James Van Praagh Espíritos Entre Nós 2009 Sextante introduçÃO



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James Van Praagh
Espíritos Entre Nós
2009

Sextante
INTRODUÇÃO


Você está lendo este livro porque tem muita curiosidade sobre os espíritos, a comunicação com eles ou a vida após a morte. O interesse por esses assuntos é enorme nos dias de hoje. Um número cada vez maior de pessoas deseja ter conhecimentos aprofundados sobre o tema. Acredito que a sociedade evoluiu espiritualmente, a ponto de abandonar noções pré-concebidas e de abrir a mente para entender a verdade sobre o mundo que chama de espiritual. Quando o meu primeiro livro, Conversando com os espíritos, chegou ao topo da lista dos mais vendidos do jornal New York Times, em 1997, foi considerado um verdadeiro fenômeno editorial. Sua modesta tiragem de 6 mil exemplares subiu rapidamente para 600 mil nos dois meses seguintes. Atribuo o início desse sucesso à minha participação no programa de entrevistas Larry King Live, do canal CNN, no dia 13 de dezembro de 1997. Foi a primeira vez que um médium apareceu como convidado no programa de Larry e que mensagens vindas dos mortos foram transmitidas para uma audiência internacional. As linhas telefônicas ficaram congestionadas enquanto eu estava no ar, e as pessoas continuaram ligando dias depois da transmissão do programa. Isso fez com que os produtores me convidassem a voltar duas semanas depois e que eu fosse chamado para dar entrevistas em todos os principais programas de TV e rádio dos Estados Unidos. Era claro que eu tinha acertado um ponto sensível. A todos os lugares aonde ia, as pessoas queriam saber se seus parentes falecidos estavam ao seu redor, o que eles estavam fazendo e se eu via pessoas mortas o tempo todo. Muitos me abordavam para compartilhar suas próprias experiências de comunicação com espíritos. Era como se o livro tivesse dado às pessoas o direito de falar sobre um assunto até então considerado tabu. Da noite para o dia, conversar com os mortos virou o tema da moda. Médiuns começaram a pipocar por todos os lados, outros livros foram escritos, produziram-se mais programas de televisão e mais filmes foram rodados para retratar o mundo dos médiuns. O mesmo ocorre atualmente em relação aos espíritos. É impossível ignorar que eles se tornaram parte da cultura de massa. Uma infinidade de programas de TV sobre o assunto ganha espaço nas transmissões do mundo todo. As atividades em torno dos espíritos se multiplicam por toda parte, mas nossos amigos do além são espertos o suficiente para confundir qualquer aspirante desavisado que se aventure sem conhecimento de causa em seu mundo invisível. Quando eu estava desenvolvendo o programa The Ghost Whisperer, em 2004, senti a responsabilidade de retratar o mundo dos espíritos da maneira mais precisa possível, com o objetivo de informar e educar. Depois de receber 600 e-mails perguntando se tudo em The Ghost Whisperer era verdade, achei que tinha a obrigação de esclarecer as complexidades e também os aspectos simples do lado espiritual da vida. Ao escrever este livro, espero transmitir a você, leitor, uma nova compreensão das forças invisíveis que, apesar de consideradas mortas, continuam tendo papel importante na sua vida. Quero que você seja capaz de distinguir a verdade da ficção, os fatos reais, dos exageros. Nos últimos 25 anos, escutei e testemunhei os deslocamentos de milhares e milhares de espíritos que existem em lugares inimagináveis. Essas experiências me tornaram altamente sensível às complexidades da existência humana e às conseqüências duradouras da angústia mental e emocional. A ciência é boa e útil, mas não há nada melhor do que obter informações em primeira mão vindas de um espírito. Quando a compreensão e as palavras nos chegam diretamente dos espíritos que nos assombram, tudo atinge um novo patamar de entendimento. Muitos perguntam onde fica o mundo dos espíritos. Será que eles estão sempre ao nosso redor? Será que vêem tudo? O meu desejo aqui é fornecer informações e exemplos de como compartilhamos o nosso espaço com os espíritos e mostrar que eles fazem parte de nossas vidas. São informações disponíveis para todos, e não exclusividade de um grupo privilegiado. Na minha infância, eu sabia que era um menino diferente dos outros. Desde bebê, eu enxergava espíritos. Ignoro totalmente a razão pela qual eu dispunha desse portal único para o outro lado. À medida que fui crescendo, descobri que ninguém mais via o que eu via, e que precisava lidar sozinho com aquele segredo. Não foi nada fácil para um menininho que queria ser igual aos outros. Logo me dei conta de que havia uma disparidade entre o que eu via e o que me diziam sobre o mundo invisível. Percebi que as crenças das pessoas em relação aos espíritos e à vida após a morte eram bem assustadoras. Levei algum tempo para separar meus sentimentos daquilo que os espíritos ao meu redor sentiam. Assim como as pessoas, alguns espíritos eram assustadores e outros, bem simpáticos. Mas, de um modo geral, os que entraram na minha vida a transformaram de modo bastante positivo. Para começar, por que existem espíritos? Todos assombram os vivos? Existem espíritos bons e outros maus? E o que podemos fazer com toda essa informação? A jornada para além deste plano é de uma beleza e criatividade incríveis. Apenas aqueles que têm medo escolhem ficar para trás e se apegar à atmosfera terrena. Esses espíritos presos à Terra são como aqueles descritos em histórias de assombração e retratados em filmes de terror. No entanto, a maioria dos espíritos não é aterrorizante. Quanto mais conhecimento tivermos, mais poderemos nos proteger dos espíritos presos à Terra que querem se intrometer no nosso ambiente físico. Eles podem exercer uma influência negativa sobre nós, fazer com que tomemos atitudes indesejadas e nos manter presos em um mundo de medo e desgraça. Por outro lado, há espíritos capazes de nos guiar na direção da verdade e da realização de nossos sonhos, que nos incentivam e exercem uma influência muito positiva na nossa vida. É possível tomar consciência da energia dos espíritos se compreendermos nossa própria energia. É possível pressentir a presença deles usando nossa mente intuitiva, e sintonizar a força dos que estão ao nosso redor para obter uma perspectiva adequada em relação ao nosso lugar no mundo. Use este livro como um guia. Há nele diversos exemplos sobre como os espíritos influenciaram minha vida e a de outras pessoas. Ele apresenta técnicas e diversas maneiras de entrar em contato com eles. Mas, antes de dar o primeiro passo, olhe ao seu redor, para o mundo que você conhece. Quando terminar de ler este livro, esse mundo nunca mais parecerá o mesmo.
1 - INFÂNCIA CHEIA DE ESPÍRITOS
"Eu vejo pessoas mortas." Estas quatro palavras do filme O sexto sentido estarão associadas para sempre a alguém capaz de enxergar espíritos e se comunicar com eles. O lançamento desse filme de tanto sucesso, em 1999, provocou um movimento significativo. Um grande número de pessoas me procura para descrever suas incríveis experiências com aparições de espíritos. Sinto-me extremamente grato por ter sido capaz de orientá-las a respeito da comunicação com a vida após a morte. Para começar nossa jornada de descobertas, quero antes de tudo assegurar a todos que a morte não existe. A morte está ligada apenas ao fim do corpo físico. Digo isso com total convicção, porque desde os 2 anos tenho me comunicado com os "mortos". Espíritos caminham entre nós, nos influenciando com seu amor, nos orientando com sua sabedoria e nos protegendo do perigo.

O amor de um avô
Nunca me esquecerei da primeira vez em que me dei conta de que existiam outros seres de um mundo diferente. Eu era bem pequeno e estava no berço quando ouvi o som de risadas de adultos vindo de outro cômodo. Pensei que fossem meus pais e chorei para chamar a atenção deles. Minha mãe entrou no quarto, me pegou no colo, me ninou por algum tempo e me deixou sozinho de novo. A partir daí, noite após noite, eu ficava acordado ouvindo o som das risadas. Depois de algum tempo, comecei a perceber que havia luzinhas brilhantes dançando no meu quarto e formando um desenho na parede e em torno do meu berço. Essas luzes me fascinavam. Vi a sombra de um homem de pé no canto do quarto, seus olhos azuis brilhando na escuridão. Havia uma luz em torno dele que parecia vir do seu interior. Senti o amor que emanava de sua presença e me acalmei. Ao se aproximar do meu berço, o homem sorriu. Não havia nada a temer, e ele me parecia familiar. Não disse nada, mas captei seus pensamentos. Esse espírito passou a me visitar de vez em quando e a me enviar pensamentos telepáticos de pôneis pintados trotando ao redor de um anel de formas coloridas. Seus pensamentos chegavam em forma de imagens, e eu sentia muito amor e luz vindo dele. À medida que fui crescendo, ele deixou de me visitar. Na época em que entrei no jardim-de-infância, eu passava freqüentemente os fins de semana na casa de minha avó, com quem eu tinha uma forte ligação afetiva. Em uma dessas visitas, vimos juntos um álbum de fotos de família. Ao ver a foto de um homem de olhos azuis brilhantes, perguntei quem era.

- É seu avô - respondeu vovó. - Ele morreu antes de você nascer. Ele veio da Inglaterra e foi trabalhar no rodeio, com pôneis e cavalos.

- Eu conheço esse homem, vovó. Ele me visitava quando eu era bebê e me contava histórias sobre os cavalos.

Minha avó sorriu. Percebi que ela não acreditava em mim, mas acrescentou:

- Ele adorava contar histórias sobre caubóis e índios.

Anos mais tarde, quando comecei meu trabalho como médium, ao terminar uma sessão, ouvi um espírito dizer, do canto da sala:

- Você é um bom menino, James. Estou orgulhoso de você!

Aquele tom carinhoso reavivou a lembrança do homem de olhos azuis brilhantes. Eu sabia que era meu avô. Fiquei feliz ao pensar que ele ainda estava por perto e que me protegia.


A sensibilidade de uma criança
As visitas dos espíritos se tornaram uma parte especial da minha vida. Ao contrário do menino do filme O sexto sentido, nunca tive medo de vê-los ou ouvi-los, porque eles apareciam para mim como esferas de luz. Eu achava tão natural que pensava que todo mundo podia vê-los. Eu era uma criança sensível e tímida. Falava com muito pouca gente além da minha mãe e dos meus irmãos. Tive uma infância relativamente normal, a não ser pelo fato de que via espíritos. Morava em uma casa pequena na região de Bayside, Queens, em Nova York. Fui superando a timidez e me tornando mais falante e extrovertido. Mas minha sensibilidade era muito aguçada em relação às pessoas ao meu redor, pois eu era capaz de prever suas ações. Conseguia também saber se alguém falava a verdade e era digno de confiança ou se era falso e mentiroso. Ninguém sabia que eu era capaz de ver espíritos, o que me fazia sentir estranho. Tinha consciência de que era diferente dos outros e de que era preciso aceitar esse fato. As únicas pessoas em quem eu realmente confiava eram os espíritos. Eles sempre se mostravam amistosos e interessados no meu bem. Eu esperava ansiosamente para me comunicar com esses seres porque eram os únicos que pareciam saber quem eu era e que me davam segurança. Só minha mãe tinha conhecimento da minha vida secreta com os espíritos. Temendo pelo meu bem-estar, ela me alertava dizendo:

- Jamie, nunca conte a ninguém a respeito do que vê. As pessoas não vão entender. Você é diferente das outras crianças.

Acontece que minha mãe também era diferente. Tinha habilidades psíquicas extremamente aguçadas e o dom da premonição. Às vezes eu a via conversando com sua mãe e seu pai, já mortos, pois percebia a silhueta dos dois ao pé da cama.
Espíritos assombram a igreja
Assim como muitas crianças católicas do meu bairro, estudei no Colégio Sagrado Coração. Minha mãe e eu íamos à missa todo domingo. Adorávamos sentar no mezanino, de onde podíamos ver as pessoas nos bancos e o padre no altar. A única coisa que realmente me assustava era o enorme crucifixo com Jesus pregado nele. Eu me perguntava por que as pessoas representavam Deus sofrendo daquele jeito. Admito que nem sempre compreendia o que estava acontecendo, e também não me interessava muito. Eu gostava dos cânticos e do cheiro de incenso. Geralmente ficava meio adormecido e hipnotizado enquanto o padre recitava orações em latim. Eu via muitos espíritos circulando por entre as fileiras de bancos da igreja. Alguns se ajoelhavam em frente às estátuas, outros iam até o altar, mas a maioria ficava perto dos fiéis. Via pais e mães falecidos ao lado dos filhos, via muitos espíritos de crianças correndo pela igreja, mexendo nos cabelos e nas roupas das crianças vivas. Algumas percebiam a presença dos espíritos e brincavam com eles. Mas havia aquelas que ficavam apavoradas e soltavam gritos, fazendo a mãe ou o pai repreendê-las. Para mim, tudo aquilo parecia uma brincadeira. Certos espíritos se ajoelhavam em frente às imagens de Maria, de Jesus ou de um santo. Eu perguntava à minha mãe:

- Por que eles precisam vir à igreja e rezar para as estátuas? Será que não vêem que Maria e Jesus de verdade estão no céu?

Minha mãe respondia:

- Algumas pessoas têm hábitos antigos que as fazem sentir-se bem.

De modo geral, as igrejas são vórtices de energia espiritual, independentemente da crença que professam. As pessoas se reúnem para louvar, contemplar e rezar em nome de Deus. Essas ações energizam o mundo espiritual e os espíritos aparecem para nos influenciar com seu amor e sua orientação. Não é à toa que muitos consideram as igrejas refúgios seguros. Tenho uma lembrança extremamente nítida de um domingo específico. O padre no altar estava erguendo a hóstia e repetindo uma prece em latim. No momento em que todos responderam, vi vários espíritos iluminados, vestidos com mantos brancos, atravessar a parede do tabernáculo. Eu sabia que eram espíritos especiais vindos do céu, porque sentia um clima de adoração e reverência. Muito emocionado, perguntei em voz alta:

- Mamãe, olha aqueles homens de branco no altar. Eles são anjos?

Todos me olharam espantados, e minha mãe fez sinal para que eu me calasse. Mas sempre me lembrarei da bela visão daqueles mensageiros celestiais. Ela acabou se revelando uma das muitas fontes de inspiração que tive ao longo dessa maravilhosa jornada.

A dama de rosa
Um ano depois, eu estava na missa dominical, esperando o momento da comunhão, quando senti uma dor de estômago tão intensa que tive que me deitar no chão entre o assento e o genuflexório. Eu queria que alguém me ajudasse, mas como tinha muito medo de ser repreendido pelas freiras, permaneci onde estava. De repente, olhei para cima, e uma mulher bonita, de vestido rosa, cabelos ruivos e olhos azuis inclinou-se sobre mim. Olhei em seus olhos, e pude ouvi-la claramente por sobre o som da missa.

- Não ligue para o que os outros pensam, James. Você nunca deve ter vergonha de ser quem é. Assim como hoje eu o estou ajudando, um dia você ajudará também os outros, trazendo-lhes paz. Ame a si mesmo e tudo ficará bem.

Despertei de meu estado de transe e consegui me sentar. A essa altura, o padre já estava recitando as preces finais. Olhei em volta. A mulher de rosa havia desaparecido. Observei as outras crianças, que desviaram o olhar de mim. Perguntei-me o que elas estariam pensando, mas fiquei calado, ainda meio tonto e confuso por causa da aparição. Só anos mais tarde compreendi sua mensagem. Foi uma das muitas que recebi falando sobre minha missão de levar paz, esperança e amor a outras pessoas.
Um resgate espiritual
Por ser um jovem tímido e sensível e por não gostar de esportes, eu não tinha muitos amigos. Procurava ser simpático e amigável, mas evitava os encrenqueiros.

Mike Marks era o valentão da classe na quinta série. Sentava-se no fundo da sala e passava o tempo todo fazendo o que pudesse para prejudicar a concentração da turma. Ele se irritava facilmente e parecia ter uma maldade intrínseca, difícil de controlar. Nosso professor de história, o Sr. Reed, era um homem calmo, que dava aulas vivas e interessantes. Um dia, Mike abusou da paciência do Sr. Reed. O professor chamou-o para a frente do grupo e bateu nele várias vezes com a vareta que usava para fazer os apontamentos na lousa. Então, vi o espírito. Como muitas de minhas visões, ele tinha um halo luminoso a seu redor. Era um homem alto, moreno, de cabelos castanhos. Ficou em pé à direita de Mike e assistiu com tristeza à surra que o garoto levava. A certa altura, levou as mãos ao rosto para evitar ver aquela cena terrível. Percebi que era o espírito do pai de Mike e que ele queria pedir desculpas ao filho. Eu gostaria de ter podido transmitir a mensagem a Mike, mas na ocasião foi impossível. Senti pena do garoto, imaginando que o coitado devia apanhar do pai e que por isso agia daquele jeito. Talvez suas explosões fossem um grito por socorro. Um dia, a caminho da escola, Mike perguntou se podia me acompanhar. Concordei, achando que seria legal andar ao lado do valentão da turma. Ele sugeriu que fôssemos até a ponte que passava sobre os trilhos do trem. Quando protestei, dizendo que ficava longe, pegou uma pedra e mirou na minha cabeça. Apavorado, não tive alternativa senão obedecer. Caminhei com Mike durante 45 minutos até chegar à ponte, que ficava em um local deserto. Mike me mandou sentar e tirar os tênis. Protestei mais uma vez, e ele voltou a me ameaçar. Desamarrei os sapatos rapidamente e entreguei-os a Mike. Segurando meus tênis por cima da via férrea, ele disse:

- Diga que eu sou o maior ou vou soltá-los. Tentei fugir, mas Mike me segurou e me jogou no chão. Minhas mãos e meu rosto bateram no solo com força. Implorei, chorando, que me deixasse partir, mas Mike ameaçou me atirar da ponte. Eu estava morto de medo, pois ele era suficientemente louco para me jogar dali.

- Me larga! - gritei. Mas Mike apenas riu.

De repente, o espírito que havia estado ao lado de Mike na sala de aula apareceu de novo, parecendo ainda mais brilhante. O espírito me enviou seus pensamentos.

- Eu sou Michael, o pai do Mike.

- Seu pai está falando comigo - disse a Mike.

- Você ficou louco! - gritou Mike.

- Seu pai está aqui conosco. Está dizendo que não foi culpa sua. Ele tinha bebido muito quando sofreu o acidente de carro.

Mike me olhou fixamente. Continuei:

- Ele está dizendo que não foi ao seu jogo da Liga Mirim porque morreu na noite anterior.

- Não é verdade - insistiu Mike. - Minha mãe disse que ele nos abandonou.

O pai de Mike contou que sua esposa mentira porque se sentia culpada demais por ter um caso extraconjugal. Ela havia pedido o divórcio ao pai de Mike no dia em que ele morreu.

- Não se culpe - prossegui, transmitindo a mensagem do pai. - Não foi sua culpa. Seu pai está dizendo que fica muito orgulhoso de você e sente muito por você não saber a verdadeira história da morte dele.

Mike jogou os tênis em mim e saiu correndo. O espírito me agradeceu por ter contado a verdade ao seu filho. Senti pena do espírito, mas agradeci por ele ter salvado a minha vida. Mike nunca mais falou comigo. Mais tarde, minha mãe me contou que o pai de Mike havia morrido em um desastre de carro. Um ano depois do incidente, Mike desapareceu do bairro. Tempos depois, fiquei sabendo que ele tinha ido para uma escola militar no interior do estado de Nova York.
Recomeço
À medida que ficava mais velho, fui perdendo o interesse pelos espíritos. Passei um ano em um seminário, até perceber que a Igreja Católica não tinha as respostas que eu procurava. Os problemas da adolescência me afastaram das preocupações com o outro lado. Eu era muito intuitivo, mas de certa forma fechei o portal para minhas visões. A essa altura, eu já tinha entrado para a faculdade, onde estudava Rádio e TV. Queria seguir carreira, como redator de comédias para a TV. Depois de formado, me mudei para Los Angeles, onde arranjei um monte de empregos esquisitos na indústria do cinema. Um dia, Carol, uma amiga do trabalho, me convidou para acompanhá-la a uma sessão espírita. Hesitei, sem saber se queria recomeçar essa história de espíritos, mas fui, movido pela curiosidade. Lá conheci Brian E. Hurst, um médium talentoso. No meio da sessão, ele virou-se para mim e falou:

- Os espíritos estão dizendo que você tem um grande poder mediúnico e um dia fará este trabalho também.



Pensei imediatamente: "De jeito nenhum! Não sou doido. Vou ser roteirista de TV, e não alguém que fala com os mortos." Mas meu interesse foi despertado e continuei freqüentando as sessões semanais de Brian. Acabei voltando a ver espíritos, como acontecia na infância. Então comecei a fazer minhas próprias sessões individuais, primeiro com amigos, em seguida com pessoas encaminhadas a mim. Depois de um ano, as sessões me ocuparam integralmente, e tive que fazer uma escolha. Não preciso dizer que larguei meu emprego no show business e me dediquei inteiramente ao trabalho com os espíritos. Isso foi há quase 25 anos, e minha vida tem sido uma verdadeira montanha-russa desde então. Depois de ter viajado pelo mundo todo, posso dizer, sem nenhuma dúvida, que os espíritos estão à nossa volta em toda parte.

2 - DEIXANDO O CORPO
As pessoas costumam me fazer as mesmas perguntas várias vezes. Como é morrer? Existe mesmo vida após a morte? Se existe, para onde vamos? E como é esse lugar? A morte é o grande desconhecido. No decorrer da vida, nossas crenças religiosas e culturais nos fazem desenvolver tantas idéias pré-concebidas sobre a morte que, quando o fim se aproxima, não temos um entendimento verdadeiro sobre esse grande acontecimento. Ainda que a experiência de morte de cada pessoa seja específica, posso dizer, com base em minha comunicação com os espíritos, que há uma incrível semelhança nessa transição.


  • Independentemente da forma de morte - homicídio, doença, acidente, suicídio ou velhice -, existe um fator constante que se repete. Ninguém sente dor ao morrer. Nunca me canso de repetir isso para as pessoas. Na verdade, é a ausência de dor que confunde muitos dos que acabaram de morrer, porque eles não percebem que se foram.

  • Ninguém fica sozinho na hora da morte. Quando saímos do corpo, nossos entes queridos que já faleceram vêm nos receber. Talvez tenham se passado vários anos desde que os vimos pela última vez, mas os laços afetivos que nos uniam na Terra continuam muito presentes do outro lado.

  • Na hora da morte, muitos têm a sensação de estarem cercados por uma luz brilhante e de serem puxados através de um túnel. As pessoas descrevem essa luz como sendo Deus ou um ser que tudo sabe. Algumas sentem que a luz é pura paz, alegria e amor. Em vez da luz, alguns espíritos falam de gloriosas cores celestiais, diferentes de tudo o que já viram.

  • Há uma imediata sensação de não existirem mais os limites do corpo físico. A vida anterior simplesmente desaparece, e é substituída pela consciência de uma "renovação" de vida.

  • Finalmente, quando estamos às portas da morte, parece haver uma imediata alteração de tempo-espaço. Os espíritos habitam uma dimensão atemporal, etérea e transparente. O tempo na Terra continua a passar, mas para o espírito tudo acontece no agora.


Ausência de dor
Por que escapamos da dor no momento final? Será que nosso espírito sente que o fim se aproxima e é capaz de desligar os receptores de dor pouco antes de morrermos? Aparentemente o Universo nos equipou com uma espécie de válvula para desligar a dor no cérebro, e ela começa a funcionar quando estamos a ponto de abandonar nosso corpo. Tudo se apaga, e a pessoa perde a consciência e a memória. Quando pergunto aos espíritos sobre a violência de um acidente, sobre o choque de uma bala entrando no corpo ou sobre a dor de um ataque cardíaco, eles freqüentemente respondem que não se lembram do impacto. Em vez disso, recordam-se imediatamente de seus entes queridos. De um jeito ou de outro, cada um deles diz: "Eu gostaria que (meu marido, minha esposa, minha mãe, pai, filha, irmã, irmão, filho) soubesse que ainda estou vivo." Foi o caso de um jovem espírito do sexo masculino que apareceu em um dos meus workshops em Nova York.

- Aqui está um rapaz de 17 ou 18 anos que se identifica como Sam e que diz ter estado em um acidente de automóvel - eu falei.

Uma mulher chamada Debbie levantou-se da cadeira, gritando.

- Ai, meu Deus, é Sam. É o meu Sam!

- Ele está pedindo que você não chore. Ele está vivo e bem. Debbie soluçou, concordando com um aceno de cabeça.

- Ele quer que você e toda a platéia saibam que, apesar de seu corpo ter sido arremessado através da janela dianteira, ele não se lembra disso e não sentiu dor alguma. Depois do acidente, ele viu o próprio corpo estendido perto de uma árvore, e só então percebeu o que havia acontecido. Ele diz que está com Alfred. Alfred o ajudou.

Debbie continuou chorando.

- Alfred é meu pai. Eu sabia que ele estaria lá para receber meu filho.

- Ele está me dizendo que apagou antes do impacto e que depois viu o avô. Achou que estava sonhando, mas o avô lhe disse que ele sofrera um acidente. Seu pai pediu a Sam que olhasse o próprio corpo.

Então me aconteceu algo estranho.

- Sam está me mostrando seu corpo. Estou vendo sua perna esquerda em uma posição estranha. Você sabe se a perna dele quebrou ou foi arrancada do corpo?

- Sei, sim - respondeu Debbie. - A perna foi quebrada em sete lugares diferentes.

- Seu filho quer que eu lhe diga que quando olhou para o próprio corpo, sentiu que aquele não era mais ele. Não estava conectado ao corpo. Sentiu como se estivesse fora, e como se não precisasse mais do corpo. Ele também sabe que você colocou pedras no local do acidente para celebrar a vida dele. Ele adorou esse gesto, e quer que você saiba disso. Debbie parecia chocada.

- Fiz isso esta semana. Posso perguntar uma coisa? Sam pode me ouvir?

- Sim, ele consegue ouvir todos os seus pensamentos o tempo todo. Ele sabe quando você está pensando nele.

A sessão continuou com mais detalhes sobre o falecimento de Sam. Então, o pai de Debbie falou.

- Alfred está dizendo que você não precisa se preocupar. Ele está cuidando de tudo.

Debbie parecia extremamente agradecida e satisfeita.



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