InstruçÕes para a preparaçÃo e submissão de trabalhos para o congresso brasileiro de educaçÃo em engenharia 2010



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INTEGRAÇÃO ENTRE STAKEHOLDERS PARA A IMPLantAÇÃO DA AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE DE PRODUTOS: O exemplo do preservativo masculino


Maria Gabriela Pinto de Almeida Simões – gabriela.simoes@int.gov.br

Instituto Nacional de Tecnologia

Avenida Venezuela 82

20081-312 – Rio de Janeiro - RJ



José Antonio Assunção Peixoto – josepeixoto@yahoo.com.br

Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, PPTEC

Avenida Maracanã 229

20271-110 – Rio de Janeiro - RJ



Leydervan de Souza Xavier – lsxavier@cefet.gov.br

Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, PPTEC

Avenida Maracanã 229

20271-110 – Rio de Janeiro - RJ




Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar uma visão crítica do fenômeno sócio-organizacional da integração entre stakeholders de modo a implantar uma atividade de avaliação da conformidade, utilizando como exemplo a certificação compulsória de preservativos. Verificando também o papel dos gestores de cursos de nível superior, em particular de engenharia para a disseminação do conhecimento deste tema.
Palavras-chave: Stakeholders, Avaliação da Conformidade, Preservativos Masculinos


1introdução


Com a crescente importância dos preservativos masculinos em decorrência do avanço da AIDS, este artefato concebido pela ação do homem, com o propósito de impedir a procriação, tomou um sentido duplo, de impedir também o fim da espécie humana. Hoje ao lado de sua dupla função (profilática e contraceptiva), o preservativo é freqüentemente citado pelos seus elevados índices de eficácia e, também, a quase completa ausência de efeitos colaterais. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “quando usado de maneira correta e consistente, o preservativo dá boa proteção anticoncepcional e reduz, efetivamente, os riscos de propagação das diversas DST, sendo o único meio mecânico de proteção contra a transmissão sexual do vírus da imunodeficiência humana (HIV)”.

Em comparação com outros métodos anticoncepcionais (como os hormonais orais, diafragma e espermicidas, que exigem do usuário ações apropriadas e sistemáticas), o preservativo apresenta vantagens do baixo custo relativo, da ampla disponibilidade, e da quase completa ausência de efeitos colaterais.

Os países membros das Nações Unidas firmaram um compromisso de até o ano de 2015 atingir 8 objetivos, chamados Objetivos do Milênio. O sexto objetivo consiste em combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças. Vários atores estão envolvidos também neste processo, tanto no contexto nacional como internacional, como a própria ONU, programas como o UNAIDS, a OMS e o Ministério da Saúde.

A Política Nacional de AIDS para conter o avanço da epidemia no Brasil preconiza o uso do preservativo como a forma mais eficiente de prevenção às DST e à AIDS. Seu uso apresenta uma efetividade estimada de 95% na prevenção da transmissão das DST e da AIDS. Assim tornou-se necessário um controle adequado do produto disponibilizado a população, tanto para fins de doação como para a venda. A qualidade dos preservativos masculinos de látex de borracha natural no Brasil tem sido bastante discutida desde 1987, quando foram incluídos na categoria de produtos farmacêuticos, ficando, portanto, sob jurisdição da atual Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA - do Ministério da Saúde. Um completo controle da qualidade dos preservativos requer o monitoramento dos processos, desde a produção, embalagem e transporte até o armazenamento, além do tempo e das condições nas quais os preservativos ficariam estocados, tanto nos depósitos dos fabricantes quanto dos distribuidores.

Ao longo dos últimos 20 anos, padrões de qualidade para fabricação de preservativos tornaram-se mais rigorosos e refinados, em conjunto com o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos testes físicos. O Brasil, através da Agência Nacional de Vigilância sanitária (ANVISA) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), adotou a certificação compulsória de preservativos a partir de 1995. Os testes realizados e o certificado de conformidade existem para proteger o consumidor, permitindo a entrada no mercado apenas dos produtos que atendam aos padrões de qualidade. No caso dos preservativos masculinos, tanto a norma internacional ISO 4074/2002, quanto a regra brasileira atual RDC 62/2008, estabelecem ensaios para as amostras, cujo número varia segundo o tamanho do lote.

O processo de registro de preservativos masculinos junto a ANVISA exige desde 1995 que este produto seja certificado no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, com base na atual Resolução dessa Agência, a RDC nº 62 de 2008. Esta Resolução internalizou no país a Resolução GMC nº 75/00 do MERCOSUL e substituiu o Regulamento Técnico da Qualidade RTQ nº 09 de 08 de junho de 1995. Faz parte deste processo a realização de ensaios em Laboratório com escopo acreditado pelo Inmetro nos ensaios relativos ao produto preservativos masculinos.

A finalidade institucional da Agência é promover a proteção da saúde da população por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados.

Analisando as Políticas Públicas de prevenção às DST/AIDS, que utilizam como uma das formas de prevenção os preservativos masculinos verifica-se que estão beneficiando de modo positivo à sociedade, atingindo assim o meta-conceito definido por Chrispino (2008): “Política Pública seria a ação de governo que vise atender a necessidade da coletividade”.

Verificamos assim que dentro do processo de certificação de preservativos masculinos encontramos vários stakeholders, tais como ANVISA, Inmetro, Ministério da Saúde, usuários, etc., com um poder maior ou menor sobre este processo.

Considerando-se que por força do artigo 3º das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em engenharia, estes cursos devem formar profissionais com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a absorver e desenvolver novas tecnologias, estimulando sua atuação crítica e criativa na identificação e resolução de problemas, considerando seus aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e humanística, em atendimento às demandas da sociedade. Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar uma visão crítica do fenômeno sócio-organizacional da integração entre stakeholders de modo a implementar uma atividade de avaliação da conformidade compulsória, utilizando como exemplo o processo de certificação compulsória de preservativos masculinos de borracha natural.


2FUNDAMENTOS TEÓRICOS

2.1Avaliação da Conformidade


A Avaliação da Conformidade é um poderoso instrumento para o desenvolvimento industrial e para a proteção do consumidor. Entre os benefícios que gera para todos os segmentos da sociedade, podemos destacar o estímulo à concorrência justa e à melhoria contínua da qualidade, o incremento das exportações e o fortalecimento do mercado interno.

Para os Agentes Reguladores, os programas de avaliação da conformidade representam um importante instrumento para tornar efetivo o cumprimento dos regulamentos por eles estabelecidos e facilitar a fiscalização por eles exercida. O Inmetro, órgão gestor do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade – SBAC, orienta o esforço brasileiro na formulação do Programa Brasileiro de Avaliação da Conformidade – PBAC, cujo objetivo é promover uma visão de longo prazo para a gestão estratégica da atividade de Avaliação da Conformidade - AC no País.

O termo avaliação da conformidade pode ser definido de várias formas, aqui escolhemos duas delas, a definição da ABNT NBR ISO/IEC 17000:2005: "demonstração de que os requisitos especificados relativos a um produto, processo, sistema, pessoa ou organismo são atendidos.", definição da OMC - Acordo sobre Barreiras Técnicas, Anexo 1: "qualquer procedimento utilizado, direta ou indiretamente, para determinar que as prescrições pertinentes de regulamentos técnicos ou normas são cumpridas." E a definição do Inmetro : “procedimento que objetiva prover adequado grau de confiança em um determinado produto, mediante o atendimento de requisitos definidos em normas ou regulamentos técnicos.”

Segundo Baum (2006), em seu capítulo sobre ecologia organizacional no Handebook de Estudos Organizacionais, em muitas indústrias, organizações com propósitos especiais estabelecem certificações para avaliar produtos ou empresas e classificam os participantes de acordo com o desempenho em critérios pré-estabelecidos. Também segundo Baum, a certificação oferece um teste social comum de produtos e organizações que serve como um mecanismo de difusão social. Por aumentar as oportunidades de certificação e a difusão do conhecimento sobre a organização e seus produtos, essas competições estabelecem a identidade e legitimidade de um produto e seus produtores, baixando o risco de fracasso dos fabricantes (RAO apud BAUM, 2006).

Os preservativos masculinos são um produto com avaliação de conformidade compulsória, isto é, o sistema de fabricação ou o produto em si precisa ser avaliado obrigatoriamente antes que possa ser vendido no mercado ou distribuído gratuitamente no caso dos preservativos utilizados como insumo nas políticas governamentais do Ministério da Saúde.

Além disso, no processo de avaliação da conformidade de preservativos masculinos, entram dois outros tipos de instituições que precisam estar em conformidade com regulamentações, a saber: a) Laboratórios acreditados pelo Inmetro segundo a norma ABNT NBR ISO/IEC 17025:2005, pertencentes à Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios (RBLE) com escopo definido de ensaios em preservativos masculinos de borracha segundo à RDC nº 3/2002 e b) Organismos de Certificação de Produtos acreditados pelo Inmetro, de acordo com a norma ABNT NBR ISO/IEC Guia 65.

Em complemento às competições por certificados, um grande número de atividades de certificação e credenciamento sinaliza a confiabilidade, elevando a legitimidade sociopolítica das formas organizacionais, contribuindo para sua legitimidade cognitiva ao espalhar conhecimento sobre elas (BAUM & POWELL apud BAUM, 2006).

O Inmetro é o organismo responsável pelo Programa Brasileiro de Avaliação da Conformidade - PBAC. Este programa, conforme informado no documento de mesmo nome no site do Inmetro se constitui em um dos elementos do eixo “tecnologia industrial básica”, tornando-se valiosa ferramenta de apoio à Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior do País.


2.2Teorias normativas de stakeholders


O termo “Stakeholders” significa “parte interessada” e, foi utilizado pela primeira vez pelo americano R. Edward Freeman, no livro “Gerência estratégica: Uma aproximação da parte interessada” (PTIMAN apud OLIVEIRA, 1984). Como na própria tradução, dá-se a entender que Stakeholders são todos os componentes, internos ou externos, que são atingidos ou atingem de forma positiva ou negativa pelas ações que a empresa vem a praticar. A princípio toda empresa trabalha para agradar o seu púbico alvo, ou seja, os seus consumidores. Mais uma empresa com responsabilidade social não visa somente isso, ela procura englobar em seus atos todos aqueles que vêem a se influenciar, ganhando ou perdendo, pelas suas ações. São os chamados Stakeholders. “Responsabilidade Social Corporativa é o resultado da obrigação de uma empresa de prestar contas aos seus stakeholders sobre todas as suas atividades e operações com o objetivo de alcançar um desenvolvimento sustentável, não apenas em sua dimensão econômica, mas também nas dimensões social e ambienta ”(ALVES apud OLIVEIRA, 2006).

As principais diferenças entre definições estreitas e amplas do termo stakeholder são quando à natureza da preocupação com os interesses destes e a empresa. As visões mais estreitas do termo buscam definir grupos relevantes em função dos principais interesses econômicos, enquanto que as visões amplas são baseadas na realidade empírica de como as organizações podem ser afetadas ou podem afetar quase tudo e todos (MITCHELL et al apud BOAVENTURA et al, 2009).

A teoria dos stakeholders encontra na obra de Freeman (1984) sua base teórica, possuindo origens na sociologia, comportamento organizacional e administração de conflitos, em que os estudos empíricos predominam métodos qualitativos (BOAVENTURA et al, 2009).

A teoria dos stakeholders pode ser utilizada através de três aspectos diferentes pelas empresas: descritivo, instrumental e normativo. Segundo Boaventura, o aspecto descritivo ocorre quando a empresa utiliza o modelo para representar e entender as suas relações e papéis nos ambientes externo e interno; o instrumental é evidenciado quando o modelo é usado como uma ferramenta de gestão para os administradores e, finalmente o modelo normativo surge quando a administração reconhece os interesses de todos os stakeholders conferindo aos mesmos uma importância intrínseca.

As teorias normativas de stakeholders podem ser divididas em três tipos: 1º tipo – ideal da sociedade justa, 2º tipo – modifica leis e instituições e, 3º tipo – responsabilidade corporativa (HENDRY apud FRIEDMAN & MILES, 2006).

A Tabela 1 apresenta a classificação de Friedeman e Miles das teorias normativas de acordo com a divisão sugerida por Hendry.


Tabela 1 – Classificação das teorias normativas de stakeholders.


Tipo de Teoria

Teorias normativas

1º tipo

  • Ecologia e espiritualidade

  • Teorias Kantianas sobre stakeholders

  • Discurso Ético Habermasiano

  • Teoria dos Contratos Sociais Integrativos

  • Teoria Rawlsiana de stakeholders

  • Teoria do Bem comum

2º tipo

  • Teorias Feministas

  • Teorias normativas pós-modernas

  • Stakeholders como investidores

3º tipo

  • Direitos de propriedade

  • Paradoxo dos stakeholders

  • Políticas públicas

  • Teoria Aristotélica de stakeholders

Segundo Hendry (HENDRY apud FRIEDMAN & MILES, 2006), algumas das teorias de 1º tipo são baseadas em comunidades justas de stakeholders onde estes stakeholders são limitados de alguma forma, outras têm como base uma noção de sociedade justa, a qual transcende grupos particulares de stakeholders associados a qualquer organização particular focalizada. As teorias do 2º tipo requerem mudanças nas leis e instituições da sociedade para garantir melhor responsabilidade corporativa através dos stakeholders. Já as teorias do 3º tipo mantêm que os gerentes devem no mínimo tomar conta dos interesses dos stakeholders na firma, fornecendo sua existência legal e evidências institucionais.


3Integração entre stakeholders para implementação de processos de avaliação da conformidade


Para implantação de programas de avaliação da conformidade, o Inmetro definiu as seguintes orientações estratégicas:

  • Dar foco às questões ligadas à proteção do meio ambiente, bem como à saúde e à segurança do consumidor.

  • Desenvolver programas de avaliação da conformidade com a melhor relação custo-benefício para os segmentos impactados, selecionando o mecanismo de avaliação da conformidade em função do risco associado ao produto e do custo-benefício do programa como um todo.

  • Contribuir com o esforço de exportação, facilitando o acesso a mercados, bem como fortalecendo o mercado interno e propiciando a concorrência justa.

  • Facilitar aos Agentes Reguladores o exercício de suas atividades de regulamentação e fiscalização.

  • Informar, educar e conscientizar os diferentes segmentos da sociedade, quanto à importância da atividade.

  • Criar mecanismos facilitadores do acesso das micro e pequenas empresas aos programas de avaliação da conformidade.

  • Identificar, com a devida antecedência, as necessidades de infra-estrutura (padrões metrológicos, regulamentos, normas, laboratórios e organismos acreditados).

  • Criar e manter um sistema de acompanhamento e retroalimentação dos programas de avaliação da conformidade.

  • Criar e divulgar um sistema de gerenciamento de reclamações, apelações e denúncias, relativas aos programas de avaliação da conformidade.

  • Criar condições para que todos os agentes reguladores possam desenvolver seus programas de avaliação da conformidade em total sintonia com o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade.

  • Desenvolver a atividade de avaliação da conformidade em total sintonia e priorizando os recursos para ações que se alinhem à execução da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior do País.

Com a globalização da economia, as nações passaram a reconhecer a necessidade da criação de uma estrutura industrial cada vez mais efetiva, dispondo não somente de capital, tecnologia, energia e infra-estrutura, mas também de instituições e sistemas de normalização, de regulamentação, de metrologia e de avaliação da conformidade - AC. Os papéis desempenhados pelo Estado sofreram profundas transformações ao longo dos últimos anos.

A conseqüente mudança de atuação foi marcada pelo estabelecimento de ampla gama de políticas públicas e pelo exercício do poder de regulamentação, capaz de facilitar os fluxos de capital e de produtos. Por um lado o Estado, através da regulamentação, desempenha papel fundamental na defesa dos interesses da sociedade, pressionando e estimulando a atividade para o fortalecimento e desenvolvimento de normas, regulamentos técnicos e sistemas de avaliação da conformidade. Por outro lado, o surgimento dos blocos econômicos e a utilização sempre crescente de barreiras técnicas no comércio internacional e no cenário econômico mundial passaram a exercer grandes pressões e demandas nas atividades de avaliação da conformidade, que necessariamente devem ser consideradas quando da execução do PBAC.

Dentro dos blocos econômicos, deve aumentar a demanda das empresas para o aprimoramento dos programas de normalização e de avaliação da conformidade, objetivando facilitar e disciplinar os fluxos comerciais entre os países integrantes. A elaboração de normas, a realização de ensaios e a utilização de diferentes mecanismos de avaliação da conformidade constituem uma estratégia de política industrial do País para inserir os produtos brasileiros com competitividade no mercado internacional e prevenir-se da invasão de produtos estrangeiros com qualidade duvidosa. Visando alcançar essa competitividade no mercado internacional, torna-se necessário intensificar a revisão e a elaboração de normas e regulamentos técnicos, no sentido de simplificá-los, privilegiando o estabelecimento de requisitos essenciais, principalmente aqueles ligados às áreas de saúde, segurança e meio ambiente.

No espaço das ações e das relações econômicas não há impedimento prático para que normas sejam usadas como forma de dominação econômica, Álvaro Vieira Pinto (2005) alerta que os países avançados, ancorados no domínio das tecnologias da informação e comunicação, se apropriaram das normas como forma de exercer controle sobre aqueles ditos atrasados. No que se refere à ideologização da técnica, pode-se relacionar a disseminação das normas e a integração dos sistemas de gestão das organizações com o fenômeno da globalização em que as nações precisam dominar o mercado para fora de suas fronteiras ao mesmo tempo em que desejam guardar seu próprio mercado (RIBEIRO et al, 2007)

Os acordos de reconhecimento são ferramenta fundamental para as práticas recomendadas no Acordo de Barreiras Técnicas ao Comércio, da Organização Mundial do Comércio. Nesse contexto, o alinhamento às tendências internacionais (single voice, adequabilidade, participação etc.), a atuação efetiva em fóruns internacionais e os reconhecimentos multilaterais e internacionais do SBAC são pontos fortes, reconhecidos, da atividade de avaliação da conformidade no País.

4os stakeholders envolvidos no processo da avaliação da conformidade de preservativos masculinos


Como visto na seção anterior, para que o Inmetro consiga estabelecer um programa de avaliação da conformidade para determinado produto é necessário um entendimento entre todos os stakeholders envolvidos no processo.

De modo a tornar o processo mais visível foi elaborada a Figura 1, que procura demonstrar os principais stakeholders que gravitam em torno do produto preservativo masculino.



Figura 1 – Mapa da influência dos stakeholders no processo de avaliação da conformidade de preservativos masculinos.
Para cada um destes stakeholders, e de modo que possa ser estabelecido um programa de avaliação da conformidade que procure atender de forma justa o interesse de cada um destes, devem ser atendidas no mínimo as necessidades básicas e estabelecer a função de cada um, conforme descrito na Tabela 2.
Tabela 2 – Necessidades básicas dos stakeholders envolvidos no processo de avaliação da conformidade de preservativos masculinos.


Stakeholders

Necessidades básicas / Funções

Inmetro

  • Desenvolver programa de avaliação da conformidade

  • Acreditar laboratórios de ensaio

  • Acreditar organismos de Certificação de Produtos

  • Estabelecer normas / regulamentos

ANVISA

  • Estabelecer normas / regulamentos

  • Fiscalizar o produto

OMS

Ministério da Saúde

  • Diretrizes de Saúde para o Brasil

Programa Nacional DST/AIDS

  • Diretrizes de Saúde para o Brasil de modo a combater as DST e AIDS

Consumidores

  • Necessitam de produtos considerados seguros e eficazes

Fabricantes

  • Produtos que atendam ao mercado

Importadores

  • Produtos que atendam ao mercado

Organismos de Certificação de Produtos

  • Atendimento às regras estabelecidas pelo Inmetro para acreditação de Organismos de Certificação de Produtos

  • Avaliação de Empresas e produtos de modo a emitir licenças de produtos

Laboratórios de Ensaio

  • Atendimento às regras estabelecidas pelo Inmetro para acreditação de laboratórios de ensaio

  • Escopo acreditado nos ensaios relativos a preservativos masculinos – RDC nº 62/2008.

5conclusão


Embora o Brasil disponha, no âmbito do SBAC, de sistemas de acreditação e programas de avaliação da conformidade alinhados com as práticas internacionais, existem ainda várias oportunidades de melhoria. Entre elas, destaca-se a forma não-contínua e não devidamente orientada da participação brasileira em fóruns internacionais, as deficiências na divulgação das conclusões e recomendações ali adotadas e a fragilidade dos acordos voluntários. Um fator agravante é a capacidade reduzida de influência, por parte dos países do hemisfério sul em geral, sobre a maioria das decisões e propostas surgidas em tais fóruns. Atuando isoladamente, o Brasil fica com a sua responsabilidade aumentada.

De forma genérica, pretendem-se alcançar, no futuro, reconhecimentos multilaterais em fóruns internacionais e regionais de todos os programas de avaliação da conformidade considerados convenientes para o país. Na configuração de uma proposta consistente de estruturação e desenvolvimento de um sistema capaz de atender às demandas da sociedade brasileira, destacam-se duas etapas de fundamental importância. Uma delas é a definição de estratégias para ampliar a oferta e melhorar a qualidade do efetivo de recursos humanos e tecnológicos envolvidos na atividade de avaliação da conformidade. O estágio atual do país é o de carência de profissionais de nível superior e técnico especializado no tema avaliação da conformidade, inexistência da prática do ensino de conceitos de avaliação da conformidade nos níveis fundamental, médio e superior e fluxo restrito, no âmbito do Sistema, das informações atualizadas sobre suas práticas. Como estágio futuro, o Inmetro recomenda a existência de massa crítica de profissionais especializados em avaliação da conformidade, o ensino sistemático nas escolas fundamental, média e superior, como tema transverso e, o pleno compartilhamento, no âmbito do Sistema, de informações atualizadas sobre as práticas utilizadas no Brasil e no exterior.

Como meio de alcançar o estágio futuro desenhado pelo Inmetro, este artigo deixa como contribuição o papel dos gestores de cursos de nível superior em engenharia em ações estratégicas para disseminação dos conceitos e da importância da avaliação da conformidade, tais como: fomentar a criação de cursos de especialização em avaliação da conformidade, capacitar multiplicadores para divulgação dos conceitos ligados à avaliação da conformidade, introduzir conceitos de avaliação da conformidade no ensino superior, em articulação com o MEC, capacitar professores para o ensino de avaliação da conformidade, fomentar a criação de material didático adequado, em quantidade e qualidade, às necessidades de ensino da avaliação da conformidade e criar dispositivos para facilitar o fluxo e a disseminação do conhecimento em avaliação da conformidade no âmbito do Sistema.

referências bibliográficas

BOAVENTURA, J.M.G., CARDOSO, F.R., DA SILVA, E.S., DA SILVA, R.S. Teoria dos Stakeholders e Teoria da Firma: um estudo sobre a hierarquização das funções-objetivo em empresas brasileiras. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, São Paulo, V.11, n.32, p. 289-307, jul./set. 2009.

CHRISPINO, A. Políticas Públicas, Planejamento e Futuro – versão preliminar, Rio de Janeiro, 2008.

CLEGG, S.R., HARDY, C., NORD, W.R. Handbook de Estudos Organizacionais. Modelos de Análise e Novas Questões em Estudos Organizacionais. Volume 1 – São Paulo, Atlas, 2006.



DIRETRIZES CURRICULARES PARA OS CURSOS SUPERIORES DE ENGENHARIA. Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Superior, Resolução CNE/CES 11. Diário Oficial da União, Brasília, 04.09.2002. seção 1 p.32.

FRIEDMAN, A.L., MILES, S. Stakeholders: Theory and Practice. Oxford University Press, 2006.

PINTO, A. V. O conceito de Tecnologia. Volume I. Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 2005.

PRESERVATIVO MASCULINO – HOJE MAIS NECESSÁRIO QUE NUNCA! – Programa Nacional de DST/AIDS – Secretaria de Assistência à Saúde – Ministério da Saúde, 1997.

PROGRAMA BRASILEIRO DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE – PBAC. Disponível em: Acesso em: 12 jun. 2010.

RIBEIRO, M.F., XAVIER, L.S., PEIXOTO, J.A.A., DIAS, L.M.M. Análise de Integração de Sistemas de Gestão: uma proposta para técnica de enquadramento. Encontro Nacional de Engenharia de Produção – ENEGEP, 2007.



STAKEHOLDERS INTEGRATION TO IMPLANT CONFORMITY ASSESS OF PRODUTS: THE CONDONS EXAMPLE


Abstract: This document presents a critical vision of the socio-organizing phenomenal of the stakeholders integration to implant conformity assess activity, using like example the condoms compulsory certification. Verify also the paper of the graduation managers, engineering in particularly to disseminate the knowledge of this theme.
Key-words: stakeholders, conformity assess, condoms.

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