Introdução: Espaço vazio, prender atenção, olhar e ver



Baixar 45.72 Kb.
Encontro20.05.2018
Tamanho45.72 Kb.

O ESPAÇO VAZIO, A VISÃO E A CÂMERA

Justino Batista Pereira Neto

Departamento de Comunicação Social – UFRN

Resumo


Vemos o que queremos ver? O que faz alguém prestar atenção em algo e no quê prestamos atenção? A câmera capta imagens sem interpretações e sem preconceitos, o que a faz ter uma maior riqueza de recepção das informações. Atenção pode ser algo imediato, onde o receptor sente-se interessado por algo que o intrigue? Mas essa atenção pode ser facilmente interrompida por algo inesperado? Peter Brook em seu livro A porta aberta fala que “para se ter teatro, basta apenas existir um espaço vazio, alguém transitar por ele e alguém observar”. Para Peter, o ator consegue prender a atenção do espectador quando ele tem a capacidade de criar um espaço vazio, que é a capacidade do ator em levar o público à outra dimensão, um estado transitório que o ator deve estar em sintonia com a platéia e com a incorporação do personagem, ele deve ter a capacidade de levar o público a sair de seus mundos particulares e entrar na história da peça, imaginar estar em outro lugar. O ator deve estar em meio a duas dimensões, a da vida real, onde as pessoas a qualquer momento podem se desligar; e o mundo da imaginação da peça a qual ele esta atuando. Você ver o que você quer ver, se você não focar sua atenção para algo, várias coisas podem não serem observadas. É o olhar e ver. O escritor português José Saramago, abre seu romance "Ensaio sobre a cegueira" com uma frase: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Uma criança olha o adulto vê. Reconhecer é ver, captar é olhar. Perceba os olhos atentos de uma criança recém nascida. "Ao lado disso, o restante da nossa vida parece coisa de segunda mão ou emprestada, algo um tanto sem viço, usado, desgastado", diz André Comte-Sponville. O prazer de olhar e se maravilhar com o mundo é uma capacidade infantil já esquecida por muitos. Infelizes aqueles que descobriram o ver, a focar o que faz sentido, reconhecer e jogar fora o que não interessa.

Então, o que chama e prende a atenção de alguém? O que faz alguém olhar ou ver algo? Não existe um conceito, não obstante, a criação de um espaço vazio criado entre o emissor e o receptor mostra, mesmo que por um momento, o interesse e a atenção de alguém para alguma coisa.

Introdução


Espaço vazio, prender atenção, olhar e ver. O que faz prender a atenção de um receptor? Em quê prestamos atenção? O que nos faz prestar atenção em algo? Vemos o que queremos ver? Emissor e receptor. Atenção é algo imediato, o receptor sente-se interessado por algo que chama a sua atenção, mas essa atenção pode ser facilmente interrompida por algo inesperado. Intrigar, provocar, instigar, fazer alguém parar para observar. A questão do tempo e criação do texto. Fazer parar o mundo. A criação do espaço vazio e a capacidade do ator em criar a ligação com a platéia para prender a atenção. A câmera tem maior riqueza de recepção das imagens do que o homem, olhar e ver.
Na vida cotidiana, as pessoas conversam e discutem assuntos de uma forma coloquial, com fluidez de palavras, mas com redundâncias, repetições. Demora muito para se dizer algo. Um assunto que pode demorar 3h para ser compreendido, no teatro é preciso apresentar um texto fluido e objetivo, fazendo apenas cortes dos principais assuntos. No teatro e no vídeo é preciso ter cuidado com as palavras, pois elas  têm significados que em determinados momentos podem dar uma interpretação totalmente oposta da qual ela se propunha a transmitir. Uma só palavra pode ter vários significados dependendo do contexto e da entonação.
Quando estamos conversando não nos preocupados com o tempo, não nos preocupados que tem alguém esperando saber logo o assunto, não nos preocupamos que alguém pode se desligar e perder a compreensão da peça, que ela pode se tornar chata, entediante. Na conversa a gente vai e pede para repetir, sai do foco central várias vezes e retorna por que a conversa permite isso, na peça não tem essa liberdade por isso é extremamente importante a compreensão, a escolha das palavras e não simplesmente palavras, é necessário uma preocupação com as expressões com o movimento do corpo na hora do espetáculo, qualquer erro pode desviar, tirar o foco, é preciso acontecer uma relação bem intima do ator e público para que a peça tenha êxito.
Da mesma forma acontece no vídeo, cenas muito longas, demoradas desviam a atenção do espectador, ou seja, é preciso ter uma preocupação com o timing para não deixar o espectador se desconcentrar do foco principal que está sendo apresentado, é um sincronismo do emissor com o receptor, eles devem estar no mesmo tempo de ligação onde a apresentação não pode transmitir muita informação, pois pode sobrecarregar o receptor e ele se desinteressar e também não pode ser algo lento, demorado para não dar tempo do espectador se interessar por outra coisa alheia ao que está sendo apresentado.

A criação do espaço vazio e a capacidade do ator em criar a ligação com a platéia

Parar o tempo, o abismo, o espaço vazio. Andréia Copeliovitch diz que o ator é um guerreiro, ele busca a perfeição. Para acontecer teatro é necessário que haja o ator e a platéia. O abismo é como se fosse a página em branco do escritor, aquele mundo imenso de possibilidades, assombroso e fantástico, onde tudo pode acontecer, onde há surpresas boas ou ruins. Estar frente ao abismo é a incerteza, é o futuro incerto, é apesar de ter ensaiado as falas, movimentos, expressividades, a incerteza de que pode não acontecer como o planejado. O espaço vazio não significa sem elementos, não quer dizer um palco vazio sem cenário, o espaço vazio significa a capacidade do ator de eliminar os elementos que possam vir a atrapalhar desvirtuar a encenação. É você/platéia sair do seu tempo cotidiano e entrar no espaço, no mundo em que o ator está atuando. No teatro é preciso criar um espaço vazio, o ator deve desenvolver uma habilidade para conseguir levar a platéia à outra dimensão e compreender em segundos que ele estava no mar e de repente o cenário mudou completamente e agora ele se encontra em frente a um enorme palácio.

Quando você está no centro de uma cidade, com muita gente andando para todos os lados, cheio de prédios, carros buzinando, ambulantes. Em uma determinada parte daquele ambiente está uma pessoa imóvel pintada de uma cor metálica, (aquelas pessoas que fingem ser uma estátua), a partir do momento em que as pessoas começam a parar para prestar atenção naquela pessoa, criou-se ali, uma relação de ator e platéia. A pessoa que parou pra ver, passa a estar em um tempo diferente do cotidiano, é uma quebra no tempo dela que pode transportar-la para outro mundo. Quando as pessoas param para contemplar e fica uma relação de ator e platéia, aquele momento pode ser considerado o surgimento de um mundo.

O espaço ficou vazio no sentido que todos os elementos do centro urbano que não tem sentido para a encenação do ator foram ignorados, são isolados, pois não precisam estar ali, eles atrapalham, mas se o ator for um guerreiro ele consegue eliminar todos os elementos que possam vir a atrapalhar seu trabalho. As pessoas passando apressadas, os carros, barulhos, essas coisas ficam em segundo plano. O ator tornou o espaço vazio eliminando o que não interessava, prendeu a atenção do público dando uma quebra no tempo de quem estivesse passando por ali e parou para assistir.

Parar o mundo não é parar o sistema de rotação e translação da terra. Nem muito menos parar o mundo no sentido de ficar todo mundo parado, estátua. Parar o mundo? Um termo muito audacioso, e na verdade é. O mundo pode ser um contexto de um grupo, pode ser o mundo em que alguém vive. Em determinado momento do livro Viagem a Ixtlan Castaneda percebe que um inseto não se importava com a presença dele. Ele ficava olhando para o inseto bem próximo e o inseto continuava fazendo suas coisas. Nesse momento ele teve um raciocínio que Dom Juan sempre falava, mas ele não conseguia compreender. Estava ele e o besouro no meio do deserto, no mesmo lugar, mas em mundos diferentes, em propósitos, idéias, necessidades, diferentes, em mundos diferentes, no mesmo lugar, no mesmo espaço, mas em dimensões distintas. as pessoas podem ser vizinhas, se falam, mas podem viver em mundos diferentes. Como? Cada um tem suas crenças, desejos, objetivos, destinos, trabalham e freqüentam lugares diferentes uma da outra, tem opiniões diferentes sobre uma mesma coisa, daí elas vivem em mundos diferentes, visões diferentes sobre uma mesma coisa. Parar o mundo significa mudar. Uma mudança. Mas uma mudança verdadeira, não uma mudança temporária. Fazer com que a opinião de antes confronte com uma nova concepção de mundo e faça com que a antiga seja banalizada. Einstein com sua formula E = M.C2, parou o mundo, fez as pessoas mudarem suas concepções sobre as coisas, sobre a física clássica. O espaço vazio faz você criar um mundo da imaginação na sua mente, é a ligação intima do ator com a platéia. Quando a platéia está um pouco desinteressada pelo espetáculo e acontece algo inesperado, um corte, um grito, ou até mesmo um erro, e a partir dali a platéia sente mais interessada, pode se dizer que essa quebra foi o surgimento do mundo, parou o mundo, e fez com que o universo antes cansativo e nada atraente, se torna interessante, algo que intrigou passa a chamar atenção da platéia.


“O teatro não deve ser chato. Não deve ser convencional. Tem que ser inesperado. O teatro nos leva à verdade através da surpresa, da excitação, dos jogos, da alegria... O que importa é a verdade do momento presente, a convicção absoluta que só pode surgir quando o intérprete e o público formam uma só unidade. E ela aparece quando as formas transitórias atingem seu objetivo e nos levam àquele momento único e irrepetível em que uma porta se abre e nossa visão se transforma.” (BROOK, 2000)
Olhar e ver:

Vemos o que queremos ver? O que faz alguém prestar atenção em algo e no quê prestamos atenção? As câmeras vêem mais do que os seres humanos, porque elas não fazem interferências nas coisas, ela capta o que está diante delas sem jogarem seus contextos, suas origens e conceitos, suas interpretações e conhecimentos de mundo e de interesses, o que as fazem ter maior riqueza de recepção das informações. Quando você está com pressa parece ser mais difícil achar, encontrar algo que está na sua frente, ao alcance de suas mãos, como isso pode acontecer, o que acontece com a nossa percepção, nossa capacidade de identificar as coisas? Vamos supor que você mora sozinho,você sai de casa e percebe que esqueceu sua bolsa de dinheiro, por exemplo, e tem que voltar em casa para pegar a tal bolsa, você procura ela e não acha de forma alguma, procura na casa toda e não vê a bolsa, desiste de procurar. Em outro momento quando retorna para casa, mais calmo, a bolsa se encontra em cima do sofá. Como não vemos algo que está diante de nós? O que explica isso? O que faz você ir a um determinado lugar, um aniversário, por exemplo, com seu amigo, e no outro dia seu amigo comenta, - A Patrícia é muito simpática, sorridente você não acha? Ai você responde, - Quem? A Patrícia, você não lembra? Ela ficou conversando com a gente por muito tempo, ela tava com uma roupa blábláblá. E você não lembra de forma alguma da tal Patrícia. O que faz isso acontecer, você até conversou com a pessoa, mas como você não se lembra dela? Você ver o que você quer ver, mas se você não focar sua atenção para algo, ela passa facilmente despercebida por você. É o olhar e ver. O escritor português José Saramago, abre seu romance "Ensaio sobre a cegueira" com uma frase: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." Essas duas palavras podem ser utilizadas como sinônimos, mas deve se compreender que existe uma diferença entre elas. O verbo olhar significa o ato de fixar os olhos em alguma coisa ou situação, é o sentido mecânico, olhar é captar. Quando utilizamos o verbo ver, em sentido próprio, queremos expressar além do ato de fitarmos uma miragem, mas de estabelecer uma relação de conhecimento por meio do sentido da visão. Por isso não há como não reparar quando objetivo é ver. Uma criança olha o adulto vê. Reconhecer é ver, captar é olhar. Perceba os olhos atentos de uma criança recém nascida. "Ao lado disso, o restante da nossa vida parece coisa de segunda mão ou emprestada, algo um tanto sem viço, usado, desgastado", diz André Comte-Sponville. O prazer de olhar e se maravilhar com o mundo é um capacidade infantil já esquecida por muitos. Infelizes aqueles que descobriram o ver, a focar o que faz sentido, reconhecer e jogar fora o que não interessa.


“Olho e não vejo. Está lá mas não reconheço. Porque minha atenção se volta toda para aquilo que, no olhar, reconheço. O brilho do que vejo ofusca o resto e me cega. Aprender a ver, desaprender a olhar.” (http://jaime-wagner.blogspot.com/ acessado em 19/09/2007 - Olhar e Ver)
Olhar sem interpretações, sem preconceitos, pois isso faz eliminar e bloquear coisas ocultas, olhar para contemplar e descobrir novas formas. O ver/reconhecer nos bloqueia a descobrir novas coisas, estamos em meio a um mundo de imagens que muitas vezes não temos compreensão e por isso dizem que vemos e não vemos, olhamos e não olhamos.

“O olhar está, em se tratando do uso filosófico do conceito, ligado à contemplação, termo que usamos para traduzir a expressão Theorein, o ato do pensamento de teor contemplativo, ou seja, o pensar que se dá no gesto primeiro da atenção às coisas até a visão das idéias tal como se vê na filosofia platônica. Paul Valéry disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver. Dirá Lacan: ver é perder. Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo. O que se mostra só se mostra por que não o vemos. Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver. Uma obra de arte não nos deixa ver. Ela nos faz pensar. Então, olhamos para ela e vemos.” (TIBURI, 2008)


Ver é reconhecer a imagem, o visual. Olhar é dar maior atenção, procurar por mais detalhes da imagem. Existe a frase "O pior cego é aquele que não quer ver". O que significa que, embora as imagens sejam claras, a pessoa se nega a identificar o que foi exposto porque, talvez, seja desagradável o reconhecimento.

A câmera não tem a capacidade de distinguir olhar ou ver, ela apenas capta o que estiver a sua frente. Ela consegue captar muito mais coisas por não jogar interpretações, ou maior interesse em determinada coisa. O que acontece é o direcionamento do vídeomaker no que capta e de que forma o faz. A pessoa que direciona a câmera é que pode de alguma forma captar coisas de seu interesse e ainda na pós-produção selecionar cortes feitos na edição que sejam de sua vontade.

Objetivos
Falar sobre a arte do vídeo a partir de referenciais do teatro. Refletir sobre o espaço vazio e o que prende a atenção do espectador? 

Metodologia

Pesquisa em livros, filmes e peças de teatro, interligando diversos autores e diretores sobre suas opiniões de como criar o espaço vazio e chamar a atenção de alguém.

 

 



Resultados
Desenvolver um questionamento sobre formas de captar a imagem e envolver a atenção do expectador de forma a contribuir para a reflexão sobre a arte do vídeo tanto no sentido de compreender o que é este olhar da Câmera, quanto buscando melhores formas de utilização deste instrumento e de construção dessa forma artística.

Conclusão


Vemos o que queremos ver, mas às vezes não sabemos o que queremos e somos pegos de surpresa interessados por algo que não sabíamos. É o que Brook diz no seu livro A porta aberta. É necessário ousar, experimentar para ver o que pode funcionar ou não, essa faze caótica tem uma grande importância para a forma final de algo, seja de uma peça ou um vídeo. É necessário que haja uma consciência para saber até que ponto deve-se ficar experimentando para não sair do foco, tem que ter um propósito, e cabe ao diretor definir até que ponto ele pode ficar nessa fase de busca pelo desconhecido, para achar algo que faça sentido e que o agrade, a forma que ele não conhecia, mas que buscava sem saber o que era. Através da prática vamos conhecendo e desbravando os mistérios. Preparar emocionalmente para as quebras que serão inevitáveis na vida. Treinamento e persistência. O caminho é longo e doloroso. Experimentar inúmeras possibilidades para se chegar ao objetivo pensado inicialmente. E após tudo no final você pode ver que seu objetivo não tem nada a ver e ter que começar tudo de novo do ponto zero.

O diretor deve saber que o caos só é útil se levar a ordem. Ele deve ter o que Brook chama de “pressentimento sem forma” fica experimentando várias ordens, questões de visibilidade, variedade, ritmo – tudo isso deve ser observado de modo estritamente prático e profissional. O diretor deve escutar e ver dentro si o processo oculto, várias formas o deixam insatisfeito, e quando ele vê uma forma, ou um som oculto que ele não conhecia, mas que o satisfaz, mostra que é esse o sentido de experimentar, varias possibilidades para se achar algo. Geralmente durante as experimentações ele pode achar a forma oculta que estava procurando. “É um processo que muda a todo instante não é um processo de confusão, mas de crescimento. Esta é a chave. Este é o segredo. Como vêem não há segredos.”(BROOK, 2000: 70)

Referências bibliográficas
BROOK, Peter. A porta aberta. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

CASTANEDA, Carlos. The teachings of Don Juan: a Yaqui way of knowledge. New York: Ballantine, 1970

________ . Viagem a Ixlan. Rio de Janeiro: Record, 1982.

COMTE-SPONVILLE, André. Pequeno tratado das grandes virtudes. Disponível em: . Acesso em: 20 set. 2008.

COPELIOVITCH, Andrea. O ator-guerreiro frente ao abismo. São Paulo: USP, 1998. (Tese de doutorado).

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 310p.

TIBURI, Márcia. Aprender a pensar é descobrir o olhar. Disponível em: . Acesso em: 01 out. 2008.

WAGNER, Jaime. Olhar e Ver. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2008.



Resumo

Vemos o que queremos ver? O que faz alguém prestar atenção em algo e no quê prestamos atenção? A câmera capta imagens sem interpretações e sem preconceitos, o que a faz ter uma maior riqueza de recepção das informações. Atenção pode ser algo imediato, onde o receptor sente-se interessado por algo que o intrigue? Mas essa atenção pode ser facilmente interrompida por algo inesperado? Peter Brook em seu livro A porta aberta fala que “para se ter teatro, basta apenas existir um espaço vazio, alguém transitar por ele e alguém observar”. Para Peter, o ator consegue prender a atenção do espectador quando ele tem a capacidade de criar um espaço vazio, que é a capacidade do ator em levar o público à outra dimensão, um estado transitório que o ator deve estar em sintonia com a platéia e com a incorporação do personagem, ele deve ter a capacidade de levar o público a sair de seus mundos particulares e entrar na história da peça, imaginar estar em outro lugar. O ator deve estar em meio a duas dimensões, a da vida real, onde as pessoas a qualquer momento podem se desligar; e o mundo da imaginação da peça a qual ele esta atuando. Você ver o que você quer ver, se você não focar sua atenção para algo, várias coisas podem não serem observadas. É o olhar e ver. O escritor português José Saramago, abre seu romance "Ensaio sobre a cegueira" com uma frase: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."



Uma criança olha o adulto vê. Reconhecer é ver, captar é olhar. Perceba os olhos atentos de uma criança recém nascida. "Ao lado disso, o restante da nossa vida parece coisa de segunda mão ou emprestada, algo um tanto sem viço, usado, desgastado", diz André Comte-Sponville. O prazer de olhar e se maravilhar com o mundo é uma capacidade infantil já esquecida por muitos. Infelizes aqueles que descobriram o ver, a focar o que faz sentido, reconhecer e jogar fora o que não interessa.

Então, o que chama e prende a atenção de alguém? O que faz alguém olhar ou ver algo? Não existe um conceito, não obstante, a criação de um espaço vazio criado entre o emissor e o receptor mostra, mesmo que por um momento, o interesse e a atenção de alguém para alguma coisa.

Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal