Jamir berton as comunidades de aprendizagem e seus entornos



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PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL

SUPERVISÃO ESCOLAR, ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL E

ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DA EDUCAÇÃO

CAMPUS VIAMÃO

JAMIR BERTON


AS COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM E SEUS ENTORNOS:

uma proposta educacional participativa.


Viamão

2009

JAMIR BERTON
AS COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM E SEUS ENTORNOS:

uma proposta educacional participativa.

Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Gestão da Educação– Campus Viamão - Faculdade de Educação, apresentado junto a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul como pré-requisito para obtenção de grau de Especialista em Gestão da Educação.


Orientador: Prof. Me. Domingos Kimieciki



Viamão

2009

JAMIR BERTON


AS COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM E SEUS ENTORNOS:

uma proposta educacional participativa.

Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Gestão da Educação– Campus Viamão - Faculdade de Educação, apresentado junto a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul como pré-requisito para obtenção de grau de Especialista em Gestão da Educação.


Aprovada em_______de____________de2009, pelo orientador,

Obtendo o grau:_______________
________________________________________

Prof. Me. Domingos Kimieciki


Aprovação com as normas da ABNT,

Grau final:_____________.



Agradeço a Deus, por seu infinito amor e pela sua presença constante ao meu lado! Você é a luz que ilumina meu caminho e a energia que me faz caminhar.

Ao meu professor, orientador, Domingos Kimieciki pelo seu exemplo de relação dialógica, paciência, dedicação e empenho.

A Paulo Freire pela sua utopia, esperança e a proposta de uma educação libertadora que se renova e se concretiza diariamente em minha ação educativa

Às irmãs de minha comunidade, que souberam acolher e compreender e proporcionaram todo apoio e incentivo para este tempo de estudo e reflexão.

A todos os educadores que impregnam de sentido os atos da sua vida cotidiana.
O CONSTANTE DIÁLOGO

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado

o semelhante

o diferente

o indiferente

o oposto

o adversário

o surdo-mudo

o possesso

o irracional

o vegetal

o mineral

o inominado

Diálogo consigo mesmo

com a noite

os astros

os mortos

as idéias

o sonho

o passado

o mais que futuro

Escolhe teu diálogo e tua melhor palavra ou teu melhor silêncio.

Mesmo no silêncio e com o silêncio dialogamos.

Carlos Drummond de Andrade, poeta, contista e cronista brasileiro. (1902 a 1987)



RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo refletir o tema sobre Comunidades de Aprendizagem e a sua importância para o processo de construção do conhecimento. O aporte teórico que serviu para respaldar este estudo fundamenta-se em pensadores como Jürgen Habermas e Paulo Freire e outros que acreditam em uma educação participativa, dialógica e transformadora. O diálogo representa a base de todo o método da educação libertadora, em que prevê uma ação comunicativa e dialógica entre o educador e o educando de forma horizontal, para a constituição de um processo educativo reflexivo-crítico, resultando na práxis transformadora. Os princípios das Comunidades de Aprendizagem proporcionam que o educador realize a ação – reflexão – ação e que a escola possa ser um espaço de construção de saberes, oportunizando a constituição de sujeitos críticos e criativos. É possível afirmar que as ações comunicativa e dialógica atuam como possibilidades de interação entre os sujeitos, educador e educando, para a construção de relações que produzem conhecimentos, pois todo o aprendizado solidário provém de momentos de diálogo e serve ao aprofundamento de nossa capacidade de viver e conviver com e entre diálogos. Os profissionais que atuam como educadores ao agir de forma solidária, cooperativa, dialógica, respeitosa, comprometida com a vida coletiva, possibilitam a legitimação do processo educacional.
Palavras-Chave: Comunidades de Aprendizagem, Agir Comunicativo e Ação Dialógica, Construção de Conhecimento.

RESUMEN

El presente trabajo tiene como objetivo reflejar el tema sobre Comunidades de Aprendizaje y su importancia para el proceso de construcción del conocimiento. El aporte teórico que sirvió para respaldar este estudio se fundamenta en pensadores como Jürgen Habermas y Paulo Freire y otros que creen en una educación participativa, dialógica y transformadora. El diálogo representa la base de todo el método de la educación libertadora, en que prevé una acción comunicativa y dialógica entre el educador y el educando de forma horizontal, para la constitución de un proceso educativo reflexivo crítico, resultando en la praxis transformadora. Los principios de las Comunidades de Aprendizaje proporcionan que el educador realice la acción – reflexión – acción y que la escuela pueda ser un espacio de construcción de saberes, oportunizando la construcción de sujetos críticos y creativos. Es posible afirmar que las acciones comunicativa y dialógica actuan como posibilidades de interacción entre los sujetos, educador y educando, para la construcción de relaciones que producen conocimientos, pues todo el aprendizado solidario proviene de momentos de diálogo y sirve al profundizaje de nuestra capacidad de vivir y convivir con y entre diálogos. Los profesionales que actúan como educadores al actuar de forma solidaria, cooperativa, dialógica, respetuosa, comprometida con la vida colectiva, posibilitan la legitimación del proceso educacional.


Palabras-Llave: Comunidades de Aprendizaje, Actuar Comunicativo y Acción Dialógica, Construcción de Conocimiento.




SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 8

2 GESTÃO E PARTICIPAÇÃO ESCOLAR 11

2.1 COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM: UMA PROPOSTA EDUCATIVA E PARTICIPATIVA. 14

2.2 AS COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM E SUA COMPREENSÃO . 15

2.3 OS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DAS COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM. .22

2.3 A AÇÃO-REFLEXÃO-AÇÃO COMO METODOLOGIA PEDAGÓGICA 34

3 O GESTOR ESCOLAR E O COMPARTILHAMENTO DA LIDERANÇA 37

4 A RELAÇÃO ESCOLA – FAMÍLIA . 39

5 OS EDUCANDOS COMO SUJEITOS DO CONHECIMENTO 41

6 CONCLUSÃO 45

REFERÊNCIAS 47

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo refletir e aprofundar o tema sobre Comunidade de Aprendizagem e a sua importância para a construção de Conhecimento. Em relação a este tema surgem alguns questionamentos para os quais se buscará a resposta ao longo do trabalho: O que são Comunidades de Aprendizagem? O que é fundamental para uma instituição se tornar uma comunidade de aprendizagem? Como o gestor, pode facilitar o compartilhamento de informações, recursos e objetivos? Qual o papel da família no desenvolvimento da capacidade de aprender? Como este segmento da comunidade escolar pode ser integrado nas comunidades de aprendizagem? De que forma as teorias da Ação Comunicativa e da Ação Dialógica podem contribuir para uma educação mais adequada às reais necessidades do sujeito, inseridos nos contextos da sociedade?

Assim, o presente trabalho propõe uma reflexão sobre as Comunidades de Aprendizagem e seus entornos, como forma de propiciar uma participação efetiva no espaço escolar, destacando o diálogo igualitário, proposto pelo projeto Comunidades de Aprendizagem à luz de Jürgen Habermas e Paulo Freire.

Numa sociedade em que o cotidiano põe o indivíduo em contato com a pluralidade de informações, é preciso operar os novos conhecimentos de uma forma global, dentro de uma visão interdisciplinar, a fim de atender às exigências de renovação. As competências fundamentais para o enfrentamento dos desafios de uma sociedade em constante transformação exigem a capacidade de compreender problemas, de criar soluções, saber argumentar, trocar pontos de vista e aprender permanentemente. O cidadão contemporâneo deve transitar em diversas áreas do conhecimento, o que exige da escola uma proposta de atuação interdisciplinar e contextualizada, que assegure a construção da organização do pensamento para o aprofundamento da reflexão.

A ampliação dos saberes, diante do atual desenvolvimento tecnológico e do paradoxo da necessidade de relacionar o global à especialização exigem, que se preparem os educandos para enfrentar os desafios das constantes modificações do mundo, tornando-os competentes críticos e reflexivos. É necessária, também, a compreensão da responsabilidade de cada um por suas ações sobre o meio em que vive, tanto pelo mundo físico e concreto, quanto pelas relações interpessoais e com os diversos grupos sociais. Neste sentido é de suma importância a presença do educador dialógico, pois é o momento de orientar para o compromisso com a construção do conhecimento e de incentivar o desenvolvimento pelo prazer de aprender.

O presente trabalho busca fundamentar-se em teorias que conferem significado para um processo educacional, condizente com a teoria das Comunidades de Aprendizagem. Entre os teóricos a serem destacados despontam Jürgen Habermas e Paulo Freire. Habermas do ponto de vista da sua teoria, possibilita através do diálogo a busca do consenso, que se dá a partir do questionamento da validade dos valores e das verdades existentes no sistema. É possível utilizar os conhecimentos e habilidades em qualquer situação de diálogo, de tomada de decisão e de aprendizagem, bem como desenvolver novos conhecimentos e criar significados através das interações e da construção em conjunto, por meio da ação comunicativa.

Paulo Freire, por sua vez, defende a educação como ato dialógico, destacando a necessidade de uma razão dialógica comunicativa onde o ato de conhecer e de pensar estariam diretamente relacionados. O conhecimento é apresentado como um ato histórico, gnosiológico, lógico e também dialógico. No desenvolvimento da sua teoria aparece fortemente o diálogo que acontece de uma forma horizontal e não vertical entre as pessoas envolvidas em uma relação.

A metodologia utilizada no desenvolvimento das idéias, inclui a coleta de dados em referências diversas que abordam os temas ligados aos fundamentos da proposta das Comunidades de Aprendizagem, bem como, a visita realizada em duas escolas que fazem parte do Centro de Investigação, em Barcelona. Os dados coletados serão analisados de forma critica e reflexiva, sempre levando em consideração aspectos vivenciais do cotidiano, onde são aplicados os princípios básicos da referida proposta.

Portanto, baseando-se em pensadores que partilham de uma prática pedagógica voltada para a construção do Conhecimento e que tenha sentido para a vida, este Trabalho de Conclusão de Curso se organiza em cinco capítulos.

O primeiro aborda o sentido da gestão e a participação. O envolvimento das pessoas, na participação e na cooperação de todos os segmentos escolares na busca de uma qualidade pedagógica. Para que seja uma gestão eficaz é preciso antes de tudo, que seja criado um ambiente estimulador, que envolva todos os componentes no sentido de participação e tomada de decisão.

O Capítulo dois contempla as Comunidades de Aprendizagem como uma proposta educativa e participativa. A proposta destas Comunidades de Aprendizagem surge com o objetivo de superar o fracasso escolar e melhorar o convívio entre toda a comunidade. Neste capítulo ainda, abordam-se os pressupostos teóricos das Comunidades de Aprendizagem, os quais destacam-se Habermas e Freire.

No capítulo três reflete-se sobre o gestor escolar e o compartilhamento da Liderança. O gestor escolar deve ser um líder pedagógico facilitador e estimulador da participação que apóia o estabelecimento e o desenvolvimento das prioridades, avaliando, participando na elaboração de programas de ensino, incentivando a sua equipe a descobrir o que é necessário para avançar, auxiliando os educadores a melhor compreenderem a realidade educacional em que atuam, cooperando na solução de problemas pedagógicos, estimulando os docentes a refletirem sobre sua prática pedagógica e a experimentarem novas possibilidades, bem como enfatizando os resultados alcançados pelos alunos

O capítulo quatro aborda a relação escola e família e a importância do diálogo na formação e construção de valores. A participação da família é essencial para o sucesso da gestão participativa, por se construir um processo de abertura nas discussões sobre o papel da escola, na própria estrutura social em que está inserida.

O capítulo cinco enfatiza os educandos como sujeitos do conhecimento, pois o conhecimento é construído pelas interações do sujeito com outros indivíduos, as interações sociais são as principais desencadeadoras do aprendizado e o conhecimento está vinculado ao contexto sociocultural do educando. A relação com o saber é a relação de um sujeito com o mundo, com ele mesmo e com os outros.

Este trabalho finaliza com algumas reflexões referentes a proposta das Comunidades de Aprendizagem com uma metodologia pautada na ação – reflexão – ação para que aconteça a construção do conhecimento e uma aprendizagem significativa para educandos e educadores.

2 GESTÃO E PARTICIPAÇÃO ESCOLAR

Estudar e investigar sobre a gestão democrática é importante nos processos educativos porque propicia o fortalecimento dos procedimentos de participação na comunidade escolar, incluindo as etapas de planejamento, tomada de decisões e a avaliação dos resultados alcançados. Esta forma de gestão, tem características e exigências próprias e, para efetivá-la, devemos observar procedimentos que promovam o envolvimento, o comprometimento, a participação e atuação das pessoas envolvidas, descentralizando o poder e dividindo responsabilidades. Aliás, a partir das determinações democratizadoras da Lei de Diretrizes e Bases(9394/96) para a educação, se faz necessário ter um novo olhar para organizar e gerir a escola, pois é imprescindível que os gestores tenham um perfil inovador, que executem novas práticas de participação em contextos de mudanças e inovações constantes.

O sentido etimológico do termo gestão vem do “gestio", que por sua vez vem de "gerere" que significa “trazer em”, “produzir”. Gestão é o ato de administrar um bem fora-de-si (alheio), mas também algo que traz em si porque nele está contido. E o conteúdo deste bem é a própria capacidade de participação, sinal maior da democracia e participação. Neste sentido, a gestão democrática e a participativa tem por objetivo envolver todos os segmentos interessados na construção de uma proposta coletiva de educação.

A gestão participativa pressupõe o envolvimento de todos os integrantes da Comunidade Escolar de uma organização no processo decisório. Educandos, Educadores, Funcionários e Gestores são envolvidos em todas as suas ações no estabelecimento dos objetivos, na solução de problemas, na tomada de decisão, na manutenção de padrões de desempenho, na garantia que a organização escolar esteja atendendo adequadamente as necessidades dos seus membros. Heloísa Luck (2000) ressalta que os objetivos da gestão participativa é melhorar a qualidade pedagógica do processo educacional nas escolas, para garantir ao currículo escolar maior sentido de realidade e autoridade; para aumentar o profissionalismo do professor; para combater o isolamento físico, administrativo e profissional dos diretores e professores; para motivar o apoio comunitário às escolas e para desenvolver objetivos comuns na comunidade.

Para que uma gestão seja eficaz é preciso então, antes de tudo, que seja criado um ambiente estimulador, que envolva todos os componentes da comunidade escolar no sentido de participação na tomada de decisão. Neste sentido a autora entende ser preciso criar uma visão de conjunto associada a uma ação cooperativa, promover um clima de confiança, valorizar as capacidades e aptidões dos participantes, associar e integrar esforços e desenvolver a prática de assumir responsabilidades em conjunto.

Uma gestão escolar democrática e descentralizada é aquela em que se promove a redistribuição das responsabilidades que objetivam intensificar a legitimidade do sistema escolar, ou seja, uma gestão onde o poder de decisão não esteja centrado somente no diretor. O papel do gestor na escola não requer somente executar decisões, mas sim, preparar condições, estimular, organizar as mudanças que advirem no decorrer do processo administrativo e pedagógico. Como reflete (Luck, 2000, p. 19):




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