Ix congresso de Iniciação Científica da UniRV/2015 issn 2179-0574



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Associação de sorgo e braquiária na entrelinha na safrinha
Gabriel Gonçalves Costa Siqueira1, Eduíno Pacheco Neto2, Gabriel Almeida Lemes1, Larissa Pacheco Borges3, Maria Mirmes Paiva Goulart3, Alessandro Guerra da Silva4
1 Graduando do curso de Agronomia, Universidade de Rio Verde.

2 Engenheiro Agrônomo graduado pela Universidade de Rio Verde.

3 Bolsista FAPEG, doutoranda em Ciências Agrárias - Agronomia, Instituto Federal Goiano, Rio Verde.

4 Orientador, Prof. Dr. da Faculdade de Agronomia, Universidade de Rio Verde. silvaag@yahoo.com.br
Resumo: Atualmente, na região do Centro-Oeste há uma grande dificuldade dos produtores na formação e manutenção de biomassa no sistema de plantio direto. Sendo assim, objetivou-se com esse trabalho avaliar a influência, na safrinha, da densidade de semeadura de Urochloa ruziziensis consorciadas na entrelinha com sorgo granífero para se obter maiores rendimentos de grãos de sogro e biomassa. O experimento foi implantado a campo na safrinha de 2015 em Rio Verde-GO. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, em esquema fatorial, com quatro repetições, e seis tratamentos correspondendo ao consórcio na entrelinha da Urochloa ruziziensis com cinco densidades de sementes da Urochloa ruziziensis (2, 4, 6, 8 e 10 sementes puras viáveis), além do monocultivo de sorgo. Foram avaliados o rendimento de grãos de sorgo, o rendimento de massa seca de cada cultura bem como o somatório das mesmas para quantificação da produção de palhada. Os resultados permitiram constatar que não houve redução significativa no rendimento de grãos de sorgo. Os rendimentos de biomassa tanto de braquiária como de sorgo e braquiária aumentaram com o acréscimo de sementes de Urochloa ruziziensis.
Palavras-chave: biomassa, forragem, Sorghum bicolor
Association of sorghum and braquiária in the inter-rows in off-season
Abstract: Currently, in the Brazilian Midwest, a great difficulty for producers in the formation and maintenance of biomass in the no-tillage system. Therefore, the objective of this work was to evaluate the influence, in off-season, of the seeding density of Urochloa ruziziensis, intercropped in inter-rows with grain sorghum to obtain higher yields of father-in-law and biomass grains. The experiment was deployed to the field in the outbreak of 2015 in Rio Verde-GO. The experimental design was a randomized block design with four replications and six treatments corresponding to the consortium in inter-rows of Urochloa ruziziensis with five seed densities of Urochloa ruziziensis (2, 4, 6, 8 and 10 seeds pure), in addition to sorghum monoculture. The sorghum grain yield, the dry mass yield of each crop as well as the sum of the same were evaluated for quantification of straw production. The results showed that there was no significant reduction in sorghum grain yield. The biomass yields of both brachiaria and sorghum and brachiaria increased with the addition of viable seeds of Urochloa ruziziensis.
Keywords: biomass, forage, Sorghum bicolor
Introdução

Em virtude da crescente demanda do milho no Brasil, novas alternativas para a alimentação de ruminantes vêm sendo buscadas. Entre as culturas produtoras de grãos, destaca-se o sorgo granífero, pelo valor nutritivo semelhante ao do milho, menor custo de produção e pela boa adaptação a diferentes ambientes, principalmente onde ocorrem déficits hídricos (Cysne; Pitombeira, 2012).

As gramíneas forrageiras, como as braquiárias destacam-se como alternativas para emprego nos sistemas de rotação, sucessão ou consorciação de culturas no cerrado. Além do sorgo, as espécies de braquiária também possuem excelentes adaptações aos solos dessa região, são de fácil estabelecimento e apresentam considerável produção de biomassa, proporcionando cobertura vegetal para o sistema de plantio direto (Timossi, et al., 2007).

Na região sudoeste de Goiás, como há uma alta demanda de grãos e, grande dificuldade dos produtores na formação e manutenção da palhada na entressafra para a manutenção do sistema plantio direto, houve a necessidade de inovar técnicas com possíveis retornos econômicos (Borghi; Crusciol, 2007; Horvathy Neto et al., 2012).


Uma alternativa para produção de grãos e maior quantidade de forragem na entressafra seria a adoção do sistema de consorciação de culturas. O sorgo safrinha, cultivado em consórcio com uma espécie forrageira, pode fornecer quantidade e qualidade ideais de palha para cobertura do solo, proporcionando maior tempo de solo coberto e com isso maior benefício à soja cultivada em sucessão (Ceccon et al., 2009).

O consórcio de sorgo granífero e braquiária na entrelinha, em período de safrinha, pode ser uma técnica de cultivo viável para o sistema plantio direto tendo em vista produção de grãos, massa seca (biomassa) e proteína bruta (forragem) na entressafra. Entretanto neste consórcio pode ocorrer competição entre as plantas ocasionando a diminuição do rendimento de grãos do sorgo (Silva et al., 2014). Nesse contexto, o conhecimento do comportamento e dos fatores de competição dessas plantas é de suma importância para o bom desenvolvimento da forrageira e produção de grãos de sorgo.

Portanto, o objetivo desse trabalho é identificar, na safrinha, a densidade de semeadura de U. ruziziensis consorciadas na entrelinha com sorgo granífero para se obter maiores rendimentos de grãos de sorgo e biomassa.
Material e Métodos

O experimento foi instalado a campo no município de Rio Verde-GO na safrinha de 2015. O solo da área experimental foi classificado como Latossolo Vermelho distrófico. Os resultados da análise química da amostra de solo da área do ensaio foram: pH em CaCl2: 4,7; Ca, K, Mg, Al, H+Al, CTC e SB: 1,50; 0,16; 1,01; 0,30; 5,7; 8,4 e 2,7, respectivamente, em cmolc dm-3; P: 7,7 mg dm-3; saturação de bases e de alumínio: 32,3 e 8,5%.

O delineamento experimental empregado foi o de blocos casualizados, com quatro repetições, e seis tratamentos correspondendo à semeadura da braquiária na entrelinha do sorgo, com cinco densidades de sementes viáveis por metro quadrado (2, 4, 6, 8 e 10), acrescido do tratamento sem braquiária (monocultivo do sorgo). A espécie de braquiária utilizada foi a Urochloa ruziziensis e o híbrido de sorgo utilizado foi o BRS 330, escolhidos em virtude da grande demanda para uso na região Centro-Oeste. O espaçamento utilizado para o sorgo foi de 0,5 m entrelinhas, tendo as parcelas sete linhas de 6,0 m de comprimento, descartando 0,5 m nas extremidades da parcela e uma linha de bordadura de cada lado.

Aos sete dias antes da implantação do ensaio, foi realizado o manejo das plantas daninhas. A semeadura do sorgo foi realizada de forma mecânica. Nas entrelinhas, para semeadura da braquiária, os sulcos foram formados de forma manual na profundidade de 2 cm. A semeadura de ambas as culturas foi realizada no dia 13 de março, a 2 cm de profundidade. Para o cálculo de quantidade de semente de braquiária a ser utilizada por parcela utilizou-se valor cultural (VC), o peso de sementes (PS), tamanho total da parcela (TTP) e número de sementes viáveis por m² (NSV), empregando a expressão [(PS x NSV x TTP x 100) / (VC)]. Foi determinado o peso de mil sementes e dividido por 1000.

Em consórcio, somente o sorgo foi adubado, utilizando 300 kg ha-1 de 02-20-18. Aos 25 dias após a emergência (DAE) ao lado da linha de semeadura do sorgo, foi empregado 100 kg ha-1 de N na forma de uréia. Foi feito o desbaste do sorgo obtendo uma população de 180 mil plantas ha-1. O controle das plantas daninhas em pós-emergência foi realizado por meio de duas capinas manuais aos 20 e 35 DAE.

A colheita do sorgo ocorreu aos 125 DAE, sendo avaliado na área útil das parcelas, o rendimento de grãos. A braquiária permaneceu no campo até 101 dias após a colheita do sorgo, momento em que se realizou a avaliação de massa seca. Também nesta mesma época, foi avaliado o rendimento de massa seca total pela coleta, em 1m2 da massa vegetal do sorgo e braquiária com uso de um quadrado de ferro de 1,0 x 1,0 m, determinando o peso seco e, em seguida, o rendimento de massa seca total.

A análise estatística para todas as características foi realizada primeiramente com análise de variância. Foi realizada a análise de regressão para comparação das médias de densidades de sementes por m², quando constatada significância pela análise de variância.
Resultados e Discussão

Pelos resultados obtidos, pode-se observar que as densidades de braquiária no consórcio não causaram redução significativa no rendimento de grãos de sorgo, principalmente quando comparados com o monocultivo de sorgo (testemunha) (Tabela 1). Isto é justificado pelo fato do consórcio da braquiária ter sido realizado na entrelinha do sorgo, minimizando assim a competição por água, luz, nutrientes e espaço físico, como comprovado em outros trabalhos de sorgo e braquiária consorciados na entrelinha (Silva et


al., 2014). Este fato demonstra que o consórcio de sorgo granífero com U. ruziziensis na entrelinha, na safrinha, em condições de cerrado é uma técnica viável, uma vez que além da possibilidade de produção de grão sem redução no rendimento, permite a formação de palha para o sistema de semeadura direta (Mateus et al., 2011).

Na análise do rendimento de massa seca de sorgo os resultados obtidos permitiram constatar que, o rendimento de massa seca no consórcio foi inferior ao do monocultivo, porém sem diferença estatística entre os tratamentos (Tabela 1).


Tabela 1. Resultados da análise de variância e valores médios das variáveis rendimento de grãos de sorgo (RGS), rendimentos de massa seca de sorgo (RMSS), braquiária (RMSB) e total (RMST) do ensaio de consórcio na entrelinha com cinco densidades de Urochloa ruziziensis na safrinha em Rio Verde-GO


Densidade de sementes

RGS

RMSS

RMSB

RMST

----(kg ha-¹)----

0

5.404

2.220

-

2.220

2

5.475

1.907

1.040

2.947

4

5.056

1.982

1.313

3.295

6

5.128

1.965

1.415

3.380

8

5.094

1.900

1.822

3.722

10

5.241

1.787

1.590

3.337

Médias

5.198

1.908

1.436

3.344

Densidade

ns

ns

*

*

CV (%)

5,43

8,72

36,67

17,80

* e ns: Significativo a 5% de probabilidade e não significativo pelo teste de F, respectivamente.
Já para a braquiária, o rendimento de massa seca foi proporcional ao incremento de sementes de U. ruziziensis. Evidenciou-se assim a menor competição entre as espécies do consórcio quando se avalia este rendimento de massa seca. Isto evidencia a baixa interferência que a forrageira sofre em seu desenvolvimento quando consorciada, mesmo sendo cultura secundária no consórcio (Figura 2).

Em todas as associações do consórcio verificaram-se rendimentos de massa seca total superiores aos monocultivos de sorgo, evidenciando o acréscimo de biomassa da forrageira no consórcio (Figura 3). A palhada produzida proporciona para o solo um ambiente extremamente favorável ao crescimento vegetal, contribuindo para a estabilização da produção e para a recuperação ou manutenção das características e propriedades físicas, químicas e biológicas do solo (Mello et al., 2004). Com isso, é possível que sua qualidade seja melhorada, além de manter a umidade e auxiliar no controle de plantas daninhas. Semelhante ao observado em outros trabalhos de consórcio na safrinha em condições de cerrado (Horvathy Neto et al., 2014; Silva et al., 2014), a produção conjunta de massa seca de sorgo e braquiária para o sistema semeadura direta pode ser considerada vantajosa quando comparada aos valores obtidos em monocultivo das espécies consorciadas.

Além do mais, o consórcio na entrelinha com as plantas de braquiária é uma estratégia cultural para minimizar a competição destas com as plantas de sorgo, dado que nesta associação de culturas, não há registro de nenhum herbicida seletivo para o sorgo que suprime o crescimento das plantas de braquiária (Silva et al., 2014).


Figura 2. Análise de regressão da variável RMSB com 101 dias após a colheita de sorgo, no sistema de semeadura de cinco densidades de U. ruziziensis na safrinha em Rio Verde-GO.




Figura 3. Análise de regressão da variável RMST com 101 dias após a colheita de sorgo, no sistema de semeadura de cinco densidades de U. ruziziensis na safrinha em Rio Verde-GO.


Conclusão

A associação da U. ruziziensis com o sorgo granífero não ocasiona redução no rendimento de grãos de sorgo. O incremento na densidade de sementes de braquiária no consórcio permite maior rendimento de massa seca total. Todas as associações do consórcio são mais efetivas em produzir massa seca na entressafra em relação aos monocultivos de sorgo.


Agradecimento

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) pela concessão de bolsa de estudo do quarto e quinto, autores.


Referências Bibliográficas

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HORVATHY NETO, A. SILVA, A. G.; TEIXEIRA, I. R.; COSTA, K. A.P.; ASSIS, L. R. Consórcio de sorgo granífero e braquiária na safrinha para produção de grãos e forragem. Revista Caatinga, Mossoró, v. 27, n. 3, p. 132-141, 2014.
MATEUS, G. P.; CRUSCIOL, C.A.C; BORGHI, E.; PARIZ, C. M.; COSTA, C.; SILVEIRA, J. P. F. Adubação nitrogenada de sorgo granífero consorciado com capim em sistema de plantio direto. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 46, n. 10, p. 1161-1169, 2011.
MELLO, L. M. M.; YANO, E. H.; NARIMATSU, K. C. P.; TAKAHASHI, C. M.; BORGHI, E. Integração agricultura-pecuária em plantio direto: produção de forragem e resíduo de palha após pastejo. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v. 24, n. 1, p. 121-129, 2004.
SILVA, A. G.; MORAES, L. E.; HORVATHY NETO, A.; TEIXEIRA, I. R.; SIMON, G. A. Consórcio sorgo e braquiária na entrelinha para produção de grãos, forragem e palhada na entressafra. Ceres, Viçosa. v. 61, n. 5, 2014.
TIMOSSI, P. C.; DURIGAN, J. C.; LEITE, G. J. Formação de palhada por braquiárias para adoção do sistema plantio direto. Bragantia, Campinas, v. 66, n. 4, p. 617-622, 2007.



XII Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Rio Verde - ISSN 2179-0574




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