IncorporaçÃo de resíduos de construçÃo e demoliçÃo em argamassas autonivelantes para contrapisos



Baixar 38.04 Kb.
Encontro27.12.2018
Tamanho38.04 Kb.

INCORPORAÇÃO DE RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO EM ARGAMASSAS AUTONIVELANTES PARA CONTRAPISOS .
Kelly Francieli Lorenzet1; Msc.Mara Regina Gomes2 ( Orientadora).
INTRODUÇÃO

Em alguns países, as atividades de pesquisa e desenvolvimento na área de reciclagem de resíduos industriais se transformaram em excelentes oportunidades de negocio para um significativo número de empresas privadas. Destaca-se, por exemplo, a Holanda, o índice de reaproveitamento chega a 80% em relação a todos os resíduos gerados na construção civil. (BUTTLER, 2003).

Alguns dos materiais que despontam como de significativa capacidade de incorporar diferentes resíduos industriais são o concreto de cimento Portland e as argamassas, materiais compósitos, que consistem essencialmente de um meio aglomerante dentro do qual estão mergulhadas partículas ou fragmentos de agregados.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (BRASIL, 2007), através da Resolução nº 307, de 2002, estabeleceu diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, instituindo a obrigatoriedade da gestão destes resíduos e co-responsabilizando prefeituras e construtoras na geração e destinação dos mesmos.

Desta forma, é crescente a necessidade das construtoras em encontrar novas formas de minimizar seus resíduos e, quando necessário, re-introduzí-los no processo construtivo.

Por outro lado, uma das etapas da construção de edifícios, os contrapisos, destinados a nivelar e dar suporte aos revestimentos de piso, tem sido constantemente alvo de críticas de pesquisadores da área, devido aos altos custos envolvidos em sua execução e ao prazo de 28 dias que exige de paralização das atividades de acabamento, necessários à sua cura.

A solução adotada em países do Hemisfério Norte tem sido o uso de contrapisos autonivelantes, com a adoção de aditivos plastificantes e aglomerantes de alta resistência inicial. Eles resultam em grande rapidez de execução, menor número de homens-hora empregados, e conseqüente redução de custos, além de rápida liberação para a aplicação dos revestimentos finais em sua superfície. (ORTEGA, 2003)

A utilização de resíduos como matéria prima em contrapisos autonivelantes reduz a quantidade de recursos naturais retirados do meio ambiente, além de auxiliar na produção de materiais de menor custo, colaborando na redução do custo das habitações.

Desta forma, este trabalho teve como objetivo geral avaliar diferentes traços de argamassas com a incorporação de resíduos de construção e demolição para o emprego como argamassas de contrapisos autonivelantes.
Palavras-chave: Resíduos de Construção e Demolição. Argamassas aultonivelantes. Contrapisos.
MÉTODOS
Este trabalho é resultado de um estudo exploratório, com o objetivo de proporcionar maior familiaridade com o problema. Quanto aos procedimentos técnicos, esta foi uma pesquisa do tipo experimental, com propósito de avaliar a plasticidade, resistência à compressão e tração na flexão das argamassas destinadas a contrapisos autonivelantes com incorporação de resíduos de construção e demolição. As atividades práticas desta pesquisa foram realizadas no laboratório de Materiais e Solos do Curso de Engenharia Civil da UNISUL. O corpus investigado foi o resíduo de construção e demolição representativo das obras do município de Tubarão-SC.

Para avaliar a plasticidade foi realizado, a cada traço executado, o ensaio de miniabatimento desenvolvido por Kantro, que consiste em determinar o abatimento de pequenas quantidades de pasta ou argamassas de cimento usando o minitronco de cone, com a leitura de dois diâmetros perpendiculares da argamassa abatida. Os demais ensaios foram realizados segundo as normas ABNT – NBR 7200 -Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Procedimentos- 1998; NBR 13281- Requisitos de desempenho- 2005; NBR 13749 – Revestimentos de Paredes e Tetos de Argamassas Inorgânicas – Especificação – 1996; NBR 13279- resistência à compressão , 2005. Para o ensaio de resistência à compressão da argamassa, foram moldadas 4 exemplares formados por dois Corpos de Prova cilíndricos de 5cm x 10cm, para as idades de 24 horas, 3 dias e 7 dias, para cada traço.. Para o ensaio de resistência à tração na flexão foram moldadas 2 Corpos de Prova de 2,5 x 2,5 x 16 cm para a idade de 7 dias. Pesquisa bibliográfica adicional foi necessária para fundamentar o estudo.


Os resíduos de construção e demolição coletados em caçamba da empresa coletora Retrans foram separados visualmente em resíduos cerâmicos e resíduos de concreto e argamassa. Posteriormente, foram triturados, peneirados em agitador mecânico com as peneiras 19,1mm, 9,5mm e 4,76mm, sendo utilizado para este trabalho apenas a fração passante na peneira 4,76mm. Para realização dos ensaios de caracterização, este agregado miúdo foi seco em estufa a 100 C, por 24 horas. Foream realizados os seguintes ensaios: Ensaio de Granulometria (NBR NM 248/2003); Determinação da Massa Específica do agregado miúdo (NBR NM 50); Determinação da Massa Unitária (NBR NM 45); e Determinação do material pulverulento (NBR NM 46), cujos resultados se encontram na Tabela 1 abaixo.

Tabela 1 – Resultados do ensaio de caracterização dos agregados estudados.

Indicador

Resíduo Cerâmico

Resíduo de Concreto e Argamassas

Módulo de Finura

3,82mm

2,50mm

Demensão Máxima Característica

6,3mm

4,76mm

Massa Específica

2,36 g/cm³

2,45 g/cm³

Massa Unitária

0,984kg/dm³

1,141kg/dm³

Teor de Material pulverulento

15%

13,35%

O cimento utilizado foi o Cimento CP V-ARI da empresa Votoram que não foi caracterizado, sendo utilizados os dados fornecidos pela empresa. O aditivo utilizado foi o Superplanstificante ADVA 525 da Grace Aditivos.

Foram escolhidos 2 traços básicos 1:3 e 1:4 em volume, e para cada um deles, foram determinados 2 traços com variações no teor de cada entulho. A Tabela 2 mostra os traços empregados.

Tabela 2 – Traços empregados no estudo.


Traço em Volume

Traços desdobrados

Porcentagem de cada agregado utilizado


a/c

(m)

 

Agr. Cerâmico (%)

Agr. Arg. e Concreto (%)




3

T11

25

75

0,76

3

T12

0

100

0,74

4

T21

25

75

0,94

4

T22

0

100

0,92

A Análise e interpretação dos dados foram feitas a partir da teoria pesquisada sobre o tema.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados do ensaio de Resistência à Compressão e Resistência à Tração na Flexão estão no Gráfico 1 e 2 abaixo, respectivamente..



Gráfico 1 – Resultados do Ensaio de Compressão.



Os resultados encontrados são inferiores aos recomendados na literatura técnica, que recomenda valores entre 25 a 35 Mpa. O melhor resultado foi obtido com o Traço T11, que empregou maior quantidade de cimento,aior quantidade de cimento mas incorporoues Cone de Kantro est mas incorporou 25% de resíduo cerâmico.



Gráfico 2 – Resultados do Ensaio de Tração na Flexão.

Na resistência à tração na flexão os resultados também não atenderam ao recomendado que seria de 8 a 11 MPa. Novamente o traço T11 teve o melhor desempenho, apesar do resíduo cerâmico na sua composição.

Os resultados do ensaio de Miniabatimento do Cone de Kantro estão no Gráfico 3 abaixo.

Não foi obtido a consistência esperada, que previa espalhamento entre 130 e 140 mm. O melhor desempenho, neste quesito foi do traço T12. Ressalta-se que não foram utilizados outros aditivos recomendados, tais como Plastificante e redutor de espuma, devido à indisponibilidade no mercado local, o que poderia ter melhorado o desempenho da fluidez.



Gráfico 3 – Resultados do Ensaio de Miniabatimento.


CONCLUSÕES

Os resultados encontrados foram considerados bastante positivos, visto que foi usado apenas um aditivo superplastificante. Acredita-se que o uso combinado com outros aditivos traria um incremento nos resultados encontrados, pois seria possível reduzir o fator a/c e aumentar a plasticidade. Outra maneira de incrementar o resultado seria através da pré-molhagem do agregado reciclado, diminuindo a sua absorção devido ao material pulverulento.



REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13276: argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos – preparo da mistura e determinação do índice de consistência. Rio de Janeiro, 2002.

___. NBR 13279: argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos – determinação da resistência à tração na flexão e à compressão. Rio de Janeiro, 2005.

___. NBR 13529: revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas. Rio de Janeiro, 1995.

___. NBR NM 248: agregados – determinação da composição granulométrica dos agregados.Rio de Janeiro, 2003.

BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama. Ministério do Meio Ambiente. Resolução n.307: Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Disponível em: http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res02/res30702. Acesso em: 08 nov. 2007.

BUTTLER, A. MA. Concreto com Agregados graúdos reciclados de concreto – Influência da idade de reciclagem nas propriedades dos agregados e concretos reciclados, São Carlos, 2003. (Dissertação de mestrado em Engenharia de Estruturas) – Escola de Engenharia São Carlos – Universidade de São Paulo, 2003.

CAVALCANTE, R. J.; CHERIAF, M. Ensaios de avaliação para controle de materiais com resíduos incorporados em 1996. In: WORKSHOP RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL, 1996, São Paulo. Artigos técnicos. São Paulo: Epusp, 1996.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

ORTEGA, A. G. Mortero Autonivelante. III Jornadas Iberoamericano de Materiales de Construcción. San Juan, 2003.

ZORDAN, S. E.. A utilização do entulho como agregado. 1997. (Tese de Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas.


FOMENTO

O trabalho teve a concessão de Bolsa pelo Programa Unisul de Iniciação Científica – PUIC.



O trabalho teve o apoio técnico do Laboratório de Materiais e Solos do Curso de Engenharia Civil da Unisul.


1 Acadêmico de Engenharia Civil da Unisul. Bolsista do PUIC.

2 Professora do Curso de Engenharia Civil da Unisul. E-mail: mara.gomes@unisul.br


Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal