Interações pais – bebê pré-termo



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* Esta escala é considerada como sendo mais indicada para o bebê pré-termo



Anexo III - Observação da Dor no Bebê Pré-termo pelo NFCS

(Sistema de Codificação da Atividade Facial Neonatal)


Movimento Facial

0 Pontos

1 Ponto

Fronte saliente
Fenda palpebral estreitada
Sulco naso-labial aprofundado
Boca aberta
Boca estirada (horizontal ou vertical)

Ausente
Ausente
Ausente
Ausente
Ausente

Presente
Presente
Presente
Presente
Presente



Reações do bebê pré-termo frente à dor



Movimentos corporais exagerados: Posição anormal dos membros, /pescoço em extensão, dedos das mãos e/ou dos pés afastados, debater-se ou dar “golpes” com os membros; dorso em arco; protege a região dolorosa.

Inércia: (durante o procedimento doloroso ou logo após). Não resposta para o procedimento, inércia doloroso; flacidez /rigidez; imobilidade.


Anexo IV - Primeiras relações e idade gestacional

Ajude os pais a fazerem a descoberta dos atrativos do seu bebê durante a interação de forma prazerosa e descontraída

Idade gestacional

Sugestões

De 23 a 25 semanas

  1. Ajude os pais a descobrirem como o seu bebê se comunica - A interação olho a olho é significativamente limitada para essa faixa de idade gestacional. Podemos orientar os pais, dizendo-lhes que o seu bebê já é capaz de escutar suas vozes, sentir o cheiro deles e o cheiro do leite materno; que o bebê já possui sensibilidade em todo o corpo e que se sentirá reconfortado com a presença e o toque dos pais.

  2. Peça a mãe para colocar um tecido em contato com seus seios e quando os pais se ausentarem coloque esse tecido dentro da incubadora para o bebê sentir o cheiro do leite materno. O pai também pode deixar um tecido impregnado com o seu odor

  3. Explique aos pais a importância do sono profundo e do sono leve (ver anexo) que o sono é importante para ajudar o seu bebê a se repousar, crescer e desenvolver-se, mas que, a presença deles é importante ao lado bebê mesmo quando ele dorme.

  4. Oriente os pais sobre os estados de consciência do bebê (ajude-os a reconhecê-los).

  5. Se for possível manusear o bebê coloque-o com o rosto voltado para a direção dos pais, mesmo que ele esteja com os olhos fechados.

  6. Quando possível remova os óculos que protegem os olhos do bebê, para que os pais possam ver todo o rosto do seu bebê.

  7. Se você perceber que o bebê ainda não suporta ao mesmo tempo a voz humana e o tocado, oriente os pais para primeiro falar com o bebê e depois tocá-lo.

  8. Possa escutar as vozes de seus pais: evite outras vozes e ruídos ao lado do bebê, se possível, para que e mesmo escute as vozes de seus pais.

  9. Oriente os pais para falarem suavemente com o seu bebê.

  10. Reduza o excesso de luminosidade sobre os olhos do bebê, mesmo que estejam fechados.

  11. Ensine aos pais como observar os sinais de aproximação durante a interação. Ver a grade de sinais de auto-regulação/estresse e estafa

  12. Oriente os pais como minimizar os efeitos do estresse de seu bebê, como organizar o bebê, interromper um pouco a interação.

  13. Ensine aos pais a contenção facilitada (ou posição de conforto, E. N. Adamson-Macedo, 2002).

  14. Lembre aos pais que vê-los, interagir com eles, beneficiará o desenvolvimento do bebê, inclusive em nível neurológico, como mostra trabalhos nessa área.

De 26 a 27 semanas

  1. Siga as orientações que foram dadas antes e que possam ser úteis para essa faixa de idade gestacional.

  2. Com essa idade gestacional o bebê continua necessitando de suporte para reduzir o estresse e promover o sono. Explique aos pais a importância do sono para o bebê; que no momento a principal ocupação do seu bebê é dormir e ganhar peso e que isso é importante para o bebê. Relembre aos pais as competências interativas do bebê: ouvir, sentir o toque dos pais, sentir o cheiro destes.

  3. A interação olho-a-olho ainda é limitada, mas pode aparecer por curto lapso de tempo.

  4. Reduza o excesso de luminosidade sobre os olhos do bebê.

  5. Quando o bebê der sinais de que está acordando oriente os pais para falar docemente com o bebê.

  6. Quando o bebê abrir os olhos em resposta à voz dos pais oriente-os para interromperem a interação vocal e tentar o contato olho-a-olho. Informe-lhes que nessa faixa de idade gestacional o bebê só consegue ter um contato olho-a-olho por um curto espaço de tempo.

De 28 a 30 semanas

  1. Siga as orientações que foram dadas antes e que possam ser úteis para essa faixa de idade gestacional em função do estado do bebê.

  2. Informe aos pais que o estado de consciência no qual o bebê melhor interage e o estado 4: alerta inativo.

  3. Oriente os pais para ficarem no campo visual do bebê enquanto eles estão falando com ele, assim, o bebê começará a fazer uma associação entre o rosto dos pais e as suas vozes.

  4. Envolva o bebê em um tecido, deixando os braços e pernas na linha média do corpo, as mãos próximas à boca do bebê, as pernas fletidas.

  5. Se for possível coloque o bebê nos braços dos pais e em contato pele a pele (se o bebê estiver estável).

  6. Oriente-os para primeiramente olhar para o seu bebê; em seguida falar com ele e observar as pistas que o bebê fornece. Se os pais perceberem que o bebê tolera bem ficar no colo e ouvir a voz deles ao mesmo tempo, oriente-os para acrescentar mais um estímulo, como tocar o bebê. Se o bebê apresentar sinais de estresse oriente os pais para diminuir um dos estímulos.

  7. Oriente os pais para observar sempre as pistas que o bebê fornece para poderem acrescentar mais um estímulo.

  8. Peça aos pais para regular a interação de acordo com as capacidades do bebê no momento da interação, seguindo o ritmo ditado pelo bebê.

  9. Proteja os olhos do bebê do excesso de luz, isso ajudará o bebê a ficar com os olhos abertos.

  10. Veja as outras orientações que foram dadas neste texto para facilitar a interação do bebê com seus pais.




De 31 a 32 semanas

  1. Siga as orientações que foram dadas antes e que possam ser úteis para essa faixa de idade gestacional em função do estado do bebê.

  2. Nesse estágio, verifica-se um aumento do estado de consciência alerta inativo.

  3. Encoraje os pais a falarem com seu bebê.

  4. Utilize música (ver item sobre a música, lembrando que a música individualizada é mais indicada para o bebê pré-termo).

  5. Oriente aos pais para colocarem o seu bebê na posição vertical e proteger os olhos do mesmo do excesso de luminosidade – nessa posição ficará mais fácil para o bebê abrir os olhos.

  6. Estando o bebê na posição vertical com os olhos protegidos do excesso de luz, se os pais movimentam o bebê suavemente de um lado para o outro, ficará mais fácil para o bebê abrir os olhos. Para essa orientação leve em consideração não somente a idade gestacional do bebê, mas o seu quadro clínico.

  7. Uma gravação das vozes dos pais pode ser utilizada quando estes estiverem ausentes, mas deve ser usado com parcimônia e com uma pessoa presente para observar os sinais do bebê, o volume sonoro deve ser observado.

  8. Veja as outras orientações que foram dadas neste texto para facilitar a interação do bebê com seus pais.

De 33 a 35 semanas

  1. Siga as orientações que foram dadas antes e que possam ser úteis para essa faixa de idade gestacional em função do estado do bebê.

  2. Nessa idade gestacional é mais fácil para o bebê seguir um objeto, isso não significa que ele não o conseguirá com idade gestacional menor. Deve-se levar em consideração as diferenças individuais e o quadro clínico do bebê.

  3. As orientações do item anterior são válidas para essa faixa de idade gestacional.

De 36 a 38 semanas

  1. Siga as orientações que foram dadas antes e que possam ser úteis para essa faixa de idade gestacional em função do estado do bebê.

  2. Explique aos pais que nessa idade gestacional o seu bebê ficará mais tempo no estado de alerta inativo logo após o aleitamento materno ou entre as mamadas.

  3. O bebê segue melhor um objeto, isso não significa que ele não podia fazer antes.

  4. Encoraje os pais a falarem com o seu bebê de diferentes direções (mudando de posição) isso ajudará o bebê a vivenciar a voz dos pais vindo de várias direções e ajudará no seu desenvolvimento.

Nota: essas orientações destinam-se somente aos pais que necessitam de orientação. Para saber se os pais necessitam de orientação siga as dicas aqui apresentadas em seguida

Interações triádicas (pai-mãe-bebê)

Por vezes os pais tendem a interagir os dois ao mesmo tempo com o bebê, se você perceber que o bebê mostra sinais de estresse oriente os pais para que interaja um de cada vez. Oriente de forma natural, demonstrando empatia pelos pais. Se eles tendem, por vezes, a interagir os dois ao mesmo tempo, isso pode significar que eles estão contentes porque viram seu bebê com os olhos abertos, ou souberam que ele está melhorando, por exemplo.



Uma interação é feita de fazes interligadas entre elas


Uma interação é feita de várias fazes

Como podemos detectar dificuldades na interação?


Início

Regulação

Manutenção

Término
(Essas fases podem durar apenas alguns segundos).


  1. Observe e não intervenha antes que os pais usem seus próprios recursos para regular o seu comportamento aos sinais do bebê.

  2. Veja se os pais estão com dificuldade para iniciar, regular, manter ou terminar a interação.

  3. Se o bebê mostra sinais de estresse e necessita sair da interação: explique-lhes que o bebê sente necessidade de se repousar um pouco e que quando ele estivar se sentindo disponível para interagir novamente ele o fará.

  4. O estresse dos pais pode dificultar que estes entendam os sinais de seu bebê; lembre-se os pais encontram-se em um ambiente pouco familiar para eles e por vezes eles se sentem intimidados.

  5. Ajude-os discretamente.Veja as orientações que foram dadas nesse texto.

Anexo V - Ajudando o bebê a parentalizar seus pais

(contribuindo para o bebê conquistar seus pais e a fazer com que eles se sentirem competentes como pais)
Modelos de ficha que podem contribuir para uma intervenção no ambiente humano do bebê e ajudar no fortalecimento dos laços afetivos. Mas é importante que tenhamos em mente que os pais não devem ser forçados e, sim, encorajados a participar dos cuidados ao seu bebê.




Eu gostaria muito que meus pais ficassem comigo depois de um procedimento doloroso para me reconfortarem. Você poderia me ajudar para que isso aconteça?

Eu agradeço com um

beijo carinhoso.




Quer me fazer feliz?
Deixe que minha mãe ou meu pai me leve nos seus braços até a balança quando você for me pesar ou me dar banho.
Eu agradeço

com todo meu carinho.







Eu gostaria muito que minha mãe e meu pai começassem a participar, aos poucos, do meu banho, da minha troca de fraldas e do meu aleitamento materno por gavagem.
Meu beijo carinhoso

para todos

que estão cuidando de mim.

... converse comigo, estou com medo porque está muito escuro.’


- ‘ De que lhe servirá isso, já que você não pode me ver?’
- ‘Não faz mal, respondeu a criança, contanto que alguém fale, fica claro.”
Sigmund Freud


Anexo VI – Vários bebês para um pai e uma mãe – os bebês dos pais


Bebê Mítico – É o bebê da cultura, cada cultura possui seu bebê mítico. Quando você lembra, aos pais, das possibilidades positivas que o seu bebê terá, você pode estar, sem o saber, ajudando os pais a aproximarem o seu bebê real o máximo possível do bebê mítico, do bebê da cultura, isso pode contribuir para tranqüilizar os pais e permitir que eles possam, assim, melhor investir seu bebê real.
Bebê Fantasmático - É o bebê das profundezas do ser, é o bebê do inconsciente materno e paterno. Sendo o bebê fantasmático inconsciente, os pais não percebem que esse bebê fantasmático influencia o modo como eles vão cuidar do seu bebê. O bebê fantasmático é o bebê resultante dos cuidados que os pais receberam em sua mais tenra infância: ele tem como base principal as vivências dos pais como bebês e como crianças. Quando (por exemplo) colocamos o bebê na posição canguru, e a mãe, mesmo sabendo que o bebê está bem seguro pela faixa e, mesmo assim, ela busca com suas mãos dar um suporte carinhoso para o seu bebê – como se o protegesse com suas mãos - ela pode estar repetindo gestos e carinhos que recebeu quando era bebê e que ela guarda no seu inconsciente.

Bebê Imaginário – Os pais trazem também em suas cabeças um outro bebê, é o bebê imaginário, o bebê de seus sonhos e devaneios. O bebê que os acompanham também há muito tempo dentro de suas cabeças. É o bebê do desejo de ter filhos. Quando apresentamos o bebê real aos pais (ou seja, falamos de suas qualidades, seus pontos fortes, de suas competências interativas, sua luta pela vida, etc., podemos estar contribuindo para ajudar os pais a fazerem o luto do bebê imaginário e, assim, poderem conhecer melhor o seu bebê real e o investir).



AS MÃOS QUE SUSTENTAM O BEBÊ

Pelas mãos falamos ao bebê,
Nos comunicamos com ele.
O tato é a primeira linguagem,



A que precede
A outra linguagem
Ver e compreender...
Ver e após, sentir...

F. Leboyer (1996)





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