1974:129), tem por conclusão: “A luta pela libertação não deve ter qualquer moral” (FERNANDES, 1974:129); a impotência da velha senhora, que se assusta com a naturalidade com que seu interlocutor garoto encara alguns hábitos que, noutra perspectiva, seriam bastante reprováveis – o fumo, a conivência da mãe com esse hábito, a amante e o fato de dormir com ela “completamente bêbado” (FERNANDES, 1974, p. 133), são finalizados pelo “Ah” da velha e pela seguinte moral: “O diálogo é possível. Só que não conduz a nada.” (FERNANDES, 1974:129) 8

Além disso, um outro modo de ler algumas das Fábulas Fabulosas tem a ver com os desvios da linguagem – a falta de consenso, o não-dito extraído do que foi dito, e assim por diante. Daí que Millôr conclui que “todas as opiniões estão erradas” (FERNANDES, 1974:41), diante do não-acordo entre o sapo, a lebre e a galinha acerca da causa da chuva, cada qual reafirmando sua tese no momento mesmo que chove (respectivamente, a lagoa borbulhando as gotas, as folhas deixando cair as gotas d’água que contém e a água caindo do telhado do galinheiro); o leão, pensando que todos os animais da selva confirmariam sua soberania, foi surpreendido pelo elefante que o pegou pela tromba, “deu três voltas com ele no ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro” (FERNANDES, 1974:15), já que: “Cada um tira dos fatos a conclusão que bem entende” (FERNANDES, 1974:15); mantendo “a lógica mesmo na fantasia” (FERNANDES, 1974:63), o rato, que vai ao restaurante com um tigre, esbraveja com o garçom por este não entender por que o felino não come: “Deixa de ser idiota, seu idiota! Então você acha que se ele estivesse com fome eu ia andar ao lado dele?” (FERNANDES, 1974:63); após advertir o leitor da dubiedade no título de uma fábula, “Todo bajulador tem sua hora” –- “A frase é dúbia como a bajulação. Pode ser a favor ou contra; escolha.” (FERNANDES, 1974:139) – e narrar a história de um puxa-saco que elogiou o carro do patrão (que pertencia, na verdade, ao sobrinho dele) de forma diferente da que este esperava e, então, “jamais voltou a sentir a boa vontade do Patrão” (FERNANDES, 1974:139), Millôr assevera: “Quando você for elogiar a magnífica onça-pintada que o patrão caçou, muito cuidado: vai ver que o que ele acha o máximo da habilidade é caçar gambá” (FERNANDES, 1974:139).

Finalmente, esses jogos, estratégias, efeitos de diferensa nas fábulas permitem que Millôr Fernandes se dirija ironicamente ao leitor, dando-lhe o direito de escolha a ler o livro ou não: “Este é, em suma, um livro como todos os outros –perfeitamente dispensável”. Relembrando a figura do profeta, que se assemelha ao fabulista no papel de conduzir moralmente o ser humano e oferecer interpretações corretas do que a Divindade possa comunicar-lhe, o humorista, à guisa de convite, adverte ao leitor acerca da multiplicidade das leituras interpretativas, desconstruindo o adágio muçulmano: “Mas seja tudo pela vontade de Alá - que é Deus - e de Maomé que, felizmente, não é o seu único profeta".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Autor não identificado. The fable’s History. Disponível em: Acesso: 08 de outubro de 2008.

Autor não identificado. Animal Symbolism – Fables. Disponível em: Acesso: 08 de outubro de 2008.

BENNINGTON, Geoffrey e DERRIDA, Jacques. Jacques Derrida. Trad. Anamaria Skinner. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

DERRIDA, Jacques. A farmácia de Platão. Trad. Rogério da Costa. São Paulo: Iluminuras, 2005.

DERRIDA, JACQUES. Margens da filosofia. Trad. Joaquim Torres Costa e António M. Magalhães. Campinas: Papirus, 1991.

FERNANDES, Millôr. Fábulas Fabulosas (edição ilustrada). São Paulo: Círculo do Livro, 1974.

HABERMAS, Jürgen. Excurso sobre o nivelamento da diferença de gênero entre filosofia e literatura, in: ____________. O discurso filosófico da modernidade. Trad. Luiz Sérgio Repa e Rodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2002, pp. 261-296.

NUNES, Ruben Guedes. Derrida Desconstrução. Disponível na INTERNET via http://www.revistadoinfinito.pro.br/ Arquivo consultado em 2008.

RORTY, Richard. Desconstrução e pragmatismo. Trad. Paulo Ghiraldelli Jr. Disponível em: http://portal.filosofia.pro.br/fotos/File/rorty_desconstrucao.pdf Arquivo consultado em 2008.

VANDENDORPE, Christian. De la fable au fait divers. Disponível em: http://www.uottawa.ca/academic/arts/lettres/vanden/faitdiv.htm Arquivo consultado em 2008.



WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em: Acesso em: 13 de outubro de 2008.

1 Graduando em Filosofia na UFRN e Bolsista PIBIC orientado pela Profa. Dra. Maria Helena Braga e Vaz da Costa.

2 Como veremos ao longo deste artigo, emprego duas traduções diferentes para o vocábulo francês différance: diferança, em Margens da filosofia (DERRIDA, 1991) e diferensa, em Jacques Derrida (BENNINGTON e DERRIDA, 1996). No entanto, faço preferência por esta última por alcançar melhor o termo inventado por Derrida.

3 As informações nesta seção foram extraídas extensivamente de A fable’s history (S.A., 2008), Animal Symbolism – Fables (S.A., 2008) e na primeira parte do artigo De la fable au fait divers (VANDENDORPE, 2008), bem como no verbete “Fable” da Wikipedia (WIKIPÉDIA, 2008).

4 Ela é exposta por Habermas em Excurso sobre o nivelamento da diferença de gênero entre filosofia e literatura n’ O discurso filosófico da modernidade (HABERMAS, 2002).

5 Richard Rorty escreveu, a respeito da apropriação de um grupo de leitores anglófonos de Derrida, pensando que o filósofo francês ofereceu um método de leitura: “Nunca fui capaz de imaginar o que é este método, nem o que foi ensinado aos estudantes, exceto algumas máximas tais como ‘Encontre algo que possa ser feito para enxergar o auto-contraditório, reivindique que esta contradição é a mensagem central do texto e sinalize algumas mudanças nele’. (...) Esta intensa atividade desconstrutiva me parece ter acrescentado pouco ao nosso entendimento da literatura e ter feito pouco à política de esquerda” (RORTY, 2008).

6 Sobre a iteração, cf. Assinatura acontecimento contexto, em Margens da filosofia (DERRIDA, 1991), pp. 349-373.

7 Como n’ A galinha dos ovos de ouro, que, na fábula de Millôr Fernandes, apresenta a moral “Cria galinhas e deita-te no ninho” (FERNANDES, 1974:99), não apenas diferente como, em certa medida, inversa à original: “Quem tudo quer tudo perde”.

8 A suspeita de Millôr quanto à moral tradicional remete ainda, a meu ver, a Nietzsche, especialmente ao livro A geneaologia da moral. A diferença, entretanto, é que o pensador alemão ainda nutre esperanças num tipo de moral mais otimista (ou menos trágica) do que poderia supor o humorista brasileiro.


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