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ESPIRITUALIDADE : DESAFIO PARA A IGREJA PÓS - MODERNA

 

Rev. Roberto Alves de Alencar.



 

DEDICATÓRIA

Ao mestre Reverendo Fábio Figueiredo, homem digno de ser chamado????????

In memorian.

 

ÍNDICE



AGRADECIMENTOS

DEDICATÓRIA

INTRODUÇÃO ?

1ª PARTE:A HISTÓRIA: REDESCOBRINDO O PASSADO.. ?

ESPIRITUALIDADE CRISTÃ ?

ESPIRITUALIDADE VETEROTESTAMENTÁRIA ?

ESPIRITUALIDADE NEOTESTAMENTÁRIA ?

ESPIRITUALIDADE MONÁSTICA ?

ESPIRITUALIDADE PURITANA ?

CONCLUSÃO I ?

2ª PARTE: A SOLUÇÃO: RETORNANDO AO CAMINHO ?

SANTIFICAÇÃO ?

LEITURA E MEDITAÇÃO NA PALAVRA ?

ORAÇÃO ?


CONTEMPLAÇÃO ?

JEJUM ?


CONCLUSÃO II ?

3ª PARTE: O RESULTADO ?

MARCAS DE UMA ESPIRITUALIDADE AUTÊNTICA ?

CONCLUSÃO GERAL

BIBLIOGRAFIA

 

INTRODUÇÃO

 

"A Igreja Católica Visível, Cristo deu o ministério e as ordenanças de Deus, para congregamento e aperfeiçoamento dos santos, nesta vida, até o fim do mundo e pela sua própria presença e pelo deu Espírito os torna eficiente para esse fim segundo a sua promessa."



( Confissão de Fé Cap. XXV Art. III )

 

"As igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas a mistura e ao erro, algumas têm-se degenerado ao ponto de não mais serem igrejas de Cristo, e, sim sinagogas de Satanás; não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja segundo a vontade Dele mesmo."



( Confissão de Fé Cap. XXV Art. V )

 

Olhando para as Escrituras Sagradas, para nossa confissão de fé e ao nosso derredor na igreja atual temos detectado um problema que passa longe de ser novo, porém nos dias atuais tem se mostrado de uma forma alarmante e preocupante, principalmente porque é um problema que não se admite com facilidade, vivemos atualmente uma crise de espiritualidade na Igreja moderna.



Apesar de que, hoje muito tem se falado acerca do Espírito Santo e haver um certo despertamento para as coisas do Espírito, e muitos quererem ser e outros afirmarem ser espirituais, essa crise se evidencia de um modo contundente.

Nossa tese não a ver diretamente com uma questão pneumatológica, mas com certeza tem a ver com o Espírito Santo, pois é Dele que deriva nossa espiritualidade.

Queremos esclarecer, que não estamos afirmando aqui que a Igreja não possui espiritualidade, pois isso seria heresia, afirmamos que a mesma está em crise.

Como definimos essa crise?

A definimos como uma crise dicotômica, uma dualidade, o que no dizer de Tiago seria: "Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações." Tg 4.8, ou seja quando estamos na Igreja apresentamo-nos como possuidores de uma espiritualidade genuína, porém quando saímos do templo, nossa vida não reflete a espiritualidade necessária, que seria nas palavras do apóstolo Paulo: "Andar no Espírito" Gl 5.16.

Observamos essa crise nos políticos evangélicos, que antes de ser políticos são cristãos, que para alcançar seu interesses políticos negociam ideologias, amizades e a própria fé. Em troca de propinas ou concessões de rádios e televisões esquecem suas origens até seu compromisso com o reino.

Porém essa dualidade não está só entre os políticos, está também entre os comerciantes que não emitem as notas fiscais ou compram sem notas fiscais para não ter que pagar impostos, ainda os nossos profissionais liberais como advogados que aceitam suborno e não sem importam quem defendem desde que lhes paguem bons honorários, ainda médicos que fazem abortos clandestinos, policiais que torturam e fazem extorsão durante a semana e no domingo erguem suas mãos e cultuam a Deus como se nada tivesse acontecido.

Ministros que em casa são verdadeiros carrascos, e na igreja incita os fiéis ao amor mútuo, homens que adulteram, enganam, roubam e destroem vidas, "verdadeiros lobos em pele de carneiros."

Em face de tudo isso exposto acima, nosso desafio nessa monografia será demostrar não será só apontar a necessidade de uma restauração da espiritualidade de uma forma integral, mas principalmente oferecer soluções práticas para o problema da dualidade dicotômica vigente.

Demostraremos padrões de espiritualidade onde essa integralidade não era deixada de lado, lançaremos nossos olhos sobre a espiritualidade veterotestamentária, neotestamentária, monástica, puritana, afim de aprendermos com eles.

Nossa monografia estará baseada em uma observação feita através dos anos nas igrejas nas quais trabalhamos como missionários e seminaristas e em material bibliográfico.

A solução a ser proposta para a busca da espiritualidade autêntica é uma retorna as disciplinas espirituais, como a oração, o estudo da palavra, a contemplação e por fim o jejum como meios de alcançarmos uma vida santa, pré-requisito essencial para uma espiritualidade autêntica.

Cremos que assim dessa forma poderemos ser como igreja uma agência de congregamento e aperfeiçoamento dos santos. E apresentar adoração segundo a vontade Dele; mas isso só será conseguido quando nós como igreja possuirmos uma espiritualidade integral.

Por isso Espiritualidade Integral : Um Desafio para a Igreja Moderna. Em Busca de Uma Espiritualidade Autêntica, será o tema o qual esperamos desenvolver satisfatoriamente.



 

1a PARTE

A HISTÓRIA

REDESCOBRINDO O PASSADO

 

CAPÍTULO 1

ESPIRITUALIDADE CRISTÃ

 

HISTÓRIA, NATUREZA E DEFINIÇÕES

"Na Bíblia , não se encontra certamente uma "teoria" a respeito da espiritualidade; mas os seus conteúdos estão ali presentes, principalmente em Paulo. Com efeito encontramos reiteradamente o convite para viver como "Homens espirituais" (pneumatikói) I Cor 2:13; Gl 6:13; Rm 8:9, a viver na santidade perfeita, ‘o espírito, alma e o corpo’ (I Ts 5:23). Esta devia ser entendida como vida dominada pelo Espírito do Ressuscitado, como vida de membros da Igreja, como espera da plenitude futura para o homem e para todo o cosmos ".

Por isso falar de espiritualidade_ ou de experiência espiritual, de caminhos para santidade e a perfeição: todas expressões que são usadas neste âmbito_ significa falar da vida cristã que se desenvolve , se consolida até a maturidade, seja segundo as leis do crescimento antropológico e psicológico, seja segundo os ritmos mistérios da graça.

Porém os gnósticos do século II e III, dicotomizaram espírito e matéria; e dessa forma "espirituais", passou a significar a desvinculação de tudo aquilo que é material e psíquico.

Essa perspectiva foi combatida por Irineu de Lion (ano 200), que disse que "todo homem, corpo e alma, entra na vida nova. Todos aqueles que temem a Deus e crêem no evento de seu Filho e que pela fé, fazem espaço em seu coração ao Espírito de Deus, merecem ser chamados de espirituais e vivos para Deus".

Clemente de Alexandria, ano 215, disse: "possuir o Espírito, é acima de tudo, saber, ler as Escrituras e compreender a mensagem profética de vida que elas propõem".

Porém Basílio de Cesaréia (379); no seu célebre tratado sobre o Espírito Santo; voltará a inculcar que o verdadeiro espiritual "não é aquele que exercita a inteligência para especular a respeito de Deus; mas aquele que é guiado pelo espírito e conforma sua vida aos movimentos do Espírito".

Quanto a natureza diremos que a espiritualidade é: Estritamente bíblica, o que não deixa lugar para deduções da sabedoria humana, como o pensamento oriental e tão pouco para o raciocínio humano como no pensamento grego. Pois a vontade e o propósito já nos foram dados nas Escrituras.

Os Dez Mandamentos e a adoração prestada por Israel a Javé, o Deus da Aliança, deu àquele povo uma orientação bem diferente daquele dos povos em derredor.

"A comunhão consciente com Deus, quando Moisés "falava com Deus face a face"; o templo, a "shekinah" e os profetas. Todos eles manifestam os caminhos de Deus e desenvolviam um misticismo israelita muito diferente de qualquer coisa conhecida até então no mundo antigo".

É Cristocêntrica. Paulo freqüentemente descreve a vida do crente e "em Cristo", para enfatizar a união com Cristo Jesus desfrutada pelos cristãos.

"Esta é uma união dinâmica que os escritores sinóticos descrevem como seguir a Jesus, os escritos joaninos como uma união em amor, e Hebreus e I Pedro como uma peregrinação". Outras metáforas ainda falam do crescimento e o dinamismo de Cristo no crente; porque o propósito original de Deus; fazer do homem sua imagem e semelhança

( Gn 1:26-28); é reinterpretado pela redenção como servos ‘conforme a imagem de seu Filho’ Rm 8:29".

É vida na Trindade, onde o cristão se relaciona com Deus conhecendo-o como Pai; com Cristo na obra salvífica e na vida eterna; e com o Espírito que capacita ao crente a clamar "Abba, Pai"(Rm 8:15; Gl 4:6).

É operação da graça de Deus na alma do crente, que se dá na conversão e termina com a morte ou a Segunda Vinda de Cristo.

Marca-se pelo crescimento e maturidade numa vida semelhante a Cristo.

Pressupõe a comunhão e o convívio fraternal ( Ef 4:15-16); uma vida de oração

(Mt 6:5-15); senso da dimensão eterna em toda a existência da pessoa e uma consciência intensa da vida presente diante de Deus ( Mt 6:34).

"A vida cheia do Espírito é uma vida que manifesta de modo prático o Espírito de Jesus; como fruto de amor que é alegre, pacífico, longânimo, benigno, bondoso, fiel, manso e com domínio próprio ( Gl 5:22,23)".

A verdadeira espiritualidade é um mandamento permanente "Enchei-vos do Espírito", que não deve ser apagado ( I Ts 5:19), nem entristecido ( Ef 4:30).

E por fim a espiritualidade é agente produtor de convivência e de comunhão fraternal entre os santos. Pois como indivíduos em meio a uma sociedade, nossa espiritualidade é testada pela nossa qualidade de vida e adoração pública ( Atos 2:42).

"A piedade e a amizade reforçam-se mutuamente, como um modo vertical e horizontal, respectivamente para inspirar e concretizar o amor de Deus".

Apesar de dentro da natureza da espiritualidade encontrarem-se alguma definições, queremos trazer mais algumas definições.

"Espiritualidade cristã é uma expressão de devoção que envolve os cristãos em todas as dimensões de sua vida, na relação consigo próprio, determinando positivamente a maneira de pensar, ser e viver."

"Espiritualidade é um estado de profundo relacionamento com Deus".

"A espiritualidade bíblica não se refere a um estado místico ou a um plano de êxtase, não é um arrebatamento etéreo para longe do corpo. Tudo isso pode corresponder à uma noção de espiritualidade ou misticismo, mas não é espiritualidade bíblica. A espiritualidade bíblica não é dicotomizada do corpo e da natureza. Mas é uma vivência com todo o corpo; o intelecto, as emoções e a vontade de acordo com a direção do Espírito. Esse tipo de espiritualidade é com "E" (maísculo ), pois se deriva da dependência direta do Espírito Santo".

"Vida espiritual é aquela que nos leva a tirar do coração o que há de mais precioso e oferecê-lo ao Senhor, a buscar nos compartimentos mais secretos da alma os sentimentos mais nobres e dedicá-los ao serviço da adoração. A partir do momento que o homem for capaz de adorar a Deus por nada, simplesmente pelo fato dele ser Deus; ele encontra o centro de sua espiritualidade, o coração, como fonte do afetos mais puros e genuínos da alma humana’.Por isso podemos dizer que Espiritualidade é uma relação de amor entre o homem e Deus.

Após todos essas definições acerca do que é Espiritualidade Cristã, queremos deixar aqui a nossa definição acerca da mesma:

Espiritualidade cristã é a obra do Espírito Santo, em homens, os quais por intermédios de vidas disciplinadas atingem uma vida de santificação e são por conseguintes plenos do Espírito Santo e têm sua vidas controladas na integralidade; desfrutando assim de um íntimo e profícuo relacionamento com Deus.

Podemos afirmar a partir desses conceitos que espiritualidade, não é de forma alguma um momento na vida cristão regenerado, mas sim um estilo permanente de vida.

Daí podemos compreender o apóstolo Paulo em Gálatas no capítulo 5:16 e 23 quando disse:

"Digo, porém : andai no Espírito e jamais satisfareis a concupiscência da carne".

"Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito".



CAPÍTULO 2

ESPIRITUALIDADE VETEROTESTAMENTÁRIA

A ESPIRITUALIDADE DA TORAH

 

Podemos identificar na espiritualidade tetratêuca, pois estudaremos a deuteronômica em seguida, uma estrutura dialógica ou seja relacional, bem expresso na "berit", a aliança entre Deus e o povo de Israel.

A iniciativa e o empenho é antes de tudo de Deus; que tem seu ponto máximo no Êxodo.

Ao homem cabe a resposta de obediência; pois para ter Deus como aliado "deve-se responder com fé, com O Decálogo, que significa existencial vertical e horizontal, com adesão cúltica da circuncisão e da liturgia". 13

Porém essa espiritualidade da "berit" não fica confinada aos limites judaicos pois anteriormente é estendida à todos conforme Gn 9, a aliança do arco-íris.

No entanto encontra-se na sacralidade litúrgica a fonte viva dessa espiritualidade, "sendo a celebração simbólica da transcendência de Deus, como também o comunicar-se".

Podemos afirmar sem dúvida que a espiritualidade da Torah é essencialmente relacional; pois nela Deus e o homem se encontram, sem que um não seja extinguido pelo outro.

É a espiritualidade onde Deus propõe e o homem responde afirmativamente.



ESPIRITUALIDADE DEUTERONOMISTA

É possível afirmar que essa espiritualidade está evidenciada pela transformação interior, não pretende só uma mudança institucional, é uma espiritualidade que tenciona trazer o homem a fim de que este se relacione com Deus em amor, na linguagem deuteronômica "circuncisão do coração"( Deuteronômio 10:16 ).

Ë uma espiritualidade baseada sobre bênçãos e maldições, onde quem obedecesse seria abençoado e a maldição ao desobediente, era uma espiritualidade sem meio termos era "sim, sim, não, não..."

"À Deus cabia o ofertar de bênçãos e aos homens o ato de responder, e nesse âmbito o homem deve descobrir, Deus, sua palavra e sua vontade".

ESPIRITUALIDADE PROFÉTICA

Presença capital na história, na literatura e na teologia bíblica, a profecia exalta ulteriormente a fidelidade a revelação intra-histórica de Deus, sua espiritualidade está na comunicação da palavra divina; e portanto está solidamente ancorada na existência, na fidelidade, na justiça e na vida.



"A liturgia, a religiosidade e a espiritualidade não terão sentido e se reduzirão a magia se não forem entretecidas e alimentadas com justiça, com a coerência cotidiana e aos os compromissos da aliança".

"A espiritualidade profética une intimamente céu e terra, Deus e homem, fé e vida, mística e justiça social."

ESPIRITUALIDADE SAPIENCIAL

A espiritualidade sapiencial (Provérbios, Jó, Eclesiastes)agora não se direciona mais as intenções salvíficas; "mas as secretas epifanias divinas no cotidiano e na natureza".

Pois é tipicamente sapiencial a reflexão sobre o cosmo como sinal divino, sobre a criação e a sabedoria( Pv 8:22,31; Jó 38,41).

O tema central dessa espiritualidade está na universalidade da existência humana, com seus esplendores e tragédias; com sua fidelidade e seu pecado ( Gn1,2,3).



"Na trama das relações Deus/homem ( criação, vida e diálogo com Deus), homem/próximo ( o casal), homem/ mundo ( trabalho da terra, dar nome aos animais), é o âmbito de atuação do projeto sapiencial. Infelizmente ao homem infringir esta tríplice harmonia e construir um projeto alternativo de anti-sabedoria: que é a vicissitude do pecado "original" e do seu manifestar-se na estultice e na injustiça "adâmica" que prevadem a história. A espiritualidade sapiencial é, por isso um convite a não cair na loucura do pecado, um apelo para a valorização da realidade humana e terrestre".

Observa-se esta realidades páginas do livro apócrifo do Eclesiástico e sobretudo em Provérbios; "onde os compromissos éticos, de caridade e de justiça para com o próximo, nobres compromissos sociais ( política, sociedade, família, prudência, riqueza e pobreza), compromissos sociais simples ( galanteio, boas maneiras, artes e profissões) e compromissos estritamente espirituais( culto, fidelidade religiosa e sintonia com a sabedoria divina)".

A espiritualidade sapiencial é alegre, otimista, é uma participação na dança cósmica da sabedoria divina ( Pv 8:30s).

ESPIRITUALIDADE SÁLMICA

Temos no saltério o cerne da espiritualidade bíblica é nos salmos que observamos um conhecimento vital de Deus; segundo Claudell, "é quase um retrato místico do rosto de Deus".

O Deus expresso nos salmos é um Deus que se relaciona pessoalmente, não é um deus como o do deísmo; podemos identificar isso no uso dos pronomes meu/nosso usado com referência A Deus 75 vezes; por 50 vezes Israel é chamado por "seu povo; 10 vezes como "sua herança" e 7 vezes por "seu rebanho".

Podemos identificar essa relação interpessoal, por meio de inúmera "constelação" de símbolos. Observemos alguns deles:



O SABOR E O FRESCOR

Na história das religiões a sede é um dos símbolos mais usados, em relação ao desejo e anseio do homem em relação à Deus; o salmo que melhor exemplifica isso é 42 e o 63.

No salmo 42:1,2 temos "Como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti á meu Deus! Minha alma tem sede de Deus do Deus vivo, quando irei me ver perante a face de Deus?".

Assim como a corsa num leito seco de um rio brame por Deus assim é o anelo do homem por Deus.

Tornamos a observar essa simbologia no salmo 63:1; que segundo Delitzch é o "Canto do amor místico"; "Ó Deus, tu és o meu Deus, eu te procuro, Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor, como terra seca esgotada sem água".

Assim como as terras secas da Palestina necessitavam de água para ter vida, assim o fiel precisa de Deus para se manter vivo.

A sede associa-se ao alimento que é outro elemento primário e imprescindível para a vida; encontramos essa afirmação no salmo 63:6, "Eu me saciarei com óleo e gordura; é com alegria nos lábios a minha boca te louvará".

"A comunhão com Deus é a saciedade plena. Esfomeados e sedentos nós encontramos, no templo e na liturgia, a fonte de água viva, que é Deus, e o alimento que sacia as expectativas do homem".

LUZ

Em contraste coma lâmpada fosca da razão humana com a qual o homem caminha; a luz fulgurante da Palavra de Deus, ofusca qualquer outra, iluminando assim a vida conforme Sl 119:105, "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho".

O Sl 119 compara assim a luz do sol a Torah que é a Palavra de Deus; que como luz exterior ilumina nosso caminho, mas também assume uma segunda característica que é a de invadirnos, nos perscrutando, aquecendo e vivificando interiormente.

"O homem que se deixa envolver por esta luz é quase "possuído" por Deus, o fiel que adora e contempla a Deus, é por Ele irradiado e irradia aquilo que o circunda, como Moisés transfigurado pelo contato com Deus".

O Sl 34:6 diz: "Contemplai-o e sereis iluminados".

Como requisito para tal visão, se faz necessário um coração puro ( Mt 5.8); para buscar o rosto luminoso do Senhor como se vê diversas vezes no Saltério:

"Gloriai-vos com seu santo nome alegrem-se os corações dos que buscam a Iahweh. Procurai Iahweh e sua força, buscai sempre sua face".

Quando há tal busca a face de Iahweh brilha para nós ( Sl 4:6; 31:16; 67:1); se revela a nós ( Sl 11:7; 63:2) e sacia-nos ( Sl 17:15).

Nessa relação de buscar na face de Deus ocorre o que Bruno e Goffi no seu livro Curso de Espiritualidade, "o diálogo com olhos, que no Saltério correm de Deus para o fiel", conforme Sl 11:4 "O Senhor está no seu santo templo, nos céus tem o Senhor o seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens". Por vezes é um olhar indagador Sl 66:7; porém é terno para com os justos

( Sl 102:18-20, 33:18; 34:15).

Em contrapartida o fiel também põe seu olhos no criador Sl 123:1,2 "A ti, que habitas nos céus, elevo os meus olhos!

Assim como os olhos dos servos estão fitos na mão dos seus senhores; e os olhos da serva na mão de sua senhora, assim os nossos olhos estão fitos no Senhor, nosso Deus, até que se compadeça de nós".

Por isso que o fiel na Bíblia pode orar se derramando diante do Senhor : "Guarda-me como a pupila de seus olhos" Sl 17:8ª



ROCHA e FORÇA

No Saltério existem inúmeras referências a tal simbologia no Sl 18 :1s encontramos: "Eu te amo, ó Senhor força minha. O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação; o meu baluarte".

Isso tudo denota a espiritualidade da confiança do fiel para com seu Deus, essa confiança ainda fica expressa na imagem das asas, como referencial maior dessa tipificação temos o Sl 91; que segundo São Bernardo "entre os salmos há aquele mais especialmente adaptado a encorajar os tímidos, admoestar os negligentes, a instruir que se encontra distante da meta da perfeição? Sob as asas divinas quatro benefícios nos são assegurados: lá estamos escondidos, estamos protegidos contra os perversos, encontramos alívio. Somos nutridos e aquecidos".

TEMPO e ESPAÇO

As preces dos saltério não estão isoladas num lugar parado na existência, por isso até o tempo está debaixo da soberania de Deus.



"O dia e a noite formam um cântico ininterrupto que fala do Senhor( Sl 19:3)".

A mesma noite que é tida como símbolo de trevas. De medo e do mal ( Sl 6:7; 59:6,15: 88:1); é consolada pela meditação e presença de Deus, Sl 63:7: "... no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito durante a vigília da noite". E ao amanhecer temos o momento da celebração e da escuta, Sl 30:6; 143:8.

A prece matinal contida no Sl 5, é impregnada das dificuldade do cotidiano; porém a certeza que o Senhor intervirá na História acalma o coração e no Senhor ele descansa.

Até nas preces mais amargas a esperança se apresenta, vemos isso nos salmos messiânicos ( 2; 72; 89; 110 ); salmos que recordam o projeto divino da salvação na história, onde a justiça triunfará e todos louvarão o amor eterno de Deus ( Sl 148).

Ainda temos os salmos que falam de uma vida plena após a morte Sl 16:10,11, "Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo vejas corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida ; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente".

A . Causse disse: "O homem que fez, na fé e no culto, a experiência da comunhão com o divino sabe que nada o poderá separar do amor do seu Deus. Deus está com ele e ele está com Deus".

Todo o espaço está repleto de Deus, está na terra em Sião ´... a cidade do nosso Deus, a montanha sagrada, bela em altura, alegria de toda a terra (...) cidade do grande rei" ( SL 48:2s) ; pois esta é a sede da presença de Deus no espaço através dos tempos.

Num segundo âmbito a terra de Israel com suas mazelas e guerras ( SL 44; 60; 70); porém com glórias e momentos épicos ( Sl 68); com panoramas desolados ( Sl 19: 5-7), mas com belíssima primavera , com chuva e verde nos pastos ( Sl 65:19s).

Finalizamos com o âmbito cósmico, a grandiosa obra divina

( SL 89:11): "Teu é o céu, e a Terra te pertence; fundaste o mundo e o que nele existe".

Segundo J.A.T. Robinson quem melhor define essa presença de Deus ocupando todos os espaços é o salmo 139: "uma das mais penetrantes reflexões sobre o significado e sobre a presença de Deus na geografia mística".

Essa simbologia nos conduz a espiritualidade da presença, que faz do fiel confiante em seu Senhor e prazeroso em manter comunhão com Ele.





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