Instituto de desenvolvimento educacional do alto uruguai faculdades ideau



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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL DO ALTO URUGUAI

FACULDADES IDEAU




Análise de endo e ectoparasitas em aves de diferentes espécies EM ALGUMAS CIDADES DO ALTO URUGUAI GAÚCHO
TRENTIN, Yngrid Kerllin¹

yngridkt@hotmail.com


ZEIST, Rúbia¹

rubiazeist2222@hotmail.com
TONIOLO, Carina¹

carina_toniolo@hotmail.com


SILVA, Bruno Steffen da¹

brunosteffendasilva@hotmail.com


UTZIG, Giovani Luis¹

giovaniutzig@hotmail.com


PIEROZAN, Morgana Karin²

morganapierozan@ideau.com.br


ÚRIO, Elisandra Andréia²

elisandra-urio@ideau.com.br


RANGHETTI, Álvaro Luís²

alvaro.biologia2004@hotmail.com


ROCHA, Anilza Andréia²

anilzarocha@ideau.com.br


ROSÉS, Thiago²

veterinarioroses@gmail.com


RITTER, Filipe²

cordenação@ideau.com.br




¹ Discentes do curso de Medicina Veterinária, Nível III 2016/1- Faculdade IDEAU – Getúlio Vargas/ RS

² Docentes do curso de Medicina Veterinária, Nível III 2016/1 - Faculdade IDEAU – Getúlio Vargas/ RS



RESUMO: A Gallus bankiva é o primeiro registro de um ancestral de galinha a habitar o planeta terra. A Índia e a China foram países berço da domesticação de aves que ocorreu por volta de 3200 a.C e 1400 a.C respectivamente. Na década de 30, o cenário mundial teve uma brusca mudança com a valorização de indústrias agrícolas, uma vez que elas geravam grande rentabilidade aos produtores da época. Com esse acréscimo no consumo de seus derivados, a indústria agrícola passou a adotar uma série de medidas para garantir a qualidade dos produtos industrializados. O objetivo do presente trabalho foi estudar endo e ectoparasitas de espécies e raças de aves distintas através da análise de amostras fecais e de raspagem de pele, onde para isso, empregou-se o Método de Sheather, modificado, que tem por base a utilização da sacarose e o Método de Willis, utilizando solução salina (NaCl). Foram avaliadas as espécies Numida meleagris, Anas querquedula, Columba livia, Nymphicus hollandicus e duas raças diferentes de Gallus gallus. A presença de ovos de Ascaridia sp. foi detectado em 60% das espécies, enquanto que 40% apresentaram ovos de Eimeria sp. e Giárdia sp. e apenas 20% de Entamoeba sp. Os ectoparasitas foram encontrados somente em um exemplar de Anas querquedulas e um de Gallus gallus (galinha de aviário). Concluiu-se que houve maior incidência de infestação de endoparasitas do gênero Ascaridia sp. e que houve pouca presença de ectoparasitas nessas aves.
Palavras-chave: Ascaridia sp., Eimeria sp., Giardia sp., Entamoeba sp.
ABSTRACT: The Gallus bankiva is the first record of a chicken ancestral to inhabit the planet earth. India and China were the cradle of the countries of birds that domestication occurred around 3200 and 1400 a.C a.C respectively. In the 30's, the world stage had a sudden change in the valuation of agricultural industries, since they generated great returns to producers of the time. With this increase in consumption of its products, the agricultural industry has to adopt a series of measures to ensure the quality of manufactured products. The aim of this study was endo and ectoparasites species and breeds of different birds by analyzing faecal samples and skin scraping, where to do so, we used the Sheather method, modified, which is based on using the sucrose and Willis method using saline (NaCl). species Numida meleagris were evaluated, Anas querquedula, Columba livia, Nymphicus hollandicus and Gallus gallus. The presence of eggs Ascaridia sp. It was detected in 60% of the species, while 40% had eggs Eimeria sp. and Giardia sp. and only 20% of Entamoeba sp. Ectoparasites were found in only one copy of Anas querquedulas and a Gallus gallus (poultry chicken). It was concluded that there was a higher incidence of endo- infestation of gender Ascaridia sp. and there was little presence of these ectoparasites birds.

Keywords: Ascaridia sp., Eimeria sp., Giardia sp., Entamoeba sp.
1 INTRODUÇÃO
As primeiras espécies de aves, que habitaram o planeta terra, eram semelhantes aos répteis, no que diz respeito à características anatômicas e fisiológicas. A Gallus bankiva, atualmente conhecida por galinha Vermelha das Selvas é o primeiro registro de um anscestral da galinha e habitava o sudoeste da Ásia (MORENG & AVENS, 1990).

Segundo Moreng & Avens et al. (1990) as primeiras aves domésticas foram descritas por volta de 3200 a.C na India e somente em 1400 a.C na China. Galinhas vermelhas da selva eram criadas em cativeiros e reproduzidas através de ovos incubados artificialmente com finalidade de produzir ovos e carne para comercialização.

Por volta de 1930, a indústria avícola passou a ganhar espaço na sociedade da época por possuir um caráter de desenvolvimento independente que possibilitou a união de pequenos produtores formando unidades de comércio integradas. Esses sistemas de integração proporcinavam grandes rendimentos aos produtores e abriram portas para diversas áreas no mercado industrial (MORENG & AVENS, 1990).

No Brasil, os índices de produção e consumo de derivados da avicultura crescem constantemente, dando a essa cultura o posicionamento de setor de maior importância no país. Com isso, muitas empresas passaram por adaptações necessárias e impostas pela própria globalização (ANDRETI FILHO, 2007).

A procura por qualidade nos produtos consumidos pelo homem, originou uma série de normas na produção avícola, a fim de garantir segurança na alimentação com a sanidade dos plantéis. Essas regras visam evitar a contaminação de consumidores, por possíveis patógenos presentes no alimento que causam doenças (SANTOS & PEREIRA, 2013).

O termo parasita é designado a microorganismos que dependem de um hospedeiro para poder se nutrir, se multiplicar e fazer sua morada. Os endoparasitas, habitam o interior de organismos se acoplando a tecidos e órgãos. Já os ectoparasitas, se fixam em superfícies externas como, por exemplo, a pele (MONTEIRO, 2011).

O presente trabalho teve por objetivo o estudo de endoparasitas e ectoparasitas de diferentes espécies de aves em algumas cidades do Alto Uruguai Gaúcho.
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Locais Avaliados

Foram analizadas diferentes espécies de aves criadas em sistema extensivo ou intensivo. As aves utilizadas no experimento, criadas em sistema intensivo, são destinadas à produção de ovos para a comercialização onde se tem um grande cuidado com relação a doenças parasitárias e faz-se controle e tratamento zootécnico e sanitário periódicamente. As aves criadas em sistema extensivo, não são voltadas para a comercialização industrial e sim para o consumo familiar de ovos e carnes ou pra embelezamento dos lares. As coletas foram realizadas em propriedades nas cidades de Aratiba- RS, Barra do Rio Azul- RS e Itatiba do Sul- RS.


2.2 Aves Avaliadas

Em sistema intensivo foram coletadas amostras de 05 galinhas poedeiras (Gallus sp.) para análise. Essas aves permaneceram isoladas no momento da coleta, pesavam em média 2,69 Kg e tinham cerca de 8 meses de idade. Foram criadas em sistema de encubatório e se alimentam de rações especializadas.

Em sistema extensivo foram coletadas amostras fecais de galinhas de angola (Numida meleagris), galinha caipira (Gallus sp.), marrecos (Anas querquedula), pombas domésticas (Columba livia) e calopsita (Nymphicus hollandicus) para análise. Montaram-se grupos de 05 aves de cada espécie ou raça e colocou-se cada grupo em gaiolas separadas, totalmente isolados um grupo de outro. As galinhas de angola pesavam em média 1,600 Kg e tinham, aproximadamente, 24 meses de idade. Vivem em compartimentos cercados junto com outras espécies de aves, são destinadas somente a produção de ovos e se alimentam de restos de comidas, pasto e ração. As galinhas caipira pesavam em média 2,900 kg, com cerca de 25 meses de idade, alimentando-se de restos de comida e ração a base de milho. Os marrecos pesavam em média 2,200 Kg possuíam 14 meses de vida, vivem soltos na propriedade e se alimentam de insetos, pasto, restos de alimento e milho. As pombas domésticas pesavam, em média, 530g e possuíam em torno de 24 meses de idade. Alimentam-se de milho e insetos e vivem soltas na propriedade. As calopsitas pesavam em média 310g com, aproximadamente, 26 meses de idade. Vivem presas em gaiolas de ferro e alimentam-se de rações especializadas.

A tabela 1 mostra a quantidade e as espécies analisadas, segundo sua ordem, família, nome específico e seu nome popular sendo que 2 dessas espécies pertencem a Ordem das Galliformes, 1 das Psittaciformes, 1 das Columbiformes e 1 espécie das Anseriformes.


Tabela 1- Classificação taxonômica de cada espécie e quantidade utilizada para a análise fecal.

Ordem

Família

Nome Científico

Nome Popular



Psittaciforme

Cacatuidae

Nymphicus hollandicus

Calopsita

05

Columbiformes

Columbidae

Columba livia

Pomba doméstica

05

Galliformes

Numididae

Numida meleagris

Angolista

05

Anseriformes

Anatidae

Anas querquedula

Marreco

05

Galliformes

Phasianidae

Gallus gallus

Galinha caipira

05

Galliformes

Phasianidae

Gallus gallus

Galinha de granja

05

Fonte: TRENTIN, Y. K., 2016
2.3 Coleta de Amostras

As amostras foram coletadas através de fezes para detecção de endoparasitas e raspagem de pele para ectoparasitas e postas em recipientes fechados e esterilizados com álcool 70%. As amostras foram mantidas em uma temperatura de 8°C graus e analisadas 24 horas após a coleta. Com as fezes dos marrecos e galinhas de angola utilizou-se, mas de maneira modificada, o método de Sheather onde foram pesadas de 2g a 3g de fezes de cada amostra e diluídas em 10 ml de solução de sacarose até se homogeinizar. Em seguida, coou-se o material com uma gaze e borel completando a solução até a borda do recipiente com sacarose. Colocou-se uma lamínula sobre ele permitindo o contato com o material, onde repousou por 15 minutos. Feito isso, pingo-se, com a ajuda de uma pipeta, lugol na superfície das lâminas e avaliou-se microscopicamente uma-a-uma.

Para as amostras fecais de galinha caipira, galinha de aviário, pomba e calopsita empregou-se para a análise o método da flutuação, elaborado por Willis (1921), onde pesou-se 5g de cada amostra de fezes e diluiu-se em 10ml de uma solução salina (NaCl) misturando até se homogeinizar. Em seguida, coou-se a mistura com uma gaze posta duplamente em um borel. A mistura foi completada com solução salina até a borda do recipiente e, em seguida, posta uma lâmina por 5 minutos. Feito isso, pingou-se lugol sobre elas e fez-se a análise microscópica.
3 RESULTADOS E ANÁLISE
Das 30 amostras fecais, de cinco espécies de aves distintas e, uma delas, de raças diferentes, a presença de endoparasitas pode ser verificada em exemplares de galinha de angola (M. meleagris), galinha caipira (Gallus sp.), calopsita (N. hollandicus), marreco (A. querquedul) e pomba doméstica (C. livia).A presença de ectoparasitas foi identificada em marreco (A. querquedula) e galinha de aviário (Gallus sp.).

Na análise microscópica, pelo método de Willis, foram detectados possíveis oocistos de Ascarídia sp. em 60% das amostras fecais de galinha caipira, demonstrada na Figura 1 A e comparada com a literatura na Figura 1 B.


Figura 1 A- Lâmina microscópica contendo oocistos de Ascarídia sp. extraídos de fezes de galinha caipira. Fonte: TONIOLLO, C. 2016. Figura 1 B- oocistos de Ascaridia sp. visualizados microscopicamente. Fonte: FOREYT, W. J., 2005.


Esses resultados, em parte, são semelhantes aos encontrados por Gonçalves et al. (2009) que analisou amostras fecais de 45 espécies de aves distintas, onde 4,8% apresentaram ovos de Ascarídia sp., sendo essas, das espécies Buteo magnirostris (Gavião carijó) e Pavo cristatus (Pavão real). A A. galli é uma espécie de verminose pertencente à superfamília das Ascaroideas, apresentando uma morfologia simples de tamanho variado. Seus ovos possuem formato elíptico e pouca espessura em sua casca que não apresenta segmentos (FORTES, 2004). Os ovos da Áscaris apresentam um envoltório albuminoso o qual a fêma deposita sobre a casca de quitina. Se houver desprendimento da albumina da casca, ela passará a ter um aspecto maciço e claro (BOWMAN, 2006). Santos et al. (2008), encontrou ovos desse verme em 3,36% das 47 espécies aviárias utilizadas em seus estudos.

Valdebenito et al. (2015) identificou 7 espécies diferentes do gênero Ascaris em aves pertencentes principalmente a ordem das Psittaciformes sendo que a áscaris mais relatada foi a A. hermaphodita. Uma vez que a ave for infectada pelo ascarídeo ela apresentará uma perda de peso considerável, além disso, poderá desenvolver diarréias constantes, anemia e emaciação (FOREYT, 2005).

Em 20% das amostras fecais de Gallus sp. (galinha caipira) e 20% das de espécie C. livia foram detectados a presença de possíveis oocistos de Eimeria sp., mostrados na Figura 2 A e comparado com a literatura na Figura 2 B.

Figura 2 A- Presença de oocistos de Eimeria sp. na análise fecal de pomba (Columba livia) e galinha caipira (galus sp.). Fonte: TONIOLLO, C., 2016. Figura 2 B- oocistos de Eimeria sp. em análise microscópica. Fonte: FOREYT, W. J., 2005.


Santos et al. (2008) em seu experimento, visualizou a prevalência de endoparasitas do gênero Eimeria sp. sendo que, das 47 espécies analisadas, 45,85% apresentaram os ovos desse verme em suas fezes. O gênero Eimeria é pertencente à família Eimeriidae e se diferencia do gênero Isopora de acordo com a quantidade de esporocistos e esporizoítos em seus oocistos que, em seu interior, vão formar os micoorganismos infectantes (FORTES, 2004). De acordo com Bowman et al. (2010) esse verme se multiplica de forma assexuada ou sexuada e segundo Taylor et al. (2010) se reproduz aceleradamente, sendo que, em uma semana, novos oocitos são excretados pelas fezes em grande número.

Das fezes das 45 espécies de aves estudadas por Gonçalves et al. (2009), mais da metade apresentaram a presença de Eimeria sp. (53,6%), um número relativamente alto. As espécies, onde a prevalência desse verme foi maior, pertenciam à ordem das Passeriformes e Galliformes.

De acordo com Andretti Filho et al. (2007) a coccidiose, doença causada pela Eimeria sp., afeta, principalmente, aves da espécie Gallus sp. acometendo também a espécie C. livia. Foreyt et al. (2005) alega que esta doença pode ocasionar enterites, retardo no seu desenvolvimento apresentando quadros clínicos assintomáticos ou altos índices de mortalidade segundo Andretti Filho et al. (2007).

Na análise fecal utilizando-se o método de Sheather, foi possível verificar a presença de prováveis oocistos de Giardia sp. em exemplares das expécie A. querquedula e N. meleagris, apresentados na Figura 3 A e comparado com a literatura na Figura 3 B.



Figura 3 A- Presença de oocistos de Giardia sp. nas fezes de exemplares de marrecos e galinha de angola. Fonte: SILVA, B. S., 2016. Figura 3 B- Oocistos de Giardia sp. visualizados em lâmina microscópica. Fonte: MONTEIRO, S. G., 2011.


A Giardia sp. é encontada em forma de trofozoítos dispostos na parede do intestino delgado. É possível verificar a presença de um disco suctorial em uma de suas extremidades, o que forma uma espécie de depressão. Na maioria das vezes, os trofozoítos aderem a forma de cistos antes de chegar no intestino do animal (BOWMAN, 2010). Essa espécie de protozoário desencadeia uma doença chamada de giardíase, caracterizada pela desnutrição, taxa de absorção de vitaminas reduzida e diarréia com coloração amarelada podendo também, permanecer no organismo sem manifestar sintomas (MACIEL, 2003). A Giardia sp. encontra-se abrigada no intestino de aproximadamente 7% da população mundial (BOWMAN, 2006).

Devido a presença de NaCl, empregado no método de Willis, foi possível averiguar, em 1 dos exemplares da espécie N. hollandicus, prováveis oocistos de Entamoeba sp., demonstrado na Figura 4 A e comparado com a literatura na Figura 4 B.



Figura 4 A- Oocistos de Entamoeba sp. em amostras fecais de Calopsitas. Fonte: UTZIG, G. L., 2016. Figura 4 B- Análise microscópica de oocisto de Entamoeba sp.. Fonte: KRISTIN, M. 2015.


Segundo Fortes et al. (2004) a Entamoeba sp. é um gênero pertencente a família das Endamoebidae sendo o único parasita da classe Lobosasida que se acopla ao epitélio do trato digestório de vertebrados e invertebrados (TAYLOR, 2010).

Gonçalves et al (2009) em suas análises verificou que 50% das aves pertencentes a ordem das Psittaciformes e 20% das aves da ordem das Passeriformes apresentaram Entamoeba sp. em suas fezes. Nas demais ordens estudadas confirmou-se a ausência desse endoparasita. Os cistos do Entamoeba sp. podem apresentar um número de núcleos variados, sendo que, em seu interior, à presença de um cariossomo diminuto e sua periferia dispõe de grânulos de cromatina (FORTES, 2004). Esse parasita causa uma doença conhecida por amebíase onde o animal infectado torna-se desidratado apresentando quadro anêmico, diarréia mucosanguinolenta e, em casos de maior gravidade, abcessos em órgãos com funções importantes (MACIEL, 2003).

Embora os métodos utilizados para extração de endoparasitas tenham diferido entre sí, a base fundamentada por ambos é submeter às amostras fecais à substâncias que apresentem densidades diferentes a fim de que os ovos dos vermes, ali contidos, possam subir até a superfície do líquido (TAYLOR, 2007). O cloreto de sódio (NaCl) permitiu que os oocistos de Ascarídia sp., Eimeria sp. e Entamoeba sp. fossem encontrados, enquanto que a solução de sacarose, os oocistos de Giardia sp..

A Tabela (2) a seguir, mostra os endoparasitas visualizados nas fezes e a quantidade positiva para cada um, segundo sua ordem, seu nome científico e seu nome popular.


Tabela 2- Quantidade e gênero de endoparasitas encontrados nas amostras fecais das espécies de aves estudadas

Ordem

Nome Científico

Nome Popular

Ascaris sp.

Eimeria sp.

Giardia sp.

Entamoeba sp.

Galliformes

Numida meleagris

Angolista

0

0

1

0

Anserifor-mes

Anas querquedula

Marreco

0

0

1

0

Columbifor-mes

Columbia Livia

Pomba doméstica

0

1

0

0

Psittacifor-mes

Nymphicus hollandicus

Calopsita

0

0

0

1

Galliformes

Gallus Gallus

Galinha Caipira

3

1

0

0

Galliformes

Gallus Gallus

Galinha de áviário

0

0

0

0

Fonte: TRENTIN, Y. K., 2016.
Para o estudo de ectoparasitas, foram coletadas amostras de raspagens de pele de 03 aves de cada espécie ou raça, onde notou-se a presença de um possível ácaro Pararalichus hastifolia em galinhas de aviário e de um provável astigomata Sarcoptes scabiei em marrecos. A Figura 5 A contém o P. hastifolia encontrado comparado com a literatura na Figura 5 B.

Figura 5 A- Pararalichus hastifolia encontrado em galinha de aviário. Fonte: TONIOLLO, C. 2016. Figura 5 B- Ectoparasita (ácaro) P.hastifolia. VALDEBENITO, J. O., 2015.


Em seus estudos, Valdebenito et al. (2015) analizou amostras de raspagem de pele de aves da ordem Psittaciforme habitantes do Chile, onde detectou a presença do ácaro P. hastifolia em exemplares de periquitos austrais.

A S. scabiei é uma espécie de ácaro pertencente ao gênero Sarcoptes que possuiu tamanhos distintos conforme o sexo, sendo que a fêmea é maior que o macho. Ambos apresentam um tegumento, na parte dorsal, paralelamente estriado e com grande quantidade de espinhos agudos (FORTES, 2004). Não é comum a presença deste ectoparasita em aves, porém houve sua incidência em estudos realizados com outros animais. Sabestianski et al. (2005) avaliou, através de raspagem de pele, 23 suínos de uma granja em Teresópolis (GO) onde 43,4% dos animais apresentaram ectoparasitas do gênero Sarcoptes. Segundo Bowman et al. (2006) a sarna sarcóptica é uma doença provocada pela espécie S. scabiei e mais presenciada entre bovinos, equinos, raposas, cães e humanos que, ao se infectarem, passam a perder pêlos e podem vir a óbito (FOREYT, 2005). Teixeira et al. (2014) acompanhou a ação deste ectoparasitas em hamsters verificando que a cada dois desses animais portadores, um desencadeou os sintomas da doença. A S. scabiei encontrada está demonstrada na Figura 6 A e comparada com a literatura na Figura 6 B.


Figura 6 A- Sarcoptes scabiei encontrada em marrecos. Fonte: SILVA, B. S., 2016. Figura 6 B- Sarna S. scabiei encontrada em canídeos. Fonte: FOREYT, W. J., 2005.


A tabela (2) a seguir, apresenta a quantidade de amostras positivas e negativas para ectoparasitas, de acordo com sua ordem, nome científico e nome popular.
Tabela 2- Quantidade de amostras positivas e negativas de ectoparasitas nas espécies de aves estudadas.

Ordem

Nome Científico

Nome Popular

Amostras Positivas (%)

Amostras Negativas (%)

Galliformes

Numida meleagris

Galinha de Angola

0

3

Anseriformes

Anas querquedula

Marreco

1

2

Galliformes

Gallus sp.

Galinha Caipira

0

3

Galliformes

Gallus sp.

Galinha de Aviário

1

2

Columbiformes

Columbia livia

Pomba Doméstica

0

3

Psittaciformes

Nymphicus hollandicus

Calopsita

0

3

Fonte: Autores
4 CONCLUSÃO

Considerando as análises efetuadas, percebeu-se que houve uma nítida diferença na presença de endoparasitas de aves em sistema intensivo e em sistema extensivo podendo-se pensar que esse fato ocorreu devido ao tratamento periódico que aves em sistema intensivo recebem contra microorganismos danosos. A presença de ectoparasita em galinhas de aviário pode ter ocorrido através do contato com a cama de aviário existente em seu habitat. Compriu-se o objetivo de estudar e analisar possíveis parasitas que causam danos a avicultura de regiões do Alto Uruguai Gaúcho.




5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRETTI FILHO, R.L.; Saúde aviária e doenças. São Paulo. SP, Editora Roca, 2007.
BOWMAN, D.; Parasitologia Veterinária de Georgis. Barueri. SP, Editora Manole. 8° edição, 2006.
BOWMAN, D.; Parasitologia Veterinária de Georgis. Rio de Janeiro. RJ, Editora Elsevier. 9° edição, 2010.
FOREYT. W.J.; Parasitologia Veterinária. São Paulo. SP, Editora Roça, 2005.
FORTES. E.; Parasitologia Veterinária. São Paulo. SP, Editora Ícone, 2004.
GONÇALVES, G.A.; MARTINS, T.F.; LIMA, E. T. de.; Prevalência de endoparasitas em amostras fecais de aves silvestres e exóticas no Laboratório de Ornitopatologia e no Laboratório de Enfermidades Parasitárias da FMVZ-UNESP/ Botucatu, SP. Revista Ciência Nacional Brasileira, 2009.
MACIEL. J.M.; Microbiologia e Parasitologia. Canoas. RS, Editora da Ulbra, 2003.
MONTEIRO, S.G.; Parasitologia na Medicina Veterinária. São Paulo. SP, Editora Roca, 2011.
MORANG. R.E.; AVENS. J.S.; Ciência e produção de aves. São Paulo. SP, Editora Roca, 1990.
SANTOS. B. M. dos.; PERREIRA. C. G.; Prevenção e controle de doenças infecciosas em aves. São Paulo. SP, Editora UFV, 2013.
SANTOS, G.; MATUELLA, G.A.; CORAIOLA, A.M.; Doenças de aves selvagens diagnosticadas na Universidade Federal do Paraná (2003-2007). Pesq. Veterinária Brasileira, 2008.
SOBESTIANSKI, J.; LINHARES, G.; Aspectos clínicos e epidemiológicos de um foco de sarna sarcóptica em um sistema intensivo de produção de suínos localizado no município de Teresópolis – GO. Revista de Patologia Tropical, 2005.
TAYLOR, M.A.; Parasitologia Veterinária. Rio de Janeiro. RJ, Editora Guanabara Koogan, 2014.
TEIXEIRA, L.; PIRES, P. G.; Doença de pele em hamster. Revista de Educação Continuada em Dermatologia e Alergologia Veterinária, 2014.
VALDEBENITO, J.O.; MORENO, L.; AQUAVEQUE, C.L.; Gastrointestinal and external parasites of Enicognathus ferrugineus and Enicognathus leptorhynchus (Aves, Psittacidae) in Chile. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, 2015.


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