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Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Centro de Letras e Artes – CLA

Faculdade de Letras

Departamento de Lingüística e Filologia

Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - PEUL

Banco de Dados do PEUL/UFRJ


AMOSTRA CENSO/2000

Falante: 27 Zil

Sexo: feminino

Idade: 69

Naturalidade: Rio de Janeiro


Escolaridade: Fundamental 1

Bairro: Penha


Profissão: (aposentada)

Ano da entrevista: 1999




E: E então dona Zilca, a sua neta me contou que a senhora faz parte de um grupo de terceira idade. A senhora podia falá um pouquinho pra gente como é que é isso?

F: Como assim? Como é que começa?

E: São ... como é que é? É um grupo certo que a senhora freqüenta? Tem reuniões ...

F: Tem reuniões toda ... tem um que eu freqüento ... tem reunião todas terça-feira e o outro é uma vez por mês, e o outro é exclusivamente de viagens.

E: Viagens? E ... Então fala um pouquinho desse de terça e quinta. Vocês se reúnem e aí ...

F: É. Principalmente no SESC. A gente reúne lá no SESC toda terça-feira das três e meia às cinco e meia. Então nós temos assistente social aí a gente leva pra ela, assim, o que a gente gostáia de conhecer, é pobrema às vezes que a gente tem a gente tem palestra com ... é ... geriatra, sabe? (est) é .. psicólogo. Tudo isso nós temos entrevistas, sabe? (est) Sempre, sempre, sempre tem uma entrevista. Então a gente tem também lá ... é... recreação. A gente participa de dança (cênica), tem coral. (est) Nos fazemos um chá, assim, de três em três meses. Amanhã tem até a festa do aniversariante. Então, a gente tem bolo, parabéns, dança. Às vezes é música assim ... é fita, outra vez a gente paga um conjunto, que a gente trabalha muito pro grupo. Nós fazemos rifa ... é ... chá, bingo [que interessante]. Isso, é. Então a gente trabalha muito que é pra quando chegar no fim do ano a gente ter nossa confraternização. Então essa confraternização ela às vezes vareia, três dias. A gente escolhe um lugar assim pra (est). É. Três anos nós fizemos em São Lourenço agora essa anos nós vamos fazê de um dia só porque houve um pobrema lá no SESC, mudança de diretoria sabe? tudo isso. Então nós vamos ter só um dia.

E: Mas já escolheram o lugar?

F: Já. Nós vamos pro sítio do Netinho, acho que é pro lado aí de Itaguai.

E: E é um grupo grande?

F: Cento e oito pessoa, o primeiro.

E: Nossa! E essas pessoas freqüentam mesmo?

F: Mesmo. [que bom, né?] Que quando falta a gente cobra, né? um cobra o outro.

E: Que bom, né? então são todos amigos?

F: Amigo, muito amigo mesmo porque ali você sente assim à vontade, você participa muito com pessoas da sua idade. Eu tive um problema muito grande na minha vida, perda do meu filho ... minha mãe. Então eu fiquei muito pra baixo, doente, meu marido teve que fazê cataterismo. Isso, assim, até me choca muito, sabe? (est) Então eu era uma pessoa que vinha assim, probremas, sempre doente. Uma vizinha amiga me convidou pro grupo e pra mim foi muito bom. Eu era uma pessoa que já não falava mais, assim com as pessoas. Não tinha coragem, assim, de me deparar com outras pessoas da família, me afastei muito, sabe? (est) tive um pobrema muito sério. Então ela me levando pro grupo aí eu fui assim em soltando, sabe? conversando com outras pessoas. Hoje eu chego no grupo até... eu tenho que procurar, assim, momento pra podê falá com as pessoas porque é demais, sabe? eles me agradam muito. Numa dessas confraternizações, eu caí, que eu tenho pobrema, assim, de artrose essas coisa, já é da idade. Caí e quebrei o joelho e fiquei quase dois anos sem andar. [Nossa!] Aí, tive que fazê fisioterapia, operei, botei uma prótese. Mas o grupo pra mim foi mãe e pai. Não tinha dia que num tinha uma amiga que não me desse uma telefonema. Dias de eu tá assim de baixo astral (est) aí recebia duas, três telefonemas e isso pra mim era muito bom. VISITA, muitas visita, sabe? então ali você tem seus pobrema ... é ... todo mundo que vai pra ali, quase todos que vão pra ali tem um pobrema. Um é a família que não aceita já assim pessoa de uma certa idade, outros, como eu, que teve pobrema de perda, filho mãe, tudo isso. É assim, várias coisas. Então ali tem hora que a gente senta, chora junto, conversa, sabe? uma coisa assim muito boa, muito bonita.

E: E já tem muito tempo que a senhora freqüenta, esse grupo?

F: Tem. Onze anos, esse primeiro.

E: Nossa! E o segundo? Então vamos falá do outro ...

F: O segundo tem seis anos.

E: É um... é diferente? Ou fazem as mesmas coisas?

F: É a mesma coisa, só que esse é menor. (est) Então a gente tem, mal chega lá temos o nosso lanche, a gente trabalha pra caixinha. Você faz amigo-oculto também pra ... angariar fundos pra gente no fim do ano ter a nossa festa. Nós fazemos chá ... é ... mais uma vez rifa ... Até um desses grupo eu sou [partici]... participo da comissão, organizo festa, agora mesmo tô programando uma festa pro fim do ano. (est) Nós vamos confraternizar essa festa lá em Barra do Piraí, são três dias. Então já programei bingo ... é ... mesa tropicana, sabe? tudo isso, seresta. Então, eu era uma pessoa assim, conforme eu disse no início, muito pra baixo (est). Um dia fiz ... tá queimando (interrompe pra ver a panela que estava queimando).

E: [Pronto!] Então, a gente fazemos festa, tudo isso e teve uma festa eu convidei as minhas filhas pra ir (est). A mais velha, então, quando chegou lá ela ficou assim muito emocionada de ver a maneira que eu participo do grupo. Ela me viu falá com essas colegas ... e ... trabalhando .. é ... coordenando as coisa. Aí teve uma hora o pessoal me chamou pra mim cantar no microfone tudo isso, ela falou: “Minha mãe? tá fazendo isso? ” (risos E) Era uma pessoa, assim, que não tinha, assim, jeito assim, de botar uma bermuda, sabe? hoje não. Tudo pra mim é bom, sabe? DENTRO da maneira que eu acho que me sinto bem, sabe? (est) Aí gente bota uma bermuda, já bota assim uma maquiagenzinha, sabe? passei a ser mais vaidosa até do que eu era antes.

E: E o seu marido, ele participa?

F: Participa.

E: Dos dois grupos?

F: Dos dois grupos, dos três grupos, aliás.

E: Ah, ainda falta um.

F: Falta um.

E: E o terceiro?

F: O terceiro é viagem. Então a gente também agente se reúne, assim de três em três meses aí viajamos muito, muito, mais muito mesmo.

E: Então a cada três meses a senhora faz uma viagem?

F: Uma reunião.

E: Ah, uma reunião.

F: Agora o grupo, esse grupo ele faz três viagens por ano. Agora mesmo, no dia vinte e seis nós vamos viajá, vou pra Iriri. Então esse grupo já é assim, é quase até de lei essa viagem. Todo ano nós [faze]... fazemos [essa]... essa viagem, quase as mesmas pessoas, há dez anos que nós vamos pra Iriri. Vamos passar lá dez dias, assim, uma gostosura, muito bom mesmo.

E: Ah, eu imagino ...

I: Muito bom.

F: Lá é muito bom!

E: Então [esses]... esses encontros transformaram a senhora, né?

F: Muito, meu marido era uma pessoa doente. Ele teve que fazê cateterismo, era uma pessoa muito calado, não falava. Hoje ele dança, ele...faz parte da secretaria, tudo isso. [Que bom!] A gente troca, assim, telefonema, sabe? presente. A gente tem, assim, o grupo é muito grande, né? mas então ali a gente escolhe outras pessoas que são mais chegada, né?

E: Sempre tem aquelas que a gente tem mais afinidade, né?

F: Isso, tem um grupo e ali a gente forma até outro grupinho, assim, pessoas mais como se fosse assim até um irmão, sabe? e tem muito assim confiança. Então a gente já sente muita falta um do outro.

E: Interessante, né?

F: É.

E: E o que que a senhora acha da situação da mulher hoje? Comparando, vamos colocar assim: a sua vida, né? com a da sua neta? O que que a senhora vê de diferença entre o que a sua neta faz hoje, a vida que ela leva e como foi a sua adolescência a sua infância?

F: É, a minha infância não foi assim muito ... praticamente não teve infância não, que antes era difícil, né?

E: Era mais difícil?

F: Muito difícil. Hoje eu vejo de outra maneira. Mais liberdade, abertura completamente.

E: E a senhora acha essa mudança boa?

F: Algumas coisas sim, outras não.

E: Por exemplo.

F: Essa liberdade que eles têm muito. Muita liberdade. Isso aí facilita muita coisa má mesmo.

E: Mais a senhora disse que teve que parar de estudar, né? e estudou pouco. Por que que a senhora não continuou a estudar?

F: Quando, quando, como assim?

E: A senhora fez até o primário e aí parou [é isso aí] e parou por que? teve que parar?

F: Teve que parar, aí eu tive que parar pra ajudá em casa que a minha mãe tinha que sair pra lavar roupa, essas coisas. Então tinha os irmãos pequenos, eu tive que tomar conta da casa.

E: A senhora é a mais velha?

F: Mais velha.

E: Então teve que ...

F: Assumir.

E: E a senhora casou muito nova?

F: Dezessete.

E: Teve logo filhos?

F: Logo.

E: Então se a senhora tivesse que educar seus filhos hoje, a senhora mudaria alguma coisa ou a senhora acha que foi bom do jeito que a senhora fez, a educação que a senhora deu pros seus filhos naquela época?

F: Não, mudaria muita coisa.

E: Muita coisa? Seria mais liberal como hoje em dia?

F: É. Tanto que as minhas diz: “Mãe você hoje é diferente do que era com os filhos”. Com os netos eu sou diferente do que era com os filhos.

E: Mas sempre dizem que os netos ...

F: É. Até mesmo assim pra conversar com as minhas neta é diferente.

E: Mas a senhora acha o quê que a senhora mudou ou essa relação de mãe, filho com neto é que realmente é diferente?

F: Não, eu mudei muito também.

E: Mudou muito. Principalmente depois dos encontros ou a senhora acha que ... desse grupo da senhora da terceira idade?

F: Não, antes.

E: Antes a senhora já tinha... já tinha mudado. A senhora falou que o seu marido era muito doente, que ...

F: Não. Ele ficou doente depois que eu perdi um filho.

E: Um filho, né? E a senhora já fez alguma cirurgia?

F: Já?

E: E como é que foi?

F: Fiz. A primeira cirurgia eu fiz a ... no apêndice, fiz uma prestubária, fiz uma vesícula, (risos) varize, e agora há pouco tempo a prótese no joelho.

E: Mas a senhora passou ... chegou a correr risco de vida?

F: Risco.

E: Em qual [das]... das ocasiões?

F: A prestubária.

E: Teve que fazê às pressas? Como é que foi?

F: Ou opera ou morre.

E: É mesmo? E a senhora teve que operar e ai depois se recuperou logo? Mas como é que foi? A senhora não sabia que tinha?

F: Não, não sabia não. Aí eu fui no médico aí o médico me falou que eu estava grávida e eu não acreditei. Aí a minha filha caçula já tinha ... já ia fazê dezesseis anos, né? Aí eu falei pra ele que não queria aí ele: “por que? não sei o quê (e deu uns )”. Falei: “olha doutor, eu não quero não. Não sei porque, não sei”. Aí dois dias depois eu passei mal aí não sabia que era uma gravidez póstubária.

E: Aí, não teve jeito, né?

F: Não. A pressão que vai a zero, né? Baixou muito.

E: É? Baixa a pressão?

F: Muito.

E: Aí teve que ir correndo pro hospital, né?

F: Correndo, é.

E: Mas aí ficou internada?

F: É. Operei fiquei internada dez dias.

E: Nossa, quer dizê que a recuperação foi ...

F: Foi. Muito difícil.

E: E depois dessa cirurgia a senhora fez ...

F: Aí fiz um mioma. Seis meses depois fiz um mioma.

E: Nossa!

F: Aí deu um abcesso de parede aí levei oito meses com a minha barriga aberta, sem poder ... é ... fazendo curativo. [Nossa!] Foi muito difícil mesmo.

E: Aí depois que a senhora fez vesícula?

F: Não, a vesícula foi antes. Antes da prestubária, antes.

E: Mas a vesícula a senhora fez aquela tradicional mesmo? de abrir ...

F: De abrir. Fiz seis tubagem. [Nossa!] Tinha crise de desmaiá mesmo. Muito ruim. (risos)

E: Mas agora a senhora tá bem, né?

F: Graças a deus. Operei o joelho levei seis meses andando de muleta, duas muleta. Agora já ando de bengala, já faço minhas coisas.

E: A senhora já sai sozinha?

F: Não deixam (inint). Não deixam.

E: (risos) É bom, né? o cuidado. E a senhora já foi assaltada?

F: Não. Graças a deus, não.

E: Não? E ...

F: Espera aí. Fui uma vez sim. Assaltada, mas não nada assim de ... assim muito forte. Eu vinha ... eu ... era meu aniversário eu não conhecia Cabo Frio e queria ir até lá. Quando eu voltei, nós pegamos um ônibus ali na ... na Novo Rio, aí sentou um rapaz assim de repente eles começaram [avisan]... dizendo que era um assalto, aí levaram meu relógio, um anel, dinheiro do meu marido, mas foi uma coisa assim ...

E: Mas isso na rodoviária?

F: No ônibus.

E: No ônibus.

F: Quando eu peguei o ônibus que o ônibus saía da rodoviária, aí eles assaltaram.

E: Mas o ônibus inteiro ou só vocês dois?

F: Todo mundo.

E: A senhora deve ter levado um susto danado, né? [É] Mas depois disso a senhora ficou com medo [de]... de sair, ficou assim muito assustada com a violência?

F: Assim, a princípio sim, mas agora não. Eu, graças a deus, nem penso nisso. Não.

E: A senhora falou que freqüentou durante muito tempo o ... ia assistir os desfiles, né? [Isso] Hoje a senhora não vai mais?

F: Não.

E: Por que que que a senhora não vai mais? Por causa da violência ou por que hoje a senhora já tem ... já não se interessa mais?

F: Não. Não me interesso mais não.

E: Não? Mas a senhora acha que tá diferente hoje? (inint)

F: Muito.

E: E o carnaval em si? A senhora acha que mudou muito? Por que? O que que a senhora acha que aconteceu?

F: Que eu acho que a pessoa participava mais. Você ... hoje .. eu acho que hoje assim ... (inint) o carnaval tá um comércio. Que você vai na Avenida, (você vai no ensaio) cê não tem nada. Se você não entrar ali no ... onde ficava o desfile, você não tem carnaval.

E: Mas a senhora morando aqui na Penha, ainda tem carnaval de rua aqui, ou não?

F: Não sei. Não saio. Porque se eu tiver aqui, que eu sempre viajo, aí não saio.

E: A senhora costuma viajá no carnaval?

F: Viajo.

E: Com esse grupo?

F: Com o grupo. Não, eu prefiro sempre viajá com meus neto, que eu ainda tenho netos pequeno, (est) aí eu viajo com meus neto, vou pra hotel fazenda ... aí passo (inint)

E: A senhora sempre tá em atividade, né?

F: Sempre em atividade.

E: E a senhora tem muitos netos?

F: Tenho cinco.

E: Crianças, assim, tem adultos, né?

F: É. A menor tem nove ano. Foi embora ontem. Ficou comigo quase quinze dias.

E: É mesmo? [É] E como é quando eles estão aqui? A senhora ... mesmo assim a senhora vai pros encontros? [Vou.] E eles vão?

F: Não, eles ficam. [Eles ficam.] Eu procuro a controlar. Aí eu digo: “oh, amanhã eu de preciso sair tantas horas, assim assim assim. Aí eu cuido do almoço, qualquer coisa assim pra eles aí eu (inint).

E: E a senhora gosta de cozinhar?

F: Muito.

E: Muito? Então me dá, assim, uma receita. (risos F) Uma coisa que a senhora gosta muito de fazê. Que todo mundo gosta.

F: Eu não sei dizê, assim, muito de fazê porque até, porque estou sendo até [muito]... muito coruja. Que tudo que eu faço eles gostam.

E: Ah, é? [É] (risos) Mas vó é sempre assim...

I: É. Faz sobremesa, assim ...

F: Eles gostam muito, assim, que faço um pudim muito simples, né? Um pudim de leite, uma torta de banana, assim, eles gostam, uma banana em calda.

E: Como é que faz torta de banana? [Ahm?] Torta de banana, como é que faz?

F: Agora deixa eu ver. Eu faço uma assim muito simples. É, são dez colheres de farinha de trigo, dez colheres de açúcar, uma dúzia de banana d’água bem madura, umas duzentas gramas de banana d’água. Muito simples, você mistura ali a farinha trigo, fermento e açúcar aí (inint) passa açúcar e canela, ovos batido. Aí você faz botando as colherada de farinha de trigo, uma camada de banana, uma camada [de].. de açúcar com canela até terminar e leva ao forno.

E: Humm, deve ficar uma delícia!

F: Uma delícia. (risos) E é rapidinho.

E: Deve ficar ótimo. E eles adoram, né?

F: Muito.

E: E o pudim? Como é que a senhora faz o pudim?

F: É simples: [quatro]... quatro ovos, duas leite da lata de leite moça e duas latas de leite de vaca. Bota no liquidificador .. é ... açúcar caramelado pra untar a forma e leva ao forno em baho-maria.

E: Esse açúcar caramelado que é um problema, não é? [Não é.] Como a senhora faz?

F: Eu boto ali duas colheres de açúcar e vou mexendo até dourar. Quando doura, eu vou acrescentando água até dá o ponto de fio.

E: É. Eu não consigo fazê ... (risos E).

I: Nem eu.

E: E, a senhora joga assim na loteria?

F: Ah, agora eu tô demais.

E: Tá jogando?

F: Muito.

E: Por conta da mega sena?

F: É, toto bola, raspadinha, tudo isso eu jogo. (risos)

E: E se a senhora ganhasse, assim, muito dinheiro, o que que a senhora faria?

F: Olha, por incrível que pareça, eu já tenho tudo na minha cabeça.

E: É mesmo !?

F: É.

E: Então conta. (risos)

F: (inint) Mas aí eu tinha, eu queria ajudar, primeiramente, meus filho, né? que deus me desse saúde.

E: A senhora tem quantos ...

F - Quatro filhas [Filhas.], é. Aí, compraria assim um apartamento, uma casa de praia, que eu gosto muito de casa de praia.



E: A senhora gosta muito de praia?

F: Gosto.

E: E a senhora vai à praia? Mas como a senhora faz pra ir à praia? Vai sozinha?

F: Não. Vou com o meu marido. Vou, vou com as crianças. Às vezes eu pego os menores: “vão embora pra praia.” Principalmente quanto tá verão, assim, aí eu trago as crianças (inint) vão embora pra praia.

E: Mas a senhora vai como? Vai de táxi?

F: Vou de carro.

E: De carro? A senhora dirige?

F: Não.

E: Não?

F: Meu marido dirige.

E: Ah, tá. Então, aí se a senhora ganhasse na loteria ...

F: Tá indo fundo, hein? (risos) [Ahm?] Tá indo fundo. (risos)

E: A senhora tava falando que se ganhasse na loteria a senhora ia ajudar, né? as filhas. Mas a senhora não ficaria com medo? Qual seria a sua primeira reação?

F: Muito dinheiro eu não quero. Queria dinheiro, assim, pra poder ter uma vida tranqüila.

E: Ah, muito dinheiro, não.

F: Não, não quero muito dinheiro, não quero, assim, um carro muito novo, muito bom que eu tenho o meu. Um quero que me dê pra me levar onde eu precisar.

E: Sem muito luxo, né?

F: Sem muito luxo. Justamente.

E: Hoje é perigoso, né?

I: A senhora disse que com essa perda do filho da senhora a ficou muito deprimida, e a religião ajudou a senhora alguma coisa? [Muito]. É que muitas pessoas procuram, né? refúgio ...

F: Me ... justamente. Me ensinaram, me convidaram pra várias coisas, sabe? inclusive eu ... até eu tinha dias que eu tava, assim, muito ruim: “ah, você pega um cigarro, você fuma”. (est) Época que eu tive vontade, assim, de acabar comigo, sabe? ai eu dizia: “não, eu não posso fazê isso, tem outras pessoas”. Eu acho que eu sou uma pessoa assim, eu sei muito aquilo que eu QUERO, sabe? Se eu disser assim: “eu NÃO quero ler essa revista” ela pode tá aí dez ano (inint) que eu não leio a revista. (est) Sabe? então aí: “ah, fuma um cigarro”. Eu digo: “não.” Aonde eu encontrei, assim, muito apoio, [muito]... muita ajuda mesmo foi na igreja. Um dia eu saí desesperada fui pra igreja, aí eu tava sentada chorando, sentou uma madre, conversou muito comigo, foi muito bonito, daqui pra lá, pronto.

E: A igreja era católica, né? [É] E a senhora costuma ir às missas?

F: Vou. Todo domingo não, mas vou à missa.

E: E o que que a senhora acha desse movimento carismático agora da igreja católica? Padre Marcelo, com essas ... [essa mi]... esse novo tipo de missa, né?

F: Olha, eu acho que ajuda muito, né? chama muito às pessoas, os jovens. Que tava precisando disso. Principalmente esse encontro que teve aí, eu achei uma coisa muito boa, muito certa, muito bonita.

E: Qual encontro?

F: Que teve no domingo, [no Maracanã, né?] no Maracanã. Ah, teve, assim, uma festa de Nossa Senhora da Aparecida, uma coisa muito boa, muito bonita. A gente tá precisando muito disso.

E: Mas a senhora acha [que]... que ... porque que tem sido muito criticado, né? o padre Marcelo tem sido muito criticado. A senhora, então, acha o trabalho dele válido?

F: Eu acho válido. Não, assim, pra mim, não sei se eu vou falá certo, não tenho, assim,... muita feição, assim, por ele não. [Ah, não?] Não.

E: É mesmo? [É]. Mas tem outros padres também, né?

F: Outro padre. Não sei se é porque eu já vim de outra religião, sabe outra coisa? eu aprendi de outra maneira, sabe? então, pra mim ... eu acho assim: pro jovens bom, mas pra mim ... [Não?] Não. Que eu sou uma pessoa que se eu vou pra igreja, se eu vou pra missa eu quero fazê minha páscoa sem tomar um café ... (interrupção na fita)

I: (nt) de outra religião?

F: Não, eu sou católica mesmo. [É?] É.


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